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CITE’in’FORMA Nº10 Novembro de 2001 NOTA EDITORIAL Vão ganhando contornos cada vez mais precisos os novos percursos formativos em que se desdobra a planificação da actividade do CITEFORMA. Esta filosofia da oferta pretende favorecer a individualização de perfis formativos, ajustando-os às necessidades concretas de cada destinatário. É certo que esta nova aposta terá limitações impostas pela nossa capacidade logística e pelos recursos materiais e humanos disponíveis. Esperamos, no entanto, que corresponda a uma verdadeira mudança qualitativa, motivadora e interessante para quem dispõe dos serviços do CITEFORMA. De facto, num mundo cada vez mais exigente com as pessoas, todo o possível deve ser feito para tornar menos gravosa para o bem-estar de cada um, essa necessidade de permanente actualização e aperfeiçoamento profissional. Agostinho Castanheira Director do CITEFORMA

NOTÍCIAS CITEFORMA na Torre do Tombo O curso de Técnico de Secretariado e Burótica está a preparar um documento sobre o CITEFORMA para integrar o arquivo histórico da Torre do Tombo. Esta iniciativa surgiu no decorrer da visita de estudo que estes formandos realizaram à Torre do Tombo em Março deste ano. Os serviços desta instituição propuseram aos futuros Técnicos a realização de um livro sobre o organismo onde se encontram a frequentar a formação. Segundo Isabel Ryder, a coordenadora do curso, esta iniciativa teve seguimento, uma vez que a sua execução ia ao encontro dos próprios objectivos do curso: “os formandos fazem uso das aplicações informáticas de escritório, desenvolvendo os conhecimentos de tecnologias de comunicação e de informação ministrados. Por outro lado, exercita-lhes a capacidade de expressão oral e escrita em português”. O documento é, neste momento, matéria de trabalho no módulo de Projectos e encontra-se em fase de conclusão. Toda a concepção tanto de forma como de conteúdo é da responsabilidade dos formandos. O trabalho divide-se entre a caracterização do Centro (origem, missão, história) e a sua actividade formativa. No âmbito da formação de Jovens, os formandos desenvolveram um dossier de pesquisa. Incluiu a realização de inquéritos a formandos e formadores onde procuram caracterizar a importância dos cursos para quem os frequenta, complementados com a opinião


de quem os lecciona. Esses resultados foram objecto de tratamento estatístico, devendo as suas conclusões figurar no documento. Parceria superemprego O CITEFORMA estabeleceu contactos com o Superemprego (portal de oferta de emprego), por forma a impulsionar junto do mercado de trabalho, o percurso profissional e competências dos seus formandos. Com efeito, o Gabinete de Psicologia está a receber, desde o passado mês de Outubro, currículos de formandos e ex-formandos do Centro com o intuito de os divulgar neste espaço. O contacto a estabelecer entre os potenciais empregadores e os formandos é feito através do CITEFORMA, permitindo também, dar resposta aos pedidos de emprego que regularmente chegam a esta instituição. “A receptividade a esta iniciativa foi bastante boa” refere Isabel Diogo, responsável pelo Gabinete de Psicologia “os formandos mostram-se interessados em novas oportunidades profissionais, e encontram neste serviço, o meio credível e seguro de o fazer”. Calendários 2002 Os futuros Técnicos de Comunicação Multimedia começaram já a dar mostras das suas capacidades. A resposta ao pedido de propostas para a realização dos calendários do CITEFORMA para 2002 foi elevada. Da cerca de meia centena de trabalhos apresentados, a direcção seleccionou dois. GESTÃO DO TEMPO Gerir o tempo..... e não só! “Os homens vivem como se fossem morrer e morrem como se não tivessem vivido” Confúcio Há cada vez mais profissionais preocupados com a gestão do uso do tempo. Durante os cursos de Gestão Eficaz do Tempo ministrados, têm sido suscitadas duas questões aos grupos, que constituem objecto de afirmações, especulações e sobretudo de dúvidas. A primeira delas remete-nos para uma reflexão no mínimo intrigante. Se a tecnologia tem facilitado cada vez mais a nossa vida, e poupado de inúmeras tarefas repetitivas e rotineiras, onde estaremos a empregar esse tempo que sobra, uma vez que padecemos irremediavelmente da falta de tempo para fazer tudo que gostaríamos e uma boa parte do que deveríamos? A título de exemplo, desde os primórdios da humanidade até ao ano de 1880, a velocidade mais elevada que o homem conseguiu alcançar foi de 106 quilómetros/ hora, com um tipo de locomotiva mais aperfeiçoado. Em menos de 100 anos, essa velocidade passou para 29.000 quilómetros/ hora, no início da década de 1970, com a corrida rumo à lua. Este último século proporcionou, também, um avanço da capacidade de comunicação humana milhares de vezes superior à soma de toda aquela conseguida até há um século atrás. O que é que, então, fazemos com o tempo que sobra? - Não. Não temos resposta para essa questão. Provavelmente existiam infinitas respostas, cada uma pertinente à forma como as pessoas ou grupos de pessoas lidam com a tecnologia que têm ao seu alcance. Nos debates, com os grupos, surgem diversas explicações para este fenómeno: a) o homem incorpora tão rapidamente a tecnologia, que reordena o contexto, anulando os seus efeitos; b) ou


