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CITE’in’FORMA Nº 1 Julho de 1999 NOTA EDITORIAL Com novas instalações, a prazo renovadas, o CITEFORMA está envolvido num processo de mudança estrutural e organizacional cujos efeitos se traduzirão numa progressiva melhoria da qualidade do serviço que presta a milhares de trabalhadores e empresários das áreas de escritórios, comércio, serviços e novas tecnologias. O CITE’in’FORMA, elemento desse processo de mudança, contribuirá para facilitar a comunicação interna e externa, permitindo uma maior visibilidade da sua acção e uma oportunidade para a abertura de interacções positivas com os destinatários da sua actividade. Esperamos, por isso, contar com as opiniões, sugestões e críticas dos leitores para que a função deste Newsletter, e do próprio CITEFORMA, se possa cumprir com a maior eficácia. O futuro está sempre em aberto. Nisso reside muito do seu fascínio. Cabe-nos, porém, transformar as eventuais ameaças que ele encerra em novas e aliciantes oportunidades. A formação profissional, missão essencial do CITEFORMA, pode contribuir para irradiar uma nova luz sobre as nuvens que, por vezes, escurecem o horizonte de quem está, ou pretende vir a integrar-se, num mercado de trabalho em permanente mutação. Agostinho Castanheira, Director do CITEFORMA

CURSOS DE VERÃO A época tradicionalmente estival que nos bate à porta é, para muitos, o momento ideal para adquirir novos conhecimentos ou simplesmente arrumar as matérias que se foram dispersando pela massa cinzenta. O CITEFORMA, à semelhança do que tem acontecido em anos anteriores, mantém as portas abertas promovendo formação à medida da temperatura. Abrange duas áreas essenciais dos trabalhadores de escritório, comércio, serviços e novas tecnologias: o Inglês intensivo e a Informática para utilizadores. A primeira área, dividida em três níveis, permitirá a aprendizagem ou aperfeiçoamento da comunicação oral na Língua Inglesa, num programa que respeita os conhecimentos anteriores dos candidatos. No âmbito da microinformática, o leque estende-se à Introdução Windows 95, Tratamento Texto Word (nível I e II), Base Dados Access (I e II) e Folha de Cálculo Excel


(I e II). Todos estes cursos são ministrados em horário Pós-Laboral. Vocacionado para os jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 18 anos tem início, em Julho, um curso de Introdução à Microinformática. A Informática e o Computador, o Sistema Operativo MS-DOS, o interface MS-WINDOWS, introdução ao tratamento de texto e as folhas de cálculo são alguns dos pontos do programa a abordar. Planeada para horário laboral, esta acção de aprendizagem procura ser, também, uma ocupação útil do tempo de férias.

BREVES 25 de Abril “Sessão complementar da formação”, foi desta forma que Agostinho Castanheira definiu a comemoração dos 25 anos do 25 de Abril que o CITEFORMA promoveu no Padrão dos Descobrimentos. João Soares, presidente da Câmara Municipal de Lisboa recordou o entusiasmo com que, na manhã mais célebre de 1974 trouxe para a rua os primeiros números do jornal A República que escaparam à tinta azul dos órgãos da Censura. Os formandos mais jovens do Centro, geração sub-25 nascida depois de 1974, retribuiu a emoção com a apresentação de poemas, alguns elaborados pelos próprios. O testemunho de quem esteve no local, e sente na pele o devido valor desta celebração, coube a Fernando Brito e Cunha, formador do CITEFORMA, distinguido com a Ordem da Liberdade. A apresentação multimédia sobre a sua participação nas operações desencadeadas no dia 25 de Abril de 1974 contribuiu, certamente, para a reconstituição de um marco da História do nosso país, a quem não viveu esses momentos. De volta à Escola No âmbito da “Feira das Profissões e Escolas Profissionais” promovida pela Escola Básica 2+3 de Caxias e Escola Básica 2+3 de Miraflores e da “Semana de Orientação Escolar e Profissional” na Escola Básica 2+3 de Maria Veleda, Isabel Diogo responsável pelo Gabinete de Psicologia e Aida Santos (estagiária) levaram, em Abril, o CITEFORMA às aulas. Tendo estas entidades de ensino o 9º ano como topo, o interesse e a curiosidade dos alunos centrou-se no curso de Introdução à Microinformática, para jovens a partir dos 15 anos, e no curso de Técnicos de Informática planeado para admitir formandos habilitados com o 9ºano de escolaridade. Timorenses em formação Preparar um grupo de timorenses para, no futuro, entrar no mercado de trabalho. É este um dos mais recentes desafios que o Centro tem em mãos. O protocolo a


