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Escola Estadual de Educação Profissional - EEEP Ensino Médio Integrado à Educação Profissional

Curso Técnico em Comércio

Ética e Cidadania Organizacional


Governador Cid Ferreira Gomes Vice Governador Francisco José Pinheiro

Secretária da Educação Maria Izolda Cela de Arruda Coelho Secretário Adjunto Maurício Holanda Maia

Secretário Executivo Antônio Idilvan de Lima Alencar

Assessora Institucional do Gabinete da Seduc Cristiane Carvalho Holanda Coordenadora de Desenvolvimento da Escola Maria da Conceição Ávila de Misquita Vinãs Coordenadora da Educação Profissional – SEDUC Thereza Maria de Castro Paes Barreto


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SUMÁRIO

Ética Geral e Profissional.............................................................................................................................. 02 Ética profissional ........................................................................................................................................... 05 Individualismo e ética profissional................................................................................................................. 06 Vocação......................................................................................................................................................... 08 Classes profissionais .................................................................................................................................... 09 Virtudes profissionais .................................................................................................................................... 09 Código de ética profissional .......................................................................................................................... 14 Ética e civilização .......................................................................................................................................... 15 Racionamento e liberdade ............................................................................................................................ 16 Civilização e valores ..................................................................................................................................... 17 Objeto e objetivo da ética.............................................................................................................................. 19 O homem em sociedade ............................................................................................................................... 20 Ética e valores............................................................................................................................................... 21 Ética e lei....................................................................................................................................................... 22 Problemas morais e éticos ............................................................................................................................ 23 Sociedade e ética.......................................................................................................................................... 24 Conceito da ética........................................................................................................................................... 25 Relação com a filosofia ................................................................................................................................. 28 Estudo de caso.............................................................................................................................................. 28 O campo da ética .......................................................................................................................................... 30

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Ética Geral e Profissional.

Conceituação: O que é Ética Profissional? É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito. Estas três áreas de conhecimento se distinguem, porém têm grandes vínculos e até mesmo sobreposições. Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabelecer uma certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam. A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este mesmo referencial moral comum. O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do Estado. As leis têm uma base territorial, elas valem apenas para aquela área geográfica onde uma determinada população ou seus delegados vivem. Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que a Moral e o Direito, apesar de referiremse a uma mesma sociedade, podem ter perspectivas discordantes. A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau, correto ou incorreto, justo ou injusto, adequado ou inadequado. Um dos objetivos da Ética é a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras. Esta reflexão sobre a ação humana é que caracteriza a Ética. Ética Profissional: Quando se inicia esta reflexão? Esta reflexão sobre as ações realizadas no exercício de uma profissão deve iniciar bem antes da prática profissional. A fase da escolha profissional, ainda durante a adolescência muitas vezes, já deve ser permeada por esta reflexão. A escolha por uma profissão é optativa, mas ao escolhê-la, o conjunto de deveres profissionais passa a ser obrigatório. Geralmente, quando você é jovem, escolhe sua carreira sem conhecer o conjunto de deveres que está prestes ao assumir tornando-se parte daquela categoria que escolheu. Toda a fase de formação profissional, o aprendizado das competências e habilidades referentes à prática específica numa determinada área, deve incluir a reflexão, desde antes do início dos estágios práticos. Ao completar a formação em nível superior, a pessoa faz um juramento, que significa sua adesão e comprometimento com a categoria profissional onde formalmente ingressa. Isto caracteriza o aspecto moral da chamada Ética Profissional, esta adesão voluntária a um conjunto de regras estabelecidas como sendo as mais adequadas para o seu exercício. Mas pode ser que você precise começar a trabalhar antes de estudar ou paralelamente aos estudos, e inicia uma atividade profissional sem completar os estudos ou em área que nunca estudou, aprendendo na prática. Isto não exime você da responsabilidade assumida ao iniciar esta atividade! O fato de uma pessoa trabalhar numa área que não escolheu livremente, o fato Ética e Cidadania Organizacional

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de “pegar o que apareceu” como emprego por precisar trabalhar, o fato de exercer atividade remunerada onde não pretende seguir carreira, não isenta da responsabilidade de pertencer, mesmo que temporariamente, a uma classe, e há deveres a cumprir. Um jovem que, por exemplo, exerce a atividade de auxiliar de almoxarifado durante o dia e, à noite, faz curso de programador de computadores, certamente estará pensando sobre seu futuro em outra profissão, mas deve sempre refletir sobre sua prática atual. Ética Profissional: Como é esta reflexão? Algumas perguntas podem guiar a reflexão, até ela tornar-se um hábito incorporado ao dia-adia. Tomando-se o exemplo anterior, esta pessoa pode se perguntar sobre os deveres assumidos ao aceitar o trabalho como auxiliar de almoxarifado, como está cumprindo suas responsabilidades, o que esperam dela na atividade, o que ela deve fazer, e como deve fazer, mesmo quando não há outra pessoa olhando ou conferindo. Pode perguntar a si mesmo: Estou sendo bom profissional? Estou agindo adequadamente? Realizo corretamente minha atividade? É fundamental ter sempre em mente que há uma série de atitudes que não estão descritas nos códigos de todas as profissões, mas que são comuns a todas as atividades que uma pessoa pode exercer. Atitudes de generosidade e cooperação no trabalho em equipe, mesmo quando a atividade é exercida solitariamente em uma sala, ela faz parte de um conjunto maior de atividades que dependem do bom desempenho desta. Uma postura pró-ativa, ou seja, não ficar restrito apenas às tarefas que foram dadas a você, mas contribuir para o engrandecimento do trabalho, mesmo que ele seja temporário. Se sua tarefa é varrer ruas, você pode se contentar em varrer ruas e juntar o lixo, mas você pode também tirar o lixo que você vê que está prestes a cair na rua, podendo futuramente entupir uma saída de escoamento e causando uma acumulação de água quando chover. Você pode atender num balcão de informações respondendo estritamente o que lhe foi perguntado, de forma fria, e estará cumprindo seu dever, mas se você mostrar-se mais disponível, talvez sorrir, ser agradável, a maioria das pessoas que você atende também serão assim com você, e seu dia será muito melhor. Muitas oportunidades de trabalho surgem onde menos se espera, desde que você esteja aberto e receptivo, e que você se preocupe em ser um pouco melhor a cada dia, seja qual for sua atividade profissional. E, se não surgir, outro trabalho, certamente sua vida será mais feliz, gostando do que você faz e sem perder, nunca, a dimensão de que é preciso sempre continuar melhorando, aprendendo, experimentando novas soluções, criando novas formas de exercer as atividades, aberto a mudanças, nem que seja mudar, às vezes, pequenos detalhes, mas que podem fazer uma grande diferença na sua realização profissional e pessoal. Isto tudo pode acontecer com a reflexão incorporada a seu viver. E isto é parte do que se chama empregabilidade: a capacidade que você pode ter de ser um profissional que qualquer patrão desejaria ter entre seus empregados, um colaborador. Isto é ser um profissional eticamente bom.

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Ética Profissional e relações sociais: O varredor de rua que se preocupa em limpar o canal de escoamento de água da chuva, o auxiliar de almoxarifado que verifica se não há umidade no local destinado para colocar caixas de alimentos, o médico cirurgião que confere as suturas nos tecidos internos antes de completar a cirurgia, a atendente do asilo que se preocupa com a limpeza de uma senhora idosa após ir ao banheiro, o contador que impede uma fraude ou desfalque, ou que não maquia o balanço de uma empresa, o engenheiro que utiliza o material mais indicado para a construção de uma ponte, todos estão agindo de forma eticamente correta em suas profissões, ao fazerem o que não é visto, ao fazerem aquilo que, alguém descobrindo, não saberá quem fez, mas que estão preocupados, mais do que com os deveres profissionais, com as PESSOAS. As leis de cada profissão são elaboradas com o objetivo de proteger os profissionais, a categoria como um todo e as pessoas que dependem daquele profissional, mas há muitos aspectos não previstos especificamente e que fazem parte do comprometimento do profissional em ser eticamente correto, aquele que, independente de receber elogios, faz A COISA CERTA.

