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educativo-pastoral * Fascículos da Delegação Nacional Salesiana da Pastoral Juvenil *

O Projecto Educativo-Pastoral é o instrumento que orienta a realização da Pastoral Juvenil

Projecto Educativo-Pastoral O Projecto Educativo-Pastoral Salesiano (PEPS) é o instrumento operativo que orienta a realização da Pastoral Juvenil Salesiana segundo as diversas situações

e contextos de vida dos jovens e orienta todas as iniciativas e recursos na direcção da evangelização (Cf. Reg. 4).

© Cíntia Martins, Stock.xchng * Fascículo 3 | Dezembro 2009 || Como se organiza a Pastoral Juvenil Salesiana *

Distribuição Gratuita | Propriedade da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana Rua Saraiva de Carvalho, 275, 1399-020 Lisboa | Tlf: 210 900 600 | Fax: 210 900 639 | www.salesianos.pt


* Fascículo 3 | Dezembro 2009 || Como se organiza a Pastoral Juvenil Salesiana *

ASPECTOS QUALIFICADORES DO PEPS

• O PEPS é a mediação histórica e o instrumento operativo da missão comum, em todas as latitudes e em todas as culturas; é o elemento de inculturação do carisma (CG24, 5). Finalidade do PEPS A finalidade primária do PEPS é ajudar a Província e as comunidades a trabalhar com mentalidade partilhada e clareza de objectivos e critérios, em ordem a tornar possível a gestão co-responsável dos processos pastorais. O fruto de todo este processo exprime-se num texto que será conhecido e concretizado.

das suas relações (consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com Deus), na dupla perspectiva da pessoa e do ambiente (promoção colectiva, empenhamento na transformação da sociedade); - e visto também na unidade do seu dinamismo existencial de crescimento humano em ordem ao encontro com a pessoa de Jesus Cristo, homem perfeito, descobrindo n’Ele o sentido supremo da existência.

rede». Tudo isto é um desafio aos educadores e às suas capacidades de educar e evangelizar num mundo e numa cultura mediática. A sua unidade orgânica Este processo articula-se em quatro aspectos fundamentais em mútua correlação e complementaridade que chamamos as quatro dimensões do PEPS (cf. C 32-37; R 6-9).

Características do PEPS • A sua realidade comunitária • O centro de todo o dinamismo da Pastoral Juvenil Salesiana é o jovem: - visto sempre na totalidade das suas dimensões (corporeidade, inteligência, sentimentos, vontade),

O PEPS deve sempre ser pensado em primeiro lugar em relação com o território em que a obra salesiana está colocada

Consideramos o PEPS, mais ainda que um texto, um processo mental e comunitário de envolvimento, esclarecimento e identificação que tende a gerar na CEP uma confluência operativa em termos de critérios, objectivos e linhas comuns de acção. • A abertura ao mundo da comunicação Neste sentido o PEPS deve sempre ser pensado em primeiro lugar em relação com o território em que a obra salesiana está colocada, como centro de agregação e agente de transformação educativa; mas também em relação a um território não material ou geográfico, embora não menos real, que é o mundo da comunicação social. É indispensável pensar na comunidade e na obra salesiana como realidades comunicantes, isto é, «em



• A dimensão educativo-cultural (R 6) e a dimensão da evangelização e catequese (R 7), que desenvolvem as duas vertentes fundamentais da pessoa: a sua realidade de ser humano e a sua vocação de filho de Deus (cidadão e cristão; educar evangelizando e evangelizar educando); • A dimensão vocacional, que visa o objectivo final do processo educativo e evangelizador: responder ao projecto de Deus mediante uma opção responsável de vida (R 9); • A dimensão da experiência associativa, que caracteriza a nossa maneira de educar e evangelizar, através de grupos, inserção no meio, promoção e transformação do ambiente com o estilo de animação (R 8).


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Todo o verdadeiro projecto educativo é sempre obra comunitária e de colaboração

LINHAS METODOLÓGICAS DE ELABORAÇÃO OU AVALIAÇÃO DO PEPS

• A planificação pastoral comporta diversos níveis de concretização, que geram diversos tipos de processos e de documentos que convém esclarecer e combinar entre eles.

