Issuu on Google+

PEDRAS de VERDADE Tomo 2

Roberto C. P. Junior


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

INTRODUÇÃO

Estes artigos colocam o leitor frente à frente com a realidade, tal como ela é. Numa linguagem clara, objetiva, por vezes contundente e incisiva, os textos mostram o mundo sombrio que o ser humano criou para si, com seu afastamento voluntário da Luz. Desvendam, sem meias palavras, tudo o que ele perdeu com isso. Mas também indicam o caminho das pedras que permitirá à alma perscrutadora sair do caos atual, um caminho que só pode ser percorrido por ela mesma, com suas próprias pernas. O ser humano tem de acordar de seu milenar sono de chumbo e tomar o caminho da ascensão espiritual. Agora! Se continuar a sonhar tranqüilamente, no aconchego de sua indolência espiritual, acabará dormindo para sempre, por toda a eternidade. A criatura humana tem de se decidir, de uma vez por todas, a manejar corretamente o tear da Criação, regido pelas inflexíveis Leis do Universo. Está nas mãos dela própria tecer para si um belo e colorido tapete do destino. Essa tarefa está nas mãos de cada um unicamente. Ninguém poderá fazer isso por outrem. Roberto C. P. Júnior

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 2


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Índice

Introdução I – Conceito de tempo II – Conceito de beleza III – Objetos voadores mal identificados IV – A Verdade: O que é e onde está I V – A Verdade: O que é e onde está II VI – Quando a morte é um direito VII – As mazelas do falso amor VIII – Mensagem de Natal XI – Mensagem de Ano Novo X – Bestas do Apocalipse XI – Mensagem de Carnaval XII – Mensagem de Páscoa XIII – Vidas sem trabalho e trabalho sem vidas I XIV – Vidas sem trabalho e trabalhos sem vida II XV – Ovelhas negras, mães de aluguel XVI – A falácia da personalidade hereditária XVII – O que vem depois da morte XVIII – As chamas que consomem o mundo XIX – O enigma do homossexualismo XX – A clonagem ética XXI – A tragédia dos transgénicos XXII – Ode aos animais XXIII – A ilusão esportiva Epílogo

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 3


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

I CONCEITO DE TEMPO

O tempo... Como definir essa grandeza? A resposta não é óbvia. Requer uma análise mais aprofundada, coisa que hoje pouca gente se dispõe a fazer... por falta de tempo. Tempo consumido quase que inteiramente na luta pela vida, na batalha diária que se estende durante anos, décadas, até a gloriosa apoteose: a autocondecoração com a medalha de “vencedor”, comenda que outorga ao agraciado o direito de desfrutar do ócio caseiro com a consciência do dever cumprido. Abrigado nessa última trincheira ele poderá então, finalmente, aproveitar o tempo. Verdade é que durante o desenrolar dessa peleja cotidiana, dessa insana lufa-lufa, conseguimos reservar algumas horas semanais para o lazer e o descanso, mas não para meditar nas questões cruciais da vida. Para essas coisas não dispomos de tempo algum, não podemos absolutamente perder tempo com isso. “Assunto de filósofos!”, dirão muitos num estalo e com o passo apertado, sorriso nos lábios e olhos no relógio. E assim vamos todos nós, os não filósofos empedernidos, a correr pela vida afora, sem vivê-la, sem vivenciála realmente, sem extrair dela os ensinamentos e reconhecimentos que nos possibilitariam crescer como espíritos humanos que somos. Comemos, bebemos e dormimos, exatamente como um rebanho bovino. Talvez um pouco mais, pois também estudamos compulsoriamente, trabalhamos mecanicamente e nos divertimos sofregamente. Assim como é de se esperar de um rebanho humano. Mas será que a vida se esgota nisso? http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 4


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Em despender algumas décadas nessas atividades gregárias e só? E o espírito humano? Que faz ele nesse espaço de tempo tomado integralmente pelas necessidades corpóreas tão prioritárias? Antes de responder a essas perguntas vamos tentar compreender a natureza propriamente do tempo. De acordo com a teoria da relatividade de Einstein, espaço e tempo estão interligados. Em velocidades próximas à da luz, a massa de um corpo aumenta de forma perceptível, o espaço se contrai e o tempo passa mais devagar. O tempo passa mais devagar? Como é possível isso? Pode o ritmo do tempo alterar sua pulsação sob determinadas circunstâncias? O tempo, aliás, pulsa realmente? Na infância tínhamos a nítida impressão de que o tempo, de fato, passava mais devagar. Decorria uma eternidade até o período de férias chegar; o Natal, sempre ansiosamente aguardado, era um evento que se repetia mui raramente; o dia do aniversário, então, parecia mais um golpe de sorte quando finalmente despontava. À medida que crescemos a história se inverte. Parece que o tempo se acelera. Mal repetimos nossas imutáveis resoluções definitivas de ano novo e as semanas e meses já iniciam sua desabalada carreira. Quando nos damos conta já estamos prestes a ultrapassar o primeiro semestre, para logo em seguida nos surpreendermos com os primeiros acordes natalinos. E apesar dessa mudança de percepção, sabemos que as intermináveis horas da infância contêm os mesmos fugazes 60 minutos da fase adulta. Como se explica isso? Explica-se pela vivência. É a vivência do ser humano que muda a partir de certa idade, e não o tempo. O tempo não muda. Os movimentos dos ponteiros do relógio apenas registram numericamente a nossa passagem dentro do tempo. O tempo não passa, nós é que passamos dentro dele. Vamos tomar um exemplo. O registro da passagem de uma pessoa pela Terra pode ser medido em um bem determinado número de anos. Digamos, setenta. Mas isso não significa que esta pessoa tenha vivido tanto quanto uma outra com o mesmo registro de anos. O registro é igual, mas a vivência é diferente. E o que conta realmente, como verdadeira riqueza, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 5


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

como único lucro e substrato da existência terrena, é a vivência. Assim, com base no que foi vivenciado a primeira pessoa pode ter vivido de fato mais de cem anos, enquanto que a segunda, talvez, não mais de 30 anos. Quanto maior mobilidade apresentar um espírito humano, quanto mais vigilante e atuante for, tanto mais ele vivenciará num mesmo espaço de registro de tempo. Exteriormente isso se mostra como uma aparente dilatação temporal, isto é, para determinada pessoa o tempo parece “esticar”, de forma a permitir que ela faça tudo a que se propusera. Interiormente, porém, dá-se o contrário. Para aquela mesma pessoa o tempo parece “voar”, de modo que mal consegue utilizá-lo como gostaria na consecução de seus objetivos. Contudo, não foi o tempo que voou com tamanha rapidez, e sim a própria pessoa é que atuou diligentemente dentro dele. Foi ela que “voou” dentro do tempo, e por isso, somente por isso, ele pareceu ter passado tão rápido. Conta-se que no fim da vida Leonardo da Vinci se queixou de não ter tido tempo suficiente para fazer tudo quanto queria... Podemos colher um sem-número de outros exemplos dessa relatividade na percepção do tempo. Basta que estejamos profundamente compenetrados em alguma atividade importante, ou mesmo absorvidos pelo enredo de um bom filme, e o tempo “voa” novamente. Por outro lado, enquanto estamos presos à cadeira do dentista parece que descobrimos ali o conceito de eternidade. O tempo está, de fato, indissoluvelmente interligado ao espaço. Tempoespaço é o binômio concedido a cada criatura para o seu desenvolvimento, esteja ela ainda na Terra ou em qualquer outra parte da Criação. Contudo, o tempo não se altera. Ele permanece parado. O que muda é a percepção que temos dele, segundo nossa própria mobilidade espiritual e terrena. Mesmo aqui na Terra notamos, então, uma mudança na velocidade de assimilação dos fatos a partir da adolescência. A partir daí o tempo parece correr mais rápido, porque é nessa época que o espírito passa a atuar. Quando o corpo terreno atinge um determinado estado de maturação, o espírito dentro dele passa a se fazer valer plenamente, e então as vivências se intensificam. O simples início natural e automático da atuação espiritual já é, pois, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 6


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

suficiente para alterar a percepção do tempo, mesmo que em escala reduzida. Contudo, na quase totalidade das pessoas o espírito não atua como deveria a partir dessa época. Ao invés de se manter no comando da situação, conforme seria de se esperar e como é, aliás, sua função, o espírito se curva às imposições do intelecto, excessivamente estimulado e unilateralmente desenvolvido já no início da segunda década de vida. A vontade espiritual não consegue se sobrepor à intelectiva, e assim o espírito, que é tudo no ser humano, que é o próprio ser humano, torna-se escravo do seu raciocínio, um mero instrumento dado a ele para sua utilização durante a vida terrena. Por isso, toda essa correria da vida moderna não constitui nenhuma vivência para o espírito. Toda essa aparente riqueza de experiências cotidianas é, tão-só, fruto da atividade cerebral, que naturalmente só pode encontrar valor em coisas materiais, visíveis e palpáveis, inteiramente consentâneas com o conceito terreno de espaço e tempo. O que se acha além do espaço-tempo terreno o cérebro humano, pela sua própria constituição, não é capaz de compreender, enquanto que o espírito, único capacitado para isso, encontra-se por demais fraco e sonolento para assumir esta tarefa. E assim o ser humano atravessa a vida, celeremente, sem se preocupar em saber quem ele é, sem saber de onde vem e qual a finalidade da sua existência. Pior: passa pela vida sem mesmo procurar saber como deve proceder para poder continuar existindo na Criação. Nada disso tem importância para ele, o espírito adormecido no esquife intelectual. Se o espírito do ser humano atuasse como deveria, suas vivências seriam incomensuravelmente mais ricas. Transformar-se-iam imediatamente em reconhecimentos duradouros, indeléveis, e com isto em evolução. E a própria ciência também não precisaria mais esforçar-se paroxisticamente em esticar a vida em alguns poucos anos, pois poderíamos facilmente vivenciar séculos durante nossa curta passagem pela Terra.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 7


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

II CONCEITO DE BELEZA

Em nossa época é consenso quase unânime que para um fenômeno poder ser plenamente compreendido é preciso antes dissecá-lo com o raciocínio. De outra forma não se concebe o conhecimento. Só quando classificado até as minúcias pela fraseologia acadêmica é que algo granjeia credibilidade e se torna de pleno valor, e com isso também digno de reconhecimento. Estamos tão acostumados com esse “método de avaliação”, tão convencidos de sua eficácia, que nem nos damos conta de quão restrito ele é, ou melhor, do quanto nos restringimos ao nos submeter a ele voluntária e incondicionalmente. Não percebemos, de maneira alguma, quão limitada é a capacidade analítica do cérebro, absolutamente incapaz – devido à sua própria constituição material – de compreender fenômenos cuja origem se acham acima do espaço e do tempo terrenos. Não percebemos essa limitação exatamente porque fazemos uso do raciocínio para tudo, e este é nosso maior erro. Assim, de fenômenos gigantescos só conseguimos perceber míseros fragmentos, formando imagens desfocadas que nem de longe apresentam qualquer semelhança com a realidade. Culpa de nós mesmos, que elevamos o córtex cerebral a ícone máximo da evolução humana, em detrimento do espírito. Culpa nossa, que somos todos ouvidos às artimanhas do intelecto e completamente surdos à voz da intuição.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 8


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Tome-se, por exemplo, o conceito existente atualmente a respeito da beleza. À menção desta palavra surgem nos cérebros das pessoas mais evoluídas imagens de belas paisagens e sons da natureza, enquanto que nos de outras formam-se apenas rostos de top-models e de artistas de cinema. Mais adiante não se vai, só para trás e para baixo, pois a maioria considera como sendo beleza até mesmo o despudor e a lascívia. Com poucas variações, o conceito de beleza hoje reduz-se a essas concepções. Claro que podemos chamar a natureza de bela. Bela ela sempre será, pois sua formação não está sujeita à influência humana. A natureza, aliás, só se degrada de algum modo quando o ser humano sobre ela põe a mão, provocando desequilíbrios em múltiplas formas. Contudo, a beleza da natureza a nós visível é apenas uma parte diminuta da indescritível beleza reinante na obra da Criação, da qual a matéria constitui apenas o último e mais denso plano. Quanto à beleza física, é de causar espanto a importância desmesurada que ela desfruta, tão efêmera é. Algumas poucas décadas já são suficientes para que se desvaneça em meio a rugas, dobras flácidas, pigmentos senis e cabelos brancos. Que angústia então, absolutamente desnecessária e desproposital, não traz o processo natural de envelhecimento a tantas pessoas inconformadas com isso. Uma gente atormentada por si mesma, que por meio de cremes, poções e plásticas luta ferozmente para trazer de volta uma juventude que há muito se esvaiu. Quadro triste esse. Beleza não é isso. Beleza não se restringe a isso. Beleza é algo muito, muito maior. Ela é o efeito natural e inevitável de todo e qualquer fenômeno que se processa em conformidade com as leis da Criação. Tudo o que age e se molda de acordo com essas leis será belo. Sempre. É impossível não sê-lo. Mesmo aqui na Terra podemos então constatar isso, ainda que em escala reduzida, observando a beleza sempre renovada da natureza. Como ela, a natureza, se desenvolve incondicionalmente segundo essas leis, não estando sujeita à vontade humana, tem necessariamente de ser bela. Alguém, por acaso, já viu alguma flor feia? Podemos afirmar, sem medo de errar, que a causa de tudo quanto não é belo decorre exclusivamente de uma atuação contrária às leis da Criação,

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 9


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

ou leis naturais. Sofrimento, dor, miséria, fome, doenças não são obras do acaso, não são golpes do destino nem castigos divinos, mas apenas efeitos automáticos da vontade humana errada. Jamais esteve previsto que coisas desse teor pudessem existir aqui na Terra. Foi a própria humanidade que insistiu em criar para si coisas assim tão feias, ao atuar teimosamente durante milênios e milênios em sentido diametralmente oposto ao indicado por essas leis férreas. Ao invés de direcionar seu livre-arbítrio para incrementar ainda mais a beleza circunjacente, como era de se esperar dela, a humanidade como um todo fez o inverso disso. E agora se surpreende ao se ver obrigada a viver em meio ao horror de suas obras falsas. Quem quiser viver rodeado de beleza tem de construí-la para si. E isso não é difícil. Basta que a respectiva pessoa se esforce em viver de acordo com essas poucas e simples leis naturais, procurando direcionar seus pensamentos, palavras e ações sempre no sentido construtivo, no sentido do bem. Se perseverar nisso sua vida tornar-se-á novamente bela, e também ela própria, como resultado da atuação dessas mesmas leis. Os que pautam suas vidas dessa forma são sempre bonitos. São aquelas pessoas (poucas) que parecem clarear o ambiente só com a sua presença, e que atraem magneticamente outras também possuidoras de qualidades boas. Homens que inspiram confiança e mulheres que irradiam graça. São belos no verdadeiro sentido da palavra, pouco importando se jovens ou velhos. Mas estes, infelizmente, são a exceção, e cada vez mais rara. A maior parte da humanidade é constituída de almas feias, muitas horríveis mesmo, deformadas pelo egoísmo, pela mentira, pela inveja e pelo ódio. Seres que em maior ou menor grau conspurcam o ambiente e talham o ar a seu redor. São, sim, criaturas horripilantes, mesmo se o reflexo de seus corpos no espelho possa ser chamado de agradável. No futuro, quando o conceito de beleza tiver sido endireitado à força, assim como tudo o mais que essa humanidade torceu em sua cegueira espiritual, a Terra voltará a ser habitada unicamente por seres humanos belos, na mais completa acepção deste termo. A vida inteira voltará a ser bela, será tão maravilhosa e linda como já fora no início. E como deveria ter permanecido.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 10


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

III OBJETOS VOADORES MAL IDENTIFICADOS

Mal identificados parece ser a expressão mais adequada, porque de uma maneira ou de outra o fenômeno OVNI é, sim, identificado sob múltiplas formas por um amplo espectro de especialistas, que vai dos infra-crentes aos ultra-cépticos. Pessoas e organizações produzem continuamente novas suposições a respeito, cuja única característica comum é serem todas aguerrida e apaixonadamente defendidas pelas respectivas faixas do espectro ufológico. As suposições, bem entendido, não precisam ser necessariamente compreendidas. O entusiasmo basta. Mas será razoável, será prudente rotular de uma maneira única os milhares de testemunhos coletados em todo o mundo sobre aparições de estranhos objetos e conformações luminosas? Os mais respeitados estudiosos, que na maior parte são também os mais respeitáveis, visto que procuram desvendar a realidade dos fatos de maneira imparcial e sem idéias preconcebidas, estimam que entre 85% a 95% dos relatos sobre discos voadores são alarmes falsos. Ou se trata de fenômenos atmosféricos perfeitamente conhecidos – ainda que raros – ou são mistificações abertas. O pequeno percentual de casos inexplicados ainda precisa ser dividido em dois grupos distintos: o dos objetos luminosos de formas indefinidas e/ou mutáveis, e o dos objetos voadores de formas definidas, de aparência metálica, geralmente com o aspecto de dois pratos superpostos. Para inconformismo certo do contingente sempre crescente dos fantasistas astronômicos, pode-se afirmar com segurança que o grupo composto de objetos luminosos desconhecidos são fenômenos exclusivamente naturais. E isso por uma razão muito simples, prosaica mesmo: nada do que ocorre http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 11


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

na natureza ou por seu intermédio pode ser antinatural. Essa hipótese já fica afastada pela própria etimologia da palavra natureza. Antinatural é apenas o comportamento de uma parcela não pequena da humanidade, que quando não compreende um fenômeno qualquer da natureza se outorga o direito de alimentar sua fantasia mórbida (com perdão do pleonasmo) com as mais alucinadas explicações. E não só alucinadas como também aliciantes, pois quanto mais absurda, quanto mais inverossímil for uma tal explicação, tanto mais interesse despertará num outro grupo de seres humanos, ainda mais numeroso, que forma uma única, extensa, compacta e tristemente crédula massa de entusiastas volúveis. Seria uma atitude muito mais digna nesses casos, aliás a única atitude digna, afirmar singelamente: “Não sei do que se trata”, ou então: “Com os conhecimentos e recursos que dispomos não podemos ainda esclarecer a causa e a finalidade desses fenômenos.” Seria muito mais sensato do que procurar acobertar a própria ignorância e fomentar a alheia com alguns disparates pseudo-esotérico-científicos. Não são ares doutorais nem semblantes de pretensa paz mística que fazem do diletante um sábio. Esses interessantes fenômenos luminosos, já presenciados por muitos e até registrados em fotos e filmes, são ocorrências naturais, naturalíssimas, pois se assim não fossem simplesmente não poderiam ocorrer. Isso as leis férreas que regem a Criação não permitem. Essas conformações luminosas são oriundas do próprio planeta Terra, da natureza terrena, assim como o são outros fenômenos atmosféricos, como a aurora boreal, o praticamente desconhecido “fogo-de-santelmo” e o raríssimo “raio-bola”. O fato de a origem e o significado daquelas conformações ainda não serem compreendidos deveria tão-somente servir de estímulo para que nos ocupássemos com mais seriedade do planeta em que vivemos, que nos aprofundássemos na compreensão dos fenômenos que se desenrolam nele. Deveríamos nos ater à manutenção e preservação dessa morada que nos foi legada como pátria, sem permitir que nossa imaginação nos arraste até os confins das galáxias. A imaginação desenfreada atiça a fantasia, que por sua vez aduba a vaidade e a presunção. Nossa atuação é aqui, no planeta Terra, pois somente nele podemos nos desenvolver. A vontade sincera de compreender as leis que regem a natureza e agir de acordo com elas traz, como primeiro e mais importante http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 12


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

efeito, a humildade redespertada, que é a condição básica, incontornável, para a compreensão de qualquer fenômeno na Criação. Com relação ao segundo grupo de fenômenos estranhos, o das “naves alienígenas”, o diagnóstico é mais simples, pois só há duas causas possíveis para isso, capazes de abduzir ingênuos e incautos: mentira deslavada ou fantasia desbragada. Só quem desconhece por completo as leis da Criação (e até mesmo as leis da física) pode imaginar que seres de outros planetas estejam agora sobrevoando sorrateiramente a Terra, oriundos de galáxias distantes, ou do futuro, ou ainda do além, que são as três possibilidades consideradas por quem dispõe de tempo para gastar nessas coisas. Claro que é uma presunção infinita imaginar que apenas este nosso pequeno planeta seja habitado. Não são poucos, felizmente, os cientistas que crêem na existência de vida extraterrestre, pois o mais elementar cálculo de probabilidade demonstra a insustentabilidade dessa concepção pueril e egocêntrica, de que a vida é um milagre restrito à Terra. Contudo, não é possível aos habitantes de cada planeta realizar visitas de cortesia entre si em naves espaciais. Também a idéia comumente difundida sobre a aparência de seres extraterrestres, como sendo humanóides verdes, de cabeças grandes e olhos amendoados, e ainda outras semelhantes aberrações anatômicas, é, naturalmente, apenas mais um produto dessa doença incurável e contagiosa chamada fantasia humana. Ela, a fantasia, induz as pessoas a acreditar em absurdos desse tipo, enquanto que o intelecto, indissoluvelmente atado à matéria, já há muito se encarregou de extinguir nelas o verdadeiro saber sobre os seres da natureza, os enteais – estes sim de existência real – exilando-os para longe, para o reino das mitologias, das lendas e dos contos de fadas. Em relação ao aspecto dos habitantes de outros mundos, o ser humano de hoje crê firmemente nas configurações distorcidas geradas pela sua fantasia delirante, e (ironia das ironias) taxa de fantasia o saber sobre a existência dos seres da natureza aqui na própria Terra, apenas porque perdeu, por culpa própria, a capacidade de vê-los e interagir com eles. Milhões de planetas são, sim, habitados. Mas habitados por seres humanos como nós. A forma humana, a da criatura surgida segundo a imagem do seu Criador, é a mesma por toda a parte. E nós, terráqueos, poderíamos até estabelecer contato com habitantes de outros planetas, se apenas nos tivéssemos desenvolvido de modo certo. Não desenvolvimento http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 13


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

tecnológico, mas espiritual. As pessoas que se ocupam com a astronomia, por exemplo, poderiam hoje ter chegado ao ponto de poder entrar conscientemente em contato com esses seres humanos de fora da Terra, que como nós também são seres espirituais. Unicamente o espírito vivo é capaz de transpor as imensuráveis distâncias do universo material, não a técnica morta e pesada, que mal consegue fazer um jipinho rodar alguns míseros centímetros ali em Marte, que está colado à Terra em termos astronômicos. Contudo, a possibilidade de contato espiritual com seres de outros planetas, assim como muitas outras coisas mais, está completamente vedada a esta humanidade terrena, que por vontade própria comprimiu o âmbito do seu desenvolvimento, o mais que pôde, dentro dos estreitíssimos limites da matéria. O ser humano da época atual não pode formar uma idéia, absolutamente, do quanto ele se restringiu, do quanto ele perdeu ao se manietar incondicionalmente à matéria perecível. Primeiro ele fechou para si os portais do Paraíso, depois perdeu o conhecimento que tinha dos seres da natureza, e por último se isolou totalmente no universo, envolvendo o planeta numa redoma escura que o mantém inacessível a qualquer influência mais elevada. A imagem acalentada por muitos, de naves partindo da Terra para cruzar o cosmos em missões de exploração ou colonização, é apenas um tímido resquício do anseio inconsciente de espíritos sufocados pelo raciocínio. Seres atrofiados por si mesmos, que só conseguem ainda vislumbrar como progresso a subida de foguetes... e não mais a ascensão do próprio espírito.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 14


