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6ยบ Cine Kurumin


Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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12 - 16 julho 2017 Salvador (BA) 16 - 20 agosto 2017 Aldeia TupinambĂĄ (BA)

www.cinekurumin.com


Uî Kãnã Pataxí – Na minha aldeia 4

6º Cine Kurumin


Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Sumário pág. 06

Da minha aldeia vejo o mundo

pág. 10

Programação Completa

pág. 14 Mostra Competitiva pág. 17

médias e Longas

pág. 24

Curtas Nacionais

pág. 36

Curtas Internacionais

pág. 43

filmes convidados

pág. 46 Mostra Cinema das Mulheres Indígenas pág. 56 Mostra Nordeste Indígena pág. 64 Mostra Especial Volta Grande do Xingu pág. 68 Rodas e conferência de abertura pág. 69 convidadxs pág. 76 Júri pág. 76 Premiação pág. 77 curadoras Textos pág. 78

Ailton Krenak - Felipe Milanez

pág. 80

Valmir e o Tajy - Bernard Belisário

pág. 84 Memorial Tekoha - Rodrigo Arajeju pág. 86 Aexá va’e jo hete re “O corpo que enxergamos” - Sophia Pinheiro pág. 87 Ficha técnica pág. 88 agradecimentos Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Da minha aldeia vejo o mundo Depois de percorrer aldeias dos povos Tupinambá, Pataxó, Tumbalalá, Kiriri e Yawalapiti e a cidade de Salvador, na Bahia, com mostras de cinema indígena, o Cine Kurumin lança em sua sexta edição a primeira experiência como festival de cinema com temática indígena. Uma mostra competitiva internacional e outras três mostras especiais - Cinema das Mulheres Indígenas, Nordeste Indígena e Volta Grande do Xingu integram nossa programação. Nos filmes apresentados, o público vê imagens de territórios indígenas rodeados pelo agronegócio em infinitos hectares de soja. Imagens de povos ameaçados por hidrelétricas e mineradoras. Imagens que expressam ao mesmo tempo a resistência secular dos povos indígenas. Imagens fortes, em sua estética e política. Imagens de cosmovisões vivas em experiências audiovisuais ritualísticas. 8

Da minha aldeia vejo o mundo é uma provocação e um chamado a ver e ouvir as perspectivas expressas nos filmes indígenas. Filmes realizados por (ou sobre) uma multiplicidade de povos - Guajajara, Pataxó, Juruna/Yudjá, Arara, Guarani Kaiowá, Tapeba, Kayapo, Munduruku, Guarani Mbya, Tupinambá de Olivença, Cree, Krahô, Potiguara, Sapara, Krenak, Tukano, Maxakali, Kwakwaka’wakw, Tapirapé, Ashaninka, Kuikuro, Quechua, Kayapó, Truka, Kalapalo, Pataxó Hã-Hã-Hãe, Fulni-ô, Xavante, Pankararu, Achagua, Xukuru, Shiwiar, Navajo, Inuu, Mapuche, Maya, Anishinaabe, Wayú, Anishinaabe, Innu, Huni Kuin, Ikoots - estão no festival. Esses filmes lembram a afirmação de Ailton Krenak: Quem nos chama de índios, aliás, são os brancos. E o que diz também Daniel Munduruku: Não sou índio e não existem índios no Brasil. O que existem são povos. Eu 6º Cine Kurumin


sou Munduruku. A América Latina tem cerca de 45 milhões de indígenas e há, pelo menos, 250 povos e 180 línguas indígenas no Brasil. O Cine Kurumin abre uma janela para o cinema dos povos indígenas e projeta toda essa diversidade, numa ação de retomada do imaginário. Realizamos uma ocupação intercultural que se propõe a refletir com a experiência audiovisual do cinema dos povos indígenas. A dimensão da questão indígena é planetária. O povo da mercadoria precisa ouvir os povos das florestas. É

de Davi Kopenawa a expressão “povo da mercadoria” para se referir aos brancos, que ele chama de gente de pensamento curto, gente cujo pensamento está cheio de esquecimento e vertigem. Gente que, por manterem a mente cravada em seus próprios rastros, ignoram os dizeres distantes de outras gentes e lugares. Gente que só sonha consigo mesmo. Convidamos todxs a olhar de perto os filmes indígenas e a cosmovisão que atravessa essas imagens. Bem vindxs aos Cine Kurumin - Festival de Cinema Indígena! ck

KOPENAWA, Davi; ALBERT, Bruce. A queda do céu: palavras de um xamã Yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. KRENAK, Ailton; COHN, Sérgio (Org.). Ailton Krenak: Encontros. Rio de Janeiro: Azougue, 2015. MUNDURUKU, Daniel. http://danielmunduruku.blogspot.com.br/. Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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“da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo... / por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer, / porque eu sou do tamanho do que vejo / e não do tamanho da minha altura... / nas cidades a vida é mais pequena / que aqui na minha casa no cimo deste outeiro. / na cidade as grandes casas fecham a vista à chave, / escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu, / tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar, / e tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.” s.d. poemas de alberto caeiro. fernando pessoa.

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tarde

manhã

Programação 12 JULHO quarta-feira

13 JULHO quinta-feira

15h00 [sESSÃO DE ABERTURA] MAW THENG GAARI - Minha Bicicleta dir. Aung Rakhine

15h00 CASA DE LA MUJER INDÍGENA SAN MATEO DEL MAR dir. Shaynna Pidori KWANXWALA THUNDER dir. Sarah Shamash VOZ DAS MULHERES INDÍGENAS dir. Glicéria Tupinambá e Cristiane Pankararu Comentada por Glicéria Tupinambá e Sarah Shamash

16h30 [Mostra Cinema das Mulheres Indígenas] NAVAJO TALKING PICTURE dir. Arlene Bowman NEKA dir. Nmnemiss Mckenzie TRABALHO NA ROÇA dir. Larissa Ye’padiho Duarte Tukano 18h10 [Conferência de Abertura] DA MINHA ALDEIA VEJO O MUNDO com Ailton Krenak (MG)

noite

saladearte cinema do museu Av. Sete de Setembro, 2195 - Corredor da Vitória - Museu Geológico

20h00 OKY - Chuva dir. Werá Alexandre PIRAGUI - A dona dos peixes dir. Luiza Calagian UMA KORI - Agua Valiosa dir. Patricia Albornoz O JABUTI E A ANTA dir. Eliza Capai

Programação

16h30 [Mostra Cinema das Mulheres Indígenas] PUNALKA, EL ALTO BIO BIO dir. Jeannette Paillán LOS HILOS DE LA VIDA DE LAS MUJERES JAGUAR dir. Mujeres Maya Kaqla STILL ALIVE dir. Cherilyn Papatie TERRA NUA dir. Graci Guarani e Alexandre Pankararu 18h10 [roda] AMERÍNDIAS: Cinema das Mulheres Indígena Graciela Guarani (MS), Olinda Muniz (BA), Patrícia Ferreira (RS) e Sueli Maxakali (MG). Mediação Ana Carvalho (PE) 20h00 MINHA VIZINHAdir. Rita Bras CORDILHEIRA DE AMORAII dir. Jamille Fortunato TAEGO ÃWA dir. Marcela Borela e Henrique Borela

14 JULHO sexta-feira

15h00 WASHINA CAINABI Nossa Terra dir. Luis Manjarrés O COMPLEXO dir. Thiago Foresti CREE CODE TALKER dir. Alexandra Lazarowich ÁRVORE DE SANGUE dir. Artur Seidel, Igor Leite e Luciana Guedes 16h30 [Mostra Cinema das Mulheres Indígenas] SER UM SER HUMANO. Episódios: Amor, Esperança, Medo, Sustento e Cultura dir. Leiqui Uriana e Helena Salguero A MOTHER’S DREAM dir. Cheerily Pupate DO NOT TELL dir. Jani Bellefleur-Kaltush NIXPU PIMA, Rito de Passagem Huni kuin dir. Pateani Huni Kuin 18h10 JASY PORÃ - Lua Bela dir. Pavel Tavares TRAÇOS TAPIRAPÉ dir. Vandimar Marques Damas 19h00 MARTÍRIO dir. Vincent Carelli, Tita e Ernesto de Carvalho Comentada por Vincent Carelli

pa l a c e t e d a s a r t e s

tarde

Rua da Graça, nº 284 – Graça

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15h00 [Mostra Nordeste Indígena] TEDYASESE Superamos os Tempos dir. Elvis Ferreira Fulni-ô RETOMAR PARA EXISTIR dir. Olinda Muniz Comentada por Olinda Muniz

15h00 [Mostra Nordeste Indígena] CABOCLO MARCELINO dir. Nidson B. Veloso FOGO DO 51 dir. Kefas Matos 6ºSABER Cine Kurumin ALDEIA DO dir. Marcelo Alves Comentada por Kefas Matos Pataxó


12 - 16 julho 2017 Salvador (BA) 15 JULHO sábado

13h00 FLOR BRILHANTE E AS CICATRIZES DE PEDRA dir. Jade Rainho ITIUMU SURAKA, MUJER PAPAGAYO dir. Clorinda Purrello, Betra Leyva, Comunidad de LLanchamacocha RUNASIMIWAN KAWSAY Living Quechua dir. Christine Mladic J. YAKU CHASKI WAMIKUNA: Mensajeras del Río Curaray dir. Luz Estrello EL SUEÑO DE SONIA dir. Diego Sarmiento 15h00 UÎ KÃNÃ PATAXÍ - Na minha aldeia dir. Edgar Correa Kanaykõ e Guilherme Cury Comentada por Edgar Correa Kanaykô e Guilherme Cury 16h30 MUDANÇA CLIMÁTICA NO XINGU dir. Coletivo Kuikuro de Cinema CUMPLEAÑOS EN EL ARTICO dir. Joaquín Belmonte e Rocío Montes PARA ONDE FORAM AS ANDORINHAS? dir. Mari Correa BELO MONTE - Depois da Inundação dir. Todd Southgate 18h10 [Roda] MINHA ALDEIA É UM MUNDO: Resistências indígenas contemporâneas Giliarde Juruna (PA), Glicéria Tupinambá (BA) e Valdelice Veron (MS) Mediação Ailton Krenak 20h00 AVA MARANGATU dir. Genito G., Valmir G. C., Jhonn Nara G., Jhonatan G., Edina X., Dulcídio G., Sarah B., Joilson B. TEKOHA - SOM DA TERRA dir. Valdelice Veron e Rodrigo Arajeju AVA YVY VERA - A TERRA DO POVO DO RAIO dir. Genito G., Valmir G. C., Jhonn Nara G., Jhonatan G., Edina X., Dulcídio G., Sarah B., Joilson B. Comentada por Valdelice Veron e Genito Gomes

16 JULHO domingo 10h00 A FESTA DOS ENCANTADOS dir. Masanori Ohashy NAHUEL, UNA LEYENDA MAPUCHE dir. Jesús Sánchez KONÃGXEKA: o dilúvio Maxakali dir. Isael Maxakali e Charles Bicalho OSIBA KANGAMUKE Vamos Lá, Criançada dir. Haya Kalapalo, Tauana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini 13h00 UMA CASA, UMA VIDA dir. Rodrigo Soares, Edu Ioschpe, Alexandre Lemos ÍNDIO CIDADÃO? dir. Rodrigo Arajeju Comentada por Valdelice Veron 15h00 ÍNDIOS NO PODER dir. Rodrigo Arajeju LA CANOA de ULISES dir. Diego Fio KARIOKA dir. Takumã Kuikuro POLÍTICA E TRADIÇÃO dir. Marrayuri Kuikuro e Salu Kuikuro Comentada por Marrayuri Kuikuro e Takumã Kuikuro 16h30 CUHKÕNRE JARKUA dir. Cuxy Krahô ARA PYAUdir. Werá Alexandre TEKOWE NHEPYRUN A Origem da Alma dir. Alberto Alvares KAKXOP PIT HÃMKOXUK XOP TE YUMUGAHA Iniciação dos filhos dos espíritos da terra dir. Isael Maxakali 18h10 [Roda] O RITUAL NO CINEMA INDÍGENA Alberto Alvares Guarani (MS), Isael Maxakali (MG) e Werá Alexandre (SP) Mediação Jaborandy Tupinambá 19h00 PREMIAÇÃO

