Page 1

CITE’in’FORMA Nº2 Novembro de 1999 NOTA EDITORIAL O CITEFORMA e Timor O CITEFORMA concluiu recentemente uma acção de formação, destinada a 24 timorenses, com a duração de três meses, a tempo inteiro, visando eliminar ou atenuar as dificuldades daqueles cidadãos no acesso às formações disponíveis no nosso país. Para além da capacidade de adaptação uma vez mais demonstrada pelo Centro, impõe-se realçar a sua forma especial de existir, simbolicamente veiculada por esta intervenção, em total sintonia com todo o país, na mobilização geral a que assistimos a favor da libertação do Povo Timorense e da sua afirmação como Nação Livre, impregnada de cultura várias, entre as quais, a nossa, que permaneceu e foi defendida em Timor, ao longo de tantos e tão duros anos de sofrimento. O CITEFORMA continua, portanto, atento aos justos anseios e às grandes causas da comunidade envolvente. Sabe associar-se aos movimentos sociais, reage e intervém positivamente, através das vias ao seu alcance, dando o seu contributo próprio. E, assim, cumpre os seus objectivos e o seu destino. Esta peculiar forma de existir e actuar permite acalentar as melhores expectativas de um futuro risonho, que o Centro e seus colaboradores bem merecem. Arlindo Gameiro, Conselho de Administração do CITEFORMA

BREVES Ex-Formando é agora Formador “Sempre que faço a introdução dos cursos digo sempre que fui formando aqui no CITEFORMA e quando olho para os jovens revejo-me na posição que eles estão a ocupar”. Herberto Monteiro frequentou o primeiro curso que houve no CITEFORMA de Análise e Programação de Aplicações, em 1990. Quando o curso acabou foi-lhe proposto, a ele e três colegas, um estágio no Instituto de Informática do Ministério das Finanças. “Eles gostaram imenso do nosso trabalho e propuseram que ficássemos mais seis meses a contrato de trabalho. No final desse período abriu concurso para o quadro, entrámos e até à data tenho-me mantido por lá”. Conciliando o trabalho de dia, com os estudos à noite, licenciou-se em Informática de Gestão. “Entretanto estive no CITEFORMA a frequentar o curso de Formação Pedagógica de Formadores, que também foi uma experiência muito agradável e muito positiva”. Neste regresso ao Centro surgiu o convite, da parte de José Poças Rascão, Coordenador dos cursos de Análise e Programação de Aplicações e Programação de Sistemas para dar o Módulo de Pro-Cobol. “Tive o meu percurso profissional, conse-


guido através de um estágio proporcionado pelo CITEFORMA e depois regressei à casa mãe para transmitir os conhecimentos, que entretanto tinha adquirido, a outros jovens que se estavam a iniciar na carreira informática”, refere Herberto. Em relação ao curso que frequentou e do qual é agora formador, muita coisa mudou. “O curso hoje em dia não se compara nada ao que foi em 1990. Na altura tinha a duração de seis meses e agora tem um ano. O programa tem, portanto, muito mais matéria. Para além disso, os formadores e as condições técnicas disponíveis aqui no centro são cada vez melhores”. Dedicação no período de estágio e continuação dos estudos são os dois grandes conselhos que Herberto Monteiro deixa a quem começa agora dar os primeiros passos. “Aproveitem realmente esta oportunidade que é dada assim de mão beijada e dediquem-se bastante, pelo menos nesse início de estágio. Tento também de alguma forma incentivar a continuação de estudar. Devem tirar um curso superior porque acho que é mais um trunfo que um técnico pode ter”. Formação fora de portas O Futuroscope e La Villete fizeram, este ano, parte do programa dos cursos de Técnicos de Secretariado e Burótica e de Técnicos de Multimédia. O CITEFORMA organizou, em Julho, uma Semana Científica que proporcionou a estes dois grupos de jovens um contacto directo com a indústria de comunicação em desenvolvimento. A visita de estudo realizada ao Futuroscope em Jaunay-Clan, Poitiers e La Vilette la cité des sciences et de l’industrie em Paris traduziu-se numa aprendizagem muito enriquecedora por permitir a aquisição de conhecimentos técnicos e culturais num contexto extremamente aliciante. Estagiários e as empresas que os acolhem Mal pousam a caneta e os manuais, avançam para o mercado de trabalho. Muitos dos jovens que terminam os cursos de qualificação aproximam-se das empresas com a ajuda do CITEFORMA. Há entidades interessadas em apostar na construção das suas carreiras profissionais, dando-lhes a possibilidade de aplicar os conhecimentos obtidos em regime de estágio. Rui Loureiro da Infomania e António Sousa da Texto Editora dizem porquê. Perto de duas dezenas de formandos do CITEFORMA foram encaminhados para a Infomania. E ficaram, quase todos, integrados nesta empresa que desenvolve, actualmente, a sua actividade na prestação de serviços em administração de sistemas, call center e gestão de centros help-desk. A área de Secretariado e de Burótica tem colmatado necessidades no call center enquanto que os formandos de Programação de Sistemas e de Análise e Programação de Aplicações têm sido encaminhados para a vertente de administração e help-desk. A preferência no local de recrutamente deve-se, segundo Rui Loureiro, director geral da Infomania “a todo o currículo que o CITEFORMA apresenta. Não há muitos sítios, ou talvez até nenhum sítio, onde alunos sem formação universitária saiam com conhecimentos, por exemplo de UNIX. O UNIX aprende-se nas universidades estatais. Nas privadas, por


