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A revista do seguro de transporte

N°18-Setembro-Outubro2016

Profissionais de seguros de transportes se preparam para o grande encontro do setor CIST realiza em novembro a quarta edição do evento anual que oferece qualificação e relacionamento indispensável para quem atua no ramo


Palavra do Presidente Embarque conosco e transporte conhecimento Estamos com tudo pronto para mais uma edição de nosso evento anual. Em anos pares, como 2016, realizamos o Simpósio ExpoCIST, evento totalmente organizado por nós, e nos ímpares ampliamos e estabelecemos parceria para a realização do Congresso Latino Americano de Seguros de Transportes, que tem mais dias de duração. Mesmo em ano de simpósio, o evento tem abrangência internacional e conta com profissionais de diversos países da América Latina e outras localidades. Nesta edição teremos a participação de lideranças da Alsum (Associação Latinoamericana de Subscritores Marítimos) e da IAATI – Latino America (Associação Internacional de Investigadores de Roubo de Automóveis) em nossos painéis. É grande o interesse dos executivos internacionais em se relacionar – e por que não dizer? – aprender com nosso know how, principalmente em atividades de gerenciamento de risco, até porque temos mais experiência (e isso não é orgulho) com fraudes e roubos de mercadorias.

informação especializada, e é no grande evento realizado anualmente em novembro, que vemos concentrada toda a cadeia logística de profissionais envolvidos nos seguros transportes de cargas. Conhecimento e relacionamento de alto nível, indispensáveis para o desenvolvimento de cada profissional do nosso especializado ramo. Esta revista é mais uma ação do CIST para disseminar o conhecimento técnico. Mais uma vez agradecemos a grande contribuição de tantos especialistas que ofereceram seu tempo e experiência para escrever ricos artigos, conceder entrevistas, ou apresentar palestras de ótimo conteúdo. Não poderíamos deixar de registrar tanta informação valiosa, que podemos precisar consultar em nosso dia a dia profissional. A revista também estará no 4º Simpósio registrando todos os acontecimentos para depois darmos ainda mais amplitude ao evento e aos debates ali iniciados. Não perca as oportunidades de conhecimento que batem à sua porta, participe do CIST.

Grande abraço, Criado em 2012, o CIST promove mensalmente diversas palestras, eventos e cursos para este específico ramo de seguros que carecia de

José Geraldo da Silva

Expediente N° 18- Setembro / Outubro 2016 CIST - Clube Internacional de Seguros de Transportes DIRETORIA EXECUTIVA - Triênio 2015 / 2018 Presidente: JOSÉ GERALDO DA SILVA | Gerabel / Transportes Brasil 1º Vice-Presidente: SALVATORE LOMBARDI JUNIOR | Argo 2º Vice-Presidente: APARECIDO MENDES ROCHA | Lógica 3º Vice-Presidente: ODAIR NEGRETTI | BC Business 1º Secretário: CARLOS SUPPI ZANINI | WGRA 2º Secretário: CARLOS JOSÉ DE PAIVA (Paiva I) | Paiva 1º Tesoureiro: NAZARENO OTORINO MAESTRO | HDI-Gerling 2º Tesoureiro: WALTER VENTURI | Venturi CONSELHO FISCAL Presidente: MAURO ANTONIO CAMILO | AON Efetivos: RENE ELLIS | Sistema Tres e FUMIAKI OIZUMI | Jet Suplentes: JOSÉ CARLOS SERRA | Serra & Company, ALFREDO CHAIA | AIG, ANIBAL DE EUGENIO FILHO | Bussola (in memorian) CONSELHO CONSULTIVO Presidente: PAULO ROBSON ALVES | XL Catlin Regulamentação Constituição Federal, art. 5º, IX e art. 220, § 6º - "Art. 5º (...) IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". "Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão, e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observando o dispositivo nesta Constituição. (...) § 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade."

Efetivos: ADAILTON DIAS | Sompo e PAULO CRISTIANO HATANAKA | Allianz Suplentes: FRANSCISCO CARLOS GABRIEL | Advance, CARLOS ALBERTO BATISTA DE LIMA | Serv Assist e JOÃO JOSÉ DE PAIVA (Paiva II) | Paiva. DIRETORIAS ESPECIALIZADAS Diretor Técnico Internacional: PAULO ROBSON ALVES | XL Catlin Dir. Técnico Nacional: HELIO DE ALMEIDA | Starr Dir. de Sinistros: MARCELO ANACLETO | AXA Dir. de Cursos: PAULO CRISTIANO HATANAKA | Allianz Dir. de Eventos: RENE ELLIS | Control Loss Dir. de Gerenciamento de Riscos: FRANCISCO CARLOS GABRIEL | Advance Dir. de Sindicância: PAULO ROGERIO HAUPTLI | FOX Audit Dir. Comércio Exterior: SAMIR KEEDI | Multieditoras Dir. de Rel. com o Mercado: CARLOS ALBERTO BATISTA DE LIMA | Serv Assist Dir. Jur. & Assuntos Internacionais: NÉLSON FARIA DE OLIVEIRA | Faria de Oliveira Advogados Dir. de Logística: PAULO ROBERTO GUEDES | Veloce Dir. de Resseguro: RENATO MARQUES CUNHA BUENO | ARX Re Dir. de Meio Ambiente: JOSÉ LÚCIO DA SILVA | WGRA Dir. de Tecnologia: RONALDO MEGDA | Tracker do Brasil Dir. de Marketing: FELIX RYU | Teckel Design Dir. de Comunicação: GUILHERME ARMANDO CONTRUCCI | Webseguros TV Dir. de Benefícios: DAVID DO NASCIMENTO | Univida Dir. da Área de Perícias: MÁRCIO MONTESANI | Núcleo de Perícias. Dir. Social: MAYRA MONTEIRO | Sascar Dir. de Segurança: DAVID DA SILVA | Servis

Comunicação: Jornalista Responsável: THAÍS RUCO (MTB 49.455) | editora@cist.org.br Diagramação: FELIX RYU | marketing@cist.org.br Fotografia: DOUGLAS ASARIAN | fotos@cist.org.br Comercial: NATALINO JOSE BORRING - Segnews | comercial@cist.org.br

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Sumário Palavra do Presidente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 03 Embarque conosco e transporte conhecimento Eventos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 06 Pontos conflitantes da prática da regulação de sinistros

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Eventos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Risco da contratação de escoltas armadas clandestinas Destaque . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 4º Simpósio ExpoCIST é o grande encontro dos profissionais de seguros de transportes em 2016

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Mercado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 17º Conec tem Fórum de Transportes com executivos do setor Entrevista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 FenSeg: parceria pelo desenvolvimento dos seguros de transportes Técnicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Um desserviço ao seguro de transporte rodoviário

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Economia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 Dias melhores virão Fraudes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Nova modalidade de fraude usa troca de motorista para desvio de carga Técnicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Tecnologia agiliza entrega e transforma “Carta Protesto” em aliado de seguradoras e segurados

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Direito Securitário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 O Novo Código de Processo Civil e foro de eleição nos contratos internacionais de transportes de cargas Técnicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 Necessidade e obrigatoriedade dos seguros no segmento de transportes de carga

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Técnicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Projetos de lei para o setor de transportes que, se aprovados, afetarão diretamente esses seguros Logística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 A contratação de serviços logísticos exige avaliação que considere a relação “custo / benefício” Fique por Dentro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 Curtas para atualização sobre o seguro de transportes

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Negócios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Vender é emocionante Finanças Pessoais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 5 segredos para melhorar sua vida financeira Outra Leitura. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 O corretor de seguros pode ser perito judicial!

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Técnicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Comércio exterior brasileiro: quando começa?

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Revista CIST News - A revista do seguro de transporte N° 18 - Setembro - Outubro 2016


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Eventos

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Palestra sobre regulação de sinistros de transportes CISTNEWS 18 | 07


Eventos Pontos conflitantes da prática da regulação de sinistros O encontro do Clube Internacional de Seguros de Transportes (CIST) no dia 22 de setembro trouxe a palestra de Leonardo Duarte, diretor nacional da RTS Brasil, empresa de gestão de sinistros, sobre o processo de regulação – do conceito à prática – e seus pontos conflitantes. Para o presidente do CIST, José Geraldo da Silva, a regulação de sinistros tem especial importância nos seguros de transportes e é importante debater temas controversos para alinhar ações entre os parceiros corretores de seguros, seguradores e empresas de regulação de sinistros. “O setor precisa trabalhar em conjunto para atender os transportadores, porém com técnica para uma boa regulação de sinistros e pagar o que é justo”. Regulação de sinistros, segundo as apólices, é o exame, na ocorrência de um sinistro, das causas e circunstâncias para caracterização do risco ocorrido. Em face dessas verificações, se concluir sobre a existência de cobertura e prejuízos indenizáveis. Entretanto, não é somente isso. “Bom senso, flexibilidade, negociação e objetividade são fundamentos imprescindíveis. Na visão de um regulador, a regulação é um processo de natureza independente, norteado pela boa técnica e pela boa-fé, que visa apurar e indenizar o que realmente é devido – não objetiva negar sinistro nem reduzir valor da indenização”, defendeu o palestrante. Depreciação, pelo conceito de engenharia, é a perda de valor pelo desgaste do bem. No caso de uma máquina ou equipamento, por exemplo, o desgaste será devido não somente à sua utilização normal, mas também à ação do tempo e das intempéries. Pelo conceito de economia, é o declínio sofrido na capacidade que o bem apresenta em gerar receitas. “Se, ao longo do tempo, diminui o valor da produção de um equipamento, este experimentará uma correspondente redução no seu valor intrínseco. O declínio no valor líquido de produção decorre da exaustão física do equipamento, da obsolescência do equipamento e do próprio produto”, disse. Aplicando o conceito de depreciação ao seguro, corresponde ao encargo periódico que os bens (incluindo serviços) sofrem, por uso, obsolescência ou desgaste natural. A taxa anual de depreciação é calculada em função do prazo, durante o qual se possa esperar utilização econômica. Na regulação de sinistros, o cálculo da depreciação utiliza subjetividade na escolha do método de cálculo e objetividade no levantamento de informações para realização do cálculo (idade e vida útil). “Para caracterizar a depreciação de bens, toma-se como base o tempo de uso do bem (idade), a vida útil e o valor residual, para aplicação da metodologia. Considera-se o proveito econômico já realizado pelo segurado versus o proveito econômico esperado daquele bem. Normalmente, a depreciação só é aplicada quando não há possibilidade de reparação, ou seja, quando há reposição”. Assim como os bens, os valores dos serviços incorridos para a construção/ instalação de determinado bem, também sofrem depreciação. A premissa de aplicação é o conceito de que com a indenização, o segurado não pode obter ganho financeiro. A indenização é medida pelo custo necessário à reposição do bem, em seu “status quo”. A depreciação de serviços só é aplicada à reposição, confere extensão da vida útil do bem ou do plano de investimento. “No caso da depreciação de serviços, objetiva-se evitar que o plano de investimento do segurado seja estendido. Temos que ter em mente que, ao final da vida útil/ plano de investimento, o segurado teria que incorrer em custos para a reposição do bem e a realização do serviço de montagem. Logo, quando há sinistro, não podemos realizar o pagamento integral do serviço, pois configura ganho ao segurado. Portanto, deve ser descontado o proveito econômico obtido”. CISTNEWS 18 | 08


Outro tema que gera controvérsias, abordado pelo palestrante, foi a participação dos impostos na apuração de prejuízos. “A matéria dos impostos no seguro é tratada de três formas: impostos decorrentes de prestação de serviços ou compra de bens/ peças; crédito tributário adquirido; contabilização de indenização. Porém deve-se sempre considerar dois princípios básicos: o segurado não pode ter ganho na indenização (conceito do seguro); e princípio da não cumulatividade (Constituição Federal)”. Felipe Ruffolo, superintendente Técnico e Comercial de Transportes na AXA Seguros, e Paulo Rogério Haüptli, diretor do Grupo Fox de Regulação & Auditoria e titular do escritório Haüptli e Advogados Associados, estiveram com o presidente do CIST, José Geraldo da Silva, na mediação das perguntas da plateia. CISTNEWS 18 | 09


Eventos

Palestra esclarece sobre empresas clandestinas de escolta CISTNEWS 18 | 10


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Eventos Risco da contratação de escoltas armadas clandestinas

