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FAQ PERGUNTAS MAIS FREQUENTES ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS EXPORTADORES DE SUCOS CÍTRICOS


LARANJA E SEUS PRODUTOS 1. Qual a produção mundial de laranja e de suco de laranja? A produção mundial de laranja em 2009 foi de 65 milhões de toneladas. A participação brasileira nessa produção foi de 25%. Na última década, a produção mundial de suco esteve entre 2,2 e 2,8 milhões de toneladas de FCOJ equivalente, isto é, em suco concentrado. Abaixo é possível visualizar a produção da região da Flórida e da região de São Paulo-Triângulo Mineiro. Há produção de suco em outras regiões do mundo, entretanto como pode se observar, Brasil e Estados Unidos são responsáveis por mais de 80% da produção de suco mundial.

2. Quem são os maiores produtores e consumidores de suco de laranja? O Brasil (região de São Paulo) e Estados Unidos (região da Flórida) são os maiores produtores de suco de laranja mundiais. Os maiores consumidores do suco de laranja brasileiro são os Estados Unidos com aproximadamente 851 mil toneladas / ano e a União Europeia com aproximadamente 1 milhão de toneladas / ano. 3. O que é tecnicamente considerado um suco cítrico e um suco de laranja? Suco cítrico é o suco obtido de frutos cítricos, entre eles a laranja, o limão, a tangerina, o grapefruit e o pomelo, por exemplo. Embora o Brasil produza suco de outras frutas cítricas, o principal produto exportado é o suco de laranja que corresponde a 38% do consumo mundial de sucos de frutas e 50% do consumo brasileiro de sucos de frutas.

EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO MUNDIAL DE SUCO DE LARANJA Em milhões de toneladas de FCOJ e NFC equivalente a 66ºBrix

Produção: Flórida 3.000

2.500

Produção: São Paulo and Triângulo Mineiro

2.814

2.781 2.328

Produção Mundial

2.664

2.421

2.626 2.433

2.422

2.441

2.441 2.282

2.332 2.236

2.019

2.225

2.000

1.500

1.000

500

0 1995/06

1996/07 1997/08

1998/09

1999/10

2000/01

2001/02 2002/03

2003/04

2004/05 2005/06

Fonte: Elaborado por Markestrat a partir de CitrusBR

2006/07

2007/08

2008/09

2009/10


LARANJA E SUAS PARTES Sementes Segmentos oleosos Segmentos de suco Flavedo

Núcleo central

Albedo Parede de segmento Segmento

APROVEITAMENTO DA LARANJA Óleo 0,11%

Água 0,46%

Polpa 2,67%

D-Limoneno 0,92%

Óleos Essenciais 1,79%

Suco de laranja 44,81%

Pele, semente e bagaço 49,24%

4. Qual a diferença do suco de laranja fresco e do suco exportado? O suco de laranja fresco, obtido diretamente da fruta espremido em casa ou em restaurantes, padarias, etc, é o suco natural, que deve ser consumido na hora pois tem vida curta e pode deteriorar-se quando armazenado por muito tempo. O suco exportado pode ser o suco concentrado (FCOJ – Frozen Concentrated Orange Juice) ou suco não concentrado e refrigerado (NFC – Not from Concentrate), sendo que ambos passam por um processo industrial que permite o transporte e armazenamento por períodos mais longos. O suco concentrado e congelado (FCOJ) é exportado e reconstituído com a adição de água no país de destino, para adaptação de acordo com as exigências do mercado consumidor local. 5. Quais os outros subprodutos da laranja? Eles também são exportados? O processo de produção de suco de laranja gera diversos subprodutos, que também são exportados. Entre os subprodutos da laranja, estão o farelo de polpa cítrica (CPP), utilizado em alimentação animal, o óleo essencial e líquidos aromáticos, utilizados nas indústrias alimentícia e cosmética, e os terpenos utilizados na indústria química, por exemplo. 6. Quais as modalidades de fruta e suas características? As de fruta diferenciam-se entre si com relação a tamanho, acidez, conteúdo de açúcares e outras características. O plantio de diferentes variedades contribui para ampliar o período de colheita, manejar o controle de doenças e reduzir os impactos das adversidades climáticas. Entre as principais variedades cultivadas no Brasil estão as precoces (Hamlin, Westin, Rubi e Pineapple), meia-estação (Pêra) e tardias (Valência e Natal). Nos pomares de São Paulo, 55% das árvores são de variedades tardias.