Ética Profissional e atividade voluntária:

Outro conceito interessante de examinar é o de Profissional, como aquele que é regularmente remunerado pelo trabalho que executa ou atividade que exerce, em oposição a Amador. Nesta conceituação, se diria que aquele que exerce atividade voluntária não seria profissional, e esta é uma conceituação polêmica. Em realidade, Voluntário é aquele que se dispõe, por opção, a exercer a prática Profissional não-remunerada, seja com fins assistenciais, ou prestação de serviços em beneficência, por um período determinado ou não. Aqui, é fundamental observar que só é eticamente adequado, o profissional que age, na atividade voluntária, com todo o comprometimento que teria no mesmo exercício profissional se este fosse remunerado. Seja esta atividade voluntária na mesma profissão da atividade remunerada ou em outra área. Por exemplo: Um engenheiro que faz a atividade voluntária de dar aulas de matemática. Ele deve agir, ao dar estas aulas, como se esta fosse sua atividade mais importante. É isto que aquelas crianças cheias de dúvidas em matemática esperam dele! Se a atividade é voluntária, foi sua opção realizá-la. Então, é eticamente adequado que você a realize da mesma forma como faz tudo que é importante em sua vida.

Ética Profissional: Pontos para sua reflexão:

É imprescindível estar sempre bem informado, acompanhando não apenas as mudanças nos conhecimentos técnicos da sua área profissional, mas também nos aspectos legais e normativos. Vá e busque o conhecimento. Muitos processos ético-disciplinares nos conselhos Ética e Cidadania Organizacional

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profissionais acontecem por desconhecimento, negligência. Competência técnica, aprimoramento constante, respeito às pessoas, confidencialidade, privacidade, tolerância, flexibilidade, fidelidade, envolvimento, afetividade, correção de conduta, boas maneiras, relações genuínas com as pessoas, responsabilidade, corresponder à confiança que é depositada em você... Comportamento eticamente adequado e sucesso continuado são indissociáveis! Glock, RS, Goldim JR. Ética profissional é compromisso social. Mundo Jovem (PUCRS, Porto Alegre) 2003;XLI(335):2-3, .

ÉTICA PROFISSIONAL Muitos autores definem a ética profissional como sendo um conjunto de normas de conduta que deverão ser postas em prática no exercício de qualquer profissão. Seria a ação "reguladora" da ética agindo no desempenho das profissões, fazendo com que o profissional respeite seu semelhante quando no exercício da sua profissão. A ética profissional estudaria e regularia o relacionamento do profissional com sua clientela, visando a dignidade humana e a construção do bem-estar no contexto sócio-cultural onde exerce sua profissão. Ela atinge todas as profissões e quando falamos de ética profissional estamos nos referindo ao caráter normativo e até jurídico que regulamenta determinada profissão a partir de estatutos e códigos específicos. Assim temos a ética médica, do advogado, do biólogo, etc. Acontece que, em geral, as profissões apresentam a ética firmada em questões muito relevantes que ultrapassam o campo profissional em si. Questões como o aborto, pena de morte, seqüestros, eutanásia, AIDS, por exemplo, são questões morais que se apresentam como problemas éticos - porque pedem uma reflexão profunda - e, um profissional, ao se debruçar sobre elas, não o faz apenas como tal, mas como um pensador, um "filósofo da ciência", ou seja, da profissão que exerce. Desta forma, a reflexão ética entra na moralidade de qualquer atividade profissional humana. Sendo a ética inerente à vida humana, sua importância é bastante evidenciada na vida profissional, porque cada profissional tem responsabilidades individuais e responsabilidades sociais, pois envolvem pessoas que dela se beneficiam. A ética é ainda indispensável ao profissional, porque na ação humana "o fazer" e "o agir" estão interligados. O fazer diz respeito à competência, à eficiência que todo profissional deve possuir para exercer bem a sua profissão. O agir se refere à conduta do profissional, ao conjunto de atitudes que deve assumir no desempenho de sua profissão. A Ética baseia-se em uma filosofia de valores compatíveis com a natureza e o fim de todo ser humano, por isso, "o agir" da pessoa humana está condicionado a duas premissas consideradas básicas pela Ética: "o que é" o homem e "para que Ética e Cidadania Organizacional

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vive", logo toda capacitação científica ou técnica precisa estar em conexão com os princípios essenciais da Ética. (MOTTA, 1984, p. 69) Constata-se então o forte conteúdo ético presente no exercício profissional e sua importância na formação de recursos humanos.

INDIVIDUALISMO E ÉTICA PROFISSIONAL

Parece ser uma tendência do ser humano, como tem sido objeto de referências de muitos estudiosos, a de defender, em primeiro lugar, seus interesses próprios e, quando esses interesses são de natureza pouco recomendável, ocorrem seríssimos problemas. O valor ético do esforço humano é variável em função de seu alcance em face da comunidade. Se o trabalho executado é só para auferir renda, em geral, tem seu valor restrito. Por outro lado, nos serviços realizados com amor, visando ao benefício de terceiros, dentro de vasto raio de ação, com consciência do bem comum, passa a existir a expressão social do mesmo. Aquele que só se preocupa com os lucros, geralmente, tende a ter menor consciência de grupo. Fascinado pela preocupação monetária, a ele pouco importa o que ocorre com a sua comunidade e muito menos com a sociedade. Para ilustrar essa questão, citaremos um caso, muito conhecido, porém de autor anônimo. Dizem que um sábio procurava encontrar um ser integral, em relação a seu trabalho. Entrou, então, em uma obra e começou a indagar. Ao primeiro operário perguntou o que fazia e este respondeu que procurava ganhar seu salário; ao segundo repetiu a pergunta e obteve a resposta de que ele preenchia seu tempo; finalmente, sempre repetindo a pergunta, encontrou um que lhe disse: "Estou construindo uma catedral para a minha cidade". A este último, o sábio teria atribuído a qualidade de ser integral em face do trabalho, como instrumento do bem comum. Como o número dos que trabalham, todavia, visando primordialmente ao rendimento, é grande, as classes procuram defender-se contra a dilapidação de seus conceitos, tutelando o trabalho e zelando para que uma luta encarniçada não ocorra na disputa dos serviços. Isto porque ficam vulneráveis ao individualismo. A consciência de grupo tem surgido, então, quase sempre, mais por interesse de defesa do que por altruísmo. Isto porque, garantida a liberdade de trabalho, se não se regular e tutelar a conduta, o individualismo pode transformar a vida dos profissionais em reciprocidade de agressão. Tal luta quase sempre se processa através de aviltamento de preços, propaganda enganosa, calúnias, difamações, tramas, tudo na ânsia de ganhar mercado e subtrair clientela e oportunidades do colega, reduzindo a concorrência. Igualmente, para maiores lucros, pode estar o indivíduo tentado a práticas viciosas, mas rentáveis.

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Em nome dessas ambições, podem ser praticadas quebras de sigilo, ameaças de revelação de segredos dos negócios, simulação de pagamentos de impostos não recolhidos, etc. Para dar espaço a ambições de poder, podem ser armadas tramas contra instituições de classe, com denúncias falsas pela imprensa para ganhar eleições, ataque a nomes de líderes impolutos para ganhar prestígio, etc. Os traidores e ambiciosos, quando deixados livres completamente livres, podem cometer muitos desatinos, pois muitas são as variáveis que existem no caminho do prejuízo a terceiros. A tutela do trabalho, pois, processa-se pelo caminho da exigência de uma ética, imposta através dos conselhos profissionais e de agremiações classistas. As normas devem ser condizentes com as diversas formas de prestar o serviço de organizar o profissional para esse fim. Dentro de uma mesma classe, os indivíduos podem exercer suas atividades como empresários, autônomos e associados. Podem também dedicar-se a partes menos ou mais refinadas do conhecimento. A conduta profissional, muitas vezes, pode tornar-se agressiva e inconveniente e esta é uma das fortes razões pelas quais os códigos de ética quase sempre buscam maior abrangência. Tão poderosos podem ser os escritório, hospitais, firmas de engenharia, etc, que a ganância dos mesmos pode chegar ao domínio das entidades de classe e até ao Congresso e ao Executivo das nações. A força do favoritismo, acionada nos instrumentos do poder através de agentes intermediários, de corrupção, de artimanhas políticas, pode assumir proporções asfixiantes para os profissionais menores, que são a maioria. Tais grupos podem, como vimos, inclusive, ser profissionais, pois, nestes encontramos também o poder econômico acumulado, tão como conluios com outras poderosas organizações empresariais. Portanto, quando nos referimos à classe, ao social, não nos reportamos apenas a situações isoladas, a modelos particulares, mas a situações gerais. O egoísmo desenfreado de poucos pode atingir um número expressivo de pessoas e até, através delas, influenciar o destino de nações, partindo da ausência de conduta virtuosa de minorias poderosas, preocupadas apenas com seus lucros. Sabemos que a conduta do ser humano pode tender ao egoísmo, mas, para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, é preciso que se acomode às normas, porque estas devem estar apoiadas em princípios de virtude. Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a Ética tem sido o caminho justo, adequado, para o benefício geral.

