Page 1

CITEin´FORMA Nº12 Maio de 2002 NOTA EDITORIAL Nesta aldeia em que todos vivemos, em tendencial globalização, as distâncias vãose encurtando, as fronteiras caindo, os contactos aumentando. Cada vez mais, entramos em casa uns dos outros e, assim, maior é a necessidade em nos sabermos relacionar, em podermos transmitir as ideias, em conseguirmos passar a mensagem. No nosso mais recente papel, o de cidadãos europeus, o desafio ao contacto aumentou. Fomos espicaçados para compreender e nos fazermos compreender. A resposta passa pelo desenvolvimento da aprendizagem de línguas, de forma a se promover a compreensão mútua. Em muitos casos, porém, torna-se imperativo motivar, estimulando os que estão implicados não só na aprendizagem como, também, no próprio ensino das línguas. O Formador, pela sua capacidade técnica, pedagógica e social, é um elemento chave neste processo de ensino/ aprendizagem. Dele depende muito do êxito dos resultados da formação. Daí o interesse em fornecer-lhe a capacidade de melhorar a transmissão das competências técnicas que possui, de o ajudar a ser um impulsionador e um motivador da aprendizagem por parte dos formandos. O CITEFORMA, na sua actividade como entidade formadora, tem um papel importante a desempenhar neste processo. E tem-no feito. O desafio é que o continue a desenvolver, motivando, melhorando e contribuindo, assim, para uma sociedade em que a falar nos entendemos cada vez melhor! Dr. Carlos Dias Pais Presidente do Conselho de Administração do CITEFORMA NOTÍCIAS CITEFORMA Avalia Formação na REFER O CITEFORMA foi a entidade escolhida pela REFER- Rede Ferroviária Nacional para criar um modelo de avaliação da formação e aplicá-lo durante o ano de 2002. Com este passo, a REFER dá início a um processo de avaliação relativo à formação profissional que vem assegurando aos seus trabalhadores. Concluído o processo de valorização pessoal e profissional, importa determinar o impacto desta formação, no desempenho individual e no desempenho global da empresa. Joaquim Lavadinho é o coordenador do grupo técnico deste trabalho. Levantamento de Necessidades de Formação O CITEFORMA está a desenvolver um Diagnóstico de Necessidades de Formação com o intuito de reajustar a oferta formativa actual e definir a estratégia de formação até 2005.


Os resultados deste Levantamento de Necessidades, bem como a metodologia utilizada serão apresentados, pelo Departamento de Formação, durante a segunda quinzena de Maio, no âmbito de um painel de especialistas em Recursos Humanos a realizar nas instalações do SITESE. Pretende-se com essa sessão, aferir os dados recolhidos e, simultaneamente, analisar os défices de qualificações profissionais das áreas de intervenção do CITEFORMA e respectiva evolução prospectiva dos contextos profissionais. Certificação de Formadores em Portalegre O CITEFORMA concluiu, no dia 13 de Abril, uma acção de Formação Pedagógica de Formadores em Portalegre. De acordo com o que foi possível apurar, na sessão de encerramento, esta acção teve avaliação muito positiva tanto da parte dos formadores como dos formandos. Segundo nos confirmou Fernando Rebola, o coordenador do curso “A turma é muito homogénea. São jovens, quase todos com formação superior já concluída ou em fase de conclusão. Só dois elementos tinham 12º ano, mas com uma experiência profissional que não os colocou em desvantagem em relação aos outros. E estavam muito motivados. Muitos deles tinham já propostas para avançar enquanto formadores e portanto, tudo isto junto deu origem a um grupo de formação com o qual foi muito fácil de trabalhar e cujos resultados foram muito bons. Penso que isso vai-se revelar na avaliação final, mas das avaliações que já tenho em mãos, penso que todos eles conseguiram alcançar os objectivos que tínhamos proposto de forma muito satisfatória”. O desafio colocado a Fernando Rebola para a constituição de uma equipa de formadores na região de Portalegre, não se revelou tão problemática quanto poderia parecer no início. “Não é difícil encontrar pessoas qualificadas para o fazer. Pela via das instituições de ensino que existem em Portalegre, nomeadamente, o Instituto Politécnico de Portalegre, o I.E.F.P. e pelas restantes instituições, nós conseguimos formar com alguma facilidade as equipas de formadores”. As maiores dificuldades vieram do regime de exclusividade a que alguns profissionais da área estão afectos “e esse regime pode ser impeditivo de formações por períodos mais longos, ou acumulações sistemáticas. Mas mesmo assim, pelo facto de ser uma cidade pequena, é mais fácil a constituição de equipas. Nós conhecemo-nos!” refere o coordenador, com um sorriso nos lábios. Os formandos: Sandra Rodrigues “Estou a terminar a Licenciatura em Assessoria de Administração. Gostava de poder dar formação nessa área, e pela pesquisa que fiz, não há muita formação em Secretariado, Assistente ou Assessor na região. O que me correu pior, neste curso, foi a autoscopia inicial. O que correu melhor foi a final. Mas isso penso que é óbvio.... de um modo geral, todos melhoraram. “ Ana Raquel Relvas “O curso correu lindamente. Descobri uma capacidade especial: falar em público. Desconhecia que conseguia falar tão bem....”


