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UNIFACS É ACUSADA POR ALUNOS DE FRAUDE NO FINANCIAMENTO ESTUDANTIL

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JORNAL DA

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ARQUIVO/AGÊNCIA A TARDE

Assim nasceu o carnaval Há mais de 200 anos comemorando o Carnaval, Salvador passou a ocupar as páginas do Livro dos Recordes, o Guinness Book, por sediar a maior festa de rua do mundo. Confira na nossa matéria especial como a festa caminhou para chegar até aqui, com ônus e bônus. Págs. 4 e 5


O Carnaval chegou à Bahia no final do século XIX. Mais de 100 anos depois, marchinhas e espontaneidade quase nem existem. Deram lugar aos camarotes e à corda dos blocos. Veja como chegamos aqui.

1960

1950

Dodô e Osmar criam a Fobica — originária do primeiro trio elétrico —, que se apresenta no domingo de Carnaval, com guitarras elétricas e amplificadores. Clubes patrocinam desfiles de carros alegóricos. Na década de 1950, surgem blocos de bairros e corporações, como Os Mercadores de Bagdá.

As mortalhas chegam às ruas, contrastando com a alegria dos Pierrôs e Colombinas. As vestes não variam em cores e muitas trazem a frase: ‘É proibido proibir’.

1800

Antes do Carnaval, a Bahia celebrava, na terça-feira antes da Quarta de Cinzas, o Entrudo, festa católica de estilo jocoso. No final do século XIX, o Carnaval baiano imita a Europa: desfiles urbanos de mascarados sem a presença do ‘povão’.

1947/49

Em 1947, músicos criam o bloco Arranca Toco, que depois passou a se chamar Mudança do Garcia, desfilando na segunda-feira. Em 1949, estivadores criam o afoxé Filhos de Gandhy, em homenagem ao pacifista indiano Mahatma Gandhi, assassinado em 1948.

1894

Em 1894, surgem os afoxés ou ‘candomblés de rua’, que desfilam pela Baixa dos Sapateiros, Taboão, Barroquinha e Pelourinho, recitando sequências musicais. São as chamadas batucadas.

1900

Em contrapartida aos afoxés, liderados pelo povo, surgem nos clubes dos bairros nobres os bailes de máscaras, com marchinhas e bandas de sopro.

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Salvador, 17 de fevereiro de 2012


1970

As elites começam a frequentar as ruas. As mortalhas ficam coloridas e se espalham pelos blocos. Moradores do circuito montam seus ‘camarotes’ com bancos e cadeiras para apreciar a passagem dos blocos.

1974/75

1972

Orlando Tapajós apajós homenageia age Caetano Veloso, que volta do exílio, com a Caetanave, em formato de foguete. O carro entra na Pça. Castro Alves ao som de ‘Chuva, suor e cerveja’, cantada por Gil, Gal, Bethânia, Dodô e Osmar.

Em 1974, surge o bloco afro Ilê Aiyê. Em 1975, o trio elétrico completa 25 anos. O primeiro cantor de trio, Moraes Moreira, faz sucesso com ‘Jubileu de Prata’.

11980/81

Surgem os primeiros camarotes, sendo a precursora a Bahiatursa, no Cam Campo Grande. Em 1981, os blocos afro Muzenza e Ara Ketu entram na festa.

1978/79

Nasce o primeiro bloco no formato comercial, o Camaleão, criado por um grupo de amigos. O primeiro desfile acontece no ano seguinte, a bordo do trio Maragós. Em 1979 é fundado o Olodum.

1982

A percussão sai do chão para as varandas e a parte superior do trio. O trio Armandinho, Dodô e Osmar adota imagens de patrocinadores. Os blocos Eva e Camaleão fazem o primeiro desfile no circuito Dodô. Não há cordas, mas quem usa a camisa do bloco pode subir nos carros de apoio.

1985/86

Luiz Caldas e Paulinho Camafeu compõem ‘Fricote’, dando início às coreografias de Carnaval e à axé music. Instala-se o Carnaval do espetáculo com a presença das redes de TV, rádio, gravadoras e financiamentos de empresas privadas. Emergem nomes como Sarajane e Cid Guerreiro.

1995/96

As mic micaretas, comandadas por bandas de axé, ganham o país, popularizando a festa e atraindo a turistas. A ‘camarotização’ se instala e representa a ocupação i espaço público e a volta das elites à do esp folia, ju junto aos blocos de elite. Em 1996, Daniela Mercury monta o primeiro Dan camarote para convidados no circuito Dodô.

1993

Depois de ser customizada no final da década de 1980, a mortalha é substituída pelos abadás, formados por camisetas e shorts. O primeiro bloco a adotar o abadá é o Eva, comandado em 1993 pelo Asa de Águia.

2000

Os trios se tornam verdadeiros ‘outdoors ambulantes’. A festa cresce, tendo o folião pipoca como mero espectador. No final dos anos 2000 há uma tentativa de revitalizar a Avenida e devolver a festa às mãos do povo.

ARQUIVO/AGÊNCIA A TARDE

Salvador, 17 de fevereiro de 2012

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Assim nasceu o carnaval