COMÉRCIO E EXPORTAÇOES 7. Qual a posição do Brasil na produção e exportação de laranja e suco de laranja? O Brasil é o maior produtor e exportador de suco de laranja, produzindo 53% do suco de laranja do mundo e exportando 98% de sua produção. Aproximadamente 85% do suco de laranja exportado mundialmente é proveniente do Brasil. Em nenhum outro setor o Brasil exerce uma posição de liderança tão isolada.

9. Quais os tipos de suco de laranja exportados? O Brasil exporta basicamente o suco de laranja concentrado e congelado ou FCOJ (Frozen Concentrate Orange Juice), e o suco não concentrado ou NFC (Not-FromConcentrate). A tecnologia que permite exportar grandes quantidades de sucos a granel para destinos longínquos foi desenvolvida no Brasil, ao longo de anos de

8. O Brasil exporta laranja in natura? Sim, entretanto o volume exportado é muito pequeno, especialmente se comparado ao volume de suco. O mercado internacional tem preferência pelas frutas produzidas na região do Mediterrâneo e Califórnia, e nos últimos anos houve um aumento da produção de frutas em lugares como a Espanha e o continente africano. A produção brasileira de frutas destina-se em sua maior parte às indústrias processadoras de suco e ao abastecimento do mercado interno de frutas in natura.

10. Como é reconhecida a qualidade do suco brasileiro no mercado Internacional? O suco brasileiro é considerado de ótima qualidade. As exportações para os EUA são submetidas a uma rigorosa inspeção pelo Departamento de Agricultura (USDA) sendo classificadas através de uma escala que atribui pontos às vendas como cor, sabor, ratio (equilíbrio doce/ácido) e defeitos. O suco brasileiro possui alto score e é classificado como US grade A, sendo muitas vezes utilizado em misturas com outros sucos de qualidade inferior (blended). Além disso, no mercado Europeu o suco brasileiro passa pela certificação de qualidade da SGF, organismo que atesta a qualidade e autenticidade das matérias primas utilizadas em sucos e alimentos à base de frutas importados pelos países Europeus.

EVOLUÇÃO DA QUANTIDADE E DO VALOR FINANCEIRO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE SUCO DE LARANJA Fontes: Elaborado por Markestrat a partir de Cacex, Siscomex & SECEX/MDIC. NFC equivalente a 66° Brix

Valor Exprotado 2.500

$ 2.252 $ 1.997

2.000

$ 1.619

1.500

51 25

1.000 $ 1.041

$ 1.034

83

$ 1.058

$ 1.111

1.254

1.320

103

145

2.000 1.500

169

171 1.000

1.130 2.009

1.122 2.008

1.271 2.007

1.208 2.006

2.005

1.312 2.003

1.189 2.002

2.001

1.348

2.004

500 1.277

0

$ 1.193

60

$ 1.469

$ 845

500

2.000

Quantidade em mil toneladas

2.500

0

Valor exportado em US$ dólares

FCOJ


11. O Suco de laranja é uma commodity? Sim, o suco de laranja, assim como outras commodities, é um produto produzido e exportado em grandes quantidades, com características uniformes. Teoricamente as commodities têm baixo grau de industrialização, entretanto o suco de laranja exportado passa por diversos processos industriais para que possa ser comercializado de acordo com as exigências dos mercados consumidores com relação a análises microbiológicas, temperatura, Brix (concentração de sólidos solúveis), ratio (razão entre o Brix e o grau de acidez), entre outras características. A Bolsa de Nova Iorque negocia contratos futuros de FCOJ (suco de laranja concentrado e congelado). 12. Como funciona a cadeia de produção? A indústria representa um elo intermediário da cadeia produtiva de suco de laranja, que é formada também por citricultores, engarrafadores, distribuidores, redes varejistas e consumidores nos países importadores. Parte da laranja utilizada para processamento é proveniente de pomares próprios da indústria, ao passo que o restante é adquirido de citricultores por meio de contratos de médio e longo prazo ou no mercado “spot” isto é, contratos no momento da safra. 13. Como funciona a logística de exportação? 97% do suco de laranja exportado é produzido nas indústrias localizadas no interior do Estado de São Paulo. De lá, o suco é transportado em caminhões tanque, próprios para este uso, que percorrem as principais rodovias paulistas até o porto de Santos. No porto, navios desenvolvidos especificamente para o transporte de suco são carregados para seguirem aos destinos consumidores. É importante notar que a tecnologia envolvida no transporte é extremamente avançada e exige altos investimentos por parte da indústria, tanto do ponto de vista asséptico, quanto no