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

IV A VERDADE: O QUE É E ONDE ESTÁ Parte 1

Qualquer um que ousar tratar deste assunto abertamente, dispondo ou não de algum conhecimento de causa, será imediatamente desacreditado de antemão, antes mesmo de ter suas idéias analisadas e avaliadas com isenção. Será rotulado previamente e preventivamente, impiedosamente, de enganador, de usurpador, de mistificador, e também de sectário, de estelionatário, de salafrário. Adjetivos que não rimam com mentira, mas que são todos subprodutos dela. Uma reação, diga-se, bastante natural e previsível, considerando-se que a mentira já desde muito foi entronizada como a tirana planetária das nações, o farol que ilumina o proceder dos povos e dos indivíduos – e que com isso determina também os seus destinos, o poderoso pajé mundial, que fez da quase totalidade da humanidade uma tribo globalizada de zumbis, sem discernimento nem vontade própria. Tudo, mas tudo mesmo na vida humana de hoje está impregnado de mentira. Regimes políticos e profissões, religiões e ciências, artes e literatura, crenças esotéricas e filosofias multifacetadas, nada pôde permanecer livre dela. E muita coisa nem mesmo quis. Vivemos sob o império da mentira. É como se toda a Terra tivesse sido envolta por um único e denso lodaçal repugnante, que fez submergir sem resistência toda a raça humana juntamente com suas obras de que tanto se orgulha, impedindo qualquer um de chegar à tona por mais que se esforce, e muito menos ainda de voltar a ver com clareza e respirar ar puro. Mentem entre si diuturnamente pais e filhos, professores e alunos, patrões e empregados, governantes e governados. A mentira é o esteio da vida

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 15


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

moderna, a base dos relacionamentos familiares, profissionais e públicos. A primeira lição que uma criança aprende, ainda no berço, é como mentir e enganar, com os seguidos exemplos dados pelos pais e parentes. Nos Estados Unidos, nada menos que 90% dos executivos mentem rotineiramente em suas relações de trabalho, conforme indicou uma recente pesquisa; os outros 10%, provavelmente, mentiram quando responderam à enquete... A chamada linguagem diplomática, esse idioma hipócrita com que os chefes de Estado falam uma coisa querendo dizer outra, é a própria mentira institucionalizada. Que se pode esperar então, como resposta, ao se procurar falar sobre verdade a quem tem a mentira como sustentáculo e conselheira? Ao se tentar discorrer sobre as propriedades da água pura, cristalina, em meio ao lodaçal? Ao se querer decantar os valores perenes da sinceridade e da franqueza aos discípulos de Pinóquio? Erigimos em nosso íntimo um altar para a mentira, e por isso divisamos sempre com cerrada desconfiança qualquer vislumbre de verdade. Contudo, vivemos numa época em que esse tristíssimo estado de coisas está prestes a mudar. Não por obra e graça do ser humano, que já deu provas mais do que suficientes de ser absolutamente incapaz de administrar a sua própria casa, tendo utilizado a dádiva do seu livre-arbítrio unicamente para transformar este planeta, outrora paradisíaco, num chiqueiro em escombros. A intervenção se dá presentemente através de uma Vontade superior, contra a qual a criatura humana é completamente impotente. Uma Vontade que não mendiga uma conversão para o bem, mas que a impõe. Para os seres humanos, que sempre insistiram em fazer o papel de areia no mecanismo da engrenagem universal, só existem agora duas alternativas, na última bifurcação da sua existência: integrar-se finalmente – e rápido – às leis universais que regem a Criação, o que equivale a obedecer voluntariamente a essa Vontade superior, ou… perecer. Não varremos também nossas casas, para lançarmos fora toda a sujeira acumulada? Não fazemos questão de conservá-la limpa? Não retiramos as crostas mais aderentes, mais escondidas? Em nossa época a grande casa Terra também está sendo limpa, até em seus últimos recônditos. E é por essa razão que surge agora tanta imundície, proveniente dos locais mais http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 16


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

insuspeitados. O ar ainda ficará sujo e empoeirado durante algum tempo, com a limpeza que se processa agora vigorosamente, antes de começar a clarear pouco a pouco. Terminada a limpeza, também o lodaçal da mentira terá sido removido por completo, e a verdade ocupará novamente o lugar que lhe cabe, voltando a imperar como única e legítima soberana mundial. Para quem for capaz de represar os adjetivos mencionados no início deste ensaio até completar sua leitura, quero tratar aqui do tema da verdade, sem a mínima pretensão nem intenção de abrangê-lo e muito menos de esgotálo, nem mesmo parcialmente. O propósito é tão-só indicar um rumo a quem traz consigo, como bússola própria, o anseio sincero de encontrar, por si mesmo, respostas sem lacunas às questões primordiais da vida humana. Que é, pois, a verdade? Existiria uma verdade única, intangível e absoluta? Será que alguma das milhares de religiões e seitas em funcionamento hoje no mundo detém o conhecimento da verdade integral, o saber sem lacunas sobre todo o existir e atuar universais? Gerações de estudiosos, filósofos, místicos e religiosos se debruçaram sobre a questão da verdade ao longo de milênios. O resultado desse esforço (muito mais antagônico do que harmônico) foi uma miríade de correntes de pensamento lançadas em todas as direções. Não surgiu daí uma visão clara, nem mesmo um vislumbre do que efetivamente existe, e muito menos ainda uma certeza inquestionável. Vejamos as principais delas: Há uma corrente de pensamento, bem conhecida e que ostenta considerável número de adeptos, que sustenta não haver nenhuma verdade além daquilo que se pode perceber com os órgãos sensoriais do corpo e instrumentos técnicos, sendo, por essa razão, uma completa perda de tempo esforçar-se em sua busca. Uma outra concepção admite existir uma verdade que tudo abrange, mas considera o ser humano incapacitado para descobri-la e assimilá-la. Uma terceira corrente advoga então que cada qual tem a sua própria verdade, que seria assim múltipla, não existindo, portanto, uma verdade única. A quarta suposição crê na verdade revelada por alguma religião, considerando-a como a única legítima, de modo que as verdades sustentadas por outras crenças são tidas como falsas ou distorcidas. Uma quinta suposição é a defendida por inúmeros movimentos esotéricos, que afirma que uma pessoa pode atingir níveis cada vez mais elevados de consciência (ou algo semelhante) e assim aproximar-se mais e mais de uma http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 17


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

verdade, desde que iniciada nas práticas secretas da respectiva agremiação. Também aqui, cada uma dessas entidades possui a sua própria verdade. Há ainda uma outra linha, muito pouco conhecida e considerada, que afirma existir, sim, uma verdade única e absoluta, e que o ser humano pode obtê-la até um certo grau desde que preencha determinados requisitos próprios, requisitos esses que nada têm a ver com exterioridades, como nível cultural ou condição social, mas que dizem respeito, exclusivamente, ao seu âmago, isto é, ao próprio espírito humano. Como tudo no mundo hoje está obscurecido pela teia da mentira, é de se esperar logicamente que a concepção mais pura, a que mais se aproxime da realidade, seja justamente a menos considerada. E assim é. A mais verdadeira das concepções sobre a verdade é exatamente esta última, e vamos ver porque na segunda parte deste ensaio. Muitíssimos pesquisadores acreditam que para se encontrar a verdade é preciso renunciar ao mundo e viver no ascetismo, enquanto que outros tantos estão convencidos de que é imprescindível estudar muito, talvez até obter um phD em Teologia. A verdade, porém, é a própria simplicidade, a própria singeleza, a própria lógica natural. Tudo o mais é produto exclusivo do cérebro humano, que, como visto, é em nossa época impulsionado, nutrido e conduzido pela mentira. Assim, de forma absolutamente lógica e natural, tudo quanto é engendrado exclusivamente pelo raciocínio humano tem, necessariamente, de estar muito afastado da verdade, quando se trata de coisas que estão acima dos conceitos terrenos de espaço e tempo. Nessas circunstâncias, nada pode estar mais longe da verdade do que as concepções oriundas do ponderar intelectivo, que jamais podem elevar-se do âmbito estreito da matéria, mesmo quando ornadas com as mais fantásticas – e pueris – configurações de fantasia. A compreensão acertada deste fato constitui o primeiro passo do pesquisador em seu caminho na busca da verdade.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 18


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

V A VERDADE: O QUE É E ONDE ESTÁ Parte 2 Na primeira parte deste ensaio eu disse que a concepção sobre a verdade que mais se aproxima da realidade é aquela que afirma que o ser humano pode, sim, obter o conhecimento da verdade até certo grau, o reconhecimento de como as coisas realmente são na Criação, e que para tanto são necessários determinados requisitos próprios, determinadas condições. Essas condições, porém, nada têm a ver com exterioridades, como cultura, nível econômico, vinculação a alguma religião ou seita, etc., mas dizem respeito tão-somente ao íntimo do ser humano, ao seu verdadeiro estado de alma, que na maior parte dos casos é muitíssimo diferente da idéia que ele mesmo tem de si. Para analisar esta concepção sobre a verdade, considerada a mais correta, vamos estabelecer como premissa única que todo o Universo é regido por leis muito bem determinadas. E reconhecer isso não é difícil, pois basta contemplar com imparcialidade a própria natureza circunjacente. Em tudo se observa a atuação de leis inflexíveis, perfeitas, que não falham nunca, que não apresentam exceções. São de tal modo perfeitas que têm, necessariamente, de ser abrangentes, isto é, traspassar toda a Criação, portanto o que mais ainda houver acima do plano material a nós visível. E se perpassam tudo quanto existe, devem originar-se de um ponto comum. Quem então não estiver ainda totalmente obliterado pelo raciocínio, não encontrará nenhuma dificuldade em conceber um Ser supremo, um Criador, como ponto de origem dessas leis. Os que não podem atingir um tal estágio de maturidade, que lhes dê essa convicção inabalável, já se excluem por si mesmos de reconhecimentos mais elevados. Eles mesmos fecham o portal do saber sobre si. E na maior parte das vezes fecham-no, como é notório, com grande estrondo, para que todos percebam como são absolutos e superiores em suas idéias, para que ouçam todos claramente

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 19


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

com que firmeza estão decididos a afundar na estupidez e a medrar na mediocridade. Assim, já nesse estágio inicial do reconhecimento fica para trás, automaticamente, toda uma legião de filósofos materialistas com seus séquitos deslumbrados, hipnotizados pela ilusão de saber das ciências. Absolutos e superiores são eles lá no seu mundinho que podem ver, cheirar e apalpar, e que consideram como o único existente. E que para eles de fato é, já que não passam de espíritos atrofiados, indissoluvelmente chumbados à matéria. Deixemo-los lá embaixo, desfrutando prazerosamente o seu "saber" em simpósios e seminários, comovendo suas seletas platéias com um escambo sem fim de teorias e hipóteses. Prossigamos. Jamais esteve previsto que o desenvolvimento do ser humano aqui na Terra tivesse que se processar no escuro, às apalpadelas, sem uma compreensão clara de sua origem e missão na Criação. Muito pelo contrário. Desde o nascimento do primeiro ser humano na Terra, já estava determinado que ele teria informações crescentes sobre o sentido da vida e de seu papel na engrenagem universal. Mas isso sempre e somente quando ele atingisse, por si mesmo, um determinado grau de maturidade. Nunca antes, pois o solo precisa estar adequadamente preparado para a semeadura, caso contrário ela não vinga. Isso é um efeito sobejamente conhecido também aqui, na matéria visível. Essa contingência espiritual de o ser humano ter de se esforçar para amadurecer remonta, pois, aos primórdios da humanidade, e desde então ela não mudou de maneira alguma. Permaneceu sempre a mesma, porque faz parte integrante de uma lei da Criação. E uma lei da Criação é, por definição, imutável, pois o que é perfeito não pode, evidentemente, estar sujeito a aperfeiçoamentos. É contingência indesviável que o ser humano tem de amadurecer por si mesmo, através das vivências que encontra em suas peregrinações nas materialidades, caso quiser ascender. Atingido um certo grau de maturidade, torna-se-lhe então possível acolher reconhecimentos algo mais elevados, que levantam um pouco mais para ele o véu da atuação do mecanismo da Criação. De tempos em tempos, ao longo de centenas de milhares de anos, chegaram então à Terra novas revelações da verdade, sempre em consonância com a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 20


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

respectiva maturidade atingida pelos povos. A verdade foi sendo assim desvelada paulatinamente, exatamente como fora previsto. O que, porém, nunca esteve previsto era que o próprio ser humano, a partir de um determinado ponto, interrompesse bruscamente o seu desenvolvimento espiritual. Inesperadamente ele começou a dar valor apenas à matéria perecível, esquecendo-se pouco a pouco de que era, por essência, um ser de espírito. E para abafar a voz acusadora da sua intuição, que naquela época longínqua ainda se fazia ouvir nitidamente, ele criou para si a mentira, que até então não existia em parte alguma da Terra. Ele fechou sua alma para a verdade que brilhava radiosamente acima dele, obscurecendo-a com ridículos penduricalhos moldados pelo seu intelecto, o qual já se encontrava excessivamente desenvolvido, e que devido à sua própria constituição material só podia mesmo divisar valores unicamente em coisas materiais, as únicas para ele compreensíveis. A partir daí as revelações do Alto passaram a chegar entremeadas de advertências e exortações, para que aquelas criaturas se modificassem ainda em tempo e pudessem retomar o caminho do reconhecimento da verdade, com a concomitante – e conseqüente – evolução de seus espíritos. Caso contrário, as sementes espirituais humanas, que até então se desenvolviam maravilhosamente no grande campo de cultivo da matéria, acabariam se perdendo, por imprestáveis e nocivas. Exatamente como se dá também numa lavoura, quando sementes estragadas não conseguem germinar ou dão origem a plantas fracas e improdutivas. Datam dessa época os vários textos de profetas antigos, invariavelmente repletos de severas advertências e admoestações. As doutrinas trazidas por espíritos preparados, em épocas para isso bem determinadas, eram em todos os sentidos puras e verdadeiras, malgrado diferenças de forma entre elas, consentâneas às características dos povos a que eram destinadas. Mas depois que a humanidade como um todo se desviou do caminho ascendente, acontecia invariavelmente algo insólito: decorrido um certo tempo da morte do respectivo preceptor, os dirigentes então responsáveis pela doutrina começavam a imiscuir coisas estranhas a ela, de modo que esta acabava se transformando em algo muito diferente e até mesmo contrário aos ensinamentos originais. Os sucessores envolviam a verdade das doutrinas, originalmente puras, com suas mentiras http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 21


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

inventadas, consciente ou inconscientemente. Isso acontecia sempre, como uma infeliz conseqüência natural do avanço crescente e ininterrupto da mentira por toda a Terra, em todos os campos da vida humana. Até mesmo com os ensinamentos trazidos por Jesus, o Filho de Deus, não se deu diferentemente. A maior prova de que as atuais religiões não correspondem às doutrinas originais é a hostilidade mútua entre elas, velada ou não. Nunca poderia acontecer que doutrinas provenientes da verdade pudessem fomentar a discórdia entre os povos. Se as chamadas religiões tivessem permanecido puras, elas até poderiam ter hoje formas diferentes, mas seriam complementares entre si, convergentes, já que os ensinamentos originais provieram da mesma fonte. Jamais poderiam ser incompatíveis entre si, e muito menos ainda antagônicas. O nível de conhecimento da verdade que a humanidade chegou a possuir num passado remoto perdeu-se na noite dos tempos. Uma noite terrivelmente longa, de espesso negrume, criada pela mentira, que manteve assim durante milênios esta Terra imersa em trevas e cuidou para que o Sol da verdade não mais brilhasse sobre ela. Agora, nesta época crucial da história humana, a mais crucial que já existiu, quando todas as estruturas geradas e nutridas pelo até então onipotente raciocínio estão ruindo indisfarçavelmente por toda a parte, fragorosamente, quando cada um tem de decidir sobre a sua própria subsistência como espírito humano, a verdade está novamente na Terra. Chegou aqui moldada para a época atual, para os seres humanos atuais. Os requisitos para encontrá-la, porém, não mudaram, permanecem exatamente os mesmos de outrora, como não poderia deixar de ser. Como sempre, é preciso uma determinada maturidade de espírito, que só pode ser obtida por esforço ascensional próprio, exclusivamente pessoal. Somente isto torna o anseio espiritual legítimo, vivo, e não a mera curiosidade mental. Quem possui esse anseio legítimo, ardente, e traz em si a humildade em forma pura, atingiu também as condições necessárias para encontrar e reconhecer a verdade nesta nossa época. Este terá efetivamente de encontrá-la. Os outros não. Passarão por ela sem vê-la nem reconhecê-la, pois não estão aptos para isso, mesmo que seu raciocínio lhes convença do http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 22


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

contrário. A verdade integral está na Terra. Cabe ao espírito humano a tarefa de encontrá-la e reconhecê-la, livre de idéias pré-concebidas de sofismas cerebrinos. Conhecer realmente a verdade significa vivê-la, vivenciá-la, viver dentro dela e nela. É ter todas as dúvidas existenciais sanadas. É esforçar-se continuamente em ascender espiritualmente. Saber a verdade significa conhecer a Criação até o ponto de origem do ser humano. Conhecer a Criação, porém, é o fundamento para reconhecer o caminho que vai se abrindo à medida que se progride na escalada espiritual. Essa possibilidade está ao alcance de cada um que ainda traz dentro de si uma fagulha de verdade. Não é a erudição, não é o ocultismo nem o misticismo, não é a crença cega que conduzem à verdade. O caminho para lá só pode ser aberto pela condição interior do indivíduo, formada pela sua própria vontade pura. Por nada mais no mundo. A verdade provém do Criador. Ela nutre e revigora o espírito humano, e é para ele a escada da ascensão espiritual. Já o seu antônimo, a mentira, é uma invenção exclusiva da criatura humana degenerada. Ela corrói a alma, suga as últimas forças do espírito e é para ele o poço que o conduz com a máxima segurança até as profundezas da perdição espiritual. O ser humano tem a escolha. Ainda.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 23


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

VI QUANDO A MORTE É UM DIREITO Ainda crianças aprendemos que ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem, e nem mesmo a sua própria. Os preceitos religiosos e as leis das nações proíbem-no expressamente, e o caráter de muitas pessoas de bem cuida de manter essa proibição firmemente sedimentada no âmago mais profundo da consciência individual. Consciência esta na maior parte das vezes moldada dolorosamente de choque em choque desde a primeira idade, quando a criança e o pré-adolescente são forçados a constatar, com perplexidade e incompreensão, que esse preceito tão básico, tão sagrado – o da proibição de provocar a extinção da vida – é desrespeitado neste mundo a cada fração de segundo, e sob múltiplas formas. Para essas pessoas de boa índole, o horror evocado por latrocínios e chacinas é tal, que elas simplesmente não podem admitir que o Estado promova um horror semelhante, sob o amparo da lei; isso sem contar que muitas estatísticas demonstram que a criminalidade não se tornou significativamente menor nos países em que a pena capital foi adotada. É este, no fundo, o principal argumento contra a pena de morte, sustentado ainda pela assertiva contundente de que apenas Aquele que doou a vida tem a prerrogativa de tirá-la, ou seja, tratar-se-ia de um ato fora das atribuições de uma criatura humana. É uma argumentação poderosa essa, merecedora de respeito, porque testemunha uma vontade sincera no sentido do bem. Contudo, há nessa concepção uma falha fundamental, uma falha que apenas não é reconhecida em virtude da falta de visão sobre as verdadeiras conexões que determinam a vida humana. É perfeitamente compreensível a aversão de uma pessoa boa ante a possibilidade de tirar a vida de um ser humano. Mas essa aversão só existe porque ela julga que todas as pessoas que como ela vivem na Terra são também seres humanos. O erro está aí. Os chamados criminosos http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 24


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

irrecuperáveis por exemplo, psicopatas que matam, estupram e promovem toda a sorte de sevícias em seus atos criminosos não são mais, realmente, seres humanos. Exteriormente eles ainda têm, sim, uma aparência humana, mas isso não faz deles seres humanos absolutamente, pois o corpo humano terreno é apenas uma ferramenta do espírito, e unicamente um espírito vivo pode ser denominado de ser humano. O corpo material não é nenhuma garantia de que dentro dele ainda vive um ser humano. Os espíritos dessas ex-pessoas já estão mortos, e a aparência de suas almas não têm mais a mínima semelhança com a forma humana. São monstros no mais profundo e verdadeiro sentido da palavra, aberrações inomináveis que conspurcam a Terra com sua presença asquerosa. Encontram-se muito, mas muito abaixo do degrau ocupado por qualquer inseto, por mais insignificante que seja. São menos do que um vírus patogênico, o qual tem uma função a cumprir e a cumpre integralmente, enquanto que uma aberração dessa estirpe, que apenas externamente se assemelha a um ser humano não é nada, não passa de um amontoado de lixo em decomposição, que somente aqui na Terra, sob a proteção do corpo terreno, ainda é capaz de praticar suas atrocidades. Muitas dessas “coisas” admitem que voltarão a matar e a estuprar caso consigam fugir da prisão. Então vamos nós cuidar delas durante anos, alimentá-las e tratá-las até que consigam seu intento? Que faríamos nós se por ventura nos deparássemos em nossas casas com um aglomerado de lixo fétido no meio da sala? Cobriríamo-lo com uma redoma para que não se espalhasse ou o jogaríamos imediatamente na lata de lixo? Direitos humanos, como o próprio nome já diz, são destinados a seres humanos. Tão-somente seres humanos merecem usufruir direitos humanos. Os outros não, porque humanos eles não são mais. E nunca mais voltarão a ser. Dê-se a um assassino em série todas as condições necessárias para uma reabilitação, todo o apoio, toda a assistência social que se pode imaginar, e nada disso surtirá efeito. Ele continuará não sendo um ser humano. Não pode mais sê-lo. Sob esse ponto de vista, a própria denominação “pena de morte” não é adequada. Não se trata propriamente de uma pena, mas sim de um direito. É um direito de morte da sociedade, que não tem porque ser constrangida a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 25


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

viver acuada pela imundície. Mas também não se justifica, de maneira alguma, o desejo de vingança como estímulo a esse direito de morte. Vingança e ódio são sentimentos muito negativos, que na reciprocidade só podem trazer desgraça multiplicada a quem os alimenta dentro de si, mesmo quando dirigidos a criminosos. O direito de morte é apenas o direito de viver sem lixo na sala. Quando se analisa a vida hodierna sob uma ótica mais abrangente, não restrita ao meramente terrenal, as aparentes incongruências se dissipam automaticamente, enquanto que alguns conceitos tidos e havidos como sólidos mostram toda a sua vacuidade com assustadora nitidez. Veja-se então o aborto. Como o direito de morte mencionado anteriormente é a única justificativa válida para se tirar a vida terrena de um ser maléfico, já que não se trata mais de um ser humano, é inconcebível que uma mulher se sinta no direito de praticar o aborto, com a idéia de que pode dispor do seu corpo como bem entender. Uma gravidez, voluntária ou não, equivale a um “pedido de vida” segundo as leis da natureza, e não a um direito de morte. O aborto não passa de um crime, que sujeita a mulher que o pratica a graves conseqüências anímicas, das quais ela só se tornará ciente quando tiver deixado essa vida. Exceção aí apenas em caso de estupro, pois não é difícil imaginar a espécie de criatura que pode se encarnar numa concepção desse tipo. Pela mesma razão nenhum ser humano tem o direito de tirar a própria vida. Aliás, é preciso ser especialmente covarde para se praticar o suicídio. O suicídio é a própria covardia, é a mais vergonhosa derrota imposta pela preguiça espiritual, é a confissão da absoluta fraqueza interior, da incapacidade de suportar os efeitos retroativos da atuação errada, é a admissão da total incompetência em obter o amadurecimento pessoal através da vivência indispensável. O suicida é uma criatura deplorável, que com seu ato escarnece da dádiva da vida presenteada pelo seu Criador. E a eutanásia? Seria também um crime ou mais um direito de morte? É preciso diferençar. Há, na realidade, dois tipos: a ativa e a passiva. Eutanásia ativa significa estabelecer procedimentos, inclusive ministrar drogas, que abreviem a vida de um doente tido como desenganado. Já a eutanásia passiva limita-se a deixar de oferecer recursos técnicos capazes http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 26