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VOCAÇÃO PARA O COLETIVO

Egresso de uma vida inculta, desorganizada, baseada apenas em instintos, o homem, sobre a Terra, foi-se organizando, na busca de maior estabilidade vital. Foi cedendo parcelas do referido individualismo para se beneficiar da união, da divisão do trabalho, da proteção da vida em comum. A organização social foi um progresso, como continua a ser a evolução da mesma, na definição, cada vez maior, das funções dos cidadãos e tal definição acentua, gradativamente, o limite de ação das classes. Sabemos que entre a sociedade de hoje e aquela primitiva não existem mais níveis de comparação, quanto à complexidade; devemos reconhecer, porém, que, nos núcleos menores, o sentido de solidariedade era bem mais acentuado, assim como os rigores éticos e poucas cidades de maior dimensão possuem, na atualidade, o espírito comunitário; também, com dificuldades, enfrentam as questões classistas.A vocação para o coletivo já não se encontra, nos dias atuais, com a mesma pujança nos grandes centros. Parece-me pouco entendido, por um número expressivo de pessoas, que existe um bem comum a defender e do qual elas dependem para o bem-estar próprio e o de seus semelhantes, havendo uma inequívoca interação que nem sempre é compreendida pelos que possuem espírito egoísta. Quem lidera entidades de classe bem sabe a dificuldade para reunir colegas, para delegar tarefas de utilidade geral. Tal posicionamento termina, quase sempre, em uma oligarquia dos que se sacrificam, e o poder das entidades tende sempre a permanecer em mãos desses grupos, por longo tempo. O egoísmo parece ainda vigorar e sua reversão não nos parece fácil, diante da massificação que se tem promovido, propositadamente, para a conservação dos grupos dominantes no poder. Como o progresso do individualismo gera sempre o risco da transgressão ética, imperativa se faz a necessidade de uma tutela sobre o trabalho, através de normas éticas. É sabido que uma disciplina de conduta protege todos, evitando o caos que pode imperar quando se outorga ao indivíduo o direito de tudo fazer, ainda que prejudicando terceiros. É preciso que cada um ceda alguma coisa para receber muitas outras e esse é um princípio que sustenta e justifica a prática virtuosa perante a comunidade. O homem não deve construir seu bem a custa de destruir o de outros, nem admitir que só existe a sua vida em todo o universo. Em geral, o egoísta é um ser de curta visão, pragmático quase sempre, isoladao em sua perseguição de um bem que imagina ser só seu.

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CLASSES PROFISSIONAIS

Uma classe profissional caracteriza-se pela homogeneidade do trabalho executado, pela natureza do conhecimento exigido preferencialmente para tal execução e pela identidade de habilitação para o exercício da mesma. A classe profissional é, pois, um grupo dentro da sociedade, específico, definido por sua especialidade de desempenho de tarefa. A questão, pois, dos grupamentos específicos, sem dúvida, decorre de uma especialização, motivada por seleção natural ou habilidade própria, e hoje constitui-se em inequívoca força dentro das sociedades. A formação das classes profissionais decorreu de forma natural, há milênios, e se dividiram cada vez mais. Historicamente, atribui-se à Idade Média a organização das classes trabalhadoras, notadamente as de artesãos, que se reuniram em corporações. A divisão do trabalho é antiga, ligada que está à vocação e cada um para determinadas tarefas e às circunstâncias que obrigam, às vezes, a assumir esse ou aquele trabalho; ficou prático para o homem, em comunidade, transferir tarefas e executar a sua. A união dos que realizam o mesmo trabalho foi uma evolução natural e hoje se acha não só regulada por lei, mas consolidada em instituições fortíssimas de classe.

VIRTUDES PROFISSIONAIS

Não obstante os deveres de um profissional, os quais são obrigatórios, devem ser levadas em conta as qualidades pessoais que também concorrem para o enriquecimento de sua atuação profissional, algumas delas facilitando o exercício da profissão. Muitas destas qualidades poderão ser adquiridas com esforço e boa vontade, aumentando neste caso o mérito do profissional que, no decorrer de sua atividade profissional, consegue incorporá-las à sua personalidade, procurando vivenciá-las ao lado dos deveres profissionais. Em recente artigo publicado na revista EXAME o consultor dinamarquês Clauss MOLLER (1996, p.103-104) faz uma associação entre as virtudes lealdade, responsabilidade e iniciativa como fundamentais para a formação de recursos humanos. Segundo Clauss Moller o futuro de uma carreira depende dessas virtudes. Vejamos: O senso de responsabilidade é o elemento fundamental da empregabilidade. Sem responsabilidade a pessoa não pode demonstrar lealdade, nem espírito de iniciativa [...]. Uma pessoa que se sinta responsável pelos resultados da equipe terá maior probabilidade de agir de maneira mais favorável aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da organização [...]. A consciência de que se possui uma influência real constitui uma experiência pessoal muito importante.

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É algo que fortalece a auto-estima de cada pessoa. Só pessoas que tenham auto-estima e um sentimento de poder próprio são capazes de assumir responsabilidade. Elas sentem um sentido na vida, alcançando metas sobre as quais concordam previamente e pelas quais assumiram responsabilidade real, de maneira consciente. As pessoas que optam por não assumir responsabilidades podem ter dificuldades em encontrar significado em suas vidas. Seu comportamento é regido pelas recompensas e sanções de outras pessoas - chefes e pares [...]. Pessoas desse tipo jamais serão boas integrantes de equipes. Prossegue citando a virtude da lealdade: A lealdade é o segundo dos três principais elementos que compõe a empregabilidade. Um funcionário leal se alegra quando a organização ou seu departamento é bem sucedido, defende a organização, tomando medidas concretas quando ela é ameaçada, tem orgulho de fazer parte da organização, fala positivamente sobre ela e a defende contra críticas. Lealdade não quer dizer necessariamente fazer o que a pessoa ou organização à qual você quer ser fiel quer que você faça. Lealdade não é sinônimo de obediência cega. Lealdade significa fazer críticas construtivas, mas as manter dentro do âmbito da organização. Significa agir com a convicção de que seu comportamento vai promover os legítimos interesses da organização. Assim, ser leal às vezes pode significar a recusa em fazer algo que você acha que poderá prejudicar a organização, a equipe de funcionários. No Reino Unido, por exemplo, essa idéia é expressa pelo termo "Oposição Leal a Sua Majestade". Em outras palavras, é perfeitamente possível ser leal a Sua Majestade - e, mesmo assim, fazer parte da oposição. Do mesmo modo, é possível ser leal a uma organização ou a uma equipe mesmo que você discorde dos métodos usados para se alcançar determinados objetivos. Na verdade, seria desleal deixar de expressar o sentimento de que algo está errado, se é isso que você sente. As virtudes da responsabilidade e da lealdade são completadas por uma terceira, a iniciativa, capaz de colocá-las em movimento. Tomar a iniciativa de fazer algo no interesse da organização significa ao mesmo tempo, demonstrar lealdade pela organização. Em um contexto de empregabilidade, tomar iniciativas não quer dizer apenas iniciar um projeto no interesse da organização ou da equipe, mas também assumir responsabilidade por sua complementação e implementação. Gostaríamos ainda, de acrescentar outras qualidades que consideramos importantes no exercício de uma profissão. São elas:

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Honestidade: A honestidade está relacionada com a confiança que nos é depositada, com a responsabilidade perante o bem de terceiros e a manutenção de seus direitos. É muito fácil encontrar a falta de honestidade quanto existe a fascinação pelos lucros, privilégios e benefícios fáceis, pelo enriquecimento ilícito em cargos que outorgam autoridade e que têm a confiança coletiva de uma coletividade. Já ARISTÓTELES (1992, p.75) em sua "Ética a Nicômanos" analisava a questão da honestidade. Outras pessoas se excedem no sentido de obter qualquer coisa e de qualquer fonte - por exemplo os que fazem negócios sórdidos, os proxenetas e demais pessoas desse tipo, bem como os usurários, que emprestam pequenas importâncias a juros altos. Todas as pessoas deste tipo obtêm mais do que merecem e de fontes erradas. O que há de comum entre elas é obviamente uma ganância sórdida, e todas carregam um aviltante por causa do ganho - de um pequeno ganho, aliás. Com efeito, aquelas pessoas que ganham muito em fontes erradas, e cujos ganhos não são justos - por exemplo, os tiranos quando saqueiam cidades e roubam templos, não são chamados de avarentos, mas de maus, ímpios e injustos. São inúmeros os exemplos de falta de honestidade no exercício de uma profissão. Um psicanalista, abusando de sua profissão ao induzir um paciente a cometer adultério, está sendo desonesto. Um contabilista que, para conseguir aumentos de honorários, retém os livros de um comerciante, está sendo desonesto. A honestidade é a primeira virtude no campo profissional. É um princípio que não admite relatividade, tolerância ou interpretações circunstanciais. Sigilo: O respeito aos segredos das pessoas, dos negócios, das empresas, deve ser desenvolvido na formação de futuros profissionais, pois trata-se de algo muito importante. Uma informação sigilosa é algo que nos é confiado e cuja preservação de silêncio é obrigatória. Revelar detalhes ou mesmo frívolas ocorrências dos locais de trabalho, em geral, nada interessa a terceiros e ainda existe o agravante de que planos e projetos de uma empresa ainda não colocados em prática possam ser copiados e colocados no mercado pela concorrência antes que a empresa que os concebeu tenha tido oportunidade de lançá-los. Documentos, registros contábeis, planos de marketing, pesquisas científicas, hábitos pessoais, dentre outros, devem ser mantidos em sigilo e sua revelação pode representar sérios problemas para a empresa ou para os clientes do profissional.

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Competência: Competência, sob o ponto de vista funcional, é o exercício do conhecimento de forma adequada e persistente a um trabalho ou profissão. Devemos buscá-la sempre. "A função de um citarista é tocar cítara, e a de um bom citarista é tocá-la bem." (ARISTÓTELES, p.24). É de extrema importância a busca da competência profissional em qualquer área de atuação. Recursos humanos devem ser incentivados a buscar sua competência e maestria através do aprimoramento contínuo de suas habilidades e conhecimentos. O conhecimento da ciência, da tecnologia, das técnicas e práticas profissionais é pré-requisito para a prestação de serviços de boa qualidade. Nem sempre é possível acumular todo conhecimento exigido por determinada tarefa, mas é necessário que se tenha a postura ética de recusar serviços quando não se tem a devida capacitação para executá-lo. Pacientes que morrem ou ficam aleijados por incompetência médica, causas que são perdidas pela incompetência de advogados, prédios que desabam por erros de cálculo em engenharia, são apenas alguns exemplos de quanto se deve investir na busca da competência. Prudência: Todo trabalho, para ser executado, exige muita segurança. A prudência, fazendo com que o profissional analise situações complexas e difíceis com mais facilidade e de forma mais profunda e minuciosa, contribui para a maior segurança, principalmente das decisões a serem tomadas. a prudência é indispensável nos casos de decisões sérias e graves, pois evita os julgamentos apressados e as lutas ou discussões inúteis. Coragem: Todo profissional precisa ter coragem, pois "o homem que evita e teme a tudo, não enfrenta coisa alguma, torna-se um covarde" (ARISTÓTELES, p.37). A coragem nos ajuda a reagir às críticas, quando injustas, e a nos defender dignamente quando estamos cônscios de nosso dever. Nos ajuda a não ter medo de defender a verdade e a justiça, principalmente quando estas forem de real interesse para outrem ou para o bem comum. Temos que ter coragem para tomar decisões, indispensáveis e importantes, para a eficiência do trabalho, sem levar em conta possíveis atitudes ou atos de desagrado dos chefes ou colegas. Perseverança: Qualidade difícil de ser encontrada, mas necessária, pois todo trabalho está sujeito a incompreensões, insucessos e fracassos que precisam ser superados, prosseguindo o profissional em seu trabalho, sem entregar-se a decepções ou mágoas. É louvável a perseverança dos profissionais que precisam enfrentar os problemas do subdesenvolvimento. Compreensão: Qualidade que ajuda muito um profissional, porque é bem aceito pelos que dele dependem, em termos de trabalho, facilitando a aproximação e o diálogo, tão importante no relacionamento profissional.

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É bom, porém, não confundir compreensão com fraqueza, para que o profissional não se deixe levar por opiniões ou atitudes, nem sempre, válidas para eficiência do seu trabalho, para que não se percam os verdadeiros objetivos a serem alcançados pela profissão. Vê-se que a compreensão precisa ser condicionada, muitas vezes, pela prudência. A compreensão que se traduz, principalmente em calor humano pode realizar muito em benefício de uma atividade profissional, dependendo de ser convenientemente dosada. Humildade: O profissional precisa ter humildade suficiente para admitir que não é o dono da verdade e que o bom senso e a inteligência são propriedade de um grande número de pessoas. Representa a auto-análise que todo profissional deve praticar em função de sua atividade profissional, a fim de reconhecer melhor suas limitações, buscando a colaboração de outros profissionais mais capazes, se tiver esta necessidade, dispor-se a aprender coisas novas, numa busca constante de aperfeiçoamento. Humildade é qualidade que carece de melhor interpretação, dada a sua importância, pois muitos a confundem com subserviência, dependência ? quase sempre lhe é atribuído um sentido depreciativo. Como exemplo, ouve-se freqüentemente, a respeito determinadas pessoas, frases com estas: Fulano é muito humilde, coitado! Muito simples! Humildade está significando nestas frases pessoa carente que aceita qualquer coisa, dependente e até infeliz. Conceito errôneo que precisa ser superado, para que a Humildade adquira definitivamente a sua autenticidade. Imparcialidade: É uma qualidade tão importante que assume as características do dever, pois se destina a se contrapor aos preconceitos, a reagir contra os mitos (em nossa época dinheiro, técnica, sexo...), a defender os verdadeiros valores sociais e éticos, assumindo principalmente uma posição justa nas situações que terá que enfrentar. Para ser justo é preciso ser imparcial, logo a justiça depende muito da imparcialidade. Otimismo: Em face das perspectivas das sociedades modernas, o profissional precisa e deve ser otimista, para acreditar na capacidade de realização da pessoa humana, no poder do desenvolvimento, enfrentando o futuro com energia e bom-humor.

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CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL

Cabe sempre, quando se fala em virtudes profissionais, mencionarmos a existência dos códigos de ética profissional. As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidos em um instrumento regulador. É uma espécie de contrato de classe e os órgãos de fiscalização do exercício da profissão passam a controlar a execução de tal peça magna. Tudo deriva, pois, de critérios de condutas de um indivíduo perante seu grupo e o todo social. Tem como base as virtudes que devem ser exigíveis e respeitadas no exercício da profissão, abrangendo o relacionamento com usuários, colegas de profissão, classe e sociedade. O interesse no cumprimento do aludido código passa, entretanto a ser de todos. O exercício de uma virtude obrigatória torna-se exigível de cada profissional, como se uma lei fosse, mas com proveito geral. Cria-se a necessidade de uma mentalidade ética e de uma educação pertinente que conduza à vontade de agir, de acordo com o estabelecido. Essa disciplina da atividade é antiga, já encontrada nas provas históricas mais remotas, e é uma tendência natural na vida das comunidades. É inequívoco que o ser tenha sua individualidade, sua forma de realizar seu trabalho, mas também o é que uma norma comportamental deva reger a prática profissional no que concerne a sua conduta, em relação a seus semelhantes. Toda comunidade possui elementos qualificados e alguns que transgridem a prática das virtudes; seria utópico admitir uniformidade de conduta. A disciplina, entretanto, através de um contrato de atitudes, de deveres, de estados de consciência, e que deve formar um código de ética, tem sido a solução, notadamente nas classes profissionais que são egressas de cursos universitários (contadores, médicos, advogados, etc.) Uma ordem deve existir para que se consiga eliminar conflitos e especialmente evitar que se macule o bom nome e o conceito social de uma categoria. Se muitos exercem a mesma profissão, é preciso que uma disciplina de conduta ocorra.

