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R E V I S TA D A

jan 2014

A importância do

descanso segundo

o judaísmo

Balanço de 2013 na CIP

e expectativas para o próximo ano

tevêt • shevat 5774


Escola Lafer, semeando judaísmo com seus filhos Cursos a partir dos 4 anos de idade Cultura e tradição judaica, além de convivência social, são os compromissos da Escola Lafer com sua família.

M

IA IZA GE RE AP

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TSEDACÁ

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Informações: escolalafer@cip.org.br ou 2808-6219

CO

MA PITOM (13 A 15 ANOS) : Encontros jovens e dinâmicos sobre judaísmo contemporâneo e cultura israelense.

TIM OME

PR

COM

A

PREPARAÇÃO PARA BAR E BAT-MITSVÁ: Hebraico, Tefilot, Tanach, Ciclo da Vida Judaica, Festas e História. Conteúdo, materiais e recursos atualizados e trabalhados por equipe multidisciplinar, contando com a presença ativa do rabinato da CIP.

O ENT

C TOLERÂN

KTANIM (4 A 10 ANOS): Cultura Judaica: festas e tradições transmitidas de maneira lúdica. Turmas na CIP ou em casa.

DIVERSIDADE

Matrículas abertas para 2014

Fique por dentro da programação da CIP: cipsp ou www.cip.org.br


Feliz 2014!

Nessa edição, os departamentos da CIP nos contam o balanço do ano de 2013 e eu, sintetizo em números, a grandeza que é a nossa Congregação. Somos um time de 60 funcionários na CIP e 40 no Lar das Crianças e, mais de 300 voluntários incluindo Conselho e Diretoria, Chevra Kadisha, áreas de comunicação, ação social, juventude e ensino, além do Lar das Crianças. Temos 1.600 famílias associadas e 500 jovens e crianças que irão passar suas férias de dezembro e janeiro em nossas machanot, colônias, acampamentos e viagem para Israel com o grupo do Manhigut. São números significativos, mas nunca suficientes, pois somos dinâmicos, estamos sempre crescendo ou aprimorando e, sempre, precisando do seu apoio, associado, ora como voluntário com sua disposição, tempo e especialidade profissional, ora como apoiador financeiro. Se na religião judaica se fala sobre a importância do descanso, nós também falamos sobre a oportunidade de um shabaton (sabático), que pode ser o shabat que finaliza a semana e nos dá um tempo para pararmos e refletirmos o rumo que queremos dar às nossas vidas. A organização consciente do tempo, do trabalho, da riqueza, do saber e do poder, minimizando as fontes de conflitos entre pessoas e grupos é uma das premissas para se ter uma vida mais alegre e pacífica. Sem querer parecer um rabino ou psicólogo, somos nós quem decidimos o rumo de nossas vidas, nada acontece por acaso, e tudo se constrói.  As férias chegam para muitos, e para outros pode até ser um período de mais agitação, por isso convido a todos a cuidarem dos seus caminhos com sabedoria. Aproveitem as matérias dessa edição sobre a importância do descanso e contem com a CIP no seu dia-a-dia. Para o ano de 2014, espero que continuemos ativos, e voltemos revigorados para mais um ano em comunidade. SÉRGIO KULIKOVSKY PRESIDENTE

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Presidente

Sérgio Kulikovsky

Rabinato

Michel Schlesinger Ruben Sternschein

Balanço Os meses de dezembro e janeiro são movimentados para a nossa CIP. As

Vice-presidente de Relacionamento com o Sócio

rezas diárias continuam normalmente e seguimos realizando nossos servi-

Ta t i a n a H e i l b u t K u l i k o v s k y

ços de Shabat. Como fica mais fácil se deslocar na cidade durante o recesso

Diretora de Comunicação e Marketing

escolar, aqueles que não conseguirem vir às tefilót ao longo do ano, têm a

Laura Feldman

Colaboradores desta edição:

Anna Verônica Mautner André Wajnberg Andréa Kulikovsky Andréia Hotz Débora Sór Dora Lucia Brenner Flávio Levi-Moreira Guita Feldman Liana Gandelman Becker Liane Goltlib Zaidler Luciana Z. Mautner Michel Schlesinger Paula Barouchel Caracini Rogério Zingerevitz Cukierman Ruben Sternschein Sérgio Kulikovsky Ta m a r a S i e b n e r F r a n k e n Theo Hotz

Editora e jornalista responsável

Andréia Hotz (MTB 61.981)

Marketing

Simone Rosenthal

Projeto Gráfico

chance de participar das orações neste período. O departamento de Juventude também realiza diversas atividades importantes neste período. Em dezembro acontecem a machané da Chazit Hanoar, o acampamento da Avanhandava, e Nitsanim, da Colônia da CIP Fritz Pinkuss. Em janeiro, é a vez de Alonim e Sharsheret, também da Colônia. Além disso, 40 futuros líderes da comunidade estarão em Israel, participando do projeto Iad BeIad. No departamento de ensino, a partir de um intenso trabalho de avaliação e planejamento, a Escola Lafer já está acertando as matrículas para o próximo ano. Na Ação Social e no Lar das Crianças também estão sendo realizados balanços de todas as atividades realizadas em 2013 com o objetivo de inovar e aperfeiçoar cada um dos serviços prestados. O departamento de Culto, além de assegurar a continuidade dos serviços religiosos, mantem uma estrutura especialmente montada para celebrar nascimentos que ocorrerem neste período e, eventualmente, acompanhar famílias que venham a se despedir de alguém. Na Torá está escrito “lo al halechem levado ichiê haadam” (Devarim, 8:3), que significa que o homem não pode viver somente de pão (busca

JAM Design

pelo sustento). Pensando na importância de uma avaliação constante de

Fotos

nossa vida e também de nossa comunidade, decidimos dedicar esta edi-

Arquivo CIP e Shutterstock

ção da Revista ao tema do descanso de acordo com o judaísmo, enquanto

Esta é uma publicação da Congregação Israelita Paulista. É proibida a reprodução total ou parcial de seu conteúdo. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião da CIP.

fazemos um balanço de todas as nossas atividades na direção de uma CIP

Fale com a CIP PA B X : ( 1 1 ) 2 8 0 8 . 6 2 9 9 cip@cip.org.br w w w. c i p . o rg . b r

Quando estiver lendo o balanço de nossos departamentos, questione-se so-

Administrativo/Financeiro: (11) 2808.6244 Comunicação: (11) 2808.6228 Diretoria: (11) 2808.6257 Escola Lafer: (11) 2808.6219 Juventude: (11) 2808.6214 Lar das Crianças: (11) 2808.6225 Marketing: (11) 2808.6247 Rabinato: (11) 2808.6230 4 com o Sócio: (11) 2808-6258 Relacionamento Serviço Social: (11) 2808.6211

cada vez mais forte. Quero deixar registrado um convite: enquanto você estiver lendo esta edição de nossa Revista, pergunte-se de que maneira você e sua família poderiam contribuir mais para o aperfeiçoamento da nossa Congregação. bre qual dessas áreas lhe interessa mais e sobre a forma que você poderia nos ajudar a manter a CIP sempre forte, sempre relevante. Boas férias e boa leitura. R abino Michel Schlesinger


Índice

18 SEÇÕES RELACIONAMENTO COM O SÓCIO 6 RADAR 8

12

GASTRONOMIA 9 CULTO 10

CAPA 24

ACONTECE 12

O valor do descanso

LAR DAS CRIANÇAS 16

texto do rabino Michel Schlesinger

AÇÃO SOCIAL 18 RABINATO 20

VALORES JUDAICOS 34

ESCOLA LAFER 22

Tu biShvát: encontrando o futuro do

ESPECIAL CRAZY FOR YOU 27

planeta e do judaísmo

JUVENTUDE 30

artigo de Rogério Zingerevitz Cukierman,

PARALELOS 32

diretor da área judaica do Colégio I. L. Peretz

JUDAÍSMO LIBERAL 38 DICAS DE LITERATURA 43 COM A PALAVRA 44 360 GRAUS 46

5


RELACIONAMENTO COM O SÓCIO por Tamara Franken, coordenadora de Relacionamento com o Sócio, e Tatiana Heilbut Kulikovsky, vice-presidente da área

Contato direto A CIP começou o ano de 2013 com a organização das Grandes Festas na sinagoga Etz Chaim e no auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina a partir do envio das informações aos associados e frequentadores. Foi criado um procedimento que visava beneficiar o sócio na escolha de lugares e na compra e, em seguida, aberto espaço em nossos serviços aos inúmeros frequentadores e seus familiares. A Congregação recebeu elogios sobre uniformidade de seu trabalho e mensagens positivas daqueles que escolheram estar com suas famílias no Memorial. Mesmo assim estávamos corrigindo alguns imprevistos junto à administração do Memorial. Inclusive, por conta do grande número de solicitações tardias para presença somente na Neilá, foram bloqueados os dois lados do auditório. A CIP acompanhou com muita tristeza o incêndio que consumiu 90% dos dois auditórios do Memorial e que comprometeu um dos principais espaços culturais da cidade. O ocorrido também inviabilizou os planos da entidade de voltar a usar o espaço nas próximas Grandes Festas. Assim, preocupada com a segurança de seus associados, além da qualidade religiosa e musical de seus serviços religiosos, a CIP reiniciou a busca pelo melhor local para os serviçosde Rosh Hashaná e Iom Kipur em 2014. A comunidade será informada assim que a localização for definida, para que todos possam se programar com tranquilidade. Em 2013, mais de 100 famílias se associaram e tivemos um significativo aumento no número de frequentadores que participam de nossas atividades e serviços religiosos. Jantares especiais após o serviço de Shabat foram oferecidos aos novos sócios, valorizando a vivência judaica e a integração à comunidade, além de facilitar no nascimento de novas amizades. Jantares por adesão, que favorecem a sociabilização e fortalecem o vínculo entre os associados, também foram realizados, assim como atividades de aproximação entre novos casais – que, por exemplo, foram convidados a acender as velas de Chanucá com os rabinos Michel e Ruben realizado na residência do rabino Michel. As atividades de aprofundamento nos conteúdos judaicos também foram renovadas este ano.

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O rabino Ruben vem conduzindo com sucesso um concorrido curso semanal sobre pensamento judaico com reflexões a partir dos mais variados temas. Tudo para aprofundar, desafiar e manter nosso judaísmo cada vez mais dinâmico. O projeto CIP Babait, que reúne grupos de amigos para um bate-papo com os rabinos, continua um sucesso. Iniciamos o ano com um grupo e, com muita empolgação, encerramos o ano com seis grupos com cerca de 25 pessoas cada. De ação em ação, o quadro de sócios vem crescendo cada vez mais, com qualidade e não somente quantidade. Hoje são quase mil e seiscentas famílias associadas à Congregação. E, para continuar próxima de cada membro, a CIP tem se dedicado à atualização de seu cadastro associativo. A entidade acredita que conhecer melhor os sócios e suas necessidades é a chave para manter-se relevante em suas vidas.

