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CITE’in’FORMA Nº7 Fevereiro de 2001 NOTA EDITORIAL 2000 - Um balanço No ano 2000, apesar de algumas naturais vicissitudes resultantes da transição para o novo Quadro Comunitário de Apoio, o CITEFORMA pode orgulhar-se de ter cumprido a sua missão de proporcionar à população alvo uma oferta de formação correspondente às sempre renovadas exigências das organizações. Mais de 26.000 horas de formação/formador, em 203 acções de formação, envolvendo 3.240 participantes, dão bem a dimensão do enorme trabalho de planificação e de rotinas administrativas em que, de forma pouco visível, se viram envolvidos os colaboradores internos e externos do CITEFORMA. Ser-me-á, por isso, perdoado que, sem deixar de considerar o empenhamento, a dedicação e até um certo orgulho que, quase sempre, é lema dos colaboradores do CITEFORMA, uma espécie de inerência da nossa missão, manifeste publicamente o quanto é grato trabalhar com tal equipa. É certo que damos toda a prioridade à audição das críticas, dos reparos daqueles a quem disponibilizamos os nossos serviços, mas não escondemos quanto nos envaidece ouvir falar bem do CITEFORMA. É sinal de que estamos a cumprir a nossa missão e, por isso, não podendo ficar parados e satisfeitos com o presente, podemos apostar no futuro, felizes. Agostinho Castanheira, Director do CITEFORMA

NOTÍCIAS Início de cursos para jovens Iniciaram, durante o mês de Janeiro, os cursos de Qualificação para Jovens no CITEFORMA. Análise e Programação de Sistemas, Técnico de Contabilidade, Técnico de Secretariado, Técnico de Secretariado e Burótica e Programação de Sistemas são acções com a duração de 1500 horas, a decorrer em horário laboral. Facultam uma preparação específica, permitindo, a estes jovens, uma inserção mais fácil no mercado de trabalho. multimedia Continuam abertas as inscrições para o curso de Técnico de Comunicação Multimédia. Com início previsto para 19 de Abril, este curso tem a duração de 1800 horas. Destina-se a jovens, com o 12º Ano e conclusão de uma das seguintes disciplinas: Comunicação, Design, Geometria Descritiva, Matemática, Métodos Quantitativos ou Tecnologias de Informação.


Prémio na INFORPOR Diogo Cardoso, ex-formando do curso de Programação de Sistemas no CITEFORMA, arrecadou, na mais recente edição da INFORPOR o 2º lugar na categoria de melhor software de produtividade do ano 2000. Este prémio destacou o software Tempo Real 2000, desenvolvido pela microCAOS, empresa da qual Diogo é sócio. O programa é um relógio de ponto por impressão digital, como o próprio explica: “Controla a entrada dos funcionários sempre pela impressão digital, abandonando a situação dos cartões magnéticos.” Praticamente inviável fica a hipótese de viciar o sistema, uma vez que se podem registar os dez dedos por funcionário. “O programa é interessante pela inovação em termos de sensor, mas obviamente não faz só isso” acrescenta Diogo. “realiza toda a gestão de movimentos dos funcionários por software e pode funcionar em rede, permitindo à administração ou chefias de recursos humanos o acesso à informação on-line”. É possível, ainda, adicionar ao Tempo Real 2000 uma ferramenta de gestão. Os funcionários podem associar horas de trabalho a projectos, permitindo a quem gere, saber em qualquer momento, como se encontra distribuída a aplicação dos recursos humanos na sua empresa. Entre o hardware e o software O curso de Gestão que Diogo Cardoso começou a tirar foi abandonado “Estava já repetir o primeiro ano, na altura em que saí. Era extremamente teórico e ia perder cinco anos... optei por um percurso mais prático”. Frequentou o curso de Programação de Sistemas em 1994 e recorda as boas bases que retirou dessa qualificação. “Era muito abrangente, apesar de durar só um ano. Havia disciplinas com poucas horas, nomeadamente contabilidade e organização empresarial, que me vieram a ser muito úteis em todas as análises contabilísticas que depois tive de fazer, ao longo dos anos.” No final do curso, abriu uma empresa, de comércio de equipamentos, muito vocacionada para a área de hardware. Mais tarde, surgiu a fusão com a microCAOS. O crescimento do negócio permitiu o desenvolvimento de um Departamento de Software, de há dois anos para cá, do qual Diogo Cardoso é responsável. Os novos projectos a desenvolver são na área da biometria, como nos adianta “É uma área nova em termos de software. O equipamento é muito recente, todo o tipo de sensores têm pouco mais de um ano, pelo menos os mais acessíveis para poderem ser integrados em sistemas. E é uma área que está em aberto. Há obviamente, outros projectos em manga!”