estabelecer entre o CITEFORMA, o IEFP e o Centro para a Cidadania Timorense (CCT) permitirá a estes jovens frequentar uma pré-formação com uma forte componente de língua portuguesa, informática na óptica do utilizador, saúde ocupacional, cultura organizacional e desenvolvimento social comportamental. Esta preparação possibilita-lhes, posteriormente, o ingresso nos Cursos de Qualificação de Jovens a serem ministrados no CITEFORMA ou em outros Centros de Gestão Participada, de acordo com as suas motivações e orientações profissionais. Recursos Didácticos Uma das áreas mais complexas da formação está, no CITEFORMA, com os dias contados. A aprovação da candidatura para a elaboração de manuais temáticos chegou no início do ano. Coordenadores e formadores, sob a orientação de Cristina Tavares, Chefe do Departamento Técnico Pedagógico do CITEFORMA, estão já a preparar uma resposta global e articulada. “O material didáctico não é uma questão fácil de resolver. A preocupação em actualizar conteúdos programáticos dificulta a criação de um conjunto de documentos suficientemente sistematizados, que de forma própria em termos de conteúdos e de duração temporal, possam ser identificados como manuais”, afirma. A construção desses 24 manuais procura, agora, garantir a cobertura das principais áreas de formação do Centro, com uma validação temporal de dois a três anos. São manuais para a formação presencial, mas que visam a auto-formação. Neste sentido, depois da formação servem não só como recurso a esclarecimentos, como também de desenvolvimento de matérias tratadas. A abordagem dos objectos de estudo é estratificada em três níveis de conhecimentos: elementar, intermédio e avançado e as temáticas de cada manual permitem a sua aplicação transversal aos cursos ministrados no Centro. O resultado final dará entrada na tipografia em meados do mês de Novembro.

CURSO DE MARKETING 150 horas, distribuídas por nove meses, em horário pós-laboral. Com dificuldades em perceber o que leva um grupo de pessoas a dedicar todo este tempo à frequência de um Curso de Marketing, procurámos a justificação junto do coordenador do curso, Fernando Brito e Cunha. Recebemos de volta, uma interessante aula de Marketing. “Hoje ninguém está seguro. Do porteiro ao administrador de uma empresa, todos precisam de saber de Marketing”. Procura, com o curso que ministra desencadear um processo de “aculturação de Marketing” nos formandos. Promove aulas, essencialmente, práticas. “Eu gosto de dar aulas num Centro de Formação Profissional porque posso fazer a transferência real da tecnologia. Ao ensinar a trabalhar com ferramentas, estou a motivá-los”. A segunda fase do curso contempla a elaboração de um Plano de Marketing. Este trabalho é elaborado em grupo e permite um desenvolvimento prático, das diversas variáveis estudadas. “Trabalhos muito interessantes” já lhe chegaram às mãos no final de cada curso, como foi o caso de um sobre iogurtes.


O Marketing entrou no currículo de Fernando Brito e Cunha pela via da experiência profissional. “Tirei Contabilidade e Administração, depois Engenharia Informática e ainda frequentei Direito. Marketing nunca aprendi. Só a trabalhar na Indústria Farmacêutica”. Acessórios de automóvel, ferramentas eléctricas e electrodomésticos foram outros dos produtos com que lidou de perto, retirando daí todo o saber que procura transmitir aos seus formandos. “Já dou formação há 20 anos, do tempo do Centro de Aperfeiçoamento Profissional do SITESE”. Actualmente, para além da Gestão do Service de Equipamentos Domésticos da Bosch, Siemens, Balay é coordenador do Curso de Marketing no CITEFORMA.

