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Jornal da Manhã - Ijuí, 25 de julho de 2013

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Data é comemorada há 89 anos

Para centenas de comunidades rurais do Sul do Brasil, o dia 25 de julho sempre se revestiu de significado cordial: é o Dia do Colono, estendendo ainda suas reverências ao motorista. Em outras palavras, ele remete às origens, aos pioneiros, num momento de celebração e de congraçamento por todos aqueles que, ao longo de décadas, plantaram as bases do desenvolvimento e do progresso regional. A definição do 25 de julho como Dia do Colono deu-se em 1924, em meio às comemorações do centenário de vinda dos primeiros alemães para o Rio Grande do Sul. A data simboliza a chegada da primeira leva de imigrantes à Feitoria Real do Linho Cânhamo, que, posteriormente, constituiria a sede de São Leopoldo. Os alemães rumaram à

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futura colônia navegando em lanchões Rio dos Sinos acima, partindo de Porto Alegre, numa iniciativa que teve a intervenção direta do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Dona Leopoldina. Os imigrantes, num total de 43, com seus pertences, instalaram-se provisoriamente em um paradeiro da Feitoria Velha, pertencente ao Império, para iniciar a ocupação da propriedade. Embora o Dia do Colono faça menção oficialmente à chegada dos germânicos a São Leopoldo – constituindo a primeira entre várias outras colônias bem-sucedidas no processo colonizatório do Rio Grande do Sul, na época ainda quase desabitado –, a vinda de alemães para o Brasil, dentro de projetos de colonização, é um pouco anterior. Já em maio de 1824, dois

navios com imigrantes haviam aportado no Rio de Janeiro. Esses colonos foram encaminhados para a região serrana do Estado, à localidade de Nova Friburgo, onde já havia uma pequena comunidade de imigrantes suíços. No entanto, as terras daquela região, inadequadas para o cultivo, logo desestimularam os alemães, dispostos à agricultura. Assim, muitos dos primeiros imigrantes posteriormente migraram de volta à capital do Império, o Rio, ou mesmo ao Sul, para a colônia de São Leopoldo, que então principiava. Por essa razão, o ciclo de imigração para a região serrana do Rio de Janeiro – também Teresópolis e Petrópolis – não vingou como no Sul, embora ainda hoje seja possível identificar marcas da contribuição alemã também nessas cidades cariocas.

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Sest/Senat tem programação especial para o Dia do Colono e Motorista Em comemoração ao Dia do Colono e Motorista, a unidade do Sest/Senat de Ijuí realiza no dia de hoje, atividades voltadas exclusivamente para a data junto ao Posto de Combustíveis da Cotrijui.

Com foco na relação entre transporte e cidadania, a programação do Dia do Colono e Motorista conta com realização de testes de glicose, mateada, corte de cabelos e distribuição de brindes, além de palestras sobre saúde e

música ao vivo em sua programação, que inicia às 8h e se estende até as 18h. O evento é uma forma de lembrar duas categorias de grande importância na vida econômica e social da comunidade regional.

Unidade visa homenagear duas categorias de grande importância regional

CURIOSIDADE: 25 de julho também é o Dia do Motorista em homenagem ao protetor dos motoristas e dos viajantes: São Cristóvão. Ele viveu na Síria e sofreu o martírio no século III. “Cristóvão”significa “Aquele que carrega Cristo” ou “porta-Cristo”. Seu culto remonta ao século V. De acordo com uma lenda, Cristóvão era um gigante com mania de grandezas. Ele supunha que o rei a quem ele servia era o maior do mundo. Veio a saber, então, que o maior rei do mundo era Satanás. Colocou-se pois, a serviço deste. Informando-se melhor, descobriu que o maior rei do mundo era Deus. São Cristóvão resolveu trocar a sua mania de grandeza pelo serviço aos semelhantes.

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Os construtores da vida e do futuro