12 - 16 julho 2017 Salvador (BA)

15h00 [Mostra Especial VOLTA 15h00 [Sessão Especial GRANDE DO XINGU] Acessibilidade] A ÚLTIMA VOLTA DO XINGU BICICLETAS DE NHANDERU dir. Kamikia Kisedjê e Wallace N. dir. Patrícia Ferreira e Ariel Ortega O DOS YUDJÁ Festival deREENCONTRO cinema indígena - indigenous int’l film festival dir. Arlete Juruna Comentada por Arlete Juruna

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Programação manhã

16 AGOSTO quarta-feira 9h00 CABOCLO MARCELINO dir. Nildson B. Veloso SURARA - A LUTA PELA TERRA TUPINAMBÁ dir. Veronica Monachini e Thomaz Pedro VOZ DAS MULHERES INDÍGENAS dir. Glicéria Tupinambá e Cristiane Pankararu 11h00 RÁDIO TUPINAMBÁ

ALDEIA TUPINAM B Á Serra do Padeiro - Sul da Bahia

17 AGOSTO quinta-feira 9h00 [MOSTRA NORDESTE INDÍGENA] XEKER JETI Casa dos Ancestrais dir. Clara Facuri, Fernanda Caiado, Luiza Vento A IMPORTÂNCIA E O SIGNIFICADO DAS PINTURAS PATAXÓ dir. Marcelo Bráz Garcia MEMÓRIAS RETOMADAS Cacique Vado dir. João Martinho de Mendonça

18 AGOSTO sexta-feira 9h00 CUHKÕNRE JARKUA dir. Cuxy Krahô KAKXOP PIT HÃMKOXUK XOP TE YUMUGAHA Iniciação dos filhos dos espíritos da terra dir. Isael Maxakali UMA CASA, UMA VIDA dir. Rodrigo Soares, Edu Ioschpe, Alexandre Lemos

11h00 RÁDIO TUPINAMBÁ

noite

tarde

11h00 RÁDIO TUPINAMBÁ 16h00 JASY PORÃ - Lua Bela dir. Pavel Tavares AVA YVY VERA - A TERRA DO POVO DO RAIO dir. Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites

19h00 OSIBA KANGAMUKE Vamos Lá, Criançada dir. Haya Kalapalo, Tauana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini ÍNDIOS CIDADÃO? dir. Rodrigo Arajeju

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16h00 FLOR BRILHANTE E AS CICATRIZES DE PEDRA dir. Jade Rainho MINHA VIZINHA dir. Rita Bras RETOMAR PARA EXISTIR dir. Olinda Muniz CORDILHEIRA DE AMORA II dir. Jamille Fortunato CASA DE LA MUJER INDÍGENA SAN MATEO DEL MAR dir. Shaynna Pidori TEKOHA - SOM DA TERRA dir. Rodrigo Arajeju e Valdelice Veron

19h00 ÁRVORE DE SANGUE dir. Artur Seidel, Igor Leite e Luciana Guedes TAEGO ÃWA dir. Marcela Borela e Henrique Borela

16h00 Sawê Um canto de união dir. Rádio Yandê e Revista Vai da pé PIRAGUI A dona dos peixes dir. Luiza Calagian OKY - Chuva dir. Werá Alexandre BELO MONTE Depois da Inundação dir. Todd Southgate

19h00 ÍNDIOS NO PODER dir. Rodrigo Arajeju UÎ KÃNÃ PATAXÍ Na minha aldeia dir. Edgar Correa Kanaykõ e Guilherme Cury

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16 - 20 agosto 2017 ALDEIA TUPINAMBÁ (BA) 20 AGOSTO domingo

19 AGOSTO sábado 9h00 A FESTA DOS ENCANTADOS dir. Masanori Ohashy NAHUEL, UNA LEYENDA MAPUCHE dir. Jesús Sánchez KONÃGXEKA: O DILÚVIO MAXAKALI dir. Isael Maxakali e Charles Bicalho

10h00 FEIRA DE SEMENTES + ESPALHA SEMENTE 10 anos

11h00 RÁDIO TUPINAMBÁ

16h00 KARIOKA dir. Takumã Kuikuro POLÍTICA E TRADIÇÃO dir. Marrayuri Kuikuro e Salu Kuikuro AVA MARANGATU dir. Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites TEKOWE NHEPYRUN A Origem da Alma dir. Alberto Alvares

19h00 O COMPLEXO dir. Thiago Forest O JABUTI E A ANTA dir. Eliza Capai

16h00 MARTÍRIO dir. Vincent Carelli, Tita e Ernesto de Carvalho

19h00 PREMIAÇÃO

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Mostra Competitiva p. 17 mÊdias E Longas p.24 Curtas Nacionais p.36 Curtas Internacionais Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Mostra Competitiva curadoria aline frey, naine terena e thaís brito

A curadoria da sexta edição do Cine Kurumin - Festival de Cinema Indígena selecionou um conjunto de filmes com diferentes cosmovisões indígenas e debates em torno de questões fundamentais da contemporaneidade, como a crise ambiental. Espremidos entre mineradoras, hidrelétricas, latifúndios de soja e fazendas de gado, povos indígenas acenam para outros modelos de interação/relação com o mundo e refletem isso em suas imagens. Recebemos, no total, 155 inscrições de produções audiovisuais com temática indígena, originárias do Brasil e de países das Américas, Ásia e Europa. Depois da incrível experiência de assistir a todos esses filmes e da árdua tarefa de realizar escolhas, apresentamos as produções selecionadas para o Cine Kurumin. Temos a imensa satisfação em compartilhar esse conjunto de obras sobre os povos 18

indígenas, englobando mais de trinta línguas, oriundas do universo de 45 povos indígenas, de dez países diferentes. Um viva à diversidade! E um chamado para ver e ouvir o que esses povos têm a dizer! No processo seletivo, reunimos filmes sobre diversos povos e países, buscando priorizar realizações de cineastas indígenas, de diretoras mulheres e obras que tecem diálogos com o tema principal do festival esse ano: Da minha aldeia vejo o mundo, uma referência à cosmovisão indígena e seu olhar sobre os desafios do mundo contemporâneo. São filmes sobre os impactos socioambientais que grandes obras têm gerado para comunidades tradicionais, afetando suas terras e suas águas, até temáticas sobre o universo das crianças indígenas, o empoderamento feminino, os saberes cosmológicos e ritualísticos, as histórias de resiliência, as inúmeras lutas de resistência e as aprendizagens afetivas no cotidiano. ck 6º Cine Kurumin


Mostra Competitiva médias e longas

Ava Yvy Vera – A Terra do Povo do Raio

Belo Monte – Depois da Inundação

Guarani Kaiowá, Brasil | doc | 51 min | 2016

Juruna, Kayapo, Munduruku, Brasil doc | 53 min | 2016

dir. Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites “Aqui é o coração da terra. Estamos lutando pelo coração da terra, este território. Não lutamos só por esse pedaço, mas por todos os territórios do coração da terra. Esse é o nosso lugar. Nós Ava somos descendentes do coração da terra” (Valdomiro Flores, Tekoha Guaiviry, 2014).

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dir. Todd Southgate A luta contra a construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo no coração da Amazônia Brasileira acabou. A barragem foi construída, a floresta inundada e agora a cidade e os grupos indígenas têm que aprender a conviver com as consequências de promessas não cumpridas, um progresso que nunca chegou e um futuro incerto.

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Mostra Competitiva

Índio Cidadão? Kaiowá, Krenak, Tukano, Kaiapo, Guanabara, Truka, entre outras Nações representadas no Movimento Indígena, Brasil doc | 52 min | 2014

dir. Rodrigo Arajeju A União das Nações Indígenas, em ato de desobediência civil contra a tutela do Estado, coordena movimento político de participação popular na Constituinte (1987/88). Vinte e cinco anos depois, o Movimento Indígena ocupa o Plenário da Câmara dos Deputados e realiza Mobilização Nacional em Defesa dos Direitos Constitucionais ameaçados pelo próprio Congresso Nacional. A Nação Kaiowá e Guarani, alheia ao Direito e à Justiça, revela a narrativa testemunhal do genocídio indígena em marcha no estado do Mato Grosso do Sul.

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KAKXOP PIT HÃMKOXUK XOP TE YUMUGAHA – Iniciação dos filhos dos espíritos da terra Maxakali, Brasil | doc | 40 min | 2015

dir. Isael Maxakali Os meninos da Aldeia Verde Tikmu`un (Maxakali) são iniciados pelos espíritos que vivem na terra. A partir de agora, eles poderão frequentar o Kuxex (casa de religião), conviver, alimentar e aprender com os Yãmiyxop.

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médias e longas

Martírio Guarani Kaiowá, Brasil | doc | 162 min | 2016

dir. Vincent Carelli, com codireção de Tita e Ernesto de Carvalho A grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá através das filmagens de Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado pelos relatos de sucessivos massacres, Carelli busca as origens deste genocídio, um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.

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MAW THENG GAARI – MINHA BICILETA Bangladesh | Ficção | 61 min | 2015

dir. Aung Rakhine Set in a typical peri-urban tribal village My Bicycle is the first feature film to be made in an indigenous language in Bangladesh.

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Mostra Competitiva

O jabuti e a anta

Taego Ãwa

Munduruku, Ashaninka, Brasil

Ava Canoeiro, Brasil | doc | 75 min | 2016

doc | 70 min | 2016

dir. Marcela Borela e Henrique Borela dir. Eliza Capai A seca em São Paulo é o ponto de partida da viagem. Inquieta com as imagens dos reservatórios vazios no sudeste do Brasil, uma documentarista busca entender estas obras faraônicas, agora construídas no meio da floresta Amazônica. Entre os rios Xingu, Tapajós e Ene, ecoam vozes de ribeirinhos, pescadores e povos indígenas atropelados pela chegada do chamado desenvolvimento. Um boat movie e uma reflexão sobre os impactos de nossos estilos de vida.

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Cinco fitas VHS encontradas no armário de uma faculdade disparam o desejo desse filme. Anos depois, munidos de mais registros, vamos ao encontro dos Ãwa na Ilha do Bananal. Levamos conosco a memória do desterro ao qual foi exposto o povo Tupi que mais resistiu à colonização no Brasil Central. As imagens foram vistas, sentidas e mais imagens surgiram desse encontro em meio à luta por Taego Ãwa.

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médias e longas

Tekowe Nhepyrun – A Origem da Alma

Uî Kãnã Pataxí – Na minha aldeia

Garani Ñandeva, Brasil | doc | 50 min | 2015

Pataxó, brasil | doc | 68 min | 2016

dir. Alberto Alvares

dir. Edgar Correa Kanaykõ e Guilherme Cury

Para nós Guarani, a alma é a conexão entre o corpo e o espírito. O documentário “A Origem da alma” apresenta o depoimento dos mais velhos da aldeia Yhowy, Guaira, Paraná, compartilhando conhecimentos sobre a origem do modo de ser Guarani.

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O filme nos dá a possibilidade de conhecer um pouco da vida e cultura do povo Pataxó da aldeia Imbiruçu, município de Carmésia (MG). Quem conduz o filme para as histórias do passado é o Cacique Romildo da Conceição e sua mãe, a matriarca e sábia, Dona Rosa; elxs contam sobre o início da aldeia Imbiruçu e sobre o criador do povo Pataxó, Txopai.