ENTREVISTA SITESE e IEFP em cooperação, pela valorização dos recursos humanos. Foram necessárias “duas assinaturas” para validar a criação do CITEFORMA. Fomos à procura das canetas que selaram o protocolo e falámos com Vitor Hugo Sequeira, Presidente do SITESE e Mário Caldeira Dias, Presidente da Comissão Executiva do IEFP. Conversas separadas com um ponto de união na actividade desenvolvida pelo Centro. Vitor Hugo Sequeira - SITESE CITE’in’FORMA: Quase todos os Centros de Gestão Participada têm, por outorgante Associações Empresariais. O CITEFORMA tem um Sindicato. O que é que levou um Sindicato a criar um Centro de Formação Profissional? Vitor Hugo Sequeira: O SITESE é o único Sindicato Português que, em regime de parceira directa com o IEFP, é detentor de um Centro Protocolar. Já antes do 25 de Abril nós tínhamos um Centro de Aperfeiçoamento Profissional e posso-lhe dizer que, por exemplo, a maioria dos Técnicos de Contas inscritos na Direcção Geral de Contribuições e Impostos foram trabalhadores que passaram por este Centro. Depois do 25 de Abril, logo em 1974, uma Assembleia Geral algo truculenta tomou a precipitada decisão de extingui-lo. Segundo a teoria da tendência sindical comunista na altura desta proeza, competia ao Estado assumir essa responsabilidade formativa. Mais tarde quando ganhámos o Sindicato em eleições livres, retomámos esta actividade. Havia uns programas de formação em cooperação e o Sindicato, todos os anos se candidatava junto do Ministério do Trabalho a um subsídio. Subsídio esse, que era atribuído se o Sindicato se portava bem. Se o sindicato era muito reivindicativo e aderia a algumas greves que não eram, digamos, satisfatórias do ponto de vista dos interesses do Governo, havia uma certa penalização através do atraso no pagamento do subsídio e isso causava-nos algumas dificuldades. A partir de 1987 tudo mudou. A integração de Portugal na Comunidade Europeia também trouxe, através da captação do Fundo Social Europeu, novas condições para a formação sindical em Portugal. O SITESE, dada a capacidade que já tinha evidenciado


neste domínio, candidatou-se a outorgar um Centro directamente e em regime de parceria com o Instituto. C.: E o Centro tem cumprido a missão para o qual foi criado? V.H.S.: Eu penso que a melhor resposta a essa questão caberia, certamente, às pessoas que beneficiam da actividade formativa que o CITEFORMA tem disponibilizado. Quer em regime pós-laboral e portanto, no quadro da formação contínua, quer no domínio da aprendizagem, aquilo que ao Sindicato cabe registar é que, de facto, os trabalhadores conheceram um significativo progresso em termos das suas evoluções na carreira profissional e os jovens que procuravam emprego, pelo facto de terem frequentado um curso no CITEFORMA tiveram mais facilmente acesso ao preenchimento desse posto de trabalho. Como sabe, houve grande empenho também do SITESE para que o CITEFORMA pudesse ser dotado de uma capacidade superior aquela que até agora tem vindo a evidenciar. O Instituto de Emprego e Formação Profissional já adquiriu o imóvel onde o CITEFORMA está instalado. Com as obras de beneficiação, a capacidade de criar mais cursos e de poder receber mais formandos vai ser a curto prazo uma realidade. C: O SITESE, até há bem pouco tempo, estava muito próximo fisicamente do CITEFORMA. E agora, com a mudança de instalações, afasta-se... V.H.S.: O SITESE mesmo que tivesse ido para fora da cidade de Lisboa, só para lhe dar um exemplo absurdo, nunca ficaria distante do CITEFORMA. Nós tivemos a preocupação de que esta mudança de instalações da sede social do Sindicato não ocorresse numa localização que o tornasse fisicamente mais longínquo. Felizmente conseguimos compatibilizar esse desígnio de sairmos do imóvel mas não nos afastarmos mais de duzentos metros. Nós pensamos que é benéfico, quer para o CITEFORMA, quer para o SITESE, esta proximidade geográfica do funcionamento destas duas instituições. C.: SITESE é, agora, outorgante do CEPSA. Significa que CITEFORMA deixou de ser a sua “menina dos olhos”? V.H.S.: Várias vezes tenho procurado ilustrar aquilo que para o SITESE representa o CITEFORMA e, umas vezes chamo-lhe a grande bandeira do SITESE, outras vezes designo-o como a “menina dos olhos”. O que de facto, é demonstrativo de que enquanto primeiro signatário do Centro Protocolar ele tem e representa para nós algo de muito importante. O facto de sermos, por herança, outorgante de um outro Centro, evidentemente que em nada altera a atenção que sempre dispensámos ao CITEFORMA. Isto só vem aumentar as responsabilidades do SITESE, agora com o alargamento a outro Centro. Sentimos que é maior o nosso peso participativo dentro do CITEFORMA, mas de qualquer forma, nós temos respeitado a total autonomia, quer no domínio da gestão, quer da política formativa que os órgãos sociais do CITEFORMA e o seu Director têm vindo a imprimir. Mário Caldeira Dias - IEFP CITE’IN’FORMA: A prática típica dos países do Sul da Europa é: na escola apren-