Marco António Antunes “Já tinha dado formação, quando não era obrigatório ter o certificado e gostava de voltar. A maior parte das pessoas acham que eu tenho um certo jeito. Apesar de estar a trabalhar no ramo da qualidade e da industria a minha vocação inicial era o ensino.” PERCURSOS FORMATIVOS “Uma boa aposta” O Departamento de Formação confirma as melhores expectativas: a avaliação dos percursos formativos é positiva. “Foi uma boa aposta, ainda que signifique um acréscimo das exigências ao nível do acompanhamento da formação” afirma Cristina Tavares, responsável pelo Departamento de Formação do CITEFORMA. “As intervenções just in time em acções de curta duração são decisivas para o sucesso das mesmas. O que já não é tão visível na formação de longa duração em que é possível recuperar no módulo seguinte as fragilidades do anterior”. A necessidade de articulação entre o departamento de formação, os coordenadores dos percursos e os formadores cresceu também, com o desenvolvimento desta nova organização da formação. Há inclusivamente, a participação dois coordenadores no mesmo percurso. Acontece com as acções de conhecimentos transversais ao perfil, como por exemplo: Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho no percurso de Técnicos de Desenvolvimento de Aplicações em LAN/NT ou o curso de Gestão e Administração de Servidores Windows no percurso de Web Architecture Management & Security. O êxito desta modalidade assenta também na boa relação entre os intervenientes. Claramente favorecidos, estão os formandos, que podem optar por uma formação mais curta, e centrada nas suas necessidades específicas. A flexibilidade deste modelo, permite que cada um estabeleça as suas metas e aprofunde conhecimentos na área pretendida. Não há limite de tempo estabelecido para a conclusão destes percursos e no momento em que o formando entender, uma vez reunidos os requisitos mínimos, solicita a emissão do documento comprovativo do percurso. “Mais do que ensinar ferramentas, o CITEFORMA está a formar competências” Fernando Gonçalves, um dos coordenadores dos percursos, dá-nos conta dos resultados positivos que tem vindo a registar: “Logo no primeiro curso entraram muitas pessoas, sem grandes conhecimentos na área, que pretendiam obter uma especialização. Esse primeiro curso derivou em dois percursos, com exigências mais elevadas em termos de conhecimentos. A possibilidade de entrar num nível mais avançado, suscitou nova vaga de inscrições. Depois à medida que o percurso decorre, e uma vez que se trata de cursos autónomos, há casos de, por exemplo, ex-formandos do CITEFORMA que vêm frequentar um módulo específico, como complemento a uma formação anterior. Ou técnicos, com carência de competências


