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Revista da escola

Medianeira

Rede Santa Paulina

Educação, Serviço à Vida

Publicação da Rede Santa Paulina de Educação • Ano 8 • Número 8 • Outubro/2016

Da aprendizagem de saberes à vivência do protagonismo

››

›› Ações que minimizam desigualdades:

um gesto de amor fraterno

Nana Higa

›› A escola em uma perspectiva inclusiva

Entrevista com Mario Sergio Cortella


Editorial A Rede Santa Paulina na Educação oferece a cada ano um retrato de nossa missão a serviço da vida, através desta Revista. O foco de nossa reflexão e partilha, neste ano de 2016, é a Escola e Família: Educação com Valores. Todos nós conhecemos os inúmeros desafios que enfrentam as famílias, marcadas pelos conflitos e a complexidade do contexto sócio-político-econômico-cultural e religioso atual. Porém, não podemos duvidar do intenso esforço e empenho Ir. Roseli Amorim Coordenadora Geral da realizados por diferentes segmentos da sociedade, entre elas a Congregação das Irmãzinhas Igreja e a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, da Imaculada Conceição através de suas unidades educativas, para assegurar a vivência de valores essenciais que promovam a pessoa e as relações humanas, de modo especial as relações familiares, que perpassam e fundamentam todas as demais dimensões da vida. Educar com valores é a convocação para toda a comunidade educativa e para toda a sociedade. É uma construção coletiva, baseada no que realmente dá sentido à vida: valores que nascem do Evangelho, da Palavra de Deus e se desenvolvem no coração humano, nas mútuas relações que visibilizem e concretizem o amor, a solidariedade e a paz. Desta forma, o caminho do respeito e da integração das fragilidades, os passos para viver o perdão e a misericórdia, são imprescindíveis. A base geradora de uma nova vida e novas relações, deve estar impregnada do amor que gera, transforma e ressignifica a vida das pessoas a cada dia, tornando-a mais semelhante ao Criador, mais fraterna e mais humana. Que juntos continuemos a sonhar novas possibilidades e experimentar nas relações familiares e na escola a mística que dá sentido à vida, abre novos caminhos, permitem dar novos passos e ajuda a construir uma nova sociedade, edificada a partir de corações mais humanos.

Entrevista com Mario Sergio Cortella Como o lúdico favorece o desenvolvimento infantil? Aos mestres com carinho A contação de histórias e o imaginário infantil Destaque das escolas Uma história de sucesso Um passo à frente

Nesta edição Educação que transforma vidas Santa Paulina completa 150 anos e ganha “novo rosto” Prata da Casa Carisma de educar na Rede Santa Paulina Dicas de livros Passatempo

Expediente Revista da Rede Santa Paulina de Educação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição Coordenação Geral Ir. Irene Boff Edição de Texto e Direção de Arte Rafael Felippe Projeto Gráfico e Diagramação Maria Inês Ruivo Andrade Jornalista Responsável Rafael Felippe – MTb 52407 Revisão Renata Garcia Quito Comercial Enderson Carvalho David André Rovigo Fabrício Realci Romão Marinês Favretto Simone Teixeira do Prado Agradecimentos Às diretoras, coordenadoras/es pedagógicas/os e professoras/es, pais, alunos e pessoas amigas, que contribuíram com declarações, artigos e fotos, para esta edição. Fotos da capa: Arquivo das Escolas da Rede Santa Paulina de Educação Colégio Regina Mundi Rua Marquês de Lajes, 1916 Vila das Mercês 04162-002 São Paulo-SP www.colegioreginamundi.com.br Colégio São José Rua Silva, 365 – Centro 88301-310 Itajaí-SC www.saojose.com.br Educandário Imaculada Conceição Rua São Francisco, 148 – Centro 88015-140 Florianópolis-SC www.imaculadanet.com.br Escola Nossa Senhora de Fátima Rua Cel. Serafim Pereira, 417 Centro 93220-110 Sapucaia do Sul-RS www.escolafatima.com.br Escola Nossa Senhora Medianeira Av. N. Senhora Medianeira, 415 97060-001 Santa Maria-RS www.escolamedianeira.com.br Entre em contato: rafael.felippe@ciic.org.br