PÓS-GRADUAÇÃO Prof. Doutor João Bilhim defende recurso ao ensino à distância com suporte electrónico Se se triplicasse a produção de técnicos nas áreas das tecnologias de informação esse acto ainda não corresponderia às necessidades reais que se fazem sentir em


Portugal, afirmou o Prof. Doutor. João Bilhim, na sessão de abertura da pós-graduação em Gestão e Tecnologias da Formação. Apontou o recurso ao ensino à distância com suporte electrónico como a solução mais rápida, prática e viável para resolver este problema. Para este especialista, que estimou faltarem 700 mil técnicos ao país, a situação requer “um esforço tremendo para se ter o número de profissionais capacitados com as qualificações indispensáveis para colocar Portugal no seu devido lugar ao nível das tecnologias de informação e, sobretudo, à apropriação social e cultural dos benefícios da sociedade de informação”, a qual considerou ser mais correcto classificar como “sociedade do conhecimento e da aprendizagem”. Chamou a atenção para um problema que a situação que acabara de descrever coloca: são necessárias tecnologias de informação para ensinar tecnologias de informação. Para colmatar esta aparente contradição o Prof. João Bilhim lembrou algumas experiências europeias que vão no sentido de, através de pós-graduações abertas a licenciados que não são destas áreas tecnológicas, ajudar a diminuir o défice entre o que o mercado necessita e o que realmente está disponível. “Uma coisa é certa: do meu ponto de vista, é com a aposta no ensino à distância com suporte electrónico que o salto necessário tem de ser dado”, afirmou, para acrescentar: “Portanto, aqueles que fizerem esta opção vão ser os gestores desta grande máquina da formação à distância, tendo à sua frente não só muito trabalho durante esta pós-graduação, mas também a compensação por estarem capacitados com o know how necessário para poder produzir ensino à distância com suporte electrónico”. Referiu ainda a alta qualidade dos docentes que leccionam a pós-graduação em Gestão e Tecnologias da Formação, congratulando-se pela sua realização ao apontá-la como mais um passo para colocar Portugal no mapa da sociedade da informação. Objectivo estratégico Na sessão de abertura da pós-graduação em Gestão e Tecnologias da Formação, falou também o Dr. Agostinho Castanheira, director do CITEFORMA, que considerou que esta iniciativa se integra num objectivo estratégico que se relaciona com o facto de este centro de formação estar ligado à vasta rede de centros da IEFP. “É uma experiência enriquecedora não só para o CITEFORMA, mas também para as entidades que têm natureza jurídica ou organizacional semelhante e, essencialmente, para os que nela participam directamente”, afirmou. De facto, recordou, a novas plataformas tecnológicas exigem que haja pessoas capazes de organizar e desenvolver a formação tirando delas o devido proveito, optimizando a sua utilização de forma a colmatar a insuficiência de recursos humanos qualificados que se faz sentir em Portugal. Teve, a concluir, palavras de agradecimento para o Prof. Doutor. João Bilhim, que, apesar de dificuldades em termos profissionais e pessoais, aceitou assumir a responsabilidade pela pós-graduação. RECRUTAMENTO E SELECÇÃO O mais recente projecto de prestação de serviços do CITEFORMA é na área do recrutamento e selecção.