A CONGREGAÇÃO ISRAELITA PAULISTA DÁ AS BOAS-VINDAS AOS NOVOS Sócios • André Rosenblit e Marina Teiman • Anthony Moreno Eigier • Carlos Gontow e Cristina Gorresio Gontow • Davis Gruber Sansolo e Renata Proença Alves Gruber Sansolo • Gizelda Katz e Luiz Antonio Valente • Helio Seibel e Daniela Cerri • José Roberto Szymonowicz e Karina Papaustsky Szymonowicz

• Livia Fischer de Moraes e Gustavo Leote Figueiredo • Marcelo Forma e Ilana Wilder • Nicolas Roberto Schor e Ruth A. Rosenhek Schor • Pablo Nobel e Andrea Kaufmann • Roni Broder Cohen e Maria Antonietta • Sammy Schlesinger e Vyvian Szelnik • Sérgio Ricardo da Silva Albano e Priscilla de Oliveira Silva Albano

Visite o site da CIP para acompanhar toda a programação de eventos: www.cip.org.br

ATIVIDADES REGULARES DA CIP

Juventude

Outros

Ação Social

Manhigut Sextas-feiras, às 16h

Danças Segundas-feiras (lehacat Eretz), às 20h Terças-feiras – harcadá iniciante e intermediário às 20h Quintas-feiras (lehacat Nefesh), às 19h

Informática para Sênior Segundas e quartas, das 9h às 13h Costura da Boa Vontade Terças-feiras, às 13h Coral Sameach Quartas-feiras, às 15h

Culto Grupo de Estudos da Parashá Segundas-feiras, às 20h

Chazit Hanoar Sábados, às 14h Avanhandava Sábados, às 14h Shaat Sipur Sábados, às 14h30

Coral ABANIBI Quartas-feiras, às 20h30

Ensino Escola Lafer segundas, terças e quartas-feiras às 16h30 sextas-feiras, às 8h30 e às 16h30


RADAR po r Do r a Lucia Brenner, vice-p re s i de nte de De s e nvol v i m e nto Ins ti tuci ona l

Inovações e conquistas Após duas gestões como presidente da CIP, fui convidada pela atual diretoria a assumir uma área inovadora, a vice-presidência de Desenvolvimento Institucional. O que me deixa muito realizada na sequência a este trabalho, é ter constituído uma diretoria jovem, com novas ideias, empreendedora, dinâmica, e ter sido convidada a fazer parte desta equipe, continuando como ativista na instituição. Na CIP fui morá do ensino e madrichá, quando jovem. Minha família tem um profundo envolvimento com a instituição e fico muito feliz de ver minhas filhas dando continuidade a esta tradição como voluntárias do Lar das Crianças, reforçando o trabalho dos que colaboram pela perpetuação da nossa Congregação. A recém-criada área de Desenvolvimento tem um importante papel na instituição por dar suporte a arrecadação

os eventos beneficentes, as parcerias com empresas e

de recursos aos inúmeros serviços e atividades desenvolvi-

fundações, doações diversas e projetos que recebem re-

das. Tivemos em 2013 uma atuação em diversas frentes,

cursos via Fumcad.

incluindo participação em projetos inovadores. Nosso foco

A biblioteca da CIP, com o apoio do Governo Alemão,

foi o apoio às atividades dos departamentos, trabalhando

está na fase final de uma importante reforma. A preten-

o potencial de arrecadação de cada área.

são é disponibilizar aos sócios centenas de livros sobre

Com a Juventude, demos suporte à arrecadação de re-

religião e cultura judaica, entre eles alguns exemplares

cursos para viabilizar os eventos comemorativos dos 75

raros datados do sec. XVI e que foram doados ao longo

Anos da Avanhandava, a participação de nossos jovens

da existência da instituição.

no Shnat Hachshará, e a realização de mais uma edição do projeto Shidrug.

Está em fase de elaboração o projeto “Diálogos”, que fará da Congregação um importante polo cultural. Ins-

Com o departamento de Ação Social, a parceria com a

crito no Ministério da Cultura via Lei Rouanet, permitirá

Fundação Elijass Gliksmanis, que doou recursos integrais a

desenvolver uma série de pequenos e grandes eventos,

todas atividades da Terceira Idade, permitiu a ampliação e

trazendo um maior fluxo de frequentadores, sócios e tam-

um número maior de integrantes e de atividades.

bém novos apoiadores.

Junto ao departamento de Culto, com a participação dos

Em 2014 a CIP completará setenta e oito anos. Que-

rabinos, os recursos foram para a viabilização dos eventos

remos ampliar e potencializar o plano de arrecadação de

relacionados aos chaguim, como o tradicional jantar de

recursos direcionado aos projetos de cada área e continuar

Pessach, o ticun de Shavuot (Ticun da Virada), o jantar de

realizando eventos beneficentes de destaque no cenário

Sucot e as Grandes Festas.

cultural da cidade. Além de ampliar a participação dos só-

O Lar das Crianças desenvolveu inúmeros projetos com o objetivo de captar recursos para suas atividades, como

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cios, queremos atrair novos doadores alinhados às atividades desenvolvidas pela instituição.


gastronomia

Salada de Tu Bishvát com molho de romã Em 16 de janeiro, 15 de shevát, inicia-se a primavera em Israel. Nesta data comemora-se Tu Bishvát, o ano novo das árvores. É o tempo de celebrar a natureza e agradecer pelos frutos gerados. Nos tempos modernos celebramos a data plantando mudas de plantas e comendo frutos e nozes associados a Israel. Algumas pessoas têm o costume de fazer um seder, com comidas especiais e brachot. É

Ingredientes Salada

também bastante comum fazer piqueniques nos parques, embaixo de árvores, e comer frutas, legumes e verduras da estação. Andréa Kulikovksy,

1 porção de folhas verdes variadas (equivalentes,

chef e consultora gastronômica

no tamanho, a um pé de alface médio) 1 pera 1 maçã gala 1/3 de xícara de chá de uvas passas brancas

Modo de fazer:

1/3 de xícara de chá de lâminas de amêndoas tostadas

Disponha as folhas. Corte a maçã e a pera em fatias,

1/3 de xícara de chá de sementes de romã

sem tirar as cascas, e as disponha sobre as folhas,

Flores comestíveis para enfeitar (opcional)

de maneira harmônica, junto às uvas passas e amêndoas torradas. Decore com as flores comestíveis.

Molho ¼ de xícara de chá de suco de romã

Molho

2 ½ colheres de sopa de maionese

Bata no liquidificador o suco de romã, a maionese, o

2 colheres de sopa de suco de limão

suco de limão, o sal, o açúcar e a pimenta do reino

1 colher de sopa de açúcar

até se misturarem completamente. Abra o copinho

½ colher de chá de sal

da tampa do liquidificador e inclua um fio de azeite.

¼ de colher de chá de pimenta do reino moída

Bata até a mistura engrossar um pouco. Sirva com a

¼ de xícara de chá de azeite de oliva

salada, para que todos se sirvam a gosto. 9


culto

Artigos judaicos Visite a CIP e adquira belíssimos produtos judaicos. Para informações sobre os horários de atendimento, entre em contato através do email: produtosjudaicos@cip.org.br

Você sabia?... por Theo Hotz, coordenador do Depto de Culto, baal corê e moré da Escola Lafer Muitos

acreditam

que

Oliveira e Ferreira são sobrenomes judaicos, mas isso não passa de um equívoco. Quando os judeus ibéricos passaram a adotar sobrenomes civis, eles usaram sobrenomes que já existiam, como Oliveira, Pereira, Carneiro, Ferreira, entre outros. Eram comuns sobrenomes ligados a profissões, a elementos da natureza e toponímicos (como Portugheis, Porto, Lisbona, Toledano e Cordovero). Mas não criavam sobrenomes novos, apenas se utilizavam aqueles que outros espanhóis e portugueses já usavam. Na época da Inquisição, os poucos cristãos-novos que ainda tinham um sobrenome judaico (como Bendavid, Benchimol, Sasson, etc.) disfarçaram sua origem, adotando sobrenomes que os fariam passar por cristãos-velhos. Assim, um Ferreira ou Pereira pode ser descendente tanto de judeus, quanto de cristãos, sem distinção. Porém, é virtualmente impossível que alguém nascido hoje possa comprovar sua ascendência direta com alguém processado há quatro séculos. Isso porque a Inquisição ibérica se encerrou em 1821, quebrando a corrente documental. Desde então, praticamente não há documentações para comprovar uma linha direta, sem “furos”. De qualquer modo, ser descendente de um processado também não significa ter ascendência judaica, pois a Inquisição não processava somente os judaizantes. 10

Sidur Shavúa Tov (rezas da semana)

Serviços Religiosos da CIP Manhã de segunda a sexta-feira, às 8h aos sábados às 9h30 aos domingos e feriados, às 8h30 Noite de domingo a sexta-feira, às 18h45 sábados de dezembro às 19h15 (7, 14 e 21/dez) e às 19h30 (28/dez) sábados de janeiro às 19h30 (4,11,18 e 25/jan) Shabat Às sextas: Cabalat Shabat e Arvit com prédica, às 18h45, na Sinagoga Etz Chaim Shabat Ieladim, às 18h45, para crianças Os serviços religiosos de Shabat no Lar das Crianças não serão realizados durante o mês de janeiro. Aos sábados: Shacharit, às 9h30, com leitura da Torá e prédica na sinagoga Etz Chaim Shacharit Neshamá, às 9h30, participativo e igualitário na Sinagoga Pequena com leitura e estudo da Torá


Hamsaot para parede Prendedores de talit

Mezuzot

Kit para Havdalá

Leitura da Torá Janeiro DIA 4 Bo DIA 11 BeShalách (Shabat Shirá) DIA 18 Itró DIA 25 Mishpatím (Shabat Mevarchím)

Chevra Kadisha

A CIP está pronta para ajudar as famílias neste momento tão doloroso da perda de um ente querido, cuidando de todas as providências e detalhes burocráticos e religiosos. Plantão permanente: entre em contato com Sérgio Cernea, pelo tel/fax 3083-0005, cel. 99204-2668, ou e-mail: chevra@cip.org.br Falecimentos Henriette Perlman, em 16/out aos 96 anos Ernst Edelstein, em 9/nov aos 90 anos Choura (Sonia) Simonovitch Paschkes, em 8/nov aos 90 anos Abraão Gontow, em Israel, no dia 19/nov. Lotte Hanna Lilienthal, em 23/nov aos 84 anos. José Zveibil, em 24/nov aos 94 anos. Samuel Schvartsman, em 1/dez aos 87 anos. Hanus Klinger, em 1/dez aos 91 anos. Sara Karla Franziska Levi Steuer, em 11/dez aos 91 anos.

Mazal Tov Simchat bat Sophie Cusnir Gabriela Metzger Stella Titelbaum Hirsch Alice e Beatriz Schwartz Bat-mitsvá Clara Kopelman Thalenberg Gabriela Herzberg Gorski Gabriela Korkes Giovanna Korn Gomes Isabella Perazzoli de Picciotto Jessica Forgach Serwaczak Julia Abramczyk Julia Diamante Azevedo Julia Edith bekin Lara Schaffner Latife Hasbani Mariana Miltzman Maya Wainstein Mhira Pessoa Mindlin Loeb Michelle Singer Mila Murahovschi Kochen Noa Pecora Cohen Paula Brzostek Muller Sabrina Yael Scheinberg Sofia Waismann Lara Taís Fujita Tabacof Bar-mistvá André Chenker Gustavo Steinberg Berger Bruno Pekelman Rafael Fernandes Semer Saimo Hernandes Calmanovici Pigari Ariel Quiroga Ajbeszyc Pedro Henrique Aulicino Zagury Fernando Ribeiro de Souza Jr. Casamentos Dina Vainzof e Daniel Storch Luiza Coifman e Ariel Wainstein Diana Olszewer e Ariel Kwacz Carolina Barbara de A. Silva e Marcel Joseph Molina Israel Daniele Cerri e Helio Seibil 11 Carolina P. Lerner e José Jacques Memran Suzana Abramovicz e Maurício Mandel


acontece 1.

2.

3.

4.

5.

01. A vice-presidente de Relacionamento com o Sócio, Tatiana Heilbut Kulikovsky, representou a CIP da quinta edição do programa “Hassefá Ba´Aretz”, promovido pela Federação Israelita do Estado de São Paulo com o apoio do Keren Hayesod. 02. Evento da Colônia da CIP Fritz Pinkuss reuniu mais de 80 participantes. 03. Jovens das três tnuot da CIP em workshop do curso Manhigut em Campos do Jordão. 04. Aula inaugural do curso de pensamento judaico conduzido pelo rabino Ruben Sternschein. 05. Orquestra de Violões do Lar das Crianças em Tarde Musical do Clube das Vovós Lotte Pinkuss. 06. Coral Abanibi no IX Festival Nacional de Corais, em Conservatória, no Rio de Janeiro.

6.

12


7. 07. Sérgio Kulikovsky, presidente da CIP, cumprimenta o rabino Henry Sobel durante ato em sua homenagem no Memorial da América Latina. 08 e 09. Em mais uma edição do projeto Vida-Chai em Campos dos Jordão, as voluntárias do Clube das Vovós Lotte Pinkuss levaram alegria para crianças e idosos carentes da cidade. 10. Como parte da Jornada Janusz Korczak, promovida pelo Centro da Cultura Judaica, o sheliach André Wajnberg conduziu uma palestra e mesa-redonda com os madrichim da comunidade judaica. 11. Muita animação no happy hour realizado no restaurante Quattrino por ocasião da abertura das vendas de ingressos para o musical Crazy for You, realizado em prol do Lar das Crianças da CIP. 12. Atividade especial sobre Kristallnacht realizada na Casa da Juventude e que contou com a participação do rabino Michel Schlesinger e de Heinz Cohen (Henrique), ex-funcionário da CIP que estava na Alemanha durante os acontecimentos de 1938.

8. 9.

10.

11. 12.

13


acontece

13.

14.

13. Formatura da 21ª turma do curso de Informática para a Terceira Idade. 14. O coral infantil do Colégio Humboldt, sob a regência da maestrina Cristina Gatti e acompanhado pelo pianista e maestro Thelmo Cruz, participaram de atividade do Clube das Vovós Lotte Pinkuss. 15 e 16. Ato solene da assinatura do contrato de apoio financeiro do Governo da Alemanha ao Museu Judaico de São Paulo para viabilizar o funcionamento do Museu Judaico de São Paulo e preservar a sinagoga Beth-El. 17. Em Viena, o rabino Michel Schlesinger acompanhado do rabino Marcelo Polakoff, presidente da Assembleia Rabínica Latino-Americana do Movimento Massorti/Conservador, e do diretor executivo do Congresso Judaico Latino-Americano, Claudio Epelman. 18. Alunos do Colégio I.L. Peretz entregaram 20 cestas básicas ao Lar das Crianças.

