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Espiritualidade educativa

O caminho de educação para a fé mostra progressivamente aos jovens

um projecto original de vida cristã e ajuda-os a assumi-lo

O caminho de educação para a fé mostra progressivamente aos jovens um projecto original de vida cristã e ajuda-os a assumi-lo. O jovem aprende a exprimir um novo modo de ser crente no mundo, e organiza a sua vida à volta de algumas percepções de fé, da eleição de valores e atitudes evangélicas: vive uma espiritualidade. Em todas as comunidades que se inspiram em D. Bosco, como já acontecia no Oratório de Valdocco, o empenho espiritual nasce daquele encontro que faz despertar a amizade. Desta resultam a referência contínua e a desejada companhia para o aprofundamento da vocação baptismal, e o caminho para a maturidade da fé. O facto de se colocar o jovem, com os seus dinamismos interiores, no centro

da atenção do educador e qual critério prático para a escolha dos itinerários a percorrer, manifesta a característica fundamental da espiritualidade juvenil: é uma espiritualidade educativa, que se dirige a todos os jovens indistintamente. Perante a ameaça do distanciamento/ indiferença e a da irrelevância da fé para a vida, o educador responde com o empenho de acompanhar e partilhar a experiência dos jovens. «Gostai das coisas que os jovens gostam» - repete D. Bosco - «para que os jovens gostem daquilo que vós gostais». Fazer crescer os jovens em plenitude «segundo a medida de Cristo, homem perfeito» é a meta de qualquer compromisso apostólico.

* Fascículo 1 | Outubro 2009 || Os núcleos fundamentais da Espiritualidade Salesiana * Distribuição Gratuita | Propriedade da Província Portuguesa da Sociedade Salesiana


* Fascículo 1 | Outubro 2009 || Os núcleos fundamentais da Espiritualidade Salesiana *

Espiritualidade do quotidiano

• O quotidiano inspirado em Jesus de Nazaré é o lugar no qual o jovem reconhece a presença transformadora de Deus e vive a sua realização pessoal. É síntese entre fé e vida

Não é preciso distanciar-se da vida ordinária para

procurar o Senhor

É fácil proclamar-se cristão de um modo genérico. Difícil é viver como cristão, desatando os nós que tornam a existência problemática e abrindo-se às exigências práticas das bem-aventuranças. A harmonia interior de um jovem e a alegria de viver exigem a «graça da unidade». Na experiência de D. Bosco esta é uma intuição, ao mesmo tempo simpática e fundamental: não é preciso distanciar-se da vida ordinária para procurar o Senhor. As primeiras páginas do «Giovane Proveduto» proclamam esta exigência juvenil: «Quero que sejais felizes». Quando os educadores com o estilo do D. Bosco de Valdocco, vivem a caridade pastoral e dão origem a um ambiente de família no qual «se faz experiência da necessidade e da alegria de partilhar tudo» tornam possível a harmonia e suscitam no jovem a questão sobre a felicidade. É redescoberta da Encarnação Na base da apreciação positiva da vida quotidiana está a contínua descoberta do evento da encarnação. A condição humana de Jesus revela que Deus está presente na vida e, ao mesmo tempo, afirma a sua transcendência. Jesus-Homem é o sacramento do Pai, a grande e definitiva mediação que torna Deus



próximo e presente. Ele ensina-nos que o lugar para encontrar Deus é a realidade humana: a nossa e aquela dos outros, a actual e a histórica. «Todas as vezes que fizestes isso a um dos meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes». É a vida humana que nos insere no evento da encarnação. É amor à vida Assumir com coerência o aspecto ordinário da existência; aceitar os desafios, as questões de fundo; as tensões do crescimento; procurar a junção dos fragmentos na unidade realizada pelo Espírito no Baptismo; trabalhar para superar as ambiguidades presentes na experiência quotidiana; fermentar no amor cada opção: tudo isto é o caminho obrigatório para descobrir e amar o quotidiano como uma realidade nova na qual Deus opera como Pai. Na “amorevolezza” do educador que com «bondade, respeito e paciência» acompanha a construção da personalidade do jovem; no acolhimento incondicional da comunidade que exprime a sua predilecção por ele, o jovem descobre um sinal de Deus que ama e vela. Apesar das experiências negativas da paternidade ou da pouca qualidade das relações familiares que possa ter vivido, o coração novo, que vai construindo, ajuda-o a olhar o mundo de modo diferente.


