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PEDRAS de VERDADE Tomo 1

Roberto C. P. Junior


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INTRODUÇÃO

Estes artigos colocam o leitor frente à frente com a realidade, tal como ela é. Numa linguagem clara, objetiva, por vezes contundente e incisiva, os textos mostram o mundo sombrio que o ser humano criou para si, com seu afastamento voluntário da Luz. Desvendam, sem meias palavras, tudo o que ele perdeu com isso. Mas também indicam o caminho das pedras que permitirá à alma perscrutadora sair do caos atual, um caminho que só pode ser percorrido por ela mesma, com suas próprias pernas. O ser humano tem de acordar de seu milenar sono de chumbo e tomar o caminho da ascensão espiritual. Agora! Se continuar a sonhar tranqüilamente, no aconchego de sua indolência espiritual, acabará dormindo para sempre, por toda a eternidade. A criatura humana tem de se decidir, de uma vez por todas, a manejar corretamente o tear da Criação, regido pelas inflexíveis Leis do Universo. Está nas mãos dela própria tecer para si um belo e colorido tapete do destino. Essa tarefa está nas mãos de cada um unicamente. Ninguém poderá fazer isso por outrem. Roberto C. P. Junior

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Índice

Introdução I – Ainda o Deep Blue II – A AIDS e os buracos na camada de ozonio III – Democracia: Uma morte anunciada I IV – Democracia: Uma morte anunciada II V – O descalabro económico VI – Touradas: Crime de Estado VII – Os limites da Ciência I VIII – Os limites da Ciência II IX – Quem somos X – Para onde vamos XI – Qual o propósito da vida XII – O recado do El niño XIII – Por trás dos transplantes I XIV – Por trás dos transplantes II XV – Depressão e outros males da alma XVI – A antiga origem da nova era XVII – Drogas: De quem é a culpa? XVIII – Considerações sobre a dor XIX – Questões sobre a Mensagem proibida XX – Leis Universais I XXI – Leis Universais II XXII – Leis Universais III XXIII – A ultima Guerra XXIV – Uma história de Papas Epílogo

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I AINDA O DEEP BLUE

Agora, que os ânimos estão mais serenados e que a poeira do terremoto enxadrístico mundial já baixou um pouco, permitindo portanto uma visão mais clara e isenta, vamos procurar analisar o significado da derrota do enxadrista Kasparov para o computador da IBM, o “Deep Blue”. O próprio Kasparov encarava o match como um confronto entre a humanidade e o computador, algo como uma queda de braço entre a criatura e o criador. Tanto assim, que ficou até indignado quando deparou com uma bandeira russa do seu lado do tabuleiro e uma dos Estados Unidos do lado oposto. A maior parte dos simpatizantes, aficcionados e analistas do xadrez também vislumbrou o embate sob esse prisma maniqueísta, de onde não poderia haver dúvidas sobre quem sairia vencedor. Por isso, a realidade da derrota foi especialmente dolorosa para muitos deles. Por toda a parte, pasmo e perplexidade: “A máquina venceu o ser humano!” “O computador vai dominar o mundo!” “A humanidade foi derrotada!” Se um computador venceu o melhor enxadrista do mundo, então podemos afirmar com segurança que a máquina pode, de fato, jogar xadrez melhor que o mais experiente ser humano. Mais ainda, que a máquina pode ter mais inteligência que o ser humano, pelo menos mais inteligência para jogar xadrez. Dessa constatação advém o inconformismo e a indignação de tantos. Isso, porém, demonstra duas coisas:

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Que a habilidade para jogar xadrez é fruto exclusivo do desenvolvimento do raciocínio, da capacidade intelectual, e que essa capacidade está restrita ao âmbito da matéria tão-somente. Justamente por estar ligada exclusivamente à matéria, é possível transferir uma capacidade intelectiva de análise a um objeto material aperfeiçoado, uma máquina especialmente direcionada para este fim. Uma “inteligência fria”, capaz de analisar incansavelmente 200 milhões de possibilidades por segundo, demonstrou ser mais eficaz que uma inteligência pessoal, treinada durante décadas para essa habilidade específica de jogar xadrez, e que naturalmente julgávamos ser superior a um amontoado (bem arranjado) de circuitos de silício.

Que a perplexidade reinante ante a vitória da máquina demonstra como a humanidade, de uma maneira geral, escravizou-se indissoluvelmente ao intelecto, considerando-o como seu bem mais precioso. Pois se assim não fosse, os comentários seriam bem outros. Ninguém daria tanta importância à derrota para uma máquina numa prova que só requeria habilidade intelectual.

O computador venceu numa prova que exigia apenas raciocínio, nada a requisitar do espírito, daquilo que faz de um ser humano realmente um ser humano. O Deep Blue não tem capacidade de intuir o certo e o errado. Não tem livre-arbítrio. É incapaz de amar. Não traz dentro de si o impulso irrefreável de saber quem ele é, o que faz na Terra e quem o criou… É um objeto morto, que na observação bem-humorada de um repórter, não foi sequer capaz de comemorar a sua vitória. Mas os seres humanos, que há muito soterraram seu espírito vivo, bem como a sua voz — a intuição, sob os desmandos de um intelecto cada vez mais tirano, acreditam realmente que a humanidade foi derrotada pela máquina. E, no entanto, quem derrotou a humanidade intelectualizada de hoje foi ela própria, e isso num processo que vem já de milênios, quando passou a considerar o seu raciocínio, um mero instrumento de utilização terrena do espírito, como o seu bem mais valioso e importante. Mais valioso até que o próprio espírito. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Pode-se dizer que a maior parte da humanidade cometeu um longo suicídio espiritual, rebaixando-se paulatinamente, por vontade própria, até atingir este estágio atual que pouco a diferencia dos animais, só percebendo à sua volta o meramente terrenal. O Deep Blue demonstrou à maior parte dos seres humanos hodiernos, escravos de seu intelecto, o triste e insignificante papel que atualmente desempenham no conjunto da obra da Criação. Seres repletos de arrogância intelectual, e todavia tão pobres de espírito, capazes de ficarem abalados com uma derrota numa prova que não exigia nada além de técnica, a qual nunca teve nem jamais trará vida em si.

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II A AIDS E OS BURACOS NO OZONIO

Tudo quanto é vivo na natureza tem um múltiplo valor de utilidade. De bactérias a baleias, de arbustos a sequóias, tudo têm a sua função no mundo. A necessidade de ser útil no conjunto da natureza é condição indispensável para uma espécie poder continuar a fazer parte dela. Enquanto uma determinada espécie seguir esse curso natural de desenvolvimento, aperfeiçoando continuamente a contribuição que dá à natureza como um todo, ela tem assegurada a sua permanência no mundo, protegida pela própria natureza. Contudo, se por qualquer motivo ela se afastar desse caminho natural, tornando-se nociva ao invés de útil, ela será simplesmente eliminada, por efeito autônomo de leis também naturais. Uma espécie mutante perniciosa é automaticamente excluída, para resguardo e proteção das espécies restantes. Um processo automático de autoconservação global. Na Terra existe uma espécie que após centenas de milhares de anos provou ser incapaz de se adaptar às leis naturais vigentes. O Homo sapiens preferiu seguir outras leis, criadas por ele mesmo, na tentativa de dominar a natureza e reinar inconteste sobre ela para sempre. Para atingir esse seu objetivo ele poluiu o ar, sujou rios e mares, envenenou o solo, maltratou e matou outros seres que, como ele, tinham o mesmo direito de viver e se desenvolver no planeta. Criou para si um habitat http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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artificial, onde passaram a vigorar outras leis, desconhecidas da natureza até então: egoísmo, imoralidade, perversões, cobiça, inveja, ódio... O tão decantado progresso, que a maior parte da humanidade contrapõe orgulhosamente a essas críticas, não fez dela uma peça útil na engrenagem da natureza. Um único ser humano que respeita e ama a natureza, que procura conservar puros seus pensamentos e sua vontade, é muito mais útil na criação do que toda uma legião de cientistas e suas teorias materialistas. Uma única ação eficaz em defesa da natureza maravilhosa tem muito mais valor do que uma dúzia de expedições motorizadas a Marte. A maior parte da humanidade preferiu tomar um caminho antinatural durante o período concedido para o seu desenvolvimento. Ela se desenvolveu sim, mas numa direção contrária à preconizada por aquelas leis naturais e, com isso, acabou assinando sua própria sentença de morte. E assinou-a conscientemente, com um sorriso de superioridade, desafiando abertamente a mãe natureza, desprezando todos os auxílios vindos de cima, escarnecendo das inúmeras advertências e exortações dirigidas a ela, para que retomasse ainda em tempo o caminho natural levianamente abandonado. Chegamos agora finalmente ao ponto em que a sentença está sendo executada. Aparentemente de modo lento, no ritmo próprio da natureza, porém inabalável. Do ponto de vista da natureza a humanidade hodierna nada mais é do que um parasita, que proliferou desmesuradamente no organismo até então sadio da criação, disseminando focos de doença por toda a parte. Por isso, a maior parte dela precisa ser eliminada. Um membro gangrenado sempre precisa ser extirpado, para evitar que todo o corpo pereça conjuntamente. O ser humano é, de fato, somente um membro, aliás bem pequeno, no conjunto da natureza. É uma criatura como qualquer outra, apenas com a diferença marcante de ser a única que trabalha incansavelmente já há séculos pela sua própria completa destruição. Por ser uma criatura, ele está sujeito incondicionalmente às leis naturais, que nunca permitem que algo insano permaneça conspurcando indefinidamente a natureza. Já há algum tempo está em curso sobre a Terra esse processo natural de limpeza. Uma das formas como isso se dá são os próprios revides da http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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natureza, através de catástrofes naturais, que crescem continuamente em todo o mundo tanto em quantidade como em intensidade. Uma segunda forma é o aumento do número e virulência de agentes patogênicos em todo o mundo. Moléstias antigas ressurgem com uma ferocidade jamais vista, enquanto que novas doenças, cada vez mais terríveis, eclodem todos os anos. Nos últimos 25 anos surgiram 32 novos vírus letais em vários pontos do globo... Uma terceira forma, também efeito automático de leis naturais, consiste em retirar a proteção que o parasita dispunha contra seus inimigos naturais. Em âmbito global essa proteção é dada pela camada de ozônio, que protege o planeta contra a potencialmente mortal radiação ultravioleta do Sol. Em âmbito mais restrito, a proteção consiste no próprio sistema de defesa do organismo humano. A AIDS e os buracos na camada de ozônio sobre a Antártida e o Ártico são efeitos em escalas diferentes de um mesmo processo natural de depuração. Em ambas as situações o ser humano vê esvair-se paulatinamente as defesas que possuía contra seus inimigos naturais. Num caso a radiação, no outro, as doenças oportunistas. As tentativas levadas a efeito até agora para solucionar esses problemas também não tiveram êxito, porque a causa verdadeira permaneceu intocada. De nada adiantam tratados para redução da produção de CFC (mesmo porque jamais são cumpridos) nem coquetéis terapêuticos, enquanto o modo de vida dos seres humanos estiver em oposição ao estabelecido pela natureza para as suas criaturas. A parte da humanidade que ainda permanece em expectativa ante esses acontecimentos terá de aprender, pela forma mais dolorosa, que não pode se contrapor a determinadas leis naturais sem sofrer graves danos. E quanto mais cedo chegar a esse reconhecimento, tanto melhor para ela.

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III DEMOCRACIA: UMA MORTE ANUNCIADA Parte 1

Nos dias de hoje, para uma nação ser reconhecida como civilizada, precisa necessariamente embutir a palavra “democracia” na denominação do regime de governo ou no próprio nome do país. É por essa razão que a primeira medida tomada por Laurent Kabila, o obstinado guerrilheiro recentemente empossado governante do ex-Zaire, foi rebatizar o nome do país para República “Democrática” do Congo. Assim, mais uma nação veio se juntar ao rol de várias outras já convertidas, como: Argélia, Coréia do Norte, Laos, Somália, Sri Lanka... Que esses países, nem de longe, respeitem o princípio básico da liberdade, não faz diferença aos seus governantes nem à comunidade internacional. Ao se rotularem de democráticos, eles galgam o primeiro degrau indispensável para atingir o patamar de nações confiáveis, podendo exercer a partir daí algumas prerrogativas exclusivas: comércio em condições mais favoráveis, assistência econômica e militar, bênçãos elogiosas dos Estados Unidos — investido como guardião da democracia — e sua corte européia. Essa situação grotesca põe à mostra, com suficiente nitidez, o verdadeiro http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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pilar sobre o qual se assenta o regime democrático em todo o planeta: a hipocrisia. A democracia está fundamentada na hipocrisia. Tudo o que se relaciona com esse regime político, em última instância, desemboca em algum argumento hipócrita. Nada mais é do que hipocrisia quando se diz que o povo é sábio. Não é. A maior parte, portanto a parcela que elege os dirigentes, se comporta como um indolente rebanho bovino, tocado para lá e para cá pelos capatazes políticos através de promessas que nunca se cumprirão. Somente hipocrisia reside nas expressões comuns à prática democrática: “barganha política”, “base parlamentar de apoio”, “compatibilização de interesses”... Todos eufemismos para corrupção pura e simples. Não passa de hipocrisia quando se diz que o poder é exercido em nome do povo. Os congressos e os parlamentos eleitos com essa função nos países democráticos são tumores nacionais, os quais, insuficientemente tratados a cada eleição, voltam a crescer, para disseminar com empenho redobrado a metástase da corrupção. Como se pode acreditar que será longa a sobrevida de um organismo assim debilitado? De fato, o único alento que se extrai de todo esse quadro deprimente é o saber de que a democracia vai se extinguir infalivelmente. Não se trata de uma afirmativa leviana nem tampouco de uma profecia sem fundamento, mas tão somente da antevisão de um processo inevitável, natural e automático de depuração. Tudo quanto é errado, nocivo ou inútil não pode se manter indefinidamente. Aquilo que não se adapta a certas leis básicas, ou leis naturais, não pode perdurar, quer se trate da natureza como tal, do próprio ser humano que dela faz parte e de tudo quanto ele inseriu no mundo, sejam modos de vida, doutrinas econômicas, sistemas religiosos e filosóficos, ou regimes políticos. O mesmo processo ou lei que atuando automaticamente varreu do planeta em determinada hora o sistema comunista, por ser errado e insano, que fez cair por terra (e continua a fazê-lo) todos os regimes do espectro político baseados na força e na opressão, este mesmo processo desintegrará também http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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o corrupto sistema democrático, quando o tempo para isso tiver chegado. Melhor dizendo, limpará a Terra desse sistema. A classe política remanescente terá necessariamente de redirecionar seus objetivos e procedimentos, ajustando-os a princípios bem diferentes dos atuais, pois caso contrário não será remanescente. O regime político do futuro se aproximará mais dos exercidos por determinados povos antigos, não por acaso relegados à curiosidade histórica ou completamente esquecidos pelo Homo politicus moderno, essa estranha criatura, que em sua decadência mal pressentida se intitula autosuficiente, mas que em seus atos se mostra apenas como auto-iludida.

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IV DEMOCRACIA: UMA MORTE ANUNCIADA Parte 2

As profundas falhas e contradições existentes na democracia são inerentes a esse sistema político, fazem parte intrínseca de sua constituição. Não irromperam apenas agora, nas últimas décadas, como pode parecer à primeira vista. O que presentemente observamos é a exacerbação desses erros, aperfeiçoados ao máximo pelos seus praticantes contemporâneos, que não têm medido esforços para transformar os países democráticos em ilhas de hipocrisia, cercadas por todos os lados pelo oceano de lama da corrupção. Quando o ideal democrático começou a ganhar corpo na Grécia, por volta de 508 a.C., observou-se um fenômeno curioso: quanto mais agraciado era um político com o dom da oratória, tanto mais seguramente ascendia ele na conceituação do povo e tanto mais rapidamente se destacava na "Assembléia dos Cidadãos", o equivalente da época ao congresso de hoje. Se o que era dito tinha ou não valor, era irrelevante, o que importava era falar bem. Só assim foi possível aos verborrágicos democratas daquele tempo, já suficientemente corrompidos, condenar à morte o sábio Sócrates, apoiados apenas em argumentos incoerentes de um palavreado oco. Estava inaugurado o primeiro crime de vulto acobertado pelo onipresente escudo democrático. Fazendo referência àquela época, um historiador (*) afirmou textualmente: http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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"Parecia não existir em Atenas um partido no qual um homem que não quisesse abrir mão de princípios éticos pudesse se integrar." Familiar não? Mas não apenas isso. Era quase impossível decidir alguma coisa na Assembléia dos Cidadãos, pois os integrantes freqüentemente deixavam de comparecer ao plenário... Ausentavam-se para poder cuidar de seus assuntos particulares... A democracia é uma das excrescências produzidas pela contínua e irrefreável decadência humana, que vem já de milênios. O fato de sua origem ser tão antiga, demonstra apenas que já naquela época a maior parte da humanidade vivia de forma contrária a determinadas leis que regem o mundo, ou leis naturais. Tudo quanto é edificado em contraposição a essas leis naturais não tem possibilidades de se manter. Dura um certo tempo e se desintegra, por efeito automático dessas mesmas leis. Para quem as conhece não é tão difícil assim fazer previsões, que têm de se cumprir infalivelmente, mais cedo ou mais tarde. Em épocas passadas, quando a humanidade ainda vivia integrada a essas leis, os regimes de governo também eram diferentes. Na Caldéia, em Sabá e mesmo mais recentemente no Império Inca vigorava a verdadeira arte de governar. Poder-se-ia chamar esses regimes de autocracias, porém com diferenças fundamentais em relação ao conceito que se tem hoje dessa forma de governo. Em primeiro lugar, a autocracia daqueles tempos não era o “regime do mais forte”, e sim o “regime do mais sábio”. E mais sábio era aquele que melhor compreendia as leis da vida e que mais desenvolvido se encontrava espiritualmente. Os dirigentes eram pessoas que já nasciam predestinadas a governar. Traziam em si um sentido incorruptível da verdadeira justiça e, com sua visão mais ampla que a dos demais, estavam aptos a reconhecer de que forma deveriam conduzir o povo, para que este alcançasse seu máximo desenvolvimento espiritual e terreno. Uma maneira de governar que o ser humano de hoje sequer consegue imaginar, preferindo taxá-la de fantasia… Aliás, a reação que sentimos de imediato a essas palavras é bem natural, pois estamos por demais convencidos da capacidade humana em resolver os problemas criados pela própria humanidade. Só mesmo quando todo o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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errado se auto-exaurir, num completo e indisfarçável malogro, é que a humildade será redescoberta. E somente com a humildade como archote é que poderá ser encontrado o caminho de volta para o modo correto de vida em todos os sentidos. Aos que preferem taxar de utópica a forma de governo indicada, digo que têm absoluta razão. É realmente uma utopia para a época presente. No solo ressecado da política atual jamais poderia florescer algo de belo e útil. Antes esse solo terá de ser completamente limpo das ervas daninhas e do sarçal venenoso, plantados e tratados cuidadosamente pela legião de maus jardineiros da política, tão orgulhosos desse seu trabalho. Os povos mencionados acima reconheciam com gratidão a sabedoria dos seus governantes e, por isso, seguiam à risca, confiantemente, as diretrizes de governo. Integravam-se naturalmente em castas sociais; não umas sobre as outras, mas umas ao lado das outras. Não havia evidentemente nenhum tipo de opressão, mas todas as castas, da mais alta à mais baixa, eram consideradas de igual importância, pois o bem do país e do povo dependiam do trabalho conjunto e harmonioso de todas elas, segundo as capacitações de cada um. As castas se formavam de acordo com a maturidade espiritual das pessoas. A mais elevada era a formada pelos sábios. Poderíamos fazer uma analogia desse tipo de governo com um navio que singra o oceano. A segurança e a tranqüilidade da viagem dependem da atuação sincronizada de todos os membros da tripulação. O capitão do navio tem a missão de levá-lo em segurança a um bom destino, pois é ele quem melhor está capacitado para isso e de seu posto de observação tem a mais ampla visão dos acontecimentos. Compete a ele também dar as diretrizes corretas no caso da aproximação de tempestades perigosas, que possam por em risco o destino final da viagem. O pessoal que trabalha no convés, na casa de máquinas e na manutenção da embarcação não têm a visão do comandante, mas confiam nele integralmente e trabalham diligentemente para que os motores funcionem bem e o leme mantenha-se firme. Da mesma forma, sem o seu importante trabalho, a viagem também não chegaria a bom termo. O navio é a nação; a viagem é a vida terrena, que deve estar voltada para a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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ascensão espiritual e o progresso terreno; as tempestades são todos os perigos que ameaçam o curso da viagem, como o surgimento de modos de vida falsos, doutrinas religiosas e filosóficas impregnadas de mentiras, comodismo, falta de vigilância espiritual e terrena, etc.; o capitão é o sábio dirigente que, destacando-se espiritualmente dos demais, indica com energia e justiça o rumo a seguir; os outros membros da tripulação, que têm variadas funções a bordo, constituem as castas que se formam automaticamente de acordo com as capacitações e o desenvolvimento interior de cada um. Não há atualmente sobre a Terra nenhum resquício de regime de governo que sequer se aproxime da forma como era exercido naqueles tempos. Na realidade, nenhum povo hoje merece ser governado assim, mas, ao contrário, apenas por essa classe desqualificada de políticos profissionais, que não visam nada além de seus próprios interesses. Mas também isso é um efeito retroativo da própria atuação dos povos, muito mais interessados em direitos do que em deveres. É literalmente certo quando se diz que cada povo tem o governo que merece, o que, no entanto, não é apenas decorrência dos resultados das eleições. A verdadeira causa é muito mais profunda, pois colhemos na época presente os frutos venenosos que semeamos em outros tempos. (*) Platão - Vida e Obra. Comentário do consultor José Américo Motta Pessanha.