Todos temos um pouco - ou muito - de colono e motorista. No mínimo, dependemos de um e de outro: 70% da comida que chega na nossa mesa vem dos agricultores familiares. Para ir de um a outro lugar, ou somos motoristas ou dependemos de alguém, profissional ou não. Sem falso orgulho, carrego pela vida alguns calos na mão e nos dedos, adquiridos há décadas trabalhando na roça ao lado de seu Léo e dona Lúcia, na propriedade de pouco mais de 20 hectares na pequena Santa Emília, Venâncio Aires, interior do interior do Rio Grande do Sul. Quando eu era guri, plantávamos fumo (como, aliás, a região, o Vale do Rio Pardo, continua fazendo majoritariamente até hoje). Era duro: colher as folhas de fumo - que deixavam as mãos, os braços e a roupa toda gosmenta -, colocá-las no forno que ardia noite e dia. De pois, fazer a seleção, folha por folha, sentado no chão, segundo a classificação oferecida pela indústria. Finalmente, vender o produto para os "americaner", que era como os alemães identificavam, ironicamente, a Souza Cruz. Alguém estrangeiro, de longe, explorador. Foi aí que aprendi a ler e escrever. Tia Leonida, na sua sabedoria de agricultora e leitora voraz, achou um método alfabetizador eficiente. Enquanto sortia o fumo sentada no chão, escrevia, com carvão, letras e palavras na parede do galpão de madeira. Eu relutava, chorava dizendo que não seria capaz, mas quando fui para a escola São Luiz, com 6 anos, mais falando alemão que

português, sabia ler e escrever. Crescemos saudáveis, comendo de tudo que a terra dava; aipim, batata, laranjas, alface, tomate, goiabas, ameixas, bergamotas, schmias, milho e tantas outras coisas mais - e o que os animais davam; carne, ovos, linguiça, banha, torresmo, queijos, leite, etc. Hoje, os manos mais novos, Elma e Marino, continuam, com mamãe, na mesma terra, plantando, colhendo, criando galinhas, tendo algum gado e porcos para o consumo, e vendendo o que produzem quartas e sábados, principalmente frutas e verduras, na Feira do Produtor na cidade. Vivem disso, e relativamente bem. O 25 de julho, Dia do Colono e do Motorista, merece toda celebração e mística adquiridas ao longo do tempo. Comemos o que alguém planta ou nós mesmos plantamos. Dependemos da forma como se planta e cuida de cada verdura, pé de feijão ou batatinha arrancada da terra. Estamos nas mãos do guia dedicado que coloca as mãos no volante e nos leva a visitar mamãe, nossos netos, afilhados e amigos, leva as crianças para a escola ou transporta os alimentos de um lugar para outro. Colonos e motoristas são essenciais. Merecem todo nosso apoio, reverência e elogios, assim como todo cuidado do poder público. Parabéns e mil vidas pela frente a esses construtores da vida e do futuro. Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

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Emater contribui para redução de dificuldades no campo

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Emater/RS-Ascar trabalha junto aos agricultores com o objetivo de reduzir a pobreza extrema no campo. Forte aliada na inclusão social no Estado, a entidade busca através da assistência técnica oferecer aos produtores familiares a oportunidade de aumentar seus lucros a partir de formas de manejo avançada aliada às novas tecnologias. Recentemente, a Emater avaliou o andamento de suas atividades na região de abrangência de Ijuí. Atualmente, a entidade desenvolve atividades com 590 famílias beneficiadas na região administrativa de Ijuí pelo Programas Brasil Sem Miséria e o RS Mais Igual. “Todos os municípios já concluíram a fase das visitas e capacitações e a grande maioria já está com os projetos produtivos elaborados”, explica a coordenadora regional de Bem-Estar Social da Emater/

RS-Ascar, Silvana Canova. Na região de Ijuí, a assistência técnica abrange nove municípios. No Estado, porém, são 69 municípios e seis mil famílias do meio rural que receberão assistência técnica da Emater até 2014. Contudo, o técnico da Emater/RS-Ascar responsável pelos Programas, Lauro Bernardi, antecipou que o número de famílias atendidas passará para oito mil e o número de municípios, para 289. “É uma necessidade melhorarmos a autoestima no m e i o r u ra l , p ro m ove n d o a inclusão social, porque qualificamos os produtores e fortalecemos a inclusão produtiva”, disse o gerente regional da Emater/RS-Ascar de Ijuí, Geraldo Kasper. “O projeto produtivo, às vezes, passa a ser um detalhe, não menos importante, diante do fato de irradiarmos políticas públicas a esses sujeitos sociais”, completou a gerente

técnica adjunta da Emater/ RS-Ascar, Regina Miranda. Segundo Regina, para alguns gestores públicos a pobreza é uma ofensa, uma vergonha, escondida embaixo do tapete. Contudo, se o gestor não aceita a pobreza no seu município, é porque o pobre nega a sua pobreza. Após o relato, Regina parabenizou o trabalho da equipe e lembrou as palavras do bispo Dom Mauro Morelli, que há anos dedica-se a encontrar soluções para problemas gerados pela fome e miséria no Brasil. Segundo Morelli, o pior da pobreza é passar por ela e não se indignar. “Percebo nas falas das pessoas uma indignação com a pobreza e com a miséria e isso é muito bonito, isso é cidadania”, concluiu a gerente.