em áreas muito específicas.” Esta situação veio resolver problemas que se vinham a registar em cursos anteriores, de extensa duração: “com muito esforço, os formandos conseguiam cumprir todo o programa” refere Fernando Gonçalves. Acrescentando que muitas vezes, a meio da acção havia candidatos a determinados módulos, que pela própria organização do sistema, não os podiam frequentar. “Não se estava a aproveitar quem já tem conhecimentos em determinadas áreas”. Vítor Santos, coordenador dos percursos da área da Internet é da mesma opinião: “é muito difícil, para um profissional, cumprir com rigor, durante muito tempo, um horário fixo, ainda que pós-laboral. O facto de poder decidir se faz agora um curso, ou depois, tem facilitado muito a vida aos formandos. Penso que as pessoas estão a aderir a este sistema porque ele é compatível com os seus interesses pessoais e profissionais”. Os três percursos que coordena, destinados aos novos profissionais da Internet, são de construção totalmente livre: não há cursos obrigatórios nem precedências. No entanto, é necessário reunir um número mínimo de créditos para obter a certificação. Esta flexibilidade permite que, por exemplo, o percurso de Web Applications Development seja orientado para Java ou para Microsoft. Ou ainda nas duas vertentes, se o formando decidir frequentar todos os cursos que o constituem. “Mais do que ensinar ferramentas, o CITEFORMA está a formar competências”. E as pessoas, hoje em dia, têm interesse em ganhar competências em determinada área, porque procuram uma valorização e um reconhecimento profissional dentro da empresa onde trabalham, ou simplesmente porque pretendem mudar de actividade. Novos desafios para os formadores Também o papel do formador é mais exigente, uma vez que o painel de formandos vai variando. A matéria é estruturada de forma a preencher as necessidades específicas de cada formando, e não numa linha de continuidade entre módulos, tal como acontecia anteriormente. Nesse sentido, tem sido desenvolvido um esforço suplementar da parte do Centro no sentido de sensibilizar pedagogicamente os formadores para os novos desafios. “O Núcleo de Desenvolvimento Pedagógico tem material de trabalho que emerge desta nova organização da formação” refere Cristina Tavares. A opinião dos Formandos José Paulo Cruz “Por questões profissionais, por vezes não podemos frequentar uma formação muito longa. Esta modalidade permite-nos adiar a frequência de determinado curso sem comprometer o objectivo final que é a certificação.” Pedro Leite “O meu interesse neste percurso é a especialização que se obtém. Em vez de fazer cursos aleatoriamente até conseguir um determinado conjunto de conhecimentos, estou a seguir um objectivo concreto, que é a especialização em Oracle.” Manuel Domingos


“Escolhi fazer este percurso por causa dos cursos de Segurança de Redes de Dados. É essa a área específica que pretendo desenvolver. Mas também considero interessantes os restantes cursos, relacionados com a Web, que compõem o percurso de Web Architecture Management & Security.” Cândido Gonçalves “Sou desenhador de Autocad e Microstation. O meu interesse neste percurso prende-se com a necessidade de ter uma maior abrangência de conhecimentos na área do Web design. Penso que os cursos autónomos servem apenas os interesses de quem trabalha na área e pretende dominar uma determinada ferramenta.” TEMA: LÍNGUAS LÍNGUA ESPANHOLA Espanhol nos cursos de Secretariado O CITEFORMA está a estudar a hipótese de incluir módulos de língua espanhola nos cursos de qualificação para jovens da área do secretariado. “O relacionamento comercial e económico com Espanha justifica uma nova abordagem à importância da língua” refere Agostinho Castanheira, director do CITEFORMA. A introdução desta língua nos cursos de Técnico de Secretariado e Técnico de Secretariado e Burótica é a resposta à rede viva de mudança de competências que se regista no mercado, e à qual o CITEFORMA está atento. “Normalmente, todos os portugueses pensam que falam espanhol. É preciso desenganá-los” O domínio da língua espanhola é uma habilitação cada vez mais valorizada no contexto profissional. O desenvolvimento económico do país vizinho e o relacionamento comercial crescente a que assistimos, em muito tem contribuído para a necessidade efectiva de saber escrever e falar correctamente a língua. A realidade fala por si: o espanhol é o idioma oficial de 20 países e conta com cerca de 350 milhões de falantes no mundo. Enquanto língua de comunicação internacional ocupa o segundo lugar, admitindo-se já que tenha tirado o lugar ao francês. Na tentativa de perceber melhor este fenómeno recente, falámos com Casto Fernández Dominguez, Jefe de Estudios do Instituto Cervantes em Lisboa. CITE’IN’FORMA: Qual a razão deste crescente interesse pela língua espanhola? Trata-se de um esforço de marketing, ou de uma necessidade imposta pela realidade? Casto Fernández Dominguez: Eu penso que é uma constatação da realidade, porque o Instituto Cervantes não tem um orçamento muito alto. Nós tentamos satisfazer os pedidos de procura, mas contamos com poucos meios. Há, inclusivamente muitos países a pedir um Instituto Cervantes e não temos meios. O impulso, como se sabe, vem dos Estados Unidos da América, onde o espanhol é a segunda língua. Só aí conta com 30 milhões de falantes, fazendo com que seja o quinto país de língua espanhola.