* Fascículo 1 | Outubro 2009 || Os núcleos fundamentais da Espiritualidade Salesiana *

Espiritualidade da alegria e do optimismo

• O quotidiano é vivido na alegria e no optimismo, mesmo sem ter de renunciar, por causa disso, ao compromisso e à responsabilidade. A alegria da bondade O que salta à vista em Valdocco é a alegria, o optimismo, a esperança. D. Bosco é o santo da alegria de viver. Os seus rapazes aprenderam tão bem a lição ao ponto de dizer com linguagem tipicamente «oratoriana» que «a santidade consiste em estar muito alegre». Aos jovens marginais do seu tempo D. Bosco propôs a possibilidade de experimentarem a vida como festa e a fé como felicidade. A música, o teatro, os passeios, o desporto, a alegria quotidiana de um pátio, foram sempre valorizados pelo Sistema Preventivo como elementos educativos de primeira importância. Suscitam numerosas energias de bem, que são orientadas para um compromisso de serviço e de caridade. Neste contexto, a festa nunca é manifestação de um vazio interior que procura compensações; nem é a tentativa de distrair

a atenção da realidade, tantas vezes dura, da qual apetece fugir. É, em vez disso, ocasião para construir a amizade e desenvolver quanto de positivo existe nos jovens. Este estilo de santidade poderá surpreender certos estudiosos de espiritualidade e de pedagogia, desconfiados de que se menosprezem as exigências evangélicas e os compromissos educativos. Porém, para D. Bosco, a fonte da alegria é a vida da graça, que compromete o jovem num difícil tirocínio de ascese e de bondade.

Ele oferece hoje, como resposta fiel ao amor gratuito de Deus, uma preciosa releitura do Evangelho, no espírito das bem-aventuranças. Fora de um caminho de sério compromisso, o crescimento torna-se sempre mais difícil. O educador recordá-lo-á aos jovens quando eles tiverem a impressão que reestruturar a própria vida à luz do Evangelho exija a exclusão de bens irrenunciáveis. Liberdade, justiça, solidariedade, corporeidade, colocarão muitas vezes os jovens diante de um beco com duas saídas: ou estar com o Senhor Jesus, aceitando as condições da fé, ou escolher realizar a vida longe da sua influência. E este é um momento crucial, uma passagem árdua mas necessária, para chegar à síntese na qual se experimenta a graça de viver unidos ao Senhor da vida e da história. João Paulo II, com feliz intuição, definiu o lugar da infância e da adolescência de D. Bosco como a Colina das Bem-aventuranças juvenis: porque dali sai uma mensagem de alegria e de responsabilidade para os jovens que olham para D. Bosco como pai e mestre.

O compromisso de crescer D. Bosco, durante toda a vida, conduziu os jovens pela estrada da santidade simples, serena e alegre, unindo numa única experiência vital o «pátio», o «estudo» sério e um constante sentido do dever.

D. Bosco propôs a possibilidade de experimentarem

a vida como festa e a fé como felicidade 


* Fascículo 1 | Outubro 2009 || Os núcleos fundamentais da Espiritualidade Salesiana *

Espiritualidade da amizade com o Senhor Jesus

• O quotidiano é recreado pelo Cristo da Páscoa que dá as razões da esperança e introduz numa vida que encontra n’Ele a plenitude de sentido.

Viver o espírito das bem-aventuranças segundo o estilo de Valdocco é realizar

laços de estreita amizade entre Jesus e o jovem



Encontro com Jesus Ressucitado

Para edificar um coração novo

Viver o espírito das Bem-aventuranças segundo o estilo de Valdocco é realizar laços de estreita amizade entre Jesus e o jovem. Deixa de nos contentar apenas o primeiro encontro e a simpatia para com o Senhor. Desejamos aprofundar o conhecimento e a adesão à sua Pessoa e à sua causa. Procuramos uma resposta concreta ao seu amor, devolvido com compromisso e generosidade. Os jovens, quando alcançam esta relação com o Cristo Senhor, abrem-se à radicalidade evangélica. A experiência do Oratório, com a história pessoal e comunitária de Domingos Sávio, Francisco Besucco e Miguel Magone diz como todos os jovens podem percorrer o caminho desta amizade com Cristo. Amigo, Mestre e Salvador são os termos que descrevem a centralidade da pessoa de Jesus na experiência espiritual dos jovens que vivem o estilo de D. Bosco. A dimensão pessoal da relação «Jesus é meu amigo e companheiro» disse Francisco Besucco – faz desejar conhecer a totalidade do mistério de Cristo morto e ressuscitado.

