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VEJA POR QUE SALVADOR NÃO RECEBERÁ DELEGAÇÕES OLÍMPICAS EM 2016

03 FEV

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JORNAL DA

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Incontinentes Enquanto soteropolitanos ainda cultivam o hábito de urinar nas ruas, a lei que proíbe a prática — em vigor desde 2010 — é uma lenda. Nem a Prefeitura de Salvador sabe quem é responsável pela fiscalização. Págs. 4 e 5


cidade

Desconto no IPVA Os donos de veículos que pagarem o IPVA antecipado terão desconto de 10% até 29/2. O pagamento em cota única pode ser realizado em qualquer agência do Banco do Brasil ou do Bradesco com apresentação do Renavam.

cidade@jornaldametropole.com.br

Porcaria a céu aberto Entra ano, sai ano, e o vergonhoso hábito de fazer xixi na rua não abandona a capital baiana Fotos Darío Guimarães Texto Clarissa Pacheco

clarissa.pacheco@jornaldametropole.com.br

QUE SALVADOR se conformou em ser um banheiro público, não é novidade... E que fazer xixi na rua é crime, muito menos. Carnaval vem aí, e vai piorar. Por todos os lados – de muros a festas privadas, não faltam marmanjos para ‘se aliviarem’ em público, porque a busca por um local discreto é coisa do passado. “Estava no ônibus com minha mãe e uma van parou ao lado. Um rapaz levantou e fez xixi pela janela. Constrangedor”, conta uma leitora, que preferiu não se identificar. “Minha mãe ficou assustada”, completa. Urinar na rua é crime em cidades como São Paulo e Rio, onde é aplicado o artigo 233 do Código Penal (atentado ao pudor), que impõe detenção de três meses a um ano ou multa para quem “pratica ato obsceno em lugar público, ou aberto, ou exposto ao público”. Em Salvador, a medida foi adotada em agosto de 2010, sob vigia da Guarda Municipal e da Polícia Militar (PM). Mas poucos sabem que essa proibição da atuação dos ‘mijões’ é só papo. Ninguém sabe quem fiscaliza o problema, que cresce como se a lei não existisse.

Tudo indica que a ‘incontinência’ é defeito de fábrica na Bahia 4

Na Barroquinha, Centro da cidade, há uma sucessão de erros. Enquanto os cidadãos insistem em urinar na rua, o banheiro público permanece fechado

Coisa feia Por aqui, o drible às regras e a falta de fiscalização são clichê. Do chamado ‘Choque de Ordem’, em que o prefeito João Henrique Carneiro (PP) prometeu controlar o xixi na rua e a carga e descarga, por exemplo, nada foi cumprido. E se engana quem atribui aos mais pobres ou menos educados. Na Av. da França, no Comércio, motoristas de ônibus ignoram o banheiro químico e atravessam a rua para ‘regar’ o muro da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba). O odor é terrível. “O nariz arde. No outro dia a Prefeitura gasta água para lavar, e eles emporcalharem de novo”, relata uma guardadora de veículos, pedindo anonimato. Salvador, 03 de fevereiro de 2012


Banheiros dignos

Cota única do IPTU

No carnaval deste ano, os foliões terão acesso a banheiros mais confortáveis, em formato contêiner, com pias, espelhos e ar-condicionado. Serão cerca de 30 banheiros com cinco cabines cada um.

O prazo para o pagamento da cota única do IPTU e da “Taxa de Lixo” vence no dia 6/2. Os contribuintes que efetuarem pagamento em cota única garantirão um desconto de 10% no valor.

cidade cidade@jornaldametropole.com.br

Quem toma conta? Qual é a sua opinião sobre o problema do xixi na rua em Salvador?

Edith Coutinho, 43 anos, artesã

Maridalva Rito, 42 anos, vendedora

Genivaldo Pereira da Silva, 34, ambulante

“Falta um pouco de bom senso. Mas também tem o problema da falta de sanitários químicos”

“Acho um absurdo, uma falta de educação doméstica. E quanto mais a gente reclama, pior. Já faz parte da rotina dos homens”

“A Prefeitura deveria intervir. Eles vêm sem respeito nenhum, não tem ninguém para fiscalizar.”

A Guarda Municipal, que deveria fiscalizar os ‘mijões’, garantiu que a responsabilidade é da Secretaria de Serviços Públicos e Prevenção à Violência (Sesp). “A Guarda Municipal apóia esse trabalho quando há solicitação. É uma atividade dos guardas que estão nas praças e acontece de forma preventiva, mas nunca houve operação especifica para isso”, explicou o chefe da Superintendência de Segurança Urbana e Prevenção à Violência

(Susprev), Cel. Sérgio Raykil. A Sesp afirma que não cuida do assunto. Nem a Secretaria de Comunicação do município sabe de quem é a fiscalização, que de fato nem existe. O presidente da Companhia de Governança Eletrônica do Salvador (Cogel), Nailton Lantyer, afirmou que as 46 câmeras do órgão vigiam os ‘incontinentes’. Curiosamente, ele não soube dizer quantas pessoas foram detidas pela prática. E houve alguma?

Prejuízo para a cidade Segundo o engenheiro civil e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Sandro Machado, a urina é mais agressiva a uma estrutura do que o salitre. “A substância se infiltra no concreto e atinge as armaduras de aço. O aço oxidado aumenta de volume e o concreto

não segura a estrutura”, explica. Para Machado, a deterioração depende da qualidade do concreto e do nível de exposição à urina, mas, após cinco anos a estrutura já apresenta problemas. Ele sugere o uso de concreto com menos água e cimento para diminuir o estrago.

Muita gente, pouco banheiro Para uma cidade com quase 3 milhões de habitantes, Salvador deixa a desejar em estrutura urbana. Segundo a Limpurb, há 63 sanitários químicos fixos na cidade, um para cada 42 mil habitantes. A promessa é de que, após o Carnaval, sejam implantadas mais 31 unidades, reduzindo a média para 28 mil Salvador, 03 de fevereiro de 2012

habitantes por instalação. A prova de que o contingente fixo é insuficiente é a média de sanitários utilizados durante o Carnaval. Em 2011, foram disponibilizadas 1.350 unidades, sendo 900 femininos e 450 masculinos. Uma diferença de 1.287 para o contingente normal. 5


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