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

de esticar artificialmente a vida de um paciente terminal, como por exemplo aparelhos que substituem parte das funções vitais do corpo. A primeira forma de eutanásia é um suicídio disfarçado, enquanto que a segunda é um legítimo direito de morte. A eutanásia passiva é o direito que cabe ao doente de morrer condignamente. Só mesmo os mais empedernidos, enrijecidos e “emburrecidos” materialistas podem encontrar alguma justificativa em se manter uma pessoa em coma durante meses e até anos, através de aparelhos. É preciso ser muito tapado mesmo para chamar uma tal situação de “vida”. Como para o materialista só existe a vida terrena, ele acha então preferível “viver” dessa forma a simplesmente morrer naturalmente. Também tem grande peso aí um egoísmo exacerbado dos parentes e responsáveis pelo moribundo, que dessa forma exigem que ele permaneça neste mundo a qualquer preço, mesmo que seja como um vegetal. Eutanásia passiva e eliminação de criminosos irrecuperáveis são duas situações em que se configura o direito de morte. Contudo, quando estiver findo o atual processo de depuração sobre a Terra, quando um novo tempo tiver sido implantado, também essas duas situações terão desaparecido. Doenças terríveis como as que assolam a pecaminosa humanidade de hoje terão deixado de existir, porque nenhum dos seres humanos então remanescentes precisará ser atingido por elas. E os chamados crimes hediondos serão apenas uma triste recordação na memória desses seres humanos purificados, lembrança amarga de uma era em que monstros habitavam o planeta, da época em que os vivos andavam entre os mortos... Vivos espiritualmente e mortos espiritualmente, pois outros não há. Todavia, essa reminiscência angustiosa será logo suplantada pela alegre e tranqüilizadora certeza de que toda a gama de mortos, aí incluído o grupo dos ainda hoje denominados errônea e eufemisticamente de “seres humanos de índole criminosa”, terá sido varrida para sempre da obra maravilhosa da Criação.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 27


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

VII AS MAZELAS DO FALSO AMOR Dentre todos os conceitos originalmente puros que a humanidade como um todo torceu ao longo de sua milenar decadência espiritual, talvez nenhum outro tenha sido mais vilipendiado, mais achincalhado do que o expresso na palavra amor. Vamos começar pelo amor ao próximo. No que se transformou hoje esse sentimento que é condição necessária e suficiente para o modo correto de vida? Para, até mesmo, usufrui-la alegremente? Virou sinônimo de apatia, de fraqueza e de moleza, de condescendência imprópria, confortável, para com os erros e falhas dos semelhantes. O amor ao próximo é hoje um amor complacente, falso, que com palavras doces anestesia, sim, temporariamente a dor daquele que errou, mas o impede de reconhecer a causa do sofrimento, o que infalivelmente força a repetição futura desse mesmo sofrimento. Um amor que proporciona, sim, um alívio momentâneo, mas ao preço da infelicidade perene; que magnanimamente distribui esmolas aos desvalidos, mas não sem antes lhes subtrair o tesouro da dignidade. Um amor que enxuga, sim, prontamente as lágrimas do sofredor, mas apenas para que este possa divisar mais nitidamente o sorriso beatificado a emoldurar o semblante compadecido de seu amoroso consolador. Amor ao próximo não pode ser isso. Amor, amor verdadeiro ao próximo é dar a ele, antes de mais nada, aquilo que lhe é útil, independentemente se isso lhe causa ou não alguma alegria efêmera. É mostrar de forma clara, até mesmo contundente, os erros cometidos, os quais sempre retornam ao gerador na forma de sofrimento contínuo. É dar apoio irrestrito, sólido, a quem realmente se esforça em suplantar suas fraquezas; é ampará-lo na travessia do árduo caminho do reconhecimento do erro, mesmo que seja entre soluços e lágrimas de ambos. Pois unicamente o reconhecimento http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 28


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

pessoal da atuação errada, implacável e abrangente, é capaz de fazer alguém mudar de modo radical a sua sintonização interior. E tão-somente a voluntária mudança dessa sintonização pode interromper de vez o ciclo aparentemente sem fim do sofrimento intermitente. O amor verdadeiro, severo, abre a duras penas o portal para a conquista da felicidade, enquanto que o falso amor passa sobre ele, sem esforço, um ferrolho intransponível. A atuação do primeiro é permeada de obstáculos, dificultada por forte incompreensão e intensa crítica, enquanto que a do segundo é aplainada com carinho, incentivada por aprovações sorridentes e elogios inconseqüentes. Essa nefasta concepção de falso amor se disseminou como uma pandemia incurável, acabando por imiscuir-se em todos os campos da vida humana. Mesmo o amor entre homem e mulher sucumbiu a esse engodo. Muitíssimos casamentos exibem como esteio para uma vida em comum apenas a atração física e instintos exacerbados, e chama-se então essa contingência unilateral de “amor”. E com isso os casais, ou melhor dito os parceiros de hoje, apenas ainda se esmeram em “fazer amor”, como se fosse possível tal coisa em relação ao amor verdadeiro. Um amor verdadeiro, puro, entre um homem e uma mulher não está sujeito oscilações aleatórias de performances corpóreas. Ele é uma ligação espiritual de irradiações, totalmente independente de meras exterioridades físicas; por isso mesmo também não envelhece com os anos, não se torna mais fraco ou menos interessante e nem mesmo pode se extinguir. Pelo contrário. O verdadeiro amor se fortalece ainda mais com o tempo e, a tal ponto, que pode reunir sempre de novo as almas enlaçadas por ele, para uma nova vida em conjunto aqui na Terra ou em outros planos da Criação. A morte terrena não representa nenhum obstáculo para o verdadeiro amor. Nenhum túmulo é capaz de confiná-lo, porque ele não é formado de matéria nem está sujeito a ela. E o amor maternal? E o filial? Também ambos, originalmente naturais e belos, foram irremediavelmente impregnados de falso amor. Durante séculos o amor materno foi decantado como o mais nobre dos sentimentos da mulher, como se a principal missão da feminilidade fosse gerar filhos para poder fazer jus a esse sentimento. Ninguém se lembrou aí de que o ser

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 29


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

humano, homem ou mulher, é essencialmente um ser espiritual, e como tal tem de atuar em primeira linha. A procriação não é a principal função do casal humano; considerá-la como tal é promover um rebaixamento intencional do verdadeiro papel, da real missão do espírito humano na Criação. É uma abjeção voluntária, indigna da espécie humana, decorrente também da crônica indolência espiritual, que descarta de pronto a intuição em toda deliberação e invariavelmente suprime qualquer tentativa de reflexão mais aprofundada. Não foi por outro motivo, aliás, que o “crescei e multiplicai-vos” foi alegremente recebido como uma revelação toda especial, e posto em prática com espantoso afinco e admirável empenho desde então. As odes seculares erguidas em louvor ao amor materno, como se a mulher não fosse mais do que uma graciosa espécie reprodutora bípede, transformaram-no num fardo doentio que solapa o livre desenvolvimento espiritual, tanto da mãe quanto dos filhos. Àquela faz crer que possui direitos absolutos e permanentes sobre a prole, enquanto que a esta última impõe a obrigatoriedade da gratidão eterna, mesmo que freqüentemente sob o manto da hipocrisia. Isso, sem falar do asqueroso mercantilismo desse “amor” filial. A americana Anna Jarvis, que no início do século inadvertidamente criou o “dia das mães”, e que se empenhou pessoalmente para que essa comemoração fosse adotada em outros 43 países, chegou ao fim da vida, no ano de 1948, completamente amargurada com a sua “invenção”. Morreu reclusa, remoída de desgosto e sofrimento, tendo de presenciar como o seu propósito inicial, aparentemente inócuo e bemintencionado, se transformara numa aberração comercial de alcance global. O falso amor inseriu-se de tal forma nas concepções humanas, ao longo de milênios, que mesmo os esforços em compreender acertadamente a atuação do nosso Criador foram por ele torcidos irremediavelmente. Imagina-se hoje, pois, que o próprio Jesus tenha sido também complacente e condescendente, buscando-se ver nisso uma prova inconteste da atuação do Amor divino. Ele, que foi o Amor de Deus encarnado na Terra, e que por isso mesmo foi particularmente severo com as criaturas cerebrinas daquela época, é apresentado como exemplo máximo de atuação do falso amor, o qual foi gerado exclusivamente pela indolência do espírito humano e

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 30


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

conservado pela sua cegueira. Chegou-se mesmo a ponto de considerar a sua morte na cruz como tendo sido um sacrifício voluntário, um holocausto desejado e programado com antecedência pelo Alto, para a redenção automática dos habitantes dessa Terra aqui, enquanto que na verdade tal pavoroso acontecimento, fruto do livre-arbítrio da humanidade pecaminosa, não foi mais do que um brutal assassinato. Passou-se assim ao largo de sua Palavra, única via de salvação, para a cândida aceitação dessa concepção de uma morte inevitável do Filho de Deus. O falso amor venceu mais uma vez, e obteve aqui o seu maior triunfo. Ele envolveu a cristandade inteira no aconchego de uma falsa esperança, deixando em segundo plano as próprias palavras do Mestre, cujo cumprimento incondicional era a única possibilidade de alcançar a almejada salvação. Mas assim como tudo o mais que ainda é e está errado, também o falso amor acha-se com os seus dias contados. No futuro, quando tivermos sido forçados a reaprender o real significado da palavra amor, iremos certamente pensar duas vezes, dez vezes, antes de ousarmos pronunciá-la novamente.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 31


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

VIII MENSAGEM DE NATAL

“— Sabes, Maria, que a estrela brilha sobre o telhado que nos cobre? — Eu sei, José! — E sabes também o que esta estrela anuncia? — O Messias!” Há pouco mais de dois mil anos, mais precisamente em 12 a.C. segundo a nossa contagem de tempo, a Terra foi palco do mais extraordinário acontecimento de todos os tempos. Ocorreu aqui um evento excepcional, de inimaginável amplitude, único desde o existir do Universo inteiro. Numa determinada noite do final daquele ano, uma parte do Amor de Deus – o Criador de Todos os Mundos, nasceu em nosso planeta. No céu, um cometa de brilho intenso anunciava o cumprimento de antigas profecias, a efetivação de uma graça incomensurável para toda a humanidade e inconcebível à sua compreensão: o nascimento terreno de Jesus, o Filho de Deus. Durante pouco mais de três décadas, as atenções nas muitas moradas da Casa do Pai, isto é, nos vários planos da gigantesca obra da Criação, estiveram voltadas diretamente para cá. Desde aquela singela noite em Belém, num estábulo de carneiros, até o terrível desfecho do Gólgota. Nunca, em tempo algum, em lugar algum, um espírito humano chegará a se aproximar da compreensão integral do fenômeno, de saber efetivamente quão ampla, quão imensamente ampla foi a graça outorgada outrora à humanidade com o nascimento daquela criança. Quando muito, poderá ele adquirir – na medida exata de sua sinceridade – um tênue vislumbre do real http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 32


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

significado da vinda de Jesus de Nazaré. Saberá então, humildemente, que Ele desceu das alturas máximas para os confins da Criação, até o plano das mais densas materialidades, com a missão de oferecer à transviada humanidade terrena a possibilidade de salvação, através do cumprimento de Sua Palavra. O efeito subseqüente de divisão dos períodos históricos em antes e depois do Seu nascimento, apesar de globalmente abrangente, foi a menor das conseqüências de Sua passagem pela Terra, meramente exterior. As conseqüências espirituais foram muito maiores, muitíssimo mais incisivas para o gênero humano. Jesus concedeu novamente aos seres humanos a possibilidade de se salvarem através do indispensável reenquadramento às Leis vigentes na Criação. Por meio de parábolas Ele explicou então, repetidamente, com toda a paciência, a atuação dessa Leis, de cujo saber a própria humanidade já se privara há muito, em razão de seu incompreensível afastamento da Luz, voluntário e persistente. Ficamos sabendo assim que se tratavam de Leis que jamais poderiam ser derrubadas, mas apenas cumpridas. Sem a vinda de Jesus exatamente naquela época, nenhum ser humano lograria chegar ao tempo presente com o seu espírito ainda vivo. A Sua Palavra, dirigida a todos os povos indistintamente, foi uma bóia de salvação para os seres humanos bons, permitindo-lhes atravessar com segurança, sem se perderem, o espaço de tempo existente até o exame final da humanidade. E quando a odienta vontade da maior parte dessa humanidade, através de seus asseclas, O cobriu de sofrimentos e por fim O crucificou, Ele, a Palavra encarnada, rejeitando assim com escárnio a salvação oferecida pela Palavra, tão premente para ela, foi unicamente a Sua inavaliável intercessão “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem!” que ainda manteve aberta, até os dias de hoje, uma possibilidade de salvação a quem se mostrar digno dela. Se a humanidade como um todo não tivesse construído tão diligentemente a estrada larga do mal, nem enveredado tão cheia de si por ela rumo ao abismo, a vinda de Jesus não teria sido necessária. Mas, para que os poucos bons não acabassem sendo arrastados conjuntamente no sorvedouro das trevas, para que suas centelhas espirituais se conservassem acesas até a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 33


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

época do Juízo Final, O Amor de Deus se dispôs a vir até essa pequenina Terra. Chegou até aqui para desobstruir e indicar novamente a eles o estreito caminho que conduzia às alturas, o qual se achava por demais maltratado, muito mal cuidado, em virtude de ter sido escassamente utilizado até então, porque fora já completamente esquecido e abandonado por todos. Nenhum espírito humano, que através das palavras de Cristo pôde chegar vivo à nossa época, tem idéia do quanto deve ao seu Salvador. Nenhum. Não há um sequer desses filhos pródigos que possa avaliar com acerto o alcance da graça a ele concedida, de lhe ter sido mostrado o caminho de volta para casa, para o Paraíso. Pois agora lhe é novamente possível ascender até lá por esforço próprio, como espírito purificado e plenamente consciente, depois de ter feito seu talento dar juros sobre juros. A bem dizer, só existe uma maneira de retribuir, por pouco que seja, o maravilhoso presente dado por Deus à humanidade naquela longínqua noite primeva de Natal: procurar viver integralmente os ensinamento ministrados por Seu Filho, independentemente de como se compõem as formas exteriores dos múltiplos ritos religiosos. Transformar em vida as palavras do Mestre, esforçando-nos em reconhecer as Leis que regem a Criação e a finalidade de nossa existência dentro dela, pois só quem procura... encontrará! E só quem ama o próximo como a si mesmo estará em condições de festejar o Natal da maneira certa: com a alma preenchida de alegria e o coração a transbordar de gratidão.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 34


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

IX MENSAGEM DE ANO NOVO (Artigo escrito em janeiro de 2001)

Começa o último ano do milênio. Ou será o penúltimo? Polêmicas à parte, 1999 surge no hodômetro temporal humano carregado de expectativas, de muitas esperanças. E de desesperanças também. Dir-se-ia até de um certo receio indefinido, talvez mesmo de um medo indisfarçável. O que nos trará o ano novo? Há poucos dias apenas e aquele renovado anseio de fim de ano por melhores dias parecia de novo tão factível, tão real dessa vez, tão ao alcance das mãos de todos nós, que ajudamos a moldá-lo novamente com nossa cota cíclica de otimismo forçado, anestesiados que estávamos pela alegria contagiante do réveillon, felizes no embotamento de abraços e votos mútuos, fossem ambos sinceros ou não. Mas... e agora? Agora, quando os pés estão novamente firmes no chão já limpo das rolhas de champanhe, quando o mundo, indiferente ao rogo exigente de seus filhos, mostra novamente sua verdadeira face, cruel – limpa também da maquiagem hipnótica dos fogos de artifício, é justamente agora que ressurge a pergunta angustiante: O que nos trará o ano novo? Aturdido por um emaranhado de profecias cabalístico-escatológicas e vaticínios econômico-ambientalistas, o ser humano comum se esforça em levantar um pouco o véu do futuro, pelo menos do seu: “O que me trará, pois, este ano novo?” Em relação à humanidade como um todo não é difícil, realmente, fazer previsões. Ela continuará a colher e saborear compulsoriamente os frutos amargos de sua maléfica semeadura dos últimos milênios. Apenas com a diferença, bastante notória aliás, de que a quantidade e intensidade desses retornos serão cada vez maiores, como já vem ocorrendo ao longo das http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 35


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

últimas décadas. Quem tiver olhos para ver, que veja. Guerras fratricidas, crimes hediondos, doenças terríveis, desequilíbrios psíquicos, crises políticas e sociais globais, descalabro econômicofinanceiro generalizado, múltiplas catástrofes da natureza, alterações climáticas incisivas, medo e insegurança disseminados por todos os quadrantes... Os companheiros fiéis da humanidade neste século de horror continuarão a sê-lo no ano que se inicia, continuarão sendo seus mais aguerridos acompanhantes, no fechamento do ciclo de sua existência. E ainda outros se juntarão ao séquito nesse trajeto final do féretro, como recentemente já o fizeram os buracos na camada de ozônio e as alterações solares. Tudo vai tomando forma como ela mesma sempre quis, como continuamente fez questão de forjar para si com tanto empenho, através de sua inacreditável, incompreensível desobediência coletiva às Leis incontornáveis da Natureza. Em relação a um único indivíduo, porém, a um ser humano cujo espírito ainda esteja vivo, o futuro só a ele pertence. Somente a ele. Tão-somente ele é senhor do seu destino. É ele mesmo quem molda para si o seu próprio futuro, de acordo com sua maneira de viver no presente. Pode, assim, preparar para si tanto um lugar repleto de alegria e felicidade, imerso em luz, como um local de máximo sofrimento e dor, imerso nas trevas da mais aterradora desesperança. A decisão é dele. Sempre e unicamente dele. Por isso, ao invés de cismar inutilmente acerca de seu futuro, o ser humano de espírito vivo deveria cobrar ânimo e agir. Agir agora, no presente! Ele tem de arregimentar todas as suas forças unicamente no sentido do bem, sem descanso, se quiser de fato construir um belo futuro para si. É ele mesmo quem tem de colocar mãos à obra, com infatigável afinco! Cabe a ele, exclusivamente, transformar de modo radical a sua vontade interior, o que naturalmente acaba se exteriorizando também em seus pensamentos, palavras e ações. E o pensamento purificado, a palavra verdadeira e a ação correta constituem justamente o material de construção com que ele molda, de modo inteiramente automático, um futuro radiante para si mesmo. Repito: de modo inteiramente automático. Sem estafas intelectuais, sem algemas dogmáticas e sem malabarismos místico-ocultistas. Agindo dessa forma ele terá de formar um belo futuro para si, por nem ser possível diferentemente segundo a Lei natural de causa e efeito, ou Lei da reciprocidade. Como se vê, não é nada que a boa vontade e a perseverança não possam conseguir. As pedras que aqui e acolá surgem nessa sua empreitada, como se viessem do nada, e que ainda podem fazê-lo tropeçar e se machucar, só lhe serão úteis na verdade. Elas também foram formadas, lapidadas e colocadas no tapete do seu destino por ele mesmo, em decorrência de sua sintonização errada de outrora. Não devem incutir-lhe http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 36


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

medo ou desânimo, ao contrário, devem servir, sim, para ele conhecer os erros que ainda lhe pendem e retemperar sua tenacidade em prosseguir para cima, colhendo sempre novos reconhecimentos espirituais. Com isso ele notará, pouco a pouco, que as pedras tornam-se paulatinamente menores e mais raras à medida que sobe, até que um dia também elas terão desaparecido por completo. Desse modo, a escalada lhe é facilitada a cada dia, na medida direta do seu esforço em progredir. E, ao atingir determinada altura, poderá divisar então nitidamente o belo futuro acalentado, o porvir que ele mesmo formou para si, que ele mesmo conquistou. Sem esforço próprio ninguém ascende, ninguém progride. Sequer um milímetro. É uma ilusão desmedida imaginar que a crença cega seja um elevador espiritual, a desobrigar seus passageiros do esforço contínuo em melhorar como seres humanos. Os que chamam de “orar aos céus” a litania cotidiana de reclamar da vida e choramingar misérias, não passam de mendigos preguiçosos. Desprezíveis como estes. Com essa indolência inaudita, o futuro que tais “deserdados do destino” formam para si mesmos é pavoroso. São suicidas espirituais, que voluntariamente enfraquecem seus espíritos com essa inatividade forçada e, a tal ponto, que estes se tornam por fim incapazes de se movimentar por si mesmos, acabando por morrer de inanição espiritual, completamente paralisados, sem dispor mais de forças para encontrar o Pão da Vida e se alimentar dele. Só aquele que, através de esforço próprio, mantiver sempre acesa a chama do seu espírito, ardendo em prol do bem e voltada para a Verdade, poderá resistir aos próximos vendavais purificadores. Já os outros, os indolentes espirituais crônicos, cuja única tarefa a que se dispõem realizar é a de manter seus espíritos eternamente mergulhados num sono de chumbo, verão, desconcertados, suas chamas fracas e bruxuleantes se apagarem já nas primeiras rajadas. O espírito humano dispõe do livre-arbítrio para o seu desenvolvimento. E é por meio dessa dádiva que ele pode escolher seus próprios caminhos, ficando, porém, incondicionalmente sujeito às conseqüências dessa sua escolha. Por isso, é ele quem forma o seu próprio destino, e até mesmo o seu destino final como espírito humano. Aí não se trata mais de uma simples resolução de ano novo, mas de uma decisão que abrange toda uma existência, a sua existência inteira, e não apenas essa atual vida terrena. Vida eterna ou morte eterna estão nas mãos do próprio ser humano, pois o seu futuro, o seu destino, somente a ele pertence. Este novo ano poderá ser para ele então o primeiro de uma vida completamente nova, integrada às Leis da Criação. E será... se ele quiser. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 37


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

X BESTAS DO APOCALIPSE

Estão todos aí de novo, e trabalhando como nunca. Gurus, enviados, avatares, mediadores... Todos anunciando o fim do mundo, com dia e até mesmo hora marcada. O clube já superlotado dos falsos profetas dessa nossa época continua a admitir novos e competentes profissionais a cada dia, no mundo inteiro. Guias dos mais variados matizes escatológicos surgem de repente, por toda a parte, como cogumelos numa manhã úmida. Cogumelos grandes, coloridos, vistosos todos eles... e todos venenosos. Arregimentam um sem-número de incautos seguidores e vão logo cumprir, conscientemente ou não, mas sempre fielmente, suas missões: desviar a atenção das pessoas boas, o mais possível, do significado real da incisiva transformação pela qual está passando o nosso planeta e toda a humanidade. Desviar, sim, e a qualquer preço, pois quem em seu juízo perfeito, e com um pouco de discernimento, não rejeitaria de pronto as “revelações” outorgadas por essas perfeitas bestas do apocalipse? Realmente, é preciso atingir um grau supremo de estupidez para acreditar, por exemplo, que seria possível fugir das responsabilidades espirituais suicidando-se, para poder ascender até a estrela Sirius ou escapar lépido e fagueiro a bordo de um disco voador escondido na cauda de um cometa. Ou, então, que se poderia sobreviver ao fim do mundo bebendo da água do banho do sr. Asahara, venerável líder da seita japonesa “Verdade Suprema” (aquela do atentado no metrô de Tóquio), que dizia ser a reencarnação de Buda e ostentava o humilde título de “Salvador do Século”. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 38


