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TRABALHOS

WORKS

clara albinati


«Todo espectador ou é um covarde ou é um traidor». FRANTZ FANON

«qualquer coisa como uma boa poltrona que o repouse das fadigas físicas.» HENRI MATISSE a respeito da pintura.


desenhos e pinturas

artes gráficas

fotografias e desvios

filmes e vídeos

estación Darío y Maxi / somos todos negros

eva futura (trabalho em desenvolvimento)


guache 37 x 26 cm 2006


guache 37 x 26 cm 2006


acrĂ­lico, 122 x 84 cm, 2004


acrĂ­lico, 122 x 84 cm, 2004


acrĂ­lico, 122 x 84 cm, 2004


贸leo sobre tela, 100 x 140 cm, 2006


贸leo sobre tela, 100 x 100 cm, 2005

贸leo sobre madeira, 40 x 40 cm, 2006


贸leo sobre tela, 100 x 140 cm, 2006


贸leo sobre tela, 150 x 170 cm, 2005


贸leo sobre tela, 150 x 170 cm, 2005


desenhos, tĂŠcnica mista, 2004


postais (postcards) enviados a amigos. fragmentos de poemas de Sierguei IessiĂŞnin e Arseni Tarkovski. aquarela e guache sobre cartĂŁo, 15 x 15 cm, 2006.


M贸dulos


fonte TOCOS

logotipo e carimbo pessoal


Rua Furtado Nunes, 50, 2006


quarto de 3 camas, Belo Horizonte, 2009


Buenos Aires, 2007


ESTACIÓN DARÍO Y MAXI No dia 26 de junho de 2002, os piqueteros Darío e Maxi foram mortos na estação de trens de Avellaneda (periferia de Buenos Aires) pela polícia durante uma manifestação violentamente reprimida. Desde então, todos os anos nos dias 25 e 26 de junho, uma ação coletiva de arte-ativismo ocorre na estação, hoje reconhecida como Estación Darío y Maxi. Já no mês anterior a cada ação, diversos e os mais diferentes grupos relacionados ao campo artístico (a maioria deles surgidos durante o período da crise argentina; grupos hoje já conhecidos como o Etecétera ou os Iconoclasistas, grupos ligados à universidade, das artes plásticas, teatro, música, dança... uma TV comunitária, documentaristas operários...) encontram-se para planejar a ação. Em 2007, as reuniões se davam em um “taller-comedor” no bairro Constitución. Neste ano, pude participar do grande coletivo. Na época, estudava também alguns trabalhos de Francis Alÿs. Pude ver no MALBA “La historia de un desengaño”, “The story of a deception”, trabalho com tema argentino que Alÿs desenvolveu especificamente para o museu. A obra aborda de maneira não muito explícita o massacre dos índios Tehuelches (e dos índios em geral na Argentina). No processo de desenvolvimento de “La historia de un desengaño”, que se resume à tentativa de


compreensão ou aproximação do artista ao lugar visitado, Alÿs se pergunta: “por onde começa a Argentina”, qual seu “ponto de entrada”. Pensando nisso, por muitos dias estive na Biblioteca Nacional, em busca de textos sobre os Tehuelches e seu desaparecimento (em Ramón Lista e em Carlos Martínez Sarasola), assim como notícias de jornais sobre o massacre em Avellaneda. Ao que somava os encontros em Constitución e a caminhadas na cidade, com a intenção de encontrar uma “entrada”. Disso surgiram: um livro (no qual procuro relacionar os dois massacres), um vídeo (projetado durante o 25 de junho de 2007 na estação), fotografias na estação (que mostram o que restou das ações dos anos anteriores) e algumas lembranças. o livro na web: www.issuu.com/claraalbinati/docs/languineo

In the 26 June of 2002, the piqueteros Darío and Maxi were killed by the police in the train station of Avellaneda (periphery of Buenos Aires) during a demonstration violently repressed. Since then, every year in the 25 and 26 June, a collective action of art-activism takes place in the station, today known as Estación Darío y Maxi. In the previous month of each action, diverse groups related to the artistic field (most of them emerged during the Argentinean crisis, as the Etecétera or the Iconoclasistas, some linked to the university, guys from the visual arts, theatre, music, dance… a communitarian TV, proletarian documentarymakers…) join together to prepare the action. In 2007, the meetings were in a shed in the Constitución area. In this year I could take part of this great group. In this time I was also studying some of Francis Alÿs works. I could see in MALBA “The story of a deception”, work by Alÿs that broaches, in a noexplicit manner, an Argentinean theme, that of the massacre of the Tehuelche Indians (and of the Indians in general in the country). In the process of development of this work that was also the effort in comprehend the place visited by the artist, Alÿs questions himself: “where begins Argentina”, where its “entrance landmark” is. Thinking about that, expecting to find my own “entrance landmark”, for many days I stayed in the National Library, looking for texts about the Tehuelches and their disappearance (in Ramón Lista and in Carlos Martínez Sarasola) and for newspaper notices about the massacre in Avellaneda. As a consequence, I did an artist-book (where I intend to make a connection between the two massacres), a video (projected in the station in the 25 June of 2007), photographs in the station (of what remained from the actions in the previous years from 2007). the book in web: www.issu.com/claraalbinati/docs/languineo .