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Entrevista

Nana Higa

com Mario Sergio Cortella

Um dos temas mais discutidos atualmente no Brasil, e que reflete o momento vivido pelo País, é a educação em valores, que se desenvolve em diversos aspectos da vida, como no convívio familiar, no trabalho, nas escolas etc. E a escola é justamente a instituição onde a educação em valores aparece como um dos pilares na missão do trabalho junto às crianças, jovens e adolescentes. Mas esse papel não cabe apenas às escolas, pois as famílias também são engrenagens fundamentais no processo do ensinamento de valores e no desenvolvimento moral dos alunos e alunas. E, afinal, quais são esses valores? De que forma eles devem ser abordados? Para responder essas e outras questões a Rede Santa Paulina de Educação, através do Colégio Regina Mundi, por meio da diretora Adelaide Favaron, conversou com Mario Sergio Cortella, filósofo, escritor e professor paranaense. Rede Santa Paulina: Cortella, o sr. diz que ética é o conjunto de valores e princípios que utilizamos para responder a três grandes questões da vida: Quero? Posso? Devo? Qual é o papel da escola e da família quanto à formação destes valores? Mario Sergio Cortella: O papel da escola é fazer uma parceria com a família, não cabe a escola sozinha e nem de modo exclusivo lidar com aquilo que é responsabilidade da área educacional familiar. Afinal, a escola lida com escolarização e escolarização é um pedaço da educação, não é ela toda. A responsabilidade original da educação das crianças e dos jovens é da família e a escola entra como colaboradora, literalmente. Nesse sentido, a escola não se omite, ao contrário, faz parte do processo, mas ela não

deve e nem conseguiria assumir a tarefa exclusiva de fazê-la. A escola tem um projeto educacional do qual faz parte a proteção de valores éticos e a família adere à escola quando coloca seus filhos e filhas nela. Portanto, ela pactua desses mesmos valores, mas, sem a solidez dessa parceria, o trabalho realizado na família fica frágil, e na escola fica impossível. Como o sr. analisa a relação dos valores com os conteúdos escolares? Nunca se trabalha de maneira neutra com os conteúdos escolares. A escola procura objetividade em relação aos conteúdos, mas todo conteúdo tem seu ponto de vista. Como diz Leonardo Boff, um ponto de vista é a vista a partir de um ponto. Por isso, quando alguém ensina matemática, língua portuguesa, língua estrangeira mo-

derna, física, etc, o modo de ensino, a sistemática do conteúdo e a seleção feita indica trajetória ética. Não há necessidade, por exemplo, de se ter uma disciplina exclusiva que lide com o tema, ele tem que aparecer no conjunto do projeto pedagógico da escola. E é aí que os conteúdos têm que ter uma conexão sempre com essa perspectiva. Por exemplo, a igualdade de dignidade entre homens e mulheres. Não pode existir um conteúdo em que haja a submissão do mundo feminino ao mundo masculino. Ou quando se fala da importância da pluralidade em relação às etnias, não pode aparecer um tipo de conteúdo que leve à segregação de alguém que tem uma etnia diferente daquela que é maioria em nosso país. Portanto, os conteúdos são veículos que carregam valores. Como o sr. percebe o processo avaliativo escolar no Brasil? Diante dos novos tempos, como realizar um processo avaliativo mais justo, coerente e significativo para nossos alunos e alunas? O processo avaliativo precisa ser algo que de fato se coloque como contínuo. É preciso entender que avaliação não é auditoria, pois na auditoria você procura um responsável para punição, enquanto que na avaliação se busca examinar o modo como as coisas estão acontecendo, de maneira a reorientar o processo. É claro que toda escola tem de entender que quando se avalia a aprendizagem está se avaliando o ensino. É impossível avaliar a aprendizagem sem avaliar o ensino. Temos hoje uma nova sistemática de acesso à informação e conteúdo e uma escola não pode, por exemplo, lançar mão apenas daquilo que é arcaico, que é a memorização em relação ao tipo de avaliação. Hoje é diferente, falamos muito mais sobre a construção de projetos, problemas, a capacidade de relação e inferência. O recurso à memória do aluno como sistemática de avaliação é algo não só ultrapassado como absolutamente inútil. Nos novos tempos essa multiplicidade de fontes nos permite tra-