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V O DESCALABRO ECONÓMICO

"O desconhecimento de uma lei não é uma justificativa válida para se descumpri-la." Este é um princípio básico da ciência do direito, porém impossível de ser observado para as leis existentes, tal o seu número e complexidade. Uma pessoa que quisesse, realmente, conhecer toda a gama de leis a que está sujeita no decurso de sua vida, teria de gastá-la inteiramente no estudo aprofundado das inúmeras legislações em vigor. E é bastante provável que não atingisse o seu objetivo. Mas o princípio permanece válido para certas leis da natureza, a que o ser humano igualmente está sujeito durante a sua passagem pela Terra, já que ele é também uma espécie dentro dela, como tantas outras. O princípio é válido porque contrariamente às dos homens, essas leis naturais são muito simples e claras. Ninguém pode desobedecê-las sob a alegação de ignorância, pois basta um mínimo esforço de observação para se reconhecê-las. Uma dessas leis básicas é a que dispõe sobre o equilíbrio. Observamos nitidamente seus efeitos nos locais onde a influência humana ainda não chegou. Um ecossistema ainda não corrompido pela ação humana desagregadora sempre estará em equilíbrio. Jamais apresentará, por exemplo, uma disparidade acentuada entre o número de espécies que o compõem. Nunca se observará um dos integrantes tentar destruir o ecossistema, visando angariar vantagens imediatas para si. Não haverá lá, tampouco, alguma espécie desprovida do necessário para sua sobrevivência, tendo de experimentar "penúrias materiais". Os seres que pertencem ao ecossistema dão de alguma forma algo para o todo, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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recebendo em contrapartida o necessário para sua subsistência. Equilíbrio contínuo entre o dar e o receber. Mesmo as espécies do reino vegetal obedecem automaticamente essa lei do equilíbrio. Plantas e árvores recebem da natureza os nutrientes do solo e dão à ela flores e frutos. Utilizam o gás carbônico da atmosfera e devolvem oxigênio. Já a espécie humana se comporta de maneira diferente. Justamente ela, que com sua organização social deveria constituir um exemplo vivo de obediência incondicional à lei do equilíbrio, desprezou-a acintosamente, na mais leviana autopresunção. Devido à sua constituição espiritual, essa espécie ocupa uma função especial dentro da natureza. Sua missão consiste em elevá-la e enobrecê-la, aperfeiçoando na matéria o modo de cumprimento das leis vigentes. Assim estava previsto. No entanto, essa expectativa não se confirmou. Todas as outras espécies continuaram obedecendo a seu modo, instintivamente, as leis naturais. Mas o ser humano, o elevado ente espiritual que deveria zelar pela natureza, não deu nenhuma importância a essas leis básicas. Leis que vigoravam antes do seu aparecimento na Terra. Colocou-se presunçosamente acima delas, como se não lhe dissessem respeito. Em sua inconcebível arrogância arvorou-se senhor da criação, enquanto nem cumpria seus deveres de simples integrante dentro dela. Por isso agora ele assiste, entre incrédulo e perplexo, o desmoronar inevitável de toda a sua obra falsa, erigida descuidadamente sobre um solo pouco firme. Toda a obra humana foi erguida, por ignorância e teimosia, sobre um solo arenoso, impróprio para se edificar qualquer empreendimento. O ser humano não observou, principalmente, a fundamental lei do equilíbrio, que se constitui a base, o solo firme que suporta toda a edificação. De nada adianta se uma construção é muito bem planejada, se são utilizados os materiais mais resistentes, se para tanto empregam-se os melhores engenheiros e arquitetos. Erigida sobre a areia, ela terá de ruir cedo ou

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tarde. E a ciência econômica é uma das muitas obras engendradas pelo intelecto humano completamente dissociadas desse princípio básico do equilíbrio. Assistimos hoje na maioria dos países a um esforço frenético, quase desesperado, dos mais conceituados especialistas procurando controlar os múltiplos indicadores econômicos. Com admirável empenho (reconheçamos) eles tentam fazer funcionar mais ou menos bem a absurdamente complexa e instável máquina econômica que inventaram, efetuando ajustes freqüentes nos vários instrumentos de controlo à disposição. Com precários resultados porém. Os números que traduzem o imenso descalabro em que está mergulhada a economia mundial neste fim de século parecem irreais de tão gigantescos, e mesmo assim continuam a crescer, como se tivessem vida própria. Por toda a parte aumenta a disparidade entre produção e consumo, entre trabalho e remuneração, entre dívidas contraídas e benefícios gerados. Macro e microeconomia se fundem num megacaos assustador, onde o desequilíbrio dá a tônica em todos os setores. (*) E em meio a toda essa balbúrdia sobressaem os ilustres economistas, que digladiando não muito cavalheirescamente entre si, procuram cada qual impor sua revolucionária e exclusiva solução salvadora. Diariamente vemos desfilar na imprensa os mais contraditórios e contundentes esclarecimentos sobre as causas e efeitos de desvalorização cambial, controle inflacionário, déficit público, crise bancária, inadimplência, capital especulativo, flutuação de juros, ações sobrevalorizadas, desemprego crescente, concentração de renda, etc, etc. Toda essa confusão poderia ser evitada se, desde a base, fosse observado simplesmente o necessário equilíbrio entre o dar e o receber. Na verdade, as pessoas já vivem numa permuta contínua de valores, sem contudo dar a devida importância a isso. O seu maior erro aí – imperdoável – foi justamente negligenciar o indispensável equilíbrio neste processo natural de troca. Com o seu trabalho elas dão algo ao mundo em que vivem, à Terra, e por http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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isso recebem dela o necessário para a sua vida terrena. Em primeira linha alimento, vestuário e moradia. Em seqüência natural outros bens complementares, sempre segundo sua própria contribuição. O dinheiro nada mais é do que um instrumento, um meio para facilitar o fluxo entre o dar e o receber no nosso mundo civilizado. Fluxo este que todos os implicados têm o dever de manter em absoluta eqüidade, cuidando para que os pratos da balança permaneçam rigorosamente nivelados. Assim o quadro geral de uma atuação coletiva harmônica. Simples demais? Sim, como tudo aliás que possui real valor, que, portanto, ainda não foi infectado pelas diretrizes intrincadas do limitado intelecto humano. Sucede porém que como em muitas outras coisas o ser humano resolveu "aperfeiçoar" também a lei natural do equilíbrio. Na sua estreiteza de compreensão, fruto de sua irrefreável e também já indisfarçável decadência espiritual, ele imaginou poder levar uma vida mais bela e feliz se abaixasse um dos pratos da balança em seu favor. Ele quis receber cada vez mais, dando cada vez menos. E com o passar dos séculos esse desequilíbrio cresceu e cresceu, até chegar ao ponto em que nos encontramos hoje, onde o dinheiro passou a ser um fim em si mesmo, ao invés de um mero instrumento terrenal para efetivação do dar e receber. A partir daí, o que restava de dignidade e respeito ao próximo dessa criatura cega de cobiça extinguiu-se de vez. Passou a querer levar vantagem em tudo para angariar mais dinheiro, pouco importando se para tanto tivesse de infligir danos ao seu semelhante. Para obter mais dinheiro empregados enganam seus patrões, patrões exploram seus empregados, estelionatários estudam novos golpes, especuladores lançam boatos nas bolsas, fábricas se juntam em cartéis, bancos se transformam em casas de agiotagem, políticos vendem seus votos, madeireiras arrasam florestas, nações brigam entre si por interesses comerciais. E todos contraem dívidas que não podem saldar. Engana-se, rouba-se, mata-se, destrói-se e guerreia-se por dinheiro. A gananciosa humanidade torceu o mais que pôde o preceito dado a ela de conservar o equilíbrio em tudo, abaixou ao máximo o prato da balança a seu favor, na ilusão de conquistar com isso a felicidade terrena.

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O que ela não imaginava, porém, é que ao contrário das leis humanas, as da natureza não podem ser desobedecidas impunemente. A humanidade conseguiu, sim, fazer descer o prato da balança durante um certo tempo, mas agora ele retorna violentamente à sua posição original, atirando para longe tudo o que estava acumulado em seu interior. No que tange à economia, isso se evidencia como uma tragédia de proporções apocalípticas, sem paralelo na história humana. Centenas de milhões de pessoas vivem hoje na mais absoluta miséria, sem qualquer perspectiva de melhoria de suas condições materiais. Os que têm um emprego e ainda ganham o suficiente para viver condignamente formam uma única e extensa legião de descontentes, firmemente convencidos de que a vida lhes foi injusta ao denegar-lhes a riqueza material. Ao invés de enobrecer o mundo com valores espirituais e terrenos, eles só fazem crescer a má vontade, a inveja e a desconfiança. Já os que possuem muitos recursos, em sua maior parte os direcionam quase que exclusivamente para deleite próprio, sem a menor preocupação de soerguer e conservar o bem comum. A cada ano, a cada mês, a cada dia vemos avolumar-se o descalabro econômico mundial, gerando angústia, desesperança e… insegurança. O pedestal do ídolo dinheiro, erguido por tantas mãos prestimosas até uma altura que obscurece totalmente qualquer vislumbre de vida espiritual, está se desfazendo aos pedaços sobre uma humanidade amedrontada e estarrecida. A instabilidade econômica mundial traz convulsão social, crise de governabilidade, medo e, sobretudo, insegurança generalizada. Esses os frutos que temos de colher agora, pela não observância de uma lei simples e todavia tão essencial, que sozinha poderia garantir total harmonia de vida neste nosso conturbado planeta. (*) Alguns poucos exemplos isolados: 

Cerca de 60% da população mundial vive com uma renda de até dois dólares por dia; 1,3 bilhão de pessoas sobrevivem com até um dólar por dia.

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A dívida pública americana cresceu 4.145 vezes do início do século até 1995. No final daquele ano cada bebê americano veio ao mundo devendo 18.930 dólares (dívida pública per capita).

Em fins de 1996 a Organização Internacional do Trabalho estimava haver um bilhão de pessoas desempregadas ou subempregadas em todo o mundo.

O volume de recursos disponíveis na ciranda financeira mundial é várias vezes superior ao que se poderia adquirir com eles. Giram hoje no mercado de ações e de derivativos cerca de 67 trilhões de dólares. Todo o ouro existente no mundo não soma 6 trilhões de dólares.

A renda conjunta de 358 multimilionários é superior aos rendimentos somados de 2,3 bilhões de pessoas (45% da população mundial).

Nos últimos quinze anos 1,6 bilhão de pessoas viram sua renda diminuir.

Desde 1980 noventa países sofreram declínio econômico.

Há atualmente 131 países às voltas com crises profundas em seus sistemas bancários.

Categorias profissionais que são verdadeiros sustentáculos à integridade de uma nação, como as dos professores, médicos e pesquisadores são parcamente remuneradas e mal reconhecidas, enquanto que boxeadores, pilotos de corrida, jogadores de basquete ganham milhões de dólares para contribuir com nada para coisa alguma e são elevados à categoria de heróis.

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VI TOURADAS: CRIME DE ESTADO

Carta aberta enviada em castelhano para vários jornais e revistas da Espanha. Sou brasileiro e recentemente assisti, através de um canal de TV a cabo, o desenrolar de uma legítima tourada espanhola. A idéia que eu tinha desse tipo de evento era a de um circo, montado em condições bastante desfavoráveis ao touro, com o objetivo e destacar a coragem do homem frente ao animal. Mas eu estava errado. A tourada é mais do que um circo. É um espetáculo medieval de horrores, onde se enaltece a covardia e brutalidade humanas, para satisfazer os instintos sanguinários de uma espécie de gente torpe, embrutecida e degenerada, que se tem na conta de civilizada. O primeiro choque veio com a expressão estampada nos rostos dos espectadores, pouco antes do início da "luta". Felizes, rindo à toa, como se o que estavam prestes a ver fosse um filme ou uma peça de teatro. Podia-se apostar que não se comportariam de forma diferente se lhes fosse dado apreciar cristãos sendo devorados por leões. Ririam e aplaudiriam com o mesmo entusiasmo, estremeceriam sob o mesmo êxtase macabro, usufruiriam o mesmo prazer mórbido em contemplar o sofrimento alheio. O segundo choque foi múltiplo. Veio na forma de sobressaltos a cada banderilla que era cravada no dorso do animal. Eu simplesmente não podia acreditar no que estava presenciando. Enquanto o "matador", com sua reluzente fantasia, fazia rodopios de despiste sob olés encorajadores, o destemido banderillero vinha por detrás e fincava seus arpões no touro. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Vivas e palmas contagiantes a cada vez que isso acontecia… A emissora de TV ainda nos poupou do último choque: a morte cruel do animal. Ouvia-se apenas a voz do narrador informando como este, exausto e ferido, era sacrificado pelo toureiro num gesto de triunfo. A câmera focalizou então mais detidamente as arquibancadas. Todos os espectadores, de pé, ovacionavam freneticamente o herói do dia. Uma vez mais fora demonstrada, de forma cabal e inquestionável, a superioridade do bicho homem. Essas, em largos traços, as cenas do crime monstruoso que me foi dado testemunhar a milhares de quilômetros de distância. E quando acessei alguns sites espanhóis sobre touradas, para me convencer da veracidade daquele pesadelo, deparei com fotos cujo horror mal pude assimilar. Vi touros torturados, massacrados, alguns correndo com os chifres pegando fogo, tentando inutilmente escapar dos seus algozes. Ah, Espanha! Como é doloroso teu legado a este mundo! Os nomes Cortés e Pizarro ainda causam arrepios na América Latina. Cada nova geração de europeus ainda estremece ao saber das atrocidades da Inquisição. E os povos olham agora novamente horrorizados para ti, fomentadora da crueldade contra os animais! Certamente muitos outros crimes contra os animais são praticados em todo o mundo, mas não com o beneplácito do Estado e o incentivo da população. Tu, Espanha, és uma triste exceção. Roberto C. P. Junior

Resposta do ativista espanhol "Minotauro", que luta contra as touradas em seu país. Te puedo decir que tu carta ha calado hondo en mi corazón, te aseguro que me cuesta imaginar una visión más sincera del primer acercamiento al mundo de los toros. Incluso nosotros, que luchamos contra esa barbarie nos cuesta imaginar el horror que debe sentir una persona sensible ante semejante monstruosidad. Tu carta me hace confirmarme en mis convicciones y redoblar mis esfuerzos para acabar con los toros. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Lo terrible del caso es que tú viste sólo parte de "espectáculo", por desgracia hay más que el espectador no avisado no percibe, comprenderas cómo toda persona sensible huye de esta atrocidad. Pero en España la presión es terrible, hace 15 días en Bilbao, los manifestantes fuimos tratados como criminales, en Mayo en Madrid quien expresó su disconformidad con la "fiesta" fué agredido por quien la defendía. Aun así, tenemos el convencimiento que tenemos razón y que por ello conseguiremos nuestro objetivo. Además ellos son ya una minoría, con poder, eso sí, pero una minoría, aunque quieran hacer creer al mundo lo contrario. Cuento con tu permiso para incluir tu carta en la sección "colaboraciones" de mi WEB. Y me tomola libertad de tenerte informado de todo lo que ocurra en este tema. MUY AGRADECIDO MINOTAURO

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VII OS LIMITES DA CIÊNCIA Parte 1

Quando uma pessoa comum se depara com o pronunciamento de um cientista sobre um assunto qualquer, sua reação é invariavelmente uma mescla de interesse sincero, profundo respeito e humildade auto-imposta. Ela se recolhe silenciosamente num canto, esforçando-se o mais possível em compreender o pensamento do cientista. Quer beber, por pouco que seja, daquela fonte de sabedoria que julga sobre-humana. Este conceito – da superioridade da ciência e de seus discípulos frente aos demais mortais – está tão arraigado em nossa sociedade, que ninguém das castas inferiores ousa questioná-lo. Seria isso quase uma heresia, uma tentativa subversiva de romper a ordem natural das coisas. O escudo separador entre humanidade e ciência, moldado por esta última com a arrogância e presunção que lhe são peculiares, cuida de rechaçar com admirável eficiência qualquer pensamento contrário à estrutura de valores estabelecida: cientistas no cume da pirâmide; demais segmentos da sociedade estratificados em seqüência descendente até a base, sempre alojados segundo seus dotes intelectuais. Ao longo do tempo essa pirâmide abstrata de valores demonstrou ser muito mais sólida, muito mais avessa à mobilidade de seus integrantes, do que as pirâmides sociais dos vários povos. Atravessou séculos firme e inabalável, impassível ante a ascensão e queda de impérios, indiferente a governos e regimes políticos. Essa estabilidade fantástica deve ser creditada indistintamente a todos os integrantes da pirâmide de valores, que jamais se permitiram imaginar que sua estruturação pudesse ser