15. 16.

17.

18.

14


19. 21.

20.

22.

19 e 20. O jantar-palestra promovido pelo Lar das Crianças com a presença de Pérsio Arida, economista e presidente do Banco Central em 1995, reuniu 80 convidados. 21 a 23. Comunidade judaica reunida no Complexo Cultural Ohtake para a pré-estreia do musical Crazy for You, em prol do Lar das Crianças

23.

15


LAR DAS CRIANÇAS por Luciana Z. Mautner, diretora do Lar das Crianças

Novidades que vieram para ficar

A

linhado a práticas inovadoras e de excelência, o Lar

A partir das aulas de teatro, o Lar das Crianças deu a seus

das Crianças criou em 2013 três novas atividades

jovens a chance de entrar em contato com a arte, fazendo

para jovens de 12 a 14 anos: judô, robótica e teatro.

dela um canal para a expressividade aliada ao autoconheci-

As crianças do judô participaram de intercâmbios, festi-

mento. Por meio de jogos, cenas, estudos, idas a espetá-

vais e torneios na Hebraica. Em outubro, tivemos a primeira

culos e exercícios cênicos, conseguiram perceber-se parte

troca de faixas com a participação de 80 atletas. O projeto

de um coletivo - indivíduos que aliam capacidade crítica e

Judô Cidadão, coordenado por Edison e Míriam Minakawa,

propositiva, constituindo e construindo uma comunidade. Os

e executado pelos professores Joanilson Rodrigues e Alan

encontros semanais são conduzidos pelo ator e educador

Lima, tem se mostrado uma atividade de profunda transfor-

Wallyson Mota e tem a coordenação de Leandro Oliva.

mação e inserção social.

Foi criada a República do Programa Passaporte para

No projeto “Do Lego à Robótica”, as crianças e jovens apren-

Vida, e o apartamento na região do Paraíso é agora a resi-

deram conceitos de física, mecânica e programação. Percebeu-

dência de quatro jovens entre 18 e 24 anos. Além de via-

-se melhora significativa na superação de desafios e frustrações,

bilizar logisticamente uma vida profissional e acadêmica, a

na dinâmica do trabalho em equipe e no comprometimento. As

república estimula a aquisição de habilidades de autoges-

aulas são ministradas por Robson Lopes e Simone Burger.

tão. A coordenação do projeto é de Selma Souza.

16


Aprofundamos a capacitação de nossos profissionais

inscrições em editais, apoio de fundações e empresas, cotas

com cursos sobre métodos de avaliação, participação no

de manutenção, venda de cartões de Rosh Hashaná, urnas

Congresso ANDEA e no Congresso de Psicologia, paradas

para doação em eventos comemorativos (aniversários, nas-

pedagógicas, GESC e palestras sobre mediação ministra-

cimentos, bodas, etc), e aproximadamente 150 urnas em

das por Shirley Sacerdote.

pontos comerciais para recolhimento de nota fiscal paulista.

Nossa agenda cultural e de eventos foi movimentada.

De forma animada e com a participação de muitos cola-

Além da apresentação da Orquestra Jovem de Violões com

boradores, as empresas YouInc, Seguros Unimed, Brasil-

a cantora Negra Li no teatro Cultura Artística do Itaim; a

Prev, Bematech, Locaweb e Takeda, realizaram importan-

entidade promoveu o ‘Lar Doce Lar’ e o almoço beneficente

tes ações sociais junto a nossas crianças e jovens.

ClaudeteDeca - ambos com parte da renda obtida revertida

Para 2014 os principais objetivos do Lar serão a implan-

aos projeto do Lar das Crianças; o jantar seguido de palestra

tação de um sistema de avaliação formal que considere os

com o economista Pérsio Arida; e a pré-estreia do musical

aspectos físicos, emocionais e cognitivos do público atendi-

Crazy for You, com Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello.

do; estudo sobre potencial adequação do papel do Lar à luz

As tradicionais campanhas Pé Quente e de Sacolinhas de

das Políticas Públicas, em especial, do programa de escolas

Chanucá foram realizadas com bastante sucesso. Como formas de captação de recursos, além dos eventos mencionados, o Lar contou neste ano com projetos FUMCAD,

integrais; o aperfeiçoamento de práticas pedagógicas alinhado às necessidades do público; e a exploração de novas oportunidades na área de Desenvolvimento Institucional.

CURSO DE INFORMÁTICA PARA SENIORS WINDOWS 7, PACOTE OFFICE E INTERNET Nível básico e avançado (Excel) Pré requisito: TER COMPUTADOR OU NOTEBOOK Início: 04/FEV Local: AUDITÓRIO HABER Duração: 1 SEMESTRE Informações e inscrições: 2808-6211 ssocial@cip.org.br

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ÕES AB ERTAS LIMITAD AS

Fique por dentro da programação 17 da CIP: cipsp ou www.cip.org.br


AÇÃO SOCIAL por Débora Sor e Paula Barouchel Caracini, coordenadoras de área

Práticas

e perspectivas

O

Depto. de Ação Social atua na CIP em duas gran-

guiram colocação profissional a partir do apoio do projeto,

des áreas: Empregabilidade e Terceira Idade.

principalmente no que se refere ao trabalho vinculado à

No que se refere à Empregabilidade, há a Cen-

atividade de Orientação Profissional.

tral de Orientação ao Trabalho (COT); que, em 2013, conti-

Em agosto, o Projeto Trabalho Cidadão - curso de ca-

nuou inovando os serviços oferecidos aos profissionais que

pacitação profissional voltado para o desenvolvimento de

procuram o projeto. A partir do cadastramento online dos

competências profissionais – recebeu a participação de

currículos (via site da CIP), os processos internos foram

32 alunos indicados pelo Lar das Crianças da CIP (vincu-

agilizados, atendendo com excelência tanto os candidatos

lados ao Projeto Tesourinha) e demais projetos de ONGs

como os empregadores parceiros.

parceiras da COT.

Neste ano, foram, em média, 400 profissionais atendi-

Outra inovação da Central de Orientação ao Trabalho

dos na COT: realizando entrevistas de triagem, sendo en-

foi o estabelecimento do processo de follow-up dos pro-

caminhados para as vagas de diferentes áreas e comple-

fissionais atendidos. O objetivo é mapear a sua situação

xidades, ou ainda recebendo orientação profissional e de

profissional de cada atendimento 90 dias após a entrevista

carreira – o que propicia um desenvolvimento profissional

inicial. A ferramenta inclui também uma pesquisa de satis-

contínuo. No mesmo período, 35 candidatos foram admi-

fação. Manter a excelência dos serviços é o grande objeti-

tidos através da Bolsa de Empregos, e outros 120 conse-

vo do departamento.

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No núcleo da Terceira Idade, foram realizadas várias atividades que proporcionam uma melhor qualidade de vida e a integração do idoso, muitas vezes colocando-os como protagonistas de ações sociais em benefício de terceiros. Em 2013, o Clube das Vovós Lotte Pinkuss realizou suas tradicionais tardes musicais e culturais acompanhadas de bolo e chá, e também importantes campanhas de arrecadação, que beneficiaram, entre outros projetos, o Vida-Chai. Trata-se de uma importante ação realizada em Campos do Jordão com entrega de doações para crianças e idosos em fragilidade social de instituições conveniadas com a Prefeitura local, que dá pleno apoio ao trabalho, contando com nossa presença anualmente.

Neste ano, 35 candidatos foram admitidos através da Bolsa de Empregos, e outros 120 conseguiram colocação profissional a partir do apoio do projeto.

Shalom Idoso, que promove o apoio e a diminuição do isolamento de idosos que não podem sair de suas residências,

A Costura da Boa Vontade, que confecciona roupas e as

seguiram com sucesso.

doam a entidades carentes, produziu 700 peças neste ano.

O curso de cuidadores de idosos, em parceria com

A reforma do ateliê do grupo e compra de novas máquinas

a OLHE (Observatório da Longevidade), foi lançado em

de costura – o que permite ampliar o número de voluntárias

2013 e trouxe excelentes resultados. As inscrições para

e oferece ainda mais estímulo para a produção das peças -,

a segunda turma, que terão início em janeiro de 2014, já

foram planejadas para serem finalizadas em 2014.

foram abertas.

Com o objetivo de facilitar a inserção do idoso no univer-

O departamento oferece ainda atividades de assistên-

so virtual, o curso de informática para sêniores, que obte-

cia social e auxilia, através de processos de entrevistas,

ve excelentes resultados em 2013, terá novidades para o

análises e pareceres, todos os departamentos da Congre-

próximo ano. Serão oferecidos novos cursos específicos

gação. Também é solicitado sempre que o associado ou

sobre Excel e Power Point.

frequentador esteja em situação de fragilidade econômica.

As atividades do Coral Sameach, que desenvolve a musi-

Para 2014, as principais metas da Ação Social envolvem,

calidade através de técnicas vocais e que ajuda no controle

a partir de seus projetos, ampliar as redes de atendimento

da respiração e no aumento da resistência física; e do Disk

e parcerias, e continuar apoiando todos que necessitam.

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R A B I N AT O po r rabino Ruben Sternsche i n Memorial da Criança no Yad Vashem. Projeto do arquiteto Moshe Safdie em memória ao milhão e meio de crianças vitimadas pelo regime nazista.

Como e para quê devemos recordar a Shoá?

N

os primeiros anos que se sucederam após a Shoá,

da Shoá e do heroísmo. Queria-se vincular a tragédia das

a mera alusão a ela era traumática. Não apenas

vítimas aos atos de heroísmo, entendidos naquela época

pelo conteúdo, mas também pelo lugar do Holocausto na história, na teologia e no ethos geral e judaico.

como os levantamentos armados. Algumas décadas transcorreriam até que também fos-

Além de ser impossível digerir semelhante perda, era difi-

sem reconhecidas outras formas de heroísmo, como fugir;

cílimo elaborar, além da dor, alguma postura a respeito do

roubar comida; ensinar judaísmo e sionismo clandestina-

ocorrido. A passividade do mundo, a vulnerabilidade das

mente; desenhar clandestinamente; cantar e estar alegre

vítimas, o luto incomensurável, a insensibilidade e a apatia

por alguns minutos, apesar de tudo; arriscar a vida por

de quem pôde evitar ou ajudar e não o fez, a admiração por

outros; esconder-se; suicidar-se (como forma de autodeter-

quem, sim, salvou vidas, e o fato de os perpetradores dire-

minação); preservar-se humano, lúcido e ético; ou acompa-

tos serem tantos, tão sádicos e ao mesmo tempo pessoas

nhar alunos, fieis de uma sinagoga, filhos, idosos tentando

tão normais como todos nós, representavam desafios ine-

diminuir a desolação.

ditamente urgentes e complexos para a religião, a filosofia, a arte, a política, a sociedade e a educação de todos.

Aos poucos, foi ficando claro que toda tentativa de lembrar não seria apenas um tributo às vitimas ou um ato de

Nos primeiros anos de vida do Estado de Israel, temia-se

justiça, mas também uma forma de entender melhor nós

a imagem da fraqueza como arquétipo educativo do judeu-

mesmos e aspirar ao aprimoramento. Contudo, surgiu tam-

-vítima, ao mesmo tempo que era inconcebível não lembrar,

bém o desafio de não ver tudo apenas através dos “óculos”

honrar e homenagear aqueles que morreram. Aos poucos

da Shoá, mas tampouco sem eles.

foi criado o Yad Vashem, como monumento e centro de educação e pesquisa, e foi estabelecida a data do levantamento do Gueto de Varsóvia como o dia de recordação

20

Assim, aconteceu no ethos judaico, na história judaica e na religiosidade judaica. Entretanto, também no resto do mundo, embora mais


lentamente, registraram-se buscas de resgate. Discursos

religiosas, e indivíduos de todas as classes sociais e de

do tipo “A Europa se automutilou ao assassinar seus judeus

todas as orientações políticas.

durante a Shoá” começaram a ser ouvidos nos últimos anos.

O fato de perceber que sim, “isto é o homem” antes, du-

Surgiram leis que proíbem a negação ou a minimização do

rante e mesmo depois da Shoá, foi, entre outras, uma das

Holocausto, contra a apologia ao genocídio, contra a divul-

razões que levou sobreviventes como Primo Levi, Stephan

gação e qualquer ação neonazista, assim como leis que insti-

Zweig e Paul Zelan a cometerem suicídio anos após a Shoá.

tuem a educação sobre o Holocausto e a institucionalização

Manter e celebrar esse data com religiosa pontualidade e

do Dia internacional de Memória às Vítimas do Holocausto.

sistematização é um começo de mudança cheio de esperança.