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FLOR BRILHANTE E AS CICATRIZES DE PEDRA 24

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Mostra Competitiva

A FESTA DOS ENCANTADOS

ÁRVORE DE SANGUE

Guajajara, Brasil | Animação | 13 min | 2016

Brasil | doc | 21 min | 2016

dir. Masanori Ohashy

dir. Artur Seidel, Igor Leite e Luciana Guedes

A história de como um índio Guajajara, que procurava pelo irmão perdido, encontrou um mundo subterrâneo, habitado por seres encantados e ali permaneceu até aprender todos os rituais e cânticos de várias celebrações, sendo a Festa do Mel a mais importante delas. Com saudade da família, voltou para seu povo e passou a contar as histórias e a ensinar, na sua aldeia de origem, tudo o que havia aprendido como encantados. Antes disso, de acordo com a lenda, os Guajajara não realizavam festas.

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Uma árvore morta pintada de vermelho, enfiada na terra com as raízes para cima. Documentário sobre o I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (Palmas-TO).

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curtas nacionais

AVA MARANGATU

CORDILHEIRA DE AMORA II

Guarani Kaiowá, Brasil | Ficção | 14 min | 2016

Guarani Kaiowá, Amambai, BRASIL DOC | 12 min | 2016

dir. Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabreira, Jhonn Nara Gomes, Jhonatan Gomes, Edina Ximenez, Dulcídio Gomes, Sarah Brites, Joilson Brites No Guaiviry, terra tradicional Guarani e Kaiowá, dois jovens saem para caçar no resto de mata que ainda permanece.

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dir. Jamille Fortunato Na Aldeia Amambai, no Mato Grosso do Sul, fronteira do Brasil com o Paraguai, vive uma índia Guarani Kaiowá, Cariane Martines de 9 anos. Lá, ela transforma seu quintal num experimento do mundo. Cria histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos. “Cordilheira de Amora II” é um documentário espontâneo, filmado com celular.

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Mostra Competitiva

CUHKÕNRE JARKUA Krahô, Brasil | DOC | 14 min | 2016

dir. Cuxy Krahô A língua da cabacinha: conta a história de um instrumento sagrado relacionado com a origem e as práticas do povo Krahô. O canto da cabacinha (cuhkõnre) é sagrado e apresenta uma linguagem própria, que a penas alguns Krahô conseguem interpretar. A cabacinha faz parte de uma rede de instrumentos que se comunicam. O documentário foi feito na aldeia Manoel Alves pelos Krahô.

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FLOR BRILHANTE E AS CICATRIZES DE PEDRA Guarani Kaiowá, Brasil | doc | 30 min | 2016

dir. Jade Rainho Flor Brilhante é a matriarca de uma família indígena de rezadores Guarani-Kaiowá que vive na reserva de Dourados-MS, Brasil. Lá, cerceados de seu modo de viver originário, tentam sobreviver preservando conhecimentos e hábitos da cultura dos antigos, enquanto convivem com os efeitos e mazelas causados pelas explosões contínuas de uma usina de asfalto, que dinamita e explora uma pedra sagrada no território da aldeia há mais de 40 anos.

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curtas nacionais

ÍNDIOS NO PODER

KARIOKA

Guarani Kaiowá, Xavante, Krenak, Tukano,

Kuikuro, BRASIL | DOC | 20 min | 2014

Guanabara e Truká, Brasil | DOC | 21 min | 2015

dir. Takumã Kuikuro dir. Rodrigo Arajeju Mario Juruna, único índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso Nacional desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem golpes da Bancada Ruralista aos seus direitos constitucionais. O cacique Ládio Veron, filho de liderança Kaiowá Guarani executada na luta pela terra, lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças do Agronegócio. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é “Terra, Vida, Justiça e Demarcação”.

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Takumã Kuikuro sai de sua aldeia localizada no Alto-Xingu, Mato Grosso, com sua mulher, Kisuagu Regina Kuikuro, e o filhos Kelly Kaitsu, Ahuseti Larissa e Mayupi Bernardo Kuikuro, para morar um período no Rio de janeiro. O filme mostra Bernardo Mayupi Kuikuro, de 2 anos de idade, descobrindo a praia e outros lugares da cidade grande. Eles fazem muitas coisas, tudo é novidade e, enquanto eles vivem essa experiência, a parte da família que fica na aldeia tem medo, porque as notícias do Rio de Janeiro nem sempre são boas, o que causa preocupação e inquietude. Um retrato dos contrastes brasileiros entre o imaginário da tribo e a realidade de uma metrópole.

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Mostra Competitiva

KONÃGXEKA – O DILÚVIO MAXAKALI Maxakali, Brasil | Animação | 15 min | 2016

dir. Isael Maxakali e Charles Bicalho Konãgxeka na língua indígena maxakali quer dizer “água grande”. Trata-se da versão maxakali da história do dilúvio. Como um castigo, por causa do egoísmo e da ganância dos homens, os espíritos yãmîy enviam a “grande água”. Um dos diretores é representante do povo indígena Maxakali, de Minas Gerais. Filme falado em língua Maxakali, com legenda. O argumento do filme é o mito diluviano do povo Maxakali e as ilustrações foram feitas por indígenas Maxakali, durante oficina realizada na Aldeia Verde Maxakali, no município de Ladainha, Minas Gerais.

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MINHA VIZINHA Brasil/Portugal | doc | 12 min | 2014

dir. Rita Bras Guarassuy é minha vizinha na Rua da Relação onde moro no Rio de Janeiro. Nascida numa aldeia Arawak, perto da fronteira com a Venezuela, ela contou-me que foi trazida para a cidade pelos famosos antropólogos Villas-Boas quando era ainda menina. Este filme estabelece um paralelo entre a sua trajetória e o projeto de expansão do território, iniciado por Getúlio Vargas no século XX.

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curtas nacionais

O COMPLEXO

OKY - Chuva

Munduruku, Brasil | DOC | 26 min | 2016

Guarani Mbya, BRASIL | DOC | 3 min | 2016

dir. Thiago Foresti

dir. Werá Alexandre

Construído em solo sagrado indígena, o complexo hidrelétrico Teles Pires resulta em impactos ambientais na bacia do Alto Tapajós, localizada nos estados do Pará e do Mato Grosso. O documentário revela os vícios do licenciamento, dos estudos ambientais e das compensações das obras mais caras do Brasil. O complexo reúne quatro grandes usinas hidrelétricas. A Amazônia e o Cerrado sofrem os efeitos negativos das hidrelétricas na água, na fauna e na flora. Os movimentos sociais e os atingidos pelas barragens são silenciados, enquanto os povos indígenas sentem no corpo a violência do Estado quando tentam proteger suas terras.

Oky (chuva), no conhecimento guarani, chuva tem dois sentidos, como é um ato de um dos deuses respeitamos.

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Mostra Competitiva

OSIBA KANGAMUKE – Vamos Lá, Criançada

PIRAGUI – A dona dos peixes

Kalapalo, Brasil | DOC | 20 min | 2016

Guarani Mbya, BRASIL | doc | 21 min | 2016

dir. Haya Kalapalo, Tauana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini

dir. Luiza Calagian

As crianças da aldeia Aiha Kalapalo, do Parque Indígena do Alto Xingu (MT), são as protagonistas desse filme e escolheram mostrar alguns aspectos da sua rotina, da sua cultura e da íntima relação com a natureza. Da escola, onde aprendem o português até os rituais e a luta ikindene, os pequenos Kalapalo demonstram uma sutileza peculiar de quem conhece suas tradições. Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada é resultado de uma oficina de vídeo realizada com as crianças na aldeia, em julho de 2015. Assim, elas participam não só da atuação, mas também em todo o processo de filmagem. O filme é uma produção conjunta entre pesquisadores, cineastas indígenas e não indígenas.

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O filme, realizado em parceria com um grupo de jovens mulheres da aldeia Tenonde Porã, em São Paulo, mistura encenação de mito e documentário numa narrativa em torno da figura da Piragui, dona dos peixes segundo a tradição Guarani Mbya.

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curtas nacionais

POLÍTICA E TRADIÇÃO

RETOMAR PARA EXISTIR

Kuikuro, Brasil | DOC | 10 min | 2017

Pataxó Hã-Hã-Hãe, BRASIL | DOC | 20 min | 2015

dir. Marrayuri Kuikuro e Salu Kuikuro

dir. Olinda Muniz

O coletivo Kuikuro de cinema evidencia a luta das lideranças de seu povo para perpetuar a cultura e tradição a uma juventude que se distancia de seus costumes.

O documentário descreve a história do cacique Nailton Pataxó enquanto líder, e sua luta para conquistar o território do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe.

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Mostra Competitiva

TEKOHA – SOM DA TERRA

TRAÇOS TAPIRAPÉ

Guarani Kaiowá, Brasil | DOC | 20 min | 2017

Tapirapé, BRASIL | doc | 27 min | 2016

dir. Valdelice Veron e Rodrigo Arajeju

dir. Vandimar Marques Damas

Nossas mães lideram a retomada do Tekoha Takuara pelo nosso modo de ser e viver. A luta e o luto do Povo Guarani Kaiowá no estado do Mato Grosso do Sul, Brasil.

Traços Tapirapé remete tanto aos traços, às linhas dos motivos das pinturas corporais, quanto à cosmologia do povo indígena Tapirapé de língua Tupi, que habita o noroeste do estado do Mato Grosso. O filme contém relatos dos Tapirapé sobre a relação entre as festas, a comida, a ornamentação corporal e o xamanismo. O ato de pintar e enfeitar o corpo é também uma forma de metamorfose corporal, semelhantemente ao ato de transformar em onça, peixe ou pássaro praticado pelo Xamã Tapirapé.

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curtas nacionais

UMA CASA, UMA VIDA Xavante, Brasil | DOC | 23 min | 2014

dir. Rodrigo Soares, Edu Ioschpe e Alexandre Lemos Filme realizado pelos jovens Xavante em parceria com o coletivo Raiz das Imagens, com o objetivo de mostrar a importância da casa tradicional dentro da cultura indígena, propondo uma alternativa sustentável que respeite a cultura destas comunidades tradicionais.

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VOZ DAS MULHERES INDÍGENAS Tupinambá, Pankararu, BRASIL DOC | 17 min | 2015

dir. Glicéria Tupinambá e Cristiane Pankararu O documentário reúne depoimentos de mulheres indígenas da Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas acerca de suas trajetórias no movimento indígena.

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JASY PORÃ – Lua Bela 36

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Mostra Competitiva

CASA DE LA MUJER INDÍGENA SAN MATEO DEL MAR Ikoots, México | DOC | 17 min | 2014

dir. Shaynna Pidori Hay que ver la dedicación de las mujeres indígenas Ikoots que trabajan en la Casa de la Mujer Indígena de San Mateo del Mar para entender el porque las mujeres embarazadas deciden ser atendidas por parteras en lugar de médicos.

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CREE CODE TALKER

Cree Lubicon Lake First Nation, Canadá doc | 14 min | 2016

dir. Alexandra Lazarowich A story that brings hidden history that haunts the Canadian landscape. As Canadian law criminalized indigenous languages, Cree was being used in war to save lives. A mixture of interviews, rare audio, archival documents, war footage, and a brother’s memories.

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curtas internacionais

CUMPLEAÑOS EN EL ARTICO

EL SUEÑO DE SONIA

Esquimales, Espanha | Ficção | 5 min | 2016

Quechua, Peru | DOC | 14 min | 2015

dir. Joaquín Belmonte e Rocío Montes

dir. Diego Sarmiento

Un joven acompaña a su madre el día de su cumpleaños, ella recuerda emotivamente como era su infancia. Su hijo le hace ver que la realidad que viven hoy es bien distinta.