razões económicas, preferem ter PC’s”. Para além do conteúdo programático dos cursos, a duração é também um dos pontos que esta empresa destaca. “O Centro capacita as pessoas no espaço relativamente curto de um ano e foca, realmente, os alunos para o mercado de emprego”. Carla Carrelo terminou o curso de Técnicos de Burótica em Dezembro de 1996. Em Fevereiro de 1997 chegou à Infomania “para fazer de tudo” como nos contou. “A empresa era muito pequena e eu tive de tratar dos assuntos de todas as áreas”. Cresceu profissionalmente na empresa e assistiu ao desenvolvimento da casa que a acolheu. Ao contrário de alguns dos seus colegas, não continuou a estudar, mas deixa o recado: “Vale sempre a pena continuar a estudar. O CITEFORMA deu-me a oportunidade de começar a trabalhar e sei que uma coisa não invalida a outra”. Hélia Henriques, também ex-formanda do curso de Técnicos de Secretariado e Burótica, está na empresa desde o princípio do ano. Até Junho esteve no call center que presta assistência aos utilizadores da Hewlett Packard, mas prefere o ambiente de trabalho “muito jovem” da Infomania, onde a média de idades se fica pelos 26 anos. É aliás esta cultura empresarial que tem travado a rotatividade destes jovens. Para Rui Loureiro é clara a impossibilidade de conseguir segurar, principalmente os técnicos de Análise e de Programação somente pela via do ordenado: “somos uma empresa de prestação de serviços e trabalhamos, por isso, com margens muito reduzidas”. Apostam por isso, numa atitude de estímulo e integração destes jovens, criando assim um ambiente de trabalho descontraído mas ao mesmo tempo altamente produtivo. Outra empresa que tem feito a ponte entre a formação no Centro e o mercado de trabalho é a Texto Editora. Lida com o mercado do livro escolar, essencialmente do 5º ao 12º ano e, mais recentemente, na área editorial não escolar, com grande empenho nas edições multimédia. Começaram por dar um estágio a um formando do CITEFORMA do curso de Programação de Sistemas há cerca de quatro anos e a partir daí, anualmente têm recebido formandos de Secretariado ou Burótica. António Sousa conta já perto de dez pessoas e muitas foram ficando. “O CITEFORMA é uma instituição que nos merece respeito, temos tido uma experiência positiva”. Os formandos “vêm dotados de bons conhecimentos básicos que lhes permite agarrar funções administrativas em várias áreas. São pessoas muito polivalentes que podem ficar integradas numa área comercial, vendas ou marketing como também podem ficar a dar apoio a áreas financeiras, de pessoal... depois depende do perfil de cada um”. Aida Marques é, actualmente, Secretária do Marketing Escolar. Ao terminar o curso de Secretariado foi encaminhada para a Texto Editora pelo CITEFORMA. Concluídos os seis meses de estágio ficou... e já lá vão três anos. Sem grandes problemas de adaptação ao mundo do trabalho - “as pessoas são muito simpáticas”, refere - Aida começou por trabalhar na Enciclopédia. A experiência zero não a atrapalhou e rapidamente deu o passo para o Marketing, onde se encontra.