Preocupação constante de D. Bosco foi a de educar para a fé, caminhando «com os jovens para os conduzir à pessoa do Senhor ressuscitado» para que… crescessem «como homens novos». D. Bosco gostava de repetir que «a educação é coisa de coração»: também o caminho da espiritualidade requer um coração novo. Se não se alcança este centro que move a vida humana, não se realizará qualquer conversão profunda e duradoira. Em contacto com o Senhor ressuscitado os jovens renovam um amor mais intenso pela vida. Em amizade com o Senhor ressuscitado formam em si um «coração oratoriano», que vibra com a força silenciosa mas eficaz do Espírito Santo.


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Espiritualidade de Comunhão Eclesial

• O quotidiano experimenta-se na Igreja, ambiente natural para o crescimento na fé através dos sacramentos. Na Igreja encontramos Maria, primeira crente, que precede, acompanha e inspira. Desejo de viver juntos Sustentados por uma espiritualidade que nasce da relação entre pessoas que encontram em Cristo um amigo comum, os jovens sentem uma grande necessidade de estar juntos. Como amigos partilham e celebram a alegria de viver, para se ajudarem mutuamente. Fazem assim a experiência de se tornar fermento no meio dos outros adolescentes e jovens. Além disso, por exigência natural, organizam e, de certo modo, institucionalizam a amizade criando grupos ligados aos mais variados interesses próprios da sua existência: do jogo à cultura e ao compromisso religioso. Comunhão na responsabilidade A realização pessoal com o Cristo ressuscitado e a experiência de grupo resultam numa relação filial com a Igreja. D. Bosco foi um homem de comunhão. Ensinou os jovens a viver o mistério da Igreja, que encerra, na fraqueza do ser humano, a graça invisível da presença de Deus. O seu testemunho pessoal quotidiano e o ambiente de família que criou no Oratório suscitaram nos jovens o sentido da colaboração e da co-responsabilidade. Também hoje a diversidade de interesses, de dons e de valores que convivem na comunidade educativa, são um testemunho da presença do Senhor que une a todos num só coração e numa só alma. Este espírito de família é sinal eficaz da Igreja que se quer construir em conjunto, para um serviço fraterno

para com aqueles que têm maior necessidade. Colaboração na Igreja particular A história dos jovens do Oratório, enquanto vivia D. Bosco, é rica de expressões concretas de amor à Igreja. De facto, a comunhão procura continuamente estar unida com todas as forças activadas para a salvação e para a construção do Reino de Deus. Esta comunhão exprime-se, portanto, na estima e na fraternidade operativa para com os Pastores e para com quantos colaboram para o bem de todos, dos jovens em particular. Procura, além disso, o diálogo e o entendimento com aqueles que são responsáveis da pastoral local, deixando-se guiar por uma visão de fé amadurecida, capaz de compreender e aceitar os aspectos humanos da Igreja, os seus limites e as suas carências. Amor para com a Igreja universal Sentir como próprios os grandes interesses da Igreja universal, intervindo de modo proporcionado às capacidades de cada um, representa um empenho constante na história salesiana. Tem o sabor de «grande aventura religiosa» a preparação da primeira expedição missionária na Congregação. Todo o Oratório, de facto, é envolvido, e cada um se sente parte activa. Foi uma experiência que fez crescer entre os jovens uma viva sensibilidade pela mundialidade do empenho apostólico. E entre as componentes de

A realização pessoal com o Cristo ressuscitado e a experiência de grupo resultam numa

relação filial com a Igreja

A diversidade de interesses, de dons e de valores que convivem na comunidade educativa, são um testemunho da presença do Senhor




* Fascículo 1 | Outubro 2009 || Os núcleos fundamentais da Espiritualidade Salesiana *

