Page 1

ZÉ GIGAS poeta popular


ZÉ GIGAS, POETA POPULAR

E se hoje aqui estamos Na “ternura dos quarenta” De novo cá estaremos Na tremura dos oitenta. Bate sempre, sem descanso, Numa batida sem fim! No fundo és um Batman, No fundo és um Valentim...

151

APÓS TÃO BELO JANTAR 2011-09-20 DARQ

Jantar com alunos do DARQ / Coimbra, no intervalo das sessões integradas no ciclo de conferências “Mesa 2011” (Casa da Música) Churrasqueira Boavista Porto

Após tão belo jantar Falta aqui alguma rima Mas para vossa surpresa Não vou rimar com Sejima. Não vou rimar com o Siza Nem com Camilo Rebelo Nem sequer com João Gomes Por ter cortado o cabelo. Não vou rimar com Serôdio, Não vou rimar com Brandão, Mas dir-vos-ei afinal Como manda a tradição… …Que as conferências estão Longe de ser grandes secas! Mas para vossa surpresa Não me vou pôr em cuecas! Quem sabe mais uns jantares Com as pessoas amigas Me devolvam os poderes Que eram do Super-Gigas…

302


ANTOLOGIA POÉTICA 1962-2017

EDUARDO-MÃOS-DE-TESOURA No seu jeito, o Nuno Grande Revelou: “- O Souto Moura, P´ra quem aqui não o saiba, Tem umas mãos de tesoura!”

2011-09-20 eventos

Posto isto, tem cuidado! Eduardo, não te mates, Porque corres algum risco Quando coçares os tomates…!

Conferência na Casa da Música Eduardo Souto Moura apresentado por Nuno grande

DE AMADEO A SIZA... 2011-10-15

1.

Em casa do Amadeo

viagens

A malta quer é pagode E dar uma de turista! Eis em resumo o que move Este grupo excursionista.

(a)  Amadeo de Souza-Cardoso, natural de Manhufe, 1887

152

Com programa preciso, Qual viagem da “Abreu”, Lá fomos para Amarante Visitar o Amadeo. (a) Fiquei para a minha vida Pois, para além da pintura, Este rapaz de Manhufe Estudou arquitectura! De nada te serviria, Amadeo, teres-te formado! Hoje não serias nada Se não tivesses mestrado!

303

153


ZÉ GIGAS, POETA POPULAR

Felizmente desististe, Escapaste por um triz, Aproveitaste o “Erasmus” E partiste p’ra Paris. Conheceste o Modigliani, O Delaunay e o Gris. O que fizeste, Amadeo, Nesses tempos por Paris? Devias ter conhecido O Lautrec, entre os artistas, Para ires ao Moulin Rouge Engatar umas coristas! 2.

Por causa de umas velhotas… Entretanto, o Carlos Prata Contou-nos, em breves notas, Não um caso com coristas Mas um caso com velhotas. No ano de oitenta e sete, Na nossa Associação, Eram quatro as velhotas Que estavam na Direcção.

(b)  Vasco Morais Soares

Eis que o “Vasquinho das Tortas” (b) Quis então, sem mais demora, Correr com as quatro velhas E pô-las dali p’ra fora! Juntou-se então uma Lista Que não dá p’ra acreditar Entre o Viana de Lima E o Marques de Aguiar! O Prata distribuiu Pelo grupo excursionista Um folheto com as fronhas Dos integrantes da Lista.

304


ANTOLOGIA POÉTICA 1962-2017

E entre todos os cromos, Dos mais novos aos mais velhos, Estava o Prata e o Moura Ambos com ar de fedelhos! 3. (c)  Teixeira de Pascoaes, natural de Amarante, 1877

Em casa do Pascoaes Depois, rumo ao Pascoaes, (c) O bus lá continuava Mas ninguém sabia bem Onde é que o gajo morava! O poeta Pascoaes, Entre os seus muitos enfados, Passava a vida no quarto Sempre a chupar rebuçados. E como era sensível (Cada qual é como é…) Guardava o papel dos “dropes” P´ra depois fazer “croché”! Não se percebe, afinal, Num palacete tão rico, Esse fétiche do quarto E do cheirinho a penico? Quando ficava excitado, Lhe crescia… a emoção, Lá apagava a acendalha Numa banheira, no chão. E embora sem “jacuzzi”, Após abrir alçapões, Lá ficava ele de molho Com medo dos “patagões”.

(d)  Segundo relato de Luís Ferreira Alves

Porque eles têm pés grandes (d) E se estiverem à beira Podem causar comichões A quem estiver na banheira!

305


ZÉ GIGAS, GIGAS  POETA ANTOLOGIA POPULAR POÉTICA

4.

E segue a viagem… Lá na Tasca do João Comemos belas entradas E uma vitela assada Com batatas aloiradas. Como estamos em crise E não vai haver aumentos No bus há uma “casinha” Mas à escala um quinhentos. Se estiverem aflitos Não será grande a demora Pois como é pequenita Meio cu fica de fora!

5.

Em casa do Torga Mas para além dessas merdas, Como a gente quer é borga, Lá fomos para Sabrosa Visitar o Miguel Torga. A casa do Miguel Torga Sempre era mais arejada E em relação às outras Tinha menos cangalhada!

(e)  Eduardo Souto Moura

Num elogio ao autor (e) A Pi, com toque de artista, Fez a síntese perfeita Deste grupo excursionista: Há os mais gordos, mais magros, Os altos, os anafados, Uns com os cus mais redondos Outros com cus mais chupados!

306


ZÉ GIGAS  ANTOLOGIA ANTOLOGIA POÉTICA 1962-2017 POÉTICA

6.

Na Adega do Portal Foi uma bela jornada E, numa última escolha, Acabamos numa adega Toda revestida a rolha. Bela obra, por sinal, Esta do mestre Vieira, (f) Com uns copos no terraço P´ra ajudar à bebedeira!

(f)  Álvaro Siza Vieira

É uma obra de arromba Com tudo na perfeição E com umas luminárias Em forma de Benurom. A Biá até lembrou Que as perversas luzinhas Seriam, qual Benurom, O terror das criancinhas! Se o Paulo Portas soubesse, Quando visse a luz acesa, Por certo queria voltar P’ra Ministro da Defesa! 7.

Epílogo Foi demais esta viagem E correu mesmo à maneira! E tudo graças ao Pedro, Que é um Guedes Oliveira! Vamos já pensar na próxima E aceitar sugestões. Porque não à Patagónia Para ver os patagões?

307


ZÉ GIGAS, POETA POPULAR

Zé Gigas, poeta popular Antologia poética 1962-2017 Circo de Ideias — Associação Cultural www.circodeideias.pt

624

Campanha de pré-venda  
Advertisement