Entidade busca oferecer aos produtores familiares a oportunidade de aumentar seus lucros através da assistência técnica

D'Pneus: qualidade e bom atendimento

A D'Pneus disponibiliza, há mais de 4 anos, bom atendimento e produtos de qualidade aos clientes de Ijuí e região. A empresa oferece pneus

agrícolas para caminhões, caminhonete, passeio, e também realiza os serviços de balanceamento, borracharia, conserto de vulcanização de pneus e câmaras, geometria,

suspensão, polimento, revisão e espelhamento. Na D'Pneus você também confere lançamentos em rodas cromadas aros 15, 16, 17, 18, 19 e 20. E ainda, todas as linhas de pneus Michelin, Goodyear, Firestone, Bridgestone, Pirelli, Yokohama e importados. Os sócios proprietários da empresa, Moacir e Avino, parabenizam a todos os colonos e motoristas da região pela data comemorada hoje. A D'Pneus está situada na Rua do Comércio, 1473. Telefone: 55 3333 4004. Empresa disponibiliza ótimas marcas e serviços para Ijuí e região

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Feira do Produtor Rural acontece hoje Em comemoração ao Dia do Colono e Motorista, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ijuí promove hoje uma feira de produtos coloniais. A feira acontece em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais e será também um momento de reflexão que deve ser visto como comemoração aos benefícios que a categoria já conquistou, tanto na área de Previdência Social, saúde e habitação.

Nova legislação visa mais saúde e bem-estar

Nova legislação determina o descanso de 30 minutos a cada quatro horas

As extensas jornadas de trabalho que ameaçam a saúde e a segurança dos motoristas de caminhão no País estão entre os principais alvos da nova regulamentação da profissão de motorista, sancionada no dia 30 de abril pela presidente Dilma. Publicada no Diário Oficial da União do dia 02 de maio, a nova lei estabelece regras para o turno de trabalho, com paradas para descanso obrigatórias. O texto determina que os motoristas devem fazer um intervalo de, no mínimo, 30 minutos a cada quatro horas. O tempo de descanso pode ser fracionado, desde que o limite de horas consecutivas ao volante não seja excedido. O não cumprimento dessas normas implica infração grave, multa e retenção do veículo para cumprimento do intervalo necessário. No total do dia, o intervalo mínimo é de 11 horas, que podem ser divididas em duas pausas, de nove e de duas horas. Para garantir que os intervalos de descanso não fiquem só no papel, a regulamentação prevê a fiscalização por meio de controles manuais (papeleta, ficha de trabalho externo) e eletrônicos (tacógrafo, GPS). As definições sobre a jornada foram incluídas também no Código de Trânsito Brasileiro.

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Ijuí, 25 de julho de 2013

Legislação prevê protetor solar gratuito para trabalhador rural A regulamentação da Lei do Protetor Solar é uma das novidades do Plano Safra Estadual 2013/2014. A Lei 13.469, cria o Programa de Proteção à Saúde do Trabalhador Rural e prevê a distribuição de protetor solar aos agricultores familiares como forma de prevenção ao câncer de pele. Aprovada em 2010, a norma também beneficia pescadores e aquicultores. Com a regulamentação, o RS toma a frente nessa iniciativa, que é pioneira no Brasil. Com a publicação do decreto de regulamentação, a expectativa é de que o programa comece a ser operacionalizado pela Secretaria da Saúde já no final do segundo semestre. Inicialmente, será realizado um projeto piloto abrangendo em torno de 130 municípios gaúchos, definidos a partir de critérios técnicos como maior ocorrência de casos de câncer de pele, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O risco de câncer de pele é alto entre os trabalhadores rurais

Para esta primeira etapa, o Estado deverá adquirir através do Laboratório Farmacêutico do RS (Lafergs) filtros solares com fator de proteção 30 para serem distribuídos aos beneficiários, cadastrados por entidades autorizadas, como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, mediante apresentação de receituário médico. Segundo o Inca, o RS é o Estado com maior incidência de câncer de pele no Brasil, com 8,38 novos

casos de melanoma para cada 100 mil habitantes por ano. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ijuí, Carlos Karlinski, salienta a importância dessa proposição. "O trabalho rural é uma das profissões que mais tem exposição ao sol. A atividade a céu aberto causa um grande risco de cancêr de pele, por isso essa reinvindicação é extremamente importante", salienta o presidente.

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Colono e Motorista 25.07.2013  

Edição especial do caderno Colono e Motorista do JM

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