desenvolvimento de tecnologias que permitam o transporte para destinos longínquos de forma que o produto chegue aos terminais estrangeiros mantendo suas características de temperatura e microbiologia. 14. Quais as principais barreiras tarifárias e não tarifárias ao suco de laranja brasileiro? O suco de laranja brasileiro enfrenta diversas barreiras tarifárias que diminuem sua competitividade no mercado internacional. Veja abaixo as barreiras tarifárias que são impostas pelos principais mercados importadores do suco brasileiro:

VALOR DOS IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO PARA O SUCO DE LARANJA BRASILEIRO País/Região

Alíquota do Imposto de Importação

Europa

12,20%

Estados Unidos

FCOJ US$ 415/ton NFC US$ 42/ton

Japão

25,50%

Coreia do Sul

54%

China

7,5% para suco abaixo de -18ºC e 30% para suco acima de -18ºC

Austrália

5%

Outros países

Isentos

Fontes: Elaborado por Markestrat a partir de dados da CitrusBR. O México tem isenção até alcançar 30.000 toneladas ao ano. No entanto, as exportações mexicanas atuais não atingem essa quantidade, ficando, portanto, isentas de tributação.

O suco brasileiro também precisa atender a uma série de exigências técnicas que envolvem questões fitossanitárias, de embalagem, de consistência na qualidade do produto, regularidade na entrega, conformidade com o Codex Alimentarius, respeito às legislações gerais e locais para comércio de alimentos, entre outras. Há exigências técnicas que representam verdadeiras barreiras não-tarifárias para o suco brasileiro.


15. Porque a exportação está tão concentrada em Europa, Estados Unidos e Japão? Os principais mercados importadores são a Europa, que importa aproximadamente 70% do suco brasileiro, e os Estados Unidos, que importam aproximadamente 13%. O restante está dividido em outros países, com destaque para Japão e China. A principal explicação reside no fato que o suco de laranja é um produto caro, consumido por públicos de renda mais elevada. No caso da China, por exemplo, percebe-se que o pontencial de consumo é grande quando os preços do produto estão mais baixos. Um segundo fator importante é a logística, pois o suco exportado a granel é recebido em terminais próprios e com tecnologia específica para recebimento do suco. Atualmente as empresas brasileiras dispõem de terminais na Europa, Estados Unidos, Japão, e Austrália.

DESTINO DO NFC BRASILEIRO NA DÉCADA DE 2000

26% América do Norte

74% Europa

Fontes: Elaborado por Markestrat a partir de Cacex, Banco do Brasil, Siscomex & SECEX/MDIC.

DESTINO DO FCOJ BRASILEIRO POR DÉCADA E EM 2009 América do Norte 100%

Asia

Europa 2% 9%

2% 2%

3%

90%

Outros continentes 3%

4%

11%

13%

80%

43%

70%

64%

60%

63% 70%

50%

71%

40% 30%

53%

20%

33%

Década 2009

26%

10%

16%

13%

0%

Década 1970

Década 1980

Década 1990

Década 2000

Fontes: Elaborado por Markestrat a partir do Cacex, Siscomex e SECEX/MDIC.


LARANJA NO BRASIL 16. Porque as grandes empresas exportadoras não têm marca própria e não vendem o próprio suco diretamente nos mercados internacionais? A produção em grande escala certamente traz vantagens competitivas para a indústria brasileira, que foi se consolidando e concentrando em resposta ao processo de concentração dos engarrafadores e varejistas no mercado externo. Por outro lado, quanto mais atividades a indústria exercer, maiores são os investimentos e riscos envolvidos. Para comercializar o suco engarrafado nos mercados internacionais é necessário Concorrer com gigantes engarrafadores e distribuidores, o que demanda altíssimos investimentos. 17. Como é a formação do preço da tonelada de suco de laranja? O preço do suco de laranja exportado depende da combinação de diversas variáveis de mercado, tais como: o preço dos contratos futuros de suco de laranja na bolsa de NY, o nível dos estoques, o tamanho das safras brasileira e norteamericana, a demanda nos mercados consumidores bem como as condições econômicas nesses países, além das influências climáticas a cada ano. 18. As empresas brasileiras produzem suco de laranja fora do Brasil? Sim, algumas empresas brasileiras possuem instalações nos Estados Unidos. Das nove fábricas em funcionamento atualmente na Flórida, quatro possuem seu headquarter no Brasil. As duas fábricas de Auburndale, da Sucocitrico Cutrale, a de Lake Wales da Citrosuco e a de Indiantown da Louis Dreyfus. Dessa forma, cerca de 50% do suco de laranja produzido nos Estados Unidos provém de empresas brasileiras instaladas em território americano.