OS DIVERSOS NÍVEIS DE PLANIFICAÇÃO PASTORAL Quadro de referência (POI e POL) - «ideário» ou «proposta educativa» Apresenta o conjunto de características que identificam a acção pastoral salesiana da Congregação e da Província e marcam a direcção para onde se quer avançar para a realização da missão. Responde às perguntas: Quem somos e que fazemos? O que é que queremos e onde queremos chegar?

Neste sentido, define os elementos estáveis da instituição perante a sociedade e a Igreja. Neste quadro de referência apresentam-se: - os destinatários e suas necessidades; - as convicções e valores que guiam e animam a Província na concretização e realização da missão (a concepção de homem e de sociedade, de Igreja e de pastoral, os princípios inspiradores da pedagogia salesiana




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– o Sistema Preventivo, os valores da Espiritualidade Salesiana); - a apresentação da missão concreta em resposta às necessidades dos destinatários escolhidos; - os critérios fundamentais para o desenvolvimento do processo educativo-pastoral; - as metas finais que se querem alcançar. Projecto Educativo-Pastoral É o plano geral de intervenção que concretiza o quadro de referência num contexto determinado. Responde às perguntas: Que fazer e como chegar à meta prevista? O projecto: - marca os objectivos operativos em resposta aos desafios de um lugar e situação determinada; - sugere linhas concretas e meios para atingir estes objectivos;

- cria tarefas e funções para garantir a eficácia das linhas e o alcance dos objectivos;

e obras, como ponto de referência para a sua programação e avaliação. Normalmente deveria ter:

- apresenta os critérios e as formas de avaliação.

- uma elaboração geral, válida para todas as presenças;

Um projecto educativo-pastoral é mais concreto que um quadro de referência. Em termos de duração tem validade «a médio prazo» e, quanto à extensão, faz referência a uma situação local onde trabalha uma Província ou uma comunidade. As metas ou finalidades que propõe, as áreas de intervenção que demarca, as linhas operativas que escolhe, indicam o processo operativo que deve seguir-se. Existe o PEPS provincial e o PEPS de uma obra. • O PEPS provincial aponta os objectivos, as estratégias e as linhas de acção educativo-pastoral comuns que orientam a acção pastoral de todas as comunidades

- uma especificação para cada tipo de presença (Escola, Centro Juvenil, Paróquia, etc.). • O PEPS de uma obra local aplica à realidade local as linhas do PEPS provincial. A CEP, sujeito do processo Todo o verdadeiro projecto educativo é sempre obra comunitária e de colaboração. O PEPS provincial envolve todas as comunidades e obras da Província, ao passo que o PEPS local implica a CEP como sujeito da sua elaboração, actuação e avaliação. Neste processo, SDB e leigos, juntamente, fazem experiência de comunhão e partilha no espírito

O PEPS elaborado, realizado e avaliado em conjunto constrói a comunidade, cria mentalidade comum, torna mais significativa a acção educativo-pastoral 


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Como interessar e comprometer toda a CEP neste processo?

Envolver e motivar de forma especial os Salesianos e as Comunidades SDB nesta tarefa de e missão de Dom Bosco. Todos os que compõem a CEP percorrem um caminho de discernimento, participando activamente na procura dos objectivos e linhas de acção do PEPS (CG24, 119-120).

cial, a equipa provincial de Pastoral Juvenil aberta a outras pessoas competentes e qualificadas, a nível local, o Conselho da CEP ou a equipa de pastoral.

O PEPS elaborado, realizado e avaliado em conjunto constrói a CEP, cria mentalidade comum, torna mais significativa a acção educativo-pastoral, torna-se um momento privilegiado de formação permanente para SDB e leigos.

• Envolver e motivar de forma especial os Salesianos e as Comunidades SDB nesta tarefa de animação do processo de reflexão e elaboração do PEPS. Pensar numa acção a nível provincial para: - esclarecer a função da comunidade salesiana como núcleo animador da CEP; - aprofundar juntos os elementos de identidade salesiana: o Sistema Preventivo como espiritualidade, método pastoral, metodologia educativa, a síntese educação-evangelização, etc.