FORMAÇÃO PARA AS EMPRESAS


Consultores-Formadores desenvolvem nova metodologia O projecto de “Marketing da Formação Profissional para as PME’s” promovido em conjunto pelo BFZ (Centro de Formação e Desenvolvimento Profissional dos Sindicatos Patronais da Baviera) e o IEFP, termina oficialmente no mês de Novembro. Ainda antes da avaliação final falámos com o Técnico do BFZ que conduziu todo o processo. Adaptar à realidade portuguesa uma metodologia de aproximação dos Centros de Formação às Pequenas e Médias Empresas. Terá sido este o desafio proposto a Carsten Gebhard no início de 1998. Com a concepção do projecto em mãos, passou para a sua implementação no terreno. Durante dez meses acompanhou, um pouco por todo o país, os cerca de vinte técnicos que se iniciaram numa nova metodologia. Um processo de adaptação de conceitos que levou o seu tempo, como o próprio justifica: “Estávamos conscientes, desde o início, que esta metodologia não poderia ser aplicada da mesma forma que o fazemos na Alemanha. Foi necessário um tempo de ajustamento aos instrumentos que usamos, uma mudança, de forma a que esses instrumentos se tornassem úteis.” CITE’in’FORMA: O que é que está na origem do desenvolvimento de um método específico de aproximação às empresas? Carsten Gebhard: Na Alemanha, começámos a ter sérios problemas de adesão à formação por parte das pequenas e médias empresas. CF: Tempo disponível só para trabalhar e não para formação... CG: Sim, esse é um dos grandes problemas. Não têm tempo para investir em formação, porque neste tipo de empresas as pessoas estão mesmo lá para trabalhar... um para cada função específica. Não é como nas grandes empresas, em que os funcionários podem ser facilmente substituídos. O segundo problema tem a ver com os parcos recursos financeiros. Ao que acresce o insuficiente reconhecimento do valor do desenvolvimento dos recursos humanos. As empresas nem têm muita vontade de mudar. Só sentem essa necessidade de mudança quando os problemas são muito graves e aí, por vezes, já é tarde demais. CF: Face a isto, foram também forçados a mudar de atitude. CG: Concluímos que se queríamos continuar a promover formação junto destas empresas teríamos de nos adaptar à situação. Ou seja, apresentar um preço acessível, admitir o contexto, conceber planos de formação que não ocupassem demasiado tempo, que pudessem ser ministrados no local de trabalho...no fundo, flexibilizar ao máximo a nossa proposta. Foi este conhecimento tão real das empresas que nos levou a conceber uma nova metodologia. CF: Em que é que consiste essa metodologia? CG: Há alguns pontos chave neste procedimento. Primeiro que tudo, a cooperação. Acreditamos seriamente que a resolução para os problemas da empresa se encontra na própria empresa. Não procuramos soluções para aquilo que nos descrevem, mas tentamos que encontrem todos, em conjunto, a melhor forma de ultrapassar as dificuldades. E todos refere-se ao conjunto dos funcionários, independentemente da hierarquia. Isso leva-nos ao primeiro passo da metodologia: o levantamento de


necessidades de formação. Ao fazer o levantamento de necessidades de formação de uma empresa estamos a analisar os problemas de diversos níveis, o que tem as suas vantagens. A mais evidente prende-se com a noção muito clara do que é realmente importante para a empresa. Depois, o facto de estarmos a trabalhar com os próprios funcionários faz com que eles se identifiquem muito com a formação que ajudam a construir e que depois frequentarão. A motivação é, geralmente, muito acima do normal. O levantamento de necessidades de formação permite-nos analisar o contexto em que se insere a empresa, o que é extremamente importante depois, na concepção do plano de formação. A formação deve estar de acordo com as necessidades das empresas e contemplar apenas as matérias que precisam de ser leccionadas. Num curso normal, sobre qualquer assunto, há pessoas com diferentes níveis de conhecimento o que faz com que alguns oiçam as mesmas matérias de novo. Quando se trabalha para as empresas, tal não deve acontecer. CF: É, portanto, feito à medida? CG: Sim e o nosso interesse é consolidar uma colaboração a longo prazo com estas empresas. A nossa experiência dita que quando há um contacto bem sucedido, as empresas ficam a contar connosco. Tentamos ser uma espécie de prestação de serviços na área do desenvolvimento dos recursos humanos para as médias empresas. Esse é o objectivo deste trabalho e os instrumentos são uma forma de o atingir. Porquê formação? Porquê mudar? Segundo Carsten Gebhard “É uma consequência do nosso tempo. No passado, as mudanças na produção ocorriam de três em três ou quatro em quatro anos. Hoje a maioria dos produtos fica desactualizado em meio ano. As empresas adaptam-se às exigências do mercado e os trabalhadores precisam de se preparar para essas mudanças. Por outro lado, as empresas não colocam só um produto no mercado. Se querem ser competitivas e fazer frente no mercado europeu têm de ter uma gama de produtos. Precisam de estar atentas aos desejos dos clientes, caso contrário, eles procuram outra empresa que lhes satisfaça as suas necessidades. O caso é ainda pior no sector das novas tecnologias, porque a inovação é muito mais rápida do que em qualquer outro sector. Os técnicos precisam de formação constante. Uma empresa não se pode dar ao luxo de dizer NÃO, senão no espaço de um ano, fica de fora. “Na área administrativa há inovações grandes que temos de acompanhar” Quem o afirma é Teresa Castro, a responsável pela gestão da formação profissional da PEC, uma holding que tem como actividades principais o abate, corte, embalagem e distribuição de carne. Está por isso, a ganhar forma um plano de formação que abrange, por um lado, a actividade fabril e, por outro, a área administrativa à qual o CITEFORMA se encontra a dar resposta. “Nunca tivemos formação profissional. Depois no dia-a-dia o trabalho sofre com isso. Há novas tecnologias que não conhecemos bem, e estou a referir-me essencialmente à informática. As pessoas acabam por auto-formar-se e tentam da maneira mais difícil e mais morosa conseguir aquilo que seria fácil se tivessem conhecimentos”. Quanto à adesão dos funcionários a uma acção de formação, Teresa Castro não hesita em realçar as vanta-