19. Qual o histórico da atividade produtora e exportadora de sucos cítricos no Brasil? O grande impulso para o desenvolvimento da indústria cítrica brasileira foi a geada que atingiu os pomares da Flórida em 1962, chegando a destruir 13 milhões de árvores adultas e impedindo os americanos de abastecerem seu mercado interno e o mercado europeu. O Brasil trabalhou para preencher essa lacuna, e no início da década de 60 fez as primeiras exportações experimentais de suco concentrado de laranja. Nas décadas seguintes, a região da Flórida sofreu com sucessivas geadas que causaram perdas na produção, diminuição no rendimento das frutas devido ao congelamento das células e polpa, além da morte de milhares de árvores. Assim as exportações brasileiras se firmaram e a indústria entrou em uma fase de franca expansão, ao ponto de que na década de 80, o Brasil tornou-se o maior produtor mundial de laranjas, superando os Estados Unidos não só em produção como também em tecnologia de citros. 20. Porque o consumo de suco industrializado é irrisório no Brasil? A maior parte da produção de suco industrializado no Brasil é destinada à exportação pois o Brasil é um dos poucos países do mundo cujos habitantes tem o privilégio de poder consumir o suco preparado na hora com custos baixos. Da produção total de suco de laranja industrializado no Brasil, apenas 97% são destinados ao mercado externo. 21. Quais são as principais indústrias brasileiras produtoras e exportadoras de sucos cítricos? Atualmente, as maiores indústrias são a Sucocítrico Cutrale; a Citrovita, que faz parte do Grupo Votorantim; a Citrosuco, que faz parte do Grupo Fischer; e a Louis Dreyfus Commodities. Juntas, essas empresas respondem por 98% da produção e 99% das exportações brasileiras de suco de laranja.


LARANJA NO BRASIL 22. Onde estão localizadas as indústrias exportadoras de suco de laranja? As indústrias estão localizadas em sua maioria na região Sudeste, no interior do Estado de São Paulo e Paraná. A região conhecida como “cinturão citrícola” é composta por cidades do interior de São Paulo mais o triângulo mineiro. Há também pequenas indústrias na Bahia, Sergipe e Rio Grande do Sul.

Brasil

São Paulo

Cinturão Citrícola Brasileiro

23. Qual a área plantada e os níveis de produtividade? A laranja é a fruta mais plantada no país, sendo que seu cultivo ocupa aproximadamente 800 mil hectares. Utilizando apenas 0,2% das terras aráveis do Brasil (aproximadamente 340 milhões de hectares), o Brasil é o maior produtor de laranjas do mundo. A média nacional em termos de produtividade era de 380 caixas/hectare em 1990, e atualmente é de 475 caixas/hectare. Isso significa um enorme ganho de produtividade alcançado por investimentos e pesquisas, sem que a área plantada fosse aumentada. Dependendo do tamanho das propriedades e das tecnologias utilizadas, há produtores que conseguem atingir uma produtividade acima de 1400 caixas por hectare, entretanto a maior parcela dos produtores que fornecem laranja para a indústria de sucos encontra-se numa faixa de produtividade entre 700 e 1.099 caixas por hectare. 24. Quando ocorre a safra da laranja no Brasil e em outras regiões do mundo? No Brasil o clima favorável permite que as laranjas sejam cultivadas ao longo de todo o ano. A safra comercial vai de Julho a Junho do ano seguinte, e o período de colheita vai de Maio a Fevereiro do ano seguinte. Nos Estados Unidos a safra comercial vai de outubro a setembro do ano seguinte e a colheita estende-se de Outubro até Junho do ano seguinte. 25. Como são as condições de trabalho no setor citrícola? No Brasil a cadeia citrícola emprega ao longo do ano trabalhadores fixos e temporários. A colheita é realizada quase totalmente de forma manual portanto é intensiva em mão de obra. No cinturão citrícola, assim como nas principais regiões produtoras do mundo e em outros cultivos de commodities, as


