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CITE’in’FORMA Nº9 Agosto de 2001 NOTA EDITORIAL As pessoas interessam-nos “Divagações de verão”, projecto “learn & work”, “assédio moral”, pós-graduação em “Gestão e Tecnologias de Formação”, “formação modular”, são temas que talvez não interessassem ao CITEFORMA há uma dúzia de anos. A verdade é que, no mundo do trabalho, interessa, hoje, aquilo que possa ser útil ao indivíduo. O mundo é, agora, uma verdadeira aldeia global e as pessoas, paradoxalmente, passaram a constituir o capital mais importante. A mais importante vantagem competitiva das empresas está no seu capital humano e as pessoas, valorizadas como nunca, são também alvo, em certas circunstâncias, dos abusos mais perversos. Valorizar a cultura e o saber, aproximar a formação das organizações e das pessoas, flexibilizar a oferta formativa, tornando-a adaptável às necessidades e às disponibilidades de cada um, enfim, preocupar-se, cada vez mais, com as pessoas e com os problemas que enfrentam no dia-a-dia das suas profissões, são objectivos que o Citeforma tem de valorizar cada vez mais se quiser dar cumprimento à sua missão. Agostinho Castanheira Director do CITEFORMA NOTÍCIAS Visita de estudo a sede de instituição bancária Com o objectivo de sensibilizar para o ambiente bancário, os formandos dos cursos de Técnico de Contabilidade e Técnico de Secretariado e Burótica realizaram uma visita de estudo à sede da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa. Inserida nos módulos de Projectos e Introdução à Empresa, esta visita procurou reconhecer, na realidade, conceitos teóricos; compreender a organização real do trabalho e enriquecer a cultura sócio-profissional dos formandos. Seminários O SITESE desenvolveu com o CITEFORMA um ciclo de seminários dedicado ao universo laboral. As três acções decorreram em Lisboa e os temas em debate foram: “Os Jovens e o Mercado de Trabalho”, “Igualdade de Oportunidade entre Mulheres e Homens no Trabalho, no Emprego e na Formação Profissional” e “Os Quadros e os Novos Modelos de Gestão e Organização do Trabalho”.


Jantar Conferência: Nova Reforma Fiscal O CITEFORMA promoveu, no passado dia 18 de Maio um Jantar Conferência dedicado à “Nova Reforma Fiscal”. Pretendeu dar a conhecer aos participantes, as principais implicações da reforma da tributação aprovada pela Assembleia da República no final de 2000. A adesão a esta iniciativa extraordinária do Centro foi elevada, com mais de uma centena de inscrições. As opiniões recolhidas no final foram, de uma forma geral, bastante positivas. Os participantes consideraram que o tema foi pertinente e oportuno e que os oradores possuíam um grande domínio das matérias. Face ao tempo disponível, conseguiu-se uma boa síntese dos principais temas. Sessão de Leituras - XII curso “Técnico de Secretariado” Inserido nas actividades pedagógicas do ANO EUROPEU DAS LÍNGUAS realizou-se, no passado dia 26 de Julho, no Auditório da Sociedade Portuguesa de Autores o encerramento do “Ciclo de Leituras” - última sessão do Seminário Secretariado em Análise. Salienta-se a abertura com um momento musical: coro acompanhado à guitarra, interpretado pelos formandos. Seguiu-se a apresentação dos livros trabalhados pelos nove grupos; uma intervenção da Formadora Marília Pimentel Teixeira, responsável pelo Seminário, tratando a temática “Tradução e Línguas no contexto da União Europeia”; e uma lição sobre Língua e Cultura pela Formadora Dulce Matos. “É sabido e repetido frequentemente que JEAN MONET, depois de fazer tanto pela construção da unidade europeia dizia que, se tivesse de começar tudo de novo em vez de começar pela Europa da Economia, o faria pela Europa da Cultura.” Não creio estar a atraiçoar o seu pensamento se disser que, por nos ser impossível optar entre a economia e a cultura, o nosso caminho real para a Europa de amanhã deveria ser o da EUROPA DA EDUCAÇÃO. Citamos A EUROPA DAS LÍNGUAS de Miguel Siquan, pág. 264.