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Com o advento das novas tecnologias, das redes sociais e da velocidade da informação, o que a escola precisa fazer para continuar gerando interesse aos alunos e alunas quando, cada vez mais, eles têm a informação fora do ambiente escolar? O que mais gera interesse em alguém é a conexão do conteúdo com as angústias que a pessoa carrega, as dúvidas e as curiosidades. O que faz com que alguém se interesse por algo não é a tecnologia que está sendo usada, ao contrário, o que leva de fato é o conteúdo. Alguém pode sentar-se e assistir a um programa de TV, ou sentar-se para ouvir um programa de rádio, ou assistir a uma aula na escola sem que haja outra tecnologia em volta. O que vai conduzir a conexão é o conteúdo e como esse conteúdo está conectado com aquilo que preocupa a pessoa. A escola hoje precisa levar a tecnologia em conta, mas não se submeter a ela, porque as tecnologias são simultâneas. Por exemplo, a mais antiga plataforma de ensino à distância é o livro e ele continua existindo, há 2.500 anos temos essa plataforma em uso. O rádio é concomitante à TV, a internet ao mobile, temos a TV, o teatro e o cinema convivendo, isto é, essas tecnologias não são excludentes. A escola tem que imaginar que ela precisa ter essas tecnologias como uma das suas possibilidades, mas não como exclusividade. Eu gosto muito de fazer uma coisa que é antiga, mas não é velha, que é a aula expositiva. Velho é aquilo que está ultrapassado. O livro não é velho, é antigo. Ele será velho se o conteúdo dele for velho e o que dá a conexão é o conteúdo. A tecnologia a ser utilizada dependerá do acesso que se dá. Paulo Freire dizia que educar exige respeito aos saberes do educando e educanda. Nesse sentido, qual é o pa-

pel do professor na missão de descobrir, de fato, o que interessa ao aluno e aluna? Eles devem, filosoficamente, aprender a responder ou perguntar? Ambas as coisas. Um aluno é alguém em formação. A palavra aluno em latim significa “quem está sendo nutrido, quem está sendo alimentado”. Nesse sentido, a tarefa da educação escolar é trabalhar com conteúdos, valores e posturas e, quem é aluno ou aluna, precisa responder e perguntar. No entanto, dizer a um professor que ele deve saber o que interessa aos alunos é apenas oferecer a ele um ponto de partida e não um ponto de chegada. Nós na escola não podemos ensinar apenas aquilo que interessa às pessoas, temos que partir daquilo que a elas interessa para chegar àquilo que é socialmente combinado dentro do projeto pedagógico. Um professor que esquece o que interessa ao aluno vai trabalhar um ensino abstrato, mas aquele que se submeter a ensinar apenas aquilo que interessa ficará absolutamente diminuto, face ao que tem que ser colocado. A tarefa da educação não é deixar as pessoas onde elas já estavam, é levá-las para um lugar que seja superior e coletivamente melhor. O que interessa ao aluno é de onde partimos, não é onde ficamos e nem apenas onde chegamos. Qual é o maior desafio para os educadores e educadoras nos dias de hoje? É observar o quanto que aquilo que se ensina seja de fato conectado à existência que os alunos têm, para assim estabelecer com eles uma ponte para todos caminharem juntos em direção a um futuro que não seja vazio, que não seja meramente fora de conteúdo, que não trabalhe de maneira exclusivamente competitiva, mas colaborativa. E, por isso, a grande tarefa hoje de um educador e de uma educadora é estabelecer essas conexões com os alunos. Essa relação se dá quando se procura estudar e conhecer melhor o que eles assistem, o

que eles gostam, o que eles estão lendo, não para a isso se submeter, mas para levar isso em conta e, com eles, fazer um passeio, uma caminhada dentro do mundo do conhecimento, para ser encantador ao invés de ser absolutamente entediante. Qual mensagem o sr. deixaria para as famílias, professores e professoras em relação aos desafios que enfrentamos, principalmente quanto à questão da autoridade moral? Sempre uso uma frase, que muitos acham que é minha e na internet colocam que é, mas não é. Eu gosto de citá -la, e não tem uma autoria definida. É preciso que pais, mães, responsáveis, educadores e educadoras pensemos nela. Diziam os antigos, e é verdade, “o mundo que vamos deixar para nossos filhos depende muito dos filhos que vamos deixar para o mundo”. A grande questão é que tipo de filhos e filhas estamos deixando, onde queremos chegar. É importante refletir conjuntamente, família e escola, sobre esses caminhos, para que tenhamos a capacidade de, de fato, assumindo essa responsabilidade, fazer o que é nosso dever. Seria um prejuízo moral muito forte se nós abandonássemos aquilo que é nossa tarefa, que é a formação das novas gerações conosco, de maneira que a gente possa ter um futuro, coletivamente, saudável.