O CIST (Clube Internacional de Seguros de Transportes) recebeu em seu encontro para associados no dia 20 de outubro o presidente do Semeesp (Sindicato das Empresas de Escolta do Estado de São Paulo), Autair Iuga. À plateia composta por profissionais de seguradoras, corretoras de seguros e prestadoras de serviços de transportes, Iuga alertou para o risco da contratação de empresas de escolta armada clandestinas. O especialista também é presidente do Grupo Macor, empresa que atua há 21 anos na segurança privada, tendo como principal atividade a escolta armada e se destacando como a maior do segmento no país. “Minha função aqui é mostrar o que é a escolta armada e esclarecer que é se trata de uma atividade regulada pelo Mistério da Justiça, fiscalizada pela Policia Federal anualmente, para conferir armas e viaturas utilizadas”, disse o palestrante. A escolta armada é uma das cinco atividades da segurança privada no Brasil hoje, além dela existem: vigilância patrimonial, segurança pessoal, transporte de valores e as escolas de formação e aperfeiçoamento de vigilantes. “Existe toda uma sistemática, toda uma avaliação, não é qualquer um que pode abrir uma empresa de segurança hoje – ou não deveria ser. Uma equipe de escolta armada atualmente precisa estar composta por pelo menos dois homens, que precisam estar armados e equipados, com armas específicas, viatura logotipada, sistema de radio comunicação e rastreamento por satélite, além de ter diversas documentações em dia”. Fundado em junho de 2010, o Semeesp criou a Cartilha de Escolta Armada e Segurança Pessoal Privada que, atualizada em 2014, se tornou o documento mais utilizado nas universidades e escolas de formação de vigilantes em todo o Brasil. Em 2016 o Semeesp lançou o Selo da Escolta Armada, que tem por finalidade aumentar a fiscalização nas empresas que exercem o serviço. “Dentro de um CISTNEWS 18 | 12

cenário onde temos um prejuízo muito grande devido à clandestinidade ou até mesmo à irregularidade das empresas que exercem este serviço, o Semeesp busca destacar aquelas empresas que estão em acordo com a Lei vigente bem como as normas da CLT e seguem a convenção coletiva de trabalho da categoria”, afirma Iuga. Somente as empresas associadas a este sindicato têm o direito de obter o selo, mediante o envio de alguns documentos, para que sejam fiscalizados de acordo com normas do governo. Recentemente, foi lançada a Campanha Nacional de Prevenção e Combate à Segurança Clandestina, sendo realizada pela ANP/DPF (Academia Nacional da Polícia) e FBCP (Fundação Brasileira de Ciências Policiais), com apoio da FENAVIST (Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores). O presidente do CIST, José Geraldo da Silva, comentou sobre a importância deste debate, pois as pessoas não imaginam que existam empresas de escolta armada que atuam sem regularização. “Mais uma vez fica evidente a importância de nós dos seguros estarmos próximos do setor de segurança, que trabalha alinhado conosco”. Autair Iuga também abordou a criação da Lei Estadual nº 15.315/2014, criada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para punir empresas que comercializem produtos roubados. A partir do decreto, empresas e empresários que comprovadamente fizerem receptação de carga roubada ficarão proibidos de exercer atividade comercial no estado de São Paulo. “A lei tem o intuito de combater o roubo e furto de carga e responde aos anseios do setor”, declarou. Rene Ellis, da Control LP Loss Prevention, e Alexandre Massao, do Grupo Fox de Regulação e Auditoria, estiveram com José Geraldo da Silva, presidente do CIST, questionando e mediando as perguntas da plateia sobre as exigências, selo e garantias para reconhecer uma empresa de escolta armada devidamente regularizada.


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Destaque 4º Simpósio ExpoCIST é o grande encontro dos profissionais de seguros de transportes em 2016 O Clube Internacional de Seguros de Transportes (CIST) está com tudo pronto para a quarta edição de seu grande encontro anual, o Simpósio ExpoCIST, que neste ano tem como tema “O cenário dos seguros de transportes no Brasil”. Criado em 2012, o CIST promove mensalmente diversas palestras, eventos e cursos para este específico ramo de seguros que carecia de informação especializada, mas é no Simpósio, grande evento realizado anualmente em novembro, que vemos concentrada toda a cadeia logística de profissionais envolvidos nos seguros transportes de cargas. O 4º Simpósio ExpoCIST acontece no dia 24 de novembro, das 8h30 às 22h, no hotel Tivoli Mofarrej São Paulo, reunindo os associados – corretores, seguradores, resseguradores e prestadores de serviço do ramo – e grandes empresas que buscam contato com esse especializado público. Segundo José Geraldo da Silva, presidente do CIST, a participação de respeitados profissionais reflete a confiança adquirida pela entidade no mercado de seguros de transporte. “Com uma atuação séria focada em conteúdo, em pouco tempo o CIST conquistou o mercado e hoje seus eventos ganham prioridade nas agendas dos executivos de seguros de transportes”. Na cerimônia de boas-vindas, acompanham o presidente do CIST, os líderes de importantes entidades representativas de seguros no Brasil e na América Latina. Apresentarão dados sobre o cenário dos seguros de transportes no Brasil: Alexandre Camillo, presidente do Sincor-SP (Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo); Osmar Bertacini, presidente da APTS (Associação Paulista dos Técnicos de Seguros); Leonardo Umana, secretario geral da Alsum (Associação Latinoamericana de Subscritores Marítimos) e Daniel Beck, Presidente da IAATI – Latino America (Associação Internacional de Investigadores de Roubo de Automóveis). Em seguida, são cinco painéis com tempo para debates. O especialista de Subscrição de Transportes do IRB-Re, Sérgio Vasconcellos Dias, abordará o “Panorama do mercado de resseguro no ramo Transportes no Brasil – cenário atual e CISTNEWS 17 18 | 14

perspectivas”. Dr. Henrique Naoki Shimabokuro, ex-diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), apresentará “As causas e consequências dos acidentes rodoviários de cargas”. Nesse mesmo painel, Ramon Peres Martinez Garcia de Alcaraz, Fundador e presidente da FADEL Transportes e Logística, exibirá o Case de Sucesso “Salvar vidas dá lucro”. Após o almoço, Geiza Lima, gerente Comercial Marine da AON RISK, falará sobre "Mercado do seguro Operador Portuário no Brasil e no mundo". Em seguida, Xavier Pazmino, vicepresidente regional de Marine Latam da Chubb, apresentará a palestra “DSU Delay in Star – Up - Cargas de Projetos”. Dr. Paulo Henrique Cremoneze, advogado, especializado em Direito do Seguro e Direito dos Transportes, finalizará com “A hierarquia das leis dos seguros de transportes”.


As considerações finais sobre os painéis do 4º Simpósio ExpoCIST ficarão a cargo de Salvatore Lombardi Jr., vice-presidente do CIST e diretor de transportes da Argo Seguros, seguido do encerramento apresentado pelo presidente do CIST, José Geraldo da Silva. A mediação e coordenação do evento é responsabilidade do advogado e jornalista J.B. Oliveira. Às 19 horas acontecem o coquetel de encerramento e a abertura da ExpoCIST, feira comercial que conta com estandes trazendo novidades sobre produtos e serviços, além de possibilitar um intenso networking entre os profissionais do setor. O 4º Simpósio tem o patrocínio das importantes

empresas: Argo Seguros, Axa Seguros, Chubb Seguros, Grupo Fox Regulação & Auditoria, Grupo Golden Sat, Haüptli Advogados Associados, IRB Brasil Re, Moraes Velleda, Porto Seguro Transportes, Sascar, Serra & Company, Servis Gerenciamento de Risco, Sompo Seguros, Suatrans, Tokio Marine Seguradora e XL Catlin Seguros. A ExpoCIST deste ano será animada com o show de Close Up Magic, do ilusionista Gilberto Banin, além de sorteios e atividades livres em cada estande. Durante o evento será entregue a mais recente edição da revista CIST News, outra iniciativa do CIST para levar informação e conhecimento aos profissionais do setor, registrando as conquistas para as quais caminha este segmento. O investimento para o 4º Simpósio ExpoCIST é de R$ 200 para associados e R$ 300 para não-associados no pacote completo, que dá acesso às palestras e almoço, mas para aqueles interessados apenas em visitar a feira, o valor é de R$ 100. Inscrições e mais informações: www.cist.org.br

PLANTA DO EVENTO 24 de Novembro de 2016 das 8:00 às 22:00

Hotel Tivoli Mofarrej SP

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Mercado 17º Conec tem Fórum de Transportes com executivos do setor O ramo de transportes esteve entre os temas de destaque na 17ª edição do Conec (Congresso dos Corretores do Estado de São Paulo), promovido pelo Sincor-SP, o maior congresso de corretores de seguros do mundo, que neste ano reuniu 6.600 pessoas em seus três dias de evento (6 a 8 de outubro). O Fórum de Transportes aconteceu no segundo dia do congresso, das 14h às 15h30, no Auditório Empreender. O presidente do CIST, José Geraldo da Silva, é também coordenador da Comissão de Transportes do Sincor-SP, e foi um dos palestrantes. O painel teve como objetivo apresentar as oportunidades do ramo de transportes, estimulando a operação para corretores que ainda não atuam no segmento. Os painelistas buscaram mostrar para o corretor de seguros que ele tem uma alternativa de produção para ampliar o seu negócio. Fórum de Transportes Palestrantes: Artur Santos (GPS Pamcary), Claudinei Costa (Seguros SURA), Ezaqueu Antonio Bueno (Comissão de Riscos Patrimoniais do Sincor-SP) e José Geraldo da Silva (Comissão de Transportes do Sincor-SP) Mediador: Edson Fecher (conselheiro Fiscal do Sincor-SP) Fonte/ Reportagem: Comunicação Sincor-SP

“Este é um nicho de mercado com imenso potencial, pois é grande a demanda e ainda são poucos os corretores especializados”, diz Edson Fecher, conselheiro fiscal do Sincor-SP e mediador do painel. O investimento em novas estratégias e nichos pouco explorados foi levantado pelos participantes do “Fórum de Transportes“. Entre a gama de seguros que pode significar novas oportunidades e negócios está o de transportes. “Hoje, em todo o Estado de São Paulo, apenas 500 corretores são totalmente especializados no segmento”, completa. Por ser obrigatório, o seguro de transportes tem grandes vantagens, o que o coloca à frente de outras modalidades. Além disso, o modal rodoviário transporta 60% do PIB brasileiro, sendo o transporte de cargas estratégico e vital para a economia. “E é um mercado dinâmico e extremamente vulnerável, principalmente devido aos riscos de roubos e acidentes”, explica Artur Santos, vice-presidente da GPS Pamcary. O coordenador da Comissão de Transportes do Sincor-SP, José Geraldo da Silva, também enumera as vantagens deste setor: o seguro de transportes serve como ferramenta de fidelização de clientes, o comissionamento é mensal – o que contribui com a sustentabilidade financeira da empresa e, principalmente, a maior remuneração, quando comparado ao seguro de auto. “A comissão de corretagem por negócio pode equivaler até a 12 vezes o ganho obtido no seguro de automóvel”, explica. As seguradoras estão dispostas a colaborar para que os corretores entrem nesse segmento. “As seguradoras estão totalmente interessadas nesse ramo e em ter novos corretores, até mesmo investindo na oferta de serviços e produtos para os nichos deste mercado”, afirma Claudinei Costa, superintendente técnico da Seguros Sura. “Nós, corretores, temos receio, mas hoje mudei o meu pensamento. Os especialistas daqui acabaram de ganhar um novo concorrente no ramo de seguro de transportes”, diz Ezaqueu Antonio Bueno, da Comissão de Riscos Patrimoniais do Sincor-SP. Para Wilson Taveshi, congressista de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o Fórum foi importante para incentivar a participação nesse mercado. “Por isso vim aqui, atualizar meu conhecimento sobre esse produto, o que pode contribuir para o crescimento do meu negócio”, afirma. CISTNEWS 18 | 16