O crescente pedido de técnicos com experiência, no contexto da colocação de ex-formandos justifica a sua implementação. Será mais uma das áreas de intervenção do Gabinete de Psicologia, como nos explica a sua responsável, Isabel Diogo. CITE’in’FORMA - Como surgiu o projecto recrutamento e selecção?Isabel Diogo - O projecto resulta do facto de termos, com cada vez mais regularidade, pedidos de pessoas com experiência, para além dos pedidos de colocação dos jovens. E tendo pedidos de profissionais com experiência, tenho que recorrer aos formandos de pós-laboral. Até agora, tem-se optado por colocar anúncios no CITEFORMA, o que não se tem mostrado especialmente eficaz. E tendo nós a base de dados que temos, das centenas de pessoas que passam por aqui por ano nos cursos de pós-laboral, faz sentido nós começarmos a prestar este serviço. CF - Foi feita alguma aproximação às empresas, no sentido de apurar o interesse por esta área? ID - Sim. Fiz reuniões com as empresas que nos contactam mais frequentemente e com as quais trabalhamos já há algum tempo. Quis saber como é que procuravam candidatos: se recorrem a empresas de prestação de serviços ou se a selecção é feita pela empresa. Todos eles foram unanimes em considerar que esta seria uma boa aposta, uma vez que já estão satisfeitos com o serviço que o CITEFORMA tem prestado na colocação de jovens. Por outro lado, todos referiram a mais valia que é para nós o facto de termos a base de dados de formandos activos. CF - Também há formandos a pedir colocação? ID - Não muito porque os formandos não sabem que é possível. Senão, não me faltariam aqui pessoas, a deixar currículos e candidaturas. Informalmente eu vou tendo, porque há pessoas que sabem que no Gabinete de Psicologia por vezes surgem oportunidades. Certamente que, divulgando este serviço, vamos ter o interesse dos formandos também. Porque há recém-licenciados a procurar colocação, há pessoas que não estão satisfeitas e pretendem mudar de emprego e há pessoas que estão satisfeitas mas que querem sondar o mercado. CF- A implementação deste projecto implica mudanças no Gabinete de Psicologia? ID - Sim. O Gabinete de Psicologia tem mais uma Psicóloga, desde o início de Fevereiro. Para além disso, o próprio Gabinete também vai actualizar-se em termos de avaliação. Não quer dizer que os testes de avaliação que são utilizados estejam desactualizados. Falo em termos de diversificação de áreas a avaliar, de forma a estarmos preparados para dar resposta às solicitações que tivermos. CF - Como é que decorre o processo de recrutamento e selecção? Quais são os principais passos? ID - Por exemplo, uma empresa contacta o centro a solicitar um técnico com experiência em determinada área. Faz-se uma primeira reunião em que é definido o perfil do técnico a seleccionar e depois, de acordo com isso, coloca-se um anúncio. Poderá ser com a divulgação em empresas de recrutamento e selecção on-line. Eventualmente também na imprensa. Mas, em cada caso, será ponderado o meio que nos pareça mais eficaz. São colocados os anúncios e, ao mesmo tempo, é


divulgada esta proposta também no CITEFORMA recorrendo a uma base de dados dos formandos do pós-Laboral actualizada, onde é referido se o formando está ou não interessado em novas propostas de trabalho e em que áreas. A construção dessa base de dados será um dos próximos objectivos. No início da formação, os formandos recebem uma informação sobre este serviço do GP. Através de um formulário, podem referir qual é a sua situação profissional actual, se estão interessados em entrar para a nossa base de dados e em que condições, o que é que gostariam de fazer, quantos anos de experiência têm, etc...No fundo, é feito um currículo resumido. Com base na resposta aos anúncios e nas candidaturas dos nossos formandos faz-se o processo de selecção. Depois seleccionam-se os candidatos considerados adequados e é feita uma nova reunião com a empresa onde estes são apresentados. Esses candidatos vão a uma entrevista na empresa, que depois escolhe o técnico a seleccionar. CF - Caso haja algum problema com esse candidato, é possível voltar a repetir o processo? ID - Em todos os processos de selecção existe uma garantia. Se o problema estiver contemplado na definição dessa garantia, é possível repetir o processo. CF - Quanto é que custa todo esse processo? ID - O custo é calculado de acordo com o valor da remuneração previsto pela empresa. CF - Vão-se especializar em alguma área? ID - Vamos seguir o princípio que se segue para a formação: trabalhadores de escritório, comércio, serviços e novas tecnologias. O que já é muito abrangente.

SITESE apoia novo projecto “Conheço muitas empresas e sei qual é opinião sincera de muitas entidades patronais. Enquanto houver pessoas no CITEFORMA eles não vão procurar noutro lado. E isso também é uma grande satisfação para o SITESE.” Custódia Fernandes, vogal do Conselho de Administração não tem dúvidas quanto ao sucesso do novo projecto de recrutamento e selecção. E elogia o trabalho desenvolvido pelo CITEFORMA junto dos jovens e dos activos. “É óbvio que nós percebemos que o CITEFORMA, porque tem uma boa qualidade de formação, consegue colocar as pessoas muito melhor do que qualquer outra entidade” afirma Custódia Fernandes, acrescentando que “as entidades patronais sabem perfeitamente onde se dá a boa formação”. O próprio processo de colocação dos jovens merece também avaliação positiva, da parte do SITESE: “É um trabalho meritório porque não é fácil, hoje, um jovem com qualificações ao nível do 12º ano conseguir um emprego”. De facto, os jovens que frequentam os cursos no CITEFORMA têm tido, até à data, oportunidades de colocação em empresas. A precariedade dos vínculos contratuais é uma das preocupações do SITESE. Daí a necessidade de uma constante actualização, como reforça Custódia Fernandes.