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diferente. Assim é que já desde muito a ciência impinge à humanidade muitas idéias absurdas e errôneas, sem encontrar a menor resistência vinda de baixo. A cada proclamação de um dogma científico, segue junto uma mordaça compulsória coletiva, na forma de uma linguagem obscura e ininteligível, totalmente inacessível aos não eleitos. Somente os membros da cúpula científica detêm as prerrogativas e os meios para discutir os novos dogmas, benevolentemente outorgados ao resto do mundo. Em conclaves internacionais eles exibem então suas descobertas recheadas de neologismos polissilábicos, condição indispensável para serem notados e reconhecidos pelos demais membros da irmandade. Num ponto, porém, cientistas e simples criaturas se igualam. Todos estão firmemente convencidos de que a ciência é capaz de fornecer respostas aos grandes questionamentos humanos. Uma grande parte acha até que isso já aconteceu... Poucas pessoas apenas percebem quão limitado é, na realidade, o campo de atuação da ciência. E como tem de parecer pueril, ridícula até, a pretensão desta em querer desvendar a seu modo os últimos segredos do universo. O dogma da infalibilidade científica só pôde obter assim tão ampla e irrestrita aceitação, porque a humanidade como um todo deu muito mais valor ao raciocínio do que ao seu próprio espírito. Prova disso é que a simples menção da palavra espírito já causa um certo mal-estar em quase todas as pessoas. Basta que ouçam ou leiam esta palavra para o raciocínio entrar imediatamente em ação, procurando fazêlas acreditar que provavelmente estão frente a algo "não muito sério". O mesmo efeito se observa com qualquer outro conceito que o intelecto não pode assimilar. Assuntos legitimamente espirituais não desencadeiam mais em nossa época sentimentos de alegria e interesse, mas sim de descaso e rejeição, provocados pelo próprio raciocínio, na sua costumeira função de manter-se a todo custo no trono usurpado. Quando muito ele, o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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raciocínio, colabora no incremento da fantasia, fornecendo à indolente humanidade os sucedâneos para os assuntos espirituais que ela negligenciou: ocultismo, misticismo, magia, crença cega. E assim o espírito permanece dormindo placidamente, sem se fazer notar, sem ameaçar o tirânico reinado cerebrino. Este o retrato do ser humano hodierno: o ente de espírito que se envergonha de sua origem espiritual, o escravo do seu próprio raciocínio, a lânguida criatura, que desprovida de qualquer vivacidade de espírito, aceita apaticamente as mais grotescas mentiras religiosas e as mais tolas fantasias místico-ocultistas. Se quando provou da árvore do conhecimento, a humanidade tivesse ao mesmo tempo regado o jardim de suas aptidões espirituais, teríamos hoje um paraíso na Terra. Como, porém, isso não aconteceu, temos de sobreviver num mundo dilacerado pelo ódio, conspurcado pela cobiça, envenenado pela inveja e afundado na miséria. É o mundo que o intelecto tem a oferecer, quando dissociado do espírito, que, unicamente, é capaz de fazer do ser humano um ser... humano.

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VIII OS LIMITES DA CIÊNCIA Parte 2

A fé irrestrita da humanidade em relação às suas habilidades cerebrais já vem de muito longe. Milênios. E os sucessivos êxitos materiais exteriores só serviram para solidificar ainda mais essa idéia. O que presentemente observamos é apenas a coroação deste processo, onde o intelecto se firma como o único apoio confiável. A "divindade" onipresente e onisciente, a quem a ciência se consagrou por inteiro, e que julgou ser seu dever impingir à humanidade. E a quem todos oram também, cada vez que lançam mão de maquinações intelectivas para atingir míseros e efêmeros objetivos terrrenais. Quando os antigos gregos começaram a desvendar paulatinamente as leis da mecânica celeste, há muito o desenvolvimento espiritual havia sido posto de lado. Já naquela época isso era tido como algo sem importância, desnecessário, até mesmo estorvante para o "progresso" humano. Sem concorrente à altura, o raciocínio foi se fortalecendo cada vez mais, desimpedidamente, na mesma velocidade aliás em que os dotes espirituais humanos iam se atrofiando. Cada anúncio de uma nova descoberta científica era mais um bloco utilizado na construção daquela pirâmide intelectual de valores, que naquele tempo já ostentava considerável altura. Fazendo referência aos gregos daquela época e suas descobertas, o conceituado cientista brasileiro Marcelo Gleiser declarou textualmente o seguinte em sua obra A Dança do Universo: "Seu amor pela razão e sua fé no uso do raciocínio como instrumento principal na busca do http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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conhecimento formam o arcabouço fundamental do estudo científico da Natureza. Não devemos nunca fugir dessa busca, intimidados pela nossa ignorância." É este o ponto, precisamente. A base sobre a qual a ciência se apóia é o intelecto, o raciocínio humano. E nem poderia ser diferente. Se ela se propõe a analisar e classificar fenômenos físicos, terrenalmente perceptíveis, tem de se valer mui naturalmente do raciocínio, que é um produto do cérebro, órgão pertencente ao corpo material do ser humano. Utilizando o raciocínio como instrumento, a ciência é capaz, sim, de grandes feitos, os quais no entanto terão de permanecer sempre circunscritos ao âmbito da matéria. Os resultados obtidos até agora pelos vários ramos da ciência são exemplos claros desse sucesso material inquestionável. O grande erro aí surge quando, incentivados por esses êxitos visíveis, os cientistas se julgam igualmente aptos a perscrutar, com o seu intelecto atado à matéria, coisas que se acham fora do âmbito material. Eles imaginam poder encontrar dessa forma respostas às questões fundamentais do ser humano: Qual a origem do universo? Como surgiu a vida? Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? E em todos os degraus da pirâmide de valores habita essa mesma crença, de uma capacidade ilimitada da ciência terrena. Cheias de esperança, com mal disfarçado orgulho, todas as classes erguem os olhos para os seus idolatrados cientistas, a nata da espécie humana que habita lá no topo, na expectativa de obter respostas também para essas questões tão cruciais. Mesmo cientes de que serão incapazes de compreendê-las, por não dominarem o hermético idioma científico, elas aguardam ansiosamente pelas respostas, a fim de apaziguar seus próprios anseios íntimos. Uma espera sem esperanças... Nunca será possível ao intelecto humano, que pertence incondicionalmente à matéria, desvendar enigmas cujas soluções http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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encontram-se em outros planos da criação. Para tanto é necessário mobilidade do espírito, algo que os cientistas de hoje - com raríssimas e honrosíssimas exceções - não possuem mais. Eles, que em sua maior parte sequer admitem a existência do espírito, e muito menos ainda de um Criador, insistem em pesquisar assuntos de caráter espiritual com seu restrito raciocínio preso à Terra. Querem desvendar os segredos da criação com balanças, tubos de ensaio e microscópios eletrônicos. Uma situação que seria até cômica, se não fosse tão triste. E apesar da lógica cristalina que reside nessa impossibilidade natural, de apreender fenômenos espirituais com meios materiais, a ciência nunca poderá reconhecer essa sua limitação. Não exatamente por vaidade, mas por absoluta incapacidade. Justamente por acreditarem que o raciocínio é a chave para tudo, que pode resolver tudo, os cientistas se privam da capacidade de vislumbrar o que se encontra além dos limites traçados para o saber intelectual. Para eles é de todo impossível estender a visão além desse ponto. Eles nem mesmo podem considerar a hipótese de que exista algo que o raciocínio não seja capaz de destrinchar. Não possuem mais, na realidade, a capacidade para tal discernimento. Os discípulos da ciência imaginam estar no ápice do saber humano, e se deixam embalar, satisfeitos, nos acordes dessa ilusão. E, na verdade, para eles é assim mesmo. Encontram-se de fato no topo do conhecimento intelectual, que, no entanto, constitui um degrau muito inferior, extremamente baixo em relação ao saber que poderiam ter da imensa obra da criação, caso tivessem feito uso das capacitações de seus espíritos. Se a humanidade não tivesse abandonado tão levianamente seu desenvolvimento espiritual, tudo se apresentaria agora numa forma totalmente diferente. Ciência seria hoje sinônimo de verdadeiro saber, e todas as grandes questões humanas estariam há muito solucionadas.

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IX QUEM SOMOS?

Quem somos? De onde viemos? As tentativas de responder essas perguntas podem ser condensadas em duas correntes básicas, empenhadas já há décadas em se antagonizar e se excluir mutuamente: a criacionista e a evolucionista. Os adeptos da primeira se valem de uma interpretação rígida de escrituras religiosas, enquanto que os da segunda se apóiam numa visão materialista de fenômenos exteriores. Fundamentalistas de um lado, cientistas do outro. No nosso século essas duas correntes já mediram forças várias vezes, num fluxo e refluxo de batalhas ganhas e perdidas de ambos os lados, com traições e deserções, conquistas e capitulações, tudo, enfim, que caracteriza uma guerra. "Santa" no entender de um grupo, "justa" na concepção do outro. Nem bem os criacionistas tinham acabado de comemorar o desmoronamento da insustentável teoria da geração espontânea, e as idéias de Darwin já começavam a ganhar o mundo. O que se seguiu daí foi uma sucessão extenuante de debates acalorados, provas e contra-provas e até processos judiciais. O capítulo mais recente findou com uma ovelha clonada exibida como troféu por doutores, e uma foto panorâmica de Marte - vazio e sem o menor sinal de vida - desfraldada orgulhosamente por pregadores. Mas qual das concepções básicas estaria correta? O primeiro homem teria sido criado a partir do barro, e a primeira mulher nascida de sua costela? http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Ou o casal primevo da humanidade teria surgido de uma dissidência símea? Barro ou macaco? Se num caso temos de admitir a desagradável constatação de que a humanidade inteira se originou de relações incestuosas entre os descendentes da primeira família, no segundo caso temos de considerar que, apesar de justo, nenhum de nós se disporia a pendurar o retrato de um gorila ou chimpanzé na galeria de nossos ancestrais. Também não se observa nos dias de hoje quaisquer resquícios genéticos que pudessem comprovar as gêneses fundamentalista ou científica. O homem não nasce com uma costela a menos do que a mulher, nem se nota nos múltiplos povos da Terra qualquer predileção especial por bananas. Todavia, existe algo fundamental que é comum a essas duas teorias, aparentemente tão díspares entre si. Ambas são produtos exclusivos do intelecto humano. Foram moldadas pelo raciocínio. Nenhuma delas é o resultado de uma busca espiritual. Pois num caso é apenas trabalho do raciocínio a interpretação ao pé da letra, literal, de metáforas de cunho espiritual. Ele, o raciocínio, não tem a capacidade de suplantar o meramente terrenal em suas análises, já que ele próprio é um produto do cérebro material. Por isso, comprime tudo com que se depara em concepções por demais limitadas, torcidas, circunscritas irremediavelmente ao âmbito do espaço e do tempo terrenos. Dessa torção padecem todos os ensinamentos espirituais transmitidos à humanidade no decorrer do tempo. Nada se conservou puro. Nada foi compreendido em seu sentido mais profundo. Parábolas e orações, salmos e profecias, tudo foi retido, tolhido, desfigurado e comprimido em conceitos muito restritos. O que sobrou após a passagem desse rolo compressor do crivo intelectivo nem de longe lembra os preceitos originais. Apenas para ilustrar a que ponto chegou hoje a influência cerebrina em assuntos religiosos: Um teólogo brasileiro esclareceu recentemente que "de acordo com a teoria da evolução do universo, agora sabemos que não somos um corpo que abriga um espírito". (sic) Parece tratar-se de um caso de apostasia (ou de conversão, dependendo da ideologia de quem vê), de um desertor que se bandeou para o lado do inimigo. Aliás, no lado do inimigo a situação é ainda pior, pois lá a veneração do http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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ídolo raciocínio é condição prévia para um aspirante poder receber a patente de cientista. E é justamente um dos expoentes da tropa científica (prêmio Nobel por sinal) que nos assegura que "a vida surgiu por acaso, quando num determinado momento alguns elementos químicos se combinaram e passaram a fazer cópias de si mesmos". (sic) De acordo com essa idéia, os bilhões de seres humanos na Terra, as incontáveis espécies animais e vegetais, vírus e dinossauros, bactérias e baleias, todas as formas de vida que povoam o planeta ou que já passaram por ele, incluindo o polêmico casal primordial de macacos, são o resultado da fortuita combinação de alguns elementos químicos - vindos não se sabe de onde - ocorrida há três bilhões de anos, que, por um acaso, sem mais nem menos, resolveram fazer cópias de si mesmos e deu no que deu. Em outros planetas, como Marte por exemplo, esses elementos químicos não quiseram se reproduzir, e é por isso que não vemos hoje nenhum cientista marciano tentando explicar como a vida surgiu... Uma explicação dessas para a origem da vida, tão pueril e inconsistente, capaz de arrancar uma justificada gargalhada de um camponês analfabeto, é o máximo que a ciência tem a oferecer como resultado do trabalho do raciocínio. Isso deveria constituir a prova, para pessoas ainda despertas, de que o intelecto é completamente incapaz de fornecer respostas aos questionamentos anímicos e espirituais do ser humano. A ciência é útil para explicar e catalogar fenômenos exclusivamente materiais, tendo de malograr fragorosamente quando se atreve a querer explicar coisas que estão acima dos estreitos limites terrenos. Nossa origem não remonta a um ser criado a partir do barro, simplesmente porque somos seres espirituais, provenientes do plano espiritual da criação. É para lá, portanto, que deve ser dirigida a busca. Porém não com o cismar do raciocínio preso à Terra, e sim com os atributos do próprio espírito. Por outro lado, o que se desenvolveu de um animal simiesco não foi o ser humano, que é um ente espiritual, mas apenas o seu corpo terreno, que nada mais é do que um invólucro, uma vestimenta que lhe permite viver e atuar aqui na Terra. Essas simples indicações podem ser enriquecidas sobremaneira com esclarecimentos mais detalhados. Mas, para tanto, é preciso antes de mais http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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nada libertar o espírito e a mente respectivamente dos dogmas religiosos e científicos. Enquanto o ser humano insistir em se manietar voluntariamente com essas duas algemas, ele continuará se excluindo automaticamente de reconhecimentos mais elevados.

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X PARA ONDE VAMOS?

Na opinião da maior parte dos cientistas, para lugar nenhum. Nascemos, vivemos e morremos. E é tudo. Mas, se restringirmos a abrangência dessa questão, se a comprimirmos nos limites do âmbito material visível, verificaremos que a história é bem outra. Pergunte-se aos discípulos da ciência: "Para onde vai a humanidade com seu progresso material?" e um mundo de fantásticas possibilidades se abrirá imediatamente. Com surpreendente paciência, insuspeitada didática e indisfarçável orgulho, eles discorrerão então prazerosamente sobre as maravilhas que nos aguardam. Vejamos, pois, o que vaticinam os profetas científicos: Para começar, muitos pregam simplesmente que a ciência vencerá a morte. E por incrível que pareça, o rebanho dos que se convertem a esse evangelho da eternidade material cresce sem parar. Alguns dos fiéis, especialmente agraciados, já foram inclusive ungidos com a criogenização, um processo de congelamento de cadáveres a uma temperatura de 196 graus negativos. Junto com seus corpos, esses eleitos conservam num freezer a sagrada esperança de um dia serem ressuscitados pela ciência numa espécie de forno de microondas... A segunda maior preocupação dos futurólogos da ciência, logo após terem se desincumbido desse assunto da imortalidade da alma, está voltada para o Sol. Sim, porque atualmente se estima que ele continuará a brilhar normalmente no máximo por 1,1 bilhão de anos.(*) Depois inchará descomunalmente, engolindo os planetas mais próximos, dentre os quais a Terra. Nesse ponto, evidentemente, toda a vida se extinguirá, aí incluídos os até então felizes e imortais seres humanos terrenos.

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As providências para se contornar esse contratempo já estão sendo aventadas há anos. Segurem-se: Já em 1960 imaginava-se que a humanidade do futuro poderia construir abrigos subterrâneos salubres e climatizados, no caso de o Sol não chegar a derreter a Terra, ou então que seria possível transportar toda a população do globo para um planeta onde o calor fosse menos intenso. O escolhido foi Netuno. Atualmente essas idéias já foram consideravelmente aperfeiçoadas. Reafirmando sua crença no poder da tecnologia para salvar a humanidade, um famoso cosmólogo explicou que os seres humanos do futuro vão se mudar para um outro Universo, ou então libertar-se de seus corpos para sobreviver sob a forma de pensamentos... Um outro cientista visualiza a construção de fábricas em Marte para produção de metano e amônia, que serão então liberados continuamente na atmosfera marciana. Feito isso, basta introduzir no planeta algumas plantas e bactérias especializadas na transformação de gases e em pouco tempo teremos oxigênio em abundância. Pronto! Um novo lar para os imigrantes humanos... Em nossos dias existe também gente que quer descobrir um meio de levar a Terra a uma distância mais segura do Sol. Outros acham que devemos nos mudar para as luas de Júpiter e Saturno. Alguns, mais otimistas ainda quanto à capacidade de realização humana, prevêem que serão construídas cidades espaciais ao redor do Sol, as quais irão com o tempo se juntando umas às outras até envolver toda a estrela numa grande esfera artificial. O material necessário para a construção seria comodamente obtido desmantelando-se o planeta Júpiter. Os que acham essa idéia, digamos, um tanto excêntrica, contentam-se com a montagem não de uma esfera, mas de apenas um anel artificial em redor do Sol... Por fim, até mesmo a Terra precisaria ser desmantelada, a fim de fornecer o material necessário para a construção de novos mundos. Também se prevê habitar asteróides ocos, enchidos de ar, e a construção de cidades em mini-planetas, protegidas por cúpulas. Nas palavras de um cientista respeitado, essas são "as propostas sóbrias do espectro de especulações acerca do futuro do homem no espaço..." Existem, de fato, até algumas proposições para se controlar o Sol. Os que estão no topo desse desvario psiquiátrico estão convencidos de que a http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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humanidade vai poder controlar até várias estrelas! O autor de um livro considerado científico (e portanto sério) sobre o futuro do ser humano afirma textualmente: "Se há alguma lei fundamental que diz que não poderemos, nos próximos milhões de anos, ocupar e explorar a nossa galáxia, com seus cem bilhões de sóis, então até agora essa lei nos é desconhecida." Que poder ilimitado está, pois, reservado à criatura humana desse glorioso porvir!... Ilimitadas mesmo são a arrogância e a presunção humanas, somente competindo ainda com a fantasia mórbida gerada pelo intelecto torcido. Excrescências do raciocínio, todas essas coisas, que agem atraindo incompreensivelmente tantas pessoas realmente boas e sinceras. E assim vai trotando rumo ao abismo, despreocupadamente, uma considerável parcela da humanidade, que inadvertidamente fez da ciência a sua divindade. Oxalá, alguns dentre eles percebam a tempo que as profecias sobre os falsos profetas não se referiam apenas a dirigentes de doutrinas religiosas. (*) A respeito das reais condições da nossa estrela, ver a matéria "O Sol"

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XI QUAL O PROPÓSITO DA VIDA?