Sonia Mamani vive en Capachica, una península del Lago Titicaca (Puno, Perú). Ella aprendió a cocinar a los quince años y desde entonces viaja y enseña a cocinar a otras mujeres con platos tradicionales, revalorizando sus costumbres e identidad.

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Mostra Competitiva

ITIUMU SURAKA, MUJER PAPAGAYO Sapara, Equador | DOC | 22 min | 2014

dir. Clorinda Purrello, Betra Leyva, Comunidad de LLanchamacocha Este documental participativo hecho por mujeres saparas de la Amazonía ecuatoriana cuenta su cosmovisión, modo de vida y preocupaciones frente al proyecto de explotación petrolera, planteada por el gobierno, que afectara su territorio ancestral. Itiumu suraka (mujer papagayo) es un canto a la defensa del territorio: como los papagayos vuelan de loma en loma mirando todo desde arriba, así mismo las mujeres estarán atentas frente a cualquiera amenaza.

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JASY PORÃ – Lua Bela Guarani Mbya, Argentina | doc | 26 min | 2014

dir. Pavel Tavares A vida cotidiana da aldeia Mbya Guarani Jasy Porã (Lua Bela), na que suas crianças, quais são parte de um coro, mostram uma sabedoria intrínseca do viver em harmonia e serenidade com o ambiente, com simplicidade e beleza em cada instante do dia, ainda sob dificuldades e contrastes sociais. A temporalidade, o ciclo diário, a musicalidade da selva e dos homens em simbiose. Karaí, Monica, Mabel, Frederic, Santos Divino e seus irmãos nos convidam a conhecer seu modo de sentir e ser na floresta de Iguazú, Misiones, Argentina.

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curtas internacionais

KWANXWALA – THUNDER

LA CANOA DE ULISES

Kwakwaka’wakw, Canadá | doc | 28 min | 2017

Guarani, Argentina | DOC | 15 min | 2016

dir. Sarah Shamash

dir. Diego Fio

Shot over the period of several years (2009-2015), this creative documentary blends multiple formats from S8, HD video, archival footage, and stills to create a portrait of Alert Bay through women’s soccer. The film’s impressionistic approach takes us through the history of soccer on the island while highlighting multiple generations of women soccer players.

Itaeté y Ulises, un anciano y un adolescente Guaraní, están internados en el monte construyendo una canoa. Itaeté trata de inculcarle su legado tradicional, pero el muchacho no está interesado. Su verdadera vocación es la música. Ulises es Rapero.

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Mostra Competitiva

NAHUEL, UNA LEYENDA MAPUCHE

RUNASIMIWAN KAWSAY – Living Quechua

Mapuche, Chile | Animação | 23 min | 2015

Quechua, Peru | doc | 18 min | 2014

dir. Jesús Sánchez

dir. Christine Mladic Janney

Un joven mapuche escapa por su vida luego de una batalla contra los huincas. Perdido en tierras desconocidas se encuentra con un Nahuel (Jaguar) el cual siente compasión y decide llevarlo de vuelta a su aldea, evitando encontrarse con un peligroso Toro.

Elva Ambía Rebatta’s first language is Quechua, but when she left her town in Peru as a young woman to find work in the United States, speaking Spanish and English became critical for her to survive. While Quechua—a language indigenous to South America—continues to be spoken around the world as a result of such migration stories, UNESCO and other initiatives recognize it as an endangered language. Now in her seventies, Elva decides to help cultivate a Quechua-speaking community in New York City. “Runasimiwan Kawsay” follows Elva through the challenges and successes of trying to keep Quechua alive.

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curtas internacionais

UMA KORI - Agua Valiosa Chile | doc | 5 min | 2017

dir. Patricia Albornoz Lourdes es una madre de familia que debe luchar a su corta edad por sus hijos, es viuda y vive en una comunidad donde no cuentan con un recurso tan básico como el agua potable.

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WASHINA CAINABI – Nossa Terra Achagua, Colômbia | DOC | 11 min | 2016

dir. Luis Manjarrés La comunidad indígena Achagua levanta sus voces en opinión y petición frente al actual acuerdo de paz que se desarrolla en Colombia, tras conocer su cultura, raíces y creencias este resguardo ubicado en el departamento del Meta nos dejará un punto de reflexión ante el respeto por la tierra, la vida y la paz.

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Mostra Competitiva

curtas internacionais

YAKU CHASKI WAMIKUNA – Mensajeras del Río Curaray Kichwa amazónico/Shiwiar, EQUador doc | 13 min | 2016

dir. Luz Estrello En la Amazonía, mujeres de diferentes nacionalidades indígenas se propone detener la ampliación de la frontera petrolera anunciada por el gobierno de Ecuador y el capital trasnacional. Desde que supieron que la vida de la selva y de sus habitantes está en peligro, estas mujeres han hecho reuniones públicas, foros y manifestaciones, expresando su descontento. Incluso caminaron cientos de kilómetros desde sus territorios hasta Quito, la capital del país. Pero, ante los

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oídos sordos de las autoridades de su país, han decidido seguir el cauce natural de sus ríos, y llevar el mensaje defensor a las propias comunidades amazónicas. A este recorrido le han llamado Yakuchaski Warmikuna, una travesía por la selva ecuatoriana; un viaje femenino y valiente, en defensa de la naturaleza y de los derechos de las mujeres.

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Filmes Convidados

ARA PYAU Guarani Mbya, brasil | doc | 2 min | 2016

dir. Werá Alexandre É tempo novo Guarani, tudo se renova. Fazemos o que Nhanderu Kuery (deuses) fazem ou pelos menos tentamos retribuir com as práticas que nos deixaram para fazer. No entanto, no Ara Pyau fazemos com mais frequência as danças, cânticos, xondaro e outras práticas.

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MUDANÇA CLIMÁTICA NO XINGU Kuikuro, Brasil | doc | 3 min | 2017

dir. Coletivo Kuikuro de Cinema Como os kuikuro percebem a mudança no clima.

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PARA ONDE FORAM AS ANDORINHAS?

SAWÊ – UM CANTO DE UNIÃO Tupinambá Hã-hã-hãe, Tupinambá Olivença

brasil | doc | 22 min | 2016

e Baniwa, Brasil | DOC | 8 min | 2016

dir. Mari Correa

dir. Rádio Yandê e Revista Vai da pé

O filme capta de forma sensível e explícita como os povos habitantes do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sofrendo cotidianamente os impactos das mudanças climáticas, do intenso uso de agrotóxicos e do desmatamento desenfreado.

“Sawê - um canto de união” é um curtametragem documental sobre os ataques aos povos indígenas que habitam as margens do Rio Juruena. O trabalho foi coproduzido pela Revista Vaidapé e a Rádio Yandê durante o III Festival Juruena Vivo, realizado em Juara, no norte do Mato Grosso, na Amazônia Legal.

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Filmes Convidados

SURARA – A LUTA PELA TERRA TUPINAMBÁ Tupinambá, brasil | doc | 18 min | 2017

dir. Veronica Monachini e Thomaz Pedro Em janeiro de 2017, os Tupinambás da região do baixo Tapajós abrem uma nova picada no meio da mata para realizar a autodemarcação das suas terras. Partindo da aldeia de Cabeceira do Amorim, essa é mais uma etapa do processo de luta desse povo pela garantia do seu território. Tendo esse episódio como pano de fundo, o documentário discute a relação desses indígenas com a terra, com os Encantados e com o processo de reconhecimento desse povo como uma etnia.

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Mostra Cinema das Mulheres Indígenas Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Mostra Cinema das Mulheres Indígenas curadoria ana carvalho*

Cinema das Mulheres Indígenas apresenta um breve recorte da produção audiovisual contemporânea realizada por mulheres indígenas no continente americano. A mostra propõe uma deriva por este cinema, atravessando países, tempos e contextos diversos de criação e produção audiovisual. Nossa proposta é promover uma reflexão sobre as formas e temas que compõem e motivam essas realizações, buscando a singularidade de cada obra, seus contextos de produção e os universos que revelam.

sessões, apresentamos onze filmes realizados por diferentes cineastas e coletivos do Brasil, México, Guatemala, Estados Unidos, Canadá, Chile e Venezuela. São filmes que, na sua singularidade, evidenciam escolhas, conflitos, impasses, expressões e pensamentos na perspectiva de mulheres indígenas diante e atrás das câmeras. Um cinema atravessado pela subjetividade e pelo posicionamento político, histórico, ético e afetivo de cada uma das realizadoras que compõe a mostra.

A mostra, embora limitada em seu número de filmes (produções importantes e que nos movimentaram e motivaram reflexões durante a pesquisa ficaram de fora neste primeiro recorte), revela um corpo diverso de obras, desde curtas experimentais, passando por animações, séries para TVs e realizações coletivas, até produções fundamentais na tradição do cinema ameríndio. Divididos em três

Diante do apagamento das vozes, corpos e olhares dessas mulheres (e de suas comunidades, cosmologias e territórios), estes filmes restituem e reinventam seus lugares no mundo e nos solicitam um posicionamento. É, pois, ao lado delas que nos posicionamos, com a mesma determinação, dor e alegria com que confrontam suas histórias e origens, reencontram seus filhos e parentes, pre-

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servam e fundam novas tradições; com a mesma coragem com que resistem à violência e ao silenciamento em suas próprias comunidades e aos ataques sistemáticos do Estado e dos interesses anti-indígenas em seus territórios; com o mesmo vigor e inquietude com que criam, afinal, seus filmes e com eles resistem e agem sobre o mundo. Não poderíamos deixar de agradecer a colaboração de pesquisadorxs, curadorxs e militantes do cinema indígena. Pelo trabalho dedicado e atento agradecemos à Júnia Torres, Carla Italiano, Layla Caroline, Amália Córdova, Helena Salguero, Júlia Bernstein, Pedro Portella, Rodrigo Arajeju, Davi Hernandez Palmar e Esteban Awki. ck *Ana Carvalho é realizadora, fotógrafa e pesquisadora. Integra a equipe do Vídeo nas Aldeias, onde trabalha na coordenação e desenvolvimento de projetos, na realização de filmes e nas oficinas de formação audiovisual junto a povos indígenas em todo o país. Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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A mother’s dream

Do not Tell

Anishnabe, Canadá | DOC | 6 min | 2007

Innu, Canadá | doc | 6 min | 2009

dir. Cheerily Pupate

dir. Jani Bellefleur-Kaltush

A mother goes to Val d’Or with her kokom, to pick up her children at the foster family and take them to the fair.

A rumour is like a knife. It can cut in places which will hurt.

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Mostra Cinema das Mulheres Indígenas

Los hilos de la vida de las mujeres jaguar Maya, Guatemala/México | doc | 21 min | 2014

dir. Mujeres Maya Kaqla As diferentes facetas da violência é um dos fios que tecem a vida das mulheres maias. Marcou as cores e os desenhos de suas vidas, mas a intensidade da energia feminina (Ix, jaguar) as deu força e sabedoria para seguir vivendo e apagar as páginas escritas. É preciso eliminar a violência como uma das tramas históricas da vida dessas mulheres, é preciso apagá-la para que as mulheres, as novas gerações, os povos e a humanidade tenham plenitude.

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Navajo Talking Picture Navajo, Estados Unidos | DOC | 40 min | 1986

dir. Arlene Bowman Um filme sobre o fazer fílmico. Uma realizadora indígena buscar redescobrir sua própria herança cultural filmando a vida de sua avó, Ann Ruth Biah. Apesar de ser uma realizadora Dine (Navajo), ela continua uma estranha na Reserva, pois está separada do povo Dine pela sua inabilidade em falar a língua e resolver os impasses oferecidos pelas câmera e pela falha de comunicação. Ao fim, a neta percebe a ruptura entre pessoas que estão separadas pela cultura e pela geografia.