CF: E em Portugal, como avalia a procura de cursos de língua espanhola no Instituto Cervantes? CFD: O Instituto Cervantes está em Portugal há dez anos e a procura tem sido crescente. Há poucos anos tínhamos 600 matrículas por ano e agora temos 1700. O crescimento tem sido rápido e poderia ser maior. Neste momento, estamos com falta de salas. Damos aulas em horário pós-laboral e aos sábados, e já estamos a utilizar a biblioteca e a sala de professores. O desejável seria a mudança de instalações, hipótese que estamos a ponderar. Penso que tradicionalmente, em Portugal não se estudava espanhol porque era uma língua demasiado próxima. E agora começa-se a perceber que tem interesse pelo lado profissional e também como língua internacional. CF: E os portugueses inscrevem-se no nível para iniciantes, ou têm facilidade em entrar para níveis mais avançados? CFD: Normalmente, todos os portugueses pensam que falam espanhol. É preciso desenganá-los. É verdade que nos entendem, e que nós não entendemos os portugueses. Já expliquei muitas vezes os motivos linguísticos. Já tenho ouvido que somos muito arrogantes....mas não! É um problema de vogais. A língua portuguesa tem quatorze vogais e a espanhola tem cinco. As nossas vogais são abertas e claras: a-e-i-o-u. A língua portuguesa, tem muitas, mas a tendência é para pronunciá-las muito rápido. Então o espanhol fica...desorientado...realmente não entende! É verdade que são línguas muito próximas e que qualquer português percebe muito de espanhol, mas se calhar não é assim tanto como ele pensa. Ás vezes criam-se situações cómicas, equívocos, porque o português que acha que fala espanhol está muitíssimo enganado. Por exemplo, no outro dia, na televisão um apresentador falava um “portunhol” que o desgraçado do espanhol não entendia. Os portugueses dizem segunda-feira, terça-feira, quarta-feira.... enquanto que para os espanhóis é lunes, martes, miércoles....mas o apresentador não sabia isso. E dizia, “que hace usted segunda e tercera?” Portanto, os nossos candidatos a estudantes fazem uma prova de avaliação e comprovam de seguida que não sabem nada! Se não estudaram, não sabem. Então têm de começar pelo princípio. Temos 4 níveis: inicial, intermédio, avançado e superior. E cada nível tem dois cursos de 60 horas. São 120 horas por nível. No total são 480 horas. C: As pessoas inscrevem-se maioritariamente por curiosidade pessoal ou precisam efectivamente, em termos profissionais? CFD: Penso que uma percentagem alta é por razões profissionais. Há empresas que valorizam o facto de se saber espanhol, porque é necessário que a pessoa fale ao telefone, ou redija. Ler, mais ou menos, podemos dizer que se consegue fazer bem, agora escrever não é possível. E as pessoas descobriram que, em muitas empresas, têm mesmo de aprender espanhol. Basta olhar para as Páginas Amarelas. Eu próprio o fiz o ano passado e havia quinze escolas a oferecer espanhol. Isto não acontecia há três ou quatro anos. CF: Quais são maiores dificuldades dos portugueses na aprendizagem da língua? Para além dessa convicção de que já sabem falar espanhol... CFD: Realmente não é muito complicado, há apenas alguns equívocos na comuni-


cação. Por exemplo, no tratamento, o espanhol de hoje é muito informal. Utilizamos muito o “tu”. E isso às vezes surpreende os portugueses. Por vezes, dizem-nos que falam ao telefone e alguém que não os conhece trata-os por “tu”. Tentamos que percebam que isso é normal, que os colegas nas empresas tratam-se por “tu”, especialmente nos tempos mais recentes. Mas também os advertimos que isso não acontece na América. Por exemplo no México o tratamento é parecido ao português e nas aulas de níveis superiores falo sempre do tratamento com o “você”, para que se habituem. Porque pode acontecer que o interlocutor não seja um espanhol, mas um mexicano, um colombiano ou um argentino... e aí mantêm-se o “você”. Não é que não se use em Espanha, mas digamos que a tendência é para acabar. Penso que seja resultado da democracia, este sentimento igualitário favoreceu uma maior presença do “tu”. C: Tradicionalmente, era o francês a segunda língua de comunicação. Acha que, neste momento, já cedeu o lugar ao espanhol? CFD: Sim, o Presidente Mitterrand, num dos seus últimos discursos, teve a nobreza de reconhecer que o francês, decididamente, estava a cair como língua internacional e que o lugar estava a ser ocupado pelo espanhol.