A grande questão! Talvez a única ainda capaz de fazer as pessoas refletirem um pouco, desde que, é claro, encontrem algum tempo para isso. Qual é, pois, o propósito dessa vida? "É gozá-la, aproveitá-la o máximo possível!" gritarão em coro os membros do alegre clube dos hedonistas, constituídos não apenas dos materialistas convictos (sócios fundadores), mas também dos adeptos cada vez mais fervorosos - e numerosos - da cada vez mais ecumênica – e próspera – teologia da prosperidade. "Ora, que visão mais simplista e sem fundamento!" contrapõem, indignados, os representantes das hostes científicas, que formam o grupo mais intransigente. "A missão da espécie humana é, unicamente, alavancar o progresso, desenvolver o raciocínio e desvendar todos os segredos do Universo!" "Pobres cegos! Por que não quereis ver? Estais na Terra para libertardes vossas almas!" recitarão em uníssono, como um mantra, os porta-vozes das inúmeras tendências místico-ocultistas e os dirigentes das não menos numerosas doutrinas que exigem crença cega. Os integrantes desse vastíssimo grupo, que de todos é o que melhor personifica a vaidade e a presunção, divergem entre si apenas no método para se obter a iluminação: enquanto uma parte quer encontrá-la pelo desvendamento do oculto, a outra consegue isso apenas seguindo à risca as diretrizes impostas por uma dada religião. À exceção de algumas poucas diferenças na forma, esses três grupos básicos acomodam as convicções da maior parte da humanidade em http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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relação à essa questão crucial do significado da vida. Deixemos de lado por ora a superficialidade do primeiro grupo e a fantasia do terceiro. Vamos verificar o que os integrantes do segundo grupo têm a dizer. Os cientistas... Mais uma vez é para eles que se voltam os olhares de uma parcela expressiva da população, que ainda se movimenta interiormente em busca de uma resposta clara e que, não obstante, não se deixa manipular por superstições nem tampouco se algemar a dogmas. "Progresso! Progresso a todo o custo!" Nesse axioma se resume a severa exortação de vida que nos dirige a ciência. Essa resposta até poderia ser considerada certa, se com isso se entendesse o progresso realmente da humanidade, e não apenas o incremento das suas condições materiais de vida. Se com o mesmo ardor utilizado no desenvolvimento da técnica, se buscasse também o aperfeiçoamento do espírito. Se as pessoas, finalmente, olhassem para si mesmas como seres espirituais que são, e não como máquinas programadas apenas para executar funções corpóreas e mentais. Pois de que vale gastar toda uma existência exclusivamente no acúmulo e usufruição das comodidades da vida moderna - que com justiça devem ser creditadas às conquistas da ciência – se nenhuma delas pode livrar a criatura humana da angústia e do sentimento de vazio que lhe assaltam nesta época? Gritos abafados do seu espírito enclausurado? Todas as maravilhas cibernéticas, os grandes feitos espaciais, os mais recentes milagres da técnica, os antidepressivos de última geração, nada disso proporciona ao ser humano hodierno sequer a sombra de um vislumbre de felicidade. Não que essas coisas não sejam úteis, mas não bastam para o desenvolvimento de um ser espiritual. Não podem bastar. Quando muito elas proporcionam um prazer pouco mais intenso que um espirro, muito longe da verdadeira alegria e infinitamente distante da felicidade. Felicidade, aliás, é hoje uma palavra cada vez mais difícil de definir. Como discorrer sobre algo que não existe mais? Com sua propensão

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doentia para o meramente terrenal, com seus antolhos intelectivos, com sua trágica ilusão de poder e auto-suficiência, a humanidade inteira abriu mão da felicidade. Pior: lutou incansavelmente para que ela fosse radicalmente extinta! E ainda há quem insista teimosamente em reencontrá-la em produtos científicos... Sísifos modernos, todos estes. No que depender dela, da idolatrada ciência, a busca da felicidade a que todos têm direito, conforme preconizado pela ONU em sua Declaração Universal dos Direitos do Homem, continuará a ser exatamente isso: uma eterna e desesperançada busca, ou, conforme certamente preferirão os membros do grupo científico, um moto-contínuo.

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XII O RECADO DO EL NIÑO

Vamos procurar visualizar o que está acontecendo. O fenômeno é descrito basicamente como um aquecimento anormal de uma faixa de água do Oceano Pacífico, suficiente para desencadear graves distúrbios climáticos em todo o planeta. "Faixa", a bem dizer, não é o termo mais apropriado, pois o que as fotos de satélite mostraram foi uma imensa ferida vermelha de dez mil quilômetros de extensão por dois mil de largura, com uma profundidade média estimada de 300 metros. A área rubra no oceano é superior a duas vezes o território dos Estados Unidos. Desta vez o "El Niño" (menino) mostrou ao mundo que já ficou adulto. É o maior de todos os tempos. Alguns países já começaram a experimentar os seus efeitos nos últimos meses, e pode-se prever o que ainda nos aguarda relembrando alguns fatos ocorridos nos anos de 1982 e 1983, período do El Niño mais intenso até então registrado. Naquela ocasião secas implacáveis castigaram o centro da África, o sudeste asiático e o nordeste brasileiro; só na Austrália, a maior estiagem desde a época da colonização provocou 340 mortes; na Tanzânia a fome chegou a matar uma média de 150 crianças por dia. Chuvas torrenciais caíram durante meses na América do Sul e sudoeste da América do Norte; no Peru as precipitações foram 340 vezes superiores às normais, fazendo a torrente de alguns rios aumentar em mais de mil vezes; cerca de 900 pessoas morreram no continente americano em decorrência das inundações e milhares perderam suas moradias. A soma dos prejuízos em todo o mundo alcançou a cifra de oito bilhões de http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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dólares. Foi uma tragédia planetária sem precedentes. Até agora. O fato de o El Niño ser um fenômeno natural não significa que seja normal. Ele deve ser visto antes de mais nada como uma gravíssima exortação da natureza, que é realmente, endereçada de modo muito claro à espécie dominante do planeta. As catástrofes que desencadeia, longe de serem meros caprichos climáticos, constituem revides automáticos à ação humana desagregadora do meio ambiente. É, portanto, exatamente o inverso do que apregoam os apaziguadores de plantão, sempre lançando mão do seu bem abastecido estoque de panos quentes, na forma de argumentações científicas pretensamente incontestáveis. Num artigo intitulado "A Demonização do El Niño", o Dr. Carlos A. Nobre, meteorologista do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, afirmou textualmente: "O melhor é aprender a conviver pacificamente com ele. Ainda mais quando a ciência permite uma razoável previsão do fenômeno e de seus efeitos. É o que se espera de uma sociedade que usa com inteligência o conhecimento científico disponível e que sabe observar a natureza e conviver com ela." São posições como essa, falsamente tranquilizadoras, que contribuem para manter a humanidade dormindo no aconchego da sua já proverbial indolência. E que também ajudam a nutrir e conservar essa lassidão coletiva, induzindo as pessoas a aceitar apaticamente (e avidamente) qualquer lenitivo científico que as desobriguem de pensar por si mesmas. Algumas poucas e melodiosas cantilenas intelectivas já bastam para mergulhá-las num sono de chumbo, impedindo-as de despertar, mesmo com os estrondos de um mundo ruindo à sua volta. Todavia, cantilenas não são capazes de impedir catástrofes. A milenar paciência da mãe natureza em relação à sua criança-problema, o Homo sapiens, expirou. Mãe amorosa ela sempre foi, cumulando a elevada espécie espiritual de tudo quanto necessitava para usufruir uma existência saudável e plena de reconhecimentos aqui na Terra. Mas o que ela recebeu em retribuição pelos seus dedicados cuidados? Destruição de florestas, matança de animais, poluição do ar e das águas, envenenamento dos solos... E todos esses "presentes" ainda vieram embalados em ódio, cobiça, inveja, guerras e perversões. Os castigos que ela teve de aplicar ao longo dos séculos nesse seu filho degenerado, na forma de catástrofes e epidemias, não surtiram nenhum efeito. Não foram suficientes para fazêlo refletir e retomar o bom caminho. Por fim, ficou claro que ela mesma acabaria assassinada por esse monstro se o permitisse, o qual já se arvorava em dono e senhor dela própria, e assim desobrigado de cumprir as suas leis. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Não é o ser humano que domina a natureza, e sim o contrário. Agora é chegado o tempo, finalmente, de ele aprender essa lição, de saber que é apenas uma criatura a mais dentro da natureza, coisa que qualquer outra espécie da criação já sabe de cor a milênios, vivendo correspondentemente de acordo. A chaga vermelha cíclica no oceano é um testemunho dos ferimentos contínuos que a humanidade vem impondo à natureza já há muito tempo. Mas é também um sinal, para quem quiser ver, que a última fase de limpeza da Terra encontra-se em plena efetivação. Em futuro próximo todas as espécies - aí incluído também um certo número de seres humanos - integrarão uma nova natureza, sanada e revigorada. O membro gangrenado que ainda hoje ameaça destruir o que resta de sadio no corpo da criação, constituído pela maioria dos seres humanos terrenos, terá sido definitivamente extirpado. Saiba mais a respeito das alterações climáticas em curso no planeta através da matéria "O Clima".

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XIII Por trás dos transplantes Parte 1

O Ministro da Propaganda e Informação do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, acreditava que se uma mentira fosse repetida continuamente ela acabaria se transformando em verdade. As cenas de poucos anos antes da guerra, com o Führer indicando energicamente o rumo a seguir, como um farol em meio àquele mar de braços estendidos, pareciam dar razão ao ministro. Mas o tempo se encarregou de mostrar que a teoria estava errada. Uma mentira não pode ser transformada em verdade. No máximo pode ela ser habilmente encoberta com uma capa que lhe dê a aparência de verdadeira, ou seja, envolta numa segunda mentira. E é este tipo de mentira, travestida de verdade, que consegue sobreviver por um tempo mais longo, se for continuamente inculcada nas pessoas como sendo algo certo e útil. Tanto mais se inculcadores e inculcados não se derem ao trabalho de conhecer realmente a fundo o que têm em mãos, avaliando o fruto unicamente pela aparência de sua bela casca. Hoje parece-nos incompreensível como a maior parte do povo alemão da década de 30 pôde ser iludida tão facilmente. Será que não percebiam o potencial de desgraça escondido sob a suástica? Como lhes pôde passar despercebidos o ódio e o desejo de vingança mal camuflados em exortações ufanísticas? O fato é que para os alemães daquela época as exterioridades sedutoras da http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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ideologia nazista lhes bastavam. Seus egos inflados de orgulho nacional não deixavam espaço para qualquer análise mais aprofundada. A própria indolência coletiva os fundiu numa massa inerte, dócil, facilmente manobrável em qualquer direção. A maioria acreditava realmente estar presenciando sua pátria parir mais um gênio da humanidade, depois de já ter dado ao mundo Goethe, Wagner e tantos outros. Era crença geral que as dificuldades econômicas e as humilhações do Tratado de Versalhes seriam em breve coisas do passado. Quem não compartilhava dessas opiniões, quem, portanto, não se deixava levar pela propaganda institucionalizada do partido, era tido como ignorante, cego, impatriota, indigno de pertencer à raça ariana. Em suma, era muito mal visto. Governo, povo e imprensa cuidavam para que idéias contrárias à ordem estabelecida não fossem sequer divulgadas. Naturalmente um engodo dessa magnitude jamais poderia se repetir no tempo presente. Com a nossa inteligência, perspicácia e bom senso estamos absolutamente preparados para desmascarar imediatamente qualquer tentativa nesse sentido. Ainda mais que contamos com a visão retrospectiva dos erros do passado, o que nos mantém imunizados contra uma recidiva. Não é assim? Vamos deixar a Alemanha nacional-socialista e avançar algumas décadas. O ano é 1967, mês de dezembro. Os olhos do mundo estão voltados para a África do Sul, atentos à fala do cirurgião Christian Barnard, que acabara de implantar no peito de um paciente cardíaco o coração de uma pessoa morta. E o inimaginável acontece: o coração bate! O doador, com a sua morte, permitiu que uma outra pessoa continuasse a viver mais algum tempo aqui na Terra! Na entrevista coletiva o Dr. Barnard vai respondendo pacientemente às muitas questões dos jornalistas presentes. Até que, à certa altura, um desses repórteres mais ousados formula uma pergunta desconcertante. É algo sobre a possibilidade de o médico ter infringido alguma lei natural, ou lei de Deus, com a sua intervenção cirúrgica. Dr. Christian Barnard abre um largo sorriso, mas nada responde. Nem precisava. O desprezo e o escárnio que transparecem da sua feição sorridente constituem resposta mais do que suficiente. E eficaz. Tão eficaz, que nunca mais alguém terá coragem de importuná-lo novamente com impertinências transcendentais desse tipo. E assim, fundamentados exclusivamente em supostos êxitos exteriores, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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convenientemente enaltecidos por uma propaganda massiva e coercitiva (nos moldes do ensinamento original de Goebbels), os transplantes de órgãos rapidamente se disseminam pelo mundo. Novas técnicas são desenvolvidas, criam-se cursos e formam-se especialistas. Surgem os inevitáveis volumosos tratados médicos sobre o assunto. Outros órgãos humanos passam a ser transplantados e a euforia se espalha. Alguém inova e apresenta o primeiro transplante múltiplo. A mídia mostra incessantemente alegres (?) transplantados, guarnecidos dos seus invariáveis sorrisos estáticos, usufruindo uma nova vida, saudável, junto a seus familiares. Governos abrem campanhas para doação de órgãos, apoiadas maciçamente pelas populações. Ninguém quer perder a oportunidade de fazer algo tão simples, nobre e politicamente correto como doar seus órgãos. A pressão cresce a tal ponto que esse ato de doar órgãos, tido como altruísta, passa a ser compulsório em muitos países, inclusive no Brasil. Na Alemanha da década de 30 os párias da sociedade eram identificados com a Estrela de David costurada em suas vestes. No Brasil da década de 90 eles são reconhecidos pela frase "não doador de órgãos e tecidos" carimbada em suas carteiras de identidade. A operação pioneira do Dr. Barnard abre espaço para a consolidação da mentira do século, a de que os transplantes de órgãos são intervenções úteis e não causam danos a doadores e receptores. As imensas dificuldades de rejeição e os inúmeros problemas pós-operatórios são apresentados como detalhes sem importância, desagradáveis estorvos passageiros. Raros são os que vêem nesses sinais advertências claras da natureza, e praticamente ninguém se preocupa com possíveis danos anímicos e espirituais decorrentes dessas práticas. E, no entanto, esses danos existem! E são gravíssimos, tanto para doadores como para receptores de órgãos! Goebbels contou com um Ministério da Propaganda para iludir uma nação durante uma década. Dr. Barnard precisou apenas de uma entrevista coletiva para enganar o mundo inteiro por trinta anos. Que diferença faz se ambos sempre estiveram convencidos da nobreza e justeza de suas causas, corroboradas, a seus olhos, pelo inquestionável apoio popular e voluntária propaganda governamental em suas respectivas épocas? Crime é sempre crime, independentemente de sua motivação. Os transplantes são, sim, crimes contra as leis da natureza, e todos os que participam desses experimentos macabros têm o seu quinhão de culpa, sejam médicos, doadores, receptores ou simples apologistas de causas http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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alheias. A suposição de que doar órgãos é um ato nobre e altruísta e de que o transplante é uma fantástica conquista da ciência, não constitui uma circunstância atenuante para esse crime, e sim agravante, já que contribui para que o delito seja aceito socialmente e praticado indefinidamente. Quem compartilha dessa crença dá mostras de que aceita sem refletir qualquer novidade que surja à sua frente, bastando que lhe seja apresentada numa bela forma. É o cunho da incapacidade ou preguiça de pensar por si mesmo, e de analisar tais assuntos com a seriedade que eles requerem.

