Page 1

Sem dinheiro

ELEIÇÕES 2012 politica@jornaldametropole.com.br

Para Wilson Gomes, a campanha eleitoral em Salvador pode ser chamada de “campanha de R$ 1,99”, por conta da falta de dinheiro. Para ele, a prestação de contas deve mostrar que, se comparada a outros pleitos, 2012 recebeu pouco investimento.

Setembro esvaziado Sem debates de TV e quase sem pesquisas, mês eleitoral fica marcado pela repetitiva briga DEM-PT Manuela Cavadas Fotos Texto Adalton dos Anjos e Clarissa Pacheco adalton.anjos@metro1.com.br

clarissa.pacheco@jornaldametropole.com.br

MAIS DE 45 dias se passaram desde a última vez que os seis candidatos à Prefeitura de Salvador se reuniram para um debate em uma emissora de televisão local. De lá para cá, o palco dos embates foram os programas eleitorais, inserções e entrevistas no rádio e na TV. Os postulantes ao cargo de prefeito apareceram individualmente e não houve discussão direta de propostas. Sem debates na TV e com apenas três pesquisas de intenção de voto divulgadas em setembro, a corrida eleitoral acabou sendo marcada por ações judiciais movidas pelos candidatos Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM) por dezenas de direitos de resposta.

A última semana antes das eleições, porém, promete ser agitada. Os prefeituráveis enfrentarão uma maratona de três debates em emissoras de TV da capital. Para os marqueteiros, a concentração dos debates tem prós e contras. “Positivo é o confronto de ideias, a comparação de planos de governo com visões diferentes; negativo é submeter os candidatos à cansativa rotina de debates e entrevistas”, afirma o marqueteiro do PMDB Haroldo Cardoso.

Mais eleições?

www.metro1.com.br/eleicoes Neto, Nelson e Mário protagonizam a eleição, mas o eleitor ainda não sabe a real diferença de intenção de votos entre eles

Debates mornos

Debate da TV Aratu, em 14 de agosto, é o mais recente desta campanha eleitoral. Na semana que vem, serão três 8

Para o analista político Wilson Gomes, a tendência é que a disputa esquente com os debates de 1º/10, na Record, 3/10, na TV Aratu, e 4/10, na TV Bahia, já que, nos dois primeiros encontros, o clima foi morno. “Os debates eram de uma cordialidade espantosa. Ninguém queria tocar em ninguém. Agora, quando a campanha chega ao último momento, a tendência é cada um avaliar suas possibilidades. Então, se para Mário Kertész e Nelson Pelegrino ir para o segundo turno significa tirar pontos de ACM Neto, muito provavelmente o tom de ataques deve subir”, opina.

Já o cientista político Valeriano Mendes acha que nos próximos três encontros os pleiteantes serão mais cautelosos, com receio de perder votos. “A tendência é ficar mais agarrado à campanha positiva e não ao confronto. O eleitor tem um pouco de ojeriza quando os candidatos se agridem muito”, explica. Para Haroldo Cardoso, marqueteiro do PMDB, os debates são responsáveis por amadurecer os eleitores. “Sem debate não se questiona, não se discute o que é melhor para a cidade, e assim fica quase impossível fazer a melhor escolha”, afirma. Salvador, 28 de setembro de 2012


Menos pesquisas Valeriano Mendes crê que houve uma redução do número de pesquisas de intenção de voto no país. “Não sei se a gente estava acostumado com a campanha de 2010, que teve uma overdose de pesquisas. A gente ficou um pouco mal acostumado”, diz.