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Entrevista Parceria pelo desenvolvimento dos seguros de transportes A FenSeg – Federação de Seguros Gerais – ao representar as seguradoras, atua em diversas frentes para atender todos ramos de seguros, e por meio de sua Comissão de Transportes é parceira do CIST para avanços em pleitos desse mercado. A gerente da FenSeg, Glória Aranha, fala conosco sobre o trabalho da entidade como contribuição ao desenvolvimento do setor de seguros de transportes. CIST News – Quem compõe a Comissão de Tranportes da FenSeg e qual o trabalho do grupo? Glória Aranha – Atualmente, a Comissão de Transportes - CT FenSeg é presidida por Alexandre Leal Rodrigues (HDI), e tem como membros Adriano Yonamine (Sompo), Amilcar Spencer Fryszman (Chubb), Diego Lauria (Bradesco), Edson Lima de Souza (AIG), Marcelo Lopes da Silva (Argo), Márcio Souza Santos (Sura), Marco Antônio Pereira dos Santos (Allianz), Marcos Antonio Nogueira de Siqueira (Liberty), Marcos Antonio Vieira de Freitas (SulAmérica) e Ricardo Beyer (Mitsui Sumitomo). O trabalho principal da diretoria com relação ao ramo de transportes é proveniente do próprio mercado segurador, as demandas que nos chegam são colocadas na Comissão de Transportes. A FenSeg vem para trabalhar aquilo que o mercado precisa e demanda, não para determinada empresa, mas sempre de forma geral para o desenvolvimento do mercado de transportes. Muitas vezes são estabelecidas parceiras com comissões de transportes de outras entidades (Sincor-SP, por exemplo) ou com o CIST, que trabalha exclusivamente neste ramo. Podem ser feitas reuniões ampliadas, com integração dos membros, ou parcerias em alguns assuntos, para desenvolvimento de ações consideradas importantes para o mercado como um todo. CIST News – Qual o foco da Comissão de Transportes da Fenseg hoje? Glória Aranha – A Comissão está se debruçando sobre o desenvolvimento do RNS – Registro Nacional de Sinistros – que tem como objetivo possibilitar o compartilhamento de dados de sinistros das seguradoras associadas à FenSeg; notificar coincidências entre sinistros que indiquem indícios de possíveis fraudes; prover informações relevantes para tomada de decisão sobre aceitação de riscos e/ou regulação de sinistros; e padronizar as informações de sinistros para consulta entre as seguradoras. A seguradora que aderir ao RNS deve disponibilizar as informações de seus segurados para poder ter acesso ao banco de dados de todas as seguradoras. O RNS de Transportes ainda não está maduro como o RNS de Automóvel, em que 100% do mercado de automóvel já alimenta o sistema (o RNS está disponível nos seguintes segmentos Automóvel, Pessoas, Riscos Patrimoniais, Transportes, Crédito e Garantia e Rural). O RNS de Transportes, por enquanto, deve a participação de 50% do mercado, que contribui colocando suas informações. Falta conscientização de que a partir do momento que a seguradora passa suas informações de sinistros ela também pode consultar os dados do mercado, e isso favorece muito porque um dos itens muito discutidos pelos executivos de transportes é a falta de CISTNEWS 18 | 18

informação para uma boa subscrição do risco. Existe o questionário de informações do segurado, mas se as informações passadas por ele não traduzirem a realidade, pode prejudicando o mercado e, consequentemente, a si próprio. Daí o RNS ser tão importante, porque vai espelhar toda a experiência do segurado em termos de sinistralidade de seguro: quantos sinistros teve, quais foram as causas. É uma fonte de informações muito valiosa, que precisamos ainda precisa avançar mais, com outras seguradoras aderindo, mas informações sendo prestadas. CIST News – Como incentivar a adesão de todas as seguradoras? Glória Aranha – Estamos conscientizando que o RNS é um banco de dados que vai poder auxiliar também no gerenciamento de risco, porque quando a seguradora faz sua pesquisa recebe as características do sinistro, e começa a delinear melhor o gerenciamento de risco adequado. O RNS é técnico, não infere comentários sobre nenhum segurado, mas é informação vital para uma seguradora. Sem essas informações, uma seguradora não tem como administrar de maneira plena e técnica a sua subscrição. Ou ela confia no questionário de informações do segurado, ou ela adere ao RNS e passa a ter mais informações (não que um vá substituir o outro). Para o ano de 2017 estamos esperando que mais seguradoras façam suas adesões, e vamos continuar trabalhando nesse projeto que vai ser um grande passo para a subscrição de risco nas seguradoras. CIST News – Há algum outro trabalho em andamento pela Comissão de Transportes da FenSeg? Glória Aranha – Outro trabalho importante para estamos nos dedicando é o estudo do PL 4860/16, Projeto de Lei que modifica a legislação de transportes rodoviário de cargas. Em parceria com a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), estamos estudando atentamente o PL, analisando quais são os artigos que mais impactam nas operações dos seguros de transportes, e verificando como podemos endereçar nossas sugestões para Brasília. Não posso entrar em detalhes, porque ainda estamos desenvolvendo. Estamos observando no que tudo isso nos impacta e nos preparando para atuar.


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Técnicos Um desserviço ao seguro de transporte rodoviário por Aparecido Mendes Rocha Três projetos de lei propondo alterações à Lei nº 11.442/ 2007, que dispõe sobre o transporte rodoviário de cargas, tramitam na Câmara dos Deputados Federais. São os PLs 3463/2015, da deputada Clarissa Garotinho; 4860/2016, da deputada Christiane Yared; e 2080/2015, do deputado Jerônimo Goergen. Os PLs apresentados ao plenário não trazem nenhuma melhoria para o setor de transportes, alteram toda a dinâmica dos seguros envolvendo transportadores e embarcadores e, da forma como foram propostos, acarretariam sérios prejuízos a todo o mercado de seguros, inclusive aos próprios transportadores e embarcadores. Os PLs 3463/2015 e 2080/2015 propõem alterar a lei, proibindo a estipulação do seguro obrigatório de responsabilidade civil do transportador rodoviário de cargas (RCTR-C) por terceiros, especificamente pelos embarcadores, e exige que o seguro seja contratado, exclusivamente, pelo transportador, e apenas por apólice única, não admitindo a emissão mais de uma apólice por transportador. Uma das justificativas alegadas nos PLs, de proibir a estipulação da apólice de RCTR-C, é a diversidade de regras de gerenciamento de risco impostas aos transportadores. Um grande equívoco, pois, de acordo com as normas estabelecidas na Resolução CNSP 219, de 2010, publicada pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), não é permitida a inclusão de cláusula de gerenciamento de risco em seguro obrigatório. Outro aspecto é que, de acordo com os artigos 1º, § 4,19 e 20 das Condições Gerais da Resolução CNSP nº 219/2010, é facultada a estipulação da apólice de RCTR-C por terceiros, no caso os embarcadores, logo não viola a legislação securitária e nem configura duplicidade, pois a apólice é emitida, exclusivamente, para os embarques de um determinado embarcador estipulante da apólice e diretamente no nome do transportador. Quanto à apólice única, os PLs querem impedir que o transportador possa contratar apólice adicional, contrariando o Art. 20 do Capítulo XI – Outros

Seguros das Condições Gerais do seguro de RCTR-C, que permite ao transportador contratar mais de uma apólice, quando possuir filiais em algum Estado não cobertas pela apólice principal. Outras possibilidades para apólices adicionais se aplicam quando: a apólice for específica para um determinado tipo de mercadoria excluída da apólice principal; o valor do embarque for superior ao Limite Máximo de Garantia por veículo/acúmulo e recusado pela seguradora dentro dos prazos previstos na apólice principal; e quando as apólices adicionais forem estipuladas por um determinado embarcador, em nome do transportador. As apólices adicionais estão em perfeita consonância com o mercado e atendem às necessidades dos transportadores. Por esta razão, não se justifica o pleito, que, caso aprovado, beneficiará apenas alguns corretores e pouquíssimas seguradoras e criará um verdadeiro monopólio, que certamente causaria prejuízos irreparáveis para todo o mercado. O PL 4860/2015 propõe tornar obrigatório o seguro de responsabilidade civil facultativo por desaparecimento de carga (RCF-DC). Essa seria a alteração mais perigosa e, se aprovada, causaria um grande estrago no mercado de seguros. Pelas normas da Susep, não é permitido exigir regras de gerenciamento de riscos, franquias e participação obrigatória em seguros obrigatórios. O transporte sem o gerenciamento de riscos motivará ainda mais a criminalidade que atua no roubo de cargas e, certamente, aumentará a sinistralidade das apólices e afastará as seguradoras do ramo de transporte, fazendo com que muitos corretores tendam a desaparecer. Nunca o seguro de transporte despertou tanto interesse dos parlamentares, e espera-se que esses, realmente, estejam comprometidos em buscar soluções para a melhoria das atividades de transportes e seguros e não seja apenas uma jogada política com interesse de terceiros. Afinal, existem outros temas mais relevantes com que os deputados poderiam colaborar para o desenvolvimento do setor de seguros, um dos mais promissores da economia nacional.

Aparecido Mendes Rocha é corretor de seguros especialista em seguros internacionais, 2º vicepresidente do CIST CISTNEWS 18 | 20


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Economia Dias melhores virão por André Moraes Velleda

Embora a economia seja uma ciência exata, sabemos que fatores subjetivos influenciam bastante o seu rumo. Em diversos momentos da grave crise pela qual o Brasil se meteu nos últimos dois anos, esses fatores subjetivos ficaram bem evidentes, principalmente no que se refere às turbulências políticas ocorridas ao longo de todo o processo de impeachment e as prisões derivadas da Operação Lava Jato que atingiram em cheio o mundo político nacional e algumas das maiores empresas do país. O turbilhão – é verdade – ainda não terminou, considerando que a Lava Jato continua e ninguém se arrisca a dizer como será o dia de amanhã após a delação da Oderbrecht. Apesar do cenário nebuloso, parece que há um brilho de luz no horizonte. É o que indica a pesquisa realizada em setembro pelo GRI com 78 líderes de empresas do setor de infraestrutura, sobre a percepção e as expectativas deles com relação a economia e os negócios ao longo do tempo. Fundado nos Estados Unidos em 1998, mas com sede em Londres, o GRI é um clube global que reúne os maiores e principais players dos setores imobiliário e de infraestrutura. O clube está presente no Brasil desde 2010, tendo aqui mais de 250 membros. Na pesquisa anterior, em março, 72,2% dos entrevistados acreditavam que a economia em 2016 teria um desempenho pior do que em 2015. Agora na avaliação de setembro, esse índice caiu para 26%. Por outro lado, em março, míseros 2,8% achavam que a economia desse ano teria um desempenho melhor, índice que em setembro subiu significativamente para 33,8%. Em outra questão, a pesquisa do GRI pergunta “como a sua empresa está vivendo o atual contexto?”. Em março, 22,2% dos players entrevistados

responderam que estavam “desinvestindo” ou reduzindo o nível de negócios. Já em setembro, essa avaliação diminuiu para 13%. A mão contrária ainda não é empolgante, ou seja, também caiu de 41,7% para 39% quem respondeu que sua empresa estava investindo ou ampliando negócios mesmo com maior cautela. Todavia, se analisarmos ambos os dados, a queda entre quem disse estar desinvestindo foi grande, enquanto a diminuição de quem está investindo foi bem pequena ou quase estável. A pesquisa do GRI vai além e questiona sobre a expectativa de resultados da empresa para os próximos 12 meses. Aqui a confiança ganha fôlego. Enquanto 16,9% dos líderes entrevistados responderam ter uma expectativa ruim, 46,8% disseram o contrário e que a expectativa é boa, e 36,3% opinaram por definir como “regular”. Quando a pergunta é específica sobre a expectativa quanto ao desempenho do setor de infraestrutura, de forma geral, nos próximos 12 meses, a percepção é parelha: 35,1% acredita que será ruim e 36,4% avalia que será boa, 24,6% que será regular e apenas 3,9% que será péssima. Por fim, destaco o questionamento da pesquisa que aborda quais segmentos de infraestrutura oferecem as melhores oportunidades em termos de novas concessões e/ou PPPs. Segundo os 78 líderes que responderam ao estudo, as cinco melhores oportunidades são, pela ordem: aeroportos, saneamento, rodovias, energia – transmissão, e portos. No cômputo final, pode-se dizer que há melhora no humor de empresários e investidores. Esperamos todos que essa percepção não seja em vão e se confirme.

André Moraes Velleda é presidente da Moraes Velleda, consultoria de prevenção de perdas e gestão de riscos.

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Fraudes Nova modalidade de fraude usa troca de motorista para desvio de carga por Paulo Rogério Haüptli É cada vez mais comum as empresas serem vítimas de desvio de cargas, na modalidade estelionato com falsificação de documentos e identidade. Neste caso, o transportador solicita para motorista agregador coletar mercadorias no embarcador, porém não são adotadas as cautelas necessárias, assim o estelionatário consegue os dados pessoais do motorista e do seu cadastrado, desta maneira é liberado. O estelionatário "monta" uma cédula de identidade, CNH e documentos do caminhão que tiveram suas placas trocadas, ou seja, fazendo uso daquelas do veículo liberado do motorista que teve sua documentação falsificada, inclusive obtém documento de coleta. A seguir, se dirigem à empresa proprietária da carga e retiram o material se passando por alguém que não são, até porque muitas vezes a contratação é maior, até mesmo dos ajudantes. O embarcador desavisado e sem nenhuma cautela entrega a mercadoria ao estelionatário que desaparece com a carga. Este é um problema muito sério no mercado, que acarreta em dezenas de sinistros diários com esta modalidade de delito. Fraude em transportes A fraude é um problema que acontece em todos os ramos de seguros, mas com grande incidência no de transportes. O contrato de seguros estabelece a boa-fé entre as partes, e por sua característica do mutualismo, todos colaboram com a construção do capital utilizado para cobrir a indenização de uma eventualidade. Assim, a fraude é um ato doloso que traz prejuízo para as seguradoras e encarece o produto de seguro para todos os clientes. No mundo inteiro o fenômeno das fraudes em seguros é considerado um problema relevante e extremamente atual. Segundo estudo da FenSeg, os ramos mais afetados são os de automóvel e transportes, respectivamente com 13,6% e 11,7% de fraudes. O resultado é extremamente conservador, provavelmente devido ao fato que muitas empresas ainda não têm sistemas eficientes de detecção de fraudes e por esta razão forneceram dados incompletos. Existem algumas outras estimativas de mercado, que possivelmente estejam mais próximas da verdade, apontando para um volume de fraudes na casa de 25 a 30% dos sinistros pagos, ou seja, algo entre R$ 4 e 5 bilhões. Especialistas trabalham firmemente na identificação da fraude para não haver despesas indevidas. No patamar que as fraudes ao seguro de transporte chegaram, é preciso estar munido de técnicas para a preservação do mercado, por isso o Grupo Fox de Regulação e Auditoria conta com especialistas que ministram o curso in company, em seguradoras, “Identificando a fraude no sinistro de transportes”.