FORMAÇÃO MODULAR Contabilidade e Gestão Administrativa: Novo curso organizado em sistema modular O CITEFORMA disponibiliza, este ano, uma acção de formação organizada em unidades de crédito. O Curso de Contabilidade e Gestão Administrativa permite que os interessados façam unidades formativas correspondentes ao antigo curso de Contabilidade e de Fiscalidade (que tradicionalmente fez parte da oferta formativa do Centro) ou que realizem uma formação mais completa e abrangente daquelas matérias. Assim, este novo sistema, muito mais flexível, disponibiliza uma formação em módulos independentes embora interligados e progressivos. O candidato pode realizar o curso completo, ou apenas alguns módulos, no entanto,


quem quer fazer o curso todo tem prioridade no preenchimento de vagas. O custo da acção varia também em função da modalidade escolhida, sendo mais baixo para quem a frequenta na íntegra. O curso destina-se a trabalhadores de escritório com o 9º ano de escolaridade ou equivalente, como habilitações mínimas, que pretendam especializar-se nas áreas contabilístico-financeira. Esta acção de formação tem início no próximo dia 2 de Outubro de 2001. Mais formação modular para 2002 Segundo as informações recolhidas junto do Departamento de Formação, o Plano de Actividades para o ano 2002 contempla alguma oferta formativa, organizada neste sistema modular, para a área de informática. “O curso de Contabilidade e Gestão Administrativa é o primeiro curso de um modelo que será sedimentado em 2002” afirma Cristina Tavares, responsável pelo Departamento de Formação, acrescentando as vantagens que traz para os formandos: “permite que cada pessoa encontre o seu próprio ritmo de formação e que escolha o nível de competências que pretende adquirir”.

PÓS-GRADUAÇÃO Pós-Graduação concluída A Pós-Graduação em Gestão e Tecnologias de Formação, promovida pelo CITEFORMA e pela COCITE terminou no passado mês de Julho. O balanço de quem a frequentou é positivo. Mesmo com a reserva de que “em certos aspectos poderia ter corrido melhor”. Reparos que serão tidos em conta no planeamento de edições futuras e aos quais não é alheio o elevado grau de exigência de um grupo, maioritariamente, constituído por formadores. Certos, são já alguns projectos na vertente de e-learning, fruto dos conhecimentos assimilados ao longo do ano. Falámos com três finalistas da pós-graduação para perceber a mais-valia acrescentada a três percursos profissionais distintos. Dora Alvarez É responsável por um departamento de formação numa empresa de um operador móvel. Como free-lancer dá formação nas áreas de atendimento ao público e comunicação, essencialmente em hotéis. Considera as suas expectativas superadas, na avaliação que faz desta pós-graduação. “Tenho agora uma visão da formação mais abrangente. Tomei conhecimento de realidades novas relacionadas com o ensino à distância e ganhei competências muito úteis e práticas. Por exemplo, aprendi a construir páginas para a web” afirma Dora. A melhoria dos seus serviços de formação é já o primeiro objectivo: “Estou a pensar disponibilizar os conteúdos das acções que ministro na Internet ou mesmo na In-


tranet dos hotéis onde dou formação”. João Pina Divide o seu tempo entre duas actividades: é professor numa escola profissional de multimedia e árbitro de futebol. Veio para esta pós-graduação à procura de know-how em e-learning. Sente-se pioneiro numa área ainda pouco explorada em Portugal: “Não há muita tradição nem informação sobre a matéria” diz. Mesmo a bibliografia aconselhada pelos docentes dificilmente encontrou disponível. A solução foi recorrer a pesquisas na Internet. Espera vir a trabalhar nesta área, “estabelecendo a ponte entre a tecnologia e os conteúdos”. O seu projecto final consiste no desenvolvimento de um sistema de e-learning no âmbito da formação de arbitragem. Implementá-lo é um dos seus objectivos. Mas acautela-se... “preciso primeiro de estudar o mercado”. Dulce Barreto Gestora de Informação na Biblioteca de um Hospital O interesse pelas novas tecnologias foi o critério que orientou a sua escolha. Apesar de ter frequentado o curso de formação de formadores, Dulce não exerce a actividade de formadora. No entanto, gostaria de dar formação aos utilizadores da biblioteca onde trabalha, donde surgiu a necessidade de aprofundar conhecimentos na área pedagógica. “Aprendi bastante. E já estou a pensar fazer a página de apresentação da biblioteca”. TEMA Assédio moral a nova epidemia nas empresas e um ataque à liberdade dos trabalhadores O assédio moral tem repercussões individuais e de grupo. Ao nível da pessoa humana, o que se destaca são as repercussões negativas na saúde física e psicológica dos sujeitos que integram empresas e instituições com os mais variados fins. Ao nível das organizações, o que se salienta é a perda, ainda não quantificável, ocasionada pela crescente negligência do princípio, falsamente aceite por todos os responsáveis de recursos humanos, que estabelece que o capital mais precioso é o homem. Todos terão na memória o estereótipo do homem de negócios cheio de stress que negoceia enquanto toma o pequeno almoço. Poder-se-ia concluir que os industriais, os financeiros e todos os que controlam a poderosa máquina capitalista sofrem mais do que as outras pessoas dos efeitos prejudiciais do stress. A verdade é que não é assim. Paul Martin, in A Mente Doente, 2001, cita um estudo realizado nos anos 60, na Companhia de Telefones Bell, onde se revela que quanto mais alto um indivíduo se situava na hierarquia, menor probabilidade tinha de sofrer de doença coronária. Esta associação entre posição elevada na hierarquia e saúde