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Neka Inuu, Canadá | Animação | 5 min | 2015

dir. Nmnemiss Mckenzie Num papel, amassado pelo tempo, uma jovem faz um tributo a sua mãe.

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Nixpu Pima, rito de passagem Huni kuin Huni Kuin, Brasil | doc | 37 min | 2015

dir. Pateani Huni Kuin Incentivada pelo pai, Pãteani Huni Kuin torna-se a única cineasta de sua aldeia. Ela o observa realizar suas pesquisas, entrevistar os mais velhos e planejar a festa de batismo tradicional Hunikui.

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Mostra Cinema das Mulheres Indígenas

Punalka, el alto Bio Bio Mapuche, Chile | doc | 26 min | 1995

dir. Jeannette Paillán O filme revela o ponto de vista do povo Mapuche que habita o vale do rio Biobio, no Chile, tendo como foco a ameaça que representa a construção de uma represa hidroelétrica sobre a forma de vida dos Mapuche.

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Ser um ser humano Episódios: Amor, Esperança, Medo, Sustento e Cultura Wayuu, Venezuela | DOC | 40 min | 2011

dir. Leiqui Uriana e Helena Salguero Série documental com seis capítulos e produzida por sete escolas de cinema, ao redor do mundo.

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Still Alive

Terra Nua

Anishnabe, Canadá | doc | 6 min | 2008

Pankararu, Brasil | doc | 20 min | 2014

dir. Cherilyn Papatie

dir. Graci Guarani e Alexandre Pankararu

Planters of trees, planters of hope. A moving parallel with Aboriginal people and their tenacity.

Relato histórico sobre a cultura Pankararu, Terra Nua aborda sua situação hoje, comparando-a com a anterior, e apresenta uma visão sobre sua cultura agrícola em futuro próximo, por meio do levantamento de problemáticas e possíveis soluções.

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Mostra Cinema das Mulheres Indígenas

Wehsé Darasé – Trabalho na roça Tukano, Brasil | doc | 24 min | 2016

dir. Larissa Ye’padiho Duarte Tukano O filme mostra o universo do sistema agrícola tradicional no Rio Negro sob os olhos de uma jovem Tukano, Larissa, que se constrói a partir de suas reflexões sobre a relação com os antepassados, como a tia-avó. Aborda, ainda, a importância dos saberes da roça e leva o espectador a refletir sobre a relação entre gerações.

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Mostra Nordeste Indígena Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Mostra Nordeste Indígena A Mostra Nordeste Indígena apresenta uma seleção de filmes sobre os povos Pataxó (BA), Pataxó Hã-Hã-Hãe (BA), Fulni-ô (AL), Kiriri (BA), Tupinambá (BA), Tapeba (CE) e Xukuru (PE). Os filmes representam uma pequena amostra da realidade de algumas das mais de 50 aldeias que existem na região. São convidados como debatedores os realizadores indígenas Kefas Matos (Pataxó), Olinda Muniz (Pataxó Hã-HãHãe) e Glicéria Tupinambá (Tupinambá).ck

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Mostra Nordeste Indígena

A IMPORTÂNCIA E O SIGNIFICADO DAS PINTURAS PATAXÓ Pataxó, Bahia | doc | 8 min | 2013

dir. Marcelo Bráz Garcia Documentário com fins educacionais das Pinturas Pataxó como registro históricocultural da etnia. Realizado em parceria com os professores e lideranças da Aldeia Velha Pataxó e o Empreendimento de Economia Solidária Colibri, em outubro de 2013, em Arraial d’Ajuda (Porto Seguro/BA).

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ALDEIA DO SABER Tapeba, Ceará | DOC | 25 min | 2016

dir. Marcelo Alves Aldeia do Saber mostra a história da Escola dos Tapeba, localizada em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Criada nos anos 90 pelos Tapeba, embaixo de um cajueiro, a escola cresceu nas duas décadas de existência. Hoje, tem sede própria, oferece educação infantil, ensino fundamental e médio, tudo com o desafio e a luta de preservar os costumes indígenas em parceria com a educação.

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CABOCLO MARCELINO

FOGO DO 51

Tupinambá, Bahia | Ficção | 11 min | 2014

Pataxó, Bahia | Ficção | 6 min | 2016

dir. Nildson B. Veloso

dir. Kefas Matos

A história de um herói para as populações indígenas da Bahia, baseada em fatos reais, extraídos da memória dos anciãos, em contraste com as manchetes dos jornais da década de 1930, que anunciavam a prisão de um foragido. Assim, para a elite da região cacaueira de então, o Caboclo Marcellino era um bandido. Já para os Tupinambá, ele lutava pelo direito dos populações indígenas às terras ocupadas, luta essa que ainda continua. Por ser o único indígena que sabia ler e escrever, Marcellino era mesmo uma pedra no sapato dos coronéis, que não sossegaram enquanto não lhe deram sumiço. Até hoje ninguém sabe do seu paradeiro, mas ele continua vivo na memória de seu povo.

Esse curta-metragem é contado como um conto de um ancião para seu neto dentro de uma oca. Baseado em fatos reais, um acontecimento realizado na Aldeia Pataxó de Barra Velha no ano de 1951, onde duas pessoas trazidas pelas lideranças indígenas da época, com o objetivo de demarcar as terras indígenas, queriam utilizar as terras para interesses pessoais. Esse fato rendeu uma falha na comunicação das polícias da região, que entraram dentro da aldeia, causando um verdadeiro massacre.

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Mostra Nordeste Indígena

MEMÓRIAS RETOMADAS – Cacique Vado Potiguara, Paraíba | doc | 23 min | 2015

dir. João Martinho de Mendonça Há mais de 400 anos os Potiguara têm desenvolvido contatos, conflitos e alianças com os “brancos” que chegaram de outras terras. Neste vídeo, índios das aldeias de Monte-Mór e do Alto do Tambá, nas cidades de Rio Tinto e Baía da Traição (Paraíba), narram as memórias de suas lutas recentes pela própria terra e refletem sobre o sentido das imagens fílmicas. Parte do projeto “Acervos, memórias e antropologia visual”, o filme demonstra a articulação de narrativas em torno da demarcação da Terra Indígena Potiguara de Monte-Mór e de seu líder, o Cacique Vado (1945-2004), com base na recuperação de uma memória visual referente aos índios Potiguara do Litoral Norte da Paraíba.

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RETOMAR PARA EXISTIR Pataxó Hã-hã-hãe, Bahia | DOC | 20 min | 2015

dir. Olinda Muniz O documentário descreve a história do cacique Nailton Pataxó enquanto líder, e sua luta para conquistar o território do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe.

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Mostra Nordeste Indígena

TEDYASESE – Superamos os Tempos

XEKER JETI – Casa dos Ancestrais

Fulni-ô, Alagoas | DOC | 20 min | 2016

Xukuru, Pernambuco | doc | 66 min | 2016

dir. Elvis Ferreira Fulni-ô

dir. Clara Facuri, Fernanda Caiado e Luiza Vento

Curta-metragem do Coletivo Fulni-ô de Cinema faz um raio-x das dificuldades indígenas em diferentes tempos da ocupação da aldeia Fulni-ô. Os indígenas Fulni-ô vivem no aldeamento na cidade de Águas Belas, no agreste pernambucano, e se destacam por ser a única comunidade indígena nordestina que conseguiu preservar seu idioma, o yaathê, até os dias atuais.

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Após 20 anos da retomada de seu território original, os índios Xukuru ressignificam suas tradições e procuram criar novas relações entre campo-cidade-tecnologia. Nesse contexto, em parceria com um grupo de jovens bioconstrutores de Recife, resgatam um modelo ancestral para construir sua oca de cura. Um retrato poético da resistência e valorização da identidade indígena no Sertão Pernambucano.

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ALDEIA DO SABER Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Mostra Especial Volta Grande do Xingu Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Mostra Especial Volta Grande do Xingu curadoria thaís brito

É na Volta Grande do Xingu que se ergue a Usina Hidrelétrica de Belo Monte com arrasadores impactos socioambientais para os povos Juruna e Arara da Volta Grande. A mostra apresenta dois filmes realizados no processo de compensação da hidrelétrica. Um deles retrata as transformações impulsionadas por Belo Monte sobre o modo de vida indígena. O segundo conta a história de reencontro dos Yudjá/Juruna, que somavam cerca de 2 mil indígenas no século XIX e, em menos de 20 anos depois do primeiro contato com os brancos, foram reduzidos a menos de 10% de sua população. O mundo desses indígenas foi completamente modificado, mas sobrevivente. 68

Em meio a esta terrível experiência de diminuição drástica da população, uma parte deles migrou e hoje encontra-se no Parque Indígena do Xingu, se reconhecem como Yudjá. Outra parte ficou na Volta Grande do Xingu. O filme narra esse reencontro que acontece mais de cem anos depois. ck

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Mostra Especial Volta Grande do Xingu

A ÚLTIMA VOLTA DO XINGU

O REENCONTRO DOS YUDJÁ

Juruna, Arara, Brasil | doc | 20 min | 2015

Juruna/Yudjá, Brasil | DOC | 80 min | 2017

dir. Kamikia Kisedjê e Wallace Nogueira

dir. Arlete Juruna

Os índios Juruna e Arara expõem os impactos da construção da Hidrelétrica de Belo Monte sobre os povos da Volta Grande do rio Xingu.

Viagem de intercâmbio dos Juruna da Volta Grande do Xingu (Pará), realizada em maio de 2015, para as aldeias Aribaru e Tuba-Tuba, Parque Indígena do Xingu (PIX), localizadas no Mato Grosso. Reencontro do povo Yudjá/Juruna, entre os dois grupos que se separaram há cerca de 120 anos atrás.

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Rodas e conferência de abertura [Conferência de Abertura]

[Roda]

DA MINHA ALDEIA VEJO O MUNDO

MINHA ALDEIA É UM MUNDO: Resistências indígenas CONTEMPORÂNEAS

com Ailton Krenak (MG) 18h – 12 julho – quarta-feira Saladearte Cinema do Museu

[Roda]

AMERÍNDIAS: Cinema das Mulheres Indígena

Graciela Guarani (MS), Olinda Muniz (BA), Patrícia Ferreira (RS) e Sueli Maxakali (MG) Mediação: Ana Carvalho (PE, Vídeo nas Aldeias) 18h – 13 julho – quinta-feira Saladearte Cinema do Museu

Giliarde Juruna (PA), Glicéria Tupinambá (BA) e Valdelice Veron (MS) Mediação: Ailton Krenak (MG) 18h – 15 julho – sábado Saladearte Cinema do Museu

[Roda]

O RITUAL NO CINEMA INDÍGENA

Alberto Alvares Guarani (MS), Isael Maxakali (MG) e Werá Alexandre (SP) Mediação: Jaborandy Tupinambá (BA) 18h – 16 julho – domingo Saladearte Cinema do Museu

[Roda]

DEMARCAÇÃO JÁ!

Cacique Babau Tupinambá (BA) e Anapuaká Tupinambá (RJ) 18h – 16 agosto – quarta-feira Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro

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Convidadxs Ailton Krenak (MG) Ailton Krenak é um líder indígena brasileiro, ambientalista e escritor. É considerado uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento internacional. Pertence à etnia indígena Krenak. Nasceu em 1953, no estado de Minas Gerais, na região do Médio Rio Doce.

