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CITE’in’FORMA Nº8 Maio de 2001 NOTA EDITORIAL Os Sócios do SITESE passam a ter um desconto de 30 por cento em todas as acções de Formação realizadas pelo CITEFORMA. É mais uma vantagem que se junta à prioridade nas inscrições que vigorava desde a criação deste Centro de Formação Protocolar entre o SITESE e o IEFP. Pretende-se com esta decisão, proposta pelo SITESE e bem acolhida pelo Conselho de Administração do CITEFORMA, proporcionar um mais alargado e fácil acesso a um meio fundamental e indispensável para a valorização dos trabalhadores com vista à sua melhor inserção no mercado de trabalho através da sua capacitação para enfrentar os desafios que se lhes deparam ao nível tecnológico, da competitividade e da produtividade. Custódia Fernandes Vogal do Conselho de Administração do CITEFORMA NOTÍCIAS Desconto para associados do SITESE A partir do mês de Julho, os associados do SITESE terão descontos nas acções de formação promovidas pelo CITEFORMA. Esta medida, insere-se na missão estatutária do CITEFORMA. As acções de formação do Plano de Actividades dirigidas já, prioritariamente aos Associados do SITESE, passam a ter, para estes destinatários um valor de inscrição específico. Para o Director, Agostinho Castanheira, “Se há alguns anos atrás, a prioridade para os associados do SITESE constituía em si mesmo, uma vantagem, hoje, com o alargamento muito significativo da oferta formativa, já muitos não associados conseguem ingressar nos cursos. É assim que a vantagem da qualidade de sócio se transfere da regra da prioridade (que se mantém) para o modelo de desconto na inscrição”. Esta regra aplica-se à formação co-financiada podendo, portanto, haver excepções. Para comprovar a qualidade de associado do SITESE, deverão os interessados apresentar o documento comprovativo, nos termos definidos pelo Sindicato. Aprendizagem O CITEFORMA está a colaborar com o IEFP no processo de revisão das Portarias da Aprendizagem, nas áreas dos Serviços (sub-área Administrativa) e Informática. Um convite que, segundo Cristina Tavares, responsável pelo Departamento de Formação do CITEFORMA “vem responder ao reconhecimento das competências do Centro, em especial da formação na área dos Serviços”. Na sua opinião “é mais significativo pelo facto de o CITEFORMA não ser um Centro que trabalhe muito com a Aprendizagem”. O primeiro passo foi elaborar um quadro de revisão da Portaria. Estão a ser anotadas alterações a introduzir em relação a perfis de formação (sua pertinência no


contexto actual e eventual necessidade de reformulação), ajustamento de cargas horárias e actualização de conteúdos de formação (em função do desenvolvimento tecnológico verificado e das novas formas de organização do trabalho). Para este trabalho, estão a ser contempladas diferentes fontes de tendência de evolução da formação nesta área. Segundo Cristina Tavares, “trazemos para esta portaria a nossa perspectiva sobre a organização modular da formação; a diversidade de oferta no sistema formal de ensino e formação inicial nesta área (escolas profissionais e cursos tecnológicos); e trabalhos desenvolvidos no âmbito da Comissão de Certificação para a área dos Serviços, junto do Sistema Nacional de Certificação Nacional.” Posteriormente, e com base nesta análise, será desenvolvido o projecto de portaria. Recursos Didácticos aplicados na Formação Os manuais de formação, desenvolvidos pelo CITEFORMA, no âmbito do projecto dos Recursos Didácticos, estão já a ser distribuídos aos formandos. Com o intuito de apoiar e documentar as acções de formação foram concebidos 23 manuais: Manual de Fiscalidade; Manual de Contabilidade Geral; Manual Prático de Contabilidade Analítica; Aplicações Informáticas de Contabilidade; Manual de Técnicas de Secretariado; O Livro do Curso “Técnico de Secretariado”; Gestão de Pessoal; Noções Básicas de Direito do Trabalho; Regime de Segurança Social; Aplicações Estatísticas; Saúde, Higiene e Segurança no Trabalho; Técnicas de Desenvolvimento de Programas, Técnicas de Programação Orientada a Objectos; Windows NT; Student’s Book; Teachers Book; Manual de Marketing; Técnicas de Video; Técnicas de Som; Técnicas de Produção e Pós-Produção em Video; O Guião em Multimedia; Programação em Multimedia; Técnicas de Fotografia Digital. Segundo Agostinho Castanheira “o CITEFORMA tem procurado, ao longo dos anos, melhorar a oferta formativa, designadamente alargando o leque de formações disponíveis e tornando estas mais próximas das necessidades dos seus destinatários”. Paralelamente, refere o Director, “temos procurado reforçar os factores de qualidade da formação através da melhoria contínua das condições físicas em que a mesma se desenvolve, através de uma progressiva melhoria dos modelos de coordenação e de selecção e recrutamento de formadores e ainda pela relevância cada vez maior que é conferida aos recursos didácticos disponíveis para os formandos”. Novo Curso - Gestão de Stress O stress agita as emoções, confunde o raciocínio, baralha a concentração e consome a memória. No entanto, as pessoas que respondem bem ao stress podem ter um melhor desempenho. O curso Gestão de Stress promove conhecimentos e as capacidades necessárias para controlar factores de stress, visando uma saúde física e psicologicamente mais sadia. O programa foca aspectos como: a identificação das reacções do stress; o stress e a personalidade; anulação das fontes de stress; como usar o stress a seu favor e técnicas de relaxamento.