O significado desta internacionalização é claro e impor-

Os atos são importantes, as leis e a educação também.

tantíssimo, uma vez que uma das piores feridas da memó-

A memória, mais ainda. Mas a verdadeira garantia encon-

ria do Holocausto é, como disse nosso querido Ben Ava-

tra-se na mudança interior e individual sobre o que realmen-

raham, que “o mundo silenciou”. Os documentos da época

te acontece dentro de cada um quando prestamos atenção

mostram claramente que os nazistas, sim, ocultaram suas

às marcas deixadas pela Shoá. Esse é o maior desafio. Inclusive para nós, judeus, descen-

abominável maquinaria assassina. Infelizmente essa atitu-

dentes e filhos de sobreviventes e de vítimas, a quem também

de atingiu governos democráticos como o americano e o

o tempo, a rotina, a inércia e a mediocridade ameaçam cons-

britânico, sociedades abertas como templos, autoridades

tantemente com o desaparecimento e o esquecimento.

Reinício 6/FEV

ações, mas apenas de quem não quis ver nem enfrentar a

Programe-se para 2014 Quintas-feiras, às 19h, após o Arvit

PENSAMENTO JUDAICO na Torá, no Talmud, na Filosofia e na Cabala com o rabino Ruben Sternschein Informações: 2808-6299 ou secretaria@cip.org.br

Reflexões sobre o pensamento judaico de todos os tempos a partir de temas como: Vida e morte • Sexualidade, amor e paixão •

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Venha aprofundar, desafiar e manter jovem e dinâmico o seu judaísmo.

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ESCOLA LAFER po r And réa K ulikovksy, d ire tor a de E ns i no

Crescer e se modernizar O

ano de 2013 foi marcante na trajetória da Escola Lafer.

de canção como era no passado.

Começamos o ano mudando consideravelmente nosso

Infelizmente, este ano sofremos com a perda de nossa

corpo docente e trazendo o rabinato da CIP para dar as au-

coordenadora, a morá Miriam Gerber z’l, o que nos obrigou

las de história judaica aos nossos alunos. Os rabinos tiveram

a fazer mais uma mudança no corpo docente do ensino. A

a chance de estar ainda mais em contato com as crianças,

coordenação pedagógica passou para as mãos da morá

agora semanalmente. E também mantivemos o projeto das

Marli Ben Moshe, que tem mais de 30 anos de experiência

aulas abertas para os pais de alunos - projeto que vêm sen-

em escolas judaicas, como o Renascença, o Peretz e a Beit

do cada vez mais frequentado pelas famílias do Ensino.

Yaacov. Ela chegou cheia de ideias e força renovada para

As cerimônias coletivas de Bat-mitsvá também foram

continuar as mudanças que planejávamos para o ensino.

modificadas: agora os grupos são de até oito meninas, o

O trabalho para 2014 já começou com força total. Temos

que garante que todas participem ativamente de toda a

muitas mudanças significativas pela frente, como as novas tur-

cerimônia, e não somente com uma pequena fala ou trecho

mas com conteúdo lúdico e divertido para crianças a partir dos

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O trabalho para 2014 já começou com força total. Temos muitas mudanças significativas pela frente, como as novas turmas com conteúdo lúdico e divertido para crianças a partir dos quatro anos de idade. quatro anos de idade. O projeto oferece dois formatos: aulas

e que tem por objetivo ajudar na formação de líderes e

na CIP ou na casa do aluno. Os cursos de Bar e Bat continuam

educadores de nossa comunidade.

sendo atualizados e modernizados, para que nossos alunos de 10 a 13 anos aprendam e se envolvam cada vez mais. Também para os que acabaram de fazer Bar e Bat-mitsvá teremos uma opção: o Ma Pitom. O projeto, que teve início

Os adultos também têm espaço garantido em nossa escola. Iniciaremos grupos de Mussar, que é, em termos gerais, o estudo das características da alma através de fundamentos judaicos.

este ano mas será definitivamente implantado em 2014, traz

Com certeza 2014 será um ano cheio de trabalho, movi-

aulas de judaísmo aos domingos e de hebraico durante a se-

mento e motivação em nossa Escola Lafer, que agora abre

mana. Assim, mantemos aberto o espaço de estudos para

suas portas para pessoas de todas as idades e que querem

aqueles que já são grandes mas ainda têm muito a aprender.

estudar judaísmo e língua hebraica. Esperamos muitas ou-

Para os maiores, voltamos com o Shidrug, nosso curso

tras mudanças para a Escola e esperamos contar com as

para jovens que se destacam como madrich ou madrichá

famílias da CIP para fazer parte desta evolução conosco.

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C A PA por rabino Michel Schlesinger

O valor do descanso C

hegaram as férias. Nesta época do calendário muitas famílias viajam. Esta é a oportunidade de sair um pouco da rotina e desfrutar de outros lu-

gares, sabores, climas e experiências. Para aqueles que permanecem na cidade, esta também é um oportunidade de realizar programas culturais e gastronômicos, aproveitando a melhor mobilidade que o período propicia. Sabemos que o judaísmo inovou ao trazer para a humanidade o monoteísmo. A crença em um único Deus foi uma contribuição única. Ao lado deste aporte, a noção de que todos precisam descansar periodicamente foi também um legado especial da tradição judaica para toda a raça humana. Quando um artista pinta um quadro precisa, de tempos em tempos, parar seu trabalho, dar um passo para trás para avaliar e apreciar sua própria obra. De forma semelhante, o homem necessita ter períodos contemplativos para que sua criação seja mais cuidadosa e significativa. A Torá trouxe a ideia de que todos devem descansar no

dos, lembramos essas duas passagens “zecher lemaassê

sétimo dia da semana. Judeus e estrangeiros, adultos e

bereshit” (em lembrança da criação do mundo) e “zecher

crianças, homens e mulheres, até mesmo os animais, pre-

lisiát mitsraim” (em recordação da saída do Egito).

cisam de uma pausa para que possam produzir com suas energias recarregadas.

A raiz da palavra Shabat (shin, beit, taf) se refere à noção de repouso ou descanso em hebraico. No entanto, a forma

Como subproduto desta ideia, nasceu a noção do Ano

que este repouso deveria assumir não está explicitada na

Sabático. Neste período, a terra também deveria des-

Torá. Com exceção da proibição de produzir fogo neste

cansar. Nada poderia ser plantado para que a natureza

dia, pouquíssimas referencias sobre a maneira de vivenciar

também tivesse um ciclo de repouso. A cada sete ciclos

o Shabat podem ser encontradas no texto bíblico.

sabáticos, havia o Ano do Jubileu, quando as terras eram

Em um exercício de interpretação, os rabinos se inspi-

restituídas para seus donos originais, garantindo assim um

raram nos trabalhos utilizados na construção do mishcán,

reequilíbrio social periódico.

o santuário móvel que fora construído no deserto, para

A símbolo maior desta noção de descanso está no Shabat. Os motivos bíblicos que inspiraram a instituição dele

determinar as 39 categorias de proibição que teriam efeito no sétimo dia da semana.

são a criação do mundo e a saída do cativeiro egípcio. No

Por meio do estudo de uma passagem do Talmud, é pos-

kidush, a santificação do vinho realizada nas sextas e sába-

sível refletir sobre o significado mais profundo deste que

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se transformou em um dos principais símbolos do Povo

mundo e aquele que determinou que o Shabat seria já no

Judeu. Para quem o Shabat teria sido instituído, para Deus,

dia seguinte e somente então seis dias seriam contados,

para o homem ou para o Povo de Israel?

pensou na criação do Homem.

“Uma pessoa que está caminhando por muitos dias e

Quando Deus cria o mundo, primeiro passam-se seis

perde a noção do tempo”, pergunta o Talmud, “deve fazer

dias e então chega o primeiro Shabat. No entanto para o

o que em relação ao Shabat”? Dois sábios trazem possibi-

homem, que foi criado no sexto dia da criação do mundo,

lidades distintas para resolver a questão. Um sugere que a

o dia seguinte ao de seu surgimento foi Shabat.

pessoa conte seis dias a partir do momento em que perce-

Em ambos os casos, a periodicidade do Shabat será a mes-

beu que perdeu a noção do tempo e, no sétimo, celebre o

ma, de sete em sete dias. A única discussão vai girar em torno do

Shabat. O segundo sábio, determina que o dia seguinte ao

momento que o Shabat será celebrado, se no sétimo dia depois

que a pessoa descobriu que não estava acompanhando o

da pessoa perceber que está desorientada ou no dia seguinte.

calendário seja considerado Shabat e então conte seis dias até o próximo Shabat.

O Talmud de Jerusalém, traz uma discussão semelhante mas com uma possibilidade nova de solução. “Se uma

Qual é o motivo por trás destas distintas opiniões? Ainda

pessoa se encontra muitos dias em uma prisão e perde a

segundo o Tratado de Shabat, aquele que sugeriu contar

noção do tempo”, propõe o Talmud escrito na Palestina,

seis dias e então celebrar o Shabat, pensou na criação do

“quando deve celebrar o Shabat?”.

25


Além das propostas indicadas pelo Talmud da Babilônia,

o Shabat deve ser dedicado a Deus. Já o sábio que acre-

surge aqui uma possibilidade interessante. Segundo uma

ditava que o andarilho deveria celebrar o Shabat no dia se-

das opiniões, o prisioneiro desorientado deveria contar

guinte ao que descobriu que estava perdido, assim como

seis dias e celebrar o Shabat, cinco dias e celebrar o Sha-

foi com Adão e Eva que experimentaram o Shabat no dia

bat, quatro dias e celebrar o Shabat, três dias e celebrar o

seguinte ao de sua criação, o sétimo dia da semana deve

Shabat, dois dias e celebrar o Shabat, um dia e celebrar o

ser orientado para o homem.

Shabat e, então, recomeçar toda a contagem do princípio.

Finalmente, o Tamud de Jerusalém trás uma terceira

Qual é a lógica por trás desta proposta? Neste caso, o

perspectiva. Na opinião desta obra, o importante é que o

rabino não estava preocupado com a frequência do Sha-

Shabat, ao menos de vez em quando, seja celebrado no

bat. Não era importante que o Shabat ocorresse de sete

mesmo dia por todos. É possível afirmar que está é uma

em sete dias. No lugar disto, a preocupação do sábio era

noção que não é focada em Deus ou no Homem, mas no

outra. O Shabat do prisioneiro deveria acontecer, ao me-

Povo Judeu como um todo.

nos de vez em quando, no mesmo dia do Shabat que estava sendo celebrado pelo restante do povo judeu.

As diferentes opiniões podem ter implicações muito práticas. Se eu celebro o Shabat para Deus, então devo seguir

Por trás desta discussão aparentemente técnica exis-

de forma minuciosa as regras por Ele determinadas. Não

te, em minha opinião, uma conversa sobre o sentido do

importa se estou aproveitando, descansando, tendo ou

Shabat. Para aquele sábio que acreditava que se deveria

não prazer. O sétimo dia instituído por Deus e para Deus,

contar seis dias e então celebrar o Shabat, assim como

deve seguir uma sistema de normas por Ele estabelecido.

aconteceu com Deus no momento da criação do mundo,

Ao passo que, se acredito que o Shabat foi criado

Talmud Babilônico Shabat 69b

Disse Rav. Huna: (uma pessoa) estava andando (pelo caminho) ou pelo deserto, e não sabe quando é Shabat – deve contar seis dias e guardar um dia. Chia filho de Rav diz: deve guardar um dia e conta seis. Qual é o motivo da discussão? Um pensou: como na criação do mundo, e o outro pensou: como com o primeiro Homem. Uma fonte (Tanaíta) estabelece: (uma pessoa) estava andando pelo caminho, e não sabe quando é Shabat – deve guardar um dia para cada seis. Isto significa: contar seis dias e guardar um dia – não, guardar um dia e contar seis. Se for assim, (para que dizer) deve guardar um dia para cada seis? Guarda um dia e conta seis, deveria estar escrito! E mais uma fonte (Tanaíta): (uma pessoa) estava andando pelo caminho ou pelo deserto, e não sabe quando é Shabat - deve contar seis dias e guardar um dia. A derrota de Chia filho de Rav é uma boa derrota.