Cuba, 2008


LA PASIÓN SEGÚN SEC 1 / Collage La luna llena, círculo de papel blanquísimo, flota sobre el cielo oscuro de papel negro. RUIDOS NOCTURNOS, GRILLOS Y OTROS. SEC 2 / INT. Cuarto del internado religioso / Noche En un cuarto muy blanco, tres chicas (CHICA 1, CHICA 2, CHICA 3, 20 años aproximadamente) duermen. Sus camas son marcos de rectángulos negros dibujados sobre el piso. En el centro de la pared, hay una cruz blanca. Las chicas usan camisolines blancos y tapa-ojos negros. Súbitamente, ellas se sientan. Ya despiertas, pero sin sacar los tapa-ojos (no sacan los tapa-ojos hasta el momento que se indique en el guión), se mueven, tanteando, hacia una puertita dibujada a la derecha de la pared. SEC 3 / EXT. Pradera / Día Un rectángulo de 2m x 3m, rellenado por tierra roja, delimita la superficie sobre la cual está una casita dorada de cartón. Al fondo hay un paisaje con árboles. Una de las chicas sale de la casita y la alza, en su interior están las otras dos sentadas. La primera chica se sienta al lado de las otras. SEC 4 / Libro Imagen de un libro de arte: un castillo dorado, en su centro, está la sagrada familia. SEC 5 / EXT. Pradera / Día Sobre la superficie de tierra roja, una monja y las tres chicas representan una persecución. A la izquierda, la monja, vestida con un hábito negro de cartón, se pone


La Pasión Según. Ficção, 3 min, 16mm. Direção e Roteiro. EICTV, Cuba, 2008.

SEC 6 / EXT. Pradera / Día

Sentadas sobre la superficie de tierra roja, las tres chicas sostienen un papel de celofán azul, como si fuera el cielo. SEC 7 / EXT. Pradera / Día Las tres chicas agachadas sobre la tierra, tienen sus cabezas muy próximas al suelo. CHICA 1

Os sons me penetram de maneira aguda, passam pelos meus nervos, invadindo todo meu corpo. CHICA 2

A Terra sempre no processo de fazerse a cada instante. CHICA 3

Passam-se segundos que na realidade são horas. SEC 8 / EXT. Pradera / Día La monja reaparece y las cuatro retornan a las posiciones hieráticas de la persecución. La monja las golpea con un látigo. SEC 9 / EXT. Pradera / Día Una hoguera real y llamas del fuego que se agitan. SEC 10 / EXT. Pradera / Día Acostadas en la tierra, las tres chicas tienen los ojos cerrados (hasta entonces, estaban vedados con los tapa-


Hard Boiled. Ficção, 3 min, 16mm. Direção: Marcos Machado. Direção de Fotografia. EICTV, Cuba, 2008.

El Gato y el Martillo. Documentário, 10min, dvcam. Direção: Llaima Suwani. Direção de Fotografia. EICTV, Cuba, 2008.

La Montaña Blanca. Documentário, 10 min, dvcam. Direção: Enrique Medrano. Direção de Fotografia. EICTV, Cuba, 2008.


para um fundo infinito. pensando Tarkovski


homenagem a Arshile Gorky

Picassos


a gente gosta muito do Francis

animação para Morgenstern


Trabalhos para a convocat贸ria Somos Todos Negros Works for the call We are all Negroes www.somostodosnegrosbh.blogspot.com

www.issuu.com/claraalbinati/docs/somostodosnegros

Honduras Arde! panfletos. pamphlets


11 de maio de 2009 10:11 mes amis, je sois enchanté de participar avec vous en la creación del creolês. mais, quel son le regles de c'est new langue? nous devons d'inventé tré rapide, quelque chose facile d'hablé o mejor quelque chose que nous ya parlé. otre question, porquoi hablé le criolês? tout tiene que tener un significat. Jean-Jean, que pensé tú d'invité notre amie Cláudia pour c'et conversation? Ella est portuguese y nous podrá auxiliê. avanti el criolês! y un beso pour tout,