FORMAÇÃO Entrega Certificados de Formação Mesmo com as tarefas profissionais já a tomar conta da vida dos ex-formandos dos cursos de Qualificação do CITEFORMA, ninguém quis faltar à sempre festiva entrega dos Certificados de Formação. A sessão decorreu no dia 30 de Março e contou com a presença dos membros do Conselho de Administração do CITEFORMA, Órgãos Sociais, assim como a directora do departamento de Formação Profissional do IEFP, Paula Agapito. As habituais mensagens de congratulação, de quem lida com o mercado de trabalho (contemplando percepções tão distintas quanto a do Sindicato, e a do Instituto de Emprego e Formação Profissional), trouxeram alguns conselhos, no sentido de dar continuidade aos conhecimentos adquiridos ao longo do processo de formação no CITEFORMA. Falou-se da necessidade de actualização permanente, do processo de aprendizagem ao longo da vida, e da importância cada vez maior da frequência de acções de reciclagem. Práticas fundamentais para a progressão profissional e valorização pessoal. Atitudes e Comportamentos A entrada no mercado de trabalho é sempre, para os formandos, um confronto entre o que ouviram contar durante a formação, e a constatação da realidade. Nesse contexto José Rascão, coordenador dos cursos de Análise e Programação de Aplicações e Programação de Sistemas, chamou a atenção para as atitudes e comportamentos a adoptar no mundo empresarial. “Em termos comportamentais, é importante o saber estar em cada momento, assumindo um papel e uma posição. Respeitar as pessoas, quer sejam colegas, clientes ou fornecedores.” E conseguir ir mais longe. O saber fazer já não é suficiente. É importante mudar comportamentos e produzir valor acrescentado. Os novos Técnicos O início de uma nova etapa na vida de cada um deles anima as conversas. Afinal, os laços criados ao longo de um ano formativo são agora bons contactos profissionais. Isabel Diogo, responsável pelo Gabinete de Psicologia, acompanhou todo o processo de colocação dos recém-formados Técnicos de Contabilidade, Secretariado, Secretariado e Burótica, Multimedia, Análise e Programação de Aplicações e Programação de Sistemas. “Tal como nos anos anteriores foi um sucesso”, comenta Isabel Diogo. “Os empregadores valorizam a formação destes jovens, pelo facto de terem tido boas experiência anteriores”. Acrescenta que “pelo facto da divulgação destes cursos ser cada vez mais alargada, há também novas empresas interessadas em recrutar estes Técnicos”. Apresentação Multimedia A entrega dos certificados de formação foi precedida de uma apresentação de trabalhos dos formandos do curso de Multimedia. Englobando várias técnicas adquiridas ao longo das 1800 horas de formação (como o tratamento de imagem digital,


edição não-linear de vídeo, modelação e movimento em 3D, entre outras) animaram, com alguma criatividade, os logotipos do CITEFORMA e parceiros (SITESE e IEFP). História do Secretariado Um presente especial levaram os formandos do curso de Técnico de Secretariado. Foi-lhes distribuído um exemplar de Fazendo a História do Secretariado, um trabalho de pesquisa preparado para a ocasião por Marília Pimentel Teixeira, formadora do curso. Recheado de pequenas curiosidades, documenta a evolução das funções dos profissionais de Secretariado desde a Grécia antiga, aos tempos modernos. Longe de compilar exaustivamente factos e datas, a autora coloca muita da sua experiência e saber nesta obra. Pequenos capítulos são o suficiente para nos apercebermos da importância de ilustres desconhecidos. Uma espécie de visita aos bastidores de nomes como Gil Vicente, Napoleão ou Marguerite Yourcenar, em que os protagonistas tiveram por missão secretariar.