Talmud de Jerusalém Shabat Capítulo 7 Folha 9 Coluna 1

Maior (de idade) que foi preso entre gentios - Rav e Shmuel concordam: deve contar seis dias e cumprir o Shabat. E Cherna disse: cumpre o Shabat e conta seis dias. Rabi Itzchak Bar Elazar em nome de Rav Nachman Bar Yaakov: conta seis dias e cumpre o Shabat, cinco dias e cumpre o Shabat, quatro dias e cumpre o Shabat, três dias e cumpre o Shabat, dois dias e cumpre o Shabat, um dia e cumpre o Shabat.

para o Homem, a postura será totalmente distinta. Dentro desta perspectiva, a prioridade é a percepção que tem o indivíduo sobre o dia criado especialmente para ele. Neste caso, o Shabat de cada um será diferente e terá como prioridade a satisfação de seus desejos. Aquilo que trás relaxamento e diversão, prazer e descanso, passa a ser essencial. Finalmente, quando entendo o Shabat como uma questão social, o principal é o interesse do grupo. Aqui já não importa o que Deus deseja ou o que o indivíduo aspira e sim a vontade da comunidade. O que o Povo Judeu decidir, como grupo, que deve ou não ser integrado ao sétimo dia da semana, será a regra a ser adotada. O interesse comunitário passa a ser o mais importante dentro desta terceira visão de Shabat. Embora seja este um excelente exercício teológico, não acredito que algum destes sábios realmente acreditasse que o Shabat fosse apenas uma dessas coisas. O que sim, talvez, pensavam que, em caso de conflito de interesses, um desses elementos deveria se sobressair em relação aos demais. Que saibamos valorizar e aproveitar as pausas em nossas vidas. A tradição nos brinda com um mini período de férias a cada semana. Que saibamos transformar nosso dia de descanso em algo divino, humano e comunitário.

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ESPECIAL CRAZY FOR YOU po r L i ane Gotlib Z aid ler

Sucesso

em pré-estreia beneficente C

om lotação absoluta do Complexo Cultural Ohtake, foi

“A CIP acredita na ação social e se esforça para re-

um sucesso a pré-estreia beneficente do musical da

tribuir o acolhimento do povo brasileiro aos imigrantes

Broadway Crazy for You estrelado por Claudia Raia e Jar-

judeus. Agradecemos aos nossos voluntários, funcioná-

bas Homem de Mello e em prol do Lar das Crianças da CIP.

rios e patrocinadores, que viabilizaram esta maravilhosa

“A cultura tem um espaço muito grande dentro do traba-

noite”, declarou o presidente da CIP, Sérgio Kulikovsky.

lho social. Estamos trazendo um entretenimento de muita

“Esta é uma forma muito importante e interessante para

alegria, com muita música e dança, e quando você conse-

divulgarmos o importante trabalho do Lar. Estamos uni-

gue unir isso a uma causa nobre, como o trabalho do Lar

dos por uma causa maior e pelo desejo de construirmos

das Crianças, fica tudo completo”, enfatizou a protagonista

uma sociedade mais justa”, complementou a diretora do

do musical, Claudia Raia.

Lar das Crianças, Luciana Mautner.


Com músicas do compositor americano George Gershwin, Crazy for You é inspirado no musical “Girl Crazy”, de 1930, que teve três adaptações para o cinema, sendo a mais famosa a que teve Judy Garland no papel principal. O musical também foi adaptado para a série americana “Great Performance”, que teve 28 temporadas e episódios com a participação de grandes nomes como Plácido Domingo e Julie Andrews. Em Crazy for You, Booby Child, um playboy de Nova York louco por teatro, além de ótimo cantor e dançarino, é enviado por sua mãe a Deadrock, uma pequena e pobre cidade no estado de Nevada, para fechar o teatro local, o Gaiety Theatre. Quando chega à cidade, conhece Polly, filha da proprietária, e rapidamente se apaixona por ela. Sua ideia inicial é deixada de lado e, com o desejo de salvar o teatro, tem a brilhante ideia de montar um espetáculo para levantar fundos e reerguê-lo. O espetáculo vira um enorme sucesso. Bobby, então, acaba salvando o que iria destruir e descobrindo o que é o amor.

Ajudar o Lar das Crianças é fazer uma diferença para o Brasil que acolheu os imigrantes judeus de forma extraordinária. Os rabinos Michel Schlesinger e Ruben Sternschein enfatizaram as semelhanças entre a história dos protagonistas e a da CIP. “Crazy for You trabalha justamente a ideia de resgatar algo desprezado, onde um teatro que está para ser fechado, acaba sendo resgatado das cinzas. Assim como a CIP, que, nos primeiros anos de sua existência resgatou em inúmeras famílias o judaísmo desprezado pelos nazistas. Ajudar o Lar das Crianças é fazer uma diferença para o Brasil que acolheu os imigrantes judeus de forma extraordinária. Hoje podemos devolver para a sociedade a ajuda que nossa família e amigos receberam. “A noite foi maravilhosa! O Instituto Cyrela sempre busca apoiar iniciativas ligadas à educação, assim como o trabalho do Lar, que se encaixa perfeitamente com o foco do nosso investimento social”, finalizou Aron Zylberman, diretor do Instituto, um dos patrocinadores do evento.


JUVENTUDE por André Wajnberg, sheliach da Congregação

Juventude,

o presente da CIP T odos nós já escutamos em diferentes momentos,

de nossos movimentos juvenis: Avanhandava e Chazit Hanoar.

e dentro ou fora de comunidade, que a juventude

E também em julho e janeiro, quando mais de 30 madrichim

é o futuro e que devemos investir nela. Na CIP, é

transmitem conteúdos e valores judaicos para 150 crianças

diferente. Em nosso departamento, com o apoio da direto-

na Colônia da CIP Fritz Pinkuss, em Campos do Jordão. Ou

ria e dos rabinos, dizemos que a “juventude é o presente”.

ainda nos grupos de dança israelense, Eretz e Nefesh, que

‘Presente’ no sentido temporal da palavra, e também como

reúnem semanalmente 80 jovens entre 17 e 35 anos.

aquele que recebemos em ocasiões especiais.

E também com as atividades para os menorzinhos: o

Em 2013, a Comunidade CIP e a judaica, assim como a

Shabat Ieladim (Cabalat Shabat para crianças) e o Shaat Si-

sociedade em geral, foram presenteadas em diferentes e sig-

pur, que reúne crianças de 4 até 6 anos para uma vivência

nificativas ocasiões pelo ativismo de nossos jovens.

judaica original e contagiante.

Somos presenteados quando mais de 70 madrichim volun-

Ainda em 2013, a Juventude também nos brindou com

tários, com idades entre 16 e 22 anos, planejam e lideram

o projeto Garinim. Criado e planejado conjuntamente por

sábado a sábado atividades educativas para outros 200 jo-

jovens madrichim e por profissionais do departamento de

vens e crianças com idades entre 7 e 15 anos nos encontros

Juventude e do Lar das Crianças da CIP. No Garinim, ma-

30


drichim dos três movimentos juvenis da CIP acompanham, em encontros semanais e individuais, uma criança do Lar. Durante o último semestre, os jovens foram tutores, amigos mais velhos e fieis companheiros de crianças que precisavam fortalecer sua autoestima, e que precisavam de amor e carinho. E isso não falta para nossos jovens ativistas. E tudo isso não poderia acontecer sem projetos como o curso de formação de madrichim, o Manhigut, que este ano reuniu 70 futuros líderes; a viagem de estudo para Israel, o Iad beIad, que tem, nesta edição, a participação de 39 jovens. A participação de nossos madrichim e profissionais nas capacitações promovidas pela CIP e por outras entidades irmãs no Brasil, em Israel e em outros países, também

“E, acima de tudo, lembrem que o sentido da vida é construir a vida como se fosse uma obra de arte. Vocês não são máquinas. E vocês são jovens. Comecem a trabalhar nesta grande obra de arte que é a sua própria existência”

demonstra o interesse desses grupos em manter-se atua-

Abraham Joshua Heschel

lizados e bem preparados. E não podemos esquecer o trabalho incansável do grupo de profissionais do departamento de Juventude e a abertura

da e crítica para que eles possas dialogar com o mundo

e cooperação dos outros departamentos da Congregação.

atual e seus desafios é nosso grande objetivo.

A meta futura é ter uma juventude que siga presente e

Queremos também trabalhar ainda mais em dois impor-

ativa de forma ainda mais relevante na CIP e na sociedade

tantes fatores: uma maior aproximação com os pais dos

em geral. Para alcançar esta meta sabemos que é impres-

jovens, fazendo-os parte de nossa visão e de nossos proje-

cindível inovar e intensificar a promoção de projetos de ca-

tos, e a revitalização de nosso espaço físico, utilizado para

pacitação de atuais e futuros madrichim, assim como ouvir

atividades educativas.

os jovens universitários e pós-universitários para construir

Afirmar que a juventude é o Presente da CIP é dizer

com eles projetos relevantes para seu momento de vida.

que a CIP é uma comunidade viva. E que seguirá vibrante,

Educar nossos jovens para o judaísmo de maneira profun-

ativa e relevante.

31


PA R A L E L O S por Anna Veronica Mautner, autora e psicanalista da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo

Aprendizado e

descanso E xistem vários tipos de intermitências na vida. Existem os marcos nacionais comemorados por todos; existem os religiosos; existem os de segmentos da

sociedade, como alunos e professores, que evidentemente tiram férias ao mesmo tempo, mas cujos dias de licença nem sempre coincidem com os intervalos de outros gru-

pos. Um comerciante não tira férias antes de período de venda ou consumo pronunciados. A própria natureza tem época de plantar, de colher, de deixar a terra descansar, de chuva e de sol, de frio e de calor. Se tudo que funciona regido pela natureza tem tempos de atividade e de descanso, por que com a aprendizagem seria de outro jeito? É como se as informações (que podem ser considera-

De maneira nenhuma pretendo dizer que esse processo

das “sementes”, de certa forma) também tivessem um

se dá no nível da consciência. Ao exercício, segue-se o des-

tempo de maturação antes de se transformarem em ideias

canso, não obrigatoriamente o amadurecimento do que foi

e pensamentos. Dependendo do tipo de “semente”, varia o

aprendido. Durante o descanso, podemos até nos aplicar

tempo de maturação.

em novos conhecimentos. Mas é importante que sejam no-

Depois de alguns milhares de anos, estabeleceu-se que

vos – outros conhecimentos. Na formação dos sacerdotes,

a aquisição de conhecimento não deveria ser ininterrupta.

a preparação para as festas e comemorações é tempo de

Não é que as férias sejam direcionadas para a maturação

obrigação e as festas são horas de júbilo.

do conhecimento, mas as férias dão um espaço para o

Exercício e descanso, aprendizado e júbilo são maneiras

conhecimento se ajeitar. Desviar a atenção do exercício da

diferentes de usar a mente. Brincando um pouco com o

mente para o exercício do corpo acompanha as estações

fato, eu diria que é como um enxadrista (xadrez é conside-

do ano. As férias são do corpo; o tempo de aula é da men-

rado um esporte) que também pratica natação.

te. Há uma intermitência entre fazer e deixar que o feito e o fato amadureçam.

32

Os espaços entre uma e outra atividade foram testados durante milênios. A mente pede um descanso mais pro-


ESTUDAR

DESCANSAR

longado, sem perder em destreza, do que o corpo de um

Férias, feriados são indispensáveis para o adequado uso

esportista, cuja musculatura também demanda descanso; da nossa capacidade de pensar. No mundo em que a esmas, se ele for longo, perde em destreza.

cola é pública e igual para todos, as férias ocorrem ao

Desde que a escola foi sendo instituída no Ocidente, em mesmo tempo para uma boa parte da população estudantil torno do século V e VI, os mestres vêm observando e es- e para os professores. tabelecendo espaços bons com vistas ao melhor aproveita-

A ideia de férias não veio do nada e sim dos milhares

mento do que foi ensinado. Curiosamente, no Oriente, onde de anos de observação intuitiva das melhores condições os rituais são mais ligados à meditação, ao esvaziamento da para o desenvolvimento das aptidões do corpo e da menmente, férias não são tão importantes. O exercício religioso te. Lembro-me de um jornalista que escrevia muito durante tem seu próprio ritmo, repetido ano a ano. Aqui no Ociden- todos os dias. Ele comentava que, se ficasse sem escrever te, a mente adequou-se a outro tipo de intervalo. Dentre os três dias, já começava a perder o jeito. povos chamados primitivos ou selvagens, a mente não é

De Santo Agostinho até agora foram se estabele-

tão requerida, donde as férias se espalham em torno das cendo ordenações para o melhor aproveitamento do rotinas do cotidiano e também de acordo com as estações. sistema escolar.

