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CELAC promove palestra sobre Liberdade de Expressão O comitê, que será simulado pela XIV SOI deu início ao ciclo de debates que acontecerão antes da Simulação.

Os professores Juliano de Siqueira e Ângelo Girotto palestraram no evento.

Mesmo com as fortes chuvas que caíram em Natal na última quinta-feira (13), a primeira palestra da SOI 2014 foi um sucesso. Para debater a temática "Liberdade de Expressão e os atuais protestos na América Latina", 52 pessoas compareceram ao auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), da UFRN, promovida pela CELAC (Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos). Os palestrantes convidados foram o professor Juliano de Siqueira, do Departamento de Direito Público, e o mestrando Ângelo Girotto, de Ciências Sociais. O tema proposto será debatido pela CELAC na edição da SOI deste ano, porém, apesar de ter um foco bastante delimitado, as discussões também atraíram o interesse do público em geral, incluse de alunos do Ensino Médio. Para a aluna do terceiro ano do Contemporâneo, Mariah Liberato "o conhecimento sobre o tema pode ajudar na construção de possíveis argumentos em provas, como o Enem".

Inicialmente, o Secretário-Geral da SOI, Altair Filho, deu uma explicação geral sobre o programa de pesquisa e extensão e comentou sobre os comitês que serão simulados na 14º SOI. Além disso, Altair deu uma breve ideia do que seria a CELAC e sua importância no contexto da América Latina. Para dar início à discussão, o mestrando Ângelo Girotto fez uma explanação sobre os manifestos de 2013. De acordo com ele, a mídia brasileira foi a principal responsável pelo início dos protestos. “Quem desencadeou as revoltas populares foi a mídia do Brasil. Eles sim são o maior partido conservador brasileiro”, opinou. A pauta de revindicações, segundo ele, não se diferenciava dos antigos objetivos, como ampliação de direitos e melhoria de transporte público, de muitos outros protestos ocorridos em outros anos.


O Secretário-Geral da SOI, Altair Filho, presidiu os momentos iniciais do evento.

No entanto, os protestos, a apartir de junho, tinham um caráter mais forte, com uma liderança diferente, o MPL. Ou seja, as antigas entendidades “encabeçadoras”, como a UNE, não eram mais vistas como um ponto forte de busca por ideias. Porém, com a explosão da violência iniciada pela polícia e por grupos radicais, como os Black Blocs, assim como a abordagem tendenciosa por parte da mídia, desfavoreceram a forma como o movimento era interpretado pela sociedade. Para o mestrando, o grande problema dos movimentos horizontais que protestaram no ano de 2013 foi a falta de núcleo, o que abre espaço para que a mídia “dirija” os movimentos da maneira mais conveniente da instituição. Ângelo comentou, ainda, sobre o Lulismo, a criação do programa Bolsa-Família e o investimento em programas sociais cujo objetivo é retirar as pessoas da linha da miséria. “Sem uma ideologia, o que é a política, afinal?”, questionou o professor a seus interlocutores. Segundo ele, a parada dos movimentos sociais aconteceu porque a oposição, representada pela mídia, não tinha mais forças para continuar e, dessa forma, a “grande onda” morreu. “Na minha opinião, o governo passará ileso pela copa. No entanto, não sejamos inocentes. Milhares de pessoas da rua não estão lá à toa, sem saber o que fazem. É preciso ter cautela com a absorção do conteúdo reproduzido pela mídia”, finalizou Ângelo.

Já o professor Juliano de Siqueira, do Departamento de Direito, ressaltou, em suas considerações iniciais, a escassa liberdade de expressão na América Latina. O docente fez um recorte no ambiente acadêmico, no qual a expressão deveria ser cada vez mais vasta, o que não acontece. Ao ser indagado pelo Comitê de Imprensa Internacional (CII) a respeito dos principais pontos dentro da temática da palestra, Juliano de Siqueira destacou a situação da Venezuela dentro do âmbito internacional. “Cito a Venezuela, mas não é apenas esse país que busca a liberdade de expressão. Essa é uma luta continental”, afirmou. Para Ana Carolina Revorêdo, 1ª Secretária da SOI, o evento promovido pela CELAC contribui para o desenvolvimento do conhecimento de mundo das pessoas, além da explanação dos pontos que serão abordados pelo comitê este ano. "O objetivo é fazer com que conheçam o que será trabalhado pelo comitê e, principalmente, que os participantes se atualizem mais sobre a temática da liberdade de expressão”, declarou.

Parte do público presente no evento.

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EDIÇÃO DE TEXTO E FOTOGRAFIA: ALICE ANDRADE E ISADORA BEATRIZ | EDITORAÇÃO: CLARA RODRIGUES | XIV SOI - CII

CELAC promove palestra sobre a Liberdade de Expressão na América Latina  

O evento ocorreu em formato de mesa-redonda na qual foi discutido o tema “A Liberdade de Expressão e os atuais protestos na América Latina.