Paulo Rogério Haüptli é sócio-diretor do Grupo Fox de Regulação e Auditoria, titular da Haüptli Advogados Associados, professor de treinamentos contra fraude no seguro, e diretor de sindicância do CIST.

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Técnicos Tecnologia agiliza entrega e transforma “Carta Protesto” em aliado de seguradoras e segurados por Vanderlei Moghetti, A cada ano que passa, nos surpreendemos com o avanço da tecnologia e como as mudanças que ela provoca se incorporam no nosso dia a dia. Há apenas cinco anos, praticamente não havia aplicativos no mercado, porque o segmento de tablets e smartphones ainda engatinhava. Hoje, quando olhamos para trás, é até difícil imaginar como era vivar sem tantos os muitos serviços que contamos hoje com um simples toque. No mercado de seguros não é diferente. Muita coisa mudou para melhor com a evolução da tecnologia, que diminuiu distâncias e aproximou ainda mais as pessoas. Um exemplo recente e muito positivo nesse sentido pode ser verificado justamente no seguro de Transportes. Recentemente, Argo Seguros lançou a “Carta Protesto com Certificação Digital”, um serviço via e-mail que não valida apenas a assinatura, mas o documento inteiro. Para entender melhor as vantagens que essa novidade oferece é preciso conhecer um pouco da legislação brasileira. Segundo a nossa lei, se ocorrer qualquer dano ou falta à mercadoria durante seu transporte - seja por via aérea, marítima ou rodoviária - o importador/ recebedor tem até 10 dias corridos, contados da data

de constatação do dano ou falta, para entregar aos responsáveis pelo transporte, logística, movimentação e armazenagem da carga, a tal da “Carta Protesto”. Como todos sabem, geralmente essa comunicação é feita através de carta registrada. Porém, como o documento pode sofrer atrasos para ser entregue, o cliente corre o risco de perder o direito a indenização de um sinistro coberto. Essa situação é muito ruim para todas as seguradoras, porque quando ocorre um sinistro e o segurado não recebe a indenização, fica com a sensação de que o seguro “não serviu para nada”. Foi pensando justamente numa maneira de garantir a efetividade desse procedimento aos segurados que desenvolvemos esse serviço. O processo é totalmente online, rastreia todo o percurso do documento, e ainda emite um relatório com todos os dados, do envio da mensagem à chegada na máquina do destinatário e leitura, se os anexos foram abertos, entre outras coisas. Como o e-mail é automático, o destinatário recebe praticamente na mesma hora, eliminando o risco do documento não ser entregue no prazo previsto na legislação vigente e condição do seguro. Dessa forma, ao enviar um e-mail com a certificação digital, o segurado garante que a sua mensagem passe a ser aceita como prova de entrega da Carta Protesto, o que elimina os riscos citados acima. Por ser tratar de algo eletrônico, há evidente redução de custos em todo o trâmite, sem falar na economia de tempo aos evitarmos uma série de complicações para acionamento da cobertura do seguro. Outro ganho relevante é que garantimos também o direito de indenização do segurado e a possibilidade de ressarcimento da seguradora por subrogação de direito. Resumindo, no final todo mundo fica feliz. Atualmente, apesar de apenas a Argo Seguros autorizar este tipo de procedimento, acredito sinceramente que isso vai se tornar uma tendência, a ponto de todas as demais companhias adotarem praticas semelhantes. A tendência para um futuro próximo é a evolução dessa prática.

Vanderlei Moghetti é gerente de Sinistro de Transportes da Argo Segurosautor de livros jurídicos.

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Direito Securitário O Novo Código de Processo Civil e foro de eleição nos contratos internacionais de transportes de cargas por Paulo Henrique Cremoneze O novo Código de Processo Civil já se encontra em vigor desde 18 de março de 2016. Evidentemente, um Código novo carrega consigo expectativas, positivas e negativas. Muito papel e bastante tinta serão consumidos a respeito do Código e certamente os debates serão intensos e sucessivos, conforme as novas regras processuais forem aplicadas cotidianamente. Afinal, um novo sistema se implanta, com figuras mais próximas ao “common law” do que ao “civil law”, rompendo-se tradição originária do Direito brasileiro. De qualquer forma, nosso propósito é modesto, limitado a tratar do Código e das suas normas e regras apenas naquilo que tange ao Direito dos Transportes e ao Direito do Seguro. Nesse sentido, ousamos comentar, ainda que sumariamente, sobre o artigo 25 e o foro estrangeiro exclusivo de eleição, muito comum nos conhecimentos internacionais de transportes marítimos e aéreos de cargas. O objetivo principal é mostrar que essas regras não são aplicáveis aos casos (litígios) envolvendo contratos internacionais de transportes marítimos e/ou aéreos de cargas, porque típicos contratos de adesão. Os transportadores marítimos e aéreos de cargas impõem cláusulas contratuais aos consignatários de cargas, usuários dos serviços de transportes. Esses mesmos usuários não externam suas respectivas vontades, de tal modo que as referidas cláusulas são abusivas e ilegais, como o Poder Judiciário sempre reconheceu. E sendo tais cláusulas abusivas e ilegais, impostas unilateralmente, não podem ser abraçadas pela nova regra processual que trata do foro estrangeiro de eleição. A ausência da voluntariedade ampla e bilateral inibe a efetiva incidência da nova regra processual relativamente aos contratos internacionais de transportes marítimos e/ou aéreos de cargas. E dentro dessa concepção, com mais razão tais cláusulas não são aplicáveis às seguradoras legalmente sub-rogadas nas pretensões dos segurados e consignatários de cargas, autoras de ações regressivas de ressarcimentos contra os mesmos transportadores, uma vez que sequer foram e são partes nos mesmos e criticados instrumentos contratuais abusivos. Vejamos. Há uma regra no novo Código de Processo Civil que poderá causar alguma confusão se não for corretamente interpretada nos casos envolvendo disputas judiciais fundadas em inadimplementos de contratos de transportes internacionais marítimos e/ou aéreos de cargas. Fala-se especificamente do artigo 25, que trata do foro estrangeiro de eleição, cuja dicção é a seguinte: “Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação”. Referida regra não poderá ser aplicada aos casos envolvendo disputas relativas aos descumprimentos de obrigações contratuais de transportes marítimos e/ou aéreos de cargas, pois em cada um dos instrumentos

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contratuais o foro estrangeiro não foi eleito livremente pelas partes, mas imposto, unilateralmente, de forma adesiva, pelos transportadores, sem que as consignatárias das cargas, muito menos as seguradoras eventualmente sub-rogadas nas pretensões destas, pudessem esboçar quaisquer discordâncias a respeito. Antes mesmo dessa regra processual, transportadores marítimos e aéreos tentavam fazer valer o foro estrangeiro previsto nos contratos internacionais marítimos e aéreos de cargas, fingindo não se tratar de uma norma adesiva, abusiva e contrária ao sistema legal brasileiro, com nuances inconstitucionais, inclusive. E a cada tentativa ao longo dos anos, o Poder Judiciário respondeu negativamente, reconhecendo tratar-se mesmo de uma norma manifestamente ilegal, porque abusiva, imposta unilateralmente em contrato de adesão, mediante cláusula impressa. Não são poucos os julgados dos mais importantes Tribunais de Justiça de todo o Brasil e do Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser manifestamente abusiva, portanto ilegal, a cláusula presente tanto no conhecimento de transporte marítimo como no conhecimento de transporte aéreo (ambos de carga) impondo unilateralmente um foro estrangeiro qualquer, flagrantemente em descompasso com a garantia constitucional de acesso à Justiça (no Brasil). Considerando o novo sistema processual brasileiro e a força do precedente judicial, as decisões reiteradas recusando o foro estrangeiro de eleição num contrato de adesão são muito significativas e não poderão ser desprezadas quando da análise prática e efetiva aplicação do artigo 25 relativamente aos contratos internacionais de transportes marítimos e/ou aéreos de cargas. Não é só: em se tratando, num dado caso concreto, de autora seguradora legalmente sub-rogada na pretensão do segurado e consignatário da carga, a eventual aplicação da cláusula se revelava e revela ainda mais errada, como a jurisprudência também sempre reconheceu amplamente, haja vista não ter anuído de forma alguma com a referida disposição. Ora, se o segurado, consignatário da carga, não anuiu com o foro estrangeiro de eleição, muito menos assim o fez a sua seguradora, constituindo-se um abuso monumental e uma ofensa constitucional ao seu direito constitucional, garantia fundamental, de acesso à Justiça. Não é só: muito aproveita lembrar que em matéria de direito internacional privado, há de se observar as relações individuais, a fim de se observar o direito aplicável nos litígios entre as partes. Contudo, certas limitações são impostas às mesmas, principalmente nas questões afetas à competência internacional concorrente, conforme se verificará. Normalmente os contratos internacionais atribuem jurisdição a tribunais estrangeiros, o que por si, implica em imposição unilateral de vantagem a


uma das partes em detrimento da outra. Entretanto, a indicação de foro não se mostra obrigatória, mormente, em razão de dois fatores: a submissão anterior à jurisdição diversa da convencionada e a ineficácia da referida cláusula frente aos terceiros sub-rogados em direito e obrigações. O princípio da submissão constitui em aceitação voluntária das partes à jurisdição de um tribunal que ao qual normalmente não estão afetas, ou seja, foro diverso daquele estabelecido para dirimir eventuais conflitos entre os contratantes. Pois bem, ao abordarmos a ilegalidade do foro de eleição no contrato internacional de transporte marítimo de carga, também aproveitamos para tratar da preferência da autoridade judiciária brasileira, defendendo a jurisdição nacional. Evidentemente que a abordagem acima reproduzida fez menção ao antigo Código de Processo Civil, mas os argumentos jurídicos continuam rigorosamente os mesmos, na medida em que mudança alguma houve nesse sentido. Pois isso tudo, não há que ser aplicada a regra do artigo 25 em casos envolvendo contratos de adesão (marítimos ou aéreos), uma vez que não existe verdadeira eleição de foro estrangeiro, mas imposição ilegal e inconstitucional em contrato de adesão, do qual a autora não foi parte e não manifestou livremente sua vontade. De se notar que não questionamos, em verdade, a constitucionalidade, tampouco as validade e eficácia da regra referida regra em si, mas sua eventual e equivocada aplicação nos litígios envolvendo, nunca é demais repetir, contratos internacionais, adesivos, de transportes aéreos e marítimos de cargas, uma vez que o foro estrangeiro de eleição não foi convencionado em qualquer um deles, mas imposto unilateralmente. E isso, como demonstrando à exaustão, tem ainda mais cabimento em se tratando, por exemplo, de uma autora seguradora de carga legalmente sub-rogada na pretensão do consignatário, pois aquela, mais do que este, não externou de forma alguma sua livre vontade acerca do assunto. Os contratos de adesão têm que ser analisados com muito rigor e cuidado, sempre restritivamente. Não podem, pois, de forma alguma servir como salvo-condutos aos abusos, especialmente àqueles que esvaziam garantias constitucionais como a do amplo acesso à Justiça. Por isso tudo, repetimos convictamente, é que não se pode emprestar à cláusula de eleição de foro nos contratos internacionais de transportes marítimos e/ou aéreos de cargas a estampa e a proteção do “pacta sunt servanda”. Bem ao contrário, essa cláusula, como dissemos, é ineficaz, tendo-se para a fixação do foro competente outros critérios, ditados pelo sistema legal brasileiro.

Daí, ao menos na matéria em exame, a cuidadosa interpretação e aplicação do artigo 25, não se permitindo prejuízos indevidos às partes aderentes ou, ainda mais graves, aos seus seguradores, sequer partes nas relações contratuais originais. Com efeito, o lugar de cumprimento de uma obrigação de transporte é o critério legal normalmente utilizado para os casos de importação. Já em se tratando de exportação, a fim de tutelar o interessado brasileiro, tem-se como critério legal o lugar em que a obrigação de transporte foi celebrada. Outro critério válido é o do lugar dos fatos ou da apuração dos fatos. Todos esses critérios, ditados pela lei, sobrepõem-se ao draconiano foro de eleição e todos foram, de um modo ou de outro, contemplados pelo novo Código de Processo Civil, que premiou, sim, o foro de eleição, desde que absolutamente voluntário numa dada relação contratual, jamais numa relação marcada pelo selo da adesão. Se o autor da ação for um segurador legalmente sub-rogado, vale a pena insistir, a situação é ainda mais confortável em termos de rechaçamento de qualquer arguição de validade da cláusula de foro de eleição, pois o segurador não foi parte do contrato de transporte. Ora se a cláusula não é capaz de prejudicar o celebrante do contrato de transporte, com mais razão não poderá atingir o segurador legalmente sub-rogado. Por isso, seguimos seguros em afirmar que, em princípio, salvo casos muito excepcionais, a jurisdição brasileira será sempre a competente para apreciação da disputa judicial de Direito dos Transportes (e do Direito Marítimo, em especial), desprezando-se, assim, as cláusulas impressas no Conhecimento Marítimo ou no Conhecimento Aéreo. Não estamos afirmando que o foro de eleição não pode aparecer num dado negócio jurídico, mas que ao menos em relação ao contrato de transporte marítimo, até por sua natureza adesiva, realmente não pode viger e produzir efeitos jurídicos. Por isso mesmo, o posicionamento jurisprudencial tem sido no sentido de que tal “convenção” se mostra, na maioria das vezes, abusiva, tendo-se em conta que traz vantagens apenas para um dos contratantes, o transportador. Não temos motivos para acreditar que isso mudará com o novo “Codex”. Logo, nos contratos de adesão, a cláusula de eleição do foro tem declarada ex officio sua nulidade ou, no mínimo, sua ineficácia, sua invalidade. O foro estrangeiro de eleição é, sim, uma realidade normativa e a nova regra processual merece todo o prestígio possível, desde que ele seja verdadeiramente eleito entre as partes, escolhido como fruto da livre manifestação de vontades, não como algo imposto, abusivamente, em sede de contrato de adesão, sem anuência alguma da parte aderente, muito menos da sua seguradora. Assim, ousamos concluir que a nova regra, quando corretamente interpretada e aplicada em nada mudará a tradição jurisprudencial brasileira, sobretudo quando a parte interessada num litígio for seguradora legalmente sub-rogada na pretensão do consignatário de uma carga avariada ou extraviada, total ou parcialmente, por um transportador.