de-se e na organização trabalha-se. Concorda com esta ideia? Mário Caldeira Dias: Isso era verdade há uns tempos, mas julgo que agora não é tanto assim. Hoje as escolas, já mesmo ao nível do ensino secundário e depois no ensino médio e superior têm dimensões profissionalizantes bastante elevadas e têm mesmo zonas em que essa questão é dominante, como é o caso das escolas profissionais, dos cursos tecnológicos... Portanto hoje já há um conjunto de saberes feito pelo Ministério da Educação em que há um cuidado muito grande e uma atenção cada vez maior aos aspectos profissionais do ensino. No fundo, o ensino também pode contribuir, para além de outras coisas, para inserir as pessoas correctamente na vida activa. Do lado da formação profissional, e nós notamos isso cada vez mais, também é feito um apelo a um conjunto de conhecimentos profissionais que permitam, em paralelo, melhorar a sua situação, na própria função escolar. Portanto, eu julgo que hoje, a regra geral é a complementaridade. C: Mas do lado das PME’s, ainda há alguma relutância em avançar para a formação profissional. M.C.D.: De facto, relativamente à relação das PME’s com a formação profissional põe-se um problema de acesso à informação, de acesso à formação ou mesmo, diria, de igualdade de oportunidades no acesso à formação. Por razões várias, que têm a ver com o facto de serem pequenas e de não poderem disponibilizar os seus trabalhadores, por não terem uma estrutura capaz, muitas vezes, de conhecer e organizar a formação profissional. E é por isso mesmo que se tem vindo a desenvolver um conjunto de medidas que visa facilitar esse acesso, por exemplo, os programas da Associação Industrial Portuguesa e da Associação Industrial Portuense relativamente ao acompanhamento das PME’s, o Programa REDE do Instituto de Emprego que visa exactamente ajudar as empresas a conhecer as suas necessidades de formação e encontrar os meios para as satisfazer, o programa Job Rotation que permite a uma empresa substituir o trabalhador por outro, enquanto manda o dela à formação. E enfim, todas as estruturas formativas, quer dos Centros de Gestão Directa, quer dos Centros Protocolares têm como uma das missões essenciais acolher, nos seus cursos, activos das pequenas e médias empresas que, por si só, não tenham capacidade para organizar a formação. Mas reconheço que há um esforço sempre permanente e contínuo, ao nível de fazer chegar às pequenas e médias empresas a informação necessária suficiente e criar condições para que os trabalhadores delas possam também ir à formação profissional. C.: Em relação aos Centros de Gestão Participada, em particular o CITEFORMA, pensa que estão a responder ás expectativas segundo as quais foram criados? M.C.D.: Naturalmente que, dentro do número de Centros de Gestão Participada que existem, há todas as situações. Há Centros que estão a responder muito bem e há Centros que ainda podem melhorar, de facto, a sua actividade. Em muitos casos, a experiência tem-se revelado um método ou uma forma de fazer formação em cooperação extremamente adequada às necessidades dos vários sectores da economia. Julgamos que, no essencial, eles mantém a sua vocação original que é formar os jovens para o sector e formar os activos do sector. Num caso ou noutro, poderá haver alguns desvios, mas julgamos que em geral a experiência de formação em cooperação com os Centros Protocolares é uma experiência positiva e interessante.


C: Quais são as orientações III Quadro Comunitário de Apoio? E que implicações terão para Centros de Gestão Participada? M.C.D.: Não nos compete falar sobre orientações que ainda não existem. Mas de qualquer forma e segundo as perspectivas específicas do Instituto do Emprego e Formação Profissional, supomos que vai continuar a ser dada importância à formação inicial, à inserção dos jovens na vida activa e vai ser feito um enorme esforço no sentido de aumentar a formação contínua. Já há fortes deficiências aí, no nosso país, quando comparadas com outros países da União Europeia. Em geral, vamos continuar a dar um contributo para a inserção de grupos desfavorecidos, a igualdade de oportunidades, a empregabilidade e capacidade de criação de postos de trabalho e de empresas. Julgamos que estamos em condições para manter o mesmo tipo de objectivos só que, desta vez, reforçados e enquadrados pelas responsabilidades que nos cabem ao nível do Plano Nacional de Emprego, o chamado PNE.