ELEIÇÕES 2012

Muita briga, poucas propostas Enquanto as propostas não são questionadas, os pleiteantes trocam farpas. Em setembro, o eleitor assistiu ao vídeo em que ACM Neto (DEM) dizia: “Eu disse sim a João”. Pouco depois, foi ao ar, também via

PT, o vídeo em que o democrata dizia ser “capaz de dar uma surra” no presidente Lula, em discurso na Câmara Federal. Na Justiça, Neto ganhou o direito de resposta e a proibição de que as imagens fossem transmitidas. Para o marqueteiro do DEM,

Pascoal Gomes, ataques não estavam nos planos. “Nós optamos por uma campanha propositiva, mas fomos atacados e tivemos que reagir”, disse. Ainda assim, o marqueteiro do PT, Sidônio Palmeira, diz que as investidas contra Neto não foram o centro da

Celeuma judicial de DEM e PT não deu espaço a propostas

campanha. “Para a gente, o centro não foi agressão, muito pelo contrário. O que nós fizemos foi defender. Duas coisas que dizem ser agressões, foram falas dele [ACM Neto]”, diz Palmeira. O marqueteiro peemedebista, Haroldo Cardoso, lamenta a polarização. “Pena que o que se tem assistido até aqui é mais um capítulo da briga entre o petismo e o carlismo, o que evidentemente não traz nada de novo nem de bom para Salvador”, afirma

Kertész tem se mostrado como alternativa às rusgas entre Neto e Pelegrino

Linha de chegada Os candidatos se preparam para a semana pré-primeiro turno, que promete ser exaustiva. A equipe de Kertész aposta em caminhadas, caravanas e na presença ainda maior do candidato nos bairros. “Uma comunicação mais emocionante e mobilizadora pelo rádio, televisão e internet são os ingredientes da reta de chegada”, diz Haroldo Cardoso. Já Sidônio, marqueteiro do PT, diz que não deve mudar as estratégias. “A campanha de Nelson está em franco crescimento. A gente vai continuar na mesma batida, propositiva, falan-

do a verdade”, afirma o marqueteiro da campanha de Pelegrino. Pascoal Gomes, do DEM, diz que a última semana de campanha será de muita emoção, com o “candidato na rua, nos braços do povo”. Ele conta ainda com o “acirramento próprio da reta final”. Para o cientista político Valeriano Mendes, os candidatos precisam ser estratégicos e cautelosos em suas apresentações às vesperas da votação. “Vai chegando o fim da campanha, e você vai sendo mais cauteloso. Os candidatos fazem um debate muito amarrado”, afirma.

Pelegrino e Neto se envolveram em disputas jurídicas, e não se sabe qual será a consequência disso nas urnas

Equipes ‘no escuro’ Em outras capitais nordestinas, como Recife e Fortaleza, o Datafolha, um dos mais importantes institutos de pesquisa do Brasil, fez três avaliações em dois meses. Junto com Ibope e Vox Populi, totalizam-se nove pesquisas nessas cidades. Em Salvador, apenas cinco pesquisas foram feitas: nenhuma pela Datafolha. Para Valeriano, o custo elevado das pesquisas tem sido um dos motivos para que os veículos de Salvador, 28 de setembro de 2012

comunicação tenham encomendado menos pesquisas. Na capital, apenas a TV Bahia e a TV Bandeirantes têm comprado pesquisas do Ibope e Vox Populi. O jornal A Tarde, que encomendou pesquisas em 2008, não o fez em 2012. Para Wilson Gomes, a baixa quantidade de pesquisas deixa eleitores e equipes de campanha ‘no escuro’. “A gente não sabe se a história da surra no presidente Lula surtiu efeito, não sabe se

a proposta de Mário Kertész de não ataque surtiu efeito ou não”, declarou. Segundo os marqueteiros do PT, Sidônio Palmeira, e do

DEM, Pascoal Gomes, as pesquisas de grandes institutos são importantes, mas todos trabalham com pesquisas internas. Já para Haroldo Cardoso, do PMDB, as pesquisas locais têm baixa credibilidade. “Ninguém leva muito a sério, e não faltam motivos para isso”, afirma. 9

Setembro esvaziado  

Matéria publicada no Jornal da Metrópole de 28.9.2012 Texto: Adalton dos Anjos e Clarissa Pacheco Fotos: Manuela Cavadas

Advertisement