Paulo Henrique Cremoneze é advogado, especializado em Direito do Seguro e Direito Marítimo, sócio dos escritórios MCLG-SMERA, mestre em Direito Internacional Privado, autor de livros jurídicos. CISTNEWS 18 | 29


Técnicos Necessidade e obrigatoriedade dos seguros no segmento de transportes de carga por Adailton Dias O aumento expressivo nos roubos de carga no Brasil tem exigido dos profissionais do segmento de seguros uma atuação cada vez mais estratégica e especializada. Com índices que superam as 52 cargas roubadas diariamente no País, corretores devem estar preparados para prestar consultoria e esclarecer aos seus clientes os processos que envolvem a subscrição de risco de uma operação de transporte. Até porque, em alguns casos, sem a contratação do seguro, a carga não tem autorização legal para circular. Porém, com a complexidade da legislação brasileira, até mesmo os profissionais que trabalham na área de seguros se vêm com dificuldade para identificar quais das modalidades de seguro são considerados obrigatórios. Entre os tipos mais questionados estão o seguro de transporte rodoviário nacional (TN), o seguro obrigatório de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário-Carga (RCTR-C) e seguro obrigatório de Responsabilidade Civil Facultativo por Desvio de Carga (RCF-DC). Este artigo tem como objetivo trazer alguns apontamentos sobre essas modalidades e suas coberturas para informar e contribuir para que os profissionais do segmento possam ter sempre uma fonte de consulta rápida para seu dia a dia. O que são

RCF-DC – É um seguro facultativo, que pode ser estipulado pelo dono da mercadoria (embarcador/consignatário), mas sempre tendo o transportador como segurado, ou contratado pelo próprio transportador. Obrigatórios ou facultativos? Os seguros de TN e de RCTR-C são obrigatórios conforme estabelece o artigo 20 do Decreto Lei nº 73/66, regulamentado pelo Decreto nº 61867/67. Logo, precisam ser contratados. Já o seguro de RCF-DC é facultativo. O Seguro de TN é um seguro de danos e os RCTR-C e RCF-DC são seguros de responsabilidade. Coberturas O TN cobre as perdas e danos causados às mercadorias transportadas por eventos de causa externa e os de RCTR-C e RCF-DC a reponsabilidade civil do transportador por perdas e danos causados a mercadorias de propriedade de terceiros que lhes são confiadas para transportes, desde que se configure a culpa (negligência, imperícia e imprudência) da Empresa Transportadora, devida e formalmente admitida.

Transporte Nacional Rodoviário (TN) – É um seguro obrigatório, que só pode ser contratado pelo Dono da Mercadoria (Embarcador/Consignatário).

Atualmente, os seguros de RCTR-C e RCF-DC podem ser estipulados pelos proprietários das mercadorias transportadas, desde que sejam os transportadores os segurados.

RCTR-C – É um seguro obrigatório, que pode ser estipulado pelo dono da mercadoria (embarcador/consignatário), mas sempre tendo o transportador como segurado, ou contratado pelo próprio transportador.

Confira na tabela abaixo, em quais casos se aplicam cada um dos seguros:

QUADRO COMPARTIVO DE COBERTURAS ENTRE: TN X RCTR-C X RCF-DC Perdas e Danos Decorrentes de:

Transporte Nacional

RCTR-C

RCF-DC

Acidentes ocorridos durante o transporte, tais como: Capotagem, Abalroamento, Colisão, Incêndio / Explosão.

COBRE

COBRE, quando caracterizada a responsabilidade do transportador.

NÃO COBRE

Incêndio ou explosão nos depósitos ou pátios usados pelo transportador, nas localidades de início, pernoite, baldeação ou destino da viagem.

COBRE COBRE

NÃO COBRE

Raio, Inundação, Alagamento, Enchente, Vendaval, Furacão, Ciclone, Tornado, Granizo e outros fenômenos da Natureza ou Atos Divinos.

COBRE

NÃO COBRE

NÃO COBRE

Transbordamento de cursos d´água, represas, lagos ou lagoas; Desmoronamento ou quedas de terra, pedras, obras de arte de qualquer natureza ou outros objetos.

COBRE, salvo se os bens estiverem em armazéns de propriedade, administração, controle ou in uência do Segurado, do embarcador, do consignatário, do despachante ou de seus agentes, representantes ou prepostos.

NÃO COBRE

NÃO COBRE

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QUADRO COMPARTIVO DE COBERTURAS ENTRE: TN X RCTR-C X RCF-DC Perdas e Danos Decorrentes de:

Transporte Nacional

RCTR-C

RCF-DC

Roubo oriundo de assalto à mão armada; Desaparecimento do carregamento total do veículo, devidamente comprovado por agentes policiais; e Extravio de volumes inteiros.

COBRE

NÃO COBRE

COBRE o desaparecimento da carga concomitantemente com o veículo transportador, em consequência de: Furto; Roubo; Extorsão; Sequestro; Apropriação indébita, decorrente ou não de estelionato ou falsidade ideológica. Não Cobre Caso Fortuito ou Força Maior.

Quebra; Derrame; Vazamento; Arranhadura; Contaminação; Contato com outra Carga; Má Estiva; Água Doce ou de Chuva; Operações de Carga e Descarga; Paralisação de Máquinas Frigorí cas; Roubo total ou parcial; Amolgamento; Amassamento, Má Arrumação e/ou Mau Acondicionamento; Oxidação, ou Ferrugem; Mancha de Rótulo.

COBRE, quando contratada cobertura “Todos os Riscos” Cláusula Ampla “A”.

COBRE: 1) SOMENTE se perda ou avaria for decorrente do Acidente com veículo transportador; e

NÃO COBRE

Riscos decorrentes de permanência em armazéns alfandegados e Carga a bordo de navio ou aeronave (embarques destinados à Exportação vendas EXW, FOB, CFR e similares)

COBRE, desde que cobertura seja negociada na apólice de seguros

NÃO COBRE

NÃO COBRE

Greves, Tumultos, Comoções Civis e “Lock-Out”.

COBRE, desde que contratada Cobertura adicional.

NÃO COBRE

NÃO COBRE

Caso Fortuito e/ou de Força Maior.

COBRE

NÃO COBRE

NÃO COBRE

Dolo do Transportador.

COBRE

NÃO COBRE

NÃO COBRE

2) Quebra, Derrame , Vazamento, Arranhadura, Amolgamento, Amassamento, Má Arrumação e/ou Mau Acondicionamento; Água Doce ou de Chuva, Oxidação ou Ferrugem; Mancha de Rótulo; Contaminação ou Contato com outras Mercadorias, se contratada a Cobertura Adicional para Riscos não Atribuídos a Acidentes de Trânsito. “Em ambos os casos, desde que que caracterizada a responsabilidade do transportador”.

Adailton Dias é diretor de Transportes da Sompo Seguros. Conta com mais de 20 anos de experiência no mercado segurador

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Técnicos Projetos de lei para o setor de transportes que, se aprovados, afetarão diretamente esses seguros por Odair Negretti Ao iniciarmos estes nossos comentários, cabem-nos, uma vez mais, citar que, por força do Art.20 do Decreto-Lei nº 73/66, regulamentado pelo Decreto nº 61.867/67, são obrigatórios os seguintes seguros: Seguro de Transporte Nacional (T.N.) - As pessoas jurídicas, de direito público ou privado, são obrigadas a segurar os bens ou mercadorias de sua propriedade, contra os riscos de casos fortuitos ou de força maior, inerentes aos transportes ferroviários, rodoviários, aéreos e hidroviários, quando objeto de transporte no território nacional. Seguro De Responsabilidade Civil do Transportador (R.C.T.) - Pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que se incumbirem do transporte de carga, são obrigadas a contratar seguro de responsabilidade civil, em garantia das perdas e danos sobrevindos à carga que lhe tenha sido confiada para transporte, contra conhecimento ou nota de embarque.

dos mesmos assuntos, os quais já foram discutidos, abordados e refutados pela Susep, pelo mercado de seguros, pelos proprietários dos bens transportados e, imaginem, pelos próprios transportadores, por admitirem que qualquer mudança seria um retrocesso e, porque não dizer, um desserviço aos seguros de transporte e de responsabilidade civil do transportador, como muito bem escreveu o colega Aparecido Rocha em recente artigo publicado por diversas mídias; e 2º) Ações isoladas foram intentadas por alguns corretores e pouquíssimas seguradoras, que ainda buscam, a qualquer custo e para a satisfação de interesses próprios, estabelecer o monopólio dos seguros de responsabilidade civil do transportador. Mas, felizmente, em benefício dos proprietários dos bens transportados, dos transportadores e do mercado de seguros, deixaram de ser acatadas, à luz da Legislação Brasileira de Seguros de Transportes. As mudanças

Portanto, tratando-se de obrigação cogente, os Embarcadores/Consignatários, um ou outro, como proprietários dos bens transportados, precisam contratar o Seguro de Transporte Nacional e os Transportadores em Geral (aéreos, ferroviários, hidroviários e rodoviários), o Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador. Estipulação e outros seguros Nos termos estabelecidos nas Condições Gerais para os Seguros de RCT, aprovadas pela Susep e de uso obrigatório em todas as apólices da modalidade emitidas no território brasileiro, a estipulação do seguro por terceiros, no caso sob análise considerados os proprietários dos bens transportados (embarcadores ou consignatários), bem como a contratação de mais de uma apólice pelo transportador, são procedimentos autorizados pelo citado Órgão Regulador, Fiscalizador e Legislador dos seguros no Brasil, nada impedindo, do ponto de vista legal, a salutar prática que vem sendo utilizada por décadas e com excelentes resultados para as partes contratantes de fretes e seguros. Para os embarques rodoviários, mais comuns entre nós, a matéria está regulamentada no Capítulo I – Objeto do Seguro e Riscos Cobertos (Estipulação) e Capítulo XI – Outros Seguros (Contratação de mais de uma Apólice), das Condições Gerais para o Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário – Carga, comumente denominado “RCTR-C”.

Os Projetos de Lei nº 2.080/2015 e 3.463/2015, ao proporem as alterações da Lei nº 11.442/2007, estabelecem a proibição da estipulação do seguro de RCT e determinam que o referido seguro seja contratado por apólice única, não admitindo a emissão de mais de uma apólice por transportador. Citados Projetos de Lei, ao quererem impedir a contratação de apólices adicionais, contrariam o Art. 20 do Capítulo XI – Outros Seguros das Condições Gerais do Seguro de RCTR-C, que permite ao transportador contratar mais de uma apólice ou apólices adicionais nas seguintes circunstâncias: 1ª) quando possuir filiais em algum Estado não cobertas pela apólice principal; 2ª) quando a apólice for específica para um determinado tipo de mercadoria excluída da apólice principal; 3ª) quando o valor do embarque for superior ao Limite Máximo de Garantia por veículo/acúmulo e recusado pela seguradora dentro dos prazos previstos na apólice principal; e 4ª) quando as apólices adicionais forem estipuladas por um determinado embarcador, em nome do transportador. Por sua vez, o Projeto de Lei nº 4.860/2015, ao propor a revogação da Lei nº 11.442/2007, além de estabelecer as restrições já citadas nos itens acima, determina a contratação de uma série de seguros obrigatórios, impactando, diretamente, nas despesas do transportador, que, obviamente, serão repassadas aos proprietários dos bens transportados e destes para os consumidores, encarecendo os custos finais dos produtos.