atividades de plantio dos pomares, cultivo da safra, colheita das frutas e transporte da laranja até o ponto de compra são de responsabilidade dos produtores agrícolas. Na última safra estima-se que a cadeia agrícola envolveu um total de 230 mil empregos diretos e indiretos. A legislação trabalhista brasileira é uma das mais rigorosas do mundo e deve ser cumprida à risca por todos os empregadores. A norma reguladora 31, por exemplo, estabelece a necessidade do trabalhador rural em oferecer condições adequadas de trabalho, higiene e conforto, com instalações adequadas para refeições e descanso, fornecimento de equipamentos de proteção individual, treinamento, etc. As empresas brasileiras associadas à SGF – organização internacional que certifica a qualidade de matérias primas para o mercado europeu - seguem um código de conduta pelo qual comprometem-se a seguir também os padrões da Organização Internacional de Trabalho. São realizadas auditorias periódicas nas fábricas e pomares para garantir que os padrões estejam sendo seguidos. 26. Por que houve um processo de concentração e consolidação da indústria de sucos cítricos no Brasil? O processo de consolidação começou nos mercados consumidores, ou seja, na ponta final da cadeia citrícola. Fusões e aquisições entre os distribuidores e supermercados externos motivaram fusões e aquisições dos engarrafadores de suco. Os engarrafadores são os clientes das indústrias de sucos cítricos. Vale lembrar que o processo de concentração não é exclusivo do setor citrícola, e ocorreu nos últimos anos em outros setores da economia brasileira e mundial, como forma de aumentar a eficiência, reduzir custos e otimizar processos. A partir da concentração dos engarrafadores e redes varejistas na Europa e Estados Unidos, a indústria brasileira precisou adaptar-se para continuar

competitiva no mercado. Os investimentos necessários para a produção de suco de laranja em grande escala são altos, pela própria natureza do negócio e pela logística envolvida. Também é importante perceber que a concentração existe na ponta da produção, pois a maioria dos pomares está sob a propriedade de uma pequena parcela dos citricultores, pela mesma lógica de mercado que requer produção em escala e investimentos em tecnologia, combate a pragas, irrigação, etc. 27. Como é a relação entre produtores de laranja e indústria de suco? A indústria precisa dos produtores de laranja para produzir suco de laranja, uma vez que os pomares próprios da indústria fornecem apenas uma parcela da quantidade de laranjas utilizadas. O citricultor que deseja vender sua produção à indústria pode optar pela assinatura de contratos ou por vender sua mercadoria no mercado spot, ou seja, com contratos para a safra do ano e sujeito às variações de oferta e demanda do mercado. Há citricultores que avaliam as condições de risco do mercado e preferem ainda assim investir no mercado spot, mas infelizmente há citricultores que tem dificuldades em analisar todas as variáveis de mercado e acabam tendo prejuízos sofrendo com a volatilidade dos preços internacionais do suco de laranja. 28. Quais as características dos contratos entre produtores e indústria? Há diversos tipos de contrato entre produtores e indústria. Há contratos de longo prazo e médio prazo, que determinam as condições de compra por parte da indústria, estabelecendo preços fixos ou atrelados a prêmios de acordo com as condições do mercado. Em condições de mercado favoráveis, nos casos em que a safra é baixa e a demanda é alta, os preços do mercado spot podem ser mais atrativos. Cabe aos citricultores a decisão sobre a forma de venda de sua produção: se prefere correr o


risco do mercado spot ou garantir a venda de sua produção por meio de contratos de médio e longo prazos. 29. Quais as principais doenças que afetam a produção de frutas cítricas e qual a sua importância para o produtor e o mercado? Na última década os produtores brasileiros enfrentaram doenças que prejudicaram seus pomares e ocasionaram perdas de árvores e prejuízos financeiros. O cancro cítrico, o CVC, a morte súbita dos citros e o Greening foram as doenças que mais afetaram os citricultores. Atualmente a doença que mais preocupa os citricultores de São Paulo e da Flórida é o Greening ou HLB (Huanglongbing), pela velocidade com que se alastra. O greening é uma doença bacteriana transmitida pelo psilídeo Diaphorina Citri, uma espécie de mosquito que com sua picada contamina a seiva da árvore, condenando folhas, galhos e frutos à desnutrição. Uma das conseqüências da doença é a formação de frutos esverdeados, por isso o nome greening. A prevenção e controle dessas doenças são importantíssimas para a sustentabilidade dos pomares e manutenção das margens de lucro dos citricultores, uma vez que grandes perdas podem ocasionar a diminuição da safra e afetar os preços da fruta e do suco. 30. Quais os últimos avanços no combate ao Greening? Ainda há diversas perguntas sem resposta, relacionadas ao controle do vetor, à eficácia de inseticidas para a prevenção, ao papel de árvores assintomáticas e murtas para o avanço da doença. Além disso, os institutos de pesquisa tentam determinar o efeito de temperatura e idade das árvores sobre a contaminação, e verificar qual a melhor forma de detectar a doença e desenvolver mudas resistentes. Segundo o Fundecitrus, Fundo de Defesa da Citricultura, as