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

É de se questionar também a integridade encefálica dos seguidores do sr. David Koresh, que afirmava ser o próprio Criador e levou setenta dos seus a morrer gloriosamente queimados num confronto com o governo americano; ou dos discípulos de Jim Jones (914 suicídios); ou ainda dos membros da seita americana “Cristãos Preocupados”, que há poucos dias apenas resolveram dar início ao apocalipse por conta própria em Jerusalém. E não teve também um grupo numeroso que recentemente se aglomerou num subúrbio de Dallas para esperar a chegada do Criador? Não parece incrível? Nem tanto, considerando-se que Jesus Cristo em pessoa já está reencarnado em vários lugares, segundo testemunhos contundentes (e excludentes) deles próprios. A lista é infindável. Mas além de fornecer material de primeira qualidade para programas humorísticos, e eventualmente eliminar também alguns de seus tolos seguidores, os dirigentes desses movimentos-de-fim-de-mundo desencadeiam uma tragédia muito maior, muito mais grave para o gênero humano do que faz crer as batidas de seus gongos místicos ou as trombetas anunciadoras de suas ridículas performances teatrais. Essas figurinhas deploráveis provocam um compreensível repúdio em pessoas boas e sensatas ante qualquer notícia fora do comum em relação à vida humana, ou de algo extraordinário que esteja prestes a ocorrer na Terra. Escaldadas, com os dois pés atrás, elas rejeitam logo e de antemão qualquer asseveração nesse sentido. Rejeitam sem examinar. E assim elas põem tudo numa panela só, emitindo um veredicto condenatório prévio, generalizado, sobre qualquer informação com que se deparam a respeito do apocalipse e do Juízo Final. É esta a maior tragédia, o mal maior. E é este também o objetivo verdadeiro, o alvo máximo das trevas, que são na realidade quem sustentam e impulsionam todos esses risíveis – e todavia tão perigosos – movimentos armagedônicos. Pois com isso conseguem retirar das pessoas boas a oportunidade de meditar com seriedade e isenção sobre os acontecimentos em curso no mundo. Elas deixam de fazer isso com o receio (a seu ver bem fundado) de despender sua preciosa atenção e escasso tempo em outras estultices do gênero. E dessa maneira elas mesmas descartam qualquer possibilidade de analisar sobriamente os acontecimentos mundiais, de meditar sobre isso com isenção e de chegar http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 39


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

assim ao reconhecimento do que está ocorrendo efetivamente com a humanidade e com elas próprias. Perdem, desse modo, a possibilidade de se enquadrar ainda em tempo às Leis da Criação; perdem, enfim, o prazo de que dispõem para tanto. Não atentam, na realidade, à profecia por elas mesmas freqüentemente aludida sobre o advento de falsos profetas, na qual pode-se depreender também nitidamente que o certo, o verdadeiro, estará na Terra justamente nessa época dos falsos profetas. Não se dão ao trabalho de analisar rigorosamente tudo quanto se lhes apresenta aí, diferençando com o máximo rigor, com a mais apurada análise, o errado do certo, a pedra do pão, o chumbo do ouro, o joio do trigo. Não percebem, de modo algum, que o conceito de “falsos profetas” é muito mais abrangente do que supõem, incorporando não apenas os mencionados malucos de carteirinha, mas todo e qualquer dirigente, de toda e qualquer religião, filosofia ou seita que não guia seus adeptos para o reconhecimento da incondicional responsabilidade pessoal em cada pensamento gerado, em cada palavra proferida, em cada ação realizada. Pois o ser humano dispõe do livrearbítrio para atuar aqui na Terra, podendo viver da maneira que desejar portanto, mas permane e sempre integralmente responsável por tudo quanto dele emana, cujas conseqüências refluem inevitavelmente para ele mesmo após tempo maior ou menor, na forma de coisas boas ou más, segundo a espécie do que foi gerado. E o mundo está, de fato, passando por um gigantesco processo de transformação. Um processo que vem já de décadas, e que apesar de estar em sua última fase não tem data conhecida para seu término. Tal processo de limpeza traz de volta à humanidade e a cada indivíduo, no fechamento do ciclo, tudo quanto foi formado pela vontade e pela ação, e que ainda não encontrou remissão através da lei de causa e efeito, ou lei de retorno cármico. Decorre disso o acúmulo crescente, tanto em quantidade como em intensidade, de acontecimentos terríveis em todos os campos da vida humana, pois não é segredo para ninguém que a vontade da quase totalidade da humanidade sempre pendeu para o mal. A própria História registra isto com bastante clareza. Agora, todos nós colhemos o que plantamos. Colhemos todos, quer queiramos ou não, no grande ajuste final de contas. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 40


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

As catástrofes da natureza não estão aumentando em cumprimento a ordens de profetas de esquina, mas sim como um dos múltiplos efeitos naturais e inevitáveis da aceleração deste processo de depuração global, o qual, por fim, deixará a Terra completamente limpa de toda a sujeira, incluindo eles todos também, naturalmente. Aliás, não há nada de esotérico nesta afirmação de crescimento contínuo de catástrofes, que pode ser comprovada facilmente através de dados estatísticos. De acordo com uma empresa de seguros alemã – uma das maiores do mundo por sinal – está havendo aumento de ciclones tropicais, ondas de calor, incêndios em florestas e tempestades de neve; nos últimos dez anos, segundo a empresa, ocorreram três vezes mais desastres naturais do que os registrados na década de 60, os quais provocaram nove vezes mais danos do que naquela época. Tudo o que nos atinge hoje é efeito retroativo. Conseqüência de nossa nefasta atuação no passado e também no presente. Quer se trate de destruições provocadas por catástrofes da natureza ou alterações climáticas, descalabro econômico ou degenerescência moral, doenças ou crises de medo, violência ou depressão, tudo é efeito do aceleramento desse retorno coletivo, que traz de volta o mal semeado outrora, sempre na medida exata da contribuição de cada um, tanto na forma como no conteúdo. Atualmente, todo o mal cultivado pela humanidade e nela impregnado por milênios está sendo forçado a se manifestar com a máxima intensidade, até se auto-extinguir, se autoconsumir, levando consigo tudo e todos que a ele estejam aderidos e que não foram capazes (ou não quiseram) se desprender dele a tempo. Daí o crescimento exponencial das tragédias humanas, nitidamente reconhecíveis em tudo quanto foi tocado pelo homem. As pessoas que tomam conhecimento dessas coisas, ou que já estão sendo obrigadas a constatá-las em seu próximo ou mesmo vivenciá-las em si, são instadas dessa maneira a refletir seriamente sobre o que está ocorrendo de extraordinário no mundo e nelas próprias. Têm, assim, o ensejo de chegar a uma conclusão lógica: que tanto o sofrimento mundial como o individual só podem ser, na verdade, efeitos do atuar errado dos próprios seres humanos. A partir daí se lhes tornará clara também a necessidade inadiável de uma mudança interior radical, de um reenquadramento integral às Leis inflexíveis que regem esta Criação – as quais só admitem um http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 41


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

desenvolvimento no sentido do bem – modificando conseqüentemente também o seu pensar, seu falar e seu agir, contingência incontornável para subsistir no Juízo. “Tudo há de se tornar novo!” Desta sentença se depreende que unicamente seres humanos renovados estarão aptos a viver na época renovada. E é contra essa tão necessária mudança de sintonização interior das pessoas boas, que agem, no fundo, as bestas apocalípticas, com o máximo empenho de que são capazes. Oxalá, a indolência espiritual não triunfe novamente, e essas pessoas boas possam ainda em tempo chegar ao despertar, e com isso ao reconhecimento do caminho certo. É o que, com direito, se espera delas.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 42


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XI MENSAGEM DE CARNAVAL

Mensagem de carnaval?? E desde quando o carnaval serve de inspiração para mensagens? Desde quando compreendemos que podemos e devemos aprender com tudo o que ocorre à nossa volta. Pois de tudo se pode tirar algum proveito, obter algum ensinamento, mesmo de um evento tão parcamente revestido de utilidade como o é a festa de carnaval. Todos os acontecimentos dessa nossa época falam para nós continuamente, insistentemente, para que reconheçamos suas causas e conseqüências, de forma a podermos direcionar e manter o leme de nossas vidas sempre no rumo certo. Pois quem chega a conhecer deveras as causas do viver errado e, principalmente, a reconhecer as conseqüências disso, este arregimentará todas as suas forças, com o máximo empenho, para redirecionar sua vida de até agora. Com toda a certeza. Realmente, com toda a certeza. Certeza absoluta. Só não se esforçará em seguir pela senda ascendente aquele que não enxerga onde pisa, ou melhor, aquele que não quer ver onde pisa, mesmo quando já a afundar no pântano visguento dos vícios e das paixões. O desconhecimento do funcionamento das Leis naturais embota o espírito humano, enrijece-o, embaça-lhe a vista e destrói paulatinamente sua capacidade de discernimento. A voluntária ignorância sobre as causas e conseqüências de tão múltiplos e significativos eventos hodiernos atua sobre o cansado espírito, já tomado por uma inaudita sonolência, como uma aconchegante canção de ninar, que lhe é muito bem vinda. Uma doce canção, que pouco a pouco se torna para ele http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 43


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

no canto de cisne, a embalá-lo num seguro sono de morte espiritual. Há dois aspectos que chamam de imediato a atenção no curto reinado de Momo, e que merecem portanto ser analisados em maior profundidade. O primeiro diz respeito às fantasias, ao significado que elas encerram. Qual seria a motivação real capaz de levar uma pessoa tida como dentro dos padrões da normalidade a, por exemplo, vestir um manto de plástico ornado de lantejoulas, meter-se dentro de uma peruca de Luís XVI, cingir a cabeça com uma coroa de papelão e sair a desfilar por aí, todo soberano no compasso de cuícas e tamborins? “Ora, divertir-se, evidentemente! Alegrar-se! Extravasar-se!” Mas por que, exatamente, alguém se divertiria fazendo o papel de quem não é? Será que o João Ninguém quer realmente sentir-se Luís XVI por 72 horas, espargindo uma majestade fictícia entre súditos ilusórios, ou, ao contrário, o que ele deseja de fato nesse curto período é esquecer-se de que é o João Ninguém? Não quer ele eximir-se temporariamente de qualquer responsabilidade, até ser guilhotinado pela realidade? Vestir uma indumentária espalhafatosa qualquer, esconder o rosto sob uma máscara, pular e cantar com trejeitos do sexo oposto, no embalo de álcool e outras drogas, parece muito mais uma fuga do que uma diversão. Três dias de total descontração, do mais completo alheamento, de folia geral, sem ter de prestar contas de nada a ninguém, nem a si mesmo. É isto o que se denomina “alegria” nos salões de carnaval. Irresponsabilidade absoluta, inebriada de lança-perfume; dignidade sufocada em confete, estrangulada em serpentina. É precisamente isto o que os foliões desejam. Querem mergulhar por inteiro no desvario da louca liberalidade geral, ampla e irrestrita, a qual, todavia, só tornará ainda muito mais amargo o inevitável despertar na sombria quarta-feira de cinzas. Insensatos esses todos. Insensatos esses todos e muito mais ainda os que fazem da própria vida um grande carnaval. Os que fantasiados de castos imaginam poder conspurcar à vontade o seu próximo, impunemente, com pensamentos pestíferos; os que em proveito próprio destroem reputações com algumas poucas palavras ardilosas, acobertados pela máscara da astúcia; os que vestem sobre ternos bem cortados a fantasia da esperteza, que os habilita a trazer múltiplos prejuízos a seus semelhantes, para lucro e http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 44


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

satisfação pessoais, através das mais sórdidas maquinações, sempre prodigiosamente destruidoras. Em suma, todos os que fazem do hedonismo e do egocentrismo suas divindades mais sagradas, a quem se prostram cotidianamente e com quem já há muito negociaram sua almas. Insensatos, sim, insensatos. Pois já adentramos todos numa inesperada quarta-feira de cinzas. Chegou o tempo de acordar. Pierrôs e Colombinas que até hoje levavam a vida na brincadeira, cuidando apenas da cata de novos prazeres e sensações, pouco ligando se calcados ou não no infortúnio de outrem, terão as máscaras arrancadas e as fantasias rasgadas de cima a baixo, para que se mostrem como realmente são. Seu bloco de carnaval, imenso, se dispersará, e nunca mais poderão agrupar-se novamente para continuar a usufruir a vida desregrada de até então, apoiada rotineiramente na dor e no sofrimento infligido ao próximo. A vida carnavalesca de até agora há de cessar, e com ela o lema luciferiano do “viver até exaurir-se”, tão ardorosamente cumprido e disseminado por eles até aqui. Terão de aprender, tarde demais, que a responsabilidade jamais se deixa separar da atuação de um espírito humano, mesmo decaído. O segundo aspecto digno de nota em relação ao carnaval é o pudor, ou melhor dito, a falta dele. Ninguém, por certo, que já tenha visto algo das festas carnavalescas no Brasil considerará exagerada a afirmação de que elas não são mais do que orgias consentidas, depravações rítmicas levadas a efeito por homens pervertidos e abrilhantadas por mulheres degeneradas. Homens e mulheres que já não são nada além de machos e fêmeas, a se degradarem mutuamente nesses bacanais sambantes, esforçando-se com incrível empenho em descer a um nível muito abaixo do ocupado por qualquer animal, o qual faz uso do sexo sempre e unicamente de forma sadia e natural. Menção especial aqui para as mulheres, que utilizam o carnaval como excelente pretexto para exibir envaidecidas seus corpos nus e seminus, numa asquerosa prostituição visual coletiva, regiamente paga em cada olhar masculino de cobiça. Criaturas que transformaram seus corpos – instrumentos para atuação do espírito – em arapucas voluptuosas, iscas sedutoras prontas a fisgar para a desgraça legiões de tolos embasbacados e fracalhões estúpidos.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 45


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Mal sabem elas que com suas contorções sensuais põem à mostra muito mais do que supostos chamarizes carnais. Pois o pudor é uma medida direta, exata, infalível, do próprio valor espiritual de uma pessoa. Um ser humano que tenha afastado de si todo o pudor é um ser vazio espiritualmente. E um ser vazio espiritualmente deixou de cumprir sua prerrogativa fundamental, a própria razão de sua existência, que é a obtenção e manutenção da autoconsciência adquirida através de vivências, em suas peregrinações pelas materialidades... Esta medida infalível, naturalmente, é igualmente válida no caso oposto, e nos dois sentidos. Assim, quanto mais enobrecido for também um ser humano, tanto mais íntegro e inabalável será da mesma forma o seu sentimento intuitivo de pudor corporal. E vice-versa. A metáfora bíblica transmitida no Gênese sobre o “reconhecimento da nudez” pelo casal humano, e a necessidade que ambos sentiram de cobri-la quando se lhes despertou a noção do bem e do mal, é uma imagem que evidencia o início deste processo de conscientização do espírito humano, objetivo último e fundamental de sua passagem pelas várias partes da Criação, que lhe possibilita, por fim, o próprio ingresso no Paraíso. Para um espírito desenvolvido, que já tenha angariado um determinado grau de autoconsciência, corpo e alma são invólucros absolutamente intangíveis, invioláveis e incorruptíveis. Jamais uma tal pessoa consentiria ter o corpo exposto à contemplação pública, nem tampouco a alma desnudada diante de pretensos especialistas anímicos. Bailes e desfiles carnavalescos, assim como várias outras contingências semelhantes, atuam apenas como catalisadores de um longo processo de degradação interior, em curso no íntimo de inúmeras pessoas que fracassaram como seres humanos. Constituem meras oportunidades para uma exacerbação visível do estágio em que se encontra a falta de pudor há muito latente nelas. Através dessa medida simples e direta da manifestação do sentimento de pudor, o leitor pode bem imaginar a real situação espiritual da maior parte da humanidade terrena.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 46


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XII MENSAGEM DE PÁSCOA

Quem surgiu primeiro: o ovo ou a galinha? Brincadeira de criança à espera de uma solução adulta. Mais desconcertante do que a pergunta são as respostas que ela suscita, ou melhor, a falta delas, invariavelmente substituídas por alguns sorrisos parvos, amarelos, servindo de escudos para a ignorância inconfessável. Uma pergunta assim tão simples e direta, tão singela e clara, comumente lançada ao ar com notória perversidade por crianças e jovens, já é capaz de deixar em péssimos lençóis não poucos pesquisadores e eruditos de qualquer área, impossibilitados de encontrar, com as análises de seu raciocínio, uma resposta de igual clareza e simplicidade. As capacitações do intelecto, tão decantadas pelos círculos acadêmicos, não bastam para fornecer nesse caso uma resposta convincente. Mas devemos reconhecer que alguns dentre os doutos homens da ciência, quando ainda dispõem de um resquício de humildade, ou quando adquirem o reconhecimento forçado da própria incapacidade, se dignam a rotular genericamente de enigma ou mistério aquilo para o que não encontram resposta. Fenômenos que têm sua origem acima do espaço e tempo terrenos, a eles tão familiares, também se encontram acima de sua capacidade de compreensão. No entanto, quando até mesmo essa comedida humildade falta, ou seja, na maioria dos casos, colocam eles então no lugar a espantosa coragem de defender hipóteses disparatadas, absurdas, teorias e teoremas de uma puerilidade constrangedora, de um ridículo atroz, em completa dissonância com as leis inflexíveis que regem a Criação. É o caso, por exemplo, das suposições em voga a respeito da origem da vida, que pretensamente seriam capazes de esclarecer todas as http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 47


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

dúvidas sobre o assunto, aí incluída a milenar charada da contínua sucessão ovo-galinha. Só mesmo criaturas submissas por inteiro ao intelecto podem considerar verossímil, e até defender, a ideia de que a vida em nosso planeta surgiu da fortuita reprodução automática, autônoma, de algumas moléculas básicas. Sem dúvida uns aglomerados de átomos admiráveis, com vontade própria, que nada tendo a fazer em meio ao tédio daquela sopa primordial formada por eles mesmos, servida pelo acaso há uns 4 bilhões de anos, acharam por bem começar a tirar cópias de si mesmos e... Bingo! Criaram a vida! Francamente, seria melhor para todo mundo que as sumidades (prêmios Nobel inclusive) que advogam essa... Digamos, “insensatez”, tivessem permanecido no primeiro grupo, onde seus colegas pesquisadores se contentam em classificar de mistério e enigma tudo quanto jaz além de sua compreensão. Ainda é, sim, uma posição igualmente tacanha, mas muito mais honesta e infinitamente menos grotesca. Enigmas na Criação não existem, tampouco mistérios. Essas classificações foram criadas pelo cérebro humano como engodo, como uma espécie de auto-atordoamento, depois que o ser humano terreno se desvencilhou de todo o verdadeiro saber que chegara a possuir outrora – numa época em que seu desenvolvimento ainda se processava de modo normal – e se voltou exclusivamente para a matéria, deixando atrofiar dentro de si as faculdades de seu espírito. Um crime abominável, e ainda praticado com uma espécie de orgulho coletivo, o qual crescia na mesma proporção em que aumentava o grau de miopia espiritual da humanidade, até chegarem ambos à arrogância e à mais completa cegueira, que passaram para a história fundidas no nome de materialismo. A vida é uma dádiva do Amor do Criador, presente em toda a Sua gigantesca Obra, e assim também neste plano material. Cada esporo, cada ovo ou óvulo fecundado – os zigotos de seres humanos e animais – encerram em si a promessa da continuação do grandioso espetáculo da vida, fornecendo continuamente novos atores a este palco terreno, onde todos entram prontos a desempenhar os mais variados papéis, em novos atos descortinados pelo efeito de leis universais, aprendendo com eles na grande trama do desenvolvimento progressivo. Uma eterna renovação periódica de vida, num permanente dar e receber, direcionada exclusivamente para o aperfeiçoamento da própria vida.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 48


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

A Páscoa, que não por acaso tem também como símbolo o ovo (simbologia prodigiosamente surripiada pelo marketing do chocolate), era de início uma festa para comemorar a chegada da primavera, que indiscutivelmente traz também a renovação da vida a cada ano, regularmente, em novas formas virginais. Por isso, Páscoa tem igualmente o significado de renovação, renascimento, ressurreição. Sobre isso, aliás, é muito elucidativo um vídeo elaborado pela Editora Ordem do Graal na Terra. Renascimento! Ressurreição! Esses são os significados originais da Páscoa. Ressurreição que se verifica, inclusive, em cada nascimento terreno. Uma ressurreição na carne, em virtude da nova vida terrena que se inicia, e não uma ressurreição da carne, pois a alma, o invólucro mais fino do espírito, é sempre o mesmo. O que muda em cada encarnação é apenas a vestimenta mais externa, denominada corpo humano terreno, num processo que se repete várias vezes mas que não é infinito, visto que para tudo há um tempo determinado, e assim também para o desenvolvimento previsto para o espírito humano. Mas o corpo humano é formado de matéria, e em razão disso tem de permanecer sempre no âmbito material, do qual se originou, nunca podendo chegar a outros planos da Criação situados acima dele, que são de espécie e constituição completamente diferentes. Uma decorrência absolutamente natural e lógica de leis eternas, imutáveis e perfeitas. No assim chamado “além” só podem estar almas humanas cuja constituição seja idêntica à do respectivo plano. E no plano mais alto que um ser humano pode alcançar, no plano espiritual denominado Paraíso, só podem estar espíritos humanos exclusivamente, sem invólucros de outras espécies. Jamais um corpo material poderá ascender até o plano espiritual da Criação, ou mesmo a regiões acima deste. Uma tal coisa, as próprias leis inflexíveis da Criação não permitem. Se fosse possível diferentemente, então essas leis não seriam perfeitas e, por conseguinte, também não o seria o próprio Criador. Certamente nenhum cristão aceitaria a ideia de que o Filho de Deus tenha descido a essa Terra com a deliberada intenção de burlar as leis de seu Pai. Muito pelo contrário, pois ele mesmo asseverou ter vindo para cumpri-las, e não para revogá-las (Mt5:17). O que nós, seres humanos terrenos, temos de cuidar, e que constitui nosso dever máximo nesta época de transição tão incisiva, é de promover a ressurreição de nosso próprio espírito, fazendo-o renascer da indolência

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 49


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

mortífera em que está mergulhado, redespertando e fortalecendo suas capacitações adormecidas. Cada um de nós tem, pois, de promover a sua própria Páscoa espiritual, e com a máxima urgência! Só assim poderemos subsistir aos rigores desse final de inverno da existência humana, e chegar redivivos à primavera da prometida Era de Paz que se anuncia, para festejar com júbilo a grande Páscoa outorgada pelo Amor do TodoPoderoso. Trata-se de um esforço que cada qual tem de realizar impreterivelmente, totalmente só. Ele próprio tem de vencer todos os obstáculos internos e externos, sem se importar com a incompreensão, escárnio ou zombaria dos que consideram a matéria como realidade última. Realidade que para eles é, de fato, a última, já que se excluem por si mesmos de reconhecimentos mais elevados ao confiar integralmente apenas em seu próprio raciocínio, que não está capacitado a assimilá-los absolutamente, porque lhe são totalmente estranhos. E como não pode assimilá-los, compreendê-los, esse raciocínio condena-os como impossíveis... Tãosomente a intuição, a voz do espírito, pode reconhecer imediatamente uma verdade quando se depara com ela, sem ter necessidade para tanto de provas e contraprovas materialmente visíveis e palpáveis. Apesar de saber que os mesmos sorrisos parvos mencionados no início deste artigo estarão de volta agora inevitavelmente, quero dizer simplesmente que foram ovos os que primeiro surgiram em nosso planeta, há muitos milhões de anos. Nos primórdios, quando a Terra ainda era um imenso campo de cultivo, preparada e fertilizada pelos incansáveis servos enteais do Criador, os seres da Natureza, chegaram até aqui – no tempo para isso determinado – sementes primordiais de vida vegetal e animal. As sementes de animais eram abrigadas numa espécie de cápsulas, que poderiam ser denominadas ovos primordiais. Sobre isso, os livros O Nascimento da Terra e Os Primeiros Seres Humanos, ambos de Roselis von Sass, fornecemm esclarecimentos incomparáveis. A atual reprodução das espécies aqui na Terra, que se apresenta hoje na forma dos óvulos e ovos que conhecemos, são efeitos diretos e distantes daquela primeira semeadura de vida em nosso planeta, base para o advento de todas as Páscoas futuras. Que o ser humano espiritualizado, atualmente soterrado sob o jugo de seu tirânico intelecto, possa ainda ressuscitar a tempo do caos que ele mesmo formou e nutriu ao longo de milênios e, assim, festejar de modo vivo, para sempre, a sua própria Páscoa.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 50


