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Trainee Brazil Pharma

Planos suspensos

A Brazil Pharma segue com inscrições até 28/10 para o Programa de Trainee 2013, nas áreas de administração corporativa, operações e vendas, com duração de 18 meses e início em janeiro de 2013. Inscrições no site da empresa.

Em protesto contra os abusos cometidos pelos planos de saúde, médicos de vários estados irão suspender, entre 10 e 25/10, consultas e procedimentos eletivos com guias de planos que não aceitaram negociar com a categoria.

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Sem destino Foto Darío Guimarães Texto Clarissa Pacheco

clarissa.pacheco@jornaldametropole.com.br

A VIA EXPRESSA Baía de Todos os Santos é a obra mais ousada do governo estadual, com custo de R$ 480 milhões. O conjunto de viadutos que liga a Rótula do Abacaxi ao Comércio deve desafogar o tráfego e facilitar o acesso ao Porto de Salva-

dor. Mas, por trás da grandiosa obra, há um impasse. Para que a Via Expressa seja concluída, é preciso desapropriar imóveis e realocar moradores em áreas onde passam os viadutos, como a Estrada da Rainha, ou onde há risco de desabamento. Mas há quem não esteja disposto a sair de onde vive ou trabalha, como os 33 ocupantes de ca-

sarões na Ladeira da Soledade, cujos imóveis ficam a poucos metros de onde ocorrem detonações para construção de um túnel. Um acordo com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder) determinava que os locatários deixassem os casarões até o final da obra, com a garantia de que receberiam um aluguel social. “Mas ninguém

Risco existe, mas locatários da Ladeira da Soledade se recusam a deixar imóveis por obra da Via Expressa

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nunca pagou nada e todo mundo desistiu. Se ninguém ia sair, não era eu que ia sozinha”, desabafa Arlene Pereira, 55 anos, dona de um mercadinho. Dona Arlene sobrevive no casarão sem água e em meio a rachaduras que começaram a aparecer após as explosões. “Botei na mão de Deus, eu não posso sair daqui, é minha única renda”, diz.

Com explosões para implantação de túnel, casarões ficam ameaçados. Mas locatários querem ficar: “O dono disse que o prédio era dele e que ninguém ia sair”, conta o dono de um bar 6

Salvador, 05 de outubro de 2012


Limpo Nome O Serasa Experian lançou esta semana a campanha Limpo Nome, ferramenta para negociação de dívidas através da internet. Até o final do ano, cerca de 200 mil brasileiros receberão uma correspondência com uma senha para negociação.

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Risco é iminente

Dona Arlene vivia na Estrada da Rainha e se mudou para o mercadinho da Soledade: “Não tenho para onde ir”

As rachaduras no teto e nas paredes do mercadinho de Dona Arlene são amostras do risco a que estão expostos os moradores e comerciantes da região. “O pessoal da obra avisa quando vai fazer as detonações. E tem que sair, ficar do lado de fora, pode estar doente como for. Se a gente estiver dormindo, eles batem, acordam e avisam, porque estremece tudo”, diz a comerciante, que também mora no casarão. Dona Arlene conta que os problemas de saúde aumentaram:

“Fui parar no hospital por causa da poeira, mofo, cimento branco”. Para Irovan, há 18 anos no local, além do risco, há o incômodo, já que a obra acontece também durante a noite. “A gente chega cansado, incomoda”, conta. Segundo a promotora Márcia Virgens, uma nova visita ao local tem que ser feita com urgência, a fim de saber o que pode ser feito pelo MP. “Já estão em fase de detonação, e isso pode afetar a integridade física das pessoas que permanecerem”, diz.

Moradores voltaram atrás após acordo Segundo o MP, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Conder, intermediado pelo Núcleo de Direitos Humanos e Articulação com os Movimentos Sociais (Nudh). No entanto, alguns moradores ainda se recusam a sair. Segundo a promotora Márcia Virgens, coordenadora do Nudh, o caso da Soledade é diferente da Estrada da Rainha, cujos imóveis precisam ser demolidos. “A desapropriação é compulsória, não há muito que fazer, a não ser discutir o valor da indeni-

zação. Mas nos outros imóveis, não se trata de desapropriação, e sim de imóveis que não têm condições [de abrigar pessoas]”, explicou. A promotora disse ainda que, no caso dos locatários, houve uma negociação para que elas recebessem um aluguel social. “Algumas

Moradores dizem não ter recebido valor dos aluguéis

pessoas já saíram, mas outras se recusaram, voltaram atrás, acharam que foram prejudicadas”, completou. A nova situação foi informada pelo coordenador de desapropriação da Conder, José Correia. Para moradores, no entanto, a situação não foi bem resolvida. “Disseram que a gente precisava sair, depois disseram que não precisava. Prometeram pagar o aluguel e não pagaram. A gente tá no mato sem cachorro”, diz Irovan Pereira Silva, 49 anos.

Rachaduras e infiltração em casarão aumentaram após início da obra

Estrada da Rainha

Segundo moradores e comerciantes da Ladeira da Soledade, detonações no túnel são rápidas, mas assustam Salvador, 05 de outubro de 2012

Desde março deste ano, os moradores da Estrada da Rainha negociavam com a Conder o valor das indenizações, já que os imóveis onde viviam precisariam ser demolidos. O impasse se dava no valor a ser pago pelo Estado. Segundo moradores, em muitos casos, as indenizações eram inferiores ao valor dos imóveis. Segundo a Conder, houve acordo com 23 moradores da região, que foram transferidos para o Empreendimento Rainha da Paz, na Cidade Nova. Mas, para o ex-morador Ad-

milson Gomes, cuja casa já foi demolida, as coisas não andam bem. “Eu já saí do meu imóvel por uma questão de segurança, mas não recebi o dinheiro do aluguel, que era uma obrigação, e também não recebi minha indenização ainda. Então, eu estou a ver navios. Saí da minha casa, que era própria, para estar morando numa casa emprestada, e eles não resolvem nada da minha vida”, desabafou. Segundo a Conder, a indenização está disponível em conta judicial desde abril, enquanto o aluguel teria sido recusado pelo morador. 7

Sem destino  

Matéria publicada no Jornal da Metrópole de 5.9.2012 Texto: Clarissa Pacheco Fotos: Darío Guimarães

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