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XIV POR TRÁS DOS TRANSPLANTES Parte 2

Vamos procurar desvendar o que se esconde atrás das pretensas "verdades" divulgadas sobre os transplantes de órgãos, tão ávida e insensatamente aceitas pela maior parte das pessoas: 1. Alegação: Doar órgãos é um ato de nobreza e altruísmo. Fatos: Seria mais acertado dizer que quem doa seus órgãos pretende ficar livre de ser tachado de torpe e egoísta. Também outras motivações, nem um pouco nobres, dão ensejo a isso, como o receio de não seguir com a maioria e a crença acalentada de que essa boa ação será creditada no céu. Uma pessoa capaz de ponderar seriamente sobre o assunto e, sobretudo, que ainda ouve a voz da sua intuição, jamais doará os órgãos do seu corpo terreno sob qualquer pretexto. 2. Alegação: A retirada de órgãos para transplantes é absolutamente indolor, já que ocorre somente depois de constatada a morte cerebral. Fatos: Infelizmente até hoje nenhum doador pôde confirmar essa suposição. O conceito de morte foi convenientemente alterado para permitir a prática dos transplantes. Antigamente uma pessoa era declarada morta quando cessava a perfusão de sangue. Hoje, com a inovação da morte cerebral morre-se bem antes disso, com todos os órgãos vitais funcionando, inclusive o coração. Para serem aproveitados em transplantes, pulmões, rins, fígado, pâncreas e o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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próprio coração precisam ser retirados enquanto este último ainda estiver batendo. Mas acontece que enquanto a alma permanecer ligada ao corpo físico, o que geralmente perdura por alguns dias após a morte terrena, o doador sentirá do modo mais doloroso todo o processo de retirada dos seus órgãos. É absolutamente irrelevante se na Terra ele acreditava ou não numa vida após a morte; sua crença ou ceticismo não o livra de experimentar esse horror, totalmente impotente, logo após a chamada "morte cerebral". 3. Alegação: Atualmente o processo se rejeição é totalmente controlado. Fatos: A rejeição natural do organismo à implantação de órgãos alheios pode ser contida com drogas, mas não eliminada. Não há "cura" para a rejeição. O transplantado nunca mais poderá deixar de tomar essas drogas, que na verdade inibem a capacidade do seu corpo de reagir a uma agressão externa. Justamente por ser um processo natural, a rejeição deveria ter servido de alerta contra a prática dos transplantes. Mas não. Seria esperar demais da ciência médica. Com seus antolhos intelectivos, divisando sempre o meramente terrenal diante de si, os pesquisadores preferiram desenvolver drogas imunodepressoras cada vez mais potentes, a fim de esticar artificialmente ao máximo a vida de suas cobaias humanas. 4. Alegação: A doação de órgãos é um ato de amor abnegado. Por isso, não é lícito uma pessoa vender um órgão para fins de transplante, nem tampouco se ver privada dele sem seu conhecimento ou autorização. Fatos: Não é o que pensam algumas sumidades que se esmeram em aperfeiçoar continuamente a mentira do século, muito menos o que ocorre em várias partes do mundo: Num artigo publicado no Journal of Medical Ethics (ironia), um professor inglês tranqüiliza a emergente classe de comerciantes nefrológicos: "Não existem argumentos morais conclusivos contra o pagamento pela doação de rins." O gerente de uma instituição francesa especializada nessa atividade tem a consciência tranqüila: "É um processo gratificante, porque se consegue tornar felizes duas pessoas." Um professor de Bioética - uma cadeira nova no ensino da medicina (inútil, sem dúvida) - está convencido de que a humanidade está passando por uma evolução de mercado: "No tempo da escravidão o homem era vendido inteiro; hoje, rins são comprados e vendidos com facilidade na Índia e em outros países." De fato, na Europa já existem agências de turismo que vendem por US$ 20 mil um pacote completo, incluindo passagem, internação, compra do rim e cirurgia de transplante. Em 1989, a revista The Lancet informava pela primeira http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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vez que rins eram retirados de prisioneiros condenados à morte em Cantão, China. O rim é certamente a mercadoria mais procurada, mas já é possível encomendar no mercado internacional qualquer parte do corpo humano: córneas, fígados, pulmões, etc. Num artigo publicado na revista Philosophy, um cientista propôs a criação de uma "loteria da sobrevivência", em que cada pessoa receberia um número para participar de um sorteio compulsório. A escolhida seria morta e seus órgãos distribuídos para os membros do grupo que necessitassem de um ou mais transplantes; desse modo se poderia salvar várias vidas sacrificando-se uma só... A última novidade veio do Dr. James Watson, que do alto da sua autoridade de Prêmio Nobel de Medicina, ameaçou: "Quando pudermos produzir um andróide com órgãos humanos perfeitos e sem cérebro, para nos fornecer órgãos para transplantes, vamos fazê-lo e pronto!" 5. Alegação: Se você não doar seus órgãos eles serão comidos pelos vermes da terra após a morte; por isso, dê a eles uma destinação mais nobre. Fatos: Com sua crônica ignorância em relação à vida espiritual e incurável propensão em aceitar qualquer coisa sem refletir, discernindo em tudo apenas efeitos exteriores, o ser humano é facilmente persuadido a acreditar em qualquer falácia. Tudo quanto ultrapassa seu estreito campo de visão material ele declara simplesmente como inexistente e se dá por satisfeito. Ou, então, na sua incorrigível indolência, aceita apaticamente algumas suposições religiosas sobre o além e vai dormir tranqüilo o sono dos justos. O corpo humano não é uma máquina, cujas partes podem ser substituídas por peças originais de reposição assim que apresenta algum defeito. O corpo é o instrumento que possibilita a atuação do espírito na matéria. Ele é emprestado exclusivamente para um determinado espírito, durante a sua peregrinação na matéria, finda a qual deve ser devolvido à terra. Durante o tempo de utilização ele deve ser muito bem cuidado e conservado, sem o que o espírito não poderá atuar como deve. Se uma de suas partes apresenta um problema, é sinal de que não foi bem cuidada, ou então que o respectivo espírito trouxe consigo um lastro cármico que teve de se efetivar no corpo terreno, gerando doenças. Em ambos os casos, o responsável pela falha de algum órgão do corpo é o próprio espírito humano, jamais é um "azar do destino". O que o transplante proporciona é a impossibilidade de o transplantado remir, através do reconhecimento, alguma culpa proveniente de vidas anteriores, além de sobrecarregá-lo com uma nova. Em relação ao doador, basta dizer que o espírito é ligado ao corpo na encarnação, e fica preso a partes http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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desse corpo se elas continuam a viver em outros corpos. Por causa dos aprendizes de Frankenstein, os doadores de órgãos ficam impossibilitados de ascender a outros planos da Criação após suas mortes. É isso. Mentiras sobre mentiras. E todas com a aparência de verdades cristalinas. Se o ser humano faz questão de acreditar nas alegações da ciência médica sobre transplantes, isso é assunto dele unicamente. Mas o que ele não pode admitir, em hipótese alguma, é que lhe seja mostrada apenas uma das faces da moeda, situação que aliada à tendência humana de "fazer o que todo mundo faz" obscurece em muito a capacidade de decidir com isenção, quando não a impede totalmente. Muito sofrimento talvez pudesse ter sido evitado na Alemanha nazista, se existisse naquela época uma imprensa realmente livre, imparcial e corajosa, que mesmo impossibilitada de se contrapor abertamente à ordem reinante, ao menos tivesse mostrado aos cidadãos do país o lado negro do regime. Na época atual, a tirânica ideologia mundial dos transplantes de órgãos praticamente não encontra adversários. É o Grande Irmão, que verga governos e povos sob uma ditadura compulsória e não pressentida. Contudo, ainda é tempo de se recuperar a liberdade perdida. Pelo menos a liberdade de decidir.

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XV DEPRESSÃO E OUTROS MALES DA ALMA

Até o advento da AIDS, a depressão era a detentora inconteste do título de "Mal do Século". Porém, mesmo desprovida agora dessa inútil honraria, ela continua crescendo imperturbavelmente em todo o mundo, juntamente com várias outras doenças ditas mentais. A pessoa atingida por sintomas depressivos segue mais ou menos um roteiro padrão em sua busca de auxílio. Ela sai da sua primeira consulta médica incumbida de realizar uma extensa bateria de exames clínicos, os quais invariavelmente demonstrarão, alguns dias depois, que a sua saúde está perfeita, ou então que eventuais disfunções glandulares não têm correlação com os sintomas que apresenta. O problema seria originado, unicamente, por um desbalanceamento químico no cérebro. O médico se esforça em explicar ao seu paciente com depressão - nessa altura já também com certo grau de ansiedade e angústia - que os níveis de serotonina estão anormalmente baixos nas sinapses. Que está havendo uma recaptação indesejável desse e de outros neurotransmissores pelos neurônios, dificultando a troca de impulsos elétricos entre eles. Enquanto o novo deprimido tenta imaginar o que há de errado com a sua cabeça, ele vai balançando-a em silêncio, querendo fazer crer mais a si mesmo que está entendendo tudo o que o médico diz. Acaba de certa forma por sentir-se confortado com esse diagnóstico ininteligível, pois para ele isso é a prova de que a sua doença é perfeitamente conhecida pela http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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medicina. A cura seria só uma questão de tempo, bastando tão-somente tomar com regularidade um determinado antidepressivo tricíclico. Deve-se aqui esclarecer que antidepressivos e ansiolíticos constituem realmente bálsamos químicos, quando agem bloqueando parcial ou totalmente alguns dos sintomas. Não é absolutamente um acaso do destino que tais auxílios estejam disponíveis justamente nessa época, em que as pessoas estão sendo literalmente sacudidas por sismos anímicos. Contudo, o abrandamento dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida obtidos com fármacos não constituem a prova de que a ciência médica conhece efetivamente essas doenças, muito menos ainda as suas verdadeiras causas. Como em todos os outros campos da atuação científica, também aqui ela só é capaz de analisar e tirar conclusões dos efeitos exteriores, materialmente mensuráveis e compreensíveis. Apesar dos louváveis esforços e reconhecidos êxitos no trato dos sintomas corpóreos, a medicina não pode chegar até a origem propriamente desses males, já que esta encontra-se nas almas dos indivíduos. Uma etiologia impossível de ser reconhecida por qualquer ferramenta material, seja um estetoscópio ou um aparelho de ressonância magnética. Depressão, angústia, distúrbio bipolar, síndrome do pânico, fobias, são todas doenças de fundo anímico. É, portanto, no tratamento da alma que se deve buscar a cura, sem negligenciar, como já foi dito, o tratamento dos sintomas do corpo. Mas não se imagine poder tratar a alma com receitas prescritas por curandeiros místico-ocultistas ou com sessões de hipnose, tampouco desnudando-se interiormente no divã de um psicanalista. Quantos desses profissionais da mente não há, aí incluídos tantos psiquiatras, que nem mesmo acreditam na existência da alma. E a palavra "psiquiatra" significa exatamente "médico da alma". Médicos da alma que não acreditam na existência dela... A pessoa deprimida deve, antes de mais nada, mudar a sua sintonização interior. E em primeira linha através dos pensamentos. Os pensamentos devem estar voltados sempre no sentido do bem, como efeitos naturais de um ser humano nobre e bom. Certamente não é preciso esclarecer em detalhes o que são pensamentos negativos; basta que se classifique nessa categoria todos aqueles indignos de uma criatura humana, que imediatamente oprimem o gerador e talham o ambiente a seu redor. Há nessa escolha voluntária do tipo de pensamentos muito mais do que se pode imaginar à primeira vista. O ser humano detém a prerrogativa da http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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escolha em pensar bem ou mal, porém fica sujeito inapelavelmente às conseqüências disso, assim como com tudo o mais que dele emana. Quanto a isso ele não tem defesa. Tudo o que insere na Criação, sejam ações, palavras ou mesmo pensamentos, retornam sempre para ele próprio, como frutos amadurecidos de uma colheita automática. Se o que ele semeou foi bom, colherá frutos doces e suculentos. Se foi mal... se foi mal terá de colher frutos podres e venenosos. Não se quer dizer com isso que se deve fazer força para conseguir bons pensamentos. Seria então um esforço antinatural e pouco proveito traria, como qualquer coisa empreendida unilateral e artificialmente. Esta é, aliás, a principal falha dos livros de auto-ajuda que ensinam a pensar positivamente. A pessoa que sofre de depressão deve, sim, fazer um grande esforço para mudar a sua maneira de ser. Um esforço contínuo, perseverante, até chegar ao ponto em que nem lhe seja mais possível gerar maus pensamentos. Pode ter certeza que nenhum médico a censurará por seguir esse tratamento tão simples, desde que, evidentemente, não abandone a terapêutica tradicional. Se empreender sério esforço nisso, com sinceridade de alma e pureza de coração, verá desvanecer-se pouco a pouco os espessos véus escuros que a isolam da alegria de viver. E passará a conhecer, através do próprio vivenciar, o significado da palavra paz.

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XVI A ANTIGA ORIGEM DA NOVA ERA

Não existe uma definição clara do fenômeno, tampouco se conhece a sua origem. Quando muito, poder-se-ia dizer que o Movimento da Nova Era é um conjunto de idéias, suposições e práticas preparatórias com vistas a uma época melhor para a humanidade, onde paz e alegria reinarão em todos os países. Pelo menos é esta a expectativa dos que se orgulham de fazer parte do Movimento, ou que são acusados de pertencer a ele. Essa esperança numa Era de Ouro, ou Reino do Milênio, ou Reino de Paz de Mil Anos, é o elo comum entre as múltiplas vertentes da Nova Era. Fora isso, ela assemelha-se mais a um agregado nebuloso de grupos esotéricos, filosofias naturalistas e incontáveis práticas místico-ocultistas, todas misturadas alquimicamente numa denominação única. As religiões tradicionais, principalmente as cristãs, não têm simpatia pela Nova Era. Vêem-na como um inimigo surgido das sombras e tratam-na como tal. Há seguramente mais de uma centena de livros alertando os cristãos sobre os perigos a que estão expostos, já que não pode haver salvação para apóstatas que ajudam a engrossar as fileiras do exército do Anticristo. Ou dos Anticristos, pois cada novo dirigente de uma seita ou filosofia é um candidato natural – e compulsório – à Besta do Apocalipse. Mas a despeito desses anátemas armagedônicos o Movimento prossegue imperturbavelmente em todo o mundo. Cresce dia a dia, angariando um número crescente de adeptos, cuja maior dificuldade é escolher uma das múltiplas portas de entrada, sempre abertas convidativamente. Não há como negar que nas últimas décadas houve como que uma explosão de novas concepções filosóficas de vida, das mais variadas formas e matizes. E temos de reconhecer que todas elas se opõem, de uma maneira ou de outra, à ortodoxia religiosa e ao positivismo científico, as duas grandes barcas consideradas seguras e confiáveis pela humanidade, que sempre acomodaram os viajantes “normais” durante a jornada da vida. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Havia, sim, algumas embarcações menores, que seguiam outras direções que não aquela percorrida em sentidos opostos por essas duas grandes naus filosóficas, mas seu número nunca foi muito grande, os passageiros eram escassos e as tripulações permaneciam as mesmas. Eram pouco mais do que jangadas exóticas, que despertavam alguma curiosidade quando observadas das escotilhas de um dos dois navios. Nada mais que isso. Agora, porém, o mar encontra-se revolto, repleto não mais de jangadas, mas de balsas espaçosas, cada qual seguindo uma rota diferente. E todas essas embarcações estão comprometidas em levar seus passageiros diretamente à terra desconhecida da Nova Era. De onde vem esta certeza que faz milhares de pessoas aguardar ansiosamente uma Era de Paz? Uma Era cujo advento seria iminente? Esta certeza inquebrantável, que não se deixa explicar por ponderações do raciocínio, está gravada nas almas das pessoas. Indelevelmente gravada em suas almas. Em tempos remotos, os povos da Terra receberam a notícia de que um exame aguardaria os seres humanos quando o prazo para seu desenvolvimento espiritual houvesse terminado. E os que passassem pelo exame – conhecido hoje como Juízo Final – viveriam então numa Era de Paz, o Reino de Mil Anos. Desta forma, provém daqueles tempos imemoriais a origem propriamente do saber sobre a Nova Era. As reencarnações posteriores não apagaram este saber, pois somente o corpo muda, e não a alma do indivíduo. Na época presente, em que estamos vivendo justamente a última fase deste exame final da humanidade, tudo quanto estava aderido às almas aflora repentina e impetuosamente, chegando à consciência. Daí tantas pessoas manifestarem anseio e mesmo convicção íntima sobre a chegada de uma Nova Era, sem saber exatamente como têm conhecimento disso. Grande parte delas abandonam então as concepções religiosas e científicas tradicionais e procuram outros caminhos, nos quais a Era de Paz não é vista como uma utopia fantasiosa, mas aguardada com uma certeza absoluta. Contudo, se é certo que os navios da religião e da ciência não levam seus ocupantes à Nova Era, já que nem admitem essa possibilidade, as inúmeras outras embarcações também não lograrão êxito em suas empreitadas. A irrefreável decadência espiritual da humanidade, que já vem de milênios, não deixa mais reconhecer o rumo seguro para lá.

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Não são dogmas religioso-científicos nem contorcionismos místicoocultistas que podem habilitar alguém a transpor o Juízo Final e fazê-lo ingressar na Nova Era. Só existe um caminho para lá, o mais simples e por isso mesmo o mais desprezado pelo ser humano hodierno, escravo que é de sua incorrigível presunção intelectiva. Este caminho, exaustivamente repetido e explicado pelos profetas dos tempos antigos, e posteriormente pelo próprio Filho de Deus, Jesus, é o viver em conformidade com as leis que regem a Criação, sintonizando o pensar, o falar e o atuar no sentido dessas leis primordiais. Quem hoje cumpre isto, mostra haver-se desenvolvido de modo certo. Por essa razão, o modo correto de viver constitui também a única embarcação preparada para a travessia do Juízo Final, capaz de enfrentar as terríveis tormentas que se avizinham, e de aportar com segurança na Nova Era.

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XVII DROGAS: DE QUEM É A CULPA?

É do drogado. A culpa é, fundamentalmente, do drogado. Sem ele não haveria plantações de cânhamo e coca, cultivo de papoula, laboratórios de refino de entorpecentes, narcotráfico, lavagem de dinheiro, cartéis criminosos. É ele, o drogado, que financia todos esses empreendimentos com um empenho incompreensível e uma tenacidade inconcebível. É ele que cuida de eliminar de si qualquer resquício de dignidade humana, que desce às maiores profundezas que alguém pode chegar a conhecer, que destrói sua vida inteira em troca de alguns momentos de prazer. Lúcifer não precisou fazer nenhum esforço especial para contabilizar como suas essas almas decadentes; elas mesmas vieram pressurosas ao seu encontro, ávidas em vender-se por algumas míseras sensações efêmeras. Como se poderia, então, ajudar um viciado em drogas? Ajuda sempre é possível, pressuposto que ele queira ser ajudado, que se esforce em sair do charco nauseabundo que ele mesmo criou tão diligentemente, e onde mergulhou tão prazerosamente. Só depois de envidar esforços vigorosos para se livrar de sua imundície particular, é que ele pode ser considerado realmente uma pessoa com problemas, desajustada, carente, que necessita de verdadeiro auxílio e que merece tê-lo. Antes disso ele não passa de um ser desprezível, indigno do complemento “humano”, uma criatura fraca ao extremo, um escravo voluntário, um verme que não se dá conta de sua http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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repugnância, que rasteja no lixo imaginando flutuar nas nuvens, um tolo deslumbrado que se veste com lantejoulas convencido de ostentar ouro puro. O viciado em drogas assemelha-se a um covarde que tenta fugir da vida atirando-se para dentro de um poço. A melhor ajuda que pode ser dada a alguém nessas condições – que desejou cair no poço – é lançar-lhe uma corda e encorajá-lo a subir por ela. Descer até o fundo do poço e trazer de volta à superfície o candidato à suicida nos braços, não o liberta de suas tendências autodestrutivas. Se ele for levado para fora do poço sem vontade nem esforços próprios, seus membros permanecerão atrofiados. Continuará a cambalear pela vida, tateando miseravelmente, ofuscado pela luz do Sol que se lhe tornou estranha, todo sôfrego e trôpego em busca do poço mais próximo, para novamente se deixar empurrar de lá pela sua onipresente covardia. Seria isto auxílio verdadeiro? O viciado em drogas deve ser encorajado, sim, a redirecionar sua vida, mas não com palavras melosas, apaziguadoras e hipócritas, que o impeçam de reconhecer o triste papel que desempenha. Palavras falsamente tranqüilizadoras são para o drogado um entorpecente ainda mais perigoso, pois embotam o que ainda resta nele de personalidade autônoma. É evidente que o drogado deve ser submetido a um tratamento de desintoxicação do corpo, mas desde que se exija dele igualmente uma desintoxicação de sua alma, uma mudança radical de sua sintonização interior. Ele precisa entender, finalmente, que só cabe a ele passar uma borracha definitiva nesta página manchada do livro de sua vida. Condescendência imprópria não restitui ao drogado sua perdida condição humana; esta, ele mesmo terá de reencontrar, já que foi ele quem se desfez dela. E não passa de um ato de falso amor, de caridade mecânica, procurar privá-lo do esforço próprio em melhorar interiormente, pois com isso se retira dele antecipadamente a merecida alegria de redescobrir e reconquistar a própria dignidade. Somente o reconhecimento da própria falta é capaz de levar uma pessoa ainda boa a efetuar uma mudança drástica em seu modo de viver, para nunca mais tornar a errar. E é também este reconhecimento que a motiva a acumular em si as forças necessárias para isso; pressuposto, naturalmente, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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que ela ainda conserve uma pequena chama de caráter em seu íntimo. O cultivo e o comércio de entorpecentes são um dos maiores flagelos da época atual. Contudo, procurar combater tráfico e traficantes sem levar em conta o consumidor, conservando-o protetoramente de lado, é como tentar erradicar uma erva daninha podando-a de tempos em tempos. Estaríamos vivendo então uma situação realmente desanimadora, se os vendavais purificadores que ora cingem a Terra também não se encarregassem de arrancar com raiz e tudo essa erva daninha do tráfico e consumo de drogas, independentemente da vontade humana e de seus pífios esforços neste sentido. A erva daninha será efetivamente erradicada, de uma maneira ou de outra. Por isso, é mais do que hora de os viciados em drogas deixarem de adubá-la continuamente, se não quiserem ser ceifados conjuntamente.

