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BATE-BOCA ENTRE MEDRADO E BRUST ESQUENTA DISPUTA PUTA ELEITORAL pág. 8

04 MAI

JORNAL DA

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DARIO GUIMARÃES

FOTOS DARIO GUIMARÃES

Deserto do Sauípe Projetado para ser um paraíso turístico no Litoral Norte da Bahia, o complexo hoteleiro de Costa do Sauípe amarga um vazio desolador. Enquanto outros resorts pelo Brasil costumam ter média de 80% de ocupação, Sauípe acostumou-se com meros 35% — sem contar o prejuízo em 11 de seus 12 anos. Sem incentivo e sem perspectiva, o complexo é mais uma demonstração da decadência do turismo no estado. Págs. 4 e 5


Primeiro ano de lucro

política

Implantado em 2000 pela Previ, Costa do Sauípe teve em 2011 o primeiro lucro (R$ 11,4 mi). Segundo a assessoria do complexo hoteleiro, o empreendimento vive “um momento promissor”.

politica@jornaldametropole.com.br

Paraíso do prejuízo Refletindo decadência do turismo na Bahia, complexo de Costa do Sauípe enfrenta esvaziamento

Fotos Darío Guimarães Texto Clarissa Pacheco

clarissa.pacheco@jornaldametropole.com.br

O COMPLEXO hoteleiro de Costa do Sauípe, maior resort do Brasil, foi projetado para ser um paraíso. Mas, com 12 anos de existência, ainda está longe disso quando o assunto é financeiro. O complexo levou mais de uma 4

década para alcançar um lucro anual. E pouco adianta ocupar uma das áreas mais privilegiadas do Litoral Norte da Bahia. Enquanto os resorts e complexos hoteleiros do país registram ocupação média anual de 60% a 80%, Sauípe acostumou-se com meros 35% — com expectativa de alcançar a média de até 45%.

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As tentativas de reestruturação e a busca por novos investidores — apoiada, inclusive, pelo poder público — ainda não saíram do papel e só devem acontecer a longo prazo, numa demonstração do enfraquecimento turístico da Bahia. Diante dos problemas, as importantes redes Sofitel, Marriott

e Renaissance retiraram suas bandeiras de Sauípe em 2009 — ano em que o complexo teve prejuízo de R$ 32 milhões. Os cinco hotéis e cinco pousadas com áreas de lazer, esporte, gastronomia e congressos, além de espaços para competições de tênis e golfe, não foram capazes de tirar o empreendimento do vermelho. Salvador, 04 de maio de 2012


Autódromo não saiu do papel

Novos empreendimentos

Em 2008, o governo chegou a divulgar um protocolo de intenções para a construção de um autódromo na região, mas a empresa Prima, que seria responsável pelo empreendimento, desistiu do projeto.

Existe a possibilidade de que novos investidores cheguem à região de Sauípe, como os espanhóis do Sol Meliá (Grupo Meliã). O montante de R$ 100 milhões só deve chegar em dois anos.

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Queda em eventos e visitas Apesar de a assessoria do Costa do Sauípe garantir que o empreendimento vive “um momento promissor” e não comentar rumores de venda, a queda no número de turistas e o valor das passagens aéreas para a Bahia também dificultam as coisas. Exemplo disso foi a saída do Brasil Open, maior torneio pro-

fissional de tênis disputado no país. O evento costumava atrair grandes nomes e lotar as arquibancadas, mas não levou um número relevante de turistas em 2010 e 2011, o que levou a organização a transferir a disputa para São Paulo. A Secretaria de Turismo do Estado (Setur) declarou, em nota,

que a única contribuição do poder público que poderia ser feita ao empreendimento privado seria investir na região — foram R$ 9,4 milhões do Ministério do Turismo e do Tesouro Nacional na região de Imbassaí, além de qualificação profissional. Pelo visto, muito pouco para resolver o problema.

Disputado em Sauípe desde 2001, o Brasil Open foi transferido para São Paulo por conta do esvaziamento

O paraíso de Sauípe parece mais com uma cidade fantasma: quase vazio

O trecho de praia pertencente à Costa do Sauípe mal recebe turistas

Falha em pagamentos Na última semana, funcionários da empresa Potencialize, que presta serviços terceirizados ao complexo, fizeram uma manifestação por conta de problemas no pagamento. Uma das servidoras, que não quis se identificar, afirma que alguns deixaram de ir trabalhar por falta de dinheiro. “Sempre funcionou normalmente,

mas há dois meses começou a ter problema. Eles pagaram uma parte e ficaram de pagar a outra depois, mas teve confusão e não recebemos”, diz. Para o diretor da Potencialize, Sandro Quadros, a afirmação é mentirosa. “De fato aconteceu um problema, mas foi uma única vez e já foi solucionado. Não foi financei-

ro, mas uma falha de comunicação”, explicou. Segundo Quadros, não há problemas nos repasses do complexo Costa do Sauípe. A assessoria do complexo, no entanto, apresentou outra versão em comunicado ao Jornal da Metrópole: “Procuramos a Potencialize e eles disseram não saber do fato e que iriam apurar”.

Estrutura é impecável, mas a vila das pousadas também está deserta

Surto de meningite

Mesmo com restaurante vazio, atendimento e serviço, em geral, são ruins: os garçons sequer chegam às mesas Salvador, 04 de maio de 2012

Até problemas graves de saúde já foram encontrados em Costa do Sauípe. Em setembro de 2011, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) confirmou um surto de Meningite C no complexo. Na ocasião, sete funcionários contraíram a doença e três morreram. 1.800 pessoas, muitas delas funcionários de lá, precisaram ser imunizadas, mas a organização do Sauípe Folia, festa

marcada para o mesmo período do surto, não cancelou a festa. Nos distritos vizinhos, familiares e funcionários reclamaram da demora nas ações. Quase dez dias após o primeiro caso, a Sesab e a Previ anunciaram uma campanha de vacinação entre os funcionários que nunca haviam se imunizado contra a doença, mas ainda não havia data prevista. 5


Deserto do Sauípe