Satutatcion mon amigo, Yeu nõ sé. Yeu kreio que phalar el el kriolo a aká entre "artistas" es ona afirmatcion del la missigenatcion, la mistura,la mix , etc , etc. yeu nõ sé si Ay ono sentido praktiko en esto. Méa nous inisiamos esto por causa dela istoria del Aiti. " mentenant , nous tout will be negros". La lengua es politika , es posia , es estetika, es etika , etc , etc... ya se dihe que no esiste froteiras ou bordas en el mondo pra el argen tiun, el money, el diñero. las bordas, los muros, walls, solamente esisten pra los pobres sin diñero, etc, etc, feios, calvos, cabeludos, fuera del padron ... una palavra solamente es left si es talk about one desdentado people. Can do you entender me ? yeu nõ sé ifsi es posible... entonces Asemos la lengua y el blog.... ono grande beijo em "usês" tout paulo www.artecontemporanealtda.blogspot.com

Clara

KREIOLY: www.kreioly.blogspot.com

calle Honduras. Buenos Aires.


EVA FUTURA A idéia é a de criar uma série de trabalhos que busquem expressar e ampliar possibilidades para o afeto e a sexualidade. Meu principal objetivo é realizar episódios em filme e/ou vídeo que abordem essa busca. O estímulo para os episódios parte, sobretudo, de sonhos que tive, re-trabalhados na forma de roteiros. Os sonhos são desejos meus, suas repressões e censuras. O trabalho se compõe do conjunto: esboço dos sonhos, sua passagem a roteiro, desenhos e recortes de imagens que me orientam em sua construção e, por fim, os episódios em filme. Para cada episódio, será necessária a invenção de objetos cênicos, pensar sua disposição num espaço e a iluminação deste, assim como, qual será em tudo isso o lugar dos personagens. Estes objetos cênicos, objetos sensualistas em geral, e a sua disposição no espaço, sua instalação, serão parte do conjunto do trabalho. O projeto ademais se desvia em ações realizadas nas ruas. Para este caso, o que pensei até agora é ser as mulheres, ou coletivo de mulheres, que admiro. Para tanto preparo máscaras. A primeira está pronta e é de uma guerrilla girl paraguaya. Com ela distribuirei panfletos em várias cidades do mundo. Nos panfletos imprimi coincidências entre textos e imagens diversos (texto-texto, imagem-texto, imagem-imagem). Os panfletos para distribuir como guerrilla girl têm um ar feminista, mas sua principal meta é a de exemplificar possibilidades para o afeto e o sexo. Os panfletos também falam da arte, as coincidências, interligações, entre textos e imagens na arte. The idea consists in creating a series of works that express and expand the possibilities for affection and sexuality. My main objective is to develop episodes in film and/or video that broach this search. The stimulus for the episodes came moreover from dreams I had, re-worked in the script format. The dreams are my desires, their repressions and censures. The work would be composed by the sketches of the dreams, their transcription to script, drawings and images that orient me in that construction and, finally, the film episodes. For each episode it would be necessary the invention of scenic objects, thinking in their disposition in the space and its illumination, as well as the localization of the characters in all this. These scenic objects, sensualist objects in general, and the distribution of them in the space, the installation, would be part of the work. The project also deviates in actions in the street. For this, what I though until the moment is to be the women, or collective of women, that I admire. For that I am preparing masks. The first one is ready and it is a mask of a Paraguaya guerrilla girl. With that I will distribute pamphlets in many cities in the world. In the pamphlets I impressed coincidences between diverse texts and images (text-text, image-text, image-image). Those guerrilla girl pamphlets have a feminist air, but their principal goal is exemplifying possibilities for affection and sexuality. The pamphlets also say about art, the coincidences between texts and images of art.


MAQUINÁRIAS PARA A DESTRUIÇÃO MUNDIAL E se de repente Eros é a vida? Se é possível e acontece de ser certo, real e agora o prenúncio de Rrose Sélavy... Eros é a vida. O mundo explodirá, as placas que o sustentam rangerão e tudo o que é sólido se desmanchará no ar... A LÍNGUA A LÂNGUIDA Depois do fim dos tempos apenas restarão os resquícios dessa civilização; Emoldurar pernas pequenas colunas gregas e os fósseis dos delicados serezinhos sexuais Pulmão azul (vaca) – texto orgíaco (flores, frutas, bichos, móveis, algumas pessoas), suspirantes em suas Spray azul , sacos de ar. aspir/ expir, inspir enáguas sexuais, placas metálicas ávidas, salivinhas doces, lábios de frutinhas, órgãos negros afiados, dentes e mordidas e mordiscos.

suspir ar Descansa o ventre esperança com seu

Um cavalo de tróia, em forma de falo gigante, todo em papelão, um lugar

peixe insinuoso entre as pernas

inclusive onde se pode dormir, língua (penetráveis / Oiticica). Este falo-falácia

A língua: a lânguida

levará na proa uma imagem da Vitória de Samotrácia e se moverá por tração,

Peixe / gelatina

puxado por uma cordinha.