Gigi Kassis

balhar com a ideia de uma avaliação que seja interdisciplinar e muito mais interconectada, do que simplesmente fazer com que alguém carregue na memória algo que está disponível hoje em qualquer plataforma.

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Como o lúdico favorece o desenvolvimento infantil? O lúdico e a ação do brincar estão presentes Logicamente que sim, pois assim utilizaremos no ser humano em todo seu ciclo de vida, imporcomo estratégia de ensino, partindo da cultura e tantes fatores para o seu desenvolvimento intelinguagem infantil em suas maiores característilectual e social. O homem cresce brincando e ele cas, um eixo de ligação, relacionando esses a ousó se tornará um adulto desenvolvido, em todos tras formas de linguagens e saberes. Assim sendo, todo e qualquer brinquedo e sua os seus sentidos, se ele brincar, vivenciar suas brincadeiras durante sua infância e continuar ludicidade, quando utilizado e transformado pepraticando o brinquedo de maneira marcante no dagogicamente, favorece e traz benefícios ao dedecorrer da sua vida. senvolvimento infantil, criatividade, habilidade, E é na fase da infância que o lúdico e o brinintelecto e socialização das crianças. Já a Educação Física escolar associa-se também quedo têm maior destaque, pois as crianças, e soa outra característica do lúdico e do brinquedo mente elas, são especialistas em tais fatores, suas infantil: a sua intensidade nas atividades motomaiores características. Brincando, as crianças representam, criam e aprendem, desenvolvendo ras. Reforçando assim, ainda mais, na disciplina a seu intelecto e socialização. utilização desses fatores como É através das brincadeiras Brincando, as crianças estratégia de ensino, eixo de que se dá para as crianças a representam, ligação, ao alcance de suas representação do mundo, o lúdico propostas. criam e aprendem, chamado na linguagem infantil de Nas mais variadas manifes“o faz de conta”. É a ferramenta desenvolvendo seu tações culturais corporais do utilizada por elas para compreen- intelecto e socialização. movimento que fazem parte der as outras culturas. da disciplina Educação Física A escola por sua vez, especialista no desen(ginásticas, jogos, danças, lutas e os esportes), o lúdico e o brincar se fazem necessários em todas volvimento infantil, poderá fazer uso dessas ferelas, sendo esses aliados dos docentes, principalramentas, o lúdico e o brinquedo, para o alcance de seus objetivos, habilidades, competências e mente quando lecionada na Educação Infantil e valores junto aos seus alunos? nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Transformada pedagogicamente, tal brincadeira lúdica proporcionará uma maior compreensão, Alunos construíram os brinquedos em sala de aula criatividade, construção, motivação, participação e cooperação. As artes marciais, por sua vez, desenvolvidas de forma muitas vezes errônea pelas crianças, gerando diversos conflitos e “brigas”, caracterizam-se por ser uma grande oportunidade de orientação e estudo de tal manifestação, em seus princípios e características. Já as atividades no âmbito esportivo, quando trabalhadas de forma não engessada em seu formato e, principalmente, regras (como o apresentado profissionalmente), mas sim na manipulação e no formato do jogo, ajudam na compreensão, aprendizado, socialização e cooperação das crianças. Márcio Eduardo Taddeo Marques professor de Educação Física do Colégio Regina Mundi para a Educação Infantil e Ensino Fundamental 1, Anos Iniciais.