REDE REGIONAL PARA O EMPREGO DA GRANDE LISBOA Está já em actividade a Rede Regional para o Emprego na área da Grande Lisboa. Uma iniciativa promovida pela Delegação Regional de Lisboa e Vale do Tejo do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Pretende responder aos problemas de emprego e qualificação, utilizando a participação e parceria dos seus intervenientes. A zona de operação abrange os concelhos de Lisboa, Amadora, Cascais, Loures, Odivelas, Oeiras, Sintra e Vila Franca de Xira. Na realidade, a instituição desta Rede veio formalizar uma prática já em funcionamento. É comum, na região de Lisboa, a utilização deste tipo de parcerias, enquanto forma privilegiada de congregar esforços e articular recursos disponíveis. No entanto, há zonas do país onde a aplicação desta metodologia tem sido eficaz. Abriram-se canais de comunicação até à data inexistentes e encontraram-se soluções concretas para problemas reais. Em Lisboa, a RRE não está a ter a dinâmica desejada. Segundo apurámos junto da coordenação uma das causas apontadas é a sua própria dimensão. Há 526 entidades envolvidas e muitas são entidades nacionais, com uma estrutura e uma dimensão que lhes retira agilidade na tomada de decisão. E apesar da iniciativa ter sido apresentada no início do ano, estabilizam-se ainda as assinaturas da sua constituição. Já há, no entanto, projectos em desenvolvimento, apesar da sua fraca visibilidade ou projecção mediática. Nomeadamente na zona do Bairro Alto, reúnem-se esforços no sentido de prestar assistência a pessoas idosas e/ou acamadas. Muitas das medidas adoptadas são desenvolvidas a partir de iniciativas já em curso, ou seja, tenta-se viabilizar o projecto seguindo modelos já existentes. Quando tal não é possível, a coordenação da rede reúne o acordo das várias enti-


dades envolvidas, estuda os recursos a partilhar e redige um novo projecto. A experiência de trabalho e o sucesso na resolução de problemas noutras regiões é já uma vantagem para a zona Lisboa. No entanto, as dificuldades provenientes do contexto socio-económico são aqui mais acentuadas. Esta região reúne a maior concentração de pessoas em risco de exclusão, provenientes, por exemplo, de minorias étnicas ou com deficiências. À semelhança do que acontece com as outras redes, anualmente, é promovido um encontro com todas as entidades intervenientes, onde é feito um balanço das actividades desenvolvidas e são apresentados alguns dos casos resolvidos no âmbito desta Rede. Cinco eixos prioritários de intervenção Nas reuniões preparatórias da constituição da RRE para a Grande Lisboa, foram definidas cinco linhas prioritárias de actuação: - promover a inserção de jovens na vida activa. - promover o desenvolvimento de competências de activos empregados. - promover a reintegração de activos desempregados. - promover a inserção de pessoas em risco de exclusão. - promover o desenvolvimento do espírito empresarial.

REDE Seminário - O Marketing e a Qualidade no Centro do Desempenho das PME’s No mercado competitivo e global que hoje conhecemos, há duas grandes áreas cada vez mais importantes para o sucesso de uma empresa: o Marketing, (enquanto forma de fazer chegar a mensagem ao cliente); e a Qualidade (a empresa tem de oferecer qualidade, quer através dos produtos, quer através dos serviços). O recente seminário promovido no âmbito do Programa REDE alertou os participantes para estes dois princípios. Permitiu a apresentação e o debate de casos práticos, tanto da parte dos oradores, como dos empresários participantes. Antes do final da sessão, foram ainda entregues os certificados de participação aos empresários da edição anterior. Benilde & Silva inaugura fábrica A nova fábrica da empresa Benilde & Silva foi inaugurada no passado dia 2 de Maio. Um investimento de cerca 300 mil contos, que permitiu modernizar e elevar os níveis de produção. Localizada na Freguesia de Freiria, concelho de Torres Vedras, constitui mais um motor para o desenvolvimento da região. Promoveu a criação de vinte postos de trabalho, preenchidos por pessoas da zona. Recorde-se que a Benilde & Silva participou na 1ª edição do Programa REDE, através do CITEFORMA, tendo sido considerada, logo ao fim de um ano de trabalho e acompanhamento de consultoria/formação, um caso notável. A implementação de um plano de acções permitiu, no final desse ano, a recuper-