gens à partida mais visíveis: “Eu acho que são as pessoas que estão mais dentro da realidade que precisam de formação, até porque podem reconhecer que não sabem. Anseiam por isso até para não se sentirem ultrapassadas, nomeadamente quando são admitidas pessoas novas que estudaram e têm qualificações. Por outro lado, o relacionamento entre colegas durante o período de formação é muito diferente e extremamente importante. Às vezes estabelecem-se ligações que ao nível de trabalho não foram conseguidas no dia-a-dia”. Susana Pereira é quem está, actualmente, a fazer o levantamento de necessidades de formação, que servirá de base a todo o processo.

REDE Dez empresas recebem apoio de Consultores A candidatura das empresas à terceira linha do Programa REDE já foi analisada pela Estrutura de Gestão e ficaram aprovadas dez. Decorre, de momento, a fase que mais exige dos Consultores. Trata-se da elaboração de um Diagnóstico Estratégico que servirá de base ao Plano de Acções a implementar na empresa. O outro processo a desencadear em breve será o da selecção de Assistentes de Desenvolvimento Empresarial. Estes jovens recém-licenciados serão colocados nas empresas, ajudando o empresário e o Consultor a implementar o Plano de Acções. Chegaram inscrições de várias zonas do país, assim como de diversas áreas de actividade. O número considerável de pedidos de adesão acabou por justificar a entrada de mais um Consultor. António Abranches Correia junta-se, nesta edição, a José Poças Rascão nesta acção de Consultoria/Formação que irá ajudar a desenvolver as pequenas empresas do país. Logo após a recepção de candidaturas foram marcadas reuniões com os empresários. Com estas visitas os consultores procuraram esclarecer os empresários dos objectivos e âmbito de intervenção do Programa REDE. Permitiram também verificar se as empresas tinham condições, em termos de instalações, para receber um jovem recém-licenciado. O primeiro contacto foi de extrema importância para os Consultores, pois permitiu fazer uma avaliação e até mesmo uma comparação dos dados. “Começámos a ter respostas quantitativas como por exemplo o número de pessoas, recolhemos elementos para depois ver se se enquadram ou não nos parâmetros do REDE”, refere António Abranches Correia. Depois da aprovação oficial das empresas, consultores e empresários avançaram para o levantamento exaustivo dos problemas das empresas. “Nas reuniões seguintes tentámos compreender os problemas para depois apresentar sugestões. O diagnóstico foi sendo sucessivamente discutido e ajustado até à assinatura final”. Com as ideias mais claras e a realidade da empresa melhor definida é agora possível delinear o Plano de Acções a implementar ao longo do REDE. Reforçar a qualidade da gestão praticada, aceder a novas formas de organização da produção, tirar partido da introdução de novas tecnologias e beneficiar da