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XIII VIDAS SEM TRABALHO E TRABALHOS SEM VIDA Parte 1 “Comerás o pão com o suor de teu rosto!” Parece claro hoje que esta sentença nunca encerrou maldição alguma, mas uma bênção como poucas. Mais até do que dignificar o homem, o trabalho é aquilo que dá sentido propriamente à sua existência, é o que faz dele uma peça útil na engrenagem da Criação. Uma peça útil! Assim tem de se portar o ser humano dentro do grande Tear de Deus. Como peça útil e necessária, sujeita a um processo contínuo de aprimoramento, usinada e lubrificada pelas vivências que o trabalho condiciona. Uma peça, naturalmente, pequena e limitada quando comparada ao gigantesco conjunto da engrenagem universal, mas que dispõe do admirável recurso de poder ajustar a si mesma ao longo de sua vida útil, de corrigir eventuais falhas de origem e de se autocalibrar, de modo a contribuir para o funcionamento harmonioso de todo o mecanismo. Isso, se ela quiser, de fato, ajustar-se adequadamente a este mecanismo, o que só é possível depois de conhecê-lo em detalhes, caso contrário ela mui facilmente se deixará desregular e até trincar por qualquer trepidação mais forte, acabando por tornar-se uma peça estorvante ao invés de útil, completamente perdida dentro do imenso maquinário. Cabe, portanto, à própria peça humana proceder ao necessário ajuste contínuo em si mesma, para adequar-se ao movimento circunjacente. E tem de fazer isto enquanto executa sua atividade, porque as engrenagens que mantêm tudo em movimento na Criação jamais alteram seu ritmo sob nenhuma circunstância, muito menos ainda são desligadas por qualquer motivo. Peças defeituosas, que não querem mesmo adaptar-se, são simplesmente lançadas fora de modo automático. Não fosse essa dádiva chamada trabalho, que sempre teve sobre si o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 51


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

encargo de manter a raça humana em permanente movimento aqui na Terra, em prol de sua subsistência corporal e de seu aperfeiçoamento espiritual, ela já há muito teria se auto-extinguido, bem antes até do término do prazo concedido para o seu desenvolvimento. Teria afundado inteira na indolência mortífera, pela qual, aliás, sempre manifestou incontestável e indisfarçável pendor. Se a vida pudesse ser realmente como a maior parte das pessoas gostaria que fosse, ou seja, um “dolce far niente” perpétuo, adviria logo a estagnação e com ela a doença e a morte, pois outra coisa não pode surgir com o fim da movimentação. Não é coincidência nem acaso, por exemplo, a ocorrência de tantas mortes, aparentemente prematuras, pouco tempo depois da “conquista” tão acalentada da aposentadoria, nos casos em que esses aposentados realmente passam a exercer integralmente a profissão de administradores do ócio remunerado. Ao desejarem “aproveitar” o resto da vida para descansar, eles sem o saberem a encurtam de vez. Tudo na vida é movimento. A própria vida o é. Movimento permanente, ininterrupto, num equilíbrio contínuo entre o dar e o receber. (*) Deixar de movimentar-se é dar, conscientemente, o primeiro passo para o enrijecimento progressivo, estágio inicial do processo de morte. Equivale a praticar um lento suicídio. Sem movimento, sem trabalho portanto, ninguém pode viver, se pretender usufruir uma vida saudável e útil, em consonância com as Leis da Criação. Mas sendo o trabalho algo assim tão indispensável à natureza humana, qual é a causa então de milhões, centenas de milhões de pessoas em todo o mundo simplesmente não encontrarem ocupação? Por que o emprego, pacto de vida e até de sobrevivência entre capital e trabalho, entre produção e consumo, está em franco declínio em quase todos os países? Qual é, pois, a causa real dessa tragédia global? O que se esconde atrás dos diagnósticos e acima dos prognósticos de economistas e sociólogos, e que não é possível abranger com análises intelectivas? O que provocou essa terrível doença social, endêmica há poucas décadas e já pandêmica nos dias atuais? Vamos partir de algumas premissas. Com um pouco de atenção (e isenção) teremos de reconhecer que em todas as situações de vida em que surge um desequilíbrio qualquer está sempre por detrás, como agente causador, a mão do ser humano. Sempre. Em todas essas ocasiões, lá está ela http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 52


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

despejando areia nas engrenagens perfeitas da Criação. Quer se trate de fenômenos da Natureza ou relações humanas, onde surge algo perturbador a causa é uma só: a interferência nefasta da criatura humana, única a dispor de livre-arbítrio – contingência necessária a seu desenvolvimento espiritual – e que faz dela também a única responsável por toda a desgraça, por todos os males que assolam tanto seu ambiente como ela própria, porque utilizou esta dádiva de poder decidir sempre em sentido diametralmente oposto ao preconizado por Quem a concebeu e lha concedeu. Cada mal, cada tragédia, cada descalabro teve sempre uma causa mais profunda, uma falha anterior de origem espiritual que provocou então a inevitável ruína subseqüente, visível e perceptível terrenamente. Por isso, também já sabemos de antemão quem é o único culpado pela crise de desemprego global e pela miséria sempre crescente. Só não é tão fácil enxergar o que o ser humano fez de tão errado dessa vez para que as coisas chegassem ao ponto que estão. Não é assim tão fácil reconhecer a falha espiritual que acarretou um tal desequilíbrio entre o dar e o receber, a ponto de tantos não disporem mais sequer do necessário à sua própria subsistência. É difícil, porque em tudo procuramos ver apenas causas exclusivamente terrenas, já que só distinguimos atualmente os últimos efeitos, materialmente visíveis, de um falhar espiritual. As assim chamadas causas econômicas, sociológicas e até antropológicas do desemprego não são, na realidade, as verdadeiras causas, mas apenas efeitos de uma causa primeira, maior e mais abrangente, de cunho espiritual. Último alicerce a sustentar ainda a tênue paz social em que repousam nações ricas e pobres, o nível de emprego submerge inexorável nesse turbilhão pós-moderno e pré-catastrófico da economia globalizada, afundando titanicamente sob o lastro da excessiva oferta de mão de obra e da busca do lucro acima de tudo. Gente demais e cobiça demais a fazer água por todos os lados... Lucro e lucro! E lucro! Acima de tudo! Nunca, em tempo algum da história, o Primeiro dos Dez Mandamentos foi tão criminosamente desobedecido, tão acintosamente menosprezado, tão alegremente escarnecido por uma criatura, como o foi pelo ser humano contemporâneo. E, nunca, também, a humanidade inteira experimentou com tamanho ímpeto e tão concentradamente as conseqüências nefastas de sua http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 53


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

desoladora passagem pela Terra, frutos amargos que ela é obrigada a consumir agora, provenientes de sua variegada semeadura má tão contrária às disposições do seu próprio Criador. O descalabro econômico que ora vivenciamos é apenas um desses frutos apodrecidos, um apenas, que nos vemos forçados a deglutir na época atual, a época da ceifa. O lucro como fim em si mesmo não gera prosperidade, não traz movimentação benfazeja, pelo contrário, provoca somente estagnação por toda a parte ao gerar apenas mais lucro ainda, numa absurda espiral ilusória de riqueza, em tudo semelhante a uma Torre de Babel financeira, cujo fim não será também mais radiante. Um tal esforço convulsivo na obtenção do lucro pelo lucro é, no entanto, apenas uma decorrência absolutamente natural do domínio irrestrito do intelecto na vida humana, em detrimento do espírito. Como o intelecto é um produto do cérebro, que nada mais é do que um órgão do corpo material, ele só está apto a tratar da matéria e das coisa a ela relacionadas, devido à sua própria constituição. Jamais poderá, portanto, servir como guia absoluto para o ser humano, que é constituído de espírito propriamente, e que por isso mesmo possui incumbências muito mais elevadas, não podendo desperdiçar sua vida unicamente à cata de valores terrenos, invariavelmente perecíveis e efêmeros. O ser humano tão cheio de si e seu raciocínio descontrolado assemelham-se a um garboso cavaleiro montado num cavalo bravio, que ele acredita já ter domado há muito. O cavaleiro está orgulhoso das qualidades e do porte de seu cavalo, absolutamente convencido de que este lhe é submisso, estando sempre pronto a acatar suas ordens. Querendo mostrar então do que o cavalo é capaz, ele o esporeia com toda a força e o deixa galopar sozinho, com antolhos e sem rédeas, no caminho escolhido pelo próprio animal. Todavia, ainda que tal caminho esteja repleto de perigos e leve direto para um abismo, o cavalo xucro não se deterá diante de nada uma vez iniciada sua corrida louca, acabando por perecer junto com seu desafortunado dono. Desafortunado e bastante tolo também, é bom que se diga. É precisamente isto o que o intelecto faz com o ser humano quando ganha supremacia na vida dele, quando é por ele coroado e elevado a um trono de soberano que não lhe cabe, usurpado do espírito. O domínio irrestrito do http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 54


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

intelecto sobre o espírito, a preponderância do raciocínio frio sobre a voz da intuição é, em última instância, o motor dessa tresloucada, dessa desembestada corrida do lucro pelo lucro. É a causa principal, a verdadeira, dessa competição insana, que jamais reverterá em qualquer progresso e em nenhum bem estar geral. Muitíssimo pelo contrário. Trata-se de uma corrida insensata, disputada entre contendores insensatos, que só faz crescer ainda mais os níveis de desemprego, visto que o produto do trabalho nunca será páreo para a lucratividade advinda da especulação, na ótica míope da avaliação imediatista do raciocínio. Corrida gananciosa, de máxima insensatez, onde só haverá perdedores cruzando a linha de chegada.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 55


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XIV VIDAS SEM TRABALHO E TRABALHOS SEM VIDA Parte 2

Vamos ver agora o que está por detrás da excessiva oferta de mão-de-obra (tida como a segunda grande causa de desemprego no mundo), e analisar como deve ser executado um trabalho qualquer em conformidade com as Leis da Criação, para que o ser humano atue como um elemento beneficiador e não como um torrão de areia dentro da engrenagem que a movimenta, o qual, por fim, terá obrigatoriamente de ser lavado também durante o processo de limpeza ora em andamento, para não danificar o restante do conjunto da Obra. À primeira vista parece que a humanidade sofreu aqui um golpe injusto do destino, pois quem pode culpar quem ou o quê pela necessidade de sustentar seis bilhões de almas? A quem cabe a culpa pelo número quase inconcebível de habitantes neste planeta? Existiria, aliás, uma culpa por esse desequilíbrio tão evidente?... Naturalmente, existe uma culpa. E portanto também um culpado. Novamente, e como sempre acontece em todas as distorções que surgem na Natureza, a culpa cabe à própria humanidade. Uma culpa bem ampla na realidade, muito mais ampla até do que se pode supor inicialmente, ultrapassando de muito seus contornos mais exteriores não tão difíceis de serem reconhecidos, como deficiências de informação, políticas governamentais equivocadas, falta de educação básica, etc. É uma ampla culpa, de caráter espiritual. O completo domínio do intelecto sobre o espírito, desde milênios, fez com que este último se enfraquecesse paulatinamente, em decorrência do natural enrijecimento progressivo provocado pela falta de movimentação, a que foi obrigado pelo seu verdugo racionalista. O espírito enfraquecido foi perdendo assim, pouco a pouco, as ligações que mantinha com as alturas luminosas, que era o seu destino final, tornando-se cada vez mais suscetível a influências baixas. Através do afluxo contínuo dessas influências http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 56


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

negativas, trevosas, as paixões humanas foram instigadas até não mais poder, aí incluído o instinto sexual, que cresceu desmesuradamente até atingir o estágio de doença incurável e contagiosa que se vê hoje. Essa situação anômala, aliada à nefasta suposição secular de que a maternidade é o ideal supremo da feminilidade humana (quando não é), aumentou em muito os nascimentos terrenos. Só que não ficou nisso. A preponderância da vontade má no ser humano, decorrente da voluntária manietação do espírito e seu conseqüente distanciamento da Luz, facilitou às almas que aqui se encarnavam sobrecarregarem-se com novas culpas, sempre e sempre de novo. Ao invés de utilizarem a vida terrena como um estágio necessário para a ascensão do espírito, um degrau para a ascensão que ela de fato é, as almas se atavam cada vez mais à matéria com suas ações e convicções erradas, e com isso ficavam impossibilitadas de ascender. Tinham de voltar repetidamente à Terra, para uma nova encarnação, em razão dos fios de culpa que haviam adquirido em suas vidas anteriores. Através desse fenômeno antinatural, não previsto, o planeta foi-se enchendo mais e mais, inclusive com nascimentos em número cada vez maior de almas profundamente decaídas, que já haviam sucumbido de todo àquelas influências trevosas e que se encontravam até então em seus baixios correspondentes. Jamais essas almas poderiam ter ascendido até esta Terra e a infestado por inteiro como aconteceu, não fosse a ponte solicitamente estendida a elas pela sempre crescente vontade má do restante da humanidade. E assim chegamos à situação presente de superpovoamento global, em que milhões e milhões estão aqui encarnados em condição de miséria extrema, por culpa própria, totalmente excluídos da possibilidade de obter o seu próprio sustento. A humanidade como um todo fez mal uso do livre-arbítrio. Julgou ser em tudo auto-suficiente com suas limitadas capacitações cerebrinas e só conseguiu colher desgraça sobre desgraça, como efeito natural e inevitável de sua desobediência voluntária, consciente, às Leis estabelecidas pela Vontade de seu Criador, a Quem ela não conhece mais. Foram igualmente esses dois maiores inimigos da humanidade: o domínio irrestrito do intelecto e a concomitante indolência do espírito, que cuidaram de eliminar também todos os impérios que já passaram por aqui, tidos e havidos como eternos em suas respectivas épocas, mas cujo apogeu nada mais era no fundo do que uma mistura pútrida de cobiça, crueldade, imoralidade e várias outras excrescências, encobertas todas com um verniz de glória aparente, pintado pela violência e lustrado pela arrogância. Acaso alguém supõe que agora, em nossa época, o processo será diferente? Vale http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 57


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

lembrar que as Leis da Natureza são as mesmas de outrora, que elas são imutáveis, eternas. Essas Leis eternas, porém, sempre impulsionam tudo para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento. Única e exclusivamente. Desse processo faz parte também a eliminação automática de todo o errado e insano, seja em nações, povos, coletividades ou no próprio indivíduo. Por essa razão, mesmo quando somos atingidos dolorosamente pelos seus efeitos, estamos a receber bênçãos na realidade. Bênção para o espírito, que é o que conta realmente. Para as pessoas ainda vivas em si, até mesmo a dificuldade de obter um emprego pode ser útil, quando as obriga a encarar a vida terrena e a época atual com a seriedade que lhe são devidas. Essas pessoas boas, porém, podem ter certeza absoluta de que tal situação é passageira, que não ficarão desamparadas se a sua vontade for realmente pura, se o seu esforço em encontrar uma saída for incansável e, sobretudo, se o seu anseio em melhorar como seres humanos for inabalável. Pois mesmo na difícil situação de desempregado cada qual continua a forjar o seu próprio destino, o seu futuro, segundo a sua maneira de ser e de atuar no presente. Uma vida cômoda é para incontáveis criaturas um enorme risco à vivacidade de seus espíritos. A comodidade é para elas um veneno, porque são fracas demais para se manterem ativas no espírito numa situação de maior conforto, deixando-se de bom grado embalar por ele numa sonolência entorpecedora. Acontece, porém, que a sonolência espiritual é o primeiro degrau descendente rumo ao sono letal, à morte espiritual, o que de mais terrível pode acontecer a um ser humano. Por isso, dificuldades terrenas de qualquer espécie, mesmo sendo sempre efeitos de uma atuação anterior contrária às Leis da Criação, são muitas vezes dádivas dos céus quando atingem uma pessoa ainda boa em si, ao forçá-la a redirecionar seu modo errado de viver e a se manter em contínua vigilância espiritual e terrena, através de tão múltiplas e fortes vivências. E mais importante ainda do que ter uma ocupação, é a maneira pela qual exercitamos nossas funções dentro dela. Quantas pessoas não há que possuem uma renda considerável, ou que ainda dispõem de um bom emprego, de um bom salário, e no entanto executam suas atividades como mero dever de ofício, mecanicamente, com o olhar e o pensamento voltados exclusivamente para as horas futuras de lazer, quando então poderão se ver livres do que consideram um fardo inevitável. São aquelas eternas insatisfeitas, sempre dispostas a tornar um pouco mais amarga a vida de seus semelhantes e a delas próprias.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 58


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Com este modo de agir, porém, elas se excluem por inteiro das bênçãos proporcionadas pelo trabalho. Alijam de si a alegria de executar suas atividades com presteza e dedicação, pouco importando do que se trate. Rejeitam a satisfação simples – mas indescritível em sua plenitude – de contemplar com regozijo um trabalho bem feito. O seu próprio. Se não podem sempre “fazer o que gostam”, então “não se sentem realizadas”, conforme lhes ensinam não poucos manuais de auto-ajuda, verdadeiras pragas escritas contra a felicidade. Sim, porque o verdadeiro lucro advindo de um trabalho, assim como em tudo o mais, são as vivências proporcionadas ao espírito humano durante a sua realização, pois unicamente estas fazem-no amadurecer e ascender. A remuneração pelo trabalho executado só é de proveito a uma pessoa aqui na Terra, mas as vivências que adquiriu durante sua consecução ela leva consigo para o outro lado, como legítimo substrato de sua existência, como verdadeiro tesouro de sua alma. Se as pessoas encarassem suas atividades profissionais, quaisquer que sejam elas, como oportunidades preciosas de crescerem como seres humanos, cientes de estarem contribuindo para o aperfeiçoamento do mundo e delas próprias ao executarem-nas com dedicação, então a insatisfação injustificada desapareceria logo, como que por encanto. A insatisfação pelo trabalho deve ser creditada também às ponderações intelectivas que nos assaltam, já que o intelecto só consegue eleger como alvo máximo coisas pequenas, ínfimas mesmo, como alegrias e prazeres passageiros. O que não se enquadra nisso ele classifica logo de indesejável e inútil. E descarta. Por si só nunca chegará a compreender que o verdadeiro valor de um trabalho está na forma como é executado. A satisfação obtida pelo trabalho executado com presteza preenche o espírito humano, faz com que ele se sinta, com todo o direito, uma peça realmente útil e necessária na engrenagem que movimenta a Criação. Seu trabalho passa assim a ter vida, torna-se realmente vivo, espiritualizado, uma fonte de alegria constante para ele e seu ambiente. Uma alegria genuína, perene, que se constitui na mais bela oração, no maior agradecimento que ele pode ofertar ao seu Criador pela graça incomensurável de poder existir.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 59


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XV OVELHAS NEGRAS, MÃES DE ALUGUEL

Depois do próprio choro, a segunda coisa que um recémnascido é obrigado a ouvir assim que aporta neste mundo tão pouco acolhedor, são os comentários de pais e parentes sobre sua bagagem hereditária, já nitidamente reconhecível no corpo infantil. “Mas é a cara do pai!”, diz o primeiro fatalmente; “A boca é da mãe, não há dúvida!”, assevera outro; “Pode ser, mas a orelha é do tio Fulano!”, retruca um terceiro. E por aí vai. A partir dos primeiros anos da infância surgem então outras características mais sutis, próprias do temperamento, reconhecidas igualmente como “de família”. Um dos filhos, por exemplo, parece ser mais quieto, sempre com aquele jeito meio taciturno do pai, ao passo que o outro dá mesmo a impressão de ter saído à mãe, já que é bem mais falante. Ainda outros aspectos, próprios da personalidade, manifestam-se paulatinamente ao longo dos primeiros anos de vida. Embora largamente conhecida e reconhecida, essa regra de hereditariedade comportamental apresenta uma particularidade um tanto intrigante, surpreendente mesmo: ela nem sempre funciona. De fato, às vezes (muitíssimas vezes na realidade) ela falha fragorosamente, sem qualquer explicação plausível. Quantos casos não há, por exemplo, em que numa família de pais visivelmente bons, com um ou dois filhos também bons, normais, surge um terceiro que é uma verdadeira peste, uma autêntica http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 60


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

praga bíblica? Por quê, num caso desses, apenas os traços físicos continuam sendo herdados, sem exceção, mas não as peculiaridades do caráter? O que faz essa lei aparentemente descambar aí sem motivo e produzir as famigeradas, as temíveis “ovelhas negras”, verdadeiros clones de desgraça concentrada e de hospedagem compulsória? Sempre que nos depararmos com alguma aparente incongruência no efeito de leis naturais, temos de procurar a causa desse malogro em nós mesmos, em nossa interpretação, e não nas próprias leis, que são absolutamente perfeitas e que exatamente por isso jamais admitem qualquer falha, a menor exceção, nenhum desvio. A hereditariedade está adstrita ao corpo humano. Exclusivamente a este. Trata-se de uma peculiaridade de ordem material, estritamente física. Características corpóreas e predisposições genéticas podem, sim, ser transmitidas de pai para filho, mas não a personalidade, não o caráter. Tais atributos são exclusivos do espírito humano, angariados por ele mesmo em sua peregrinação pela Criação, e por essa razão a própria alma já os traz consigo por ocasião da encarnação. A alma é o invólucro do espírito, assim como o corpo é o invólucro da alma. Ambos os invólucros não têm vida autônoma, mas são apenas vivificados pelo espírito, o único realmente vivo no ser humano, que, aliás, é o próprio ser humano, aquilo que ele sente como sendo o seu “eu”. O corpo infantil, portanto, nada mais é do que um invólucro material em processo de desenvolvimento, que abriga uma personalidade humana já plenamente formada, cujas características intrínsecas (boas ou más) tornarse-ão reconhecíveis quando o espírito se tornar apto a atuar neste mundo através do corpo terreno já maduro, o que ocorre nos anos da adolescência. Nesta época surge então o verdadeiro ser humano, como ele realmente é. Pode-se dizer que é nesta época que o espírito humano nasce propriamente para a sua atuação aqui na matéria. Antes ele não podia fazer isso, porque o seu instrumento, o corpo terreno, ainda não estava plenamente amadurecido, não estava “pronto” por assim dizer. A hereditariedade é unicamente material. No máximo, pode-se divisar alguns traços comuns de temperamento entre pais e filhos, mas não mais do que isso. Traços de temperamento podem ser transmitidos por http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 61


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

hereditariedade, porque ele, o temperamento, está estreitamente ligado ao corpo, mais especificamente à composição do sangue. Mas mesmo nesses casos o respectivo ser humano tem a possibilidade e até o dever de dominar seus temperamentos, visto que o corpo é e permanecerá sempre apenas uma mera ferramenta para a atuação do espírito. O espírito tem, pois, de dominar o corpo, e não o contrário. Por essa razão, quando uma pessoa afirma, com ar desalentado, não ter como evitar seus rompantes, já que herdou tal destempero do pai ou da mãe, está na verdade fazendo uma confissão aberta de preguiça espiritual. Mostra com isso ser demasiadamente fraca para dominar a si mesma. E como explicar então o aparecimento das ovelhas negras? Seria uma loteria da natureza? Um azar do destino? Vamos começar descartando, como já visto, aquela hipótese de uma falha nas leis da Criação e procurar aprofundar nosso conhecimento sobre elas, de maneira a obter uma interpretação correta dos seus efeitos. Não existem acasos numa encarnação, assim como não existem acasos em fenômeno algum da natureza. Uma alma não pode se encarnar num determinado lugar, numa certa condição material e numa família específica se não tiverem sido satisfeitas as disposições para isso, determinadas por leis primordiais. Uma encarnação é o resultado final de múltiplas contingências, determinadas por fios do destino que se sobrepõem e se entrelaçam, urdidos em vidas terrenas anteriores, assim como pela concomitante atração da alma pela sua espécie igual. Justamente essa atração da igual espécie constitui uma lei fundamental da Criação, de especial importância numa encarnação. A alma prestes a encarnar é assim atraída para aquele local, para aquela família cujas pessoas têm afinidades anímicas com ela. Força especial de atração exercem justamente as fraquezas, porque são elas que precisam ser dirimidas numa vida terrena. Desse modo, cada vida aqui na Terra é uma oportunidade sem igual para se corrigir antigos erros, sobrepujar fraquezas e evoluir espiritualmente. A vida terrena é, portanto, uma autêntica dádiva dos céus. Mas exteriormente parece haver realmente uma hereditariedade espiritual, quando se nota que uma criança puxou uma determinada característica de http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 62