estava relacionada com a educação: os trabalhadores com menos doença cardíaca tendiam a ter mais preparação académica e a ocupar os lugares cimeiros da hierarquia. Isto é, os empregados com preparação académica tinham menos 30% de problemas do coração. Estes resultados foram confirmados na década de 70. Num estudo a dezassete mil funcionários públicos ingleses de meia-idade, citado por Paul Martin, 2001, concluiu-se que os funcionários de categoria mais baixa na hierarquia tinham 3,6 vezes mais probabilidades de morrer prematuramente de doença coronária do que os colegas que ocupavam os postos de topo. O stress não resulta, portanto, de se ter um trabalho espantosamente importante e complexo ou do número de horas que se leva a executá-lo, ele surge quando as exigências externas excedem a capacidade de trabalho. O trabalho é stressante porque o número de horas para executá-lo é escasso, mas também é stressante quando os trabalhadores não têm o conhecimento, a competência, o treino ou a motivação requeridos para desempenhá-lo bem. Outra fonte de stress é o controlo interno e externo sobre a situação de trabalho. O nível de stress de uma situação é intensificado quando não há escape, quando o indivíduo não é capaz de controlar o agente de stress. No seu conjunto, os subordinados têm menos controlo sobre o seu ambiente de trabalho imediato do que os da hierarquia mais elevada. A falta de controlo surge coerentemente como primeira causa de desagrado com o trabalho e explica os motivos pelos quais os sujeitos menos qualificados sofrem mais do que os que dirigem a hierarquia. Assim, dar aos trabalhadores um maior sentido de controlo pessoal é muitas vezes uma maneira eficaz de moderar o stress e aumentar a produtividade. Incidindo, agora, no tema das consequências clínicas do assédio moral no indivíduo, destacaria que na sua origem não existem factos explicativos específicos, mas sim um conjunto de sentimentos inconfessáveis, com uma subtileza difícil de detectar. O assédio moral, segundo Marie France-Hirigoyen (2001), começa pela recusa da alteridade - recusa da diferença comportamental discriminatória - como por exemplo, a intenção sexista de desencorajamento de um indivíduo executar um trabalho tradicionalmente atribuído ao sexo oposto ou o galanteio grosseiro dos que se destacam por opções sexuais diferentes da maioria do grupo. Quando não há direito à diferença, existe um nivelamento por baixo imposto pelo grupo até apagar as diferenças pessoais, o que impede que os seus elementos se constituam como sujeitos com identidade própria. Sendo inconfessáveis, a inveja, o ciúme e a rivalidade são agidos pelo assediador no sentido de destruir o outro de modo a fazer-se sobressair. O medo é o motor essencial no assédio moral porque é por medo que o indivíduo se


torna violento. O sujeito que assedia fá-lo por medo - medo de ser desapossado da sua condição, que tem origem numa falha narcísica. O assediado ou se conforma por medo ou se defende pela psicose, podendo fazer transitoriamente episódios delirantes. O medo que se tem do outro conduz a que se desconfie de todo o mundo. Para Marie-France Hirigoyen (2001), o assédio moral é uma patologia da solidão, visa preferencialmente pessoas isoladas. Ter uma quantidade razoável de relações sociais de qualidade é essencial para o bem estar físico e mental. A solidão e o isolamento social podem infligir mais danos na nossa saúde do que o stress social. Quando a pessoa tem amizades no trabalho, o sujeito assediador faz tudo para o isolar, para o submeter a um exílio interior. É o agressor, sobretudo quando se trata de um superior hierárquico, que fixa as regras de comunicação: impedindo que se fale com o sujeito alvo e fazendo com que a informação não lhe chegue. Este isolamento não permite que o sujeito se queixe e que outros lhe sirvam eventualmente de suporte. O prolongamento deste assédio afasta o sujeito dos outros, porque ele próprio acredita ser rejeitado. A perda da esperança de recuperar o afecto e a baixa auto-estima conduzem ao abatimento, que é o sintoma originário da patologia depressiva, (Coimbra de Matos, 2001). O assédio moral não é apenas um assunto que diz respeito ás empresas e organizações, apesar dos danos que lhes possam causar, trata-se de um problema que atinge o mais profundo do ser humano que é a sua liberdade. Texto de Camilo Duarte Inácio, Psicólogo Clínico. Tema apresentado no seminário “Os Quadros e os Novos Modelos de Gestão e Organização do Trabalho” promovido pelo SITESE, em colaboração com o CITEFORMA. PROJECTO CITEFORMA participa no projecto Learn & Work Learn & Work é um projecto transnacional financiado pelo programa comunitário Leonardo da Vinci. A coordenação está nas mãos do IEFP que escolheu, para parceiros, entidades portuguesas, alemãs, húngaras e uma austríaca. Pretende desenvolver um sistema que coloca à disposição das PME instrumentos de análise das necessidades de formação. Segundo nos explicou José Sousa Rego do IEFP “este conjunto de instrumentos permitirá, aos dirigentes de PME, fazer um diagnóstico das necessidades de formação das empresas, de uma forma participativa, envolvendo os trabalhadores no processo”. Este projecto, procura ainda valorizar formas de aprendizagem integradas no próprio processo de trabalho. “É muito interessante para o CITEFORMA poder participar neste projecto que co-