perspectivas para o Estado de São Paulo são de aumentar o risco de produção e os custos, tendo como conseqüência um declínio na oferta de fruta no médio prazo. 31. Há diferenças entre as cadeias citrícolas de São Paulo e da Flórida? Os produtores e fábricas da Flórida precisam lidar com desafios como as condições climáticas adversas, a valorização das terras, a pouca disponibilidade de água, a especulação imobiliária e o custo de mão-de-obra, além dos prejuízos causados pelo Greening. Por outro lado, estão mais próximos do mercado consumidor e não sofrem com as flutuações do câmbio ou a imposição de tarifas. Para os produtores brasileiros os principais desafios são o câmbio, as barreiras tarifárias ao comércio impostas pelos importadores e o alto investimento logístico. Além disso, produtores na Europa e EUA contam com um volume substancial de auxílios e subsídios governamentais diretos para a produção agrícola.


SUSTENTABILIDADE SOCIAL E AMBIENTAL 32. Existe algum perigo de expansão da produção de laranja que possa degradar as florestas tropicais e subtropicais? Não. As indústrias exportadoras e seus fornecedores estão localizados na região Sudeste, e cumprem de maneira estrita as legislações ambientais às quais estão sujeitas, respeitando as leis que tratam de áreas de preservação permanente e reserva legal. Nos últimos anos a produtividade dos pomares tem aumentado como resultado de pesquisas e investimentos realizados pelos citricultores, sem aumento da área plantada. A laranja não provoca desmatamentos ou mudanças diretas e indiretas no uso da terra. 33. O que a indústria de sucos cítricos tem feito para reduzir o aquecimento global? O aquecimento global é causado pelo acúmulo de GEEs (gases de efeito estufa) na atmosfera. A indústria brasileira realizou um estudo conjunto no ano de 2010 para identificar o carbon footprint do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ) e do NFC – suco não concentrado, entregues nos portos europeus. A análise do carbon footprint do setor é importante para identificar pontos de melhoria e implementar mudanças que contribuam para a diminuição das emissões. Entretanto, por tratar-se de um produto agrícola, é necessário que os números sejam atualizados com os dados das próximas safras para evitar distorções. De maneira geral a indústria brasileira já adota em seus processos diversas ferramentas para atingir uma produção o mais limpa possível: a matriz energética é composta em sua grande parte por fontes renováveis e também há utilização de bagaço de cana de açúcar para geração de energia. 34. 1. As indústrias de sucos cítricos têm algum projeto ou iniciativa ligados a

sustentabilidade? Ao longo de sua existência, a indústria de sucos cítricos tem desenvolvido tecnologias e aperfeiçoado seus processos agrícolas e fabris de modo a causar cada vez menos impactos ao meio ambiente. É uma indústria pioneira na adoção de boas práticas e ferramentas para usar a água e energia de maneira sustentável, gerar o mínimo possível de resíduos sólidos e gasosos, aumentar a produtividade nos pomares sem aumento da área plantada, entre outros. Cada empresa possui seus projetos individuais, e na CitrusBR há um subcomitê de sustentabilidade para tratar de assuntos do tema de forma coletiva. 35. De onde vem a água utilizada na produção do suco de laranja? Cada vez mais as indústrias buscam maneiras de reduzir a quantidade de água captada para a condução de suas operações. Aproximadamente 25% da água utilizada nas fábricas é proveniente da rede de abastecimento ou de captação superficial e/ou subterrânea na bacia onde está localizada, sendo que o restante da água é obtida da própria fruta, após o processo de concentração do suco. A água das laranjas é utilizada para lavagem de frutas, equipamentos, ou mesmo em outros processos para fabricação de suco e subprodutos. Atualmente, são devolvidas entre 1,5 e 3 vezes o volume de água captada frente ao lançado, seja na forma de ferti-irrigação e / ou lançamento de efluentes tratados. 36. 1. As indústrias colaboram de alguma forma para a sustentabilidade social e econômica dos municípios onde estão localizadas? Sim, além de priorizar a contratação de funcionários residentes na região onde estão instaladas, as indústrias colaboram com as comunidades locais patrocinando eventos culturais, apoiando projetos sociais, entre outras iniciativas.