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Aos mestres com carinho Em conversas informais sobre o futuro da educação não é incomum alguém afirmar que “os professores não têm como concorrer com as novas tecnologias”. Os que sustentam essa tese afirmam que os recursos que as crianças, adolescentes e jovens têm à disposição são muito mais atraentes e mais adaptados à realidade das novas gerações do que um professor diante de uma lousa. A tese é parcialmente correta. Não há como concorrer mesmo. No entanto, é necessário entender que o professor e a escola como um todo não devem pretender uma concorrência com as novas tecnologias. É preciso se preparar para tê -las como aliadas. Elas não são um fim em si, são um meio para se chegar ao conhecimento. Quem fizer um bom uso delas, estará ampliando as possibilidades de ensino e de aprendizagem. As novas tecnologias são, portanto, ferramentas que podem ser utilizadas no processo de formação dos educandos – assim como os livros, os cadernos e a lousa. O uso da internet, por exemplo, quando nos referimos à formação de crianças e adolescentes, representa uma ruptura no modelo pedagógico tradicional. Professores, pais escolar. Ela interfere no aprendizado, no processo e Instituições mudam seu comportamento na cognitivo, na percepção de um mundo globalizarelação entre ensino e aprendizagem. A escola do, vindo dessa forma dinamizar o endeixa de ser a grande sino e promover a aprendizagem, tanprovedora do conheci- A escola deixa de ser to dos alunos como de professores. mento e passa a assua grande provedora E o docente da Rede Santa Paulina, mir o papel de facilitacomprometido não dora do conhecimento, do conhecimento e só com o conheciem sintonia com as passa a assumir o papel mento, mas tamreais necessidades de de facilitadora do seus alunos. conhecimento, em sintonia bém com o crescimento pessoal A participação da com as reais necessidades e profissional de tecnologia influenseus alunos, adapcia na construção do de seus alunos. ta seu plano de auuma conhecimento, las ao tempo de aprendizagem vez que serve de veículo para a informação. e à nova forma de estudar dos Porém não é ela quem causa a aprendizagem, alunos, levando-os ao desenmas a maneira como os professores e os alunos volvimento de competências, interagem com ela. Por isso, pode-se afirmar habilidades e valores necesque o uso adequado em sala de aula estimusários para torná-los profissiola a inteligência e cria ambientes favoráveis à nais de excelência no mercado aprendizagem dos educandos, possibilitando de trabalho. diferentes formas de aprender. O aluno, como ator do processo é parceiro/aliado do profesNedriane Scaratti Moreira sor na construção do seu próprio conhecimento. Coordenadora Pedagógica do A forte presença em nosso cotidiano torna neEnsino Médio cessária a inserção da tecnologia no ambiente do Colégio São José

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A contação de histórias e o imaginário infantil

Referências: Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil Vol. 3. Brasília: MEC/SEF, 1998. VYGOTSKY, Lev Semyonovitch. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998. SISTO, Celso. Textos e pretextos sobre a arte de contar histórias. 2 ed. Curitiba: Positivo, 2005. Girardello, Gilka. Baús e chaves da narração de histórias. Florianópolis: SECS/SC, 2004. Coleção Mibocas. Os Fazeres na educação infantil/organizadores Maria Clotilde Rosstti Ferreira... – 5 ed. São Paulo: Cortez, 2002. BORBA, Angela Meyer. O brincar como um modo de ser e estar no mundo. In: BRASIL. Ensino fundamental de nove anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Ministério da Educação. Brasília: MEC, SEB, 2007.

A narração de histórias é uma arte que ocorre no mundo todo e pode ser considerada uma das primeiras formas conscientes de comunicação literária, pois esse movimento de contar histórias nasceu do homem no momento em que ele sentiu a necessidade de comunicação. Presente no cotidiano das escolas, os educadores, quando contam histórias, estão estimulando a leitura, proporcionando o desenvolvimento da interpretação e interação social. Sendo assim, a literatura infantil contribui para o desenvolvimento da criança e oferece um amplo contato com o mundo imaginário. O ato de contar e ouvir histórias auxilia de maneira significativa a prática docente nas escolas. Por meio da contação de histórias, o educador pode proporcionar o desenvolvimento de diversas habilidades cognitivas, enriquecendo a linguagem de seus educandos, formando e ampliando o caráter no processo de leitura e escrita, bem como proporcionar a vivência do imaginário, ampliando e potencializando a linguagem, favorecendo a narração, a construção do conhecimento sobre o mundo, construindo assim, a identidade social e cultural da criança. Por isso, é importante desenvolver, desde muito cedo, o hábito pela leitura, para instigar a curiosidade e despertar diversos sentimentos. Quando o assunto é referente à contação de histórias, a atividade do faz de conta, conhecida também como o jogo simbólico, envolve a ludicidade criadora das crianças e é importante para o desenvolver do universo infantil. ... “o faz de conta é uma atividade importante para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois exercita no plano da imaginação, a capacidade de planejar, imaginar situações lúdicas, os seus conteúdos e as regras inerentes a cada situação.” (VYGOTSKY, 1998). Sendo assim, o faz de conta possibilita a criança viver e sentir a ligação entre o mundo