Importância da Correcção Linguística Reflectindo sobre o estudo das Línguas depois de lermos” A EUROPA das LÍNGUAS” “ Enquanto as Línguas existirem, elas continuarão a trocar palavras sem medo de perdera a sua alma, PORQUE UMA LÍNGUA QUE VIVE É UMA LÍNGUA QUE DÁ E RECEBE” Citamos Henriette Walter* Sobre A DEFESA da CORRECÇÃO LINGUÍSTICA e TENDÊNCIA PARA CONVERGÊNCIA Nos países europeus as lamentações e os protestos pela diminuição do nível da linguagem utilizada pelos cidadãos são cada vez mais frequentes. Quanto à expressão oral: > pobreza de vocabulário > excesso de neologismos e estrangeirismos (os anglicismo em primeiro lugar) > sintaxe empobrecida > diálogos reduzidos a frases curta e estereotipadas Quanto à expressão escrita: > indiferença pela ortografia (que dantes era considerada o primeiro sinal de instrução) > incapacidade de ordenar as ideias num texto coerente. As críticas dirigem-se preferencialmente aos meios audiovisuais; à imprensa (no caso da língua escrita); quanto à rádio e à televisão, o próprio facto de utilizarem


a linguagem oral já quer dizer que utilizam uma linguagem menos normativa que a escrita. Tendem para a espontaneidade nas emissões e isso significa o dar preferência à linguagem de rua, sem se preocuparem com a sua correcção. Todavia a rádio e a televisão não só utilizam a linguagem na forma oral como também tentam aproximar-se da linguagem do ouvinte. Cedem-lhe a palavra, renunciando a exercer uma função pedagógica e limitando-se a reflectir a língua popular (potenciando com este procedimento os desvios em relação à linguagem culta.) Em resumo, afirma-se que os meio de Comunicação Social renunciaram a cumprir a função de modelos da língua correcta e limitam-se a divulgar a linguagem da rua, contribuindo para a decomposição da língua. Que havemos de pensar destas críticas: a História ensina que as discussões entre conservadores e inovadores em matéria de LINGUÍSTICA são frequentes, desde o séc. XVII - lamentações pela decadência da forma linguística e pelo abuso de estrangeirismos. Estas discussões não fazem mais do que pôr em relevo a natureza profunda da linguagem que (como todas as realidades sociais) está submetida a pressões internas: umas conservadoras para manter a unidade e a continuidade, outras renovadoras e desagregadoras em múltiplas direcções - a evolução de uma língua. Tudo leva a crer que, apesar dos protestos, das críticas, as línguas europeias continuarão a evoluir, com uma forte pressão tanto na expressão oral sobre a escrita, como do uso popular sobre o uso culto (e com uma grande penetração de anglicismos em todos os campos - especialmente no TÉCNICO). O que se pergunta é se esta evolução conduzirá a uma progressiva convergência das línguas europeias. Que a introdução se faça a partir do inglês pode resultar do facto de que muitas inovações nascem em ambientes anglo-saxónicos. (Estas realidades técnicas estão hoje presentes em todo o mundo e é natural que sejam “nomeadas” da mesma maneira) Porém, não é só a técnica que se universaliza e em muitos outros aspectos da vida contemporânea (da alimentação aos espectáculos, do desporto, aos meios de comunicação) a influência anglo-saxónica é evidente e com ela a introdução do vocabulário inglês. Temos razões para falarmos de um processo de convergência entre as línguas europeias - isto desde a Idade Média, desde que as línguas começaram a ter um maior contacto, e todas nós participamos numa história comum; um processo lento, fomentando a comunicação entre falantes de língua diferentes. Assim: a pluralidade linguística fará com que continue a ser necessário aprender (dominar) línguas ou, na sua falta, haver quem as traduza. Texto de Marília Pimentel Teixeira *A Aventura das Línguas do Ocidente, Henriette Walter. Edições Terra-mar1996,