MERCADO CONSUMIDOR 37. Como funciona o mercado de engarrafadores e consumidores? O suco de laranja brasileiro é exportado para seus mercados consumidores como uma commodity, ou seja, produzido em grandes quantidades com qualidade uniforme para venda aos engarrafadores. No país importador, o suco é adaptado às preferências locais e em seguida engarrafado e comercializado pelos varejistas. Assim como as indústrias brasileiras especializaram-se na produção e distribuição internacional do suco, os engarrafadores e redes varejistas especializaram-se em suas áreas de atuação, e para ganhar eficiência num mercado altamente competitivo, foram se concentrando de modo que o número de players é cada vez menor. 38. O que é Private Label? Private Label são os sucos de marca própria, ou seja, sucos vendidos sob as marcas de grandes redes varejistas, por exemplo supermercados. Geralmente os produtos “private label” não são produzidos pela mesma empresa que os comercializa. Os sucos “branded”, por outro lado, são os sucos que possuem uma marca específica para o produto, sem estarem sob a marca de uma rede varejista, portanto são comercializados em diferentes estabelecimentos. 39. Quais são os países que mais consomem suco de laranja? Analisando os 40 países que consomem 99% do suco de laranja do mundo, verifica-se que a maioria são países Europeus, além dos Estados Unidos, Japão e China. Os países que consomem mais suco de laranja são os Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Canadá. Entretanto, desde 2003 houve queda no consumo dos maiores consumidores: Estados Unidos consumiram 15% a menos e Alemanha consumiu 26% a menos. 40. Por que o consumo de suco de laranja no mundo está em queda?

Nos últimos anos, apesar do crescimento nos índices demográficos e no mercado de bebidas, houve uma queda no consumo de suco de laranja nos principais mercados consumidores (EUA e Europa) em função do surgimento e competição com outras bebidas, tais como águas engarrafadas, refrigerantes, isotônicos e chás, além de outros sabores de sucos de frutas. 41. 1. O que pode ser feito para reativar o consumo mundial de suco de laranja? A queda de consumo nos principais mercados consumidores, em função da competição com outras bebidas e sucos de outras frutas, demanda de promoção comercial e investimentos em marketing. É necessário trabalhar para aumentar o consumo de suco no mercado interno e recuperar o share de mercado perdido no mercado externo. Esse trabalho envolve identificar seus diferenciais positivos em comparação com outras bebidas, e realizar parcerias com os engarrafadores e comercializadores do suco no mercado consumidor, uma vez que as indústrias brasileiras não chegam até os consumidores. A CitrusBR tem um projeto em andamento com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) para desenvolver um trabalho nesse sentido, chamado I Feel Orange (ifeelorange.com). 42. Qual o potencial de mercados emergentes e outras regiões como o Oriente Médio? O mercado chinês é um dos mercados consumidores que mais crescem, não somente para o suco de laranja. Entretanto, ainda há restrições com relação ao nível de renda do consumidor chinês, uma vez que se trata de um produto mais caro: quando o preço do suco de laranja exportado aumenta por algum motivo, a demanda chinesa cai. No Oriente Médio há ainda a questão dos hábitos de consumo, pois a preferência é por sucos mais diluídos. Há um potencial de desenvolvimento desses mercados, à medida que aumentar a renda dos consumidores, entretanto isso é previsto para o médio/longo prazo.