interior e o mundo real. Neste sentido, ela tem a possibilidade de ter experiências envolvidas com a diversidade de informações e sensações que contribuirão para a sua vida social. Segundo Os Fazeres na Educação Infantil (2002), “experimentando a linguagem do fazer de conta, a criança vai dominando o mundo, compreendendo como ele é, e essa compreensão se dá tanto concreta quanto simbolicamente.” Do mesmo modo, a criança aprende a respeitar e dominar regras, trabalhar suas emoções e frustações, seus medos, bem como experimenta diferentes papéis fazendo uso de interpretações e ressignificando o mundo real. Parafraseando (Borba, 2007), o ato de contar e ouvir histórias leva a criança a entender como se dá o processo de formação da leitura, um hábito significativo que levará por toda a vida. Os educadores, no entanto, necessitam vincular a leitura e a contação de histórias ao conteúdo de diferentes maneiras de ensinar e aprender, partindo do interesse das crianças, de suas escolhas, de suas perguntas e dúvidas, de seus conhecimentos prévios, expondo de maneira lúdica e prazerosa, fazendo a criança interagir com o que está sendo proposto. Elizandra Vieira Demétrio Coelho Professora do Ensino Fundamental Anos Iniciais do Educandário Imaculada Conceição


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A escola em uma perspectiva inclusiva A escolarização de educandos com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades (superdotação) é um grande desafio para os espaços escolares. Com o grande aumento de matrículas deste perfil em escolas regulares, somos convidados a repensar nossas práticas pedagógicas, nossas percepções sobre os processos de ensino e aprendizagem, sobre a gestão escolar e seu papel em um contexto inclusivo. Ao considerarmos que a educação é para todos, a inclusão escolar torna-se um espaço de reflexão da ação educativa. A Escola Medianeira atua na perspectiva de que a aprendizagem acontece através da interação entre os sujeitos, como pontua Vygotski. “Desde os primeiros dias do desenvolvimento da criança, suas atividades adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social e, sendo dirigidas a objetivos definidos, são refratadas através do prisma do ambiente da criança. O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa através de outra pessoa. Essa estrutura humana complexa é o produto de um processo de desenvolvimento profundamente enraizado nas ligações entre história individual e história social”. (VYGOTSKY, 1991, p. 24) Assim, entendemos que a aprendizagem ocorre, inicialmente, em nível social e, após, em nível individual. Portanto, o desenvolvimento das funções psicológicas superiores ocorrerá através das relações entre os sujeitos. Nossas práticas pedagógicas são voltadas para a característica social da aprendizagem e do desenvolvimento. A educação especial é uma modalidade de ensino que perpassa todos os níveis de escolarização e oferece o Atendimento Educacional Especializado (AEE). O AEE ocorre uma vez na semana, em sala de aula, com educandos da Educação Infantil, na perspectiva de um ensino compartilhado entre a educadora especial e a educadora do ensino regular; e em sala de recursos multifuncional, com educandos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Nestes diferentes espaços, o AEE atua contemplando todos os aspectos necessários para a aprendizagem como os aspectos orgânicos do sujeito, aspectos emocionais, cognitivos, sociais e pedagógicos.

Durante os atendimentos, os educandos são desafiados a experimentar suas habilidades através de interação social, no desenvolvimento da linguagem e de ações psicomotoras (lateralidade, coordenação motora global, fina e óculo-manual, esquema corporal, estrutura espaço-temporal, discriminação visual e auditiva). O lúdico é o principal recurso utilizado. Dessa forma, o AEE busca contemplar as potencialidades do educando, para que tenha condições plenas de aprendizagem em sala de aula do ensino comum. Além disso, a educadora especial orienta os demais educadores quanto a suas práticas pedagógicas, desde a formação de professores até o planejamento e adequações destes. Também é oferecido aos pais dos educandos em situação de inclusão escolar um espaço de trocas de experiências e rodas de conversas. O grupo dos pais é coordenado pela educadora especial e por uma educadora do ensino regular que tem formação em Psicologia e Pedagogia, pois se entende que a inclusão escolar é responsabilidade de todos. Manoela da Fonseca Educadora especial