então, esses efeitos não são distribuídos de forma igualitária pela população e as pessoas vivem ciclos diferentes de avanços, dificultando a padronização do comportamento e portanto o usufruto do benefício; c) outros mais radicais dizem que todas as máquinas ao serviço do homem evoluíram ao longo dos anos, mas a única máquina inalterada continua a ser o próprio cérebro humano (“Nos últimos 4 biliões de anos continua praticamente na mesma”). E afirmam-no indiferentes ao facto de ter sido essa velha máquina que inventou todas as máquinas modernas que conhecemos e utilizamos; d) há também os que defendem a tese de que a evolução da tecnologia em benefício do tempo consumido pelo homem, acaba por gerar uma carga adicional de ansiedade, resultado de uma competição velada entre o homem e a máquina, onde para não se subordinar àquela, o homem, supera-se em necessidades que as máquinas por mais rápidas que sejam, são incapazes de satisfazer. Isso explica a impaciência pelo imperdoável atraso de 15 minutos na partida do avião para o Porto; o ataque de raiva pelos justificáveis 30 segundos de espera numa ligação telefónica, ou mesmo a inaceitável demora de fracções de segundos após o enter que nos dá acesso aos ficheiros de um computador. Essa questão, como foi definida, é reflexiva, não pretende responder, mas provocar um pensar sobre essa dinâmica que imprimimos na vida moderna fornecendo subsídios para melhor lidarmos com a variável tempo dentro de uma perspectiva racional, com o foco na tarefa e nos recursos de que dispomos para a realizar. Entretanto, a arte de viver é muito mais que a administração racional do tempo. É, principalmente, a fonte de prazer e sentido de realização que cada período do dia nos proporciona em relação à tarefa atribuída àquele momento. É a tentar localizar a fonte dessa satisfação, que figura a segunda questão. Ela surge da aplicação, aos grupos, de uma pergunta simples e objectiva: Qual é o mês do ano, o dia do mês e da semana, e a hora do dia que mais lhe agrada? E porquê? A grande maioria prefere os meses de Maio a Setembro por serem, normalmente, meses de Verão associados a períodos de férias; o dia do mês, de 30 a 5, quando se recebe o salário e a hora do dia, às 18 horas, quando se encerra o expediente. Uma percentagem equivalente, indicou também o período das 8 às 10 da manhã, quando há menos interrupções no trabalho. Quanto ao dia da semana, é unânime a escolha da Sexta-feira, pela aproximação do fim de semana. O interessante, é que os sujeitos dizem a razão das suas escolhas. Assim, conclui-se que as pessoas vivem na expectativa do tempo em que vão estar longe do trabalho. Essas escolhas não nos indicam o nível de dedicação que os profissionais devotam ao trabalho todos os dias, semanas, meses e anos; menos ainda sobre a produtividade. Revela-nos antes, um desejo interno, uma fonte de motivação, que actualmente as organizações procuram abranger. Nesse campo das motivações individuais, as técnicas têm pouca ou nenhuma eficácia, apenas despertam a curiosidade, mas não alteram comportamentos. Domenico de Mais em O Ócio Criativo alerta para o facto de que foi a sociedade industrial que introduziu a lei da eficiência baseada na relação entre trabalho e o tempo necessário para a sua execução, porque a sua actividade podia ser cronometrada. “A introdução desta medida artificial de tempo, substituindo a lenta alternância das estações, dos dias e das noites, foi uma coisa imposta, forçando a própria natureza”. Há duzentos anos passou-se do tempo ‘vivido’ ao tempo ‘aturado’, e agora finalmente, começa-