REDE Mudam-se as mentalidades... A segunda edição do Rede terminou no final do mês de Abril. Os empresários que participaram nesta Linha conduzem agora os destinos das suas empresas sem o apoio permanente do Consultor Orientador. Foi na altura de virar a página que falámos com alguns deles. “Estava um pouco incrédulo no início. Já havia participado nos programas do PEDIP, mas, na minha opinião, o pior que se pode fazer é dar dinheiro às empresas. O apoio do Programa REDE ajudou muito a minha empresa, assim como os jovens ADE’s envolvidos no projecto” afirma Manuel Vaz Pinto, da empresa Quinaço, Cortes e Perfis Metálicos. O sinal vermelho abre apenas para a duração do Programa “é muito pouco tempo. Por exemplo, os ADE’s só trabalharam de Agosto a Abril”. Ainda assim, a Quinaço conseguiu concretizar 94% das acções planificadas. Entre os principais resultados encontra-se a definição e implementação do Sistema de Informação para a Gestão da empresa e das obras em particular, um incremento das vendas em 60% e a obtenção da Certificação de Qualidade ISO9002. “Colaboração bastante produtiva” foi a expressão utilizada por Humberto Rodrigues, da Metalúrgica Ferreira, Fonseca e Fonseca para qualificar o programa REDE. “Despertou-nos para questões que estávamos a deixar passar. Foi também muito importante pelo contacto estabelecido com outras empresas dentro do mesmo nível de desenvolvimento.” Negativo, negativo, só mesmo a cessação do contrato. “O levantamento de necessidades demorou algum tempo fazendo com que o corte se desse a meio da implementação do plano de acções”. Em curso, está agora a criação de uma nova empresa para a Gestão e Controlo do Grupo de empresas e a mudança do layout da produção (a realizar em Agosto). A saída dos ADE’s a meio do Programa criou algumas dificuldades aos empresários


que se viram confrontados com essa situação. Francisco Orta, dos Estúdios Francisco Orta foi um dos casos. “Face à situação difícil que a empresa atravessava, a ADE acabou por sair.” Sem encontrar substituição imediata, o plano inicialmente traçado acabou por sofrer algum atraso. À parte disso, o empresário ganhou uma nova perspectiva em relação à sua actividade. “Habituei-me a parar algumas horas por semana para pensar e comecei a estudar projectos de relançamento da empresa. Deixei de pensar em vídeo como uma forma de arte cara e passei a encará-lo de forma industrial.” Esta mudança terá sido o motor da recuperação económica da empresa que trabalha agora, afincadamente, num projecto de investimento no Alentejo. A Copom, Companhia Portuguesa de Óleos Marinhos terá sido a empresa que maiores dificuldades apresentava na altura da sua adesão ao REDE. A investigação e produção em laboratório de um novo produto (o BioDiesel), por um dos ADE’s elevou as expectativas da empresa quanto à sua viabilização. Em curso, está um acordo com a Parten, associada da PETROGAL, para a produção e comercialização do BioDiesel em Portugal. Manuel Brito da Sobralgurtes, Centro de Distribuição Alimentar do Oeste alinhou na contestação ao termo do projecto: “o período em que tivemos apoio não foi suficiente para chegar à meta a que nos tínhamos proposto”. Ainda assim, esta empresa distribuidora de produtos DANONE no país assistiu a um incremento de vendas acima da percentagem prevista pela casa mãe e a uma diminuição das devoluções, o que permitiu melhorar o rateio anual dos resultados. A Gestene, Gestão de Energia e Equipamentos, empresa cuja actividade importação e comercialização de equipamentos de baixa tensão completou a definição e implementação do Plano de Marketing, do Sistema de Informação para a Gestão e da política de alianças comerciais. Esta ligação ao REDE permitiu dotar a empresa de uma nova estrutura/ organização. “Os empresários aderiram ao espírito. Acreditaram que o REDE era um projecto que os ia ajudar e, penso que a credibilidade do consultor foi fundamental para a viabilização desta iniciativa”, afirma José Poças Rascão, o Consultor Orientador do CITEFORMA, em jeito de balanço. Exemplares, são os resultados em termos de riqueza e de valor acrescentado, principalmente, pela criação de doze novos postos de trabalho (inexistentes antes da ligação ao REDE). José Rascão coloca, no entanto, a tónica na mudança de mentalidade dos empresários envolvidos: “Aprenderam a analisar melhor os factos, a introduzir variáveis na análise e a ter melhor informação a fim de tomar decisões com menor probabilidade de insucesso. Também aprenderam a delegar poderes, a planificar e a gerir melhor o tempo”. A III linha do Programa REDE já está à porta, estando o Consultor, neste momento a concluir o processo de selecção da empresas. Acção de Formação À volta do conceito de mudança andaram alguns dos empresários da Linha I e II do Programa REDE, no passado dia 14 de Abril. O CITEFORMA promoveu uma acção de formação subordinada ao tema “A Análise Estratégica e a Gestão da Mudança” com a participação de José Poças Rascão e