ação económica e financeira da empresa. Uma oportunidade essencial para Benilde Brito, sócia-gerente, pois permitiu a identificação de oportunidades de negócio, e orientação na própria gestão da empresa. “Melhorámos a qualidade, a contabilidade organizada... pusemos as pedras no lugar.” Não poupa elogios à participação no Programa REDE e principalmente à actuação do Consultor “O REDE foi muito importante para a nossa empresa, principalmente pelo apoio que o Consultor deu, e continua a dar”. Aumento de 50% do volume de vendas Os recentes resultados excepcionais, permitiram o avultado investimento na nova fábrica. A entrada de novos clientes anima a empresária, que espera, para o corrente ano, um aumento do volume de vendas de cerca de 50%. Estão também a preparar a certificação da empresa. “Já há controle da matéria-prima e da temperatura. Começámos a reunir alguns indicadores para a fase preparatória da certificação”. Avançaram, também, para a internacionalização dos seus produtos, tendo já fornecido países de expressão portuguesa. Em conversação, está a possibilidade de exportar para a Europa. As maiores dificuldades que sentem, com reflexo no próprio desenvolvimento da empresa é a nível financeiro. “Há muito poucos apoios” queixa-se Benilde. Encontrar mão-de-obra qualificada na zona e matéria-prima adequada para a indústria constituem outros problemas. Empresários interessados no Programa REDE Alguns empresários presentes na inauguração da nova fábrica da Benilde & Silva, manifestaram interesse pelo programa REDE. Atentos à evolução na empresa do sector alimentar, estes empresários ponderaram a vantagem de usufruir deste serviço. Aproveitando a presença do Gestor do Programa REDE, Dr. Sousa Rego, retiraram algumas dúvidas quanto ao funcionamento do mesmo e averiguaram a possibilidade de aderirem a uma próxima edição.

MESA REDONDA SOBRE FERNANDO PESSOA O curso de Técnico de Secretariado realizou, em Março, uma mesa redonda sobre Fernando Pessoa enquanto empregado de escritório. Este seminário, que envolveu formadoras e formandos, teve lugar na Casa Fernando Pessoa. Abordaram-se facetas menos conhecidas do poeta, geralmente à margem dos currículos escolares, mas extremamente interessantes para os futuros Técnicos de Secretariado. Yolanda Gonçalves deu uma visão das funções de escriturário de Fernando Pessoa, recolhida do seu heterónimo Bernardo Soares; Marília Pimentel Teixeira (com a colaboração dos formandos Cristóvão Martins, Margarida Andrade e Flávio Gonçalves) interpretou o poeta através da psicologia da escrita; e Dulce Matos apresentou Fernando Pessoa versus Agostinho da Silva. Transcreve-se, de seguida, duas das opiniões apresentadas, compiladas por Marília