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

comportamento do pai ou da mãe. Na realidade, porém, foram os pais que propriamente “puxaram” aquela alma específica para dentro da família, conforme suas próprias características anímicas. Não é difícil compreender que a gestante, especialmente, possui uma força incisiva de atração, já que a alma vai se encarnar no corpo em formação dentro dela. Por isso, também não é difícil entender que mães com características anímicas negativas não podem absolutamente atrair uma alma muito pura, um ser humano bom e elevado. Ela e o seu companheiro têm, pois, de receber em casa um hóspede com vícios e pendores. Com vontade boa ambos os lados, pais e filhos, têm ensejo de vivenciar seus próprios erros uns nos outros, nessa convivência difícil, e eventualmente até de remi-los se estão realmente empenhados em melhorar como seres humanos. Com vontade má, porém, essa situação os faz angariar ainda novas culpas por cima das antigas, e conseqüentemente novos sofrimentos. Sofrimentos e dores renovados, angariados por culpa própria portanto. Sempre e unicamente por culpa própria. No caso de ovelhas negras de pais bons, o que acontece é que durante a gestação a mãe se permitiu rodear de pessoas animicamente pouco limpas em seu convívio social, consentindo que essas exercessem uma tal força de atração em volta dela que apenas uma alma turva pôde encarnar-se ali. Esta consegue então ancorar-se na mãe através da presença constante daquelas pessoas de características negativas. A encarnação ocorre no meio da gravidez. Por isso, até essa época a gestante deve observar o máximo cuidado em suas relações pessoais. Na verdade deve observar sempre, mas o descuido nisso até a metade da gestação vingar-se-á amargamente no futuro. O fruto de seu ventre será também o de sua própria negligência. Quão amargo é, ela saberá na época da maturação, na adolescência. Essa força de atração na encarnação, infelizmente desconhecida e por isso mesmo desconsiderada, explica também as aparentes incongruências no comportamento de tantas das assim chamadas “mães de aluguel”. Essas locadoras de úteros oferecem gestação para um casal impossibilitado de ter filhos, devido a um problema qualquer. O óvulo da mulher que não pode engravidar é fertilizado “in vitro” com o espermatozóide do companheiro e http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 63


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

posteriormente implantado na mãe de aluguel. Para todos os efeitos, a criança assim gerada seria então realmente filha do casal contratante, já que a carga genética dela provém de ambos. Mas apenas o corpo, o invólucro da alma, é formado segundo os padrões genéticos do casal. O espírito que vai se encarnar ali é atraído infalivelmente pela própria mãe de aluguel, sendo, portanto, filho dela efetivamente. Pode tratar-se, por exemplo, de um ser humano ligado por vários fios cármicos àquela mãe de aluguel, sejam eles bons ou ruins, tecidos em vida anteriores. Por isso, em muitos casos, a mãe de aluguel se desespera quando se vê obrigada a entregar o seu filho – que está de fato ligado a ela – a uma estranha, que geralmente não contribuiu no processo de atração. O contrato terreno, frio, analisado rigorosamente pelo intelecto restrito, atesta que o filho é do casal, enquanto que a mulher que deu à luz sente perfeitamente que o filho é seu, pois sua intuição em relação a esta certeza é muito mais forte do que qualquer argumento legal ou consideração racional. Assim como nesses casos de ovelhas negras e mães de aluguel, muitos outros enigmas da atualidade, tidos como indecifráveis, encontram uma explicação simples e lógica quando se conhece os efeitos das Leis da Criação. Uma dessas Leis, a Lei do Movimento, exige que cada qual se movimente espiritualmente por si, em busca do reconhecimento da atuação dessas mesmas Leis. Quem então se movimentar realmente, este então tem de chegar ao reconhecimento dessas leis que regem a Natureza. Nem é possível diferentemente. Mas somente quem procura, encontrará.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 64


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XVI A FALÁCIA DA PERSONALIDADE HEREDITÁRIA

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Minnesota estudou a vida de 8 mil pares de gêmeos durante vinte anos, na tentativa de descobrir a influência da hereditariedade na formação da personalidade humana. Especial atenção foi reservada aos casos de gêmeos idênticos separados pouco depois do nascimento, e que na vida adulta acabaram se reencontrando. Segundo os cientistas, as semelhanças comportamentais verificadas nesses casos devem ser atribuídas a fatores genéticos e não a circunstâncias externas, já que ambas as pessoas possuem idêntica carga genética e sofreram influências ambientais distintas. O número de vezes que uma determinada característica se repetia nesses pares de gêmeos, em relação ao total de grupos pesquisados, foi considerado então como o percentual de influência genética para o desencadeamento dessa característica. Assim, a felicidade ficou definida como um sentimento 50% genético, já que do total de pares de gêmeos pesquisados que se reencontraram, metade se declararam felizes. A ansiedade e a susceptibilidade, por sua vez, demonstraram ter um padrão genético de 50% e 60% respectivamente. Já a agressividade apresentou um componente genético tão preponderante, que o estudo chega a sugerir que a criminalidade pode, de fato, ser transmitida de pai para filho... Algumas patologias também foram definidas como hereditárias por esse critério. Os pesquisadores mostram-se tão seguros dos resultados obtidos que descem a algumas firulas de extrema ousadia, como a afirmação de que “o hábito de consumir café é mais facilmente herdado que o de tomar chá”, o que talvez possa ser explicado pela injustificada ausência de gêmeos ingleses no universo pesquisado. Em suma, o estudo quer fazer crer que todas as coincidências encontradas nas personalidades dos gêmeos têm, necessariamente, de estar relacionadas à atividade de um gene comum. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 65


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Esse “necessariamente” é encontrado com bastante freqüência em trabalhos científicos, estampado estrategicamente aqui e acolá como um escudo contra intromissões indesejáveis. Assim como outros escudos adverbiais semelhantes, também este tem a função de encobrir a ignorância, seja ela consciente ou não. Trata-se de uma espécie de anteparo protetor, até bem eficiente para rechaçar alguns tímidos questionamentos ou dúvidas, mas que se mostra extremamente frágil quando atingido por um olhar indagador penetrante, que o atravessa como se não existisse e vê com total clareza o que se esconde por detrás dele: a incrível restrição inerente ao assim chamado “método científico”. Um método na verdade por demais limitado, que em tudo só pode distinguir meros efeitos físicos, que só está apto a discernir e assimilar – devido à sua própria constituição material – contingências terrenais unicamente. Um método tão restrito quanto prepotente, pois tudo quanto está acima dos conceitos terrenos de tempo e de espaço, tudo quanto não é terrenamente visível e palpável, tudo, enfim, que lhe é de antemão inatingível por natureza, ele arrasta à força para dentro do seu estreito campo de atuação e visão, sem medir conseqüências, comprimindo-o nas suas diretrizes tão limitadas, tão delimitadas, a fim de torná-lo mais ou menos compreensível. Pouco importa aí que se incorra em erros crassos, inevitáveis quando se faz uso desse método para analisar fenômenos que se desenrolam além da possibilidade de assimilação da ciência terrena. Para os auto-obliterados seres humanos de raciocínio da época atual, uma tentativa de explicação superficial já é plenamente suficiente, já lhes basta. Desde que, é claro, ela esteja necessariamente inserida numa teoria científica qualquer, o que lhe granjeia imediata credibilidade e a iça ao patamar de “verdade provisória inquestionável”, titulação necessária e suficiente para fazer jus à admiração indiscriminada da comunidade científica e à idolatria irrefletida da legião de adeptos. No meu artigo “Ovelhas Negras, Mães de Aluguel”, afirmei que diversas contingências contribuem para a efetivação de um nascimento terreno. O acaso, porém, não é uma delas. As muitas coincidências verificadas nas vidas dos gêmeos apenas indicam que essas pessoas formaram o seu destino de maneira muito semelhante, através de seu atuar em outras vidas. Por conseguinte, puderam se encarnar

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 66


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

nas mesmas circunstâncias terrenas nesta atual vida, recebendo freqüentemente na mesma forma o efeito da reciprocidade de suas ações. Se 50% dos gêmeos pesquisados são felizes, então significa simplesmente que metade deles formaram o seu destino de tal forma que puderam ser felizes nesta atual vida terrena. Será uma lastimável perda de tempo continuar a desenrolar o DNA humano na tentativa de se encontrar um gene desencadeador da felicidade. Não se achará nada aí. Somente o espírito humano, como único realmente vivo, tem a prerrogativa de buscar e encontrar a felicidade, e não o corpo terreno, que nada mais é do que um invólucro do espírito, uma simples ferramenta para utilização na vida terrena. O mesmo se dá com as demais características supostamente herdadas, apontadas no estudo. Por isso, ninguém tem motivo para agradecer nem direito de lamentar a própria carga genética pela manifestação de uma característica boa ou má da personalidade. Quem quiser conhecer a origem propriamente da formação da personalidade tem de ir mais fundo em sua busca, acima e além do mero invólucro material chamado “corpo”, tantas vezes confundido com o verdadeiro “eu” do ser humano. O sentimento do “eu” provém do espírito exclusivamente, é o próprio espírito, único responsável pela formação da personalidade e de tudo quanto atinge a criatura humana, quer sejam coisas boas ou más, quer se efetivem já aqui na Terra ou somente no “além”. Certamente muitos males corpóreos apresentam um grau maior ou menor de predisposição genética, ou são mesmo integralmente hereditários. Isso, porém, não significa que padecer ou não deles seja uma loteria, pois nada existe que possa atingir o ser humano sem que ele mesmo tenha dado a causa. Não existem acasos nos efeitos das leis que regem a Criação. Crianças portadoras de doenças hereditárias foram atraídas animicamente na encarnação justamente para pais capazes de transmitir uma tal doença a seus descendentes. O carma anímico formou a ponte de atração para aqueles pais. E muitas vezes a alma encarnada traz no corpo terreno apenas o risco, herda apenas o perigo de contrair uma determinada doença pela predisposição genética, a qual pode ou não efetivar-se segundo determinadas circunstâncias. Tais circunstâncias, mais uma vez, são estabelecidas pela própria conduta de vida dessas pessoas. É o caso, por exemplo, da eclosão ou não do câncer http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 67


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

pela ação dos assim chamados “oncogenes”, eles mesmos podendo ou não surgir dos “protooncogenes”. A ciência já sabe que quando ativados os oncogenes desencadeiam o câncer, mas nem desconfia que está nas mãos da própria pessoa, exclusivamente, permitir ou não que isso ocorra, não apenas como decorrência do seu modo de vida exterior, mas, principalmente, pela sua vida interior. Um carma pesado, pronto a se efetivar integralmente através de uma doença séria, não precisa abater-se com toda a sua potencialidade sobre uma pessoa. Mesmo numa situação de perigo como esta a criatura humana não fica desamparada, não se encontra indefesa. Mesmo aqui é ela própria a determinar sua senda, a fornecer os fios com que o tear da Criação tece o tapete do seu destino. Se ela se esforçar realmente em melhorar em tudo, em purificar a sua vontade, seus pensamentos, suas palavras e ações, se procurar enobrecer tudo o que com ela entra em contato, então não concederá mais nenhuma ancoragem para a efetivação integral de um carma grave. Como ela melhorou por esforço próprio, como ascendeu espiritualmente de patamar, então também não tem mais em si a mesma espécie do retorno cármico ruim. Não pode mais ser atingida integralmente pelo carma ruim a ela ligado, pelo simples fato de que espiritualmente não se encontra mais lá em baixo, naquele mesmo nível de quando o gerou por meio de uma atuação errada qualquer. O efeito cármico danoso só poderá assim atingi-la de modo muito enfraquecido, bastante atenuado, simbólico até, com o que então será remido da mesma forma. E carma remido significa culpa expiada! Outro caminho não há para o perdão dos pecados. A atração da igual espécie – uma das leis da Criação – co-participa também aqui automaticamente, cuidando para que o efeito retroativo seja justo até as minúcias neste processo. Quanto melhor um ser humano tornar-se interiormente, tanto menos será ele atingido por efeitos cármicos ruins, seja em quantidade, seja em intensidade. Mais uma vez se reconhece que tudo, mas tudo mesmo, está sempre nas mãos do próprio ser humano. Unicamente ele é senhor do seu próprio destino, unicamente ele decide o que vai encontrar em sua peregrinação: dor ou alegria, sofrimento ou felicidade, perdição ou salvação. Ele decide, ele planta, ele colhe.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 68


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XVII O QUE VEM DEPOIS DA MORTE?

Para quem se contenta com respostas prontas para as questões fundamentais da existência humana, também aqui, como em tudo o mais, não precisará fazer nenhum esforço de aprofundamento interior. Só terá o trabalho de escolher. Pois cada religião, seita ou filosofia já tomou a si esse encargo e pôs a disposição dos interessados uma concepção toda particular da vida após a morte, a qual acaba valendo automaticamente para bem determinadas regiões do globo, segundo a área geográfica em que essa crença se disseminou. Assim, à parte incontáveis nuances de denominações e interpretações, a maioria dos ocidentais irá para algum lugar semelhante ao céu ou ao inferno, conforme tenha seguido ou não as diretrizes de sua crença, enquanto que os orientais se desfarão em alguma espécie de nirvana ou se encarregarão de velar pelos que ficaram no mundo dos vivos. Já os materialistas, que apesar de apátridas espirituais são contados aos milhões em todos os países da Terra, vão ao encontro do ansiado (por eles) “nada absoluto”. No extremo oposto estão aqueles que devotam sua vida em busca da solução dos mistérios insondáveis da vida e da morte, mas que o fazem apoiados exclusivamente no raciocínio, o que já impossibilita de antemão http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 69


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

qualquer reconhecimento mais elevado. Como o raciocínio nada mais é do que um produto do cérebro terreno, ele nunca será capaz – em razão de sua própria constituição – de perscrutar coisas que estão acima dos conceitos terrenos de espaço e de tempo. Por isso, os que fazem parte desse grupo não estão em melhores condições do que os primeiramente mencionados, que aceitam placidamente, apaticamente, qualquer esclarecimento transcendental através de terceiros. Nenhum doutorado em teologia serve de salvo-conduto e muito menos de escolta para o além. Ambos os grupos, na realidade, comungam do mesmo mal, denominado “crença cega”. Denominação essa, a bem dizer, apropriadíssima, já que nenhum dos seus integrantes consegue realmente ver através dos antolhos impostos por uma crença ou estudo rígido, sem vida, edificados exclusivamente sobre ponderações intelectivas. Já em relação aos materialistas não se trata propriamente de antolhos, mas de uma mortalha espiritual tecida com espantoso afinco por eles mesmos, com a qual se envolvem dos pés à cabeça para desfilar pela vida com mal contido orgulho. Não há realmente porque perder tempo nem palavras com esses tais, que diligentemente cavam a sua própria sepultura espiritual. Que prossigam, pois, nessa sua tarefa que lhes parece tão importante, tão edificante, de se enterrarem mutuamente na cova coletiva. Somente uma parcela ínfima da humanidade encontra-se em condições de perscrutar realmente o que a aguarda do outro lado da vida. São aqueles poucos que ao invés de se curvarem às imposições do cérebro seguem altivos os ditames do coração; são os que procuram ouvir e seguir a voz de seu íntimo, a intuição, em contraposição às ordens do raciocínio. São os que em matéria de fé só aceitam aquilo que podem compreender, e que somente assim permitem que se torne vivo dentro deles. São aqueles efetivamente donos de si mesmos, de seu próprio destino, mas não escravos do intelecto ou de dogmas rígidos. E estes assim libertos são poucos. Infelizmente. Mas são justamente estes que intuirão, com certeza cristalina, que cada qual por fim só poderá encontrar do outro lado aquilo que ele mesmo forjou para si, através de tudo quanto dele emana, quer se trate de pensamentos, de ações, ou da vontade interior. Nada diferente disso. Saberão, com toda a clareza, que na outra vida simplesmente não pode http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 70


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

haver mais nenhuma distinção nem separação de credos de qualquer espécie, nenhuma diferenciação engendrada pelo raciocínio terreno. Lá não há mais ideologias, não há mais hinos nem bandeiras, não há mais dinheiro nem honrarias. Não há mais cristãos, judeus, muçulmanos, espíritas, hinduístas, budistas ou xintoístas, mas tão-somente almas humanas, simples almas humanas que têm de prestar contas de como utilizaram o tempo a elas outorgado aqui na Terra. Lá não conta mais nenhuma forma exterior de crença cega, mecanicamente decorada, mas apenas a verdadeira crença interior, e na medida exata em que esta é realmente viva no respectivo espírito humano. É o conteúdo, e não a forma, que conta. Naquele mundo o que vale é a legitimidade da veneração ao Criador e a vivacidade da gratidão para com Ele, e não a quantidade de orações recitadas durante os anos terrenos. O que tem valor lá é o verdadeiro amor ao próximo, profundamente intuído, e não o número ou valor das esmolas distribuídas na Terra, como supõem tantos em sua tola esperança, não confessada, de que estas lhes devam ser creditadas de alguma maneira na outra vida, como um investimento metafísico de retorno garantido. Unicamente uma crença viva, vivificada pela própria pessoa, pode transformar-se em convicção, e unicamente a convicção íntima é capaz impulsioná-la a ascender espiritualmente, a tornar-se um ser humano sempre melhor, preceito que, aliás, sempre foi o fundamento de toda doutrina verdadeira. Somente mais tarde, quando os seguidores e dirigentes dessas puras doutrinas originais resolveram “aperfeiçoá-las” por conta própria, é que este ensinamento tão fundamental foi relegado para o segundo ou até terceiro planos, ou mesmo completamente suprimido. Em seu lugar foram então inseridas as formas vazias de crença cega, que não exigem nenhum esforço de aperfeiçoamento interior e que por isso mesmo sempre receberam calorosa acolhida por parte dos adeptos, em razão de sua crônica indolência espiritual. A cantilena milenar dos dogmas cuidou de embalar seus espíritos, já semi-adormecidos, num seguro sono de morte espiritual. Somos nós, nós mesmos que produzimos o material com que é formado o mundo em que adentraremos após a nossa morte. Esse material de construção de que dispomos são as ações, os pensamentos e as intuições. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 71


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

São esses os tijolos invisíveis com os quais é construído o tão temido “além”. E não é possível ascender a outros planos da Criação sem entrar primeiro neste mundo e lá permanecer durante algum tempo, mundo este que se encontra mais próximo da nossa Terra de matéria grosseira. Também só estará apto a prosseguir na ascensão espiritual, até o Paraíso, quem puder entrar num mundo belo, correspondentemente mais elevado, construído em conformidade com as leis da Criação, que tudo impulsionam para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento. Essas leis da Criação, ou leis naturais, são de tal simplicidade, são de tamanha lógica e clareza, que fogem à compreensão do ser humano moderno. Sim, são tão simples que ele não é mais capaz de compreendêlas, impedido que está pelos sofismas de seu raciocínio. E, no entanto, elas perfluem toda a Criação, atuando por conseguinte também aqui embaixo, em nosso pequeno planeta, com idêntica inflexibilidade, imperturbáveis, em seu ritmo eternamente uniforme. Se nos esforçássemos em afastar para o lado aqueles antolhos, por pouco que fosse, de modo a poder perscrutar com espírito livre essas leis da Criação, já seria possível reconhecê-las sem maiores dificuldades. Sabemos, por exemplo, que numa plantação de arroz não pode brotar nenhum ramo de trigo, e que numa de feijão jamais surgirá um grão de soja. Por isso, se semearmos cardos estamos certos de que não poderá surgir dessa semeadura nem uma única flor sequer. Disso ninguém duvida, de tão óbvio. Contudo, a mesma lei natural que atua aí de modo tão implacável, não admitindo o menor desvio em seus efeitos, essa mesma lei age igualmente sobre o ser humano. Nem poderia ser diferente, já que ele nada mais é também do que um mero fruto da Criação, como tantos outros. Quando Jesus pronunciou a sentença: “O QUE O SER HUMANO SEMEIA, ISSO ELE COLHERÁ”, estava transmitindo o enunciado dessa lei, denominada “Lei da Reciprocidade”. Essa lei da Criação, que atua tão inflexivelmente em relação às sementes produzidas pela Natureza, a ponto de nem nos darmos conta dela, atua também com a mesma inflexibilidade, com a mesma segurança e implacabilidade em relação às sementes produzidas pelo próprio ser humano, que são as suas intuições, seus pensamentos, suas palavras e suas ações.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 72


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Essas sementes humanas são igualmente plantadas no “outro mundo”, de consistência material diferente, mais fina, produzindo também os respectivos frutos, que terão de ser colhidos e degustados obrigatoriamente pelo dono da sementeira, isto é, por quem as gerou. O que este gerador não colher aqui na Terra, como efeito retroativo dessa mesma Lei da Reciprocidade, colherá infalivelmente nesse assim chamado “além”. Após a sua morte ele terá de ir então para o mundo que ele próprio ajudou a formar, através dos efeitos irretorquíveis das leis da Criação, usufruindo alegrias ou padecendo tormentos, lado a lado com almas da mesma espécie que a dele. Por isso, está nas mãos do próprio ser humano não apenas forjar o seu destino aqui na Terra, mas também escolher categoricamente que tipo de mundo irá habitar depois da morte. Ele mesmo cria para si este mundo de acordo com a sua semeadura, o qual pode ser então agradável, cálido, cheio de luz e alegria... ou o próprio inferno.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 73


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XVIII AS CHAMAS QUE CONSOMEM O MUNDO

Para quem cultiva o destemido hábito de acompanhar com atenção os acontecimentos mundiais, há de ter causado espanto observar a lista de títulos superpostos com que o ano de 2001 foi e continua sendo laureado. Assim, ele foi o “ano que entrou para a história”, o “anotragédia”, o “ano que marcou o início do século XXI”, o “ano-sangrento”, entre outros epítetos igualmente superlativos. O espanto não é suscitado propriamente pelos acontecimentos, sem dúvida trágicos, que marcaram o fatídico, semi-apocalíptico ano de 2001, e que abalaram tantos corações e mentes em todo o mundo. O que seguramente deixou espantado qualquer observador atento foi constatar que essas classificações só ocorreram agora, em que a nação americana foi tão duramente golpeada pelo terrorismo e arrastada a um imbróglio políticoreligioso-militar de conseqüências francamente inimagináveis, ou, melhor, que nem queremos imaginar. De fato, tudo indica que o revide de Tio Sam não se limitará ao desmantelamento de uma rede terrorista, mas que se voltará agora contra o recém-eleito “Eixo do Mal”, ou então contra outros Eixos desse mesmo naipe, que de tempos em tempos teimam em se levantar contra os idolatrados valores democráticos. Sim, é inquestionável: o ano de 2001 foi realmente um “ano-tragédia”. Acontece que o ano de 2000 também foi trágico. Foi marcado por guerras fratricidas que dizimaram milhares e milhares de pessoas em todo o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 74


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

mundo; registrou o mais inquietante avanço da AIDS de até então, em sua sinistra tarefa de varrer nações africanas de seus habitantes; viu países serem convulsionados por catástrofes climáticas sem precedentes; constatou o aumento avassalador das doenças ditas psiquiátricas, como a depressão e a síndrome do pânico, que cuidaram de dilacerar impiedosamente inúmeras almas angustiadas; observou, impotente, o metódico crescimento da fome, da miséria e da desesperança no planeta, assim como o feroz irromper de moléstias que se julgavam extintas há muito, ou, pelo menos, razoavelmente controladas. O ano de 2000 foi, portanto, bastante trágico. Assim como o foram, a seu modo, os anos de 1999, 1998 e 1997. Na verdade, toda a década de 90 foi trágica. E se fizermos uma retrospectiva rigorosa, verificaremos que a década de 80 foi igualmente marcada por tragédias sem precedentes até então. O mesmo se verifica com a década de 70... O rol das tragédias humanas não deu até agora nenhum sinal de esgotamento, ao contrário, estas apenas mudaram de patamar, recrudescendo em quantidade e intensidade ao longo das últimas décadas. Aqueles que até há pouco ainda defendiam alegremente o ingênuo conceito de “fim da história” (indisfarçável exteriorização de um anseio íntimo), já devem estar bem desapontados nessa altura dos acontecimentos. Ao contrário do que imaginavam, o patético desfecho de uma das grandes tragédias contemporâneas, o comunismo, não sinalizou o “fim da história humana”, mas sim o iminente “fim da história da humanidade”. Uma diferença nada sutil, que não se restringe a uma mera questão de semântica. Pois não é a história que vai acabar, e sim a própria humanidade, esta humanidade atual, é que está com seus dias contados... 2001 “entrou para a história” porque, desta vez, uma das inúmeras tragédias que vêm assolando diariamente o mundo há décadas se abateu no coração da pátria americana, e não no quintal de seus vizinhos africanos e asiáticos. Se uma outra tragédia de grandes proporções se abater em algum dos países da comunidade européia, então o respectivo ano em curso seguramente também “entrará para a história”, ao lado do pioneiro 2001. Para a mídia, governos e povos, o que parece ditar a dimensão de uma tragédia é basicamente o local onde ela ocorre, e não sua magnitude.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 75