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AÇÕES QUE MINIMIZAM DESIGUALDADES: um gesto de amor fraterno

1 Disponível em: <www.youtube. com/watch?v= pJ5LjmO9FZ8>. Acesso em: 02 de maio de 2016. 2 O vídeo realizado pelos alunos foi veiculado, principalmente, na Página da Escola Medianeira, no Facebook. Disponível em: <www.facebook.com/ escolamedianeira. sm.rs/videos/ 116188950 0533921/>

A Rede Santa Paulina acredita que a formação integral do ser humano perpassa pela ação evangelizadora e, por esse motivo, acrescentou no seu Projeto Político e Pedagógico o “P”, referente à Pastoral Escolar. O intuito dessa inserção é potencializar e reafirmar sua missão: “Educação, Serviço à Vida”. Na Escola Medianeira, o trabalho da Pastoral Escolar, no cotidiano, é visibilizado de forma sutil, porém diária. Com os educandos, o objetivo principal é contribuir no processo de crescimento, no desenvolvimento de suas potencialidades e na vivência de valores humanizadores. Dentre as diversas ações que são propostas, a prática da vivência é algo que merece destaque. Tal fato justifica-se não só pela atividade em si – enquanto motivadora e promotora da mudança de atitude –, mas, principalmente, pelos resultados no decorrer do processo. Durante a vivência executada no primeiro semestre de 2016 com os educandos do 5º ano, foi proporcionada a reflexão sobre as desigualdades e injustiças, presentes na sociedade atual, através da temática Justiça. As atividades foram realizadas por meio do uso de dinâmicas, vídeos e documentários de modo a se tornarem mais atrativas para esta faixa etária.

Ao final da vivência, os educandos constataram que as pequenas ações podem trazer, em um futuro próximo, uma minimização das desigualdades sociais, mas não instantaneamente. “Bom seria se as coisas acontecessem como no vídeo”, destacou Antônio Marion Leal (5º ano A). “Como num passe de mágicas, o menino via os problemas e, imediatamente, desenhava as soluções. Porém, a realidade é bem diferente”, concluiu Antônio. Partindo desta prerrogativa, os estudantes foram motivados a pensar em atitudes práticas mais eficazes do que aquelas apresentadas no filme educativo assistido “Mudar o Mundo”1. Neste filme, o personagem soluciona os problemas sociais através de ilustrações, que ganham vida e são enviadas para os locais em que a injustiça social encontra-se presente. Como resultado desta reflexão, surgiram duas campanhas: A Campanha do Agasalho e a Campanha de Alimentos. Para divulgação, os alunos criaram cartazes e jingles que foram veiculados nas redes sociais2. A mobilização para a coleta estimulou toda a comunidade escolar que, sensibilizada, fez várias doações. Ao final, os educandos, pessoalmente, realizaram a entrega dos donativos arrecadados à instituição escolhida. Renata Maria da Silva Kist Coordenadora da Pastoral Escolar


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Educação Infantil: tempo de experiências O trabalho com a Educação Infantil parte do conhecimento de mundo do educando para que ele aprofunde o mesmo e tenha uma formação pessoal, social e autônoma, a fim de que evolua intelectual e culturalmente, reconhecendo-se como um ser singular, único e especial que pertence e circula dentro de grupos sociais. Na Escola Medianeira, o contato com a natureza proporciona novas descobertas e momentos felizes de aprendizagem. Juntos realizamos ações que estimulam a criatividade, a imaginação, a socialização, o encantamento, o respeito e o cuidado individual e coletivo. A criança desenvolve o cuidado com a natureza à medida que interage com ela e é incentivada a conscientizar-se quanto às suas responsabilidades. A parceria entre escola e família desperta ainda mais uma consciência prazerosa e enriquecedora, como relata a família de um de nossos educandos. “Thomas Gabriel tem verdadeiro encantamento pelos espaços verdes da escola. Os passeios ao pátio, à fazendinha, à floresta ou à gruta são sempre motivos de alegrias e de histórias para contar em casa com muito entusiasmo. Esse contato com a natureza é um diferencial que a escola possui e que cativa nosso filho diariamente”, afirma Andrea Prochnow e Ton Ludwig, pais do educando Thomas Gabriel Prochnow Ludwig. Tendo como suporte todos os referenciais desta etapa, exploramos nosso espaço externo em favor