CONSUMO 43. Como é feito o suco de laranja industrializado? Depois de colhidas, as laranjas são enviadas para as fábricas e espremidas em um processo industrial. Este suco espremido fresco pode ser concentrado, através da retirada de água por meio de processo específico, ou pode passar por pasteurização, que consiste na esterilização do suco mantendo a água da laranja. Em ambos os casos as vitaminas naturais e os fitonutrientes não são prejudicados. No caso do suco concentrado, antes de chegar ao consumidor ele é recondicionado, passa por processos industriais para readição de água e mistura com outros sucos por exemplo, antes de ser engarrafado e comercializado. 44. Qual a diferença entre suco concentrado e não concentrado? O suco concentrado é o suco que passa por um processo industrial pelo qual parte da água natural é removida. Atualmente o suco concentrado e congelado ainda é o tipo mais exportado pelo Brasil pois ocupa um volume menor e quando congelado fica com consistência pastosa, podendo ser bombeado. O suco não concentrado (NFC) é o suco que passou por um processo de pasteurização (aquecimento e posterior resfriamento a fim de destruir as bactérias indesejáveis), sendo um produto bem mais próximo do suco espremido na hora de beber. 45. Qual a diferença entre suco, néctar e refresco? A diferença entre suco, néctar e refresco está relacionada ao teor do suco de fruta presente na bebida envasada. Os sucos devem conter 100% de fruta in natura, sem adição de corantes e conservantes artificiais e podendo ou não ter polpa da própria fruta. Néctares são bebidas que contém entre 25 e 99% de suco, dependendo da legislação local, e podem conter adoçantes, corantes e outros aditivos que são mais baratos que os

sólidos naturais das frutas. Por último, os sucos são bebidas que contém abaixo de 25% de suco e em muitos países contém entre 2 a 3%, a exemplo da China. Os néctares e refrescos são bebidas de menor valor agregado, portanto consumidos por populações de menor renda. 46. Como podemos incluir o suco de laranja 100% em uma dieta saudável? O consumo de suco de laranja não dispensa tratamentos médicos e a adoção de uma dieta equilibrada. Entretanto, é uma bebida rica em vitamina C, vitaminas do complexo B (folato e tiamina), beta-caroteno, fibras, potássio e flavonóides que auxiliam prevenção de doenças e fortalecimento da saúde. O suco de laranja é uma maneira conveniente de ajudar adultos e crianças a atenderem o número de porções diárias recomendadas de frutas e verduras, pois uma porção de meio copo de suco de laranja 100% equivale a uma porção de fruta. Além disso, o consumo de uma laranja atende à quantidade recomendada de dose diária de vitamina C (60 mg). 47. O suco de laranja tem muito açúcar e calorias? Não há nenhuma adição de açúcares no suco de laranja 100% - apenas os açúcares naturais encontrados na fruta inteira. Além disso, o suco de fruta é considerado um "nutrientebebida" o que significa que, por caloria, engloba um valor mais nutritivo do que outras bebidas. Como a nutrição é mais do que calorias, é importante pensar nos benefícios nutricionais associados ao seu consumo. 48. Suco de laranja engorda? Não. A maioria das pesquisas não mostra uma relação entre o sobrepeso e consumo do suco, mas há alguns equívocos em geral sobre a adequação suco de laranja 100% como parte da dieta - a ciência atual fortemente mantém os benefícios nutricionais do suco de fruta. Pesquisas realizadas nos EUA pelo NHANES -


National Health and Nutritional Examination Survey) mostraram que crianças que bebem o suco 100% tiveram maior ingestão de determinados nutrientes, como vitamina C, ferro e ácido fólico, e menor ingestão de gordura total, saturada de gordura e açúcar adicionado. A pesquisa baseia-se na maior base de dados do governo americano em curso sobre o consumo de alimentos. 49. Quais as vantagens de consumir suco de laranja? O consumo de suco de laranja diário ajuda a tornar o organismo mais resistente a infecções, combater estresses e alergias e prevenir diversas doenças. A vitamina C possui propriedades cicatrizantes e auxilia o organismo a absorver ferro dos alimentos; os flavonóides e o beta-caroteno atuam como antioxidantes; o potássio é importante para o funcionamento dos nervos e pode ajudar a reduzir o risco de hipertensão; as fibras melhoram o funcionamento intestinal e ajudam na prevenção de doenças como diverticulite e câncer de cólon; além de outros benefícios já estudados. 50. Existem estudos que comprovam os benefícios de consumir suco de laranja regularmente? Sim, existem inúmeros estudos no Brasil e Exterior sobre os benefícios do consumo das substâncias contidas no suco de laranja. Há estudos que mostram o aumento do HDL (bom colesterol), diminuição do colesterol ruim, prevenção de pedras nos rins, controle da hipertensão, diminuição de ocorrência de doenças cardiovasculares, além de benefícios para a imunidade, saúde dos ossos e doenças inflamatórias, entre outros.



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