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Contudo, os anos que temos pela frente também entrarão para a história, na concepção primeiro-mundista. Angariarão para si esse duvidoso status ao retribuírem à humanidade inteira um sofrimento cada vez maior, crescente ano após ano, o qual não mais poderá ser escamoteado por ninguém. Um sofrimento coletivo que já vem, sim, aumentando imperturbavelmente há décadas, como efeito recíproco da conduta errada do ser humano ao longo de milênios, em sua atuação diametralmente oposta à preconizada pelas Leis que regem a Criação. Um sofrimento atroz, justo, cada vez mais intenso, que tal como uma trombeta do Juízo Final ainda procura despertar uma parte da humanidade de seu profundo sono espiritual. Pois apenas um ser humano desperto espiritualmente pode transpor conscientemente as mós da Justiça divina. Do ponto de vista das Leis naturais, o ser humano é apenas uma criatura que não deu certo, ou, melhor dito, que não quis dar certo, já que sempre dispôs de seu livre-arbítrio e de auxílios quase indescritíveis para trilhar o caminho verdadeiro. A criatura humana, porém, rejeitou invariavelmente todos os auxílios e prosseguiu cegamente em seu desenvolvimento errado. Desse modo, ela se apresenta hoje diante da natureza como uma espécie nociva, que por essa razão necessita ser exterminada, para que a Criação como um todo não sofra permanentemente. Trata-se de um processo de limpeza em âmbito planetário. É como se o mundo inteiro estivesse sendo consumido por um incêndio descomunal, depurativo, que se alastra por toda a parte de modo devastador, consumindo impiedosamente todo o mal por meio de chamas trágicas. Chamas em forma de tragédias. E as labaredas desse incêndio gigantesco são continuamente reavivadas pelo vendaval do mau querer humano remanescente. Assim, é a própria humanidade que força sua inevitável destruição. O fogo queima e destrói o próprio mal que o gerou e que ainda o nutre. São, portanto, chamas purificadoras, e nada nem ninguém será capaz de apagá-las. Elas só se extinguirão quando todo o mal tiver sido erradicado da Terra, seja lá onde for que tiver se aninhado: na política, na religião, na economia, nos povos, nas comunidades, nas famílias e no ser humano individualmente. Somente quando todo o mal tiver sido completamente calcinado, é que a paz verdadeira poderá emergir finalmente, sem risco de ser novamente http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 76


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

dilapidada por uma criatura transviada. Será então a época da aurora do tão ansiado Reino de Paz de Mil Anos... Até lá, porém, muita obra humana ainda terá de ser reduzida a cinzas. Quando esse inconscientemente almejado Reino do Milênio estiver implantado, a Terra estará parcamente habitada. Constituirá morada unicamente para aquelas pessoas que, voluntariamente e em tempo certo, se deram ao trabalho de purificar seu querer, seus pensamentos e suas ações, de modo a poderem suportar as chamas purificadoras do Juízo Final. Quem sobreviver, verá.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 77


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XIX O Enigma do Homossexualismo

Assunto delicado este. Sem dúvida um dos mais incompreensíveis e incompreendidos temas a reclamar uma explicação coerente. Vamos deixar de lado as reações extremadas, que não por acaso são as que mais se afastam de uma conceituação acertada, justamente porque equilibrada. Pois é desalentador observar essa espécie de dicotomia maniqueísta, onde em alguns países a prática homossexual é punida com a morte, e não só do corpo como também da alma, compelida a arder no inferno segundo os doutos inquisidores atuais, enquanto que em outros, no extremo oposto, os casais homossexuais são contemplados com bênçãos nupciais estatais, incentivados a “assumir sua condição” e a usufruir todos os direitos legais. Essas posições tão díspares entre si apenas comprovam que a incompreensão nesse campo é total. Vamos, ao contrário, entrar no âmago propriamente do problema, descobrir as verdadeiras causas que levam uma pessoa a sentir atração por outra do mesmo sexo. Para tanto é preciso saber, antes de mais nada, que esta não é a primeira vez que pisamos na Terra. Cada um de nós já esteve várias vezes aqui, ao longo de múltiplas vidas terrenas, vivenciando alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, aprendendo com ambas, com vistas a um contínuo aperfeiçoamento espiritual. Quem não pode aceitar a verdade cristalina da reencarnação, este já afasta de antemão qualquer possibilidade de um reconhecimento da verdade. Para este, o homossexualismo continuará sendo um enigma indecifrável, assim como todas as aparentes injustiças terrenas. Resignado, passa pela vida http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 78


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

como um auto-míope espiritual, incapaz de discernir as reais conexões que moldam o destino humano. E, no entanto, foi ele mesmo que se excluiu da compreensão dos verdadeiros fenômenos, ao se deixar obliterar por dogmas rígidos, à semelhança de um escravo que permite ou até insiste que lhe vistam antolhos. Antolhos de chumbo, forjados na bigorna da indolência espiritual e mofados durante séculos nas catacumbas da incompreensão religiosa... Assim é que, vergado pelo peso de seus antolhos dogmáticos, o doutrinado escravo hodierno se mostra pronto a acolher as mais estapafúrdias explicações sobre o homossexualismo, tais como: “doença mental”, “provação divina”, “anomalia genética”, “possessão diabólica” e outras tolices de nível equivalente. É o que seus antolhos lhe permitem enxergar... O ser humano é um ente espiritual, que se encarna várias vezes na Terra com vistas à sua indispensável evolução. Durante esse processo de encarnações sucessivas ele é genericamente chamado alma. A alma também pode ser vista, mais apropriadamente, como um corpo mais fino do espírito, um invólucro especial de que ele se serve no assim chamado “além”. A alma que se reencarna é, portanto, sempre a mesma; o que muda nas múltiplas vidas terrenas é apenas o seu manto mais externo, a “roupa” que ela veste em cada encarnação, a qual denominamos corpo físico. Como a alma é sempre a mesma, ela leva para cada encarnação as marcas das vivências anteriores, as quais se farão sentir nitidamente na atual vida terrena a partir de uma determinada época. Essa época ocorre nos anos da adolescência, quando o corpo físico se torna completamente formado, permitindo assim o pleno atuar do ser humano espiritual encarnado nele. Nessa fase, tudo quanto pende naquela alma, tudo quanto está dependurado nela por assim dizer, decorrente de vivências angariadas em outras vidas terrenas, tudo isso se manifestará abertamente de alguma maneira, com toda a intensidade, quer se trate de características boas ou más. Vamos supor então que numa vida terrena anterior, uma mulher tenha começado a desenvolver uma predileção qualquer por assuntos e atividades mais grosseiras, mais positivas, próprias do mundo masculino. Se essa predileção se intensificou muito, acabou se transformando então num “pendor”, isto é, numa característica que efetivamente passou a pender http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 79


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

naquela alma, a qual ficou assim indelevelmente marcada por essa inclinação. A alma feminina assim fortemente marcada por uma vontade espiritual errônea – poderíamos dizer também “torcida” por essa vontade – encarnará futuramente num corpo ajustado a essas novas particularidades masculinas angariadas, particularidades essas, bem entendido, não originais e por conseguinte não naturais para ela. Assim, na próxima vida terrena, essa alma originalmente feminina se encarnará, devido à sua voluntária torção, num corpo masculino. O ser humano espiritual, o “eu” propriamente daquela personalidade, continua sendo feminino, porém nessa atual vida terrena se vê encerrado dentro de um corpo físico masculino. Interiormente ainda sente atração pelo outro sexo, isto é, o masculino, já que espiritualmente continua sendo uma mulher. Contudo, se inconseqüentemente der vazão a esse sentimento, isso se evidenciará exteriormente como um comportamento bem estranho (para dizer o mínimo), pois o que se consegue observar de fora é apenas um homem com trejeitos femininos procurando a companhia de outro homem. Muitas vezes essa situação acaba sendo remediada involuntariamente, porque a mulher espiritual encarnada em corpo masculino freqüentemente se sente atraída por uma outra alma torcida como ela, porém em sentido oposto, ou seja, por um homem espiritual que, pelas mesmas razões expostas, se encontra atualmente encarnado num corpo feminino. Com isso, o espiritual e o material aparentemente se conciliam, porque ambas as almas que procuram se unir padecem do mesmo tipo de pendor. Não é difícil perceber que essa situação de almas torcidas não é natural nem desejável. Mas também não é algo tão grave assim que não possa ser remediado, desde que a respectiva pessoa encare essa vida atual como uma importante etapa de aprendizado, e não como sua existência integral como espírito humano que, como dito, abrange várias vidas, tanto no aquém como no além. Ela pode perfeitamente vencer sua torção aqui e evitar a repetição dessa situação no futuro. Trata-se de uma etapa que tem muito a lhe ensinar, uma etapa sem dúvida difícil, sofrida, pois praticamente as únicas coisas com que ela se depara http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 80


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

são incompreensão, desprezo e zombaria. A atual vida terrena é, assim, uma etapa muito dura, mas também é uma escola insubstituível, que a ensina a encarar de frente sua torção anímica e vencê-la. Pressuposto que não alimente a revolta dentro de si, pois dessa maneira só conseguiria enredar-se ainda mais. O indivíduo portador de uma alma torcida deve compenetrar-se de que se vive num corpo não ajustado ao seu âmago mais profundo, então isso se deve, exclusivamente, à sua própria culpa. Ciente disso, deve manter sempre uma serena discrição, evitando principalmente estabelecer ligações com outras pessoas que só poderiam fortalecer ainda mais sua torção. Se agir sempre com moderação, sem entregar-se a atitudes extremas do tipo “afirmar sua homossexualidade” e outras condutas semelhantes, que não são mais do que tentativas ocas de legitimar algo ilegítimo, acabará então por se desvencilhar desse erro aderido à sua alma. Calmamente vencerá sua torção anímica e nunca mais se verá outra vez na situação de viver num corpo que não corresponda ao seu “eu” espiritual. Naturalmente, isso vale tanto para um espírito humano feminino como para um masculino. O aqui exposto diz respeito ao homossexualismo intrínseco, que se manifesta espontaneamente numa determinada época da vida. São aqueles casos em que, ao chegar na fase da adolescência, a respectiva pessoa se sente incompreensivelmente atraída pelo mesmo sexo. É diferente daquelas pessoas que ainda não são almas torcidas, mas que nesta vida começam a manifestar alguma predileção por atividades e assuntos afetos ao sexo oposto. Nesse caso então não há desculpa. É preciso literalmente cortar o mal pela raiz, não permitindo que essa predileção continue e se transforme em pendor, evitando com isso avançar o processo de torção anímica. Agindo dessa maneira, essas primeiras inclinações homossexuais, inicialmente sempre fracas, não serão mais nutridas e acabarão por secar e se desprender da alma, extinguindo-se por si mesmas. Pode-se bem imaginar quanto sofrimento futuro tal pessoa evitará com essa atitude firme, tanto para si como para seu ambiente.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 81


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XX A CLONAGEM ÉTICA

Apesar de o ser humano atual não necessitar de nenhum incentivo especial para manter seu orgulho pairando em alturas orbitais, a ciência moderna não cessa de supri-lo com novidades que nutrem continuamente sua presunção ilusória de “senhor da Criação”. A chamada clonagem humana tornou-se uma fonte inesgotável de notícias desse tipo. Fale-se bem ou fale-se mal, o estratosférico orgulho humano sempre irrompe dos inúmeros artigos que abordam o assunto, evidenciando-se nas entrelinhas e também nas linhas, invariavelmente salpicadas de profícuos pontos de exclamação. E assim acontece que muitos passam a acreditar realmente que o ser humano é, de fato, o senhor da Criação e, com um pouco de esforço, já praticamente igual ao Criador. Praticamente, bem entendido, já que é sempre conveniente conservar uma certa humildade aparente... “Clonagem humana é moralmente inaceitável!”, reverberam em uníssona indignação (quem diria) o papa e o presidente americano. “Ninguém vai obstruir o progresso humano!”, ameaça em pé de igualdade um médico quase monstro italiano, secundado por um sem-número de irados adoradores da ciência. “Ora, já produzimos embriões humanos clonados há décadas!”, assustam o mundo impassíveis cientistas chineses, escondendo um sorriso apenas racialmente amarelo diante de tamanho atraso dos seus colegas ocidentais. Orgulho, orgulho por toda a parte nesse debate estéril, nesse embate histérico sobre a clonagem humana. Mesmo os que a combatem não estão http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 82


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

isentos disso, pois também eles acreditam que, se quiser, o ser humano hodierno pode realmente tomar para si as atividades afetas ao Criador dos Mundos. Centenas de fetos mal formados são necessários para se conseguir um único animal clonado, aparentemente sadio. Será dessa performance que os cientistas se orgulham? Do gasto de milhares de horas e dólares para produzir natimortos em série? Sentem-se talvez poderosos em desempenhar o papel de serial killers pré-natais? E o que será que um eventual clone humano adulto pensaria disso? Será que se orgulharia de seu nascimento fratricida? Ficaria enternecido em saber que um gélido tubo de ensaio num laboratório qualquer fez as vezes da tradicional figura do pai nervoso na maternidade?... É o caso então de se procurar conhecer os pretensos benefícios aguardados da pesquisa sobre a clonagem humana. Para tanto, temos de descer até as profundezas abissais da mais crassa vaidade e presunção dessa humanidade. No degrau mais fundo da degenerescência clônica, na pré-história da máxima involução do Homo ex-sapiens, encontramos uma malta feroz de acadêmicos neandertalescos, empenhada em desenvolver clones humanos com o único objetivo de fornecer órgãos para transplantes (*). As simiescas sumidades acocoradas em torno desse projeto insano, idolatrado qual um totem, grunhem que clones não têm alma, e por conseguinte não são propriamente seres humanos. Nessa assertiva há, contudo, uma sutil falha de interpretação. Pois somente quem há muito tempo já despencou do patamar de ser humano, trazendo em si apenas uma alma corrompida como núcleo, é que poderia fazer tal afirmação. Essa atitude apenas comprova que os desprovidos de alma verdadeira são eles mesmos. Os que não são mais seres humanos são eles próprios. Realmente, não vale a pena o esforço em procurar adjetivos adequados para qualificar essas ex-pessoas. No degrau imediatamente superior divisamos os criogênicos, uma gente aparentemente séria mas de cabeça oca. Literalmente oca. É a turma que manda congelar amostras de seus corpos após a morte, preferencialmente a cabeça, com a tola esperança de serem ressuscitados no futuro através de alguma técnica de clonagem. Acreditam que voltarão a viver no futuro com http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 83


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

o mesmo corpo de agora, naturalmente na divertida companhia de mamutes e pterodáctilos, que certamente também voltarão à vida pelo mesmo simples método replicante. Que dizer desse pessoal? Por mais restritas que tais pessoas se tenham tornado em sua cegueira intelectiva, por mais claudicante que se mostre a tosca bengala do materialismo em que ainda se apóiam, é realmente difícil avaliar com clareza uma conduta desse tipo. Trata-se de uma espécie de amálgama de estupidez com ridículo, recheado de vaidade. Deixemos esse degrau, onde não há mais nada para se ver senão a mais completa ignorância espiritual. O degrau seguinte mostra um ambiente festivo, alegre, onde a vinda de clones humanos é aguardada com incontida ansiedade e terna esperança. São os hedonistas e preguiçosos, que desejam clones humanos para desempenhar algumas tarefas indignas de seres evoluídos, como: trabalhar, estudar, calcular impostos, pagar multas, etc. Um admirável mundo novo, onde os clones seriam uma espécie de robôs com alma, semi-escravos muito prestativos e alegres. Esse grupo deseja tempo livre para “desenvolver a criatividade” e usufruir a vida no doce ócio. Os clones que cuidem do resto, pois já deverão se dar por muito satisfeitos em terem chegado à vida justamente devido à criatividade humana... Fantasia mórbida seria um qualificativo bastante atenuado para semelhante estultice. Mas também aqui vamos nos abster de comentários mais aprofundados, e essas pessoas tão criativas com certeza também irão preferir assim. Subindo um pouco mais, em busca de algum vislumbre de ética junto aos defensores da clonagem humana, deparamo-nos com um agrupamento de pesquisadores muito atarefados. São os que querem utilizar células-tronco para reproduzir órgãos sadios. Afirmam eles que, se utilizadas célulastronco de um embrião clonado do paciente, estaria de antemão solucionado o problema da rejeição, já que este receberia um órgão novo formado do próprio material genético. Ainda antes de poder refutar essa idéia, nossa atenção é atraída para uma região mais elevada desse mesmo plano. Nesse local mais alto trabalha uma ala dissidente, compreensivelmente incomodada com a perspectiva de produzir embriões apenas com esse tétrico objetivo, para logo em seguida descartá-los como inúteis estepes humanóides. Esses dissidentes planejam utilizar células-tronco extraídas da medula óssea do próprio paciente e, a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 84


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

partir daí, tentar desenvolver um órgão sadio para efetuar o transplante. Há duas questões aqui. A primeira é saber se as células-tronco realmente se prestam a assumir as funções de qualquer tecido humano, de músculos a nervos. Ainda há muita controvérsia a respeito. Estudos recentes têm despejado um balde de água um tanto gelada nesse entusiasmo aparentemente sem muito fundamento. A segunda questão é saber se este é o caminho certo para se obter a cura real de doenças crônicas. Como sempre, os pesquisadores só conseguem divisar o meramente terrenal diante de si, incapazes que são de reconhecer as causas anímicas de inúmeras doenças degenerativas, inclusive o câncer. Naturalmente muitas outras doenças têm, de fato, sua origem em modos nocivos de vida, como má alimentação e hábitos perniciosos, figurando em primeira linha o vício de fumar. O problema é que, mesmo que se mostrem viáveis, as célulastronco desenvolvidas nunca poderão atuar na causa propriamente de uma ou de outra, jamais poderão curar males de alma nem modificar hábitos de vida errôneos. Em ambos os casos, a chave para uma cura efetiva das doenças está na movimentação ascendente do espírito humano, o que requer vontade séria e perseverança, qualidades escassas nos dias de hoje. No flanco místico desse degrau tão movimentado, isto é, no lado oposto de onde atuam os dois times de pesquisadores celulares mencionados, encontramos confabulando animadamente mais um grupo de pessoas bem intencionadas. Bem intencionadas e algo excêntricas. Os membros desse grupo querem nada mais nada menos do que conseguir uma amostra do sangue de Jesus impregnado na cruz e providenciar sua clonagem. Seria essa então a chamada “segunda vinda de Cristo”, ansiosamente aguardada por tantos fiéis, e que se realizaria de uma maneira um tanto bizarra, através da inesperada e providencial ajuda da ciência moderna. É impossível não aludir aqui novamente ao orgulho humano, desta vez presente em grau máximo, roçando o infinito. Vamos nos dar o trabalho de tentar destrinchar essa idéia. Na hipótese, de antemão impossível, de se encontrar uma amostra do sangue de Jesus, e na suposição absurda de que essa amostra de dois mil anos fornecesse uma célula passível de ser clonada, e na ilusão de que esse clone se transformasse num embrião humano, e ainda acreditando que esse embrião se desenvolvesse sem problemas em algum ventre escolhido e desse origem a uma criança http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 85


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

normal, e admitindo por fim que essa criança se tornasse um adulto, então nem por isso Jesus estaria de volta. O que teria retornado à Terra, através da reencarnação, teria sido um espírito humano comum, encarnado num corpo terreno humano comum, desenvolvido numa gestação nada milagrosa. Aliás, como sempre foram, são e serão todas as gestações humanas: eventos absolutamente regulares, em estrita concordância com as leis da natureza. A alma que teria se encarnado nesse corpo terreno clonado – o qual apresentaria as feições terrenas de Jesus – seria uma alma comum, provavelmente sobrecarregada de carma e culpa como a maioria de nós, pobres seres humanos. Este homem poderia abraçar as mais diversas filosofias de vida quando adulto, sem poder ser contestado pela legião de fariseus do século XXI. Poderia ser judeu, muçulmano, budista, hinduísta ou mesmo agnóstico. Poderia até ser cristão. Poderia ser qualquer coisa nesse mundo, tudo, menos Jesus. Há dois mil anos Jesus Cristo, o Filho de Deus, desceu das alturas máximas e encarnou num corpo humano terreno para poder trazer à Terra sua Palavra salvadora. Tão-só esta é capaz de salvar alguém, e isso somente quando a respectiva pessoa se empenhar em viver realmente segundo essa Palavra, com todas as fibras do seu ser, isto é, em todo o seu querer, pensar, falar e agir. Tudo o mais é ilusão desmedida, fruto de devaneios teológicos de pretensos intérpretes autorizados das Escrituras, que mais não fazem senão fomentar a indolência espiritual com seus dogmas autoentorpecentes. Podemos, sim, devemos mesmo efetuar a clonagem da legítima Palavra de Jesus em nossas vidas. Devemos viver de tal modo que nos tornemos verdadeiros clones dessa Palavra. Esta é a única clonagem capaz de trazer benefícios à humanidade, a única clonagem ética. (*) Sobre o crime dos transplantes de órgãos, ver meu artigo “Por Trás dos Transplantes”.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 86


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XXI A TRAGÉDIA DOS TRANGÉNICOS

Cientistas versus ambientalistas, pragmáticos versus idealistas. Uma luta desigual, com um desfecho bem previsível. Nem poderia ser diferente, quando as regras do jogo são definidas por apenas um dos lados, como é o caso aqui. A disparidade de forças entre as partes é tal, que se evidencia nas próprias denominações dos contendores, tecidas pelo grupo mais forte e vestidas pelo grupo mais fraco, sem questionamento. Realistas versus utopistas, progressistas versus retrógrados. Do lado “certo” da guerra, o dos vencedores, acantonam-se impecáveis legiões de racionalistas, de ajuizados pés-no-chão, com as fardas abarrotadas de trabalhos científicos, irrefutáveis todos eles. Do lado “errado” da peleja, o dos perdedores, não se vê mais do que uns grupelhos barulhentos de sonhadores perdidos, uns visionários mal ajambrados, municiados apenas de uma indignação visceral e de uma inquietação íntima cujas causas não se lhes tornam claras. O alto comando da transgenia sabe que a vitória total é só uma questão de tempo. Cada novo país que capitula sob o fogo cerrado dos relatórios tecnicistas, qual obuses certeiros – inatacáveis porque indevassáveis – constitui uma batalha a mais ganha no front dessa não prevista nova guerra mundial. Com isso, os generais da genética degenerada ganham cada vez http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 87