prefácio do Prof. José Victor Abragão. REDE Consultores trabalham região do Alentejo A zona de Beja, e o eixo Évora/ Alcácer do Sal são os destinos que os consultores do Programa REDE, do CITEFORMA, escolheram este ano, para prestar o seu serviço de apoio e consultoria às empresas. As oito entidades escolhidas são resultado de um esforço extraordinário de prospecção de terreno, consequência das restrições impostas nesta edição pela Estrutura de Gestão do REDE, de exclusão de empresas da região de Lisboa e Vale do Tejo. “Fomos para uma área desconhecida, sem referências, o que dificultou muito a tarefa” afirma Abranches Correia, um dos Consultores. O fraco desenvolvimento industrial e comercial da região constituiu a primeira barreira, à qual se juntou a falta de informação sobre o programa em si e a indisponibilidade dos empresários para acompanhar uma iniciativa deste tipo. Em edições anteriores, os empresários tomavam conhecimento do programa através dos seminários promovidos pelo CITEFORMA. A discussão de situações concretas de empresas participantes e a possibilidade de confrontar as suas dúvidas directamente com o Gestor do REDE, quase sempre presente nestas acções, gerava confiança aos empresários. Para muitos, esse primeiro convite foi o início da relação com o CITEFORMA e com o REDE. Optimistas quanto ao futuro, os consultores consideram que a fase mais difícil está a ser ultrapassada: “ Esta experiência, permite-nos preparar o terreno para futuras Participam nesta edição as seguintes empresas: nome Aparroz, Lda.

Electro Planície, Lda. Galcar L.A. Galvão Fontes & Filhos, Lda.

sector de actividade Comercialização de produtos agrícolas Carregamento de Cartuchos de Caça e Competição Instalações Eléctricas Informática Metalomecânica e Serralharia de Alumínios

Miguel & Miguel, Lda.

Transformação de Carnes

Sulnet, Lda. Super 17, Lda.

Solução e Redes Informáticas Comércio e Serviços Auto

Cartuchos Sulbeja, Lda.

local Alcácer do Sal Beja Beja Estremoz Torrão Vila Nova de S. Bento Beja Évora

FISCALIDADE A FISCALIDADE NO PROGRAMA DO NOVO GOVERNO

edições”. O Alentejo é, definitivamente, uma das área de intervenção prioritárias. Contribuir para o desenvolvimento desta região é um dos objectivos do CITEFORMA. De acordo com o Programa de Governo apresentado à Assembleia da República,


o Governo adoptará, na área da fiscalidade, as seguintes medidas consideradas essenciais: - a revisão integrada da tributação do património imobiliário (sisa e contribuição autárquica), conferindo maior lógica e equidade, acabando definitivamente com a falta de verdade fiscal, propiciada e até incentivada pelo actual sistema; - a clarificação e estabilização da tributação do mercado de capitais, o que significa, em matéria de tributação de mais valias, a revogação, pura e simples, da decisão tomada pelo Governo anterior no ano 2000 (a qual se encontra apenas suspensa) e, em consequência, manter o regime de aplicação da taxa liberatória de 10%; - a aplicação justa e efectiva da política fiscal, de forma a reduzir drasticamente os fenómenos da evasão fiscal e da economia paralela, nomeadamente através da proibição da concessão de incentivos ou benefícios fiscais às pessoas singulares ou colectivas que hajam sido condenadas pela prática de crimes tributários; - a introdução de um regime de fiscalização rigoroso de todos os contribuintes que apresentem resultados negativos e que se afastem significativamente dos indicadores médios da actividade; - o aperfeiçoamento do modelo de relacionamento entre a administração fiscal e os contribuintes, nomeadamente através da simplificação dos processos de decisão sobre as reclamações graciosas, com reforço das garantias e direitos dos contribuintes; - a garantia, no âmbito do contencioso tributário, de uma justiça fiscal efectiva no plano crítico da celeridade e das decisões em tempo útil, através de uma maior especialização de juizes e estabilidade da sua colocação nos tribunais tributários. Por último, uma vez corrigida a situação económica e financeira com que hoje o País se defronta, e que tenha permitido o cumprimento adequado do Programa de Estabilidade e Crescimento, serão desenvolvidas políticas de natureza fiscal com vista à redução da tributação da poupança, em linha com o verificado na generalidade dos países europeus, e à redução significativa da tributação sobre as empresas, destacando-se que até 2004 o Governo adoptará medidas fiscais de estímulo à maior competitividade da economia, nomeadamente a redução para 20% da taxa do IRC. Texto de Fernando Cordeiro APONTAMENTO CULTURAL por Dulce Matos Os Teatros também têm vida A ideia da rubrica deste trimestre nasce precisamente duma recente entrevista con-