Projetos de lei Três são os Projetos de Lei que tramitam na Câmara dos Deputados Federais, dois deles pedindo alterações, e outro a revogação da Lei nº 11.442, de 05 de janeiro de 2007, que dispõe sobre o transporte rodoviário de cargas por conta de terceiros e mediante remuneração: P.L. 2.080/2015, pedindo alterações, de autoria do Deputado Jerônimo Goergen; P.L. 3.463/2015, pedindo alterações, de autoria da Deputada Clarissa Garotinho; e P.L. 4.860/2016, pedindo revogação, da Deputada Christiane Yared. Aqui, permitimo-nos abrir dois parênteses: 1º) Por incrível que possa parecer, é de se estranhar que, em tão curto espaço de tempo, existam três projetos de lei tratando, praticamente, CISTNEWS 18 | 32

Dentre essas determinações, está tornar obrigatório (grifamos) o Seguro de Responsabilidade Civil Facultativo por Desaparecimento de Carga (RCF-DC). Tal determinação seria a alteração mais perigosa e, se aprovada, causaria um grande estrago no mercado de seguros, visto que, pelas normas da Susep, não é permitido exigir regras de gerenciamento de riscos, franquias e participação obrigatória em seguros obrigatórios. Como todos sabemos, o transporte de bens, sem o necessário e imprescindível gerenciamento de riscos, motivará ainda mais a criminalidade que atua no roubo de cargas e, certamente, aumentará a sinistralidade das apólices e afastará as seguradoras do ramo de seguros de transportes, fazendo com que muitos corretores tendam a desaparecer pela recusa da aceitação dos riscos por parte do mercado


segurador, em prejuízo dos proprietários e transportadores dos bens – fazendo, uma vez mais, minhas as palavras do colega Aparecido Rocha.

assumidos pelos seguradores, quer pela decisão destes em deixarem de operar no ramo de transportes para não se tornarem insolventes.

Os impactos

Nossa visão e conclusão

1º) Pelos registros históricos, a experiência demonstra que a contratação dos seguros por parte do transportador, além de poder custar muito mais caro, quer pelo repasse de taxas mais elevadas das cobradas pelos seguradores, quer pela deficiência (sinistralidade) das apólices contratadas de forma coletiva, tem revelado situações prejudiciais aos proprietários dos bens transportados, considerando as seguintes situações, constatadas ao longo dos anos: a) transportador não contratou o seguro; b) o transportador deixou de pagar o prêmio; c) o transportador deixou de cumprir o princípio da globalidade do seguro, não averbando a totalidade dos embarques; e d) o transportador deixou de cumprir com as cláusulas e condições da apólice contratada, ensejando disputas judiciais custosas, demoradas e, muitas vezes, não podendo ser concretizadas por falências dos transportadores;

A unificação dos seguros de transporte nacional, RCTR-C e RCF-DC na mesma seguradora é salutar, pelas seguintes razões: a) averbação unificada e sistematizada dos embarques; b) obtenção de melhores taxas, condições e franquias; c) facilitação nos processos de ressarcimento amigável e de forma administrativa; d) correção nas cobranças dos prêmios e na sua distribuição às partes; e) adoção de medidas de prevenção e gerenciamento de riscos conjuntas, imediatas e corretivas pelas partes nos casos pontuais que assim determinarem; e f ) harmonização dos interesses das partes na busca de benefícios e resultados comuns.

2º) A emissão de uma única apólice, como está sendo pretendido, trará prejuízos ainda maiores para os proprietários das cargas, que deverão se sujeitar à experiência global do seguro contratado pelos transportadores e não à experiência exclusiva do transporte de seus bens; e 3º) A dispensa de qualquer controle, prevenção e gerenciamento de risco, poderá determinar o fim da carteira de seguros de transportes no brasil, quer pelos prejuízos insuportáveis que serão

Dentro desse diapasão de unificação, julgamos que vários seguradores e corretores do mercado de seguros de transportes reúnem plenas condições para isso e estão devidamente capacitados a colaborar com os seus clientes na confecção dos seus contratos de frete (ou afretamento), contribuindo para a elaboração das cláusulas e condições pertinentes à contratação dos seguros que melhor atendam aos interesses dos proprietários dos bens transportados e de seus transportadores. Dessa forma, estão aptos a estabelecer nos aludidos contratos de frete (ou afretamento) os direitos e obrigações das partes contratantes e, com isso, até viabilizar a dispensa da Carta de Dispensa do Direito de Regresso e mesmo a estipulação das apólices de RCTR-C e RCF-DC pelos proprietários dos bens transportados. Odair Negretti é corretor de seguros, advogado, professor universitário, sócio fundador e vice-presidente da APTS e do CIST, diretor técnico e sócio proprietário da BC Business Center Consultoria e Assessoria em Seguros

CISTNEWS 17 | 33


Logística Contratação de serviços exige avaliação que considere a relação custo-benefício por Paulo Roberto Guedes Ainda no último mês de agosto, em artigo escrito para o Portal Guia do TRC (“Logística: estratégica e em processo de terceirização”), comentei sobre o fato de que a terceirização dos serviços logísticos é um fenômeno crescente, não só no Brasil como em todo o mundo. E que isto vem acontecendo na medida em que os usuários desses serviços, além de estarem satisfeitos com os serviços adquiridos, também passaram a entender ser este o “caminho mais curto e eficiente para melhorar suas cadeias de suprimentos, seja na redução de seus estoques, no melhor atendimento de seus clientes ou na diminuição de seus custos”. Observei, também, conforme demonstram diversas pesquisas e a experiência do “dia-a-dia”, que “se no começo do processo, esses empresários “compravam” serviços logísticos mais simples, querem, agora, terceirizar atividades mais complexas, que melhorem seus processos e a tecnologia de informações, fundamentais para o bom desempenho dessas atividades”. Como dito, o fenômeno de terceirização das atividades logísticas no Brasil seguiu o mesmo rumo, aumentando de forma significativa o nível de terceirização em quase todos os segmentos econômicos, aumentando a quantidade de serviços prestados e elevando o faturamento médio das prestadoras de serviços logísticos (8,4% aa entre 2009 e 2013, de acordo com pesquisa feita pelo ILOS, Instituto de Logística e Supply Chain, do Rio de Janeiro). Em outras publicações também foi comentado sobre alguns dos principais motivos pelos quais as empresas terceirizam sua logística (1) e, já em todas aquelas oportunidades, era observado que a redução de custos sempre foi um dos motivos mais citados para que isso ocorresse. Mais recentemente, relativo ao ano de 2013, pesquisa realizada pelo ILOS e com relação ao Brasil, de onze motivos avaliados, os preços dos produtos contratados continuaram a ter o peso mais significativo quando os usuários decidem terceirizar essas operações (88% das respostas obtidas). Mas surgiram outros motivos com o mesmo nível de importância: maior eficiência e redução de investimentos em ativos, ambos com 87% (os participantes da pesquisa puderam responder com mais de uma resposta). Outros motivos também citados: dar foco ao seu próprio “core business”, ter maior flexibilidade operacional e ter acesso junto às tecnologias mais avançadas. Pode-se deduzir diante desses resultados que, embora os preços dos serviços a serem contratados tenham relevância quase que fundamental na escolha de um operador logístico, variáveis relativas à qualidade, à excelência operacional, à segurança, à garantia de entrega desses serviços (2), ao relacionamento (3) e à ética, também passaram a ter suas importâncias aumentadas. Isto é confirmado, inclusive, quando, através da mesma pesquisa realizada pelo ILOS são analisados os motivos pelos quais operadores logísticos são substituídos, pois dentre os 17 itens avaliados, os operadores geralmente são substituídos por três motivos que chamam bastante atenção: 1º) má qualidade dos serviços prestados, com 94%; 2º) operador pouco flexível a mudanças, 56%; e 3º) baixa capacidade de propor novas soluções logísticas, 52%. E quando se analisam quais os motivos que mais evoluíram, no momento de se decidir substituir um prestador de serviços logísticos, notou-se que 'dificuldade de relacionamento', pouca capacitação tecnológica' e 'problemas éticos' foram aqueles que mais evoluíram, entre 2003 e 2013. A meu ver esta é uma demonstração clara e inequívoca de que a escolha de um novo operador está intimamente ligada ao conceito da relação "custo / benefício". Ou seja, a avaliação, ao mesmo tempo em que considera os preços pagos, inclusive comparando-os com os concorrentes, também considera os benefícios recebidos, incluindo, agora de forma explícita, o relacionamento com seus operadores! CISTNEWS 18 | 34

Não se pode esquecer que, geralmente, contratos firmados entre usuários e operadores de serviços logísticos jamais poderão ser de curtíssimo ou curto prazos. Na sua maioria, a menos que algo grave aconteça, esses contratos são de médio e longo prazos, o que obriga, tanto ao contratante como ao contratado, manter relacionamentos diários. O professor Peter Wanke não deixa por menos quando afirma que antes de contratar um operador logístico é preciso “ter em mente que as parcerias logísticas, por mais benefícios que possam gerar e por mais histórias de sucessos que sejam divulgadas em revistas especializadas, são relações comerciais caras em função do tempo e do esforço consumido para sua operacionalização no dia-a-dia” (4). Também quando se analisam os resultados a respeito das atividades que mais os operadores logísticos precisam melhorar, sob o ponto de vista dos usuários, ficam patentes as contínuas exigências para melhorias na qualidade dos serviços prestados, na capacitação de seus funcionários e na inovação, notadamente aquelas voltadas à tecnologia de informações (5). Capacitação da Equipe, Nível de Serviço, Custos e Ativos, são as outras 'atividades' que mais se esperam melhorias. As pesquisas feitas pelo ILOS são extremamente importantes, em especial para os operadores logísticos, porque elas reforçam o fato, como já salientado, que usuários de serviços logísticos terceirizados têm cada vez mais em conta, a chamada relação "custo / benefício" como conceito necessário para a aquisição desses serviços. Isto corrobora e comprova, de forma definitiva, principalmente nos mercados mais maduros e para uma parcela significativa de empresas, que os tomadores de serviços estão dispostos a terceirizar suas atividades, inclusive aquelas mais complexas, mesmo com preços maiores, posto que o relevante a ser considerado, e que de fato é o que justificará a terceirização, são os benefícios que essa contratação poderá gerar, em especial aos seus clientes. Não é sem importância, portanto, que os 'pesos' dados a outros itens, que não “o preço do serviço a ser contratado”, têm sido, no momento da seleção de fornecedores, cada vez maiores. Os compradores precisam estar totalmente seguros da continuidade de suas operações (6) no momento de “entregarem nas mãos de terceiros” a logística de suas empresas (7). É preciso ter certeza que está sendo escolhido o prestador de serviços mais adequado e com condições de oferecer respostas eficazes aos problemas logísticos da sua empresa e de toda a sua cadeia de abastecimento e distribuição. É neste momento que 'confiança' no operador logístico e 'comprometimento' junto a ele, passam a ser fundamentais na construção de uma parceria que busca êxito operacional e a geração de um relacionamento de sucesso. Como já salientado anteriormente, essas são as variáveis que, de fato, determinarão concreta lealdade do operador junto ao seu cliente. Consequentemente, variáveis como “experiência do operador” e “qualificação de seu pessoal”, tem tido lugar importante nos processos de seleção. Em pesquisa aqui já citada, perguntados quais seriam os principais critérios de avaliação para escolher seu operador, numa escala de 1 a 5, as respostas que ficaram à frente foram: Experiência do Operador Logístico na atividade a ser terceirizada, nota 4,6; Expectativa de melhoria dos níveis de serviço, nota 4,5; e Qualificação de Pessoal, nota 4,4. Aceitando-se, portanto, que o conceito relação "custo/benefício" faz parte integrante dos processos que analisam, avaliam e selecionam serviços logísticos, bem como seus futuros contratados, é imprescindível que a logística seja colocada no topo da hierarquia das empresas, alinhada à própria estratégia dessas empresas (8), posto que ela também é responsável pelo sucesso dos negócios e não se limitando a instituir processos de compra que avaliem somente os preços dos serviços a serem adquiridos (9). Embora eu tenha tratado especificamente de serviços logísticos, acredito que os


comentários e observações aqui feitas, assemelham-se, e muito, à contratação de diversos outros serviços que exigem atenção personalizada (ou “customizada”, como comumente se diz). A contratação de uma empresa que presta serviço de gerenciamento de riscos ou de uma corretora de seguros (serviços sem os quais é impossível realizar uma logística eficiente e eficaz), bem como de outras empresas que prestam serviços diretamente ligados à logística, também exigem que se façam avaliações nas quais o conceito relação “custo / benefício” esteja presente. Em face da atual legislação que trata das responsabilidades fiscais, civis e criminais, dos riscos inerentes às atividades empresariais e, mais especificamente, às operações, cada vez mais complexas, todos os dias, empresas, clientes e acionistas, colocam seus patrimônios em risco. E isto gera, sem dúvida e de forma crescente, dificuldades para que programas de gerenciamento de riscos e coberturas de seguro correspondentes, sejam contratados de forma eficiente, corretamente adaptados à nova realidade e que alcancem, ao final de tudo, segurança empresarial (10). Isto sem falar nas crises e nos momentos de incertezas que, hoje em dia, ocorrem muito mais frequentemente. Na logística, portanto, é fundamental que haja alinhamento dos programas de