abertura a novos mercados são os objectivos comuns a atingir por todas as empresas envolvidas. As empresas seleccionadas REDE - Linha III ANTÓNIO LOPES DE ALMEIDA Comércio a Retalho de Ferragens e Vidro Plano Vale de Milhaços - Corroios CARVALHO & HENRIQUES CONSULTORES Contabilidade e Consultoria de Gestão Coimbra HIPERQUÍMICA Produtos Químicos e Industriais Produção e Comercialização de Produtos Químicos Loures LADOCE Indústria e Comércio Alimentar Panificação e Pastelaria. Indústria, comércio, armazenagem e distribuição de produtos alimentares e afins Sacavém PROJECTOAMI Sociedade de Estudos, Consultoria e Formação Formação e Consultoria Queluz PROMOLUZ Promoção, Reposição e Animação Prestação de Serviços: Merchandising Torres Novas PROTESEGURANÇA Protecção e Segurança de Imóveis e Bens Segurança Privada Alfragide SIMÕES & SOUSA Armazenista de Produtos Alimentares e Higiene Sacavém SOLACTICÍNIOS Distribuidora de Produtos Alimentares Comércio de Produtos Alimentares. Distribuição de Lacticínios: Queijos Sobral de Monte Agraço TEMPO REAL- Gestão e Organização de Empresas Consultoria Informática e Serviços Lisboa


Pela qualificação do povo de Timor Loro Sae Terminou, no dia 1 de Outubro, o curso de pré-formação em Promoção de Competências Sócio-Psico-Profissionais. Uma acção de formação muito especial, destinada a um grupo de jovens timorenses A grande maioria inclina-se para a informática, mas há também quem deseje enveredar pela área da mecânica ou até da electrónica. A formação que frequentaram no CITEFORMA, durante três meses, foi o primeiro passo do percurso de qualificação. Um tronco comum que visou essencialmente a melhoria de conhecimentos da língua portuguesa. O curso contou ainda com os módulos de Cultura Organizacional, Desenvolvimento Psicossocial, Introdução à Informática, Relações Laborais e Segurança Social. Segundo Susana Pereira, a coordenadora desta formação, o principal objectivo alcançado foi no plano da Promoção das Competências Psicossociais: “houve uma melhoria significativa no relacionamento dos jovens com as outras pessoas, estão muito mais desinibidos, exprimem-se com maior facilidade, embora ainda se verifique um grande handicap ao nível da língua portuguesa”. Este grupo de timorenses prepara-se agora para o processo de selecção que lhes permitirá ingressar nos cursos de qualificação para jovens. A evolução da situação em Timor foi acompanhada com preocupação, perturbando, em determinados momentos, as tentativas de manter a formação. Assim que a cabeça o permitiu, retomaram o estudo, conscientes da contribuição que poderão dar, para o reforço das qualificações do seu povo. O regresso a Timor é uma certeza. A profissionalização e o saber a validação do bilhete de ida. “Projecto excepcional no contexto da nossa actividade” “A questão dos timorenses surge por iniciativa do Centro para a Cidadania Timorense (CCT) que junto do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) tentou encontrar uma forma de enquadrar jovens timorenses em cursos de formação profissional”, refere Agostinho Castanheira, o Director do CITEFORMA. “O conhecimento que tivemos da realidade destes jovens e dos problemas específicos que eles tinham, designadamente ao nível do conhecimento da língua portuguesa, ao nível das diferenças culturais que têm em relação a nós e das dificuldades consequentes a essas diferenças na sua integração em cursos de qualificação de jovens, levou-nos a pensar e a propor ao IEFP e ao CCT uma pré-formação”. Foram constituídas duas turmas, com 12 elementos cada. Um número reduzido de formandos por turma que permitiu um acompanhamento mais próximo entre o formador e cada um dos jovens. Formação dentro e fora de portas A formação decorreu em alternância: em sala de aula e fora de sala. As visitas de estudo a diferentes organizações da estrutura social, económica, política, cultural e religiosa portuguesa permitiu-lhes adquirir uma visão lata da cidadania portuguesa em especial, e da Europeia em geral. Ao longo dos três meses de formação re-


alizaram-se as seguintes visitas: >Estádio do Sport Lisboa e Benfica > Indústria LEVER > Teatro Nacional D. Maria II > Fátima: Santuário de Fátima e Museu de Cera > Évora: Universidade de Évora > Parque das Nações: Museu Nacional dos Coches, Pavilhão de Macau, Pavilhão dos Açores, Pavilhão do Conhecimento e Exposição “Memórias da EXPO’98” > Arquivo Nacional da Torre do Tombo s Palácio Nacional da Ajuda > Jantar no “Café da Música” >Museu Nacional de Arte Antiga > SITESE > Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas > Sindicato dos Bancários do Norte > UGT

CITE'IN'FORMA Nº2  

CITE'IN'FORMA Nº2 - Novembro de 1999

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you