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CITE’in’FORMA Nº3 Fevereiro de 2000 NOTA EDITORIAL O ano de 1999 constituiu para o CITEFORMA, um salto significativo em direcção ao futuro. A aquisição de instalações próprias, o reforço da actividade formativa a todos os níveis, o lançamento e consolidação de novos domínios de intervenção, a melhoria da comunicação interna e externa, a reestruturação orgânica, a continuação do apetrechamento do centro em meios tecnológicos e de apoio pedagógico, são o espelho da vontade assumida pelos outorgantes - SITESE e IEFP - no sentido de preparar o CITEFORMA para uma resposta cada vez mais adequada às necessidades formativas daqueles a quem se dirige prioritariamente - os associados do SITESE e os empresários onde aqueles trabalham ou podem vir a trabalhar. O quadro seguinte sintetiza a componente formativa dessa actividade: No ano 2000 iremos concluir um novo estudo sobre Necessidades de Formação da nossa população alvo. Daí tiraremos ilações sobre os novos rumos da nossa actividade. O presente número do CITE’in’FORMA dá-nos conta, já, de alguns caminhos que teremos de prosseguir. A progressiva presença das novas tecnologias da informação e comunicação será uma realidade das empresas e das organizações. O comércio electrónico invadirá o mercado do futuro. O CITEFORMA tentará estar nesse caminho e servir, seguramente, atento o “estado da arte”, os interesses de quem necessita de navegar nesse novo mundo. Agostinho Castanheira, Director do CITEFORMA

NOTÍCIAS 10º ANIVERSÁRIO DO CITEFORMA A EDIÇÃO COMEMORATIVA Com o fim de recuperar as intervenções efectuadas na Sessão Comemorativa do 10º aniversário do CITEFORMA foi editado o livro: 10º aniversário do CITEFORMA - Uma homenagem a António Janeiro. Para Agostinho Castanheira, Director do CITEFORMA, “é uma oportunidade única de legar ao futuro um momento muito significativo da vida deste Centro”. Ficam arquivados, nesta publicação, testemunhos e reflexões de personalidades marcantes do Portugal do último quartel do século XX, como o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e alguns membros do Governo, entre outros. Conteúdos que passam pela homenagem a António Janeiro, sindicalista prematuramente falecido. Segundo Agostinho Castanheira, “a homenagem a António Janeiro é, só por si, a justificação bastante para deixar impressas as notas que, num virar de milénio pleno de incertezas e carente de valores, dão conta dum homem prático e sonhador, de princípios firmes


e apaixonados, crente na superioridade do homem sobre os interesses”. A Sessão Comemorativa do 10º aniversário do CITEFORMA teve lugar no dia 20 de Novembro de 1997, no Auditório da Torre do Tombo em Lisboa.

ESTUDO OS JOVENS E A FORMAÇÃO PROFISSIONAL POUCA PREOCUPAÇÃO NO APERFEIÇOAMENTO A resistência face ao sistema de formação profissional abrange os próprios jovens que aí encontram a saída para o mercado de trabalho. Um estudo realizado pelo Departamento de Formação do CITEFORMA é claro numa das suas conclusões: a taxa real de colocação dos ex-formandos deste Centro (aqueles que hoje exercem a sua actividade profissional) é de 92.4%. E depois, a formação volta a ser uma opção estratégica de mobilidade sócio-profissional? Segundo os dados apurados, tudo fica no campo das intenções. Ou seja, embora o considere fundamental, a maioria dos jovens inquiridos não utiliza o sistema de formação como um instrumento para a mobilidade e progressão profissional. A visão utilitarista dos jovens face ao sistema de formação profissional: a representação da formação contínua como estratégia de mobilidade sócio-profissional é o mais recente estudo realizado por Cristina Tavares e Susana Pereira. Em Maio de 1999 foram enviados 449 inquéritos aos jovens ex-formandos que concluíram com aproveitamento a formação no CITEFORMA. Como resultado deste mailling obtiveram-se 134 respostas o que equivale a 30% da população. Constatou-se que após a conclusão dos cursos realizados, 68.1% dos sujeitos não investiram na sua formação académica, portanto, permaneceram com as mesmas habilitações literárias (12º ano) e que 31.8% continuaram a estudar, frequentando o ensino superior. A maioria dos sujeitos que continuou a sua formação académica enveredou pelas áreas afins ao curso que realizaram no Centro (68.8%), não se afastando da orientação profissional que os conduziu à realização de um curso de qualificação profissional. Dos 92.4% dos jovens que exercem a sua actividade profissional, 78.3% fazem-no na área de formação recebida no CITEFORMA. No que toca à formação contínua verificou-se que, após finalizarem os seus respectivos cursos, apenas 31.6% dos jovens voltaram a realizar outro curso. Segundo os dados apurados, quem mais volta a frequentar acções de formação contínua são indivíduos com um vínculo contratual precário, inseridos em grandes empresas e funcionalmente ligados à área da Informática (onde as tecnologias evoluem rapidamente). Embora o discurso político tente afirmar o sistema de formação profissional como um meio especialmente direccionado às pequenas e médias empresas, no pressuposto de que dispõem de recursos humanos insuficientemente qualificados, são os indivíduos colocados nas grandes empresas que, de forma significativa, mais o utilizam. Pode-se sustentar esta conclusão na existência de uma maior pressão e competitividade ao nível das grandes empresas.