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XVIII CONSIDERAÇÕES SOBRE A DOR

Não resta dúvida de que ela é a mais detestada e combatida das sensações humanas. E a mais temida também. Talvez só o medo da morte ainda sobrepuje o de ser atingido por uma dor profunda. E não se diga que estamos indefesos. Contamos hoje com um imenso e variado arsenal, constantemente aperfeiçoado, para o combate às dores de múltiplos tipos e etiologias. Agudas ou crônicas, físicas ou anímicas, para cada qual existe uma bem determinada arma, de calibre adequado. Dispomos desde armas leves, como analgésicos, calmantes e terapia de grupo, até as mais pesadas, como opiáceos, antidepressivos e internação. Há até quem lance mão de armamentos perigosos e não recomendados, como álcool, alucinógenos e hipnose. Guerra é guerra. Mas por que temos de travar compulsoriamente essa guerra aparentemente sem fim? A vida inteira parece realmente uma luta contínua contra a dor, ou, melhor dito, uma luta para se livrar dela, para escapar de ser alcançado por ela. Passamos grande parte de nossas vidas monitorando medrosamente esta espada de Dâmocles, que vez por outra desce inesperadamente sobre nós, machuca-nos sem piedade nem motivo e retorna à sua posição ameaçadora. Alguns, misteriosamente, são atingidos só de raspão por poucos golpes esporádicos, e chegam ao final da vida com apenas algumas escoriações. Outros, ao contrário, são golpeados profunda e continuamente, de modo que suas feridas nunca cicatrizam totalmente. Para eles, a vida se resume num martírio intermitente. A própria reação à dor também varia consideravelmente. De um lado há os que a suportam com estoicismo e seguem em frente, apesar de, na maior parte das vezes, sem analisar a causa do sofrimento. No extremo http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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oposto há os que se desesperam a tal ponto, que vejam na extinção da própria vida o único remédio eficaz para curar de vez uma dor insuportável. Uma saída, no mínimo, pouco sábia, já que com isso se angaria dores ainda muito mais intensas, de que tampouco será possível escapar na existência que, apesar de tudo, continua após a morte terrena. O mundo seria um lugar muito melhor para se viver se simplesmente não houvesse dor. Disso ninguém duvida. Seria o próprio Paraíso na Terra. Mas então por que não é assim? Qual o motivo de a dor existir no nosso planeta? Por que somos forçados a experimentá-la em tão variadas formas e intensidades? Por que gente inocente é golpeada às vezes tão duramente pelo destino? Quem foi que colocou a espada da dor sobre a cabeça de cada ser humano, à revelia de sua vontade? Essas perguntas deixam antever que a dor não é apenas detestada, combatida e temida, mas que é também, principalmente, incompreendida. Vamos verificar, antes de mais nada, a razão primordial da existência da dor. E primeiramente em relação às dores físicas. Existe uma doença congênita, muito rara, que faz com que a pessoa não sinta nenhum tipo de dor. Mas o que num primeiro momento parece uma benção especial é, na verdade, uma maldição. Ninguém invejaria uma pessoa atingida por este mal se visse o estado de seu corpo, coberto de feridas e cicatrizes. O que ela não vê, seu corpo não sente. Basta que encoste inadvertidamente o braço num forno quente e a sua carne derrete sem dar sinal de alarme. O maior desejo da vítima desta doença é um dia passar a sentir alguma dor, para assim poder conservar íntegro o seu corpo. A dor física, portanto, protege o corpo de danos externos e nos força a agir para corrigir disfunções internas. O resultado final é a possibilidade de continuar vivendo com um corpo sadio, funcionando com perfeição. A dor corpórea é, na realidade, uma verdadeira dádiva da natureza, uma proteção absolutamente indispensável. Quanto às dores de alma, a história se repete. Quem já experimentou uma dor deste tipo – e o número destes cresce continuamente – sabe avaliar quão indizível é o sofrimento acarretado por ela. Um sofrimento tão atroz, que da mesma maneira que com as dores físicas, também nos força a agir, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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a fazer algo para nos libertar da angústia, da depressão, do medo, do pânico. A única diferença aqui é que as disfunções que desencadeiam este tipo de dor provêm do próprio âmago do ser humano. Por isso, o remédio mais indicado é aquele que atua diretamente na alma, isto é, a própria vontade do indivíduo, que força assim uma mudança em sua sintonização interior, o que naturalmente se reflete também em suas palavras e pensamentos. Assim, da mesma maneira que a física, a dor anímica é uma benção natural. Compele-nos a redirecionar nosso íntimo, aproximandonos do modo correto de viver, cuja principal característica é, justamente, a ausência de dor. Resta a questão do sofrimento injusto. Um acidente, uma doença inesperada, uma grande decepção, etc., são acontecimentos geralmente tidos como golpes arbitrários do destino. Dores perfeitamente dispensáveis, azares da vida que atingem ao acaso este ou aquele ser humano. É o que aparentam externamente; contudo, não é assim. Não existe nenhum tipo de injustiça nos efeitos recíprocos que nos atingem nesta nossa época. Não há arbitrariedade de espécie alguma. Tudo, mas tudo o que nos toca agora foi gerado por nós mesmos, em algum ponto da nossa existência. O homem sempre colhe o que semeia. Sempre colhe. Nenhum fio de cabelo nos pode ser arrancado, se nós mesmos não tivermos dado os motivos para isso. A dor não tem como função apenas ajudar a manter a saúde física, mental e anímica. A sua atuação vai mais além. Ela é um dos efeitos de uma lei natural fundamental – a lei da reciprocidade – que é a guardiã da ordem na criação. É o efeito final de uma atuação anterior contrária às disposições que regem a natureza. Quem é atingido por ela deve não somente procurar limpar as toxinas de seu corpo e de sua alma, mas também reconhecer que fez algo de errado, seja através de pensamentos, palavras ou ações. A gravidade do erro que foi perpetrado outrora pode ser avaliada pela intensidade da dor que nos atinge, pois não podemos receber nada de diferente daquilo que nós mesmos geramos, que nós mesmos semeamos. Dores tidas como injustas só são consideradas assim porque falta ao ser humano hodierno a visão das verdadeiras causas. Essa visão lhe foi sendo subtraída paulatinamente, ao longo de milênios, à medida que ele se http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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afastou mais e mais do modo correto de vida, preconizado por leis naturais. Hoje, a maior parte dos seres humanos é constituída de míopes e cegos espirituais, absolutamente incapazes de enxergar esta verdade tão simples, de que tudo quanto nos atinge foi provocado por nós mesmos, como seres de espírito que somos, em qualquer época da nossa existência, que abrange milhares de anos e não apenas umas poucas décadas de uma única vida terrena. É essa mesma visão curta que impede também a humanidade de descobrir quem colocou as espadas de dor individuais sobre a cabeça de cada um. Cada um de nós forjou sua própria espada, e a colocou sobre a cabeça no exato momento em que deu o primeiro passo em qualquer uma das inúmeras estradas falsas abertas por esta mesma humanidade, desprezando assim, acintosamente, o caminho verdadeiro previamente existente, colocado à disposição pelo nosso Criador. E quanto mais longe alguém enveredou por essas estradas largas, sem dar atenção aos avisos e advertências que ainda chegavam até ele, tanto mais afiado se tornou o fio de sua espada, e tanto mais golpes recebeu e continua recebendo, na tentativa de fazê-lo reconhecer seu erro e retomar ainda a tempo o caminho certo, tão leviana, teimosa e criminosamente abandonado. Se ele encarar desta forma os golpes que o atingem agora, e procurar redirecionar sua vida em base diferente de até então, a espada o atingirá com intensidade e freqüência cada vez menores. E se, finalmente, retomar com vontade inabalável o estreito caminho verdadeiro, que conduz imediatamente para cima e o faz tornar-se um ser humano útil na criação – e por isso mesmo feliz – a espada simplesmente desaparecerá, porque de acordo com as leis naturais ela não terá mais nenhuma razão para existir.

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XIX QUESTÕES SOBRE A MENSAGEM PROIBIDA

Em 1917 houve um acontecimento inusitado em Portugal, na localidade de Fátima. No dia 13 de maio daquele ano, três pequenos pastores viram uma aparição, descrita por eles como a figura de uma “luminosa senhora”. A figura luminosa de mulher falou com as crianças naquele dia e nos meses subseqüentes, transmitindo a elas em cada ocasião trechos de uma mensagem que deveria ser divulgada por todo o mundo. Em 13 de outubro, último dia em que a aparição foi vista, consta que ocorreram estranhos fenômenos no Sol, testemunhados por uma multidão estimada entre 50 e 70 mil pessoas, que acompanhavam as visões das crianças num lugar chamado Cova de Iria. Uma das testemunhas, o Sr. Oliveira Figueiredo, diz: “O Sol rasgou o pesado negrume de nuvens que despejavam água sobre a terra e mostrouse com um brilho estranho, mas de tal forma que se podia olhar para ele sem cegar, e começou a girar sobre si mesmo, numa roda-viva, atirando raios de diferentes cores em todas as direcções, iluminando as coisas e as gentes de um modo fantasmagórico. Parou durante alguns momentos e recomeçou a sua ‘dança'.” Outra testemunha insuspeita é o Sr. Avelino de Almeida, editor na época do diário lisboeta “O Século”, de orientação esquerdista. São dele estas palavras: “E então presenciamos um espectáculo único e inacreditável para quem não visse. O astro lembra uma placa de prata fosca e é possível fitar-lhe o disco sem o mínimo esforço; não queima, não cega. (...) Aos olhos deslumbrados daquele povo, cuja atitude nos transporta aos tempos bíblicos e que, pálido de assombro, com a cabeça descoberta, encara o azul, o Sol tremeu, o Sol teve nunca vistos movimentos bruscos fora de todas as leis cósmicas, o Sol ‘bailou', segundo a típica expressão dos camponeses.”

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Hoje, certamente não faltaria quem dissesse que se tratou de uma ilusão coletiva, de uma catarse induzida e outras coisas do gênero. O ser humano contemporâneo desenvolveu uma extraordinária habilidade para rotular tudo o que não compreende; qualquer neologismo lhe basta, é só do que ele precisa para apaziguar seu espírito, suprir sua ignorância e acobertar sua superficialidade. Mas o fato é que este evento extraordinário, inexplicável e inexplicado, chamou a atenção do mundo para o que estava ocorrendo em Portugal, despertando em muitos o interesse pelo teor da mensagem. Uma parte da mensagem prenunciava o advento da 2ª Guerra Mundial, depois que uma “grande e desconhecida luz” aparecesse no céu. Essa luz foi vista realmente nos céus da Europa na noite de 25 para 26 de janeiro de 1938. Foi uma espécie de aurora boreal gigantesca, um evento único que também nunca foi explicado satisfatoriamente pela ciência. A última parte da mensagem, que ficou conhecida como a “Terceira Mensagem de Fátima”, jamais foi divulgada. Na ocasião em que foi transmitida à menina Lúcia, a Igreja já estava no controle da situação e o texto foi enviado ao Vaticano. E lá ficou. Todos os pedidos e exigências para que a última parte da mensagem fosse divulgada, feitos por católicos e não-católicos, foram sistematicamente negados pelo Estado Pontifício. Pelo menos neste assunto parece que o Vaticano conseguiu fazer do mundo um rebanho único, na imaturidade coletiva para assimilar a revelação. Somente o papa e alguns poucos membros da cúria teriam sido agraciados pela Providência com a capacidade de interpretar o texto. Os cerca de um bilhão de católicos do planeta e os outros bilhões de seres que professam outras crenças são, infelizmente, completamente inaptos e ineptos para assimilar o conteúdo da Terceira Mensagem... Uma mensagem que foi compreendida perfeitamente por uma menina de 10 anos, que, como prêmio, foi internada num convento de freiras Carmelitas, com voto de silêncio. O prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, em mais de uma oportunidade procurou tranqüilizar o mundo, esclarecendo que a Terceira Mensagem não faz referência à Igreja nem trata de temas relacionados ao futuro da humanidade, mas que tãohttp://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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somente fala “de fé”. Segundo ele, a Terceira Mensagem “nada acrescenta a quanto um cristão precisa saber das revelações.” Sendo assim, algumas questões se impõem: 1. Se a Terceira Mensagem de Fátima trata basicamente de fé, por que o papa Paulo VI desmaiou ao tomar conhecimento dela? Ele não tinha fé? Ou, ao contrário, era a fé dele que não se coadunava com o que prescrevia a mensagem? 2. Por que uma mensagem que fala de fé não pode ser divulgada ao mundo, ainda mais considerando que não faz referência à Igreja? Pode-se inferir, então, que seria divulgada caso mencionasse explicitamente o clero, instando-o a mudar sua conduta e tomar a Verdade como base? Poderia ser divulgada se afirmasse que se tal não ocorresse a morte reinaria no meio da Igreja? Poderia ser tornada pública se vaticinasse o fim do papado? Se dissesse que os últimos deles gemeriam sob dores corpóreas? 3. Uma parte das revelações tratava do desencadeamento da 2ª Guerra Mundial. Se a Terceira Mensagem falar explicitamente do advento da 3ª Guerra Mundial, seria correto esconder dos povos esta previsão? Seria um ato de amor cristão privar o mundo de saber que a Terceira Guerra será tão horrível que pouca gente restará na Terra? 4. Se os trechos anteriores da mensagem cumpriram-se rigorosamente, é de se supor que a última parte também se cumprirá. Por qual cânone, por qual decreto dogmático o Vaticano se atribui a prerrogativa de não divulgá-la? Em que Concílio ficou estabelecido que alguns poucos dignitários eclesiásticos podem dispor sobre o que o mundo deve ou não saber, sobrepondo-se às determinações do Alto? Contrariamente ao que imaginam os doutores da Igreja, muros e cofres não foram impedimentos para que outras pessoas tomassem conhecimento dos principais trechos da Terceira Mensagem de Fátima, já que se trata de um texto de importância capital para a nossa época.

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Contudo, que efeito saneador, construtivo e, principalmente, salvador, não seria obtido se os detentores do texto original se dispusessem a divulgá-lo ao mundo! Longe de significar uma fraqueza da Igreja, seria isto uma prova de grandeza, um testemunho vivo de que essa Instituição tem como objetivo último, realmente, guiar com amor os fiéis e toda a humanidade, mesmo que para isso precise reformular a doutrina e eliminar seus dogmas. Vã esperança? Naturalmente que sim. A Igreja não vai divulgar o teor da Terceira Mensagem de Fátima porque isto seria admitir que vem trilhando caminhos errados há séculos, situação que tem de ser evitada a qualquer preço. Já há dois mil anos o sumo-sacerdote Caifás experimentou um temor semelhante, que o levou a considerar lícitos todos os meios para salvaguardar o conceito que desfrutava entre seu povo e a influência que exercia sobre ele. Por isso, a Verdade trazida por Jesus tinha de ser eliminada a todo o custo... As previsões da Terceira Mensagem de Fátima se cumprirão. Uma a uma. E o mundo saberá – aí incluído todo o clero – o que ela continha. Saberá quando for tarde demais para qualquer ação corretiva.

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XX LEIS UNIVERSAIS Parte 1

Que o Universo é regido por leis bem determinadas, a própria ciência já descobriu, constatou e admitiu. E isto não é de agora, mas vem já de séculos. O reconhecimento dessas leis é contínuo e crescente por parte da ciência. Desde as primeiras descobertas astronômicas dos povos antigos, passando pelos sólidos fundamentos da física clássica de Newton, até chegar aos não muitos óbvios postulados da física quântica, com seu estranho “princípio da incerteza”, tempos dilatáveis, eventos que só existem quando observados e outras esquisitices mais, dificilmente assimiláveis. Quanto mais a ciência avança nas descobertas em seus múltiplos campos de atuação, tanto mais ela constata uma imensa ordem em tudo. A coerência dos resultados de suas experimentações, simples ou complexas, testemunham a existência de leis no Universo, segundo as quais os fenômenos se formam. São leis de tal forma perenes e imutáveis, que em muitos casos é até possível prever o resultado de um experimento antes mesmo de se executá-lo. E nos casos em que o resultado não é previsível, pode-se afirmar antecipadamente, com absoluta segurança, que ele jamais estará em desacordo com as leis conhecidas. Em cada novo fenômeno descoberto pela ciência, se reconhece a atuação dessas mesmas leis inflexíveis. O estudo dos “fractais”, por exemplo, entre outros efeitos demonstra que ao se ampliar a visão em escala microscópica de um elemento qualquer da natureza, não importa quantas vezes, reaparece sempre uma mesma forma geométrica, em meio a magníficas conformações espiraladas, reentrâncias e saliências de aparência geológica. É um mundo por si, que emociona pela beleza inesperada, totalmente desconhecida até há algum tempo. Em http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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formações naturais tidas como aleatórias, como um simples floco de neve, descobre-se, numa escala de observação adequada, uma ordem insuspeitada que segue um padrão imutável. A Biologia, por sua vez, tem contribuído ultimamente com alguns números inéditos para os anais da ciência matemática: Uma célula viva possui cerca de vinte aminoácidos, cujas funções dependem de duas mil enzimas específicas. Pesquisadores descobriram que a probabilidade de que metade dessas enzimas, portanto mil, se agrupem de modo ordenado, conforme apresenta uma célula, é de uma chance em 10 elevado a 1.000. Este número é representado pelo algarismo 1 seguido de mil zeros... Só para termos uma pálida idéia do que isto significa, basta considerar que o tamanho do Universo observável atualmente é da ordem de 10 elevado a 28 centímetros, ou seja, um número de centímetros representado pelo algarismo 1 seguido de vinte e oito zeros. Se um dia esse número chegar a 10 elevado a 29 centímetros, significará que o Universo observável terá aumentado em dez vezes. Uma chance em 10 elevado a 1.000 para o arranjo aleatório ordenado de metade das enzimas de uma célula, equivale a dizer simplesmente que a possibilidade de a vida ter surgido por acaso é zero em termos probabilísticos. Não são descobertas impressionantes? Claro que sim. São de deixar qualquer um pasmo de assombro. Contudo, há algo ainda mais impressionante no meio desses achados científicos. Há algo aí capaz de deixar um observador atento ainda mais perplexo diante dessas fantásticas descobertas. Trata-se da surpreendente falta de interesse científico em saber Quem, na realidade, inseriu essas leis no Universo. Leis que a própria ciência, aliás, provou existir, que procura compreender com exatidão crescente e que constatou serem absolutamente uniformes e incontornáveis. Se as leis humanas terrenas, notoriamente imperfeitas e fragmentárias, têm autores conhecidos, como se pode supor que essas leis universais, intangíveis em sua perfeição e incontornáveis em sua abrangência, possam ter surgido do nada? Em que fenômeno, dentre os inúmeros estudados pela ciência nos últimos milênios, se constatou que a perfeição pode surgir do acaso? O que faz com que a ciência, tão ciosa de resultados palpáveis e mensuráveis, não possa chegar por si mesma à conclusão óbvia, de uma obviedade infantil, de que somente uma Vontade superior poderia ter http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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inserido no Universo leis assim tão perfeitas e abrangentes? Que estranha e poderosa força é essa, que cerra os lábios dos discípulos da ciência e os impede de balbuciar para si mesmos a palavra “Deus”? Orgulho intelectual? Presunção de saber? Medo? Vergonha? Um pouco disso tudo, sem dúvida, somado ao voluntário atrofiamento espiritual desses seres humanos, que condenam previamente como inexistente ou desprovido de sentido tudo quanto não conseguem ver, pesar ou medir... Que, desprovidos (ou desprotegidos) do mais elementar senso de ridículo, afirmam “não haver nenhuma prova” da existência de um Ser supremo, enquanto que eles mesmos constituem a prova mais evidente... Se os cientistas pudessem chegar à conclusão de que somente um Criador poderia inserir leis na obra da Criação, um mundo de novos reconhecimentos se lhes abriria imediatamente. Não ficariam mais tão firmemente atados às restritas ponderações do intelecto, mas fariam uso principalmente das capacitações de seus espíritos. E com isso libertar-seiam do epíteto de “cientistas”, pois teriam ascendido ao estágio de “sábios”. E quanto mais sábios se tornassem neste reconhecimento crescente, tanto mais humildes seriam também. Quanto a isto, pode-se ter certeza absoluta. A erva-daninha da presunção só pode florescer no solo ressequido da estupidez. E contra a estupidez, como se sabe, até mesmo deuses lutariam em vão... Com o reconhecimento crescente, ao vislumbrarem a existência de uma Sabedoria e de uma ordem que ultrapassa em muito os fenômenos terrenamente visíveis e palpáveis, os ex-cientistas compreenderiam quão pouco, na verdade, eles conhecem da obra da Criação. E chegariam então, finalmente, ao estado de evolução que Sócrates já atingira há 2.400 anos, que fez dele o homem mais sábio de seu tempo, pois que era “o único que sabia que nada sabia”. Os cientistas de hoje, com seus espíritos adormecidos e sua presunção intelectual, são criaturas infelizes e nocivas no conjunto da Criação. Os sábios de amanhã, com seus espíritos despertos e humildes, irradiarão alegria de viver e serão servos realmente úteis na vinha do Senhor.

