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USM CONFIRA: ATACAMOS pág. x REGINALDO HOLYFIELD COM NOSSAS PERGUNTAS GUNTAS CRETINAS

02 MAR

pág. 18

JORNAL DA

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DARIO GUIMARÃES GERALDO MELO

Na ausência de um posicionamento contundente da Prefeitura Municipal, a sociedade civil de Salvador se mobiliza para salvar o hospital do fechamento. Dentro e fora da Internet, pipocam ações para ajudar a unidade que é referência nacional no tratamento do câncer. Págs 4 e 5


política

“Você não pode entender como existem pessoas nesse nível administrando a saúde em nosso município” Dr. Aristides Maltez Filho, presidente do Hospital Aristides Maltez

politica@jornaldametropole.com.br

O Aristides pode parar Com fluxo diário de 3 mil pacientes para tratamento de câncer, Hospital Aristides Maltez pode fechar Fotos Geraldo Melo Texto Clarissa Pacheco

clarissa.pacheco@jornaldametropole.com.br

COM 60 ANOS de atuação recém-completados, o Hospital Aristides Maltez (HAM), instituição filantrópica referência nacional no tratamento de câncer, pode fechar as portas em breve. Atolado em dívidas que alcançam os R$ 13 milhões – decorrentes da falta de repasses da Secretaria Munici-

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pal de Saúde (SMS) a débitos firmados em convênio desde outubro de 2009 –, a unidade não pode comprar medicamentos, material médico e cirúrgico, alimentos e nem pagar o salário dos 942 funcionários. “Estamos com um débito acumulado e não temos mais de onde tirar. Se continuar assim, dentro de 20 a 25 dias, o hospital vai parar”, desabafa o presidente da Diretoria Executiva do hospital,

Dr. Aristides Maltez Filho. A ameaça causa apreensão entre corpo profissional, pacientes, acompanhantes e cidadãos. Todos os dias, 3 mil pessoas com câncer passam pelos 218 leitos da unidade, sendo 10 de UTI e 18 de oncologia pediátrica. Em média, 1,7 milhão de procedimentos são realizados todos os meses. A despesa mensal é de R$ 6 milhões, sendo que a maior parte era coberta pelo contrato manti-

do até dezembro do ano passado com a SMS. Sem a renovação, o déficit mensal chega aos R$ 304 mil. “Cobrimos porque temos doações, mas não temos mais como arcar. Não posso assinar um contrato sem reajuste porque a demanda é muito grande. Se assinar, daqui a três meses vai se repetir”, aponta Maltez Filho. A situação vem despertando solidariedade. Nas redes sociais, já tem início uma campanha por doações ao hospital.

Salvador, 02 de março de 2012


Rio dos Macacos

Coincidência?

Em 27/2, o Governo Federal assegurou que os direitos da comunidade quilombola Rio dos Macacos serão preservados. A ordem de reintegração está suspensa até a conclusão do relatório técnico do Incra.

Dos 23 representantes territoriais de cultura da Bahia, quase metade é filiada a partidos da base governista, segundo o TSE. O suposto uso de critérios partidários veio à tona após o último edital, que acabou suspenso.

política politica@jornaldametropole.com.br

Eficiência atrai pacientes Nos corredores cheios, a procura tem motivo. O atendimento é eficiente, o hospital desenvolve pesquisa científica, não faz distinção entre pacientes e não se mostra inferior a qualquer hospital particular. Ambulatórios, enfermarias, apartamentos, alas de quimioterapia e atendimento pediátrico são de última geração. Dentre os pacientes, há soteropolitanos, outros vindos dos 417 municípios baianos, além dos estados de Sergipe, Alagoas, Per-

nambuco, Paraíba, Pará, Maranhão, Espírito Santo e Minas Gerais. Para quem recebe atendimento na casa, o fechamento do Aristides é inadmissível. “Cheguei ontem, ela já foi operada. O paciente é muito bem tratado, a equipe é

Pacientes e familiares temem fim do atendimento no hospital

quer ajudar?

competente. Como pode fechar?”, questiona Bartolomeu Pereira, que foi ao hospital com a sogra. O questionamento de Bartolomeu é o mesmo da cantora Cláudia Leitte, madrinha da ala pediátrica do hospital, que começou uma campanha para doações à unidade através do Twitter. O site oficial do Esporte Clube Bahia e o Facebook do BBMP também divulgaram contas para que as pessoas possam fazer doações ao Aristides.

Impasse trava negociação Em 2009, o secretário de Saúde do Estado, Jorge Solla, manifestou interesse em levar o hospital à gestão estadual. Apesar do parecer favorável da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) e do Ministério da Saúde, um impasse entre as pastas trava a negociação. Indignado, Maltez Filho critica o que chama de “incompetência, insensibilidade e falta de sentimento” dos gestores. “Não se pode entender como há pessoas nesse nível administrando a saúde do município. Acho que o prefeito está pensando em fazer a alegria pessoal à custa das pessoas que padecem de câncer, pensando que quem tem câncer não sabe votar”. O secretário da Saúde do município, Gilberto José, atribui a si-

tuação ao corte na verba repassada pelo governo federal. “O teto é R$ 4 mi por mês para alta complexidade. O HAM tinha com a SMS um contrato de R$ 6 mi. Agora eles apontam a necessidade de R$ 8 mi”, explicou. O secretário diz que solicitou ao Ministério aumento do teto para Salvador. Segundo Maltez Filho, antes do Carnaval, José prometeu que o prefeito João Henrique (PP) receberia a direção do hospital depois da festa. “Não preciso de reunião, preciso de dinheiro”, protestou.

“O prefeito está pensando que quem tem câncer não sabe votar”

Hospital mantém também hospedagem e alimentação de acompanhantes dos pacientes de alta complexidade

“Se não indecente, pelo menos amoral” Segundo Maltez Filho, o hospital está há pelo menos quatro anos sob a gestão plena municipal, com contratos de reajuste anual firmados com a SMS. Mas em 2011, as renovações passaram a ser trimestrais. “Em uma jogada, se não indecente, ao menos amoral, passaram Salvador, 02 de março de 2012

a fazer o contrato a cada três meses sem correção”, aponta o presidente. A proposta foi negada, já que o hospital vem operando com déficit. Mesmo com retorno de pelo menos R$ 2 mi oferecidos pelo hospital, a SMS afirmou não ter dinheiro. “Se eu assinar, não posso gritar, porque

se entende que está aceito. Atendemos mais pacientes do que o contrato permite porque não podemos recusar as pessoas. Alguns, em estado avançado, só são recebidos aqui”, afirma o presidente, que se nega a assinar qualquer contrato sem garantia de retorno futuro.

Cerca de 500 crianças com câncer são tratadas por equipes do Aristides 5


O Aristides, infelizmente, precisa de você