33


VALORES JUDAICOS por Rabino Rogério Zingerevitz Cukierman, diretor da área judaica do Colégio I. L. Peretz

Tu biShvát:

encontrando o futuro do planeta e do judaísmo Um midrash talmúdico1 nos conta um caso que aconteceu

Eu gosto especialmente desta história e sua relação com

a Honi, o fazedor de círculos, um agenciador de milagres

Tu biShvát em dois níveis. Em sua leitura literal, a história

judeu que viveu no primeiro século antes da Era Comum.

aponta para uma preocupação com o meio-ambiente e com

Honi estava andando pela estrada quando viu uma pessoa

o mundo que vamos deixar para as próximas gerações. Por

plantando uma árvore de alfarroba. “Quanto tempo leva para

muitos anos, a humanidade (ou pelo menos a chamada civili-

esta árvore dar frutos?” ele perguntou. “Setenta anos” foi

zação ocidental da qual fazemos parte) se comportou como

a resposta. Honi retrucou: “Você tem certeza de que esta-

se efetivamente fôssemos senhores da natureza, como se o

rá vivo daqui a setenta anos?” A pessoa lhe disse: “Quando

mundo existisse única e exclusivamente para nos servir. Da

eu cheguei ao mundo, encontrei árvores de alfarroba que

mesma forma que os engenheiros da Torre de Babel, acredi-

meus antepassados tinham plantado para mim, agora sou

távamos que nossas tecnologias podiam nos transformar em

eu quem planto estas árvores para os meus filhos.”

deuses com pleno domínio sobre o ambiente que nos cerca.

34


Quando nossas ações produziam resultados indesejados,

Estes quatro “anos novos” refletem distintos ciclos re-

achávamos que mais tecnologia nos salvaria das consequên-

ligiosos e fiscais. Algumas destas datas eram usadas para

cias. Nas últimas décadas, no entanto, temos reconsiderado

a contagem dos anos dos reinados (primeiro de Nissan) ou

este excessivo otimismo com a tecnologia e temos nos dado

dos anos especiais, como o ano sabático e do jubileu5. No

conta de que, assim como aconteceu com a geração de Noé,

caso das árvores, seu ano novo definia a data de corte para

nossa violência e falta de responsabilidade têm trazido resul-

o pagamento do maasar sobre as frutas, pago como imposto

tados desastrosos para a vida neste planeta.

aos Levitas e doado aos necessitados. A opinião de Beit Hillel

Se em Pessach, Shavuót e Sukot usamos o passado como

para a data do ano novo das árvores saiu vitoriosa e definiu

marco de referência para entendermos nossa realidade e de-

até mesmo o nome como ela é conhecida hoje: Tu biShvát6.

dicamos Rosh haShaná e Yom Kipur para refletirmos sobre

Com a destruição do Templo de Jerusalém no ano 70 EC,

nossas ações no presente, Tu biShvát, o Ano Novo das Ár-

esta definição fiscal para Tu biShvát perdeu relevância e esta

vores, é um convite para nos encontrarmos com o futuro e

data entrou em um período de dormência de 15 séculos.

para considerarmos o resultado, algumas vezes distante, das

A expulsão dos judeus da Península Ibérica no final do

decisões que tomamos hoje. A história de Honi nos desafia

século XV pôs fim a um dos grandes ciclos de desenvol-

a considerar que ações concretas estamos tomando, não

vimento cultural e material para o mundo judaico. Parte

apenas para minimizar nosso impacto negativo, mas também

dos exilados se reassentou na Terra de Israel e, na cidade

para criar condições concretas que permitam que as próxi-

de Tzfat, o trauma da expulsão levou a um novo ciclo de

mas gerações vivam em condições melhores que as nossas.

desenvolvimento intelectual, desta vez ligado ao misticis-

O segundo nível da história de Honi e sua conexão com

mo judaico. Estes estudiosos e praticantes da Kabalá se

Tu biShvát é relacionado, através da história deste feriado

preocupavam especialmente com as interações dinâmicas

judaico, com o legado que deixamos para as futuras gera-

da realidade Divina, expressa em dez emanações chama-

ções, a forma como a tradição judaica tem se adaptado

das sefirot. O complexo relacionamento entre as sefirot

aos tempos, garantindo sua relevância contínua, mesmo

podiam, de acordo com a Kabalá, ser inferido tanto atra-

sob distintas condições históricas. A história desta data

vés do estudo da Torá e suas referências metafóricas e

judaica mostra como algumas poucas linhas deram origem

alegóricas, quanto através da contemplação da natureza,

a ricos rituais, que ajudaram judeus de diferentes épocas a

que incluiria os mesmo símbolos alegóricos. Para estes

expressar seus valores, angústias e aspirações.

místicos, o “ano novo das árvores” ao qual a Mishná fazia

A primeira referência que temos para Tu biShvát está

referência era também uma alegoria a duas árvores mís-

na Mishná, a primeira compilação escrita da tradição oral

ticas presentes no começo da Torá: a Árvore da Vida e a

judaica, finalizada ao redor do ano 200 EC:

Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal7.

Há quatro [datas em que se comemora] anos novos:

Da mesma forma que criaram a cerimônia de Kabalat Sha-

primeiro de Nissan é o ano novo dos reis e dos festivais;

bat repleta de referências kabalistas, os místicos de Tzfat de-

primeiro de Elul é o ano novo para o maasar dos animais

senvolveram um ritual para comemorar Tu biShvát e, através

­– [mas] de acordo com Rabi Elezar e Rabi Shim’on, [este

de diferentes frutas, impactar positivamente a realidade Divi-

ano novo] é em primeiro de Tishrei; primeiro de Tishrei é o

na. Assim surgiu o seder Tu biShvát, que rapidamente se es-

ano novo dos anos e dos anos sabáticos e do jubileu, para

palhou, mas ficou praticamente limitado ao mundo sefaradita.

plantar e para verduras; primeiro de Shvat é o ano novo

No final do século XIX, quando o Movimento Sionista co-

das árvores de acordo com Beit Shamai, [mas] de acordo

meçava a se estabelecer, seu foco era o fortalecimento

com Beit Hillel é no dia quinze deste mês .

da relação física e espiritual entre o povo judeu e a Terra

2

3

4

35


contagem dos  anos  dos  reinados  (primeiro  de  Nissan)  ou  dos  anos  especiais,  como  o  ano  sabático  e  do  jubileu.    No  caso   das  árvores,  seu  ano  novo  definia  a  data  de  corte  para  o  pagamento  do   maasar  sobre  as  frutas,  pago  como   imposto  aos   Levitas  e  doado  aos  necessitados.  A  opinião  de  Beit  Hillel  para  a  data  do  ano  novo  das  árvores  saiu  vitoriosa  e  definiu  até   mesmo  o  nome  como  ela  é  conhecida  hoje:  Tu  biShvat.6  Com  a  destruição  do  Templo  de  Jerusalém  no  ano  70  EC,  esta   definição  fiscal  para  Tu  biShvat  perdeu  relevância  e  esta  data  entrou  em  um  período  de  dormência  de  15  séculos.       A  expulsão  dos  judeus  da  Península  Ibérica  no  final  do  século  XV  pôs  fim  a  um  dos  grandes  ciclos  de  desenvolvimento   cultural  e  material  para  o  mundo  judaico.  Parte  dos  exilados  se  reassentou  na  Terra  de  Israel  e,  na  cidade  de  Tzfat,  o   trauma   da   expulsão   levou   a   um   novo   ciclo   de   desenvolvimento   intelectual,   desta   vez   ligado   ao   misticismo   judaico.   Estes   estudiosos   e   praticantes   da   Kabalá   se   preocupavam   especialmente   com   as   interações   dinâmicas   da   realidade   Divina,   expressa  em  dez   emanações   chamadas  sefirot.  O  complexo  relacionamento  entre  as  sefirot   podiam,   de   acordo   com   a   Kabalá,   ser   inferido   tanto   através   do   estudo   da   Torá   e   suas   referências   metafóricas   e   alegóricas,   quanto   através   da   contemplação  da  natureza,  que  incluiria  os  mesmo  símbolos  alegóricos.  Para  estes  místicos,  o  “ano  novo  das  árvores”  ao   qual  a  Mishná  fazia  referência  era  também  uma  alegoria  a  duas  árvores  místicas  presentes  no  começo  da  Torá:  a  Árvore   da  Vida  e  a  Árvore  do  Conhecimento  do  Bem  e  do  Mal7.     Da   mesma   forma   que   criaram   a   cerimônia   de   Kabalat   Shabat   repleta   de   referências   kabalistas,   os   místicos   de   Tzfat   desenvolveram  um  ritual  para  comemorar  Tu  biShvat  e,  através  de  diferentes  frutas,  impactar  positivamente  a  realidade   Divina.   Assim   surgiu   o   seder   Tu   biShvat,   que   rapidamente   se   espalhou,   mas   ficou   praticamente   limitado   ao   mundo   sefaradita.     No   final   do   século   XIX,   quando   o   Movimento   Sionista   começava   a   se   estabelecer,   seu   foco   era   o   fortalecimento   da   de Israel. Tue  biShvát ganhou, assim, nova dimensão, vação recursos. biShvát ganhou,   é uma ótima oportunidade relação   física   espiritual   entre   o   uma povo   judeu   e   a   Terra   de  deIsrael.   Tu  Tu biShvat   assim,   uma   nova   dimensão,   celebrando vegetação de e sua conexão com cada sobre quer   qual riqueza estamos deixandoAdotada   para celebrando   a   avegetação   de  Israel Israel   e   sua   conexão   com   para cada  refletirmos judeu,   onde   que   ele   estivesse.   pelo   Keren   judeu, leIsrael   onde quer que ele estivesse. Adotada filhos, tanto com relação meio ambientede   quanto Kayemet   (KKL),   a   idéia   levou   judeus  pelo de   Keren todo   o  nossos mundo   a   contribuírem   para  ao   a   plantação   árvores   em   Israel,   especialmente   durante   eríodo   e  Tu  bde iShvat.   Kayemet leIsrael (KKL), oa  p idéia levoudjudeus todo o mun- na vida judaica, e para definirmos que ações concretas   do a contribuírem para a plantação de árvores em Israel, precisamos tomar para definir nosso legado. Nas  especialmente última   décadas,   nova  detransformação   ocorreu   na   celebração   de   Tu   biShvat,   incorporando   elementos   das   duranteuma   o período Tu biShvát. iterações   De  uma um  nova lado,   a   preocupação   com   justiça   social   enfatiza   elementos   que   remontam   à   prática   do   Nas anteriores.   última décadas, transformação ocorreu maasar   da   época   e   sua   preocupação   na celebração dedo   Tu Templo   biShvát, incorporando elementos com   das o   bem   estar   das   camadas   mais   vulneráveis   da     sociedade.   Além   disso,   uma   nova   consciência   sobre   os   valores   expressos   forma   implícita   explícita   através   das   nossas   escolhas   1. de   Talmud da Babilônia, Ta’anite  23a. iterações anteriores. De um lado, a preocupação com jusalimentares,  empresta  a  linguagem  mística,  ainda  que  modifique  seu  tom  e  conteúdo.  Esta  mesma  preocupação  com  o   2. Pagamento de 10% sobre a produção, praticado antes da tiça social enfatiza elementos que remontam à prática do que  maasar ingerimos   resgata   parte   das   campanhas   do   KKL     e   sua   mensagem   ambientalista.   Desta   forma,   o   “ano   novo   das   da época do Templo e sua preocupação com o bem destruição do Templo de Jerusalém. árvores”,   é  mais  uma  vez  transformado,  permitindo  que  uma   nova  geração  esteja  engajada  com  os  rituais  judaicos  e  que   3. Beit Shamai e Beit Hillel eram duas escolas de pensamento estar das camadas mais vulneráveis da sociedade. Além encontre  sua  voz  em  uma  tradição  que  é  sua.   disso, uma nova consciência sobre os valores expressos rabínico nos primeiros séculos da Era Comum, que constantemen   de forma implícita e explícita através das nossas escolhas te apresentavam pontos de vista opostos. O   encontro   de   Honi   com   a   pessoa   plantando   o   pé   de   alfarroba   lhe   ensinou   que,   para   garantirmos   que   as   futuras   4. Mishná Rosh Hashaná 1:1. alimentares, empresta a linguagem mística, ainda que modigerações   encontrem   a   mesma   riqueza   que   nós   recebemos,   é   necessária   nossa   participação   ativa   na   criação   e   5. No ano sabático, observado a cada sete anos, a terra não fique seu tom e conteúdo. Esta mesma preocupação com preservação  de  recursos.  Tu  biShvat  é  uma  ótima  oportunidade  para  refletirmos  sobre  qual  riqueza  estamos  deixando   o que ingerimos resgata parte das campanhas do KKL e

era cultivada e permanecia repousando. No ano do jubileu, cele-

sua mensagem ambientalista. Desta forma, o “ano novo das

brado a cada sete ciclos de sete anos, as dívidas eram perdoadas

             árvores”,                          é    mais                uma              vez          transformado,                           permitindo que uma 5

e a terra voltava aos proprietários originais.