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XXI LEIS UNIVERSAIS Parte 2

Todas as leis descobertas pela ciência nada mais são do que efeitos mínimos, apenas terrenalmente perceptíveis, de leis universais muito mais abrangentes, ou leis da Criação, que traspassam tudo, perfluem tudo e mantêm tudo o que existe, inclusive o plano material da Criação, e assim também este nosso pequeno planeta. A “lei da ação e reação”, segundo a qual um corpo sempre reage com força igual e em sentido contrário àquela aplicada sobre ele, é um efeito grossomaterial, em escala mínima, de uma lei universal básica. Esta lei, denominada mais acertadamente de “lei da reciprocidade”, faz retornar a cada criatura aquilo que ela mesma produziu, seja através de pensamentos, palavras ou ações. Devolve a cada um o que foi gerado, pouco importando se foram coisas boas ou ruins. O que a física conhece é o efeito físico, na matéria grosseira a nós visível, de uma lei cujo enunciado básico Jesus já dera à humanidade há dois mil anos com as palavras “o que o ser humano semear, isso ele colherá”. A lei da reciprocidade faz de cada ser humano juiz de si próprio; põe em suas mãos o tear com o que ele tece o tapete do seu destino. A lei da gravidade, descoberta por Newton e dissecada pela física relativística, constituindo até agora o último entrave à elaboração de uma “teoria do campo unificado”, é igualmente o efeito visível de uma lei universal. A lei da gravidade perpassa toda a Criação, e não apenas os corpos siderais materiais. Esta lei faz com que cada espírito humano ascenda ou desça às regiões a que pertence segundo sua constituição anímica. Almas “pesadas”, carregadas de vícios e pendores, afundam após a morte terrena para regiões http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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igualmente densas, lúgubres, consentâneas com a constituição delas. Já almas limpas, purificadas, preenchidas de verdadeiro amor ao próximo e alegria de viver, ascendem automaticamente para regiões luminosas. Ambos são efeitos justos e indesviáveis da lei da gravidade espiritual, que assim como as outras leis universais mantêm em funcionamento perfeito a imensa engrenagem da Criação, ajustada até as minúcias desde o início dos tempos. Na escola aprendemos que um corpo só pode conservar seu movimento se suplantar as forças que a ele se antepõem. Na Terra, o atrito e a gravidade agem freando o movimento dos corpos, de modo que é preciso sempre gastar determinada quantidade de energia para se manter um movimento qualquer. Automóveis, aviões e foguetes queimam combustível para manterem-se em movimento; pássaros têm de movimentar as asas para permanecerem no ar, e peixes as suas barbatanas para não afundar. Qualquer corpo precisa de um aprovisionamento contínuo de forças para conservar seu movimento inicial. Em outras palavras, ele tem de prosseguir movimentando-se continuamente, se não quiser parar. E parar significa estagnação, retrocesso e deterioração. Se um cantor não exercita sua voz, ela logo perde o timbre e a vivacidade; se deixarmos de falar ou escrever uma língua estrangeira que tivermos aprendido, logo esqueceremos seus princípios básicos e teremos dificuldades crescentes em nos comunicar com ela; se um braço fica engessado durante muito tempo, ele se atrofia e perde a movimentação; se a água da chuva se acumula numa poça qualquer, apodrecerá em pouco tempo. Tudo isso são também efeitos terrenamente visíveis de uma outra lei universal, a lei do movimento. Esta lei da Criação estabelece que a conservação e o desenvolvimento só são possíveis através da movimentação contínua. Assim como com as outras leis da Criação, também esta atravessa todos os planos e perflui todas as criaturas. Por isso, o próprio espírito humano está sujeito a ela, independentemente se vive aqui na Terra ou em alguma parte do assim chamado “além”. Por isso, se quiser manter-se sadio, se pretender, inclusive, continuar existindo, o espírito humano tem de se movimentar continuamente. Tem de aperfeiçoar-se constantemente no sentido do bem. Tem de fazer prevalecer sua vontade sobre os obstáculos que a ela se antepõem, como o comodismo, a indolência, as falsas diretivas impostas pelo raciocínio cismador, a crença cega. Se não se animar em suplantar esses obstáculos, também ele, o espírito humano, ficará estacionado em seu http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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desenvolvimento, cuja conseqüência inicial é o atrofiamento de suas capacitações e, por fim, sua própria e automática desintegração. O ser humano pode contribuir com uma parte não pequena para o perfeito funcionamento do mecanismo universal. Mas se preferir atuar de modo nocivo, o mínimo que lhe poderá suceder é sair muito machucado pelas rodas da engrenagem. E se apesar disso ele insistir em desregular a engrenagem, será simplesmente lançado fora dela, como um grão de areia estorvante. Também as atuais idéias de tempos mutáveis, que podem ser esticados ou encolhidos, são tentativas de se compreender a variação do conceito de espaço e tempo, este sim mutável. Não é o tempo que muda, e sim a percepção que temos dele. Quanto mais elevado for um espírito humano, tanto mais ele vivenciará e assimilará num determinado espaço de tempo, mesmo aqui na Terra. Por essa razão, o tempo parece “esticar” para permitir o aproveitamento de todas as impressões. Em outros planos da Criação, os conceitos de espaço e tempo são também completamente diferentes, permitindo que um ser humano nessas regiões vivencie muito mais do que seria possível aqui na Terra. Lá não atua mais o intelecto preso à matéria, e sim a intuição espiritual, que proporciona uma vivência muito mais intensa de tudo. E isto vai num crescendo até o plano espiritual da Criação, denominado Paraíso, o destino final dos espíritos humanos que se desenvolveram de modo certo. Lá, um ser humano vivencia no espaço de um dia terreno tanto quanto em mil anos terrenos. É este também o sentido da expressão bíblica “mil anos são como um dia”. Nos pequenos efeitos materialmente detectáveis e perceptíveis, a humanidade poderia, se apenas quisesse, reconhecer a atuação de leis abrangentes, que já atuavam imperturbavelmente no Universo muito antes de os primeiros seres humanos surgirem na Terra.

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XXII LEIS UNIVERSAIS Parte 3

De uma maneira geral, podemos definir lei como sendo uma diretriz de conduta que, se não for cumprida, acarreta penalidades ao faltoso. Essas penalidades devem ser proporcionais ao alcance do prejuízo causado pela falta e, de tal forma, que para o indivíduo submetido a uma lei seja muito mais sensato obedecê-la do que descumpri-la. À primeira vista essa definição pode ser considerada válida para os dois tipos de leis a que uma pessoa está submetida: as leis terrenas, instituídas pela vontade humana, e as leis da Criação, ou leis universais, instituídas pela Vontade do Criador. As aparentes semelhanças entre ambas, porém, terminam aqui. As leis humanas regem a vida em sociedade de uma pessoa enquanto ela está aqui na Terra. As leis universais condicionam a própria existência do ser humano, esteja ele ainda aqui na Terra ou em qualquer outro plano da Criação. As leis humanas são intrinsecamente imperfeitas, e por essa razão mutáveis, tanto no tempo como no espaço. Uma lei promulgada há um mês pode já não estar em vigor hoje, e a legislação de um país não se aplica a outro. Já as leis da Criação são absolutamente perfeitas, e por isso nunca podem estar sujeitas a qualquer alteração. Jamais poderão ser ampliadas, reduzidas ou revogadas. Muito menos aperfeiçoadas. Existem desde o início dos tempos e permanecerão eternamente as mesmas. Imutáveis, intangíveis e incorruptíveis. É impossível para qualquer pessoa estar ciente de todas as leis humanas a que está submetida durante a sua passagem de alguns anos pela Terra, tal o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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seu número e complexidade. As leis que regem a Criação, ao contrário, são poucas e simples. São a própria simplicidade. Podem ser compreendidas perfeitamente por qualquer um, independentemente do seu grau de instrução. Nem poderia ser diferente, já que a elas estão submetidas todas as criaturas, e assim também o próprio espírito humano, pouco importando se na Terra ele é analfabeto ou phD. As leis humanas são falhas por natureza, pois são produtos exclusivos do intelecto limitado. Estão repletas de brechas que permitem descumpri-las, sem acarretar ao infrator nenhuma sanção. Estão sujeitas a injunções políticas, interpretações dúbias e contribuem para a especialização crescente de consultores, que ensinam a burlá-las legalmente. Já com relação às leis universais, nunca existiu, nem jamais existirá um único caso em que uma criatura tenha descumprido alguma delas sem ter ficado imediatamente sujeita às consequências deste descumprimento. Por serem poucas, extremamente simples, absolutamente lógicas e tão incisivas para a existência do ser humano, não há nenhuma desculpa para o seu descumprimento sob a alegação de ignorância. O não cumprimento dessas leis por desconhecimento é até uma circunstância agravante, já que isto demonstra que o infrator – poderíamos dizer também pecador – não se interessou por elas e nem fez o menor esforço em assimilá-las e cumpri-las. O “não esforçar-se” equivale a “não movimentar-se”, o que já se constitui numa desobediência consciente à lei do movimento. Cumprir as leis da Criação equivale a ajustar-se à Vontade do Criador, que as instituiu. E esta Vontade estabelece que em seus caminhos de desenvolvimento, na Terra e em outras partes da Criação, o ser humano deverá encontrar tão-somente alegria, felicidade e paz bem-aventurada. Descumprir essas leis significa agir contra a Vontade do Criador, o que faz o ser humano angariar então para si exatamente aquilo de que elas procuram preservá-lo: dor, sofrimento, angústia e toda a sorte de desgraças. Quanto mais elevado espiritualmente for um ser humano, quanto mais sábio ele se tornar, tanto mais incondicionalmente ele se submeterá a essas leis universais, já que assim lhe fica assegurada de antemão a felicidade. É esta a maior sabedoria que um ser humano pode almejar. É a suprema arte de viver.

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XXIII A ÚLTIMA GUERRA

Em 1974 a Índia realizou a sua primeira explosão atômica. Tratou-se de um teste para “fins pacíficos”. Recentemente o país fez explodir, em dois dias, cinco artefatos nucleares, desta vez com o objetivo declarado de consolidar seu sistema de defesa. Foram precisos 24 anos para que o governo indiano abandonasse a hipócrita expressão com que rotulara seu primeiro teste atômico e assumisse seu verdadeiro intento: prover o país com um arsenal nuclear, meta a ser alcançada em breve também pelo Paquistão, seu vizinho de fronteira e colega de desvario. A Índia deixou de lado sua linguagem hipócrita, mas o resto do mundo não. Dos seus quatro cantos convergiram para Nova Delhi as expressões de “grande desapontamento”, “profunda consternação”, “forte preocupação” e outras severas retaliações diplomáticas. Ora, sejamos objetivos, claros. Sejamos honestos. Os testes nucleares indianos explodiram de vez as vãs tentativas dos sócios fundadores do clube atômico em manter as portas da agremiação fechadas, para impedir o ingresso não autorizado de novos postulantes. E não são poucos os países empenhados em estender para os seus territórios o imenso campo minado atômico em que se transformou o planeta; como se a quantidade de megatons acumulada até agora fosse insuficiente para materializar o http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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apocalipse. Se o atual poderio atômico pudesse ser dividido eqüitativamente entre todos os habitantes do planeta, cada cidadão seria contemplado com 4,2 toneladas de dinamite... Os esforços feitos até agora para reduzir o perigo de uma guerra nuclear foram, digamos diplomaticamente, “improfícuos”. Os tratados de limitação e banimento parcial de armas nucleares, firmados entre Estados Unidos e Rússia, só fizeram baixar um pouco o patamar do número de vezes que o mundo pode ser destruído. Nada além disso. Os testes nucleares e o desenvolvimento de novas armas continuam a ser realizados imperturbavelmente pelos membros oficiais do clube, através de simulações de computador. E ninguém se mostra “desapontado” nem “consternado” com isso. Por quê? O objetivo ardentemente almejado e incansavelmente perseguido, o da destruição total, permanece rigorosamente o mesmo. Mas agora, somente os novos membros não convidados do clube atômico ainda dão ensejo a ridículas manifestações de desagrado, em decorrência dos seus obsoletos testes subterrâneos... Oxalá, entrem logo no Primeiro Mundo. Os povos da Terra estão maduros, finalmente, para a Terceira Guerra Mundial. As pífias reações aos novos testes nucleares e a indiferença modorrenta em relação ao aperfeiçoamento do arsenal existente demonstram, com absoluta nitidez, que a vontade humana é completamente incapaz de deter este acontecimento. Mais uma vez, e pela última vez, a humanidade colherá o que semeou. Os governantes poderão contemplar então, por curto espaço de tempo, a coroação de seus diligentes esforços, de décadas a fio, em se preparar condignamente para a destruição mútua. Ou haverá ainda alguém que imagine que a Terceira Guerra não eclodirá? O fim da maior parte da humanidade, numa forma pavorosa, já pôde ser previsto há muito tempo. Muito tempo mesmo. A maior parte dela já enveredara por caminhos errados há milênios. Caminhos sem volta. E o contingente dos que decidiram trilhar esses caminhos foi crescendo continuamente com o passar dos séculos. Os testes nucleares que atualmente presenciamos são os últimos preparativos, os últimos retoques para um fim horrível de grande parte dos seres humanos, o qual não pode mais ser detido nem adiado indefinidamente. A hecatombe nuclear é o glorioso ponto final da saga humana, escrita com sangue de geração em geração. Uma longa e tenebrosa trama composta de inúmeros personagens, cada qual procurando interpretar da melhor forma possível seu papel no imutável roteiro milenar de cobiças, vinganças, http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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ódios, guerras, opressões, injustiças, etc., etc. Certa vez perguntaram a Einstein como ele imaginaria que seria a Terceira Guerra Mundial. O cientista alemão respondeu que a Terceira ele não sabia, mas que a Quarta seria travada com paus e pedras... Talvez seria assim mesmo, se a índole destruidora humana conseguisse sobreviver à Terceira Guerra e voltasse a exercer sua influência devastadora. Mas tal não acontecerá. A Terceira Guerra Mundial será efetivamente a última da história. A própria humanidade colaborará assim, compulsoriamente, no processo de depuração global ora em andamento, que porá um fim à sua desastrosa passagem pela Terra. Contudo, também este evento seguirá caminhos pré-determinados, de forma que não ocorrerá a mínima injustiça, pois em nossa época ninguém pode ser atingido por algo que não tenha ajudado a formar. Os que passarem incólumes por isso viverão posteriormente sob uma nova ordem, onde o amor ao próximo consistirá na própria vida. Não haverá saudades em relação aos outros.