Alberto Alvares (RJ) Cineasta indígena da etnia Guarani Nhãndewa, Mato Grosso do Sul, é também ator, professor e tradutor de Guarani. Mora no Rio de Janeiro desde 2010, período em que começa a se dedicar ao audiovisual como realizador e formador. Vem realizando seus projetos a partir do Laboratório do Filme Etnográfico – UFF, do Museu do Índio/FUNAI e do Observatório da Educação Escolar Indígena – FAE/ UFMG, instituição em que está se graduando em Licenciatura Intercultural para Educadores Indígenas. Sua imersão no universo do documentário em torno das questões indígenas resultou na realização dos filmes “Tekowe Nhenpyrun – A Origem da Alma”, “Ywy Jahe’o – O choro da Terra”, “Tape Ypy E’y – Caminhos do Tempo”, “Karai ha’egui Kunha Karai Ete- Os Verdadeiros Líderes Espirituais”, “Arandu Nhembo’e- Em Busca do Saber”, “A Procura de Aratu”, “Um Pé na Aldeia e Outro no Mundo”, “Nhema’en Tenondere- Além do Olhar”, “Yvi Nhe’en Vozes da Terra”. O filme “Os Guardiões da Memória” está em andamento, além de outros projetos em fase de desenvolvimento. Foi professor de audiovisual na formação de cineastas indígenas em Biguaçu, Santa Catarina (2013); em Paranhos, Mato Grosso do Sul (2014) e no Projeto da Série de TV “Amanajé, o mensageiro do futuro” (2016).

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Alexandre Pankararu (PE) Comunicador, cineasta, editor, oficineiro de Audiovisual Pertencente à nação Pankararu, é assessor de comunicação da APOINME (Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo). Formador Audiovisual no projeto intitulado “Vidas Paralelas Indígena” pela UNB – Universidade de Brasília (de 2012 a 2014). Realizou a codireção, câmera e edição do curta “O rio tem dono” T.I Pankararu – PE (2012). Comunicador das Etapas Local e Regional do Baixo São Francisco, Nordeste I e Bahia Sul, da Conferência Nacional de Politicas Indigenista (2015). Vídeo Maker do curso de formação em Política Nacional de Gestão Territorial indígena, Nordeste Minas Gerais e Espírito Santo, realizado pelo PNUD, GATI, Funai e MMA (2014 a 2015). Codireção, Câmera e Edição do curta “Terra Nua”, em 2014. Palestrante da Bienal de Cinema Indígena de São Paulo – Aldeia SP, com o curta “Terra Nua”. Codireção e edição do curta “Mãos de Barros” T.I Pankararu –PE (2016). Assessor de comunicação da câmara de vereadores de Jatobá – PE (2017).

Ana Carvalho (PE) Ana Carvalho é pesquisadora, fotógrafa e roteirista. Membro da equipe do Vídeo nas Aldeias, trabalha nas oficinas de formação em audiovisual junto a povos indígenas de todo o país. Desde 2001 atua também como curadora em festivais e mostras de cinema, como o forumdoc.bh e FINCAR, entre outros.

Anapuaka Tupinambá (RJ) É indígena da etnia Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe, um dos fundadores da Yandê e coordenador da rádio. Coordenador e idealizador da Web Brasil Indígena. Membro e idealizador da Rede de Cultura Digital Indígena. Articulador de Políticas Públicas para População Indígena. Formado em Gestão em Marketing, possui experiência em várias mídias e um vasto currículo na área de Comunicação e meios digitais.

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Arlete Juruna (PA) Maria Arlete Felix Juruna, Arlete, vive na aldeia Pakisamba, Terra Indígena Paquiçamba, Pará, na região da Volta Grande do Xingu, impactada pela UHE Belo Monte. É filha de Manuel Juruna, uma das lideranças Juruna, povo também conhecido como Yudjá, “donos do rio”. Arlete vem realizando filmes desde que se iniciaram as oficinas de vídeo na aldeia, completando a formação como realizadora através do Vídeo nas Aldeias. Arlete, com 39 anos, é mãe de 4 filhos, artesã e agente indígena de saúde (AIS).

Edgar Correa Kanaykõ (MG) Mestrando em Antropologia na UFMG. Atua como pesquisador indígena no programa Saberes Indígenas na Escola do MEC. Dirigiu “História e modos de caçar Xakriabá” e codirigiu o filme “Dure Nãt Sãro - Manter Aceso”.

Genito Gomes (MS) Liderança da Tekoha Guaiviry (MS) e um dos realizadores dos filmes “Ava Marangatu” e “Ava Yvy Vera - A Terra do Povo do Raio”.

Giliarde Juruna (PA) Liderança indígena da Aldeia Muratu, na T.I. Paquiçamba.

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Glicéria Tupinambá (BA) Glicéria Tupinambá nasceu e sempre viveu na Aldeia Serra do Padeiro, Terra Indígena Tupinambá de Olivença. Em 2010, após uma audiência com o presidente Lula, em que denunciou ações violentas da Polícia Federal contra seu povo, foi presa, junto a seu bebê de colo - ambos permaneceram dois meses encarcerados. Glicéria tem tido intensa participação na vida política dos Tupinambá. Foi representante de seu povo na Associação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme), membro da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) e, durante quatro anos, presidenta da Associação dos Índios Tupinambás da Serra do Padeiro (AITSP). Atualmente, é professora no Colégio Estadual Indígena Tupinambá Serra do Padeiro (CEITSP).

Graciela Guarani (MS) Comunicadora, cineasta e fotógrafa. Oficineira de Audiovisual pertencente à Nação Guarani, é autora juntamente com outros jovens de dois livros de fotografia intitulados Nossos Olhares e Olhares sobre o futuro realizado nas Aldeias Jaguapiru e Bororó de Dourados – MS (2004/2005) – AJI. Formadora Audiovisual no projeto “Vidas Paralelas Indígenas” pela UNB – Universidade de Brasília 2012. Diretora dos curtas “Terra Nua” (2014) e “Mãos de Barros” (2016). Assistente de fotografia na série de tv “Amanajé - O mensageiro do futuro”; cinegrafista no documentário produzido pela produtora inglesa Needs Must Films.

Kamikia Kisedje (MT) Kamikia Kisedje é um realizador do povo Kisedje na Terra Indígena Wawi/leste Xingu-MT. Kamikia aprendeu um pouco a operar os equipamentos da rádio e noções de locução. Em 2003, comprou equipamentos: computador, mesa de som, microfone e software de edição de áudio e digitalizador de K7 e vinis e trabalhou com áudio. Em 2005, durante oficina de leitura e produção de textos, foi elaborado o primeiro programa de rádio Xingu fm. É um dos cineastas indígenas do Vídeo nas Aldeias e diretor dos filmes.

Kefas Matos dos Santos (BA) Kefas Matos, natural de Belmonte, Bahia, é indígena Pataxó, estudante e pesquisador da sua cultura. Cria seus projetos audiovisuais baseado em fatos ocorrido dentro de sua Aldeia, com objetivos de registrar memórias e histórias do seu povo Pataxó. Seu anseio é desenvolver grandes projetos na área audiovisual. 74

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Isael Maxakali (MG) Isael Maxakali é membro do coletivo audiovisual Pajé Filmes, desde sua fundação em 2008 e atua como professor Indígena na Escola Estadual Isabel Silva, na Aldeia Verde (Reserva Maxakali), em Ladainha/MG. Com uma vasta filmografia, o cineasta indígena dirigiu os filmes “Tatakox” (2007); “Xokxop pet” (2009); “Yiax Kaax – Fim do Resguardo” (2010); “Xupapoynãg” (2011); “Kotkuphi” (2011); “Yãmîy” (2011); “Mîmãnãm” (2011); “Dia do índio na Aldeia Verde” (2014); “Quando os yãmîy vêm cantar conosco” (2012); “Konãgxeka: o Dilúvio Maxakali” (2016).

Marrayuri Kuikuro (MT) Marrayuri Kuikuro (MT) mora na Aldeia Ipatse, no Alto Xingu (MT), e faz parte do Coletivo Kuikuro de Cinema. Colaborou na realização dos filmes “Língua de Peixe”, “Nguné Elü - O dia em que a lua menstruou” e estreia com “Política e Tradição” no Cine Kurumin”

Olinda Muniz (BA) Documentarista, formada em Jornalismo em 2015. Já atuava desde 2005 como geradora de conteúdo escrito para o projeto da ONG THYDÊWÁ. Fez seu primeiro documentário independente em 2015, “Retomar para existir”. Escreve e edita para o blog Pau Brasil Notícias, atualmente trabalha para o filme “Uma mulher, uma aldeia”, da produtora INSPIRAR- ideias e ideias.

Patrícia Ferreira Keretxu (RS) Nascida em 1985 na aldeia Tamanduá em Missiones na Argentina, com 17 anos (2002) mudou-se para a aldeia Koenju, em São Miguel das Missões/ RS, onde é professora. É a cineasta mulher mais atuante nos quadros do Vídeo nas Aldeias.

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Sueli Maxakali (MG) Presidente da Associação Maxakali de Aldeia Verde, fotógrafa. Faz fotografia still e assistência de direção nos filmes de Isael Maxakali.

Takumã Kuikuro (MT) Takumã Kuikuro é cineasta com formação pelo projeto Vídeo nas Aldeias e pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Codirigiu diversos filmes curta-metragem, entre eles os premiados “Nguné Elü: O Dia em que a Lua Menstruou” (2004, 28’) e “Imbé Gikegü: Cheiro de Pequi” (2006, 36’). Dirigiu com Carlos Fausto e Leonardo Sette o longa-metragem “As Hiper-Mulheres” (2011, 80’), que recebeu inúmeros prêmios em festivais nacionais (entre eles o Festival de Gramado e o de Brasília) e internacionais. Como coordenador do Coletivo Kuikuro de Cinema, Takumã vem também se dedicando à formação de novos cineastas indígenas no Xingu, tendo coordenado a produção de vários curta-metragens de oficinas, dentre eles “Língua de Peixe” e “Ladrão de Armadilhas”. Com seu irmão Mahajugi, dirigiu ainda “Kagaiha Atipügü”. Também é diretor de “Karioka” e “ETE LONDRES”, Londres como uma aldeia, organizado pela People’s Palace Projects.

Valdelice Veron (MS) Valdelice Veron Kaiowá faz parte do Grande Conselho Aty Guasu Guarani e Kaiowá e do Conselho Continental da Nação Guarani. Potente porta-voz da luta e do luto nos quais seu Povo vive e resiste, denuncia o genocídio indígena em marcha no Mato Grosso do Sul. É filha do cacique Marcos Veron, executado na retomada do Tekoha Takuara em 2003. Ameaçada por herdar a luta do pai, é uma das lideranças Guarani Kaiowá cadastrada no programa federal de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Protagonista-narradora do documentário “Índio Cidadão?” (DF, 2014, 52’). Estreia como roteirista e diretora no filme “TEKOHA - som da terra” (DF/MS, 2017, 20’). 76

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Vincent Carelli (PE) Cineasta e indigenista, Vincent Carelli fundou, em 1986, o Vídeo nas Aldeias, projeto que apoia as lutas dos povos indígenas para fortalecer suas identidades e seus patrimônios territoriais e culturais por meio de recursos audiovisuais. Desde então, produziu uma série de 16 documentários sobre os métodos e resultados deste trabalho, que têm sido exibidos por televisões públicas em todo o mundo. “A Arca dos Zo’é” (1993), um de seus primeiros filmes, foi premiado em diversos festivais, entre eles o 16º Tokyo Video Festival e o Cinéma du Réel. Em 2009, Carelli lança “Corumbiara”, grande vencedor do 37º Festival de Gramado, sobre o massacre de índios isolados em Rondônia, primeiro filme de uma trilogia em desenvolvimento, que traz seu testemunho de casos emblemáticos vividos em 40 anos de indigenismo no Brasil. “Martírio” (2016) é o segundo filme desta série que se encerra com a realização do longa-metragem “Adeus Capitão”, trabalho em fase de desenvolvimento.