.  No  ano  sabático,  observado  a  cada  sete  anos,  a  terra  não  era  cultivada  e  permanecia  repousando.  No  ano  do  jubileu,  celebrado  a  c ada  sete  ciclos   6. Os números em hebraico são comumente escritos em hebrainova geração esteja engajada com os rituais judaicos e que de  sete  anos,  as  dívidas  eram  perdoadas  e  a  terra  voltava  aos  proprietários  originais.   6  .  Os  encontre números  sua em  voz hebraico   são  tradição comumente   o  valor   númerico   das  das letras.   A  pAalavra   tem  oo  valor  númerico   co usando-se o valor númerico letras. palavra“tu”   “tu”((‫ )טו‬  ) tem em uma que eéscritos   sua. em  hebraico  usando-­‐se   de  15;  Tu  biShvat,  portanto,  significa  “15  de  Shvat”.   O encontro de Honi com a pessoa plantando o pé de valor númerico de 15; Tu biShvát, portanto, significa “15 de Shvat”. 7  .  Gen.  2:9.  Na  visão  da  Kabalá,  estas  duas  árvores  são,  na  verdade,  derivadas  de  um  único  tronco.  Por  isto,  na  Mishná,  a  data  é  referida   7. Gen. 2:9. Na visão da Kabalá, estas duas árvores são, na alfarroba clhe ensinou garantirmos que  as futuras simplesmente   omo   “ano  nque, ovo  dpara a  árvore”,   no  singular.

gerações encontrem a mesma riqueza que nós recebemos,

verdade, derivadas de um único tronco. Por isto, na Mishná, a data

é necessária nossa participação ativa na criação e preser-

é referida simplesmente como “ano novo da árvore”, no singular.

36


TG Pactual

al é a forma gráfica para identificar o as manifestações

arca BTG Pactual, arquivos digitais que exos deste manual.

AGRADECEMOS AOS PATROCINADORES DA PRÉ-ESTREIA BENEFICENTE DO MUSICAL CRAZY FOR YOU EM PROL DO LAR DAS CRIANÇAS DA CIP Símbolo BTG Pactual

Logotipo BTG Pactual

PLATINA

Marca BTG Pactual

CÂMBIO · CHANGE · EXCHANGE

Betty e A. Jacob Lafer z’l OURO

Enrico e Mônica de Picciotto

Jayme Sverner PRATA

Renata e Sergio Simon Família Klein

Doadores Anônimos APOIO

REALIZAÇÃO

FUNDO BRANCO


JUDAISMO LIBERAL por Flávio Levi-Moreira, diretor financeiro da CIP e da WUPJ-Latam

A legitimidade do nosso judaísmo

E

m 2013 recebemos na CIP a visita do rabino Gilad

contraditoriamente, são minoria em Israel e no resto do

Kariv, diretor executivo do Movimento de Judaísmo

mundo judaico também.

Progressista Israelense (IMPJ), e do Ph.D. Joshua

O IMPJ é responsável por lutar, inclusive dentro da Knesset,

Holo, decano do Hebrew Union College (HUC) de Los Angeles.

para que seja mantido o reconhecimento das conversões fei-

As duas instituições liberais (para simplificar vou unir o

tas em sinagogas liberais, como as da CIP, da Comunidade

judaísmo progressista e conservador debaixo do “guar-

Shalom e Beth-El, para o Estado de Israel. Além disso, está

da-chuva” liberal) de forma direta e indireta, são vitais

dentro do IMPJ o braço político que reclama direitos iguais

para a sobrevivência do judaísmo que vivemos fora de

para todos os tipos de prática de judaísmo em Israel. É jus-

Israel, inclusive em São Paulo. E por quê? Pode parecer

tamente pelo fato da instituição manter um ativismo social e

estranho falar da importância de um rabino progressista

político em Israel que não temos que nos preocupar – nós os

em Israel, mas, por incrível que pareça, os desafios de

judeus liberais da diáspora – de forma até perigosa, em legiti-

validar as opções não-ortodoxas de judaísmo lá são mui-

mar nosso judaísmo, e assim ficamos acomodados.

to maiores do que aqui no Brasil. Isso porque em Israel

O HUC, escola da qual o nosso rabino Ruben Sternschein

o controle da religião está nas mãos de ortodoxos que,

é egresso do Campus de Jerusalém, tem a honrosa missão

38


de formar rabinos e educadores progressistas. Assim como

destes fios. Ele é em sua maior parte, na verdade, o fenôme-

outras escolas também progressistas e conservadoras (o

no mais recente da história judaica, porque o judaísmo sem-

rabino Michel Schlesinger formou-se no Instituto Schechter,

pre se transformou e se adaptou para que pudesse sobrevi-

vinculado ao movimento Conservador, em Jerusalém).

ver forte, como é hoje. Por outro lado, as linhas do judaísmo

Ano após ano, estas instituições nos fornecem dezenas

progressista e conservador também não são as únicas. Mas

de rabinos, além de profissionais em educação judaica, com

todas são importantes e necessárias para tecer este tapete.

excelente educação laica e religiosa, para que eles estejam

E todos devem se respeitar neste contexto.

inseridos no contexto no qual nós estamos e para que sua mensagem nos atinja de forma verdadeira e significativa.

Muitas mensagens positivas ficaram dessas duas visitas, mas principalmente, ficou a certeza de que estamos conec-

O rabino Kariv e o professor Holo falaram para diversos

tados com instituições sólidas e com pessoas muito bem

públicos: prédicas, mesa-redonda para os sócios da CIP, shiur

preparadas, e que o conhecimento está disponível a todos

para jovens casais e conversas com nossos morim e madri-

para que possamos ter orgulho de ser liberais e educar com

chim. Em todas as oportunidades, mesmo que com o diferen-

solidez as próximas gerações do nosso povo.

te enfoque, a mensagem é clara: nós, judeus liberais, somos

Como referência de judaísmo, sugiro que visitem os sites

a maioria do povo judeu e devemos consolidar nossas bases,

do Reform Judaism (www.reformjudaism.org) e do Conservati-

ou seja, nos aprofundar e realmente entender o que é a nossa

ve / Masorti Movement (www.conservativejudaism.org). Além

visão de religião e a nossa cultura, inseridas no contexto geral

disso, venham à CIP, rezem e festejem, escutem as prédi-

da população judaica mundial.

cas, prestigiem e valorizem o trabalho de nossos chazanim e

Em uma metáfora utilizada pelo professor Holo, o fio do

professores, e leiam os textos dos nossos rabinos, além de

Judaísmo Ortodoxo claramente faz parte de um tapete de

procurar conversar com eles. Garanto que encontrarão além

muitos fios, do qual ele não é nem único nem o mais legítimo

de muito conhecimento, bons amigos.

39


EVENTOS por Lorena Quiroga, diretora de Eventos

Obrigada

2013

T

erça-feira, 8h da manhã, sala de reuniões do

todos nós da CIP: profissionais, voluntários e sócios,

quarto andar da CIP. Começa a reunião de

que fizeram acontecer cada um de nossos eventos.

eventos. Na mesa, representantes de todos os

Janeiro entrou já animado com Tu Bishvát, come-

departamentos. Na pauta, o próximo chag, uma nova

morado com uma bela prédica no serviço de Shabat

palestra, uma merecida homenagem, o Cabalat Sha-

e um simpático agrado entregue a nossos sócios:

bat especial, o problema a ser resolvido e os erros

nossa mensagem escrita em papel semente, a ser

a não serem repetidos. Temos de tudo: alinhamento

picado e plantado. Pouco tempo depois vivenciamos,

de conteúdo, concepção, criação, planejamento ope-

na sinagoga Etz Chaim, a forte cerimônia marcando

racional, definição da campanha social (sim, todas

a data internacional em memória às vítimas do Holo-

nossas comemorações de chaguim possuem uma

causto. Conduzido com maestria por nossos rabinos,

campanha social), gostosas risadas, algumas dis-

o evento foi marcado pela presença de cerca de mil

cussões, pequenos conflitos e bonitas conclusões.

pessoas, com importantes líderes de várias religiões,

Assim trabalhamos semana após semana.

influentes personalidades, autoridades de Governo

E eis que 2013 chega ao fim. Embalada no clima

de todas as esferas e um bonito grupo de sobrevi-

de balanços e avaliações, peço licença para contar

ventes do Holocausto, homenageados pelo KKL com

um pouquinho das nossas conquistas e feitos - de

o plantio de um bosque em Israel. O momento de en-

40


trega dos certificados e do nosso livro de Parashiot a cada um deles trouxe lágrimas e muita emoção. Então veio Purim. Sorrisos, divertidas fantasias, barracas de brincadeiras espalhadas pelo Salão Nobre, comidinhas, bebidas e fartos saquinhos de Mishloach Manot para animados participantes de todas as idades. A seguir, a leitura – e interpretação teatral – da Meguilat Ester na sinagoga, acompanhada por crianças, jovens e... jovens de mais idade. Fechando a noite animada, sorteio de prêmios. Em Pessach, nosso primeiro Seder foi um sucesso: várias famílias tiveram a oportunidade de celebrar unidas e com amigos, e conduzir o seder junto aos rabinos, participando ativamente e vivenciando

gues precocemente. Ele ter trazido a todos a noção

um bonito encontro comunitário.

de que essa lembrança e homenagem faz parte de uma realidade tão próxima, com projeção de fotos e

E eis que 2013 chega ao fim. Embalada no clima de balanços e avaliações, peço licença para contar um pouquinho das nossas conquistas e feitos.

seu depoimento pessoal, foi muito impactante. Em Iom Haatsmaut, o Cabalat Shabat tradicionalmente feito pela Juventude arrasou, com suas lindas interpretações e mensagens. Logo depois, um gostoso jantar por adesão, com “sabores de Israel” e um divertido jogo de perguntas e respostas sobre Israel, para entrarmos de corpo e alma, e com conteúdo, nesta animada comemoração. Aí chegou a hora do nosso “Ticun da Virada” em Shavuot. Foram várias atividades noite adentro, se-

Iom Hashoá foi marcado por um grande ato central

guindo o interessante e provocador tema ”Judaísmo:

comunitário, e lá também a CIP foi representada pela

Integração e Preconceito”. Através de filmes, fontes

presença de seus membros.

judaicas, culinária, dança e música, nos aprofunda-

Iom Hazicaron foi a vez da Juventude: em um mo-

mos nesse tema, abrindo com a cerimônia de Havdalá

mento único, todas as tnuot (movimentos juvenis) de

feita pelo grupo Neshamá e apresentação dos corais

São Paulo uniram-se, deixando de lado, por um mo-

da CIP, seguida de uma linda apresentação da Or-

mento, questões religiosas, e dentro do nosso Salão

questra de Violões do Lar das Crianças e continuando

Nobre, fizeram uma tocante homenagem aos que ca-

com bate-papo com nossos rabinos mediados pela

íram pelo Estado de Israel. O então cônsul de Israel,

jornalista Mona Dorf, uma conversa com o chef David

Ilan Sztulman, surpreendeu e emocionou contando

Herz, depoimento do diretor do filme “Os Colegas”,

generosamente aos presentes sua história pessoal,

Marçal de Souza, estudos das fontes judaicas com

de perdas e memórias, de companheiros de exército,

o rabino Alexandre Leone e Iehuda Guitelman, des-

e de amigos de seus filhos, cujas vidas foram entre-

contração com a banda gaúcha “Ingales” colocando 41


Enquanto isso os preparativos para Sucot já estavam a todo vapor! O tempo voou, passaram as Grandes Festas (organizadas e preparadas maravilhosamente por uma comissão especial, um capítulo à parte) e logo depois vieram a construção da sucá, atividades para todos os departamentos, aulas, jantar, participação de convidados, como o jornalista Marc Tawil, Shira Betsibur e o inédito Concurso de Maquetes de Sucot, preenchendo todos os dias de comemoração. Num piscar de olhos chegamos a Chanucá, com seus oito dias iluminados. Todas as noites tivemos acendimento das velas, e mantivemos nosso compromisso com o conteúdo e aprofundamento, com bate-papos e aulas com nossos rabinos e a participação do nosso sheliach, um animado Cabalat Shabat organizado e realizado pela Juventude, a bonita exposição de 75 anos da Avanhandava, além das atividatodos para dançar – isso após nos inspirarmos pela

des de cada departamento. Para fechar o chag com

bela apresentação de dança das nossas lehakot. E

chave de ouro, uma muito emocionante hatsdaá à

para provar que foi uma virada mesmo, saímos da

morá Miriam Gerber z’l, impecavelmente organizada,

CIP às 6h30 da manhã!

preparada e realizada pelo departamento de Ensino.