O encontro e a relação com Cristo ressuscitado vivem-se de modo especial na

celebração dos sacramentos

O recurso frequente ao sacramento da reconciliação dá eficácia ao processo de de

conversão e renovamento

A educação ao verdadeiro amor passa através da Eucaristia



uma espiritualidade juvenil salesiana estão o amor explícito ao Papa e a adesão convicta ao seu magistério. Cristo encontrado nos sacramentos O encontro e a relação com Cristo ressuscitado vivem-se de modo especial na celebração dos sacramentos. O Sistema Preventivo reconhece e afirma a sua importância no crescimento cristão dos jovens. O Baptismo, início do caminho de educação para a fé, empenha os próprios jovens numa catequese renovada e num testemunho de vida coerente com a configuração a Cristo Senhor. A Confirmação, sacramento que leva a realizar a maturidade da fé através dos dons do Espírito, assume particular importância na idade juvenil. O sacramento do Perdão O sacramento da Reconciliação, que celebra o amor de Deus, que é mais forte do que o pecado, foi apresentado aos jovens por D. Bosco como uma das colunas fundamentais do edifício educativo. Por isso é que em Valodocco era celebrado frequentemente e reunia particulares atenções. Antes de tudo, tinha-se o cuidado da preparação através de um ambiente de acolhimento, rico de amizade e de fraternidade. Isso ajudava os jovens a superar a natural relutância de manifestar os segredos do próprio coração. Depois, fazia-se com que fosse orientado para a vida: isto é, devia melhorar as relações inter-pessoais; criar as condições para um compromisso mais evidente no cumprimento dos

próprios deveres; sustentar a conversão e o renovamento do coração, para que o jovem pudesse «dar-se a Deus» com um propósito eficaz. Por fim, o sacramento prolongava-se na direcção espiritual, para reforçar a adesão ao Senhor, e no encontro fraterno com o educador através da partilha alegre da vida. Os frutos educativos do sacramento da Reconciliação são muitos. Os jovens sustentados pelo amor que compreende e perdoa encontram a força para reconhecer o próprio pecado e a própria fraqueza, necessitada de sustento e de acompanhamento. Aprendem a resistir à tentação da auto-suficiência. Oferecem o perdão como troca pela reconciliação recebida. Educam-se para o respeito pelas pessoas. Formam uma consciência recta e coerente. O recurso frequente ao sacramento da reconciliação dá eficácia ao processo de conversão e de renovamento. O sacramento da Eucaristia A celebração da Eucaristia, preparada através de um clima de solidariedade e amizade, é vivida como um encontro festivo, cheio de símbolos e expressões juvenis. É celebração alegre da vida. Torna-se assim para o jovem um significativo momento de crescimento religioso: chamamo-la a segunda coluna do edifício educativo do Sistema Preventivo. A partir da Eucaristia o jovem aprende a reorganizar a sua vida à luz do mistério de Cristo que se doa por amor. A Eucaristia torna-se, assim, para ele uma fonte de energias novas para crescer na graça. «A educação ao verdadeiro amor passa através da


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Eucaristia». A tradição recorda uma outra expressão típica da relação com a pessoa do Senhor Jesus: a visita e a oração diante do SS. Sacramento. Em D. Bosco aparece com frequência a referência à «visita» como meio para exprimir a Deus o «muito obrigado» pelos dons da existência. A oração juvenil A oração, feita com o estilo de D. Bosco, apresenta algumas características particulares. É a oração do bom cristão, simples e popular: afunda as suas raízes na vida. Prefere o clima festivo dos encontros entre os jovens, mas sabe encontrar também o momento para um diálogo pessoal com o Senhor. Exprime-se com fórmulas breves e espontâneas, retiradas da Palavra de Deus e da liturgia. Cada geração é chamada a inventar a sua oração, em fidelidade à tradição e no corajoso confronto com a cultura e os seus problemas. Para isso, a oração salesiana sabe aceitar as novas modalidades que ajudam os jovens a encontrar o Senhor na vida quotidiana. É, portanto, flexível e criativa, atenta às orientações renovadoras da Igreja. D. Bosco usava mais frequentemente o termo «piedade» do que o termo «oração». A piedade exprime a consciência de estarmos imersos na «paternidade de Deus» e cuida, mais do que as palavras, os gestos de amor de