Werá Alexandre (MS) Werá Alexandre tem 22 anos e é Guarani Mbya. Mora na aldeia Itaoca, Mongaguá-SP e trabalha na Organização Comissão Guarani YvyRupa-CGY, como cineasta e coordenador da comunicação. Começou a trabalhar com cinema em 2009 na aldeia Ko’enju- RS.

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Júri Ailton Krenak [Brasil] Ailton Krenak é um dos maiores líderes políticos e intelectuais surgidos durante o grande despertar dos povos indígenas no Brasil, ocorrido a partir do final dos anos 1970. A sua atuação tem sido fundamental para a luta pelos direitos indígenas e a criação de iniciativas como a União das Nações Indígenas e a Aliança dos Povos da Floresta. Ailton é um pensador acurado e original das relações entre as culturas ameríndias e a sociedade brasileira, criando reflexões provocativas e de largo alcance. É diretor da Aldeia SP Bienal de Cinema Indígena.

Andres Carvajal [Chile] Yepan - Revista de Cine y Comunicación de los Pueblos

Patrícia Ferreira Keretxu [Guarano-Mbya / Brasil] Nascida em 1985 na aldeia Tamanduá em Missiones na Argentina, com 17 anos (2002) mudou-se para a aldeia Koenju, em São Miguel das Missões/ RS, onde é professora. É a cineasta mulher mais atuante nos quadros do Vídeo nas Aldeias. Dirigiu o premiado Bicicletas de Nhanderu (2011).

Premiação

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Prêmio Aldeia

Prêmio do Júri

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Curadoras Aline Frey Aline Frey é doutoranda da Faculdade de Artes e Comunicação da Universidade de Queensland (Austrália). Analisa filmes produzidos no Pacífico e na América Latina que discutem o papel das epistemologias Indígenas no cenário de crise ambiental. Sua produção inclui publicações em livros e jornais internacionais, tendo apresentado sua pesquisa em diversos países como China, Portugal, Suíça e Fiji. Atualmente, trabalha como produtora cultural de mostras de cinema independente. Aline tem Mestrado em Cinema (Universidade de Otago) e Pós-Graduação em Artes (Universidade Victoria de Wellington), ambos na Nova Zelândia. No Brasil, fez parte da produtora Vogal lmagem e realizou curtas-metragens e documentários premiados.

ana carvalho Ana Carvalho é pesquisadora, fotógrafa e roteirista. Membro da equipe do Vídeo nas Aldeias, trabalha nas oficinas de formação em audiovisual junto a povos indígenas de todo o país. Desde 2001, atua também como curadora em festivais e mostras de cinema, como o forumdoc.bh e FINCAR, entre outros.

Naine terena

thaís brito

Naine Terena é doutora em educação pela PUC-SP, possui mestrado em Artes pela UnB, é graduada em Radialismo pela Universidade Federal de Mato Grosso. Realizou estágio pós-doutoral, desenvolvendo pesquisa no Lêtece UFMT. Atua na Oráculo comunicação, educação e cultura, com pesquisas, cursos livres e desenvolvimento de projetos. É docente nas áreas de Comunicação Social e Educação indígena, com pesquisas na área de audiovisual, artes e povos indígenas. Thaís Brito é jornalista e pesquisadora. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, na Universidade Federal da Bahia, desenvolve uma pesquisa sobre o cinema indígena, com foco nas produções dos Juruna da Volta Grande do Xingu no contexto do Antropoceno. É idealizadora do Cine Kurumin e participa da Rede Espalha a Semente - Comunicação e Cultura Indígena.

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Ailton Krenak Por Felipe Milanez Enquanto passa tinta na cara, no alto da tribuna do Congresso Nacional, Ailton Krenak não deixa de olhar nos olhos de cada um dos deputados e deputadas presentes. “Eu espero não agredir, com a minha manifestação, o protocolo dessa casa”, diz. E segue: “Mas eu acredito que os senhores não poderão ficar omissos, não terão como ficar alheios, a mais essa agressão movida pelo poder econômico, pela ganância, pela ignorância do que significa ser um povo indígena”. Essa cena e as palavras do líder indígena marcaram os debates da Constituição Federal de 1988. Marcaram uma época, o período da emergência do movimento indígena no Brasil. E diante de novos ataques legislativos organizados por forças políticas e econômicas contra os direitos constitucionais dos povos indígenas, travestidos por siglas como PECs, PLs, MPs, decretos e etc., que visam desmontar o aparelho jurídico de proteção e garantias fundamentais, a imagem de Ailton Krenak na constituinte e suas palavras ressurgem não apenas como um elemento histórico de um passado distante, 80

mas em sua atualidade de combate. A cena está no filme Índio Cidadão?, de Rodrigo Siqueira, e Martírio, de Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita, e ganhou visibilidade viral nas redes sociais. Ailton Krenak é um dos mais destacados intelectuais do Brasil. Sobretudo no que se refere ao sentido descolonial das formas de pensar e interagir com o mundo. Um dos fundadores da União das Nações Indígenas e da Aliança dos Povos da Floresta, revolucionou o jornalismo ao liderar o Programa de Índio, um programa de rádio indígena onde ele entrevistava outras lideranças como Davi Kopenawa Yanomami, Biraci Nixiwaka Yawanawa, Alvaro Tukano. Criador do Núcleo de Cultura Indígena, liderou um movimento coletivo com vários povos em uma intensa produção cultural e artística, trazendo para as grandes cidades a temática das lutas numa perspectiva pan-indígena. Em 2015, lançou o livro Encontros (Azougue), reunindo uma série de entrevistas, artigos e intervenções produzidas nas últimas décadas. E nos últimos anos tem conseguido romper 6º Cine Kurumin


com os muros da academia com um pensamento inovador, provocando novas possibilidades de trocas de conhecimentos que sejam fundados numa perspectiva de autonomia, libertação e emancipação. Nesse movimento, deu aula na Universidade de Coimbra, em Portugal, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na Universidade de São Paulo, proferiu conferência de abertura em evento internacional em universidade na Suécia (KTH), em encontros acadêmicos, e foi reconhecido como Professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Mas sua participação na academia segue uma trajetória insurgente: está lá para quebrar paradigmas e descolonizar o confinamento racial do espaço acadêmico.

E continua: “Para mim, ainda existem visões de mundo que cantam e dançam para suspender o céu. Quando o céu está fazendo uma pressão muito grande sobre o mundo, uma parte desses humanos está cantando e dançando para suspender o céu. Se não fizerem isso, a pressão fica demais para nossa cabeça e ficamos sem saída. Eu não aceito o xeque-mate, fim do mundo ou fim da história. Esse momento difícil para mim é quando eu mais evoco esse pensamento: cantar, dançar e suspender o céu”.

Em um depoimento recente, ele me disse: “Eu não quero ficar travado nessa engrenagem que estão passando por aí. Se a gente sabe que essa pressão tem conexão com tudo que está acontecendo no mundo, na economia, esse aspecto macro, também penso que a política não teve criatividade de sair dessa roda, está subordinada ao mercado”. Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

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Valmir e o Tajy Por Bernard Belisário No meio de uma plantação de soja a se perder de vista em todas as direções no horizonte, a voz solitária de Valmir é lançada em cena enquanto olhamos para a árvore que resta igualmente solitária à margem da pista de terra que corta o deserto de soja ao meio. O vento sopra incessante sobre a soja e sobre o microfone da câmera. Embaixo dessa árvore, Valmir costumava vir telefonar diariamente; era o único ponto onde havia algum sinal de celular. A árvore marca o lugar onde o cineasta volta para filmar o seu testemunho. O enquadramento a ancora bem no centro do plano, mantendo-a ali por quase toda a duração da sequência, como um marco de onde parte (e para onde por vezes retorna) a narração. O testemunho de Valmir traz uma dimensão terrível ao espaço aparentemente desabitado – a patrulha de pistoleiros dispostos a executá-lo caso o encontrem por ali. O campo de soja passa a conjugar essa dimensão violenta no fora-de-campo testemunhada pelo cineasta. Permanecer visível ali poderia lhe custar a própria vida. Na medida em que Valmir descreve as estratégias de que lançava mão para alcançar sua 82

árvore-antena e conseguir falar com a Funai e outros aliados (mi otro kuera), é a própria permanência do cineasta filmando e narrando naquele espaço que se transfigura em um gesto da resistência Kaiowá sobre seu território. É preciso continuar olhando para a paisagem desoladora do ipê que resiste solitário cercado pelo deserto de soja – imagem de abandono e de resistência (CARVALHO, 2016). A solidão da árvore no centro do enquadramento encontra ressonância com as imagens do testemunho, do tempo perigoso e solitário que Valmir enfrentara ali, com sua borduna nas costas e seu celular barato. No meio do campo aberto, sob a mira dos pistoleiros – milícias privadas contratadas por empresários-fazendeiros da região para aterrorizar e assassinar as famílias Kaiowá que retornam para o território de seus antepassados depois de anos no exílio das precárias reservas indígenas criadas pelo governo brasileiro (SPI). Durante toda a sequência, a voz de Valmir é por vezes entrecortada e distorcida pelo ruído do vento no microfone. Ha’aipo yvytu! O cineasta deixa a árvore por um momento para apontar a câmera na direção do vento, que passa a soar com 6º Cine Kurumin


mais intensidade. Sobre o horizonte vazio da soja, o vento forte indica a escala monumental da destruição naquela terra, outrora coberta pelas árvores. É quase impossível imaginar a paisagem do cerrado que Valmir descreve, suas palavras parecem levadas para o fundo do horizonte pelo vento – como as sombras das nuvens sobre a terra vermelha. Somente uma palavra encontra aderência no plano: tajy – o ipê solitário de Valmir, sua torre de celular. Agora aqui virou a roça dos brancos (karaí), soja. Tem muito Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

valor para eles, não para nós. Eles plantam, levam para vender no exterior e pegam o dinheiro com o qual pagam pistoleiros para nos matar. Com a nossa terra, os brancos ficam ricos, fazem suas casas bonitas, usando nossas terras para plantar. Os brancos ficam ricos nos expulsando de nossas próprias terras (A TERRA DO POVO DO RAIO, 2016). Valmir vira-se e volta caminhando com a câmera em direção à estrada. Ko’anga yvytu – “agora esse vento”. Esse plano83


sequência enigmático abre o filme A terra do povo do raio (2016), realizado pela comunidade Kaiowá do Guaiviry a partir das oficinas de filmagem e montagem do projeto de extensão universitária “Imagem Canto Palavra no Território Guarani e Kaiowá”.[ 1 ] Guilherme Cury, um dos instrutores da oficina de filmagem, conta que Valmir Cabrera vinha ensaiando esse dispositivo ao longo da oficina – dar seu testemunho em off enquanto filma em espaços desabitados. Valmir lhe contara que essa ideia era inspirada no filme O exterminador do futuro 2 (1991). Na sequência de abertura do thriller de ficção científica, Sarah Connor, a personagem sobrevivente de uma hecatombe nuclear que dizima metade da população mundial, dá o seu testemunho na narração off sobre imagens noturnas de uma cidade completamente carbonizada, seus habitantes reduzidos a ossos, insepultos. A narradora é mãe do líder da resistência na guerra contra as máquinas, ano 2029. A voz de Valmir no início de A terra do povo do raio é sem dúvida a voz de um sobrevivente do genocídio de dimensões terríveis sobre as quais o documentário Martírio (2016), de Vincent Carelli, se debruça para erguer um “monumento vivo” (GUIMARÃES, 2016) à luta dos

povos Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul – a “faixa de Gaza” brasileira (CAIXETA DE QUEIROZ, 2016). A inspiração na distopia futurista de James Cameron se ancora na experiência presente de Valmir junto a seu povo de forma terrivelmente literal. O dispositivo criado por Valmir tem como princípio a relação indissociável entre a palavra e o espaço – assim como acontece em Martírio, onde há uma mútua implicação na qual “as palavras não devem ser dissociadas dos espaços de onde nascem” (BRASIL, 2016). Diferente dos testemunhos filmados por Vincent e Ernesto de Carvalho em território Kaiowá, nos quais os corpos encontram-se investidos pela fala, intervindo naqueles espaços, Valmir situa seu testemunho no antecampo. Suas palavras encontram-se situadas, mas sem um corpo visível. Afinal, é precisamente no espaço desabitado da catástrofe que o cineasta escolhe lançar seu testemunho da resistência. A ausência de qualquer índio no campo torna ainda mais agudas as palavras que descrevem a invisibilidade como estratégia de sobrevivência naquele espaço. O fato de que não esteja visível não significa, entretanto, que o corpo de Valmir não esteja engajado no seu

84 6º Cine Kurumin [ 1 ] Proposto e coordenado pela professora Luciana de Oliveira (Departamento de Comunicação Social da UFMG).


testemunho, pelo contrário. Ao longo da duração desse plano-sequência feito com a câmera na mão, vamos percebendo que o próprio gesto de filmar é parte do testemunho de Valmir. A pulsação do plano, as pequenas hesitações no enquadramento são marcas visíveis do corpo que sustenta a câmera, que nos convoca a manter o olhar sobre o ipê no meio do deserto de soja. E quando o vento invade definitivamente a cena – corpo, filme, espaço e testemunho aparecem como coisa inseparável, como tekoha.