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Ética e Civilização Os seres humanos agem conscientemente, e cada um de nós é senhor de sua própria vida. Mas como resolvemos o que fazer ?Você em algum lugar já pensou em como você toma as decisões sobre o que fazer em determinada situação? Você age impulsivamente, fazendo “o que der na telha “ ou analisa cuidadosamente as possibilidades e as conseqüências, para depois resolver o que fazer? A filosofia pode nos ajudar a pensar sobre a nossa vida. Chama-se ética a parte da filosofia que se dedica a pensar as ações humanas e os seus fundamentos. Um dos primeiros filósofos a pensar a ética foi Aristóteles, que viveu na Grécia no século IV aC . Esse filósofo ensinava numa escola à qual deu o nome de Liceu, e muitas de suas obras são resultado das anotações que os alunos faziam de suas aulas. As explicações sobre a ética foram anotadas pelo filho de Aristóteles chamado Nicômaco, e por isso esse livro é conhecido por nós com o título de Ética a Nicômaco. Em suas aulas, Aristóteles fez uma análise do agir humano que marcou decisivamente o modo de pensar ocidental. O filósofo ensinava que todo o conhecimento e todo trabalho visa a algum bem. O bem é a finalidade de toda ação. A busca do bem é o diferente é o que difere a ação humana da de todos os outros animais. Ele perguntou: Qual é o mais alto de todos os bens que se podem alcançar pela ação? E como resposta encontrou: a felicidade. Essa resposta formulada pelo filósofo encontra eco até nossos dias. Tanto o homem do cotidiano como todos os grandes pensadores estão de acordo que a finalidade da vida é ser feliz. Identifica-se o bem viver e o bem agir com o ser feliz. No entanto, disse Aristóteles, a pergunta sobre o que é felicidade não é respondida igualmente por todos. Cada um de nós responde de uma forma singular. Essa singularidade na resposta é partilhada por outros indivíduos com os quais convivemos. Portanto, no processo de nossa educação familiar, religiosa e escolar aprendemos a identificar o ser feliz com os valores que sustentam nossas ações. Toda a produção humana consiste em criar condições para que o homem seja feliz. Todas as religiões, as filosofias de todos os tempos, as conquistas tecnológicas, as teorias científicas e toda a arte são criações humanas que procuram apresentar condições para a conquista da felicidade. O processo civilizatório iniciou-se com a promessa da felicidade.

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Racionalidade e Liberdade O mesmo Aristóteles caracterizou os humanos como seres racionais que falam. A dimensão anímica ou psíquica ( psique=alma) dos seres humanos foi concebida pelo filósofo como um conjunto de duas partes: uma racional e a outra privada de razão. A primeira expressa-se pela atividade filosófica e matemática. A Segunda, por seus elementos vegetativos e apetitivos. Isso permitiu a hierarquização dos seres humanos. Pela Segunda parte da alma, somos iguais a todos os outros animais. Movidos pelos instintos primários (fome, sede, sono, reprodução ), somos guiados pela necessidade de sobrevivência. Todos os seres humanos tem em comum um problema único a resolver: como sobreviver. Necessitamos de alimentos para aplacar nossa fome; de água para saciar a sede: dormir para perpetuar a espécie. Mas o que nos diferencia dos outros animais? Segundo Aristóteles, é a racionalidade. Nós somos capazes de planejar nossas ações, de realizar escolhas e julgá-las, determinando seu valor. Agimos acreditando que estamos fazendo o bem e, mesmo quando julgamos mal nossas ações, é sempre o bem que estabelece o critério de tal julgamento. Assim, os seres humanos identificam-se como tais pelas distinções que são capazes de estabelecer com os outros animais e, por conseguinte, com todo o reino da natureza. Os seres humanos definem-se pela capacidade de pensar, falar, trabalhar e amar. Ainda com Aristóteles, podemos identificar três coisas que controlam a ação: sensação, razão e desejo. A primeira não é princípio para julgar ação, pois também os outros animais possuem sensação, mas não participam da ação. A ação é um movimento deliberativo, isto é, a origem da ação é a escolha. Os homens diferem dos demais animais porque são capazes de realizar escolhas. O desejo está na raiz dessas escolhas: a razão é o seu guia. Para Aristóteles, o desejo é a força motriz, o impulso gerador de todas as nossas ações. Mas esta força motriz deve seguir o curso traçado pela razão. A razão guia, conduz o desejo ao encontro de seu objetivo. Realizar escolhas é eleger objetos para o desejo. O critério das escolhas é sempre racional. O motivo é sempre emocional, ou seja, impulsionados pelo desejo movemo-nos em direção aos objetos. Nesse sentido, a capacidade racional de realizar escolhas permite-nos afirmar nossa condição de liberdade. O exercício da liberdade é a capacidade de escolher. Nisso os seres humanos podem se desviar do determinismo pelo padrão genético de suas espécies. Quando olhamos um filhote de cachorro, por exemplo, somos capazes de dizer seu comportamento futuro. Ao olhar para um bebê é impossível prever seu comportamento, suas ações e suas intenções. É a escolha que define o caráter de um ser humano. Suas virtudes se manifestam nas escolhas que realiza no curso de sua condição mortal. Aqui se apresentam algumas questões éticas de grande relevância. Quais os critérios que norteiam as escolhas que um homem faz em sua vida ? Quais são os valores que pautam suas ações ? Quais objetivos pretende atingir com quais meios efetivará sua realização ? Afirma-se que toda ação deve ser justa e boa. Mas, o que determina a justiça e a bondade? O que é ser justo ? O que é ser bom? No exercício da liberdade, cada um de nos se relaciona com outros indivíduos e dessas relações emerge a realidade social. Chamamos sociais nossas relações com os outros no mundo. A sociedade é uma construção histórica pautada numa lei fundamental: é proibido Ética e Cidadania Organizacional

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matar o semelhante. No entanto, numa rápida olhada em qualquer jornal, por exemplo, descobrimos que o assassinato é praticado das mais diferentes formas: guerras, fome, assaltos, atentados, terroristas...Vez ou outra, ouvimos dizer que essas ações são desumanas. Mas como, se foram praticadas por seres da mesma espécie, animais racionais? Civilização e valores A civilização parece não respeitar a lei fundamental que criou para que pudesse existir. É proibido matar! Se existem práticas homicidas, os critérios de bondade e justiça não são cumpridos. Os assassinatos revelam o conflito irremediável entre a liberdade e a lei. A lei foi constituída para garantir o exercício da liberdade. No entanto, acaso deveríamos julgar livres os indivíduos que praticam crimes? Seriam eles livres em suas ações ou não ? O critério de justiça determina a prisão ( perda da liberdade ) para quem cometer homicídio. Mas por que os pobres são condenados à prisão ? Por que os chamados “crimes de colarinho-branco “ não são punidos com a prisão? Observe que essas questões remetem ao chamado da reflexão ética. Em 1930, um médico vienense chamado Sigmund Freud – o criador da psicanálise – publicou um livro com o sugestivo título O mal estar na civilização. Nessa obra, Freud fez um diagnóstico do processo civilizatório e constatou que os seres humanos estão condenados a viver nesse conflito irremediável entre as exigências pulsionais (a liberdade) e as restrições (as leis). Freud Retoma a clássica questão aristotélica que atravessa toda a história ocidental: O que os homens pedem da vida e o que desejam nela realizar? A resposta é categórica : a felicidade. Os homens querem ser felizes e assim permanecer. Toda ação tem em vista a conquista da felicidade. Par analisar por que nos afastamos desse propósito, Freud apresenta uma reflexão decisiva para pensarmos a Ética civilizatória como processa de felicidade: “Grande parte das lutas humanas centraliza-se em torno da tarefa única de encontrar uma acomodação conveniente – isto é, uma acomodação que traga felicidade – entre essa reinvindicação do indivíduo (liberdade) e as reivindicações culturais do grupo (leis), e um dos problemas que incide sobre o destino da humanidade é o saber se tal acomodação pode ser alcançada por meio de alguma específica de civilização (religião, ciência, filosofia, arte) ou se esse conflito é irreconciliável”(p.116). A posição de Freud é clara: o conflito é irremediável. A tarefa da civilização é humanizar esse animal racional chamado homem. Acompanhando os argumentos de Freud na obra citada, podemos encontrar elementos para caracterizar o processo civilizatório construído pelos seres humanos. A civilização é concebida como tudo aquilo por meio do que a vida humana se elevou acima de sua condição animal. Os humanos são seres da cultura. A cultura é a morada do homem. O acesso aos bens culturais produzidos em toda a história é o que define nossa condição humana. O homem é um animal cujo maior desejo é tornar-se humano. A elevação apontada por Freud é o que diferencia dos outros animais. A vida humana difere da vida dos animais em dois aspectos: os conhecimentos e as capacidades adquiridas para controlar as forças da natureza; e os regulamentos (leis, normas, regras) para ajustar as relações dos homens uns com os outros.