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XXIV UMA HISTÓRIA DE PAPAS

Vamos uma vez falar de papas sem papas na língua. Comecemos com a Alta Idade Média, quando havia em média uma igreja católica para cada grupo de 200 pessoas. O poder romanista nessa época era tal, que o papa podia até legislar sobre assuntos tributários. Em seu reinado de 1294 a 1303, o papa Bonifácio VIII, por exemplo, sentiu-se totalmente à vontade para emitir uma bula liberando os clérigos de impostos, e uma outra onde declarava que o poder espiritual e temporal dos papas era superior ao dos reis… O poeta Dante visitou a Roma dos papas durante o seu reinado e absolutamente não comungou desta opinião, pois logo depois descreveu o Vaticano como “esgoto da corrupção”. No século XIII, o pontífice romano dispunha de mais vassalos feudais do que qualquer outro suserano, e a lei canônica era aplicada indistintamente a todos os países cristãos do continente europeu. http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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Qualquer súdito suspeito de heresia era taxado por Roma não apenas de inimigo da fé, mas de “inimigo da sociedade”. O poder do papa era tão imenso nesse período, que acabou dando origem ao chamado “Grande Cisma”, o qual manteve a Igreja dividida entre os anos de 1378 a 1417. O que aconteceu foi que o papa eleito em 1378, Urbano VI, se opôs aos cardeais não italianos, que devido a isso resolveram eleger por conta própria um outro papa, o suíço Clemente VII. Urbano VI era apoiado pela Inglaterra, Polônia, Dinamarca e Suécia, enquanto que Clemente VII contava com o apoio da França, Escócia e países ibéricos. A sede de Urbano VI era Roma, a de Clemente VII a cidade de Avignon, na França. Nessa época, todo europeu encontrava-se automaticamente excomungado pelo papa a cujo pálio não se submetia, e cada lado acusava o outro de ter o Anticristo como chefe. Com o propósito de resolver o impasse, visto ter fracassada uma singela tentativa de solução pelas armas, o Concílio de Pisa, com apoio da Universidade de Paris, elegeu um novo papa em 1409, Alexandre V, que não pôde resolver a situação porque morreu inoportunamente logo em seguida, tendo sido substituído por João XXIII*. Embora declarados ilegítimos pelo Concílio, os dois papas anteriores, de Roma e de Avignon, mantiveram-se firmes em seus postos, de modo que a Igreja passou a contar com três Vigários de Cristo a zelar pela doutrina, cada qual se esmerando em anátemas e excomunhões. Durante alguns anos, as salvas dos tríplices anátemas papais cruzaram a Europa de ponta a ponta, qual mísseis medievais, municiados com ogivas de ignorância e estupidez, escurecendo ainda mais os céus já cinzentos da tenebrosa Idade Média. O rebuliço só serenou quando o Concílio de Constança (1415 – 1418) se reuniu e depôs os três papas briguentos, elegendo um quarto, Martinho V, daí novamente o único pontífice universal reconhecido por todos, e com isso a pax romana retornou ao seio da Igreja. O termo pontífice provém do vocábulo pontifex – “construtor de pontes”, título sacerdotal usado nos ritos pagãos da Roma antiga, designando aquele que, por seu ofício de sacerdote, formava o elo ou ponte entre a vida na Terra e no Além. A forma pontifex maximus (sumo pontífice) era uma das expressões do culto divino dirigido ao imperador romano, e apenas a este. Só o imperador era o pontifex maximus, tal como aparece, por exemplo, nos denários do tempo de Jesus, aludindo ao imperador Tibério. Essa denominação foi surrupiada pelo papado pouco depois do seu início, na gestão de Leão http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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I, chefe da Igreja entre os anos 440 e 461, no tempo da queda final do Império Romano. Foi ele quem deu início à concorrida linhagem de césares papais ao tomar para si o título de “sumo pontífice”, encantado com o rótulo. Com essa pontifical travessura ele desejava mostrar que, como bispo de Roma, tinha natural jurisdição sobre as demais comunidades cristãs. Na sua opinião, “uma vez que Pedro fora o primeiro dentre os apóstolos, a Igreja de São Pedro deveria receber primazia entre as igrejas.” Leão I queria, leoninamente, ser considerado o primus inter pares – “primeiro entre iguais”. Assim, podemos afirmar que o Império Romano nunca se extinguiu de fato, mas continuou existindo, inclusive sob esse mesmo nome, até a idade moderna. A única diferença é que seus súditos e vassalos não eram mais constrangidos pela lança e os louros do imperador, mas pelo báculo e a mitra do bispo de Roma. De fato, quase nada mudou. O costume de manter arquivos papais deriva da antiga prática imperial romana; o transporte do papa no alto, na chamada sedia gestatoria, é igualmente um meio de transporte oriundo da Roma antiga, e mesmo o Código de Direito Canônico foi inspirado no Direito Romano. Até recentemente, qualquer terráqueo que não comungasse da fé católica tornava-se efetivamente um novo “bárbaro” aos olhos da Igreja, tal como no Império Romano. Tal como seu antecessor, o atual Império Romano da Igreja, fundado em concepções errôneas das palavras de Cristo, foi igualmente conservado pelo medo e expandido pela força. O termo “papa” é formado pela junção das primeiras sílabas de duas palavra latinas: pater patrum – “pai dos pais”. A própria História comprova como muitos papas – os “pais dos pais” da Igreja – mandaram utilizar paternalmente o punhal e o veneno contra seus próprios pares, na consecução de objetivos puramente terrenais. Quem inaugurou, ou melhor, foi inaugurado no estilo de morte papal por envenenamento foi João VIII, assassinado no remoto ano de 882. Cerca de dez anos depois foi a vez de o papa Formoso ser misteriosamente envenenado na Santa Sé. Seu sucessor, Estevão VII, aparentemente incomodado com esse falecimento enigmático, fez questão de exumar o corpo do papa morto, excomungá-lo solenemente com as vestes pontificais, mutilá-lo, arrastá-lo pelas ruas de Roma e por fim lançá-lo no rio Tibre, mostrando ao mundo do que uma paranóia papal é capaz. O misericordioso Estevão VII acabou morrendo pouco depois, trucidado pelo povo. Em 904 o papa Leão V foi assassinado pelo seu sucessor, Sérgio III, que já havia tentado antes se apoderar do trono pontifício, sem http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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sucesso. Poucos anos mais tarde, o papa João X foi envenenado pela filha de sua amante, essa última mãe de seu sucessor, João XI. O papa João XI foi despachado em 936. Em 974, o papa Bonifácio VII assumiu o trono depois de estrangular seu antecessor, Bento VI. Dez anos mais tarde, o mesmo Bonifácio VII prendeu e liquidou seu rival, o papa João XIV, e um ano depois ele próprio foi deposto e assassinado. O papa Silvestre II morreu envenenado no ano 1003. O papa Clemente II morreu envenenado em 1047, dois anos depois de assumir o trono com uma plataforma de combate à corrupção interna. Em fins do século XIII, o papa Celestino V foi envenenado pelo seu sucessor, Bonifácio VIII. Em 1304, o papa Benedito XI morreu logo após ingerir, sem saber, figos misturados com vidro moído. Em 1471, o papa Paulo II fechou os olhos para sempre depois de comer dois triviais melões, não se sabe com que tempero adicional. Especial destaque homicida merece ser dado ao papa Alexandre VI, um sátrapa que ascendeu ao trono pontifício no ano de 1492 e logo cuidou de transformar palácio papal um bordel. Seu tristemente célebre reinado de terror ficou marcado tanto pelo punhal como pelo veneno, freqüentemente utilizados por seus correligionários, com grande habilidade, para abrir caminho nas fileiras dos opositores. Alexandre VI morreu em 1503, envenenado por arsênico. Traições sucessivas, luta de facínoras pelo poder, sangue derramado aos borbotões – tal é o enredo secular da história dos papas. Em relação a outros temas o currículo deles não é melhor. Os catálogos feitos para provar a ligação ininterrupta dos papas desde o início do Cristianismo são falsificações, reconhecidas hoje, inclusive, por membros mais honestos do clero. Baseiam-se na chamada “Doação de Constantino” e nas “Pseudo-decretais”, documentos fabricados no século IX e impingidos ao povo como “provas” da transferência da autoridade papal aos ocupantes da cadeira de Pedro pelo imperador romano Constantino, no século III. A Doação de Constantino é uma carta forjada desse imperador, que teria sido dirigida ao papa Silvestre I em 30 de março de 315, na qual lhe concede autoridade sobre todos os episcopados existentes, doando-lhe ainda o palácio de Latrão, as insígnias e os poderes imperiais romanos, não apenas sobre a Itália mas incluindo todas as demais províncias do Império. Não se sabe bem o que Silvestre I pensou ao ganhar de presente um certo patriarcado de Constantinopla, citado textualmente na “Doação”, mas que ainda não existia no ano 315… A Igreja de Roma afirmava que o imperador Constantino depositara seu documento de “Doação” sobre o cadáver de S. Pedro, como uma http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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oferta pessoal ao primeiro dos papas... Um outro documento falsificado, atribuído a Clemente I, papa de 88 a 97, informa que o próprio apóstolo Pedro lhe teria dito que o bispo de Roma detinha o poder de abrir e fechar os portões do Paraíso. Já a comprovação “espiritual” da ligação dos papas com Cristo, cabeça da Igreja, foi pespegada aos católicos com o dogma da infalibilidade papal, decretado durante o Concílio Vaticano I, no século XIX. Os bispos reunidos nesse Concílio chegaram a dispor de uma oportunidade de rejeitar essa loucura, mas preferiram recuar. Numa das reuniões para debater o assunto da infalibilidade, uma tempestade desabou sobre a Basílica de S. Pedro e uma trovoada, amplificada pelo interior acústico da Basílica, acabou quebrando uma das janelas mais altas. Esse incidente assustou algumas das eminências ali reunidas, que concluíram tratar-se de um sinal claro de que era errado o que estavam fazendo. No entanto, essa opinião não prevaleceu, o episódio foi rapidamente abafado, as confabulações encerradas e os papas tornaram-se dali em diante infalíveis em questões de fé e moral, preservados pelo Senhor de quaisquer erros. Também a prepotência espiritual da casta papal ainda está para ser avaliada, em sua real magnitude, por historiadores independentes. No início eles se denominavam Vigários de Pedro, mas não demorou a serem promovidos por si próprios a Vigários de Cristo. O papa Gelásio I, redator do primeiro catálogo de livros proibidos pela Igreja, foi quem deu início, no século V, à longa série de desvarios pontifícios com sua “teoria das duas espadas”. De acordo com essa tese, dos dois poderes legítimos que o Criador teria outorgado para o governo do mundo, o poder espiritual – representado pelo papa – sempre teria supremacia sobre o poder dos reis. No século XI, o papa Gregório VII reforçou esse poder ao proclamar a absoluta perfeição da Igreja de Roma: “A Igreja nunca errou, nem jamais errará, segundo as Escrituras”, esclareceu. Como testemunho dessa perfeição doutrinária, e para justificar o solene culto em latim da época, que sempre foi completamente ininteligível para qualquer fiel, esse papa emitiu uma bula declarando “ser agradável ao Onipotente que Seu culto fosse celebrado em língua desconhecida, e que muitos males e heresias haviam surgido por não se observar essa regra.” Esse Gregório VII também deliberou, num espasmo de humildade, que todos os príncipes deveriam beijar os pés do papa, e que um apelo à corte papal sempre teria total preponderância sobre os julgamentos de qualquer outro http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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tribunal terreno. Na sua opinião, o papa era automaticamente feito santo pelos méritos de São Pedro, e daí a relevância da reverência exigida. Seu colega de profissão, Bonifácio VIII, também não corou ao discorrer sobre seu glamouroso papel na salvação das almas humanas: “Declaramos, afirmamos, definimos e pronunciamos que é totalmente necessária à salvação de toda criatura humana sua sujeição ao pontífice romano.**” O catecismo do Concílio de Trento respaldou indiretamente essa opinião de Bonifácio VIII, ao definir a Igreja como “corpo de todos os fiéis que até agora vivem na Terra, com uma cabeça invisível, Cristo, e uma cabeça visível, o sucessor de Pedro, que ocupa a Sede Romana.” Pouco depois dessa declaração, Inocêncio III, pontífice entre os anos de 1198 e 1216, conseguiu sobrepujar por larguíssima margem a arrogância de seus predecessores quando, num arroubo de modéstia pontifícia, serenamente anunciou ao mundo que “o pontífice romano é o representante sobre a Terra não de um mero homem, senão do próprio Deus.” Essa opinião se manteve nos séculos seguintes. Segundo a escritora Ellen White, até o ano de 1612 ainda era possível encontrar documentos eclesiásticos onde se lia o intróito: Dominum Deum Nostrum Papam – Nosso Senhor Deus o Papa. Não me é possível tecer comentários sobre uma blasfêmia tão asquerosa como essa, mas gostaria de saber qual a diferença entre esse ensandecido Inocêncio III e o desvairado Domiciano, imperador romano de 51 a 96 d.C, que exigia de seus súditos o tratamento de “Senhor e deus”. Ou então de sacripantas do diâmetro de Calígula e Nero, que também declararam em vida sua origem divina. Foi também Inocêncio III quem, durante o Concílio Latrão IV, em 1215, ratificou a desairosa máxima de São Cipriano: “fora da Igreja não há salvação”, pouco depois de declarar Maomé como o Anticristo. Com um caráter assim tão pouco ecumênico, logo sentiu-se encorajado a perseguir os albigenses ou cátaros, um grupo cristão dissidente que surgiu na França no século XII, que rejeitava o culto aos santos, os dogmas da ressurreição da carne, do nascimento virginal de Jesus e de sua presença real na eucaristia. Durante a perseguição, o escassamente inocente Inocêncio III foi tocado por um lampejo de caridade cristã ao ordenar aos seus: “Se necessário, suprimi-os com a espada!” Por ocasião da sangrenta tomada da cidade de Beziers por parte das tropas papais, surgiu então a questão de como distinguir os habitantes heréticos dos bons católicos. Um legado desse papa Inocêncio III encontrou rapidamente a solução: “Matem todos, pois o Senhor saberá reconhecer os que lhe pertencem!” E assim foram mortos algumas dezenas de milhares de homens, mulheres e http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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crianças. Esse Inocêncio valentão também já havia sepultado numa desaforada bula as tímidas iniciativas de tradução da Bíblia, ameaçando de morte “qualquer simplório e ignorante que tivesse a audácia de tocar na sublimidade da santa Escritura ou de pregá-la a outrem”. Inocêncio III não foi o único papa belicoso a desautorizar a leitura da Bíblia em língua vernácula. No século XVI, o papa Paulo IV emitiu uma bula em que excomungava quem fizesse uso de qualquer tradução da Bíblia. Seu sucessor, Pio IV, foi um pouco mais compreensivo e declarou que “qualquer pessoa que leia ou tenha uma tradução em seu poder sem esta permissão [dos bispos e dos inquisidores] não poderá ser absolvido de seus pecados até que devolva a Bíblia ao superior”. Algumas décadas depois, Paulo V colocou a seguinte observação ao lado da lista de Bíblias vernáculas no Index Librorum Prohibitorum – o Índice de Livros Proibidos da Igreja: “Não se pode ler, imprimir-se ou possuir-se, sem licença do Santo Ofício, as edições da Bíblia em língua vulgar.” Em 1816, Pio VII emitiu um documento em que chamava as traduções vernáculas da Bíblia de “a mais astuta das invenções, pela qual se abalam os fundamentos da religião e se levam os fiéis a beberem nessas fontes o letal veneno.” Alguns anos depois dessa declaração peçonhenta de Pio VII, um outro papa mefistofélico, Gregório XVI, tachou a hipótese de uma eventual liberdade de consciência humana como “idéia monstruosa e absurda”. Esses papas não podiam admitir que seus enfileirados fiéis tivessem a capacidade de pensar por si mesmos e tirar suas próprias conclusões. Onde já se viu tamanha insolência? De fato, havia o risco de os católicos, observando a profusão de canonizações ao longo dos séculos, terem chegado à conclusão de que nenhum de seus papas lia a Bíblia, ou então que não davam à mínima para ela, já que no livro de Isaías está dito expressamente: “Só ao Senhor dos Exércitos chameis de Santo” (Is8:13). A Bíblia só pôde começar a ser interpretada sob rigorosa supervisão da cúria pretoriana, para evitar “desvios”. Exemplo de interpretação correta foi esse primor produzido por um certo bispo de Florença, segundo o qual um trecho do Salmo 8 provava o domínio do papa sobre o mundo: “Deste-lhe domínio sobre as obras da Tua mão e sob seus pés tudo lhe puseste: ovelhas e bois, todos, e também os animais do campo; as aves do céu e os peixes do mar, e tudo o que percorre as sendas dos mares” (Sl8:7,8). O bispo http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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esclareceu como tudo fora colocado sob os pés do papa pelo Senhor: as ovelhas eram os cristãos, os bois eram os judeus e heréticos, os animais do campo eram os pagãos, e os peixes do mar eram as almas do purgatório. Desconfio que o tal bispo não tinha muito apreço pela inteligência das suas ovelhas... E todo esse poder fora doado ao papa para ser exercido em terras... da Igreja! Em Portugal, a Igreja detinha a propriedade de dois terços das terras no início do século XVIII. Como foi possível que o mundo tivesse de suportar essa instituição do papado, a maior incubadora de tiranos em seqüência da história da humanidade, verdadeiros serial killers do espírito? Em Sua obra O Livro do Juízo Final, Roselis von Sass diz o seguinte sobre o modo de geração de tiranos no lar: “Quando pessoas moram muito juntas numa casa na Terra e se deixam tiranizar caladas por um dos habitantes, tolerando a sua impertinência e mania de dominar, e portanto temerosas se rebaixam em vez de enfrentá-lo, elas perdem energias. Tornam-se mais fracas, ao passo que o tirano fica cada vez mais poderoso e mais impertinente.” Com o papado aconteceu algo semelhante. No grande lar da Terra, os povos se deixaram atemorizar pela impertinência dos primeiros papas, fornecendo a eles o combustível para que se tornassem cada vez mais poderosos e tirânicos. O processo foi o mesmo. Só para arrematar essa diminuta amostragem de prepotência papal, quero citar uma, apenas uma das pérolas que compõem o rosário de petulâncias da chamada “Súmula de Erros”, elegia emitida pelo papa Pio IX no ano não tão distante assim de 1864: “Os princípios de filosofia, ciência moral e as leis civis podem e devem ser feitos para se curvarem às autoridades divinas e eclesiásticas.” Esse Pio IX, parodiando Luís XIV e sua famosa frase “O Estado sou eu!”, não deixou por menos no Concílio Vaticano I em 1870: “Eu sou a tradição!”, avisou ao mundo. Poucos anos depois, seu sucessor, Leão XIII, jogou um balde de água gelada em qualquer mortal que ainda ousasse querer buscar a própria salvação: “Enganam-se todos aqueles que desejam alcançar a salvação fora da Igreja e engajam-se num esforço inútil. Por ordem de Deus, apenas na Igreja pode ser encontrada a salvação; o único instrumento efetivo e forte para a salvação é o Pontificado Romano.” Não diga!... Pronto, já basta. Voltemos a respirar. Mesmo porque agora temos http://www.library.com.br/pedrasverdade/leia.htm

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permissão para isso, conforme estabelece o cânone nº 1.536 do Concílio Vaticano II, promulgado em 1965, portanto um século depois da Súmula de Erros de Pio IX: “Este Sínodo Vaticano declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa.” Que bom, não? * Não confundir com o outro João XXIII, eleito em 1958 e que convocou o Concílio Vaticano II. Este segundo João XXIII era, de fato, um papa bemintencionado. A Igreja não reconhece o reinado do primeiro João XXIII, daí a repetição dos nomes. ** Nessa época, o rei da França, Filipe, o Justo, acusou o papa Bonifácio VIII de simonia, imoralidade, violência e irreligião. Prestes a ser excomungado, Filipe se adiantou e prendeu o papa na cidade francesa de Agnani, no dia 7 de setembro de 1303.

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Epílogo

Roberto C. P. Junior é espiritualista, mestre em ciências e autor dos livros: "Vivemos os Últimos Anos do Juízo Final", "Visão Restaurada das Escrituras", "Capotira", "Jesus Ensina as Leis da Criação" e "O Filho do Homem na Terra", os dois últimos disponíveis em edição impressa. Roberto é membro da Ordem do Graal na Terra e autor de vários artigos de cunho filosófico disponíveis nos sites "Library" e "SóCultura".

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Pedras de Verdade 1  

Artigos relevantes sobre os acontecimentos hodiernos, sociais e espirituais.

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