“Nós sabemos que as tecnologias estão sempre em evolução e as pessoas, se não fizerem reciclagem, não conseguem acompanhar o ritmo do que se está a exigir no mercado de trabalho”. O próprio Sindicato têm vindo a alargar a sua intervenção, de forma a cativar e a poder apoiar os jovens “Como sabe, hoje o sindicalismo não é obrigatório e as pessoas só se filiam se quiserem. De qualquer modo, hoje os sindicatos já estão a corresponder não só à parte laboral, portanto se uma pessoa precisar de ser aconselhada no sentido laboral, o sindicato tem advogados e técnicos para ajudar. Mas o SITESE proporciona, também, descontos em várias lojas e em bancos e ajudamos no contencioso social. Se o sócio/associado tiver um problema na sua vida particular tem ali advogados no sentido de os aconselhar e, se necessário, tratar dos seus problemas em tribunal. As pessoas não pagam mais por isso. O desconto é de 1% no vencimento ilíquido”. O SITESE tem, também, uma UNIVA, que tem acompanhado e inserido várias pessoas no mercado de trabalho. “Temos contactos diários com as empresas, e penso que se está a fazer um bom trabalho nesse aspecto”.

REDE ADE’s na implementação do Plano de Acções A IV edição do Programa REDE encontra-se já na fase de implementação do Plano de Acções, com os ADE’s quase todos colocados nas dez empresas seleccionadas pelo CITEFORMA. Este é um passo decisivo para a concretização do projecto, pelo auxilio extra e especializado que proporciona às empresas. A dispersão geográfica das empresas é, cada vez mais uma realidade, repartindo-se a intervenção não só por Lisboa e Vale do Tejo como pelas regiões de Mafra e Évora. O trabalho desenvolvido pelos dois Consultores, em conjunto com os empresários, permitiu já a execução do Diagnóstico e a Definição da Estratégia. A curto prazo, terá inicio, a actuação dos Consultores Especialistas e as Acções de Formação. PROMOLUZ Aumento de volume de vendas de 40% em relação ao ano anterior A meses de completar dez anos de existência, a PROMOLUZ, empresa de Luisa Miranda e Ana Maria Luz confrontava-se com graves dificuldades. A persistência das duas sócias em não querer “fechar a porta” conduziu-as ao programa REDE através do CITEFORMA. O trabalho desenvolvido em conjunto com os consultores proporcionou-lhes um aumento de volume de vendas de 40% em relação ao ano anterior. Mas sentem-se ainda um pouco desamparadas e afirmam que o período real de intervenção é muito


curto. A PROMOLUZ é uma empresa de Torres Novas que se dedica à actividade de merchandising. Realiza, essencialmente, acções de promoção em pontos de venda. Em resposta a solicitações pontuais promovem, ainda, eventos e animação em festas e discotecas. Não tem, no entanto, segundo as empresárias desenvolvido convenientemente esta área “Temos sido, nesse campo, pouco activas e mais reactivas”. Definir o número de pessoas que trabalham na empresa é uma das tarefas mais difíceis, pois como nos explica Luisa Miranda “As pessoas trabalham para nós com contratos a termo certo. É quando, por exemplo, um clientes nos pede dois dias de promoção num determinado hipermercado ou um mês noutro... Permanentes no nosso escritório, neste momento, são cinco pessoas”. Na fase de diagnóstico da empresa, a contratação de pessoal surgia como uma das questões com consequências mais sérias em termos financeiros para a empresa. Como nos explicou Luisa Miranda “Estávamos numa fase em que, ou avançávamos de forma clara, e não sabíamos como tomar a decisão, ou se calhar tínhamos de fechar. Com a ajuda dos consultores, penso que nos foram dadas algumas sugestões que nós agarrámos, e que nos custou e ainda custa muito, em termos estruturais e até físicos”. Uma delas foi o alargamento da área de influência ao Porto e Viana do Castelo (anteriormente só trabalhavam a região até Aveiro). A entrada do ADE foi muito positiva, no entanto o jovem recém-licenciado permaneceu na empresa apenas mais seis meses após o REDE. A PROMOLUZ não conseguiu acompanhar o salário que o mercado lhe estava a oferecer. “Passámos de uma situação complicada em termos de gestão, para uma situação aparentemente mais simpática e com um resultado em termos de volume de vendas de um aumento de 40% em relação ao ano anterior. Mas quando o período de diagnóstico chega ao fim, quando se começam a implementar as acções... os consultores estão-se a ir embora e o ADE já saiu ou começa a ficar bastante mais caro” desabafa Luisa Miranda. A formação que receberam e os conselhos retirados da experiência com os consultores são alguns dos aspectos mais positivos apontados pelas duas empresárias. Mas deixam sugestões. “O REDE devia ter um follow-up qualquer, que não tivesse só a ver com as boas intenções dos consultores”. Ana Maria Luz é da opinião de que se devia prolongar no tempo em vez do apoio semanal “É uma questão de organização interna, mas depois o corte é cedo demais”.

CITE'IN'FORMA Nº7  

CITE'IN'FORMA Nº7 - Fevereiro de 2001

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