Como interessar e comprometer toda a CEP neste processo? • Criar e animar um grupo animador que: - estimule e motive, ajudando a ultrapassar os obstáculos; - indique as linhas metodológicas; - ofereça os elementos e subsídios para reflexão e estudo; - resuma e formule as conclusões para as recolocar ao grupo. Este grupo pode ser, a nível provin-

• Preparar um quadro de referência doutrinal e metodológico a propor à CEP como elemento de partilha e como guia para o processo.

animação do processo de reflexão e elaboração do PEPS

Aprofundar juntos os elementos de identidade salesiana: o

Sistema Preventivo como espiritualidade, método pastoral, metodologia educativa, a síntese educação-evangelização

• Pensar numa metodologia que favoreça a participação de todos os grupos e organismos da CEP segundo as suas responsabilidades e possibilidades. • Interessar de maneira especial os membros da FS que trabalham no mesmo território (Cf. CG24, 125): - a nível provincial, através do




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encontro dos organismos provinciais (equipa provincial de PJ e/ou Conselho Provincial) com os representantes dos diversos grupos da FS presentes na Província; - a nível local, através do diálogo entre o conselho local da FS com a comunidade SDB e o Conselho da CEP. Várias formas de desenvolvimento do projecto educativo-pastoral

recursos e protagonistas, através dos quais se tenta progredir até alcançar os objectivos preestabelecidos no PEPS. O itinerário ajuda a tornar operativo o projecto, desenvolve-o no tempo e adapta-o aos diversos destinatários; no itinerário, os objectivos tornam-se movimentos progressivos; o método é concretizado num conjunto de propostas e experiências orientadas segundo uma série sucessiva de intervenções.

• O itinerário • O plano pastoral anual É uma sucessão ordenada de etapas ou momentos educativos, com os seus modos de realização, os seus

É a aplicação anual do PEPS: a escolha de alguns objectivos espe-

PROCESSOS

DA PROVÍNCIA

E DE APOIO DA PROVÍNCIA

• A programação É a distribuição em termos de pessoas, tempos e lugares, das tarefas requeridas pelo projecto e pelo plano anual, e a determinação sobre a colocação das acções a serem cumpridas. A programação é feita em cada ano.

PROJECTO ORGÂNICO PROVINCIAL Quadro de referência geral Opções fundamentais que orientam o desenvolvimento da Província

INSTITUCIONAL

PROCESSOS

Através destes planos anuais é construído um caminho gradual que torna operativo o PEPS segundo a avaliação sistemática realizada na CEP.

DOCUMENTOS

DESENVOLVIMENTO

OPERATIVOS

cíficos que devem cuidar-se com especial atenção durante esse ano.

Plano de Formação

PEPS provincial Plano operativo pastoral

Plano de acção para a Família Salesiana

Plano económico administrativo

Plano de Formação Permanente

PEPS LOCAL (ou também um Plano pastoral anual)

Plano para a Família Salesiana

Plano de economia e administração

Projecto Leigos Plano para a comunicação social Plano vocacional Projecto comunitário Local

LOCAL



PROJECTO ORGÂNICO LOCAL Linha gerais que guiam toda a vida e acção


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ESTRUTURA GERAL DO PEPS

• Um projecto, para ser realista e eficaz, deve ser pensado como um processo contínuo, como um caminho que, partindo de uma situação inicial, avança para as finalidades traçadas através de objectivos e realizações que a transformam progressivamente Por isso, o PEPS deve ser elaborado de forma progressiva. Os três momentos acima referidos devem ser sucessivamente retomados, desenvolvidos, aprofundados. E isto mais do que uma vez, por forma a ajustar os planos educativos à realidade mutável em que trabalhamos. Neste processo, a CEP deve confrontar-se continuamente com o «Quadro de Referência» estabelecido, quer para esclarecer a análise da situação e poder discernir os desafios principais, quer sobretudo para definir os objectivos que devem orientar a acção pastoral para as metas marcadas no mesmo «Quadro de Referência». Momento da análise da situação Conhecimento da situação da nossa área de intervenção e da condição juvenil no próprio ambiente: pessoas, situações, recursos, problemas, tendências, possibilidades... Interpretação educativo-pastoral dessa situação, para avaliar os factos segundo a sua capacidade de tornar mais fácil ou mais difícil para os jovens o crescimento da sua humanidade na fé, para descobrir os valores evangélicos de que os jovens podem ser portadores e as suas ânsias e expectativas. Esta interpretação faz-se à luz dos elementos fundamentais da missão salesiana e do Sistema Preventivo (Quadro de Referência). Determinação dos desafios mais importantes e das urgências edu-