cedida por Raul Solnado à televisão. Questionado sobre o que teria representado para ele, ao longo do seu percurso de verdadeiro homem de teatro, a fase de empresário, a lucidez e a modéstia habituais não lhe permitiam “exibir” (como tantos o fazem) a importância que o seu teatro - o Villaret - teve na vida cultural portuguesa. E assim dei comigo a evocar - como se tratasse de um filme - alguns dos mais significativos acontecimentos que tiveram lugar naquele espaço cénico (e que sempre honraram o nome de João Villaret - referência impar como diseur de poesia e que teve como continuador o, às vezes “mal amado” e injustamente esquecido Mário Viegas). Começo por lembrar o inesquecível Zip-Zip, sem dúvida um dos mais interessantes e geniais programas que a RTP produziu até hoje! A equipa constituída por Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia (contava ainda com a colaboração de Almada Negreiros) trouxe até nós, entre outros, Vinícius de Morais, Chico Buarque e o último sedutor do séc. XX (como lhe chamou Fernando Dacosta) o mestre, o filósofo, o pensador Agostinho da Silva. E foi neste programa que Adriano Correia de Oliveira se estreou na televisão. No que respeita a peças de teatro, para além da estreia do Super-Silva com Rui Mendes e João Mota, as crianças não foram esquecidas, uma vez que Emílio e os Detectives constituiu um grande sucesso. A Companhia Portuguesa de Comediantes levou à cena As Raposas de Lillian Hellman em versão portuguesa de José Palla e Carmo, com encenação e direcção de Rogério Paulo. “Livrai-nos das raposas, das pequenas raposas, que estragam as vinhas, porque as nossas vinhas têm uvas tenras” (in A Bíblia - Cântico dos Cânticos - cap II - Versículo 15); Verão e Fumo de Tenesse Williams com tradução de Costa Ferreira e encenação e direcção do brasileiro João Bettencourt. O elenco era “de luxo”: Eunice Munoz, João Perry, Rogério Paulo, Canto e Castro, José de Castro e Maria Lalande. Vasco Morgado e Raul Solnado são os responsáveis pela representação de António Marinheiro (O Édipo de Alfama) de Bernardo Santareno que para além da encenação de Costa Ferreira e cenários de Octávio Clérigo, conta com um conjunto de actores extraordinário: Eunice Munoz, Maria Lalande, João Perry, José de Castro, Glória de Matos e Henriqueta Maya. De assinalar que a música é de Carlos Paredes. Finalmente pretendo falar do espectáculo Liberdade, Liberdade concebido por Millôr Fernandes (um dos maiores humoristas brasileiros de todos os tempos) e Flávio Rangel, para o Brasil de 1965. E do arrojo de Raul Solnado que encontrando-se no Brasil, o sentiu na pele e convida Luís de Lima para o montar no seu Teatro Villaret. O texto constava de colagens de citações, poemas, canções, fragmentos de peças de várias épocas e estilos sobre o tema da liberdade. A nossa versão (substitui obviamente muitos dos textos brasileiros) e surge enquadrada na situação portuguesa, com destaque para episódios como: um “acto de teatro campesino”; o debate na Assembleia Nacional; o caso da Capela do Rato; a referência aos movimentos de libertação das colónias portuguesas; o processo movido contra Aquilino Ribeiro e o episódio sobre o Chile. Os poemas eram de Ruy Cinatti, Miguel Torga, Alexandre O’Neill, Manuel Alegre, Manuel Bandeira, Vinícius de Morais, Drummond de