Pimentel Teixeira. “Viver não é necessário, o que é necessário é criar” A afirmação resume todo o dilema da vida do poeta: a dicotomia, por vezes totalmente irreconciliável, entre a vida vivida e a vida imaginada. Parece definitivamente radicada na opinião pública a ideia de que a sua vida foi, tal como a do modesto empregado de escritório, o semi-heterónimo Bernardo Soares, humilde, cinzenta e frustrada. Através de Bernardo Soares, Pessoa confessa uma parte do seu ser, a do seu quotidiano banal, primeiro como tradutor de cartas e depois como correspondente de línguas estrangeiras, a dos seus hábitos lisboetas, dos seus sonhos divagantes, dos seus encontros em cafés e restaurantes. Intervenção da formadora Yolanda Gonçalves Citando Fernando Pinto do Amaral “Depois de tanto se ter escrito a propósito de Fernando Pessoa e do seu cosmos, torna-se quase uma evidência ser muito difícil acrescentar sobre ele alguma coisa...” E porque a regra de ser da Mesa Redonda foi o falar de Fernando Pessoa como Empregado de Escritório, justo era desenvolver o heterónimo Ricardo Reis, a “transposição da imagem real” do próprio poeta; e falar também, de alguns dos outros heterónimos que povoam o nosso imaginário nas pretensas discussões literárias. Todos eles diferentes nos seus estilos, no seu modo de escrever. Se os estilos dos heterónimos são diferenciados têm, no entanto um ponto em comum: o gosto pelos neologismos: girassolar (tournesoler), ubiquitar-se (s’ubiquiter), se outrar (devenir autre), almar (âme), praiar (praia=plage); o gosto pelas aliterações: “o fio fiado até ao fim”, “um vento nevoento”, “vem de ver o mar”, “oscilação viciosa, vasta, violente do volante vivo”; o gosto pela inversão dos lugares entre as palavras: adjectivo e substantivo; o gosto pelo emprego do particípio passado: à época caído em desuso na Língua Portuguesa; no caso específico de Ricardo Reis o gosto pelos arcaísmos: vedar no sentido de proibir, per (a locução adverbial) de preferência a por, refusar em vez de recusar, curar de por tratar de. Intervenção da formadora Marília Pimentel Teixeira

APONTAMENTO CULTURAL Por Dulce Matos Dicionário (do latim medieval dictionarium) Conjunto de vocábulos duma língua ou de termos próprios duma ciência ou arte, dispostos alfabeticamente, e com o respectivo significado, ou a sua versão em outra língua. (in Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque da Holanda, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1975).


Este instrumento de trabalho absolutamente indispensável em qualquer sociedade dita civilizada foi “notícia” e “alimentou” alguns cronistas da nossa praça. O tão almejado lançamento do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa (Editorial Verbo com uma 1ª tiragem de 10.000 exemplares) teve lugar no passado dia 26 de Abril com a pompa e a circunstância de que se revestem as cerimónias de natureza idêntica. E até se compreende: numa longa espera - cerca de 200 anos - torna-se fatalmente histórica! A primeira tentativa da Academia data de 1793 e apenas conseguiu publicar um primeiro volume correspondente à letra A! Mas a equipa chefiada pelo Professor Doutor João Malaca Casteleiro parece pretender compensar-nos, não desiludindo as nossas expectativas. Pelo menos, em matéria de números, a linguagem é bastante expressiva: 12 anos de trabalho e aproximadamente 60.000 colaboradores foram os responsáveis por cerca de 4.000 páginas, 70.000 entradas lexicais, 85.000 sinónimos, 16.000 antónimos, 33.000 citações literárias, 90.000 exemplos de frases de uso comum, 32.000 termos específicos e o aportuguesamento de 750 palavras estrangeiras! Da imperiosa necessidade da obra julgamos não existirem dúvidas de maior, todavia a polémica já está instalada. E incide nas alterações de ortografia dos barbarismos (ou estrangeirismos, se preferirem) tais como: dossier - dossiê; atelier - ateliê; lobby - lóbi; motard - motarde; stress - stresse ou ainda na substituição de e-mail por correio electrónico e de score por resultado. Não resistimos a citar a dureza da crítica de João Carreira Bom (in Diário de Notícias de 27 de Abril de 2001): “ A nossa língua torna-se cada vez mais uma lista de termos ingleses que, dia após dia, substituem inúteis palavras que aprendemos no berço. Haja, portanto, coerência. Deixemo-nos de meias-tintas que este dicionário de português ainda é.” Os portugueses sempre cultivaram a polémica e curiosamente já Alexandre Herculano na Dama Pé-de-Cabra in Lendas e Narrativas também foi feroz para os organizadores do 1º volume do Dicionário da Academia: (1793) “O onagro fitou as orelhas e ... começou a azurrar, começou por onde, ás vezes, as academias acabam.” E terminamos com uma nota de humor: em linguagem popular usada no Brasil o dicionário é “o pai dos burros”.


CITE'IN'FORMA Nº8  

CITE'IN'FORMA Nº8 - Maio de 2001

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