(1) Revista Mundo Logística, edição nº 31, de novembro/dezembro de 2012 - “Importância do fator humano na escolha dos operadores logísticos”. (2) “A garantia do nível de serviço acordado é importante não apenas por estabelecer os níveis mínimos, mas, principalmente, por garantir coerência do desempenho da operação com a estratégia da empresa contratante, evitando que sejam disponibilizados serviços em qualidade inferior ou superior à necessária” (Terceirização de Serviços Logísticos – O outsourcing estratégico de operações logísticas, do prof. Marco A. Paletta, da Faculdade de Tecnologia Prof. Luiz Rosa, publicado na Coletânea Coppead - CEL/UFRJ, julho de 2008). (3) “Relacionamento pessoal contribui para o sucesso e a terceirização?”. Estudos de Langley (2008) indicaram que 74% dos entrevistados responderam sim e que os aspectos comportamentais, tais como confiança e comprometimento são necessários para uma relação de lealdade, fidelidade e expansão dos negócios. No Brasil, segunda pesquisa realizada pela Revista Tecnologística em 2010, o item confiança chegou a 73% das respostas, enquanto o comprometimento ficou na casa dos 62%. Pesquisas de universidades americanas (Arkansas, John Carrol e Ohio State), da mesma época, também demonstraram que 'confiança' e 'comprometimento' são características que determinam a lealdade dos operadores logísticos junto aos seus clientes. Esse estudo e os resultados dessa pesquisa foram publicados pela Revista Tecnologística na edição de junho de 2010. (4) Professor Peter Wanke, Vice-Diretor de Doutorado e

gerenciamento de riscos e das coberturas de seguros aos desejos e às necessidades de seus clientes e às respectivas cadeias de abastecimento. Consequentemente, operadores logísticos, corretoras de seguros e seguradoras, precisam aumentar o conhecimento com relação às características de seus clientes, seus valores, suas operações e às novas exigências que se fazem presentes, como única forma de oferecer serviços personalizados (“tailor made”) e que se adaptem, de fato e concretamente, à realidade de cada um. Não há receita única! A partir do momento que se conhece de forma clara e transparente seus próprios clientes – exigência que se faz fundamental para o moderno administrador - há, na verdade, modelos que precisam ser adaptados a exigências específicas. Diante desse cenário, parece estar em consolidação, por parte dos tomadores de serviços, a compreensão de que a aquisição de serviços logísticos, nos quais incluo o gerenciamento de riscos e a cobertura de seguros, é muito mais complexa do que a compra de “commodities”. Os operadores, por outro lado, começam entender que é imprescindível oferecer serviços com custos competitivos, mas, sobretudo, voltados ao cliente, com qualidade, excelência operacional, segurança, atitudes inovadoras, respeito à ética e ao meio ambiente.

Pesquisa do Coppead e Coordenador do Centro de Estudos em Logística, Infraestrutura e Gestão (CELIG) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Coletânea Coppead-CEL / UFRJ, 2008. (5) Segundo pesquisas realizadas pelo ILOS, em 2003, 54% das empresas estavam satisfeitas com os sistemas de TI utilizados pelos seus Operadores Logísticos. Em 2013 apenas 44%. (6) Vale a pena atentar para o chamamento que o ILOS está fazendo para a realização do seu XXII Fórum Internacional de Supply Chain, no Rio de Janeiro no início do próximo mês de Outubro (Supply Chain em contexto de crise): “Ao longo da última década, nos deparamos com maior frequência com os termos “ruptura” e “resiliência” em Supply Chains, o que deveria implicar em maior preocupação com a vigilância na manutenção da continuidade das operações. Em empresas líderes, o objetivo central tem sido incorporar mecanismos de reconhecimento e dimensionamento dos riscos de ruptura, e minimizar o hiato que resulta da capacidade de resposta das empresas em superá-los, principalmente nos casos de Supply Chains complexos e profundos. As fontes de rupturas no Supply Chain são de origens diversas, as quais podem advir desde novas tecnologias capazes de transformar as operações e mercado consumidor; de contexto geopolítico; responsabilidade social e sustentabilidade; financeiro e econômico; e àquelas relacionadas à natureza, como mudanças climáticas e eventos dramáticos, como terremotos e tsunamis; dentre outras. Neste sentido, as empresas globais líderes têm investido cada vez mais na gestão de riscos no Supply Chain para mitigar impactos negativos nos negócios e

até obter vantagens comparativas frente à concorrência”. (7) Segundo o Dicionário Houaiss, terceirizar é a “forma de organização estrutural que permite uma empresa transferir para outra, suas atividades-meio, proporcionando maior disponibilidade de recursos para sua atividade-fim, reduzindo a estrutura operacional, diminuindo custos, economizando recursos e desburocratizando a administração”. (8) Tenho chamado esse alinhamento – da logística à estratégia empresarial – de “Cultura Logística”. Artigo, abordando esse assunto, foi publicado na Revista Mundo Logística nº 37, em setembro de 2013. Chopra e Meindl definem 'alinhamento estratégico' como sendo a busca dos mesmos objetivos, isto é, compatibilidade de prioridades entre contratante e contratado (Sunil Chopra e Peter Meindl, “Gerenciamento da cadeia de suprimentos: Estratégia, Planejamento e Operação”. São Paulo, Prentice Hall, 2003). (9) Artigo específico que trata sobre as características dos operadores logísticos modernos (“O momento econômico e os operadores logísticos”) foi publicado, inicialmente, na Revista Mundo Logística nº 46, em maio de 2015 e, posteriormente, no Portal Guia do TRC, novembro de 2015. (10) Os operadores logísticos e as empresas de transporte não fogem à regra, pois para se adaptar a essa nova realidade, eles precisam respeitar um conjunto de obrigações, restrições e limitações que, não só aumentam seus custos, como podem, em alguns casos, inviabilizar a realização de determinadas operações, diminuindo suas competitividades e dificultando, até mesmo, suas sobrevivências.

Paulo Roberto Guedes é especialista em Logística, conselheiro da ABOL – Associação Brasileira das Operadoras Logísticas e diretor técnico do CIST

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Fique por Dentro

Sidney Cesare Junior se despede da Berkley

Brasil no mapa mundial das estradas mais perigosas para transporte de carga O crescente aumento no índice de roubos colocou as estradas brasileiras no mapa mundial das áreas de risco para transporte de carga. Segundo levantamento feito pelo JCC Cargo Watchlist, os trechos das rodovias BR-116 (Curitiba – São Paulo e Rio de Janeiro – São Paulo); SP-330 (Uberaba – Porto de Santos) e BR-050 (Brasília – Santos) são consideradas áreas com risco muito alto para a ocorrência de roubo de cargas.

O diretor de Transportes da Berkley Sidney Cesare Junior, que liderou a implantação da carteira de Transportes no Brasil, desligou-se da companhia para assumir novos desafios. “Em nome de toda a equipe, a Berkley Seguros agradece todo trabalho e dedicação do executivo e deseja sucesso nesta nova etapa profissional”, afirma o comunicado oficial da empresa.

O JCC Cargo Watchlist é um relatório mensal elaborado pela Joint Cargo Commitee, um comitê misto formado por representantes da área de avaliação de risco do mercado segurador de Londres (Inglaterra). Esse relatório monitora o risco para cargas transportadas, seja por via aérea, marítima ou terrestre em várias partes do mundo. Numa lista com classificações indicativas por cor, os países são avaliados em sete graus diferentes de risco, que vão numa escala de baixo a extremo risco. A lista considera riscos como guerras, greves, pirataria e roubo de carga. Apesar de não sofrer com os fatores de risco ligados a guerras; as estradas brasileiras receberam pontuação 3,4, que as classifica com risco muito alto para ocorrências de roubo de carga. A classificação ficou semelhante à recebida pelo México, que ficou com pontuação 3,6 e a mesma classificação (risco muito alto).

Com a mudança, a gestão da área de Transportes passa para a responsabilidade de Thiago Tardone, atual Superintendente de Transportes, que atua na seguradora desde 2010.

Incidência de roubos nas estradas brasileiras Segundo levantamento da NTC&Logística (Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística), houve 19.250 registros de roubos de carga em 2015 no Brasil, índice 10% superior aos 17.500 registrados em 2014. O número de casos e o prejuízo contabilizado pelos transportadores foram recordes. O dano, somente com as mercadorias perdidas, soma R$ 1,12 bilhão. O Sudeste do país concentra 85,7% dos casos. O prejuízo estimado, na região, passa dos R$ 775 milhões. O estado de São Paulo é que lidera a lista, contabilizando 44,1% das ocorrências. Em seguida, vem Rio de Janeiro, que respondeu por 37,5% dos ataques criminosos. Entre os produtos mais visados estão alimentícios, cigarros, eletroeletrônicos, farmacêuticos, químicos, têxteis e confecções, autopeças e combustíveis. O levantamento indica, ainda, queda no roubo de metalúrgicos e aumento no de bebidas, especialmente no Rio de Janeiro.

10 dicas para o segurado economizar no seguro de transportes Por Ed Trevisan, consultor de Transportes, em seu blog Frete com Lucro: 1 – Reavalie se as regiões para onde você faz entregas não estão desatualizadas na apólice; 2 – Reavalie se o tipo de mercadorias que você anda entregando não mudou desde que você fez a apólice de roubo; 3 – Pense no Gerenciamento de Riscos como uma forma de prevenção; 4 – Valorize o bom cadastro; 5 – Tenha cuidado com o valor a ser coberto pela apólice; 6 – Entenda no detalhe as coberturas sugeridas pelo corretor; 7 – Entenda o que é mais barato, DDR ou Seguro de Roubo; 8 – Use apólices abertas (de averbação), assim você paga pelo risco decorrido; 9 – Em toda renovação de seguro avalie outras opções no mercado; 10 – Dê aquela chorada na hora de fechar o valor do prêmio.

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Negócios Vender é emocionante por Carlos Serpeloni Vejo as pessoas falarem que uma determinada marca de produto é melhor que outra e sei que algumas vezes pode até ser verdade, mas na maioria absoluta das vezes é pura emoção. Sim, as pessoas compram por impulso, por emoção, preferem uma marca em detrimento a outra sem nenhum motivo, e a razão disso é muito simples: enxergamos o mundo de acordo com nossa educação, vivemos em um ambiente cercado por pessoas e eventos, com isso temos um determinado comportamento, com estes comportamentos aprendemos coisas, obtemos nossas habilidades, depois passamos a acreditar que aquilo que fazemos, onde vivemos, como vivemos é o modo certo, criamos nossos valores, prestamos atenção naquilo que é importante para nós, com isto focamos o que nos importa, o que nos faz bem, o que conhecemos. Dessa forma, o que escolhemos é nada mais que aquilo que conhecemos. Mas não só isso, escolhemos aquilo que nos emociona. Conseguir comprar algo pelo nosso esforço é o máximo, é uma alegria daquelas que faz brilhar os nossos olhos, faz dar um calafrio na espinha, uma sensação de poder, eu posso, eu consigo, eu mereço, esta é uma sensação de vitória, ainda mais que a maioria de nós teve que lutar muito para comprar o que temos. E não pense que isto é só para tênis de marca – ledo engano –, isso serve para qualquer coisa, qualquer tipo de serviço, pois cada um adquire aquilo que lhe falta, ou aquilo que mostramos ao comprador que nosso

produto ou serviço lhe será útil para alguma coisa, mas nunca para o que realmente serve. Isso mesmo, não devemos dizer a uma pessoa que ela precisa comprar um seguro de vida para deixar para os outros, podemos dizer que não é para qualquer um, que só poucos conseguem ter um seguro de vida, temos que despertar nas pessoas um interesse natural, se tentarmos enfiar por goela abaixo, vamos criar uma defesa, não podemos tentar convencer uma pessoa a comprar, temos que mostrar os benefícios se ela pudesse ter. Não venda para as pessoas, crie nelas um desejo pelo seu produto ou serviço, mostre que a vida seria melhor se tivessem a chance de utilizar o que você utiliza, tenha um repertório vasto de ideias, saiba conversar, tenha uma boa retórica, não venda, se interesse verdadeiramente pela pessoa, ofereça ajuda, diga o que você pode fazer por ela, mostre-se solícito. Lembre-se: comprar é emocionante, comprar libera substâncias que causam prazer no corpo. Por isso, emocione o comprador, deixe ele no comando, deixe ele escolher, pare de vender e seja comprado, mostre sempre o que você tem de melhor, qual o seu diferencial. Certamente você tem um, e esta é a sua melhor arma. Boas vendas, um abraço, Carlos Serpeloni.