quem procura agradar ao Senhor em tudo. Maria, Mãe e Auxílio da Igreja A espiritualidade juvenil salesiana atribui um lugar privilegiado à figura de Maria. D. Bosco, desde o início da sua vocação, no sonho dos 9 anos, recebeu-A como guia e sustento. Com o seu materno auxílio cumpriu o desígnio que o Senhor tinha sobre a sua vida. No final da sua tarefa pode afirmar com verdade: «Foi Maria que tudo fez». Em contacto com a comunidade crente os jovens aprendem a olhar para Maria como aquela que «infunde esperança» e lhes sugere algumas atitudes tipicamente evangélicas: a escuta, a fidelidade, a pureza, a doação, o serviço. Todos os jovens vivem certos tempos difíceis de transformação mas também de entusiasmo, por causa da novidade que os espera e que desejam com todas as suas forças. Maria, invocada e honrada com o título de «Auxiliadora», é para eles «sinal de garantida esperança e de consolação». Quando alcançam uma devoção mariana motivada, os jovens descobrem os horizontes para os quais a Auxiliadora os conduz: um zelo apostólico ardente na luta contra o pecado e contra uma visão do mundo e do homem contrária às bem-aventurança e ao «mandamento novo».

A Eucaristia torna-se, assim, para ele uma fonte de energias novas para crescer na graça

A oração salesiana sabe aceitar as novas modalidades que

ajudam os jovens a encontrar o Senhor na vida quotidiana

A espiritualidade juvenil salesiana atribui um lugar privilegiado à figura de Maria 


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Espiritualidade do serviço responsável

• O quotidiano é entregue aos jovens num serviço generoso, ordinário e extraordinário. Tornar-se honestos cidadãos e bons cristãos O jovem crente, movido pelo Espírito, está ao serviço do homem, como a Igreja, perita em humanidade. O serviço mede o caminho da espiritualidade. D. Bosco, pai e mestre da juventude, insistia com os seus jovens para que se tornassem «honestos cidadãos e bons cristãos». A síntese dos dois elementos é o fruto mais maduro da espiritualidade juvenil. A simplicidade da fórmula esconde o esforço que exige e o compromisso nunca totalmente realizado. Ser honesto cidadão traduz-se hoje, para um jovem, promover a dignidade da pessoa e os seus direitos, em todos os contextos; viver com generosidade na família e preparar-se para a fundar sobre bases de recíproca doação; favorecer a solidariedade, especialmente para com os mais pobres; desenvolver o próprio trabalho com honestidade e competência



profissional; promover a justiça, a paz e o bem comum na política; respeitar a criação; favorecer a cultura. Compromisso com a criatividade do amor A história dos jovens no Oratório, com D. Bosco presente, é rica desta aprendizagem da vida cristã: estar ao serviço dos outros, de modo habitual e até mesmo em formas por vezes extraordinárias. Hoje abrem-se ao jovem novos caminhos de serviço. Há a animação educativa e cultural no território, para vencer a marginalização e difundir uma cultura de participação; há o voluntariado cívico e missionário, para colaborar com alguns organismos pela promoção humana e pela evangelização. Compromisso por toda a vida como e com D. Bosco Muitos jovens são ricos de recursos

espirituais, apresentam gérmenes de vocação apostólica e chegam mesmo a fazer amadurecer o encontro e a simpatia inicial por D. Bosco numa vontade de doar-se para continuar a sua missão. Muitas vocações nascem, de facto, de uma feliz experiência de serviço num bairro, em ambientes pobres, numa catequese no Oratório, na visita aos doentes, no empenho de voluntariado e de educação. Os jovens interrogam--se: «Em que espaços sociais e eclesiais me inserirei para exprimir o meu amor à vida e ao Senhor da vida?». É certo para alguns o chamamento à família e a uma profissão, vividas como serviço responsável à Igreja e aos homens. Para outros é sempre mais evidente a escolha do sacerdócio e da vida religiosa. Todos, em qualquer caso, guiados pelo Espírito do Senhor e animados pelos valores da espiritualidade salesiana, acolhem e vivem a própria existência como vocação.


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