Referências A TERRA DO POVO DO RAIO (Ava Yvy Vera). Realização e imagens: Genito Gomes, Valmir Gonçalves Cabrera, Jhonaton Gomes, Joilson Brites, Jhonn Nara Gomes, Sarah Brites, Dulcídio Gomes e Edina Ximenez. Imagens Adicionais: Fábio Costa Menezes e Guilherme Cury. Tradução e Montagem: Genito Gomes, Jhonaton Gomes, Jhonn Nara Gomes, Rozicleia Almeida, Alessandra Giovanna e Luisa Lanna. Brasil, 2016, 52 min.. BRASIL, André. Retomada: teses sobre o conceito de história. Catálogo Forumdoc.bh.2016, p. 145-161, 2016. CAIXETA DE QUEIROZ, Ruben. Martírio: o genocídio lento e angustiante de um povo indígena nas lentes de Vincent Carelli. Catálogo Forumdoc.bh.2016, p. 123-139, 2016. CARVALHO, Ana. Ava Yvy Vera – a terra do povo do raio. Catálogo Forumdoc.bh.2016, p. 287288, 2016. GUIMARÃES, Victor. 2016. Que fazer? Cinética. Disponível em: <http://revistacinetica.com.br/ nova/que-fazer/>.

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Memorial TEKOHA Por Rodrigo Arajeju O filme TEKOHA – som da terra (DF/MS, 2017, 20 min.) é resultado de processo colaborativo de caráter intercultural estabelecido entre lideranças do Povo Kaiowá na retomada do Tekoha Takuara e eu, Rodrigo Arajeju, na condição de aluno do Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais na Universidade de Brasília. Foi filmado no Mato Grosso do Sul (MS) no período de 16 a 24 de abril de 2016 e, em Brasília, no mês seguinte, com a presença da liderança Valdelice Veron (Xamiri Nhupoty). Nhupoty é filha do cacique Marcos Veron, executado por milícia armada na terceira tentativa retomada do Tekoha Takuara em 2003. Valdelice e eu compartilhamos a autoria do roteiro e a direção. As protagonistas do filme são Arami, Valdelice e Julia Veron, e Carmen Cavalheiro. As irmãs Julia e Carmen são de família extensa originária do Tekoha Takuara, matriarcas chamadas de nhandesys (pronunciase nhandessús). São consideradas guias espirituais e reconhecidas como lideranças no processo de retomada, agentes de repasse de conhecimentos tradicionais. A produção contou com 86

o envolvimento de outras lideranças e habitantes desse Tekoha, com destaque para a atuação das mulheres. Buscamos estabelecer diálogo de saberes na realização colaborativa do curta-metragem como parte do processo de pesquisa-intervenção sobre a epistemologia Kaiowá, relativa à territorialidade e aos conhecimentos tradicionais associados à sociobiodiversidade. Portanto, a perspectiva de sustentabilidade, que se propôs representar, é a da liderança desempenhada pelas nhandesys na luta de retomada do Tekoha Takuara em busca da autonomia nos processos autogestionários da vida e do território. O contraste se dá pelas imagens de terra arrasada e extensos monocultivos transgênicos que conferem a dimensão insustentável do agronegócio. É inegável o aporte da autoria indígena de Valdelice Veron no resultado final do produto-intervenção. Sua atuação no filme, precedida de definição conjunta do roteiro, propiciou a reencenação de momentos marcantes capazes de reproduzir o cotidiano na retomada com a veracidade de quem vivencia esse 6º Cine Kurumin


contexto de luta e luto – experienciado solidariamente por mim durante os períodos dos campos, sem a pretensão de desconsiderar a alteridade dessa relação. Durante as filmagens ainda foi diretora, função também desempenhada no processo de montagem: ela definiu os trechos nos quais entraram as edições das falas e dos cantos na língua Kaiowá; determinou a exclusão de uma cena; opinou sobre a ordem das sequências; aprovou o corte final do filme; e contribuiu com reflexões essenciais para a definição conjunta do título (TEKOHA) e do subtítulo (som da terra) da obra. A retomada do Tekoha pode ser definida como o movimento de retorno aos territórios tradicionais para sua reocupação física. É processo de autodeterminação pacífico, resultante da reorganização das famílias extensas Kaiowá e Guarani no MS, após décadas de imposição da política indigenista do Estado brasileiro, baseada em deslocamentos forçados e confinamento compulsório de sua ampla população nas oito reservas indígenas criadas pelo Serviço de Proteção aos Índios. Tekoha é palavra na língua originária de forte expressão na cosmologia do Povo Kaiowá e Guarani, fundamento de sua luta nas terras pela demarcação dos territórios ancestrais, por parte do Governo Federal. É palavra de difícil Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

tradução, pois deriva de conceitos de sua alta filosofia para expressar a representação dos territórios enquanto espaços determinantes para o modo de ser e viver (nhande reko, pronuncia-se nhanderekô) do segundo maior Povo Indígena no Brasil. Durante a pesquisa, compilei algumas tentativas de tradução, sendo comum a indicação do Tekoha como “o lugar ao qual se pertence” ou o “lugar onde se é”. O resultado da pesquisa-intervenção é produto audiovisual, classificado como curta-metragem documentário, com influência do gênero ficção, centrado nas narrativas (orais e gestuais) das nhandesys e na cosmovisão sobre o Tekoha. O enredo se desenvolve a partir do conflito representado pela intrusão do mundo Kaiowá, pela devastação das terras sagradas e pelas violações de direitos humanos. A narrativa cinematográfica criada apresenta, a partir de exemplo pontual, mas representativo de contexto socioterritorial tradicional amplo, crítica sobre a insustentabilidade gerada nos Tekohas Kaiowá e Guarani pelos processos sociais dominantes e políticas públicas neodesenvolvimentistas, associados à hegemonia políticoeconômica do agronegócio no estado de Mato Grosso do Sul.

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Aexá va’e jo hete re

“O corpo que enxergamos” Por Sophia Pinheiro Patrícia mora na Aldeia Ko’enju, em São Miguel das Missões, estado do Rio Grande do Sul, onde é professora desde 2006. Em 2017, comemora-se dez anos da primeira oficina do projeto Vídeo nas Aldeias em Ko’enju, mesmo ano em que cofundou o Coletivo Mbyá-Guarani de Cinema. Atualmente, Patrícia é a mulher indígena mais atuante do VNA e está finalizando seu primeiro longametragem autoral. Já realizou os filmes: As Bicicletas de Nhanderu (2011, 45 min.); Desterro Guarani (2011, 38 min.); TAVA, a casa de pedra (2012, 78 min.) e No caminho com Mario (2014, 20 min.). Nas palavras de Patrícia sobre alguns dos motivos que a levaram a usar as câmeras: “Eu tenho as minhas respostas para a pergunta de várias pessoas: o motivo que me levou a usar as câmeras. Trabalhar com audiovisual (estar junto com os meninos do coletivo), sendo mulher indígena, e além de trabalhar como uma professora na escola, a resposta é simples: primeiro, dar minha pequena contribuição e acompanhar as lutas diárias das nossas lideranças indígenas; para provocar os espectadores sejam 88

indígenas ou não-indígenas e também nos motivar, nos inspirar a produzir nossos próprios Vídeos, documentários, entre outros; sermos autores das nossas próprias histórias, onde podemos falar sobre nossas vivências, experiências, problemas e que possamos trocar informações e visões sobre cultura indígena e identidade indígena no Brasil e no mundo (...) Mostrar para os não-indígenas que acreditam naquela velha história do índio “congelado”, que nós aparecemos somente na História da época do Caminha e dos jesuítas, dizer que nós não ficamos congelados em 1500, que nós estamos em 2016 e precisamos urgentemente falar sobre nós indígenas atuais e dizer que nós não somos folclore como contam nos livros de História do Brasil. Para pensar e refletir sobre a nossa própria história. E assim, quebrar um pouco aquelas coisasruins que a gente escuta por aí das pessoas ignorantes que falam com seus comentários ou críticas preconceituosas quando a questão é indígena”. PINHEIRO, Sophia. JAEXÁ VA’E JO HETE RE O corpo que enxergamos. Iluminuras, Porto Alegre, v. 18, n. 43, p. 361-367, jan/jul, 2017. 6º Cine Kurumin


Ficha técnica Thaís Brito Idealização e Coordenação Geral Jaborandy Tupinambá Renata Lourenço Articulação Indígena Emerson Almeida Produção Executiva Aline Frey Naine Terena Thais Brito Curadoria

Adriana Urpia Sandra Rosa Sergio Nunes Erivaldo Marinho Valter Kabas Legendagem descritiva e Audiodescrição Cátia Milena Albuquerque Assessoria de Comunicação Isabella Alves - A Firma João Vitor Menezes - A Firma Design gráfico

Ana Carvalho Curadoria Mostra Cinema das Mulheres Indígenas

Houston Paz A Firma Programação - website

Thiago Salles Direção de Produção

Maria Clara Lima Caio Max Social Media

Luna Matos Sérgio Melo Assistente de Produção Evandro de Freitas Coordenação de Projeção Suane Costa Tráfego de Filmes Luísa Lanna Gabriela Albuquerque Legendagem e Tradução Danilo Adomaitis Érica Josie Leandro Santos Rodrigues Maíra Castanheiro Tradução Festival de cinema indígena - indigenous int’l film festival

Daiane Silva Mobilização Kamikia Kisedje Wallace Nogueira Cobertura Audiovisual Purki Cobertura Fotográfica Arissana Pataxó Criação do Troféu Olinda Muniz Vanessa Pataxó Monitores indígenas

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Agradecimentos Aldeia Tupinambá da Serra do Padeiro Alessandro Tude Ana Carvalho Bernard Belisário Carla Italiano Davi Hernandez Palmar Elizabeth Pirela Esteban Awki Helena Salguero Janaína Rocha Júlia Bernstein Júnia Torres Hilton S. Nascimento (Kiko) Marina Guimarães Manuela Muniz Pedro Portella Rafaella Ruiz Regina Muller Renata Utsnomia Rodrigo Arajeju Vincent Carelli

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6º Cine Kurumin


Profile for Cine Kurumin

Catálogo 6º Cine Kurumin  

Catálogo da sexta edição do Cine Kurumin - Festival de Cinema Indígena.

Catálogo 6º Cine Kurumin  

Catálogo da sexta edição do Cine Kurumin - Festival de Cinema Indígena.

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