loca a Formação Profissional cada vez mais próxima do local de trabalho” refere Agostinho Castanheira, Director do CITEFORMA. “A formação de catálogo é cada vez menos adequada às necessidades das organizações e o CITEFORMA espera vir a ter um papel mais relevante na prestação de serviços às empresas, envolvendo formação e consultoria” acrescenta. O projecto teve início no final de 2000 e prolonga-se até Junho de 2003 (duração de 30 meses). Depois de concluído, os produtos ficam disponíveis para serem aplicados pelos parceiros, ou outras entidades, no contacto que estabelecem com as empresas. Sousa Rego refere a utilidade deste projecto no caso específico do Programa REDE: “por exemplo, para os consultores, os instrumentos resultantes deste projecto, são um contributo importante na fase de implementação do plano de acções, quando for necessário encontrar as soluções mais compatíveis na área da formação”. O processo de construção do Learn & Work envolve, pelo menos, a participação de cinco empresas por país. A primeira fase, já desenvolvida em Portugal, foi a de tentar perceber qual a situação das empresas (através de entrevistas directas, consultando estudos sobre a matéria,...). Foram seleccionadas seis empresas no nosso país que acompanharão o desenvolvimento do projecto, testando os produtos antes da divulgação final. Os três instrumentos de formação 1. Manual de Levantamento de Necessidades de Formação. Destina-se a dirigentes de PME. Pretende facilitar a identificação dos problemas da empresa e os recursos de que a empresa necessita para resolver os seus problemas de desenvolvimento. 2. Manual de aprendizagem individual de aplicação prática no posto de trabalho. A utilizar pelos trabalhadores da empresa. Trata-se de um manual generalista, aplicável a empresas de todos os sectores. Apresenta soluções e técnicas que ajudarão a implementar o processo de aprendizagem. 3. Um guia para entidades de formação. Destinado a entidades externas de apoio às empresas. Entidade coordenadora do projecto: Instituto do Emprego e Formação Profissional. Parceiros: <Portugal> CITEFORMA - Centro de Formação Profissional dos Trabalhadores de Escritório, Comércio, Serviços e Novas Tecnologias <Portugal> CENFIM - Centro de Formação Profissional da Industria Metalúrgica e Metalomecânica


<Portugal> CINFU - Centro de Formação Profissional da Industria da Fundição <Alemanha> BFZ - Berufliche Fortbildungszentren der Bayerischen Arbeitgeberverbände (centro de formação dos sindicatos patronais da Baviera) <Alemanha> ISOB - Institut für Wissenschaftliche Beratung (entidade credenciada para o acompanhamento cientifico de projectos) <Áustria> Institut für Organisations und Personalmanagement, Karl-Frazens Universität Graz - (Universidade de Graz) <Hungria> SZÄMALK Szakközépiskola (associação de escolas) <Hungria> MGYOZ (confederação empresarial húngara)