Andrade, Aragon, Paul Eduard e as canções de Zeca Afonso, Vítor Jara e Fernando Lopes Graça. Nota final: Em cena no Teatro Villaret, de momento, encontra-se a peça Três Versões da Vida, de Yasmina Reza, com Miguel Guilherme, Rita Blanco, Adriano Queiróz e Rita Lello. Rita Lello, uma das mais empenhadas actrizes do momento, não se dedica apenas à representação, mas continua a sua tarefa de tradutora. Strindberg parece ser um dos seus autores de eleição, pois além de intérprete traduziu a Menina Júlia e tem neste momento em mãos a tradução de A Grande Estrada. Quero ver em tudo isto um sinal de esperança e de que a Vida do Teatro Villaret tem continuadores à altura. TÉCNICAS DOCUMENTAIS A Memória de Gil Vicente Na Comemoração dos 500 anos do Auto do Vaqueiro Sabemos que Paula Vicente abandonou o seu Posto de Trabalho na corte da Infanta D. Maria, em 1536, e acompanhou o pai quando ele se retirou para a Quinta do Mosteiro, nos arredores onde hoje fica Torres Vedras, para prestar colaboração na organização e pesquisa de todos as obras de Gil Vicente, trabalho pedido pelo rei D. João III. Depois da morte de Gil Vicente, em 1540, esta grande tarefa foi completada por Paula Vicente e o irmão Luís Vicente; um longo período de pesquisas que ocupou vinte anos. À luz do Saber actual em Técnicas Documentais os nossos escritores e historiadores discutem e criticam a qualidade de execução da Tarefa, correspondendo à “Compilação das 50 peças de Gil Vicente”, completada e publicada em 1562! Por exemplo, segundo a opinião de Duarte Ivo Cruz, in “ História do Teatro Português”, a p. 38: “são quase 50 peças... A respectiva Classificação ou a arrumação constituem outro daqueles problemas de certo modo marginais, que têm feito degladiar os estudiosos.” “A Compilação de 1562, organizada por Luís e Paula Vicente, filhos do dramaturgo, além de ser incompleta, divide arbitrariamente a obra do Mestre Gil em 4 grupos: obras de devoção, comédias, tragicomédias e farsas.” “Não há rigor no critério, nem ele nos parece claro. O esquema empírico simplicíssimo, do próprio Gil Vicente que agrupa o caudal dramaturgico em farsas, comédias e obras de devoção” Paula Vicente recebeu em 1561 o “privilégio”* das obras do seu pai. Actualmente os estudiosos que procuram “descritores” para uma Base de Dados “Gil Vicente” a partir de uma leitura activa dos textos e de uma investigação docu-


mental, propõem 150 termos técnicos na Obra Vicentina. *Privilégio = a Direitos de Autor Por Marília Pimentel Teixeira LEGISLAÇÃO SOBRE TRABALHO, SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL Decreto-Lei nº35/2002 de 19 de Fevereiro (Série A): Define novas regras de cálculo para as pensões de invalidez e velhice a atribuir pelo sistema de solidariedade e segurança social no âmbito da nova Lei de Bases da Solidariedade e Segurança Social. Decreto-Lei nº58/2002 de 15 de Março: Altera o artigo 122º do Decreto-Lei nº49 408, de 24 de Novembro de 1969, no que se refere à admissão ao trabalho de menores com idade igual ou superior a 16 anos. Portaria nº296/2002 de 19 de Março: Define o regime de acesso à concessão de apoios pelo Fundo Social Europeu. Decreto-Lei nº67/2002 de 20 de Março: Atribui competência para a constituição de um sítio na Internet de publicitação de oferta de emprego na área científica e tecnológica, determinando o tipo de informação que nele deve constar. Resolução do Conselho de Ministros nº59/2002 de 22 de Março: Define uma rede nacional de cuidados continuados integrados destinada a desenvolver respostas integradas de cuidados de saúde e de apoio social para pessoas em situação de dependência, qualquer que seja o grupo etário a que pertencem ou a causa de dependência. Portaria nº353/2002 de 3 de Abril: Estabelece os valores e critérios de determinação das comparticipações das famílias na frequência de estabelecimentos de educação especial por crianças e jovens com deficiência. Por Rogério Pacheco

CITE'IN'FORMA Nº12  

CITE'IN'FORMA Nº12 - Maio de 2002