se a entrever a possibilidade de passar ao tempo ‘escolhido’. As duas questões: - onde empregamos o nosso tempo e qual o tempo preferido, uma, enfocando aspectos mais emocionais e subjectivos e outra, mais racionais e concretos, sintetizam a base dos argumentos para uma gestão mais eficaz do tempo disponível. Não somente do tempo dedicado à organização, mais do tempo que constitui e estrutura a própria vida. A partir da compreensão e do domínio dos recursos de que dispomos e da percepção daquilo que nos motiva e nos traz satisfação, será possível integrar um conjunto de acções que, flexibilizadas e negociadas com os demais agentes desse ambiente, darão sentido e valor a essa sublime tarefa de SER. Jorge Carvalho Formador PERCURSOS FORMATIVOS Novos Percursos de Aperfeiçoamento Profissional O Plano de Actividades para o ano 2002 apresenta algumas novidades ao nível da estrutura da oferta formativa. Há seis novos percursos profissionais: Desenvolvimento de Aplicações LAN/NT Programação em Oracle Development Desenvolvimento de Bases de Dados Web Applications Development Web & Multimedia Design Web Architecture Management & Security Os cursos estão planeados como unidades, numa aproximaçãoà organização modular da formação. Mediante a conclusão de um número estipulado de cursos, o formando poderá requisitar a sua certificação na especialização frequentada. Ou seja, passa a ser o indivíduo, determinado pelos seus interesses pessoais, quem escolhe o percurso, e o tempo em que o decide fazer. Os percursos estão calendarizados com seguimento cronológico, possibilitando a sua conclusão sem grandes interrupções. No entanto, o facto de estarem repetidos no plano de actividades, permite a escolha do momento da sua realização. Esta concepção da formação, como explicou Cristina Tavares, reponsável pelo departamento de formação “é uma concepção de maior abrangência e de maior multidisciplinariedade. Os perfís traçados são menos centrados em componentes estritamente técnicas e acrescidos de conhecimentos colaterais que, certamente, contribuirão para o enriquecimento do perfil”. É o caso, por exemplo, da introdução de módulos Comportamentais, de Higiene e Segurança no Trabalho ou de Controlo de Qualidade Informática nos percursos destinados ao aperfeiçoamento de técnicos de informática. Técnicos de informática (Desenvolvimento de software nas vertentes de programação por objectos e programação em bases de dados) Nesta área, deixou de existir a oferta de um percurso formativo único e continuado, como acontecia com os cursos, por exemplo, de Técnico de Desenvolvimento de Bases de Dados, de


Programação em Oracle Development ou de Técnico de Desenvolvimento de Aplicações em LAN/NT. Na realidade, e com a devida reestruturação e actualização de conteúdos, continua a ser possível aperfeiçoar esse perfil no CITEFORMA. Mas é o próprio formando, consoante os seus interesses, conhecimentos prévios e experiência quem avalia o momento de entrada no percurso. Para efeitos de certificação no percurso formativo, os formandos terão de frequentar, com aproveitamento, alguns dos cursos que constituem esse perfil.


Dentro da área de informática para técnicos, mas especificamente vocacionados para a área da internet, foram criados três novos percursos profissionais. O grau de especialização pretendido é, mais uma vez, determinado pela escolha do formando. O aperfeiçoamento pode ser ao nível de uma matéria apenas (1 curso, por exemplo, frequentando o curso de Dreamweaver, ou de Flash; especialização ao nível mínimo, obtendo o certificado de formação através da frequência de um número mínimo estipulado de acções de formação; ou a expecialização máxima, através da realização de todos os cursos propostos para determinado percurso profissional (WEB APPLICATIONS DEVELOPMENT: 341 horas de formação; WEB & MULTIMEDIA DESIGN: 321 horas de formação; WEB ARCHITECTURE MANAGEMENT & SECURITY: 274 horas de formação). Web Applications Development Criação de Páginas para a Web - fundamental

horas 50

Introdução à ITV Programação em Java I Programação em Java II

30 42 42

Criação de Páginas para a Web - avançado Criação de Páginas para a Web em Java Introdução ao Comércio Electrónico Dreamweaver - Ultradev