cativas e pastorais que resultam da análise da realidade. Momento da projectação operativa Fixar os objectivos gerais, ou seja, as opções educativo-pastorais que se consideram mais importantes, urgentes e possíveis a fim de avançar em direcção às finalidades propostas (Quadro de Referência). Formular para cada objectivo geral alguns objectivos concretos, progressivos e averiguáveis, pelos quais é possível alcançar o objectivo geral. Escolher as estratégias, ou seja, as modalidades de acção ou critérios metodológicos que se julguem oportunos para alcançar os objectivos fixados. Concretizar linhas de acção ou intervenções, estabelecendo em cada uma das quais o grupo de pessoas destinatárias, as finalidades que se desejam, os conteúdos a serem comunicados ou realizados, etc. Definir as responsabilidades das diversas pessoas ou equipas e as tarefas dos organismos. Momento de avaliação do projecto Permite medir objectivamente o impacto do projecto sobre a realidade, avaliando os resultados à luz dos objectivos propostos, descobrir as novas possibilidades ou urgências surgidas e discernir os novos caminhos a fazer.

O PEPS deve ser elaborado de forma progressiva Fixar as opções educativo-pastorais que se consideram mais importantes, urgentes e possíveis a fim de avançar em direcção às finalidades propostas

Esta avaliação realizada durante o processo permite também acompanhar e orientar as pessoas e grupos responsáveis no exercício das suas responsabilidades e tarefas, intensificar a motivação e adaptar o próprio caminho. A avaliação deve envolver as várias pessoas, grupos e equipas intervenientes. Deve ser positiva, isto é, orientada no sentido de ajudar e motivar para a obtenção de resultados melhores, e, mesmo quando visa um determinado aspecto, não deve perder de vista o conjunto do PEPS, no qual esse aspecto determi-




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nado está presente. • Numa avaliação global do PEPS, eis alguns elementos a não esquecer: - se foi criado um verdadeiro processo

educativo através das diversas actividades (continuidade, interacção, novas possibilidades e recursos produzidos, protagonismo do sujeito, etc.); - o grau de cumprimento dos objectivos previstos; por isso mesmo é fundamental escolher alguns indicadores exactos

e mensuráveis à luz dos quais se possam verificar os resultados obtidos; - analisar as causas, pessoais, estruturais, organizativas, etc., que favoreceram ou não o processo, a fim de poder adaptar os objectivos às novas situações e possibilidades.

Possível esquema de Projecto Educativo-Pastoral Análise da situação Fazer uma leitura educativa e salesiana da realidade juvenil do território

Visão de futuro

Objectivos gerais

À luz dos elementos centrais da Pastoral Juvenil Salesiana, como quereria que fosse a realidade juvenil no futuro? Qual pode ser o meu compromisso?

Escolher as metas que queremos alcançar com a nossa acção educativa

Estratégias e objectivos específicos Indicar o caminho que acreditamos ser o mais adequado para chegar a cada meta; os passos concretos a dar; desenhar um processo gradual

Linhas de acção ou intervenção Concretizar para cada objectivo acções ou intervenções precisas

Programa Determinar em cada intervenção: Pessoas disponíveis; Recursos, colaboradores, meios; Tempos; Equipas e estruturas

Convém chegar a escolher alguns desafios mais urgentes para a nossa missão educativopastoral



Esta visão de futuro deve ser aberta, inspiradora, pormenorizada e positiva

Não devem ser Estes passos muitas; dois ou, no devem ser máximo, três concretos, graduais e verificáveis

Cuidar da progressividade e da inter-relação entre as diversas acções programadas

Avaliação Propor instrumentos de avaliação (indicadores): Contínua, ao longo do preocesso; No fim do processo ou de cada etapa


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