Relva – coxas abertas

O sexo da mulher será uma ferida aberta, grande flor de carne, grande dália

Pequenas orelhas – cogumelos secos -

aberta. A ser exposta no dia da boda, enquanto os convidados comem seus símiles-souvenir; os pãezinhos-concha que cabem nas duas mãos fechadas e têm cremes doces, lambíveis e coloridos no centro.

damascos Esconde uma serpente os ouvidos Desenho: um tubo-aquário e um peixe dentro (tubo de luz? Sem peixe - ruído)

Pensaremos tantas próteses para o sexo-falo que cada uma queremos ter que Enrolar o peixinho em lenço branco este adquirirá outro sentido, o absurdo. E exporemos todas as provas de Mel nas flores / flauta / bico de mamadeira nossos crimes, as marcas de saliva sobre o sofá e os fluxos que tentamos rapidamente secar ou apagar (nosso amor transubstanciado). Inventaremos sexos.

(sobre manta picnic) O amor que enverniza a flor – lubrificar


SEC / sala / Dia No centro de uma sala vazia e branca, uma mesa de metal frio hospitalar, embaixo dela, folhas e galhos de abacateiro formam um cubo de vegetação na contra-forma vazia da mesa. SILÊNCIO DE LUZ FOSFORESCENTE. Aproximação às folhas que têm orvalho e cheiro. Flash-back. Folhas de abacateiro, em um momento, entre folhas de abacateiro, dois olhos, lembranças da pintura de Henri Rousseau. FLAUTA. SILÊNCIO DE LUZ FOSFOSRESCENTE. Fim do flash-back. Sala vazia e a mesa com folhas de abacateiro. Luz diminui, um foco de luz ao lado da mesa faz um círculo claro no chão. Cena como um frame de O Império dos Sentidos: De repente, aparece um HOMEM (35, vestido de fraque) muito branco deitado no centro do foco. De repente, aparece uma MULHER (45, com vestido escuro de festa), a cabeça do HOMEM está sobre uma de suas pernas. De repente, o rosto do HOMEM está pintado de gueixa. Vira HOMEM-GUEIXA. A MULHER acaricia suavemente o rosto pintado do HOMEM-GUEIXA. Uma lágrima de fora, vinda de um terceiro personagem oculto, cai sobre o rosto sereno do HOMEM-GUEIXA e vai desfazendo pouco a pouco sua pintura, misturando cores (stop motion). VOZES DE PESSOAS NUMA FESTA SE MISTURAM COM O DESFAZER-SE DA PINTURA. Sala vazia com a mesa com folhas de abacateiro, penumbra, um foco de luz no chão (sem os dois personagens). FLAUTA E FOLHAS AO VENTO. Sala vazia com mesa com folhas de abacateiro, luzes se acendem. SILÊNCIO DE LUZ FOSFORESCENTE.


Clara Albinati Belo Horizonte, 1983 Vive em Belo Horizonte. Graduada em pintura pela Escola de Belas Artes da UFMG. Durante os estudos na EBA, desenvolve a monografia “... como um atentado terrorista em um país que se liberta: León Ferrari e a vanguarda argentina num contexto de revolução iminente”. É integrante do grupo de pesquisa “Estratégias da Arte numa Era de Catástrofes”, com encontros semanais na EBA-UFMG e coordenação de Maria Angélica Melendi. É também integrante do grupo de pesquisa em arte e política, “Los Miserables”, em Buenos Aires, com coordenação de Ana Longoni. Estudou no curso regular da Escuela Internacional de Cine y Televisión (EICTV, San Antonio de los Baños, Cuba). lives in Belo Horizonte. Graduated in the School of Fine Arts of UFMG (Minas Gerais, Brazil). member of groups of research in contemporary art and politics: “Strategies of Art in an Era of Catastrophes” (Brazil) and “Los Miserables” (Argentina). also studied in the International School of Cinema and TV (EICTV, Cuba).

e-mail: albinati.clara@gmail.com


trabalhos  

trabalhos (2004-2009)

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