50 50 35 42

Web & Multimedia Design Criação de Páginas para a Web - fundamental Introdução à ITV Dreamweaver Dreamweaver - Ultradev Criação de Páginas para a Web - avançado Flash Introdução ao Comércio Electrónico Fireworks

horas 50 30 42 42 50 42 35 30

Web Architecture Management & Security Criação de Páginas para a Web - fundamental Introdução à ITV Gestão e Administração de Servidores Windows

horas 50 30 50

Administração e Gestão de SO Linux

42

Administração de Servidores Web Segurança de Redes de Dados I Segurança de Redes de Dados II

42 30 30


EURO 1 euro = 200.482 $ No dia 1 de Janeiro de 2002, as notas e moedas de euros entrarão em circulação. A sensibilização para este novo passo da consolidação da União Europeia tem-nos acompanhado nos últimos tempos. Os preços dos produtos já começaram a ser afixados tanto na moeda nacional como em euros e desde 1 de Janeiro de 1999, data da fixação irrevogável das taxas de câmbio das moedas participantes, começámos a fazer contas: um euro vale 200.482 escudos. Notas e Moedas Haverá sete notas e oito moedas diferentes. As notas serão exactamente iguais em toda a área do euro e os seus valores serão de 5, 10, 20, 50, 100, 200 e 500 euros. As novas moedas terão uma face comum aos 12 países e uma face nacional específica. Apresentam-se com os valores de 1, 2, 5, 10, 20 e 50 cêntimos e 1 e 2 euros. Refira-se que um euro subdivide-se em 100 cêntimos. Até 1 de Março de 2002 O período de transição, durante o qual se utilizarão conjuntamente o euro e as moedas nacionais (designado por “período de dupla circulação”), terá uma duração de máxima de dois meses. No entanto, as expectativas são de que a maioria das transacções em numerário se processe em euros logo a partir do dia 15 de Janeiro. Uma vez concluído o período de transição, as notas poderão ser trocadas ao balcão do banco central do respectivo país de origem (no caso do Banco de Portugal, o prazo para a troca de escudos por euros é de 20 anos). Área euro A partir de 2002, será, portanto, muito mais fácil viajar na área euro. As notas e moedas serão válidas nos 12 países participantes: Alemanha, Áustria, Bélgica, Grécia, Espanha, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Finlândia. A Dinamarca, a Suécia e o Reino Unido, restantes membros da União Europeia, não participam neste processo. Estes três países gozam de um estatuto especial que lhes permite levar a cabo as suas próprias políticas monetárias nacionais, não podendo, no entanto, tomar parte no processo de decisão e de execução da política monetária da área do euro. Caso este tema ainda lhe suscite dúvidas encontrará, certamente, as respostas nestes sites: http://www.euro.ecb.int site informativo sobre o euro do Banco Central Europeu http://www.infoeuro.pt site da Comissão Nacional Euro http://www.bportugal.pt site do Banco de Portugal