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Na luta pela sobrevivência em um mundo sombrio e assustador, o animal racional teve de enfrentar três grandes desafios : o poder superior da natureza, que nos ameaça com forças de destruição , a fragilidade de seu próprio corpo, condenado à dissolução; e as leis que regulam sua ações sociais. Os conhecimentos científicos e tecnológicos procuram responder a esses desafios. As práticas religiosas, os sistemas de crenças também . As teorias filosóficas e as produções artísticas inserem-se nessa tarefa de encontrar caminhos para esses desafios humanos.

A conclusão derradeira de Freud é que a civilização tem que ser defendida contra o indivíduo e que seus regulamentos, suas instituições e suas ordens dirigem-se a essa tarefa (...)fica-se com a impressão de que a civilização é algo que foi imposto a uma maioria resistente por uma minoria que compreendeu como obter a posse dos meios de poder e coersão”9P.1170. até a morte, somos submetidos ao processo civilizatório. Desde o nascimento até a morte, somos atravessados pelos critérios que sustentam a civilização: o bem e a justiça. Finalmente, como relacionar a ética ( instância individual ) e civilização ( instância coletiva )? A ética, pensada no campo da lei, leva-nos à mesmas conclusão que Freud. Ao obter a posse dos meios de poder e coersão , uma minoria impões seus valores à grande maioria que resiste. Mas a conclusão de Freud nos permite pensar o poder também como resistência por parte da maioria. Nesse caso, o Estado aparece como o grande gerenciador desse conflito, por meio de seu sistema de leis e práticas de coersão (prisão, por exemplo). Há outra forma também de pensarmos a ética: como exercício estético. Em meio a esse conflito irreconciliável entre as exigências individuais por liberdade e as restrições impostas pelo regulamento social, podemos criar condições para instaurar uma ética da beleza: fazer da vida uma obra de arte, criar condições para que cada um produza sua própria vida como quem esculpe o mármore ou pinta uma tela. O mármore ou a tela seriam as imposições/restrições impostas pela civilização e das quais podemos escapar, mas, como sujeitos de nossa vida, podemos esculpir/pintar com o formão e o pincel de nossa liberdade.

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OBJETO E OBJETIVO DA ÉTICA

Convivência em Sociedade  Relacionamentos  Objetivos 

Natureza Individual (particular)

Coletiva (Toda a sociedade ou parte da mesma)

Comportamento Humano  Influência Ambiente  Crenças

 Valores  Conflitos

Exemplo: Tome-se, por exemplo, o caso de uma pessoa que entra em uma loja com o objetivo de adquirir um aparelho de eletrodoméstico. Certamente, na loja encontrará alguém com o objetivo de vender eletrodomésticos. O relacionamento envolverá pessoas com objetivos opostos, uma objetiva comprar, enquanto a outra deseja vender. “relacionamento comercial”. Questões que podem surgir : marca e preço do produto, condições de pagamento, prazo de entrega...

DESAFIO : Ponto de Entendimento.

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O HOMEM EM SOCIEDADE SOCIEDADE : Integração verificada entre duas ou mais pessoas, que somam para que determinado objetivo seja alcançado. Integração entre pessoas / Viver em sociedade -

Manutenção de relacionamentos entre os membros que a compõem.

Formam relacionamento primários : Pais e filhos e outros relacionamentos : na escola, no trabalho, na religião, saúde, lazer... “ Busca de Objetivos Específicos “ Tipos de sociedades : sociedade matrimonial; sociedade profissional; sociedade religiosa; sociedade de lazer; sociedade militar...

Sociedade por escolha própria : torcedor de um time Sociedade relacionado à natureza : família Sociedade caráter legal : Forças Armadas

LISBOA, Lázaro Plácido.(coordenador) Ética Geral e Profissional: Atlas, 1997, 2aed.

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ÉTICA E VALORES

Ser Humano 

Influenciado pelo ambiente

( a família à qual pertence; a classe econômica da qual faz parte aquela família; a raça da qual faz parte; a religião; o país onde nasceu ... ). Conjunto de informações a respeito da vida – entre tantas informações questões ligadas a “Justiça Social”. Ocorrência : Valores diferenciados para fatos e coisas. Exemplo: Na escala de valores de uma família de baixa renda, o valor atribuído às necessidades básicas, certamente, encontra-se em patamar superior ao do valor atribuído às necessidades menos imediatas , como o lazer. Esse quadro é diferente quando a escala de valores é de uma família de alta renda, cujas necessidades básicas já estão , a priori, totalmente atendidas. Portanto, quanto maior o distanciamento verificado entre as condições de vida das pessoas, certamente maior será a diferença no que se refere ao conjunto de informações recebido de forma individual, da mesma forma que diferentes serão as necessidades a que cada um a busca atender de maneira mais imediata, vale dizer, maior será o distanciamento entre seus valores. Objetivos diferentes

 Conflitos

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Escala de valores

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ÉTICA E LEI O conceito ou preceito ético é uma regra aplicável à conduta humana. O preceito possui duas características essenciais: -

Destina-se a adequar a ação humana ao conceito do bem e da moral. Pode ser aplicado pela simples determinação do ser humano, independentemente de qualquer coação externa.

Como os preceitos éticos são regras, muitos estudiosos aplicam-lhes o princípio – típico das normas jurídicas – da possibilidade de não atendimento sem violação dos princípios. Essa corrente de pensamento aceita a idéia de que um comportamento pode não ser exatamente de conformidade com a regra ética, mas mesmo assim pode não contrariar esse preceito. Para qualificar esse comportamento, tais pensadores utilizam a palavra aético, que é um comportamento que não é ético, mas que também não contraria a regra ética. Não concordamos com tal corrente de pensamento . Por essa razão , para nós os comportamentos valorados à luz das regras ética só podem ser éticos ou antiéticos. A lei é uma norma aprovada pelo povo de um país, que possui as seguintes características fundamentais: -

Resulta de um processo formal de elaboração, do qual a sociedade participa diretamente ou através de seus representantes. É dotada de sanção, ou seja, a sua desobediência gera uma penalidade. É sempre atribuída, o que significa que cada direito outorgado a alguém impõe um dever, para a mesma ou para outra pessoa.

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Relação entre as regras éticas e as legais

LEI A M B A S

PROBLEMAS MORAIS E ÉTICOS

A perseguição de objetivos diferentes por parte de pessoas que se comportam de maneira desigual, isto é, a busca de interesses distintos, intra e intersociedades, conduz ao surgimento de conflitos de interesses, algumas vezes entre indivíduos, outras entre o indivíduo e a sociedade, o que significa que em determinado momento as pessoas precisam decidir qual interesse atender em primeiro plano, qual comportamento adotar, ou de outro modo, decidir sobre o que é justo, o que é certo, o que é errado, o que é bom, e o que é ruim. Exemplo: Um aluno que procura “colar” de seu colega ao lado, durante um exame. De tal situação podemos destacar dois comportamentos distintos do aluno: o primeiro, que diz respeito ao fato de que o mesmo não se ter preparado adequadamente para o exame; o segundo, que se refere ao ato de solicitar “cola” ao colega. O primeiro comportamento, ainda que contrariando o objetivo do professor (preparar o aluno), traz prejuízo tão somente para o aluno que não busca uma preparação adequada. Já o segundo comportamento, que contraria, da mesma forma, o objetivo do professor ( avaliar o grau de preparação do aluno), pode trazer prejuízo tanto para o aluno que solicita a “cola”, Ética e Cidadania Organizacional

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como para o aluno que passa a mesma, desde que assim o faça. -

O comportamento do aluno que “cola” finda por prejudicar o objetivo da própria escola, naquilo que diz respeito à preparação de pessoas para a sociedade, prejudicando a própria sociedade.

Outras situações do cotidiano. -

carro que avança um farol vermelho; funcionário que aceita um suborno; marginal que realiza um assalto; proibição de pessoas de determinada raça ou cor de freqüentar um local...

A questão que se coloca é ; o que é direito quando o interesse de determinada pessoa contraria o de outra, isto é, o que é certo ou errado, bom ou ruim; justo ou injusto, para todas as pessoas? Estes problemas são ligados à ÉTICA.

