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O Ano Novo das Árvores .‫ָאָרץ נָתַ ן ִל ְבנֵי אָדָ ם‬ ֶ ‫ ְוה‬,'‫שׁ ַמי ִם לה‬ ָ ‫שּׁ ַמי ִם‬ ָ ‫ַה‬   Do Eterno são os céus, e aos seres humanos Ele entregou a terra.

Salmos 115:16


Tu Bishvát Tu Bishvát significa “15º dia do mês de Shvát”. A palavra “tu” é formada pelas letras (têt) e (vav), que possuem os valores numéricos de 9 e 6, respectivamente, somando o número 15.

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‫ ו‬ 

Tu Bishvát é mencionada pela primeira vez na Mishná. Como não é uma festa descrita na Torá, e sim no Talmud, foi instituída pelos rabinos como o “ano novo das árvores” junto com outros três anos novos judaicos, incluindo Rosh Hashaná. A Torá fala da ligação entre o homem e a terra, e, em diversos momentos, nos lembra da importância da natureza e do cuidado com ela, por isso é comum relacionar este chag com o meio ambiente. Na modernidade, Tu Bishvát ganhou importância com o surgimento do movimento sionista. Como resultado do valor que dá ao meio ambiente, Israel se destaca como o único país do mundo que apresenta crescimento constante da quantidade de árvores de seu território. Mais recentemente, o Sêder de Tu Bishvát também recebeu um novo ânimo pelos movimentos liberais judaicos e pelos sionistas em Israel como forma de chamar a atenção para a importância do diálogo com o meio ambiente.


Sêder No século 16, na cidade de Tsfát (Safêd), no norte de Israel, os cabalistas lurianos, que seguiam o modelo de estudo do rabino Ashkenazi Rabi Itzchak Luria, criaram o Sêder de Tu Bishvát, cujo objetivo é reafirmar o vínculo entre o ser humano, o meio ambiente e a criação divina. A responsabilidade com o cuidado e o diálogo com a natureza foi recentemente resgatada.

As quatro taças de vinho de Tu Bishvát Repleto de simbolismos, o Sêder de Tu Bishvát é dividido em quatro etapas, com um copo de vinho e um tipo de fruto em cada uma delas. O vinho branco simboliza o inverno e a criação divina, que deu origem à vida. É associado à terra. Simbolizando a primavera e a ideia do renascimento e da formação da natureza, um pouco de vinho tinto é adicionado ao vinho branco. Este copo é associado à água. Simbolizando o outono e a força geradora da natureza, um pouco de vinho branco é adicionado ao vinho tinto. A associação, aqui, é com o ar. O vinho tinto simboliza o verão e a chama divina presente em todos os seres vivos. O último copo é associado ao fogo.


Frutos em

Em Tu Bishvát é costume comer os sete frutos através dos quais a terra de Israel é abençoada, como diz a Torá:

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“...terra de trigo e de cevada, de parreira (uva), de figueira e de romãzeira, uma terra de oliveira (que dá azeite), e de mel (tamareira)”. (Deuteronômio 8:8)

OS QUATRO FRUTOS Assim como há quatro copos de vinho, há também quatro tipos de frutos com simbolismos especiais neste sêder.

Este fruto tem uma casca comestível e uma semente interna bastante dura. Simboliza o poder da vida que emana da terra e nos faz lembrar da força espiritual e emocional que está dentro de cada um de nós.

Este fruto tem uma casca comestível e é macio por dentro. Simboliza a presença de Deus, que dá vida a todos os seres vivos da Terra.

Este fruto tem uma casca não comestível e é doce por dentro. Simboliza o mistério do mundo e o valor dos estudos. Estamos sempre buscando conhecer melhor os segredos do universo e a nós mesmos. O estudo, então, nos alimenta com a doçura da descoberta da vida.

*As interpretações podem variar de acordo com as correntes religiosas. A CIP, com respeito ao conhecimento e a estas diferenças, escolheu uma seleção dos múltiplos simbolismos possíveis para os copos de vinho e as frutas de Tu Bishvát, e reconhece que outros conteúdos podem ser encontrados.

O fruto que é duro por fora e macio por dentro. A casca dura simboliza a proteção que a terra nos dá e nos lembra de que o alimento nos fortalece e reforça os sistemas de defesa do nosso organismo.


‫אסור לדור בעיר שאין בה גינוניתא של ירק‬   “É proibido viver em uma cidade que não tenha uma horta.” Talmud Ierushalmi, Kidushín, 4:12

Você sabia que a cidade de São Paulo possui hortas comunitárias urbanas? Conhecer melhor os alimentos que consumimos e os processos de plantio e colheita, além de mudar a relação e a percepção que se tem deles, são os grandes objetivos delas. A comunidade tem o poder de criar e cuidar desta horta e o direito de usufruir dela, como alimentação, espaço educativo ou onde a imaginação permitir chegar.

São locais de confraternização entre a comunidade e de aprendizado em meio à natureza, que podem transformar nossa cidade. A CIP acredita na importância de trazer os valores judaícos à realidade local, e as hortas podem ser uma nova opção para a prática desses valores. O judaísmo possui um forte vínculo com a natureza, assim, como somos um povo urbano, participar de eventos, ações e atividades que liguem nossa religiosidade à natureza são ótimas opções para manter o judaísmo em nosso dia a dia. Para mais informações, pesquise na internet pelos Hortelões urbanos. O projeto Horta das Corujas (hortadascorujas.wordpress.com), por exemplo, oferece informações sobre a horta localizada na Vila Beatriz (zona oeste), além de links para páginas de diversas outras hortas, como a da Praça do Ciclista, ao lado da CIP.


Tu Bishvát