Joaquim Russinho. PROJECTOS Formação à distância Proporcionar formação contínua na modalidade à distância ao sector do comércio alimentar. Um importante objectivo do Centro, agora em vias de concretização no âmbito do Programa Comunitário Leonardo da Vinci. Este projecto transnacional envolve parceiros espanhóis, italianos e portugueses. Um ano após o seu início e à margem de toda a turbulência que tem afectado o funcionamento da Comissão Europeia, o DISPECA está cada vez mais próximo dos fins a que se propôs: a constituição de um modelo de formação à distância para o pequeno comércio alimentar. O CITEFORMA está, já há um ano a trabalhar neste modelo em parceria com outras duas entidades ligadas à formação e educação: CECOA (Centro de Formação Profissional para o Comércio e Afins) e SCUOLA SUPERIORI DEL COMMERCIO DEL TURISMO E DEI SERVIZI e outros três organismos predominantemente ligados a associações empresariais e/ou sindicais: ANACPA (Associação Nacional dos Comerciantes de Produtos Alimentares), SITESE e ASSOCIACIÓN ESPANOLA DE FORMACIÓN PROFESSIONAL DEL COMERCIANTE. A necessidade urgente, no pequeno comercio alimentar, de adquirir formação não consegue, geralmente, ultrapassar as dificuldades de adesão a um regime presencial. Contam, por um lado, com um reduzido número de trabalhadores por empresa (literalmente indispensáveis) e registam, por outro uma fragmentação geográfica à margem de qualquer tentativa lógica de agrupamento. O CITEFORMA procura contornar esta barreira através da produção de um conjunto de recursos didácticos, destinados à formação à distância, essencialmente na área da gestão e do relacionamento com clientes e fornecedores. A par de um modelo de tutoria, adequado à realidade de cada empresário, permitirá a aquisição desses conhecimentos. O envolvimento dos parceiros transnacionais neste projecto, para além da rica e vasta troca de conhecimentos que proporciona, garante a transferibilidade dos produtos criados. Ou seja, a informação contida nos manuais aplica-se tanto à realidade portuguesa, como à espanhola ou à italiana. As temáticas reflectem os resultados de um diagnóstico de necessidades, elaborado junto das empresas “hospedeiras” agregadas ao projecto, nesta fase de construção do modelo. Os dez manuais até agora desenvolvidos incidem sobre o Comércio Alimentar na Europa, Comunicação no Ponto de Venda, Organização do Sortido, Merchandising, O Merchandising dos Produtos Frescos, Relação com os Clientes e Fornecedores, Cálculo de Preços, Gestão Financeira e Controlo de Gestão. Para além da conclusão dos manuais com a introdução dos casos práticos o DISPECA tem agora de encontrar um sistema de acompanhamento e de tutoria adequado à disponibilidade dos empresários. Na opinião de Cristina Tavares, coorde-


nadora operacional do DISPECA, esta é “a fase mais difícil de todo o processo. Em discussão estão os timmings dos empresários para passar de um nível para o outro. É preciso perceber os ritmos e respeitá-los para o modelo ser eficaz.” Questões que estiveram em cima da mesa na III Reunião Transnacional que decorreu em Milão, Itália, no final do mês de Maio. Iniciativa Comunitária PME O CITEFORMA e o CECOA foram identificados pela Direcção Geral do Comércio como sendo entidades que, por via da sua experiência, melhor estariam colocadas para colaborar com a Iniciativa Comunitária PME. Nesse sentido, e com base naquilo que foi o projecto do PROCOM (modernização urbanismo comercial) estão a preparar a planificação e metodologia de um projecto de formação/acção a ser desenvolvido pelas associações comerciais candidatas ao programa de urbanismo comercial. Toda a concepção metodológica do projecto está já aprovada, entrando-se, agora, na fase de elaboração dos instrumentos de apoio à formação.

CITE'IN'FORMA Nº1  

CITE'IN'FORMA Nº1 - Julho de 1999

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