Carlos Serpeloni é palestrante, escritor, máster em PNL (programação neurolinguística), CEO e head trainer na Dharma Treinamentos

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Finanças Pessoais 5 segredos para melhorar sua vida financeira por Evanilda Rocha Nos últimos anos, tenho acompanhado o interesse cada vez maior do brasileiro em organizar sua vida financeira. Pretendo aproveitar o presente artigo para passar além de dicas poderosas: 5 segredos para melhorar sua vida financeira. E quem sou eu para passar dicas e contar segredos sobre o assunto? Sou consultora financeira e estou desde 2004 ajudando clientes a organizar as contas, economizar dinheiro, planejar, poupar, investir corretamente e a garantir ótimos resultados para a vida financeira. Vou passar aqui algumas dicas práticas para você começar a usar imediatamente. Saiba que dinheiro gosta de ser bem tratado e gosta de ser controlado, além de não aceitar desaforos. Outra coisa, reclamações diárias afastam o dinheiro da sua vida. Dinheiro não gosta de ficar nas mãos de pessoas “reclamonas”. Portanto, pare de reclamar da vida, se for esse o seu caso. Reclamar significa clamar duas vezes. Significa clamar ao Universo que ele te mande mais daquilo que você está reclamando. Ao invés de reclamar, passe a agradecer pelas coisas boas que você já tem na vida. Assim, o Universo vai enviar a você mais motivos pelos quais agradecer. Já imaginou sua muito melhor do que hoje? Comece a praticar essas dicas simples imediatamente. Depois das dicas acima, vamos agora abordar cada um dos segredos para melhorar sua vida financeira. O primeiro segredo é o ENTENDIMENTO. Você precisa entender exatamente como está sua vida financeira. Será

interessante você responder à pergunta, em relação às suas finanças: “Estou endividado, equilibrado ou estou investindo dinheiro?”. Após responder a essa pergunta inicial, defina o que você deseja melhorar exatamente em sua vida financeira. Exemplo: eliminar dívidas, para de pagar juros, começar a investir, ampliar os investimentos já existentes etc. O segundo segredo se relaciona ao CONTROLE. Como dissemos acima, dinheiro gosta de ser bem tratado e controlado. Você controla o seu dinheiro? Sabe exatamente o quanto ganha, quanto gasta e se está sobrando ou faltando dinheiro? Se por acaso você estiver endividado, saiba que o próximo passo envolve encarar o ENDIVIDAMENTO. Para livrar-se definitivamente de dívidas você precisa tomar providências objetivas e práticas. Saber o exatamente o que deve, para quem, a que taxa de juros, qual a previsão de finalização do pagamento das parcelas, entre outras informações. Com esses dados em mãos será possível elaborar plano detalhado para eliminação das dívidas da sua vida. Geralmente uma pessoa entra no endividamento porque gasta acima do seu padrão financeiro e também porque não tem RESERVA. Oriento você a formar reserva financeira estratégica de pelo menos seis vezes o valor correspondente ao seu gasto mensal. Esse valor poderá ser usado em momentos de boas oportunidades e também em momentos de necessidade. Dependendo do volume financeiro já reservado, será possível aproveitar você aproveitar muitas OPORTUNIDADES financeiras. São investimentos de médio e longo prazo com melhores rendimentos que os de curto prazo e irão alavancar o crescimento do seu patrimônio. Compartilhei aqui com você os 5 segredos para melhorar sua vida financeira: Entendimento, Controle, Endividamento, Reserva e Oportunidades. As primeiras letras de cada um dos segredos formam a sigla do método E.C.E.R.O. Trata-se do método que criamos para ajudar clientes a equilibrar a vida financeira de uma vez por todas. Imagine sua vida financeira equilibrada, as contas no azul, você com sobras financeiras mensais para investir, dormindo bem, sem estresse e sendo admirado por aqueles que você ama por ser um talento na gestão financeira pessoal.

Para saber mais sobre o treinamento, entre em contato pelo e-mail contato@dinheirointeligente.com.br

Evanilda Rocha é diretora da empresa Dinheiro Inteligente, palestrante e coach financeira, especialista em Finanças Pessoais

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QUALIDADE E EFICIÊNCIA, SEM DEIXAR DE LADO O COMPROMISSO COM A SUSTENTABILIDADE

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Outra Leitura O corretor de seguros pode ser perito judicial! por J. B. Oliveira O corretor de seguros pode agregar uma nova função e uma nova fonte de ganho ao seu leque normal de atividades. Pode tornar-se perito judicial! Antes de prosseguir, é importante distinguir perito judicial de perito criminal. O perito criminal é funcionário público de carreira, admitido por concurso e presta serviços nos quadros de criminalística, institutos de perícias, institutos de identificação, órgãos da polícia científica e afins. A atividade está prescrita na lei 12.030/2009, que estabelece, no artigo 2º: “No exercício da atividade de perícia judicial oficial de natureza criminal é assegurado autonomia técnica, científica e funcional, exigido concurso público, com formação acadêmica específica, para o provimento do cargo de perito oficial”. Já o perito judicial é totalmente diferente. Ele não é funcionário público, não presta concurso, não se vincula funcional ou empregaticiamente a qualquer órgão do poder público! É um profissional liberal, que exerce atividades em sua área de trabalho, mas pode colocar-se à disposição do Poder Judiciário. Quando isso ocorre, é por nomeação do juiz e para um processo específico, em que se faça necessário um pare cer – um laudo pericial – de profissional da área específica do processo. Talvez seja mais fácil ilustrar com um caso – até comum – de erro médico, de que tenham resultado sequelas ou outros problemas de natureza médica para o paciente. Inconformado, ele entra com uma ação de indenização por danos materiais (e normalmente morais também). O juiz terá de decidir a questão. Só que ele não detém conhecimentos médicos. Sua formação é em Direito e não em Medicina. Mas ele tem – obrigatoriamente –, que apreciar o caso e estabelecer por sentença a quem cabe ganho de causa! É quando ele nomeia um profissional médico como perito judicial, atribuindo-lhe competência para analisar o caso, responder aos quesitos formulados pelo juiz e pelas partes envolvidas e preparar o competente

laudo pericial. É o que estabelece o artigo 156 do Código de Processo Civil em vigor: “O juiz será assistido por perito judicial quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico”. O artigo 465 especifica: “O juiz nomeará perito especializado no objeto da perícia e fixará de imediato o prazo para entrega do laudo”. Ao nomear o perito, o juiz estabelecerá o valor dos honorários a serem pagos. Uma vez entregue o laudo, o perito judicial estará desvinculado do processo, receberá seus honorários e prosseguirá sua labuta normal! Pois bem: o corretor de seguros – devidamente credenciado pela Susep e que tenha feito o curso ou prestado concurso junto à Escola Nacional de Seguros – pode, perfeitamente, habilitar-se a atuar como perito judicial. E é fácil imaginar quão grande é a demanda pelas atividades de um profissional que tenha perícia suficiente para analisar, detectar e apontar os erros que possam estar presentes na eventualidade de um sinistro e as disposições contratuais da apólice! Os termos, as cláusulas, as condições específicas e que tais do universo do seguro não são de fácil compreensão, assimilação e interpretação nem mesmo por parte do magistrado. É um mundo à parte, paralelo, com referências e bases nos códigos legais, mas com detalhes que só o profissional que ali milita dia a dia domina! E esse profissional vale ouro! O Instituto JB Oliveira de Educação e Capacitação Profissional mantém turmas regulares, propiciando formação técnica, fornecendo certificado e carteira de Perito Judicial. Em razão de convênio com o Sincor-SP, os corretores de seguros entram na categoria conveniados, com taxa reduzida. O site www.institutojboliveira.com.br orienta como o corretor de seguros pode tornar-se também um perito judicial.

J. B. Oliveira, consultor de empresas, é advogado, conselheiro estadual da OABSP; jornalista, presidente da API (gestão 2006- 09); professor de Comunicação e Oratória; Escritor, autor de “Falar Bem é Bem Fácil”, “Homens são de Marte, Mulheres são de Morte” e outros. CISTNEWS 18 16 | 40


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Técnicos Comércio exterior brasileiro: quando começa? por Samir Keedi Todos aqueles que militam há décadas no comércio exterior, como é o caso de muitos como nós, devem estar se perguntando a mesma coisa. Que importância, alguma vez na nossa história, teve essa atividade? A resposta é uma só. Quase nenhuma. Se analisarmos o nosso comércio exterior, veremos que ele representa 1,0% das transações internacionais de mercadorias. E em queda. Quer dizer, US$1,00 de cada US$100.00 comercializados no mundo. Tomando a China como exemplo, em 1980 nós éramos 098% e eles 0,88%. Hoje somos 1,0% e eles 11,%. Isso porque nosso comércio exterior quintuplicou em relação ao final da década de 1990 até 2011. Quando voltou a cair drasticamente. O que nos coloca em duas situações. Por um lado, numa posição altamente desconfortável. Por outro lado, em condição “privilegiada”. Com nosso ínfimo comex, é possível e temos campo para crescer. Em especial que, na comparação com nosso próprio PIB – produto interno bruto, o nosso comex roda em torno de 18-20% dele. Na média mundial, o comex é cerca de 50% do PIB. Há países com bem mais que isso. Em qualquer situação, portanto, nosso comex está muito aquém do possível. A preocupação, em nosso modo de ver, justamente por este tipo de “privilégio” (sic), e até paradoxalmente, é que parece que não estamos muito interessados no desenvolvimento de nossa economia. Nem na geração de empregos. Até porque, o governo sempre divulgou, teimosamente, sem nexo, até há dois anos, que praticamente não existia desemprego no país. Hoje se diz que é de uns 12 milhões de pessoas. Quando, em realidade, é de uns 50 milhões conforme nossos artigos. Os governos de plantão nunca pareceram querer olhar nem para o bem-estar da nossa população, o que os últimos 36 anos têm demonstrado cabalmente. Não crescemos, efetivamente, desde 1981. Nesse período nosso crescimento médio anual é de 2,3%. Nesta década, muito mais baixo e com recessão. O que pode estar ocorrendo com nossos homens de negócios? Será que o desânimo chegou a tal ponto que não há mais como reagir? Ou será nossa selvagem taxa de juros, a maior do mundo em termos reais? Ou talvez a carga tributária, também a maior considerando nosso PIB? Tudo isso junto é um bom motivo. Mas devemos nos calar, nos fechar e não fazer nada? Será isto que a nação espera? Subserviência total ao governo? Sem ir para cima e exigir condições de trabalho, produção e competitividade? Que o governo olhe para a nação e seu povo, ao invés de seus próprios interesses? É perceptível que o governo nada tem feito sequer para minimizar os problemas. Ou solucioná-los. Quantos profissionais de comércio

exterior há em postos chaves no governo? Quando o Mincex Ministério de Comércio Exterior, que já pedimos inúmeras vezes será efetivamente criado? Em especial a partir do que já existe que é a Camex – Câmara de Comércio Exterior, que também já nomeamos várias vezes? Só queremos que todos “remem” para o mesmo lado. O mesmo ocorrendo com todos os outros modos de transporte. Analogia ao navio aqui é apenas uma figura de linguagem. Vivemos saindo de eventos muito bons, embora alguns nem tanto, em que tudo que é bom é citado. E cujos objetivos deveriam ser o sonho de qualquer empresário, publicitário, governo, etc. Mas, é sempre uma vontade empresarial, que nem sempre se concretiza e não á acatada ou atendida pelo governo. E, no entanto, o que fizemos pelo nosso comércio exterior em nosso tempo de vida? Nada. O governo é mais um “atrapalho” (sic) do que uma ajuda. Não teria sido a copa do mundo a grande oportunidade de mostrarmos a milhões, ou bilhões de pessoas, nossos produtos? Através de degustação, exposição, oferecimento ao público, etc. Na Olimpíada a mesma coisa. Mas, o que fizemos? A atenção era apenas ao esporte. Nunca o povo, o país, o crescimento econômico e desenvolvimento. Comércio exterior, então, nem sequer foi cogitado. Será que é isso que veremos a nossa vida toda? O governo que olhar e perceber isso terá grandes ganhos. Mas, será que é isso que algum dia os governantes desejarão? Enquanto o povo não se dispor a exigir, votar certo, querer uma vida melhor, deixar de querer ser enganado, seremos a pátria do voto enganoso. Por que não estampamos na camisa amarela produtos brasileiros? Que tal um ramo ou pé de café? Ou o desenho de um avião? Ou um frango estilizado? Isto para falarmos de apenas três de nossos produtos. Pois é disso que precisamos. Mas, certamente, ninguém pensou nisso, como nunca antes neste país. Nossa entidade máxima do futebol, empresários em geral, governo etc, não parecem ter os mesmos interesses a respeito do país. Claro está que não é apenas isso. Nossa matriz de transporte e infraestrutura terá que mudar radicalmente para isso. Todos sabem, e temos palestras e citamos aos nossos alunos, que temos a pior matriz de transporte da Via Láctea. E, piorando. Assim, parece que continuaremos os mesmos de sempre. E sempre acreditando que Deus é brasileiro. Pode até ser, e deve ser mesmo, considerando que ainda existimos. Mas, precisamos ter cuidado. Deus ajuda, quem cedo madruga, diz o ditado. Também porque o Papa agora é argentino. O que pode significar alguma coisa. Como estarmos errados em nossa eterna avaliação sobre quem é quem.

Samir Keedi é professor de MBA e da Aduaneiras, bacharel em Economia, mestre e autor de vários livros sobre transportes, seguros, logística e comércio exterior. CISTNEWS 18 | 42



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