Em junho, fizemos um Cabalat Shabat especial ho-

Alguns dias mais e os protagonistas foram os

menageando o então cônsul de Israel, Sr. Ilan Sztul-

formandos universitários: com um formato diferen-

man, pelo trabalho realizado junto à comunidade e

te, este ano eles foram homenageados com uma

por ocasião de seu retorno a Israel, contando com

aliá à Tora num Shacharit especial, com o carinho

sua presença e uma descontraída “entrevista” com

de toda congregação e uma brachá especial dos

nosso rabino.

nossos rabinos.

Nas férias escolares de julho não paramos um mi-

A 2013, muito obrigada, pelos dias e noites para

nuto sequer: nos primeiros dias de agosto recebemos

podermos realizar tudo isso e tudo mais que não

o rabino Gilad Kariv, diretor executivo do Israel Move-

conseguimos escrever aqui. A essa equipe incrível

ment for Progressive Judaism (IMPJ), e o Prof. Joshua

que tenho o prazer de fazer parte, meu agradeci-

Holo, PhD, diretor acadêmico do campus de Los An-

mento emocionado, sincero e intenso, por acredita-

geles do Hebrew Union College (HUC). Tivemos o privi-

rem e fazerem acontecer!

légio de ouvir ambos em palestras e bate-papos, e até

E que venha 2014, com nossos chaguim, even-

colocar os dois juntos para uma mesa-redonda sobre

tos, palestras, homenagens, visitas especiais, e

a importância do judaísmo liberal, contando também

mais importante, com muitos encontros, sorrisos

com a participação dos nossos rabinos.

e conteúdo!

42


D I C A S D E L I T E R AT U R A Liane Gandelman Becker, do blog Um livro por semana (www.umlivroporsemana.blogspot.com)

FICÇÃO

Cadê você, Bernadette? Maria Semple Companhia das Letras, 376 páginas Um livro super moderno sobre uma família aparentemente normal: o pai é programador da Microsoft, a mãe é uma arquiteta premiada e a filha uma aluna inteligente. A mãe, Bernadette, está à beira de um ataque de nervos por conta de uma situação complexa  envolvendo a máfia Russa, o FBI e uma prestadora de serviços pessoais na Índia. E tudo culmina no seu desaparecimento. Uma historia hilária que levará os personagens até a Antártica. Um livro muito divertido, engraçado e viciante.

NÃO FICÇÃO

I N FA N T I L

Fora de série - Outliers Malcolm Gladwell Editora Sextante, 288 páginas Muito interessante e atual, o livro mostra exemplos de trajetórias pessoais e profissionais de uma maneira completamente diferente do que estamos acostumados.

Sopa de botão de osso Aubrey Davis, com ilustrações de Dusan Petricic Editora Brinque Book, 32 páginas

O autor encontrou um dado curioso e comum presente na história de várias pessoas bem sucedi-

Trata-se de um conto popular da tradição judai-

das e o relaciona ao tempo de dedicação e esforço

ca com temática bastante atual. Conta a história de

empregados para atingir a excelência, ao mesmo

um mendigo que aparece em uma cidade escura e

tempo em que as condições socioeconômicas,

gelada a procura de comida e abrigo. Lá se depara

oportunidades e motivações completariam o cená-

com um povo frio e hostil. Até que ele chega em

rio de crescimento pessoal.

uma sinagoga e convence o shamash que ele pode

O livro induz a reflexão sobre outras maneiras de se alcançar o sucesso e ser bem sucedido. Cada capítulo disserta sobre uma área de atuação diferente, mostrando fatos curioso e muito interessantes.

fazer uma sopa dos botões do seu casaco e que tal iguaria beneficiaria a cidade inteira. Uma história bonita e simples com lindas ilustrações e que traz uma lição de solidariedade e reflexão.

43


com a palavra

A arte de relaxar

É

surpreendente que tão poucas pessoas conhe-

condições podem, com o tempo, aumentar necessidade

çam a arte de relaxar. Relaxar é mais do que li-

de serviços de saúde mental para ajudar as pessoas a lida-

vrar-se da tensão de um dia de trabalho, e é mais

rem de forma mais eficaz com o seu ambiente.

do que a ausência de “stress”. É algo positivo e agradável.

No transcorrer do dia, as pessoas são frequentemen-

É uma sensação na qual se experimenta paz de espírito.

te distraídas de suas atividades por problemas pessoais

Para relaxar de verdade, é necessário tornar-se sensí-

conflitos com familiares, desentendimentos no local de

vel às próprias necessidades fundamentais de paz, auto-

trabalho, más condições de vida ou de trabalho, frus-

conhecimento e reflexão - e estar disposto a reconhecer

tração e solidão - para mencionar apenas alguns. É fácil

tais necessidades, ao invés de ignorá-las ou subestimá-las.

ficar tão preocupado com viver, pensar, organizar, exis-

As pressões constantes da vida cotidiana causam grandes

tir e trabalhar, que se menospreza a própria necessidade

prejuízos ao bem-estar físico e mental de milhões de pes-

de relaxar. Muitas pessoas, em nossa sociedade voltada

soas todos os anos. Pesquisas médicas sobre as origens de

para a produção, sentem-se culpadas ou, no mínimo,

doenças comuns, como a hipertensão arterial, doenças

pouco à vontade, quando não estão ativamente envol-

cardíacas, úlceras e enxaquecas, demonstram a relação

vidas em desempenhar tarefas ou produzir coisas. Até

entre “stress” e o desenvolvimento destes distúrbios.

mesmo suas férias convertem-se em um turbilhão de

Na área de saúde mental, o “stress” é causa frequente

produtividade, que deixa os participantes exaustos após

de problemas emocionais e de comportamento, incluindo

concentrar tantas experiências em um curto período de

“esgotamento nervoso”. Vários fatores ambientais - do ru-

tempo. Tal comportamento subverte o valor do perío-

ído e poluição atmosférica a reflexos da conjuntura eco-

do de férias como oportunidade, que é, para distração,

nômica, como desemprego, inflação e recessão - , podem

tranquilidade, restauração das próprias energias e aqui-

tornar as condições de vida ainda mais estressantes. Estas

sição de novas experiências.

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O segredo para relaxar

um bom livro, deixar-se envolver na tranquilidade de

Infelizmente algumas pessoas se esforçam para re- uma música suave, ou concentrar-se na contemplação laxar mantendo a mesma preocupação com tempo, de uma linda cena, paisagem ou quadro, e permanecer produtividade e atividade que demonstram em seus absorto neste estado. padrões de vida cotidiana. Muito poucas pessoas sa-

Atividades criativas como pintura, desenho, cerâmica,

bem desligar seus relógios internos e obter satisfação carpintaria, tricô e mesmo arte culinária, por prazer; posó em ser, ao invés de continuar se esforçando. 0 se- dem lhe dar também um sentido de realização, paralelagredo para se conseguir os melhores resultados nas mente ao tranquilizante relaxamento de se concentrar em tentativas de relaxar é simples: descubra as atividades algo que você deseja fazer. Independente de as sugestões que lhe dão prazer e, quando você as praticar, em- acima serem eficazes ou não, para seu caso, há um mépenhe sua energia em obter total bem-estar físico e todo imediato, seguro e reconhecido através dos tempos mental. Se sua distração resulta em produção artísti- para relaxar: é tomar um banho quente de imersão. Você ca, habilidades musicais, aprimoramento da educação, pode aumentar este prazer lendo um bom livro, ouvindo um físico melhor, ou o que quer que seja, isto é ótimo. música ou adicionando sais de banho, se gostar. Mas lembre-se de que relaxar, e não produzir, é seu principal objetivo ao exercer tais atividades. Especia-

Pratique o relaxamento diariamente

listas em saúde mental fazem algumas sugestões para

Após descobrir sua técnica favorita de relaxamen-

se aprender a arte de relaxar.

to, planeje dedicar-lhe no mínimo meia hora por dia. A maior parte das pessoas aceita a responsabilidade de

Experimente algo novo e diferente

prazos e deveres que lhe são impostos por outros, mas

Tenha em mente duas regras importantes: quando es- é igualmente importante dar atenção à necessidade de colher atividades para relaxar não tenha medo de tentar períodos de descontração solicitados pelo corpo e pela algo novo e diferente, e escolha atividades de que você mente. Donas de casa “incansáveis” ou executivos “semrealmente goste, não atividades que você acha que ou- pre ocupados” devem dar a si mesmos oportunidades tros gostariam que você praticasse.

de ‘ relaxar, se quiserem conservar seu equilíbrio mental

Considere a prática de exercícios como caminhar em períodos estressantes ou de agendas lotadas. nas proximidades de sua casa ou em parques, andar de bicicleta, dançar, nadar, praticar jardinagem, jogar

Assumindo um compromisso pessoal

boliche etc. Para aqueles com maior preparo físico, o

O terceiro e último princípio da arte de relaxar é en-

exercício mais intenso pode ser mais eficiente. Ativi- gajar-se em atividades de relaxamento com entusiasmo dades como correr, jogar tênis, basquete, “handball”, e compromisso pessoal. Envolva-se completamente “squash” etc., podem produzir um agradável efeito re- na atividade escolhida. Solte-se física e mentalmente. laxante, após um treino puxado.

Lembre-se que encontrar técnicas eficazes de relaxa-

Tente técnicas de relaxamento mental para criar a mento pessoal não é meramente um passatempo para sensação de paz e tranquilidade de corpo e espírito. os ricos ociosos. É essencial para o bem-estar físico e Uma das técnicas consiste na contração e relaxamento mental de qualquer um. de sucessivos grupos musculares das pontas dos pés até os músculos da testa e do pescoço. Outras técnicas de

Por Dr. Louis E. Kopolow, médico do National Institute

relaxamento mental incluem mergulhar na leitura de of Mental Health, nos EUA 45


360º po r Guita Feld man Nazista em cemitério judaico

Após essa descoberta, uma grande onda de exploração

Segundo o jornal alemão Bild, a partir de documentos

localizou 18 novos poços, que serão desenvolvidos a um

históricos e entrevista com o professor Johannes Tuchel,

custo de US $ 1,8 bilhões. As estimativas atuais colocam a

do Memorial Resistência Alemã, o líder da Gestapo, a

quantidade de gás natural encontradas nas águas de Israel

polícia secreta da Alemanha Nazista, Heinrich Müller,

em cerca de 950 milhões de metros cúbicos, o suficiente

foi secretamente enterrado em vala comum de um ce-

para uso próprio e para exportação.

mitério judaico em Berlim em 1945. O presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Dieter Graumann, mostrou-se chocado com a revelação. “Um dos nazistas mais sádicos e brutais não deveria ter sido enterrado em um cemitério judaico. A memória das vítimas do regime nazista foram violadas da forma mais grosseira”.

Parceiros As parcerias entre China e Israel têm crescido bastante nas mais diferentes áreas. No início deste ano, atores e equipe de apoio voaram de Pequim a Tel Aviv para fazer o primeiro filme chinês em Israel, filmado em Jerusalém, Tel Aviv e na região do Mar Morto. O Ministério do Turismo, que facilitou as filmagens, prevê que o número de turistas chineses bata o recorde, chegando a 28 mil ainda este ano. Mas os laços entre os dois países vão muito além do turismo. O primeiro-ministro israelense Benjamin Ne-

Israel compra destroyers da Alemanha A Alemanha vendeu dois contratorpedeiros para Israel por um bilhão de euros que serão usados para proteger plataformas de gás natural do país.

tanyahu fez uma viagem de trabalho de cinco dias à China, durante a qual anunciou a criação de equipes conjuntas para estratégias de energias renováveis. Parcerias culturais também estão florescendo. Um

Ilan Lavi, chefe do departamento de planejamento da

exemplo recente é o programa de master-class realizado

Marinha israelense disse ao Jerusalem Post que o novo re-

no último verão no Jerusalem Music Center e voltado

curso de gás offshore seria um alvo claro para os inimigos

para jovens pianistas israelenses e chineses.

de Israel e que, por isso, o Exército teria que aumentar os gastos a fim de se proteger. Em 2009, grandes depósitos de gás natural foram descobertos na zona econômica marítima de Israel e transformaram o panorama econômico e energético de país, que até hoje depende fortemente de importações de energia. 46

A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. Nelson Mandela


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CORAL KAVANÁ Para quem tem experiência em canto. Participe do coral comunitário e de repertório litúrgico da CIP, e cante nos serviços religiosos da entidade. Terças-feiras, das 20h30 às 22h, na CIP somente para associados

Informações e inscrições secretaria@cip.org.br ou 2808.6299

48 Fique por dentro da programação da CIP: cipsp ou www.cip.org.br

Revista da CIP  

Edição de Jan 2014.

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