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

mais terreno por toda a parte e consolidam suas posições. Fazendo da prepotência humana seu quartel-general, eles contemplam satisfeitos o avanço contínuo das tropas iluministas. O triunfo completo já desponta, para quem quiser ver, no horizonte sombrio desse nosso mundo, desse mundo que já foi nosso mas que agora é deles. Parece que nenhuma oposição oriunda do coração pode fazer frente ao bombardeio de saturação das ogivas científicas, antecedidas pelo silvo característico de vitupérios e vilipêndios, de invectivas intelectivas. A vitória esmagadora dos produtos transgênicos será mais uma a ingressar no rol de tantas outras realizações do engenho humano, como o lixo radioativo, a poluição em cotas autorizadas, a pesca predatória, a caça, o extrativismo sustentável, o uso de cobaias em experimentos, o foie gras, a clonagem de animais... Uma série de horrores sem fim. É verdade que não se pode negar os resultados dos relatórios científicos. Eles cumprem exatamente o que deles se espera ou se exige: provam cientificamente que as sementes transgênicas são seguras, comprovam cientificamente que não causam danos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Eles, pois, cumprem tudo isso. Cientificamente. E essa é a maior de todas as tragédias. Aceitar laudos científicos nesse assunto equivale a entregar à raposa a chave do galinheiro. Infelizmente, porém, é isso o que acontece. Como a quase totalidade das pessoas vê na ciência o supra-sumo da capacidade humana, e os cientistas como verdadeiros deuses, com poderes tão ou mais espetaculares do que os dos da mitologia, elas realmente acreditam que a ciência é o árbitro justo e infalível para essa questão. Com o olhar voltado para cima, sem piscar, fixado na comunidade científica, elas aguardam sequiosas pela descida da olímpica luz da sabedoria acadêmica, que iluminará sua ignorância e as guiará pelos caminhos de um admirável mundo novo. Sustentadas por uma ingenuidade tocante, estão convencidas de que se a ciência der um parecer favorável aos produtos transgênicos, então isso será a prova de que estão aprovados... Doce e triste ilusão. Por mais bem elaborados, por mais detalhados que sejam os relatórios científicos e os volumosos estudos de impacto ambiental, eles nunca poderão prever os efeitos finais nefastos da transgenia. Simplesmente porque esses efeitos últimos, devastadores, não http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 88


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

apresentam nenhum sinal, nenhum indício materialmente perceptível, que pudesse eventualmente ser detectado no código genético alterado. Os alimentos transgênicos não foram programados para dar um aviso prévio do que são capazes de provocar; apenas aguardam silentes como as minas, impassíveis como as bombas-relógio, pelo grito angustiado de uma sociedade logo perplexa, que ecoará pelos campos e cidades por eles nutridos. O grito uníssono, entrecortado, de... “tarde demais!”. As sementes transgênicas comportam uma irradiação alterada, e por essa razão não mais pertencem à natureza como tal. Elas não fazem mais parte da natureza, porque não são mais naturais! E o que não é natural traz em si o germe da morte. Mas aqui já adentramos num campo que o raciocínio humano não consegue acompanhar, muito menos assimilar. Essa incapacidade notória, essa limitação insuperável da razão humana se manifesta então na forma de descaso e zombaria por parte dos racionalistas. Como o raciocínio não pode compreender nada do que se encontra além do meramente terrenal, visto ser apenas um produto do cérebro, ele rejeita tudo o mais como impossível, porque lhe é de fato impossível discernir a realidade tal como é. No caso em foco, o raciocínio não faz mais do que infundir nos rostos circunspectos que recobrem tantos cérebros sagazes, um certo ar de inteligência guarnecido de um sorriso zombeteiro. Nada mais que isso. A retidão de caráter, a pureza do coração, a nobreza de alma, a vivacidade do espírito, não são qualidades que possam ser observadas no DNA, e por isso nunca lograremos obter um cientista materialista geneticamente modificado para o bem. Os pouco realmente bons o são por índole própria, e estes jamais defenderão a transgenia. Esses escassos pesquisadores íntegros não podem assegurar que os transgênicos são inócuos, não podem asseverar que só trazem benefícios. E como poderiam fazê-lo? Como poderiam apregoar as vantagens de uma planta transgênica resistente a agrotóxicos se ela própria, modificada assim criminosamente, se lhes apresenta como mais um tóxico no meio agrícola? Um novo e desconhecido “agro-tóxico”? Como lhes seria possível defender o envenenamento genético de uma cultura para que resista a venenos?... Não vamos aqui nem discutir as alegadas vantagens econômicas das sementes transgênicas, porque isso seria descer ao nível de esterco no trato http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 89


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

do problema. Nenhum pesquisador razoavelmente lúcido e minimamente honesto poderia transferir a preocupação com a saúde dos consumidores para um patamar inferior ao da redução de custos das lavouras. Uma semente transgênica é um corpo estranho, um antígeno inoculado num organismo perfeito. Acontece, senhores bem-intencionados, que esse organismo perfeito, a natureza, tem muito bem como se defender de cepas patogênicas, e se defende realmente, com resultados invariavelmente catastróficos para a humanidade. Isso, aliás, ela própria já poderia ter reconhecido, se sua presunção intelectiva não lhe obstruísse continuamente a intuição espiritual. Todos os assim chamados desequilíbrios da natureza não são nenhum desequilíbrio, mas tão-somente reações automáticas à ação deletéria do ser humano. Onde quer que essa criatura tenha posto a mão, lá deixou incubado o germe da destruição, que sempre vingou, após um tempo maior ou menor. Pragas incontroláveis, secas inclementes, inundações devastadoras e tantos outros “distúrbios” da natureza são apenas efeitos recíprocos contra a maior de todas as pragas, o Parasita sapiens, que presentemente tenta cultivar mais uma excrescência dentro do corpo outrora sadio da natureza, na forma de sementes e plantas transgênicas. A espécie humana é a serial killer da vida na Terra, é a maior inimiga da natureza em todos os tempos. Mas pode estar certa, certíssima, de que já há muito foi reconhecida por ela como tal, sendo agora tratada correspondentemente. Por isso, os hoje ainda mal vistos ambientalistas-idealistas não precisam se desesperar em sua luta quixotesca contra os produtos transgênicos e seus patrocinadores. Nada do que é contrário à natureza, portanto contrário às leis naturais, pode subsistir indefinidamente. Dura algum tempo e desaparece exemplarmente, sucumbe espetacularmente, como testemunho do mais profundo malogro da arrogância humana. Arrogância incompreensível de uma espécie que se atreveu a querer melhorar a natureza, sem mesmo procurar saber antes do seu legítimo Dono pelas conseqüências de suas ações e, sobretudo, se tinha acaso permissão para agir assim. Contudo, o conhecimento desse descalabro inevitável de tudo quanto foi http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 90


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

torcido pelo raciocínio humano não significa que os defensores da natureza devam aguardar sentados, observando de camarote o desenrolar desse drama trágico sobre o palco claudicante da prepotência humana. Não. Cada um deles deve ser uma trombeta sonante, conscientemente voltada para a enorme muralha erguida pela presunção dos racionalistas, a qual com isso ruirá mais depressa ainda, para alívio e bênção de todas as pessoas de alma limpa. Não são necessárias mais do que essas trombetas tocadas com o fôlego do idealismo, sem violências, sem bandeiras partidárias, sem ideologias tacanhas. Os ambientalistas podem, devem e têm de lutar com a mais plena convicção da justeza de sua causa. Não devem avançar cabisbaixos para dentro do teatro de operações, acabrunhados, temerosos de mais uma derrota. Seria uma imagem deplorável essa, inclusive aos olhos do adversário. Mirem-se no exemplo de certas artes marciais, cujo lema vem escrito em caracteres orientais sob a faixa que prende o quimono do lutador: “Quem teme perder já está vencido.” Não temamos perder. Encaremos o adversário com altivez desta vez, resolutos e sem luto. Encaremo-lo sem medo, sem receio de não poder contrapor a ele nenhum escudo científico. Nosso paradigma é outro. Bastam-nos os ditames de nossos corações. Se estes forem justos, se estiverem sintonizados com as leis que regem a Criação, então a vitória contra a aberração dos transgênicos é certa. Será essa a primeira grande vitória de uma série. Da nossa série.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 91


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XXII ODE AOS ANIMAIS

“Faça-se a Luz!” E a Luz se fez. “Fervilhem as águas de seres vivos, voem pássaros sobre a terra!” “Produza a terra seres vivos segundo a sua espécie!” “Animais domésticos, animais pequenos e animais selvagens, segundo a sua espécie!” E assim se fez. Feitos pela Vontade do Criador, destruídos pela vontade do homem. Pode haver algo mais sórdido, mais torpe do que um crime praticado contra uma criatura indefesa, como é o animal?... Quem diante dessa pergunta ainda se injuria, quem, indignado, prontamente expele uma refutação atabalhoada, apenas prova que essa torpeza também já se alojou em seu coração. Ao contrário do ser humano, o animal é sempre inocente em todas as circunstâncias. Jamais sofre por culpa própria, pelo desrespeito a qualquer uma das leis da Criação, mas tão-somente devido à maldade do bicho homem e dos muitos desequilíbrios que este provoca no planeta. O Homo sapiens tornou-se um animal degenerado, provou e comprovou ser uma espécie que não deu certo, e por isso terá de desaparecer agora de seu habitat. Assim determina a mãe Natureza contra qualquer coisa que perturba a harmonia e não se ajusta às suas leis. Terá de desaparecer na sua quase totalidade, para que as outras espécies http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 92


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

possam continuar a se desenvolver em paz, sem precisar mais temer esse monstro ensandecido, que não vê nada diante de si senão seu próprio bemestar. Um “bem-estar” freqüentemente refestelado no desrespeito, na tortura e na morte de animais. Para que fêmeas vazias dessa espécie humana pudessem se deleitar com pelugens macias, filhotes de focas são mortos a pauladas diante das mãesfoca desesperadas. Para que machos astutos dessa espécie não precisassem amargar uma redução de seus lucros no comércio da carne de frango, pintinhos recém-nascidos são lançados vivos no fogo. E para que um tipo especialmente sórdido dessa espécie – o Homo politicus – pudesse ficar bem junto a seus eleitores, tão sórdidos quanto eles, acaba de surgir no Brasil um projeto de lei que autoriza o sacrifício de animais para fins de cultos religiosos. Cultos que invocam e pedem proteção aos seres da natureza... Um livro inteiro poderia ser produzido apenas para descrever as atrocidades que o ser “humano”, covarde a não mais poder, já foi capaz de praticar contra os animais, postos na Terra em confiança, para serem cuidados, guardados e respeitados pela espécie dominante. E uma enciclopédia poderia ser montada apenas para registrar a enorme, a gigantesca indignação que toma conta dos poucos membros da espécie humana que ainda amam, de todo coração, a Natureza e seus entes. Verdade é que algumas pessoas ainda se sentem por vezes constrangidas, meio sem graça, ao terem de admitir, diante de si e de outros, que desejam muito mais cuidar e tratar de um animal doméstico, do que ajudar ou até adotar um menino de rua. Afinal de contas, este último é um ser humano... Não há razão para tal constrangimento. Essas pessoas boas sentem intuitivamente imediato amor e dedicação pelo animal justamente porque este não é um ser humano! O animal nunca é dissimulado em suas ações. O olhar amoroso de um bichinho dirigido ao seu dono será sempre legítimo. Jamais acobertará a inveja, o inconformismo e o malquerer típicos dos indivíduos que têm de colher nessa época os frutos podres que semearam em sua inútil e nociva existência. Indivíduos que nunca sentiram nenhum amor, nem mesmo carinho pelos animais, mas apenas desprezo. Que nunca nutriram no íntimo nenhum desejo de oferecer a eles, como agradecimento, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 93


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

uma simples ode, mas somente ódio, um ódio sem justificativa e sem tamanho, do tamanho de sua própria ignomínia. Eles não sabem, nem desconfiam, mas já há muito também não são mais seres humanos. Perderam o direito a essa denominação quando suas almas, desfiguradas pela cobiça, pelo ódio e pela ingratidão, deixaram de ter qualquer semelhança com os seres surgidos outrora à imagem do Criador. Desceram muito abaixo do patamar ocupado por qualquer animal da Terra, que nunca matou por prazer, que nunca se divertiu com o sofrimento de seu semelhante, que nunca afrontou o Onipotente. Não vale a pena continuar a discorrer mais sobre o abominável crime milenar do ser humano contra os animais. Do enorme rosário de culpas que ele terá de responder diante do trono do Juiz, esse delito, especificamente, não poderá contar com nenhuma atenuante. Quem pratica ou mesmo dá apoio a qualquer ação dirigida contra os animais, já não conta mais espiritualmente. Visto de cima, ele não existe mais na Criação. Apenas continuará a vegetar mais alguns anos ainda aqui na Terra, até ser varrido para fora da grande Obra, para alívio de todas as demais criaturas, criadas pela mesma Vontade do mesmo supremo Deus. Gostaria apenas de citar um diminuto trecho da conhecida carta que o cacique Seathl enviou, em 1855, ao presidente dos Estados Unidos, no ponto em que ele faz menção aos animais: “Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias, abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, os índios, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra. (…) O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Ele continua poluindo a sua própria cama, e há de morrer numa noite, sufocado em seus próprios dejetos!” Felizmente, o sábio cacique não viveu para constatar que essa sua previsão, já tão amarga, não ficaria restrita apenas ao homem branco, mas que se http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 94


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

estenderia a toda a humanidade do futuro. Ele não precisou ver como o ser humano, capaz de no seu tempo deixar bisões se decompondo nas pradarias, estaria ele próprio apodrecido na alma no final dos tempos, rumo à sua decomposição espiritual. Não teve de assistir como a raça humana estaria marcada para a extinção, e que não deixaria atrás de si nenhuma lembrança boa, nenhuma saudade às demais espécies que subsistiriam na Terra. Disso tudo ele foi poupado.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 95


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

XXIII A ILUSÃO ESPORTIVA

Onde quer que o ser humano deponha o intelecto à frente do espírito, o raciocínio por cima da intuição, lá surgem focos de doenças, porque outra coisa não pode brotar de uma sementeira má. Ao invés de atuar como espírito humano dentro da matéria, enobrecendo tudo ao seu redor, como é sua missão, ele age como criatura terrena exclusivamente, como se nada de espiritual tivesse dentro de si. Desse modo, tudo o que é originalmente bom, útil e bonito, após escorrer por seus dedos racionalistas torna-se mau, nocivo e feio. Esse processo aparece com muita nitidez na arte, seja pintura, escultura ou música. Tudo o que de extraordinariamente belo a arte nos legou em séculos passados, transmudou-se num amontoado de lixo informe, cinzelado ao longo do século XX e também no atual, quando o raciocínio frio atingiu seu apogeu e tudo sobrepujou em sua ânsia de salientar-se com qualidades que não possui. O raciocínio fez do coração do homem seu escabelo, e do espírito vivo seu escravo. E com isso reduziu a aterro sanitário quase toda a arte, outrora magnífica. As formas adquiridas pela pintura e música contemporâneas, geradas apenas por neurônios, prescindem de qualificativos. Não porque existam muitos a escolher, mas porque não se descobre nenhum que lhes faça a devida justiça. Como essas http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 96


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

“coisas” estão sempre muito abaixo do alcance dos dicionários mais recentes e perspicazes, é impossível encontrar adjetivos adequados para qualificar razoavelmente um tal horror. Contando apenas com o archote bruxuleante do intelecto a iluminar as picadas trevosas que abriu na materialidade, para desbravá-la a seu modo, o ser humano hodierno torceu até a lei básica do movimento na Criação, a qual estabelece que algo só pode ser conservado íntegro e sadio se mantido em contínua movimentação. Aplicada corretamente ao corpo físico, essa lei cuidaria de mantê-lo sempre são e vigoroso. Mas o raciocínio transformou a salutar movimentação física em... esporte. E, com isso, o que era sadio tornou-se mórbido mais uma vez. A arte do esporte! Louvada e elevada em toda parte, sempre e sempre, mais e mais. Exaltada com esperança no mundo todo, decantada com orgulho entre os povos, divinizada com olímpica emoção pelas nações! Como poderia ser danosa?... Para quem tem olhos para ver, o enaltecimento esportivo atual é apenas mais uma amostra aterradora de como os conceitos de certo e errado estão completamente torcidos em nossa época. De como o enrijecimento espiritual já envolveu quase toda a humanidade, extinguindo suas aspirações mais nobres e comprimindo seu campo de visão em limites cada vez mais estreitos. O esporte é, sim, danoso, porque se fundamenta na competição. Não visa em primeira linha angariar e conservar a saúde do corpo, senão mostrar quem é o “melhor” numa determinada modalidade. “O importante não é ganhar, e sim competir!”, rebaterão prontamente injuriados discípulos de Coubertin, arautos do esporte enobrecido. Mas não, de jeito nenhum. Para qualquer esportista desse planeta o importante é, sim, ganhar. Sempre. E mesmo se algum deles realmente acreditasse nessa utopia, lá no fundo do seu coração, e não apenas a murmurasse para si próprio entre soluços e olhos marejados ao perder o primeiro lugar, então seria igualmente insano. Competir... Para quê? Para um dia ter a honra de escalar o pódio e divisar com orgulho a bandeira do seu país tremulando acima das demais? Para se emocionar ao ver todos os “inimigos” calados ali em volta, forçados a escutar cabisbaixos o hino de seu país, obrigados a reconhecer o triunfo de sua nação? Para poder ser ovacionado num carro de bombeiros e verter http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 97


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

lágrimas de herói? Isso é patriotismo?... É para isso que jovens desperdiçam os melhores anos de suas vidas em treinamentos? É para isso que se submetem a cirurgias recorrentes para reparar músculos e tendões lesionados? É para essa finalidade que se desenvolvem vestimentas especiais e potentes anabolizantes? É para esse ideal que técnicos famosos, com suas estratégias de guerra, são contratados a peso de ouro? Doping então é tática de espionagem? Luxações e distensões são condecorações por combate, medalhas marcantes por bravura em ação?... Como é patético ver senhores grisalhos, engravatados, discutir mui seriamente aspectos futebolísticos num programa de debates, profundamente compenetrados em analisar lances e emitir diagnósticos e prognósticos. Coisa mais degradante. Até hilariante seria, não fosse tão ridículo. Incrivelmente ridículo. Que proveito verdadeiro pode trazer a um povo a conquista de uma copa do mundo, um título de Fórmula 1, o cinturão dos peso-pesados? Alegria popular? Orgulho nacional? Triste do país que precisa dessas quinquilharias para se dar alguma valia, para avivar sua auto-estima. Triste do povo que separa cuidadosamente parte de seus minguados rendimentos para poder ver de longe seus ídolos esportivos nadando em rios de dinheiro. E triste da humanidade inteira, que caiu espiritualmente tão fundo a ponto de não mais conseguir enxergar o papel deplorável que exerce ao enaltecer essas coisas sem nenhum valor, frutos do raciocínio calculista, materialista, em detrimento do aperfeiçoamento espiritual. Triste das nações desportivas desse mundo, que podem ver numa maratonista que chega quase desfalecida à linha de chegada, o maior exemplo da “tenacidade humana que supera todos os obstáculos”, do “ideal olímpico elevado ao seu mais alto grau”. Aquela atleta claudicante, até hoje alvo de loas em todo o mundo, não fez mais do que cometer um grave delito contra seu corpo, ao levá-lo a um estado de extenuação completo, a ponto de quase sofrer uma síncope nos braços do médico que a aguardava junto à linha de chegada. O médico torcia para que a jovem tão valente, corajosa ao extremo, conseguisse vencer o desafio olímpico traçado à sua frente, o qual poderia ter-lhe custado somente a vida. Ambos não passam de criminosos, e o mundo inteiro que torcia em conjunto, cúmplices. Um argumento poderoso em favor do esporte, repetido vezes sem conta por http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 98


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

entendidos em educação, é de que ele afasta os jovens carentes da violência e das drogas. É mesmo? A prática desportiva possui o poder de desviá-los dos muros da FEBEM, ou de retirá-los de lá e conduzi-los a uma vida digna e honesta? Quantos jovens delinqüentes e viciados em drogas saem efetivamente recuperados dos centros de reeducação, onde o esporte é prática diária? Quantos deles saem de lá tão transformados interiormente, a ponto de poderem retornar ao convívio em sociedade, interessados no bemestar do próximo?... Nenhuma criatura interiormente má, de índole maléfica, consegue limpar a violência impregnada em sua alma corrompida com saltos e corridas, nem tampouco é capaz de trocar a seringa pela bola, seja de que esporte for. Em sua quase totalidade, o viciado não deixa as drogas pelo esporte, mas continua se esvaindo com ambos os tipos de entorpecentes. O esporte competitivo é sempre nocivo, nunca contribuiu para melhorar em nada o íntimo do ser humano, ao contrário, só fez incutir nele o anseio de sobressair a todo custo. Essa competitividade continuamente nutrida por centenas de milhões de terráqueos não ficou sem efeito no ambiente mais fino que nos envolve. Extrapolou o âmbito dos estádios e passou a exercer sua influência nefasta num sem-número de almas humanas que trazem em si um pendor semelhante. Estas passaram a ser então literalmente assediadas por essas influências, impingindo nelas a necessidade permanente de competir e competir, para vencer na vida e salientar-se a qualquer preço. Os efeitos globais dessa insânia são terríveis. Como, devido a isso, quase todos os seres humanos se vêem hoje como competidores em tudo, leais ou não, uma simples rusga de trânsito pode facilmente desembocar numa tragédia, e o próprio trânsito torna-se pista de competição para os atarefados pilotos do dia-a-dia. A derrota numa inocente partida de dominó ou num jogo de cartas tem cacife para infartar qualquer um dos entusiasmados competidores. Um gol no final do segundo tempo é motivo para pancadaria e morte entre as grandes massas de competidores, denominadas “torcidas”. Torcida é bem o termo para essa espécie de gente belicosa. As empresas, grandes ou pequenas, não visam mais aperfeiçoar seus produtos e garantir sua sobrevivência, mas principalmente destruir seus competidores, esmagar a maldita concorrência. Um grande empresário http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 99


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

afirmou que se um concorrente seu estivesse se afogando, sua primeira providência seria enfiar uma mangueira de água na sua boca. Declarações como essas são tidas como ditados de suma sabedoria, máximas de grande inspiração, e utilizadas em cursos de aperfeiçoamento de executivos. Como se estes campeões de stress não tivessem sido ensinados, desde tenra infância, a se preparar para uma luta renhida no assustador mundo competitivo que os aguardava lá fora, de tocaia, tal qual um bicho-papão insaciável. “O importante é competir!” Eis é o lema atual da raça humana. Os países competem loucamente entre si, em corridas armamentistas, espaciais, comerciais e culturais. Competem e competem. Todos competem. E ninguém mais vive. Esse é o resultado da competição e da competitividade desenfreada, o mundo competitivo em que vivemos, do qual o esporte é seu principal fomentador e patrocinador. É isso que a humanidade tem a apresentar no presente, ao término do período concedido para o seu desenvolvimento. Um grande estádio planetário, com bilhões de competidores infelizes, vazios espiritualmente, é a taça que ela pode erguer agora em triunfo para o seu Criador, como fruto máximo de sua evolução. Contudo, se ela pudesse ver com clareza o que gerou para si mesma com isso, se pudesse ter um pequeno vislumbre do que a aguarda na reciprocidade, prontamente mudaria seu lema para: “O importante é sobreviver!” Sobreviver espiritualmente, poder subsistir agora, na época do ajuste final de contas. Sonhar um pouco de vez em quando não é errado, pois isso não acirra nenhuma competição. Mas enquanto alguns poucos ainda se permitem sonhar acordados com uma improvável, talvez impossível melhoria da humanidade, esta vive sonhando com sua própria grandeza, embalada na ilusão de sua importância e de seus feitos esportivos. Em breve, todos nós acordaremos.

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 100


● Círculo do Graal ______________________________________________________________________

Epílogo

Roberto C. P. Junior é espiritualista, mestre em ciências e autor dos livros: "Vivemos os Últimos Anos do Juízo Final", "Visão Restaurada das Escrituras", "Capotira", "Jesus Ensina as Leis da Criação" e "O Filho do Homem na Terra", os dois últimos disponíveis em edição impressa. Roberto é membro da Ordem do Graal na Terra e autor de vários artigos de cunho filosófico disponíveis nos sites "Library" e "SóCultura".

http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

Página 101


Pedras de Verdade 2 (rev)