REDE NOVANISA conclui processo de informatização e controlo de stocks A NOVANISA, empresa que participou na IV edição do Programa REDE, através do CITEFORMA, encontra-se em fase de arranque do sistema de controle de stocks. Um passo importante para esta empresa de comércio de ferragens, ferramentas e vidros, que até há pouco tempo se debatia com algumas dificuldades, fruto da inexistência de informação adequada para a gestão. Com uma estrutura simples e de cariz marcadamente familiar, nesta PME a decisão era tomada com base no conhecimento pessoal da direcção. A participação no Programa Rede alertou para a necessidade de retractar a realidade da empresa em tempo útil. A intervenção dos consultores na definição e aquisição de software e hardware foi muito importante. Esta opção, segundo Joaquim Lopes, director comercial da NOVANISA “permite-nos controlar, em tempo real, um conjunto de cerca de 35 mil artigos. Evitará, por exemplo, a rotura de stocks, identificará necessidades de aquisição de material, etc...”. Esta optimização de recursos venceu a primeira barreira em Abril, com a informatização do back-office. “Trouxe logo melhorias visíveis a nível de informação financeira para a tomada de decisão” refere Alberto Lopes, director financeiro da empresa. Em fase de conclusão, neste momento, está o processo de implementação de terminais no ponto de vendas (front-office), que registarão os produtos através de leitura óptica de códigos de barras. A empresa foi também alvo de intervenção de um consultor especialista para a área dos recursos humanos, que lhes apresentou conceitos de definição de carreiras, avaliação do desempenho e remuneração. Para Alberto Lopes subsistem algumas dúvidas, nomeadamente “na aplicação deste sistema ao nosso caso, do sector dos serviços, onde a avaliação das situações é dificilmente mensurável”. Parecer muito positivo têm os envolvidos neste programa sobre as acções de formação proporcionadas. Na opinião de Joaquim Lopes “é muito complicado para as PME’s receberem formação específica em áreas tão importantes como o Marketing ou a Qualidade”. Revelou-se proveitoso também para a ADE, Rita Laurêncio que, uma vez próxima da realidade empresarial teve a oportunidade de consolidar e mesmo adquirir conceitos novos. A sua intervenção na empresa foi essencial em três áreas: a elaboração e análise de mapas financeiros; o controle de créditos de clientes; e a facturação. Executou também o Tableau de Board, facilitando aos empresários, o acompanhamento da evolução dos resultados da empresa. O inevitável crescimento que esta empresa sofrerá é já patente nas propostas de estudo que os consultores lhes deixaram em mãos: o projecto de investimento para as novas instalações e a preparação estrutural para a criação futura de uma empresa de Assistência Técnica de Máquinas.


APONTAMENTO CULTURAL por Dulce Matos Cafés Literários Constantinopla (séc. XVI) e Veneza (séc. XVII) figuram entre as primeiras cidades a abrirem estabelecimentos de venda de café, logo seguidas por Paris, onde esta introdução coincidiu com o aparecimento das Academias e dos Salões Literários. Espaços de lazer, de debate, de criação - ponto de encontro das classes pensantes - aí nasceram partidos políticos, se combinaram conspirações e surgiram ideias brilhantes. “A cidade da luz” bem cedo tornada famosa pelo Café Procope - local de rendez-vous dos filósofos Diderot e Voltaire - continua a manter a tradição em Saint-Germain des Prés nos já clássicos Flore e Aux Deux Magots, frequentados entre outros, por Sartre, Simone de Beauvoir e Hemingway. Lisboa não iria ficar indiferente à moda, pois os botequins e as suas tertúlias correspondiam ao desejo de Marquês de Pombal: a nova cidade “iluminada” precisava de centros públicos de discussão onde todos participassem nas polémicas da sua época. Balzac para quem “o café é o parlamento do povo” e Garret “o viajante experimentado e fino chega a qualquer parte, entra no café e tem conhecido o país em que está, o seu governo, as suas leis, os seus costumes e a sua religião” (in Viagens na Minha Terra) parecem confirmar o arguto e lúcido pensamento pombalino. Muitas destas verdadeiras “salas de visitas” desapareceram para dar lugar, na maior parte dos casos, a instituições bancárias. Mas contentemo-nos com o Café Nicola e o seu delicioso bife, acompanhados por Bocage e pela polícia de Pina Manique (bem perto ficava o Café Chave d’Ouro - palco da famosa frase de Humberto Delgado nas eleições de 1958 “Obviamente demito-o” - referindo-se a Salazar); com a Brasileira do Chiado e o Martinho da Arcada ambas impregnadas da presença sempre viva de Fernando Pessoa, seu frequentador assíduo. Numa mesa ao canto do Martinho, durante um almoço, António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura sonharam com uma ideia: a realização da Expo 98! Agostinho da Silva que ainda chegou a conviver com Fernando Pessoa deixou-nos esta mensagem: “Se eu fosse rico, instituía cafés gratuitos e subsídios para as pessoas estarem toda a tarde nos cafés sem fazer nada, porque só à mesa de um café é possível sonhar”.


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