SOCIEDADE E ÉTICA

As pessoas são obrigadas a conviver em sociedade, isso a despeito das diferenças de crenças e valores que cada uma atribui às coisas e aos fatos da vida e, da mesma forma, independentemente dos conflitos de interesses que tais diferenças venham a causar. Considerando-se que cada pessoa não pode viver sem as demais, tornando-se necessário que seus conflitos de interesses sejam ultrapassados e que seja estabelecido um estilo de comportamento que, mesmo não servindo a cada uma em particular, sirva a todos enquanto sociedade. * É o objetivo da ética – entender os conflitos existentes entre as pessoas, buscando suas razões, como resultado direto de suas crenças e valores, e com base nisto estabelecer tipos de comportamentos que permitam a convivência em sociedade.

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CONCEITO DA ÉTICA Pode-se, de forma simplificada, definir o termo ética como sendo um ramo da filosofia que lida com o que é moralmente bom ou mau, certo ou errado. 

Uso popular do termo ética : Ética diz respeito aos princípios de conduta que norteiam um indivíduo ou grupo de indivíduos.

A expressão ética pessoal é normalmente aplicada em referência aos princípios de conduta das pessoas em geral.

A expressão ética profissional serve como indicativo de conjunto de normas que baliza a conduta dos integrantes de determinada profissão.

Os filósofos referem-se à ética para denotar o estudo teórico dos padrões de julgamentos morais, inerentes às decisões de cunho moral. 

A reflexão ética não pode pretender converter os agentes sociais em “indivíduos “éticos, mas pode instrumentalizá-los para que decidam consequentemente, de acordo com o que a coletividade espera deles.

A ética representa, pois, uma tomada de posição ideológica-filosófica que remete aos interesses sociais envolvidos.

( exemplo : O caso da bomba atômica ). Usadas alternadamente com o mesmo significado, as palavras ética e moral tem a mesma base etimológica ( origem da palavra ). 

a palavra grega ethos e a palavra latina mores, ambas significando hábitos e costumes.

A moral, como sinônimo de ética, pode ser conceituada como o conjunto de normas que, em determinado meio, granjeiam a aprovação para o comportamento dos homens. A ética, como expressão única do pensamento correto, conduz à idéia da universalidade moral, ou ainda, à forma ideal universal do comportamento humano, expressa em princípios válidos para todo o pensamento normal e sadio.

( exemplo : Na Idade Média, a igreja católica ... )

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DEFINIÇÕES: * Ética nos negócios – é o estudo da forma pela qual normas morais pessoais se aplicam às atividades e aos objetivos da empresa comercial.(NASH, Laura. Ética nas empresas. São Paulo : Makron Books do Brasil, 1993, p.6)

* Ética nos negócios – “é ético tudo o que está em conformidade com os princípios de conduta humana; de acordo com o uso comum, os seguintes termos são mais ou mesmos sinônimos de ético: moral, bom, certo, justo, honesto”. (BAUMHART,Raymond,S.J. Ética em negócios.Rio de Janeiro : Expressão e Cultura, 1971). As ações dos homens são, habitualmente, mas não sempre, um reflexo de suas crenças; suas ações podem diferir de suas crenças, e , ambas, diferirem do que eles devem fazer ou crer. ( exemplo : auditor contábil ). O problema central para a ética tem sido o duplo trabalho de : 

Analisar o significado e a natureza do elemento normativo moral do comportamento humano, do pensamento e da linguagem;e

Avaliar o significado e a natureza do comportamento humano, apresentando os critérios para justificação das regras e dos julgamentos do que é moralmente correto ou errado, bom ou mau ( ética normativa ).

Julgamentos normativos ou prescritivos: 

um auditor não deve integrar a equipe de trabalho que verifica as contas de um cliente do qual seja amigo pessoal;

não se deve sonegar na declaração de Imposto de Renda;

toda indústria poluente deve adotar as necessárias medidas de segurança quando da instalação de uma unidade.

Os julgamentos normativos, expressam valores concernentes ao tipo de conduta que os homens devem ter em resposta a dada situação. Quando se afirma que determinado livro é bom, por exemplo, está-se afirmando que as pessoas devem comprá-los e/ou lê-lo. Os julgamentos normativos são, ainda, um “guia de ação “. Eles influenciam o comportamento humano no presente e no futuro. Os julgamentos não normativos, por sua vez, são neutros. Eles descrevem, nominam, definem, reportam e fazem predições a respeito de certo estado de coisas. Julgamentos não normativos e/ou descritivos

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sonegar ou não na declaração de Imposto de Renda é atitude individual;

estas informações não conferem com as do auditor;

o relatório final apontou que a empresa deveria ter adotado as necessárias medidas de segurança quando da instalação de uma filial.

As normas morais são padrões de comportamentos que proíbem ou sancionam certas atitudes individuais.

Os princípios morais são padrões gerais de comportamento que são usados para se avaliar a adequação das políticas das instituições sociais e do comportamento individual. Os padrões morais diferem dos outros padrões em cinco aspectos básicos: 1. Os padrões morais lidam com assuntos que trazem sérias conseqüências para o bem estar da coletividade. Lidam com formas de comportamentos que causam danos aos seres humanos. 2. Os padrões morais não podem ser estabelecidos ou mudados por decisão de autoridades. Os padrões morais não dependem das decisões das pessoas. Eles dependem da adequação das razões que os justificam. 3. Os padrões morais superam os interesses pessoais. Se uma pessoa tem a obrigação moral de fazer alguma coisa, então esta pessoa deve fazêla a despeito de seus próprios interesses. 4. Os padrões morais são baseados em considerações imparciais. Os padrões morais são baseados no “ponto de vista moral”e extrapolam os interesses pessoais ou de grupos. 5. Os padrões morais estão associados com emoções especiais e um vocabulário especial. Um homem moralmente bom é aquele que faz o que é correto, com a firme disposição de praticar essas ações porque elas são corretas, do ponto de vista moral. O que se observa, então, é que a referência ao termo ética não compreende apenas o comportamento aceito, habitual e repetido, mas, também, aquele que se julga que seria o mais adequado. A dificuldade chave dos problemas éticos da atualidade consiste em equacionar interesses pessoais com responsabilidade social.

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RELAÇÃO COM A FILOSOFIA Como um ramo da Filosofia, a Ética a influenciou e foi por ela influenciada. Na ética normativa, distinguem-se dois grupos principais de filósofos: 1. os deontologistas ( do grego déontos, de “de obrigação” ) , e 2. os teleologistas ( do grego teléios : “no fim”, “final”(causa). Os deontologistas tem como conceitos básicos o direito e o dever, e assumem que as definições de moral derivam desses conceitos fundamentais.

Os teleologistas tem na bondade e valor os conceitos axiológicos básicos que detectam de onde vem a preponderância da bondade intrínseca. Enfatizam o cálculo das conseqüências de cada ação. Os axiologistas ( do grego axíos, “digno”, “’util”) acham que certas ações são corretas por causa do valor da bondade que eles inerentemente contêm, como a alegria ou prazer. * A Ética constitui uma relação social que pode ser visualizada como uma relação de poder. É a razão pela qual não se pode falar unicamente em “etica em geral”, mas de morais específicas, pertencentes a sociedades históricas determinadas.