O COMÉRCIO ELECTRÓNICO Uma Visão Estratégica O Comércio Electrónico surgiu essencialmente como uma forma de satisfazer a necessidade de promover as interacções entre as empresas, e posteriormente entre as empresas e os clientes individuais, através de meios de comunicação com base em redes informáticas, e mais recentemente com a Internet. Essas interacções têm a ver com a venda de produtos/serviços, e as consequentes formas de pagamento específicas, e ainda a disponibilização de informação relevante para os clientes. A importância da Internet advém do facto de ser uma tecnologia simples de produção e disseminação de informação, em que existe uma grande economia de escala e também uma economia de âmbito na medida em que é possível uma grande diversidade de intervenção. O Comércio Electrónico terá que ser considerado como uma das componentes estratégicas mais importantes das empresas actualmente, tendo em atenção que ele poderá ser um dos factores decisivos para a sobrevivência de muitas delas, ou então como condicionante da sua evolução futura. Em particular uma estratégia para o Comércio Electrónico deverá incluir os seguintes pontos : - Uma visão clara de como a empresa vai utilizar o “mercado electrónico”. Dado que este “canal electrónico” vai ser a componente principal para gerir a empresa esta deve aprender a atrair, e envolver, os clientes neste processo, isto é, aceitar encomendas e pagamentos, entregar/prestar produtos/serviços, e apoiar em geral os clientes neste novo contexto empresarial. - A capacidade para transformar os processo internos de gestão de acordo com as necessidades impostas por estes novos tipos de “interacções electrónicas”. - Um enquadramento organizacional dirigido por um gestor deste projecto, o qual deverá desenvolver a estratégia global do Comércio Electrónico na empresa, apoiar os responsáveis na formulação das suas necessidades e formar os restantes elementos. No entanto existem alguns obstáculos ao sucesso da implementação do Comércio Electrónico nas empresas, e que devem ser levados em linha de conta. Entre os principais podemos citar os seguintes : - Falta de integração com o processo de negócio da empresa devido a vários factores, entre os quais podemos citar a “inexperiência” dos gestores nestes novos mercados, bem como da falta de compreensão do seu valor potencial, e da necessidade de se efectuarem as transformações que se impõem ao nível dos seus processos de gestão - Dificuldades em calcular preços sobretudo em produtos/serviços que também são comercializados por outros canais mais tradicionais. Dever-se-á fazer uma redução


nestes preço dado que os seus custos de promoção são inferiores, e é necessário estimular a sua aquisição através da estrutura do Comércio Electrónico, ou pelo contrário os preços deverão ser os mesmos, não havendo nenhuma diferença para o cliente a forma como vai adquirir esses produtos/serviços? A resposta a estas questões não é fácil, também mais uma vez dado que não existem suficientes “boas práticas”, documentadas, para apoiar as opções a tomar. - Algumas estruturas organizacionais ainda são um obstáculo à mudança, o que é verdade em geral, e também neste caso em particular, o que acarreta mais problemas à implementação do Comércio Electrónico. - Não haver ainda pessoas especializadas em número suficiente para poder apoiar estes processos nas empresas, tanto ao nível dos técnicos de Internet, como de gestão. - Dificuldade em prever o valor dos investimentos a realizar dado que o Comércio Electrónico pode ser muitas vezes encomendado a empresas exteriores para a sua implementação, com necessidade de recorrer a servidores próprios, obrigando a esquemas complexos de segurança, e ainda a sistemas aplicacionais que deverão fazer a ligação do Comércio Electrónico aos outros sistemas de gestão das empresas . - Conflitos possíveis de canais, que poderão causar não só uma certa perturbação nos clientes, mas também ao nível, por exemplo, de outros canais de distribuição como sejam os de venda indirecta. Apesar de todos estes considerandos as empresas terão que encarar o Comércio Electrónico como um dos factores de mudança mais interessantes neste momento, e que simultaneamente constitui um desafio estimulante para o seu futuro. Texto de Francisco Ferrão Consultor / Formador do CITEFORMA Comércio Electrónico é uma das novas acções de formação planeadas, pelo CITEFORMA, para este ano. Tem início previsto a 2 de Setembro, irá decorrer aos Sábados, com a duração de 35 horas. “O CITEFORMA tem consciência da importância que o comércio electrónico irá ter no futuro das empresas, independentemente do seu sector ou área de actividade” afirma o Director, Agostinho Castanheira. “Por isso, iremos dar-lhe a máxima atenção e prioridade, procurando acompanhar as expectativas e as necessidades das pessoas nesta área”, acrescenta.