REDE Terminou IV edição do REDE Aumentos significativos de volume de vendas, novos postos de trabalho criados, constituição de grupos de empresas, projectos de investimento são alguns dos resultados apresentados pelos Consultores do CITEFORMA no balanço final da IV edição do REDE. O programa de Consultoria/Formação provou, mais uma vez, ser um instrumento eficaz de desenvolvimento das PME’s. “Algumas empresas, a meio do ano já tinham facturado tanto como no ano anterior” referem José Poças Rascão e António Abranches Correia, ao explicar o tipo de resultados conseguidos a curto prazo. A intervenção nesta edição abrangeu dez empresas, com um alcance geográfico que compreendeu as regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Mafra e Évora. No total, foram criados cerca de 20 novos postos de trabalho, incluindo os ADE’s, que se mantiveram até ao fim da edição. Há três empresas a desenvolver projectos de investimento: duas planeiam a construção de nova fábrica (Engosul e Malhitex) e a outra empresa arquitecta a construção de uma grande superfície comercial (Mafricentro). Dois dos empresários envolvidos nesta edição criaram novas empresas, constituindo-se desta forma, em grupo económico: o Grupo Aldeias e o Grupo J.Martins. Na generalidade das empresas foi criado um tableau de bord para a gestão, melhorando assim, a qualidade da informação para a tomada de decisão. Na NOVANISA está em curso o processo de informatização do back e do front office assim como o estudo de um novo espaço comercial. E na CLAVE prepara-se o projecto de reformulação das instalações. E como o peso do espaço virtual é cada vez maior, todas as empresas têm pági-


nas na Internet (umas já tinham, as outras conseguiram-no com o apoio do REDE). Realizaram-se, ainda, estudos de imagem e comunicação, e em quatro empresas foram analisados novos sistemas organizacionais (organograma, sistemas remuneratórios, de carreira e de avaliação de desempenho). Reflectindo sobre um ano de intervenção, José Rascão diz que “foi uma edição atribulada, devido às mudanças verificadas na estrutura de gestão e à alteração das regras de funcionamento, em relação às edições anteriores”. Abranches Correia confirma o impacto negativo que teve, por exemplo, a impossibilidade de substituição do ADE a partir do 6º mês do programa. “É fundamental a entrada do ADE para realizar as acções previstas, uma vez que as empresas não têm know-how interno, nem pessoas disponíveis e qualificadas para realizar essas tarefa”. APONTAMENTO CULTURAL por Dulce Matos Divagações de Verão Com a chegada do estio (a propósito, será que a palavra caiu em desuso? Às vezes ainda surge, quase a medo, estival, mas relativo à moda... evidentemente) impõese, para além da escolha do local do veraneio, o consumo dos refrigérios, como um acto banal do nosso quotidiano. Refrigérios? Mas o que é isso? Indagarão os mais jovens. Existe uma certa lógica na pergunta, sobretudo se, ao consultarem o dicionário, depararem com os vocábulos consolação e alívio, seguida da citação de Camões, referindo-se a D.Pedro, o Cru: “Fazer nos maus cruezas, fero e iroso/ Eram os seus mais certos refrigérios” (in Luis de Camões, Os Lusíadas, III, 137). Ora os nossos refrigérios são outros, são os que acalmaram a sede aos nossos avós e dos quais não resistimos a fazer uma brevíssima evocação. Uma vez que nos encontramos em plenas comemorações queirozianas, nada melhor do que começar pela orchata (amêndoas doces e amargas, açúcar e gelo picado) sem dúvida o refresco mais citado na obra de Eça de Queiróz. “Depois, deu-lhe um copo de orchata, acomodou-o no canapé, e agarrando no chapéu, correu a buscar uma tipóia” (in Eça de Queiróz, O Conde de Abranhos, pág.125). E quem se lembrará que, ao pedir um mazagrã (café frio, água fria, rodela de limão e gelo) se está a deliciar com uma bebida que constituiu o único alimento para 123 soldados franceses vítimas do cerco de 12.000 árabes na povoação homónima da Argélia? O capilé (xarope de avencas, água fresca, casca de limão e gelo) posto em voga pelos príncipes da Baviera no séc. XVIII é referido, no livro Cozinheiro Moderno de Lucas Rigaud - 1780, como uma bebida muito popular no nosso país. Nas férias de antigamente era bastante apreciado o Capilé de Cavalinho assim denominado


por ser vendido em frascos em cujo gargalo mergulhava um tubo de lata por onde se chupava o líquido e que era decorado por uma figura de lata ricamente colorida representando um cavaleiro tauromáquico. É curioso relacionar este nosso gosto pelo mazagrã e pelo capilé com o culto que sempre prestámos à bebida-café e aos espaços-cafés. Apesar da transformação sucessiva destes últimos em instituições bancárias, ainda possuímos alguns espaços/ tertúlias com grande significado na vida cultural, política e social portuguesa. (Quem sabe se será este o tema para o próximo Apontamento Cultural?)


CITE'IN'FORMA Nº9