ESTUDO DE CASO : Os Miseráveis

Poderia ter acontecido em Paris, no século XVIII. No romance . Os miseráveis , Jean Valjean rouba pão e é condenado a 19 anos de prisão. Mas aconteceu em São Bernardo do Campo, no final de 1995. O operário J., 44 anos de idade, foi detido pelos guardas de segurança da Forjaria São Bernardo, do grupo Sifco. Levava dois pãezinhos, que, segundo a empresa, eram “três ou quatro “, furtados na lanchonete. J. foi chamado no dia seguinte ao departamento de pessoal, para ser demitido. Fazia tempo que se suspeitava de J., que, uma vez apanhado, confessara que sempre levava os pães, para comer durante o horário de trabalho, porque sofria de gastrite e a comida do refeitório lhe fazia mal. O fato, havia muito tempo, era de conhecimento de seus Ética e Cidadania Organizacional

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colegas e de seu chefe. J. era agora um ladrão desempregado. Seus 20 anos de serviços sem repreensão na Sifco transformaram-se em nada. Foi para casa, dois quartos e sala, ao encontro da família, mulher e dois filhos. Para a administração de recursos humanos da Sifco, o caso estava encerrado. No dia seguinte, porém, “os encrenqueiros do sindicato” começaram a fazer barulho na porta da fábrica. Num comunicado ao público, a Sifco informou que o metalúrgico J. cometera falta grave e havia sido demitido por justa causa. O caso chamou a atenção da imprensa e saiu nos jornais. A diretoria da Sifco, sediada em Jundiaí, São Paulo, viu o tamanho do problema e percebeu que castigar quem rouba pães é má idéia desde Victor Hugo contou a história de Valjean. Numa reunião, os diretores decidiram retroceder em sua decisão, por causa da publicidade negativa. Alguns dias depois, novo comunicado nos jornais informava que a Sifco considerava a demissão do senhor J. “um fato isolado, lamentável e equivocado”. Ele estava sendo reabilitado e chamado de volta ao emprego. Ao voltar, disse o senhor J.: “Eu gosto da empresa. Tudo que tenho foi dela que recebi. Não quero que ela seja prejudicada”. Questões : 1) Comente a decisão de demitir o senhor J. É certa ou errada? Por quê?

2) Comente a decisão da empresa, de reconhecer o erro e reverter a decisão.

3) Se você fosse diretor da empresa, diria algo ao gerente de recursos humanos, que demitiu o senhor J.? Ética e Cidadania Organizacional

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4) Se você fosse o gerente de recursos humanos da fábrica, como teria agido? O que ele deveria fazer agora que a diretoria modificou sua decisão?

5) Comente os aspectos éticos e comportamentais deste caso.

Maximiniano, Antonio Cesar Amaru, Teoria Geral da Administração. São Paulo : Atlas, 1997. pg.317-318 O CAMPO DA ÉTICA

Os dilemas morais surgem como conseqüência do comportamento ( refletido nas ações ) dos indivíduos. ( exemplo : Homem nu na rua e os indígenas nas tribo ). No seio de uma mesma sociedade , é comum pessoas diferentes enxergarem determinado fato através de óticas diferenciadas, muitas vezes conflitantes. A existência de um dilema moral implica que a ação de determinado indivíduo, ou mesmo de um grupo de indivíduos, contrariou aquilo que genericamente a maioria da sociedade acredita ser o comportamento adequado para aquela situação. ( exemplo : Hobin Hood ).

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FUNÇÃO DA ÉTICA A história da humanidade nada mais é que o retrato das ações das pessoas através do tempo. De outra forma, pode-se afirmar que as pessoas mudam de comportamento ao longo de suas vidas. Essas alterações são o resultado de vários fatores, entre ele, uma nova descoberta tecnológica, uma epidemia de largas proporções, ou a ascensão ao poder de um nova vertente de pensamento. A capacidade de imprimir alterações no curso da própria vida está relacionada com a capacidade de raciocinar, a qual permite ao ser humano escolher, com base em sua própria experiência de vida, qual o caminho a seguir e em qual momento a rota deve ser alterada. O ser humano, ao mesmo tempo em que se mostra racional, a ponto de refletir sobre sua vida, modificando o rumo até então dado à mesma, ele carrega uma carga muito grande de sentimentos, que podem conduzí-lo a irracionalidade. Ambos os fatores, racionalidade e sentimento, provocam alterações nas crenças e, por conseguinte, nos valores que cada pessoas traz consigo. ( exemplo : guerra ) – O envolvimento de um país em uma guerra pode ocorrer em virtude de várias razões, tais como : a) defesa própria, b) agressão fundamentada em um motivo qualquer c) defesa de terceiros.

Quanto a guerra, é certo que caberá sempre uma discussão a respeito da validade dos valores que sustentam esses motivos. De outra maneira, caberá sempre a pergunta: por que o país segui este rumo, por que as pessoas assumiram esse comportamento ? ( exemplo : Collor ) Ética e Cidadania Organizacional

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Uma investigação detalhada de qualquer caso rumoroso, certamente, encontrará uma “moral “defendida por parte dos envolvidos . Deve ser ressaltado que os problemas relativos ao comportamento humano acham-se sempre atrelados a uma “moral “específica, esta vinculada aos valores de cada pessoa. Quando nos referimos aos problemas de comportamento humano, estamos falando de moral, de valores morais e, obrigatoriamente, adentrando o campo da ética, ou seja, estamos discutindo problemas éticos.

EXPLICAÇÃO VERSUS PRESCRIÇÃO DE FORMAS DE CONDUTA A convivência em sociedade faz surgir um grande número de conflitos de interesses entre as pessoas, que tem sempre por base os valores que cada uma carrega. ( exemplo : Imposto de renda ). CONFLITOS DE INTERESSES. As pessoas são obrigadas a decidir sobre aquilo que lhes é moralmente mais aceitável ou condenável. Essa decisão deverá levar em conta, sempre, os valores individuais de cada um, valores que traduzem a verdade individual de cada pessoa. Quando uma decisão precisa ser tomada em face de um conflito de interesses, algum interesse estará sempre sendo contrariado, fato este que pode trazer como conseqüência prejuízos morais e financeiros,, de natureza individual e coletiva. ( exemplo : bancos v sociedade). A moral necessita de existir e ser aceita pela maior parte da sociedade. A ética não tem, necessariamente, o mesmo significado para cada pessoa. Isto ocorre em virtude dos valores individuais de cada pessoa. Portanto, as preocupações éticas recaem Ética e Cidadania Organizacional

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Escola Estadual de Educação Profissional [EEEP]

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sobre o genérico e não sobre o particular, ou seja, ainda que cada participante da sociedade carregue sua própria verdade, deve existir uma verdade que, embora não seja exclusiva de nenhum participante da sociedade em particular, satisfaça igualmente a todos eles. Tendo-se sempre em conta que o interesse individual geralmente prevalece sobre o coletivo, para que se alcance um estágio moral que seja aceito pela maior parte da sociedade, é necessário o estabelecimento de regras. De outra forma, é preciso que se estabeleça um padrão de comportamento que, embora não satisfaça a uma pessoa em particular, atenda à sociedade como um todo. Regras Formais : a imposição de regras com o objetivo de viabilizar a convivência em sociedade pode emanar poder legalmente constituído. Regras Informais : Surgem de maneira espontânea, da cultura da sociedade. A imposição de regras de comportamento não objetiva tornar as pessoas “moralmente perfeitas “, mas propiciar uma convivência pacífica entre elas, reduzindo a um nível mínimo possível os conflitos de interesses.

Ética e Cidadania Organizacional

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Hino Nacional

Hino do Estado do Ceará

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante, E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Poesia de Thomaz Lopes Música de Alberto Nepomuceno Terra do sol, do amor, terra da luz! Soa o clarim que tua glória conta! Terra, o teu nome a fama aos céus remonta Em clarão que seduz! Nome que brilha esplêndido luzeiro Nos fulvos braços de ouro do cruzeiro!

Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte! Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido, A imagem do Cruzeiro resplandece. Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza. Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada,Brasil! Deitado eternamente em berço esplêndido, Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do Novo Mundo! Do que a terra, mais garrida, Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; "Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores." Ó Pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve! Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa flâmula - "Paz no futuro e glória no passado." Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte. Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó Pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

Mudem-se em flor as pedras dos caminhos! Chuvas de prata rolem das estrelas... E despertando, deslumbrada, ao vê-las Ressoa a voz dos ninhos... Há de florar nas rosas e nos cravos Rubros o sangue ardente dos escravos. Seja teu verbo a voz do coração, Verbo de paz e amor do Sul ao Norte! Ruja teu peito em luta contra a morte, Acordando a amplidão. Peito que deu alívio a quem sofria E foi o sol iluminando o dia! Tua jangada afoita enfune o pano! Vento feliz conduza a vela ousada! Que importa que no seu barco seja um nada Na vastidão do oceano, Se à proa vão heróis e marinheiros E vão no peito corações guerreiros? Se, nós te amamos, em aventuras e mágoas! Porque esse chão que embebe a água dos rios Há de florar em meses, nos estios E bosques, pelas águas! Selvas e rios, serras e florestas Brotem no solo em rumorosas festas! Abra-se ao vento o teu pendão natal Sobre as revoltas águas dos teus mares! E desfraldado diga aos céus e aos mares A vitória imortal! Que foi de sangue, em guerras leais e francas, E foi na paz da cor das hóstias brancas!


Apostila Etica  

Apostila do Curso de Comercio

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