SITESE APRESENTA ESTUDO SOBRE ZONAS COMERCIAIS DAS CIDADES Urbanismo Comercial e suas Perspectivas é o mais recente estudo elaborado por Albino Lopes e Pedro Miguel Moreira (Docentes do ISCTE) para o SITESE.


Uma contribuição para a emergência de novas soluções que revitalizem este importante sector económico. O tempo em que o comércio determinava a organização da cidade ficou para as páginas da História. O recente crescimento urbano e implementação dos centros comerciais nas zonas periféricas destabilizou toda a estrutura. Tal como referem os autores, “os consumidores sofisticaram-se, despertaram novas necessidades e novos gostos, e não demorou muito até que se importassem novas formas comerciais. Estas nascem do conceito de satisfação total do cliente e procuram ir ao encontro das suas necessidades. A sua atractividade é muito grande, perdendo-se uma boa parte dos antigos conceitos de venda a retalho próprios ao chamado comércio tradicional”. Os dados apresentados caracterizam essa mudança. Detectam grandes males e sugerem alguns remédios nesta nova arte de articular a actividade comercial com a cidade. Um bom exemplo apresentado, é o do comércio tradicional de Braga que, para os autores, “pode muito bem estar a indicar a direcção do futuro a todas as zonas comerciais tradicionais que queiram sobreviver à forte concorrência que se sente nos dias de hoje”. Uma conjugação de esforços que se traduz em lojas modernas, melhor equipadas, atendimento personalizado, animação e promoção do espaço público.

ICPME FORMAÇÃO - ACÇÃO NO COMÉRCIO E SERVIÇO Associações Empresariais com mais instrumentos de apoio às PME’s Está já em fase de implementação o projecto Formação-Acção no Comércio e Serviços, promovido pela Iniciativa Comunitária PME. CITEFORMA e CECOA, os organismos de coordenação, concluíram em Novembro a formação dos consultores. As Associações Empresariais estão agora no terreno, a desenvolver a formação junto dos grandes interessados: os empresários. Toda esta rede foi constituída com o objectivo de incrementar o comércio tradicional. Os consultores das Associações Empresariais dispõe agora de uma metodologia que cruza a aquisição de conhecimentos teóricos com a resolução de problemas práticos. Para além de toda a documentação de apoio foram também elaborados manuais de formação sobre: merchandising, atendimento e venda, marketing do ponto de venda, comunicação do ponto de venda, gestão financeira e de aprovisionamento, papel do empresário na gestão de pessoal e gestão da informação e novas tecnologias ao serviço das micro-empresas. A elaboração de um diagnóstico é o princípio e a base de todo o trabalho de formação com as empresas. Tomar consciência dos problemas e construir um plano de acções na tentativa de resolver os mesmos, são tudo estratégias com o fim de aumentar o nível de conhecimentos dos formandos. Este projecto envolve, a nível nacional, 13 associações empresariais, 142 empresas, 27 consultores e 17 técnicos.


REDE PROPORCIONA FORMAÇÃO A EMPRESÁRIOS Uma sessão activamente participada que proporcionou uma verdadeira troca de experiências entre profissionais. É este o retrato do primeiro ciclo de Formação de Empresários, subordinado ao tema “Estratégias de Desenvolvimento” promovido pelo Programa REDE no passado mês de Novembro, na Costa da Caparica. Foram dois dias de reflexão e de desenvolvimento de trabalhos práticos. Objectivos que nem sempre se conseguem encontrar no local de trabalho, onde a prática toma conta do dia-a-dia. Na abertura da sessão, José Poças Rascão, Consultor do CITEFORMA, sublinhou a importância destes encontros pela “possibilidade de desenvolver negócios e de estabelecer relações profissionais”. Para além dos consultores e empresários do CITEFORMA participaram nesta sessão os parceiros da APEMETA, ASSOFT, CENFIC e CEPRA.


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