de trocas e vivências que despertam nas crianças a curiosidade de conhecer e explorar as informações com o objetivo de construir conhecimento. Consideramos a Educação Infantil da nossa escola um espaço de encantamento com a aprendizagem, onde contribuímos com a formação de seres críticos e, sobretudo, humanos; pois cada momento é pensado e preparado para que impulsione o desenvolvimento integral dos nossos educandos. Conforme orientam as Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2010), a proposta pedagógica de ensino da educação infantil deve também cumprir uma função sociopolítica e pedagógica. Alicerceados, pelo carisma de Santa Paulina, também vivenciamos momentos reflexivos sobre os desafios da conduta humana. Incentivamos a criança a olhar para si, suas ações e gestos, mas também a enxergar o próximo com fraternidade, respeito e cooperação. Desta forma, a comunidade escolar integra-se em prol de uma educação humanizadora, pela qual o educando desenvolve-se globalmente nos aspectos cognitivos, motores, afetivos e sociais; tornando-se um agente transformador da sociedade, contribuindo, gradativamente, com ações que valorizam a vida como o dom maior. Juliana Melo da Costa Educadoras regentes, coordenação e orientação – Educação Infantil/2016.

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Ensinar para além do esporte A Escola Medianeira, em especial o segmento do Ensino Fundamental – Anos Finais, vem apostando no estímulo à prática esportiva acreditando que essa proposta pode transformar a vida de muitas crianças e adolescentes, ajudando a superar barreiras e limitações e o crescimento das noções de solidariedade e respeito às diferenças. Temos percebido que o simples fato de estarmos apoiando e incentivando a participação de nossos educandos em um campeonato de Jogos Escolares de Santa Maria (JESMA), já está causando um impacto positivo, pois participar de um evento deste porte envolve emoção, conquistas, derrotas e frustrações. O fato é que geralmente as crianças expressam as emoções de forma muito espontânea, muito mais do que os adultos. Isso, de certa forma, facilita o processo de assimilação, pois quando essa emoção é extravasada e ganha forma (seja através de choro, raiva ou até de um desabafo) ela começa a ser processada e superada. Por mais que as reações das crianças chamem a nossa atenção, elas têm capacidade de se adaptar a novas situações. A frustração também faz parte da vida – inclusive das crianças – e ensina a crescer. Em nossa escola trabalhamos com a filosofia do esporte humanizador e, assim, percebemos nessa proposta uma forma de desenvolver habilidades, competências e valorização humana. Portanto, uma das formas de se alcançar este objetivo é pensarmos numa prática educativa do

esporte orientada por um viés inclusivo, que vise à promoção de atividades recreativas, formativas e sociais. Uma prática que (re) construa valores, tais como: responsabilidade, respeito ao próximo, respeito às regras, desenvolvimento da personalidade, da tolerância, da integração e convivência. E para que isso ocorra é preciso que o educador acredite na mudança, zele por uma coerência total entre suas ideias e suas ações na prática educacional e busque conteúdos e uma metodologia de ensino dinâmica. Em suma, uma aprendizagem formativa que faça do aluno um ser pensante, autônomo, criativo e crítico. Neste contexto, educar em valores pressupõe a conscientização, a promoção ou o fortalecimento dos valores, por meio da criação de oportunidades para que as crianças e os jovens desenvolvam suas competências cognitivas, pessoais, sociais e produtivas e, consequentemente, insiram-se ativamente no meio social. Não é difícil motivar os alunos para a prática esportiva. Tanto meninas quanto meninos procuram o esporte a todo instante, querem fazer aulas, querem aprender e não precisamos convencê-los disso. O esporte é um jogo, uma fantasia, uma coisa que se basta por ela mesma, os alunos encontram nele um fim e isso torna a aprendizagem esportiva muito significante, ou seja, o esporte é muito atraente. O que quer que a gente queira ensinar além do próprio esporte torna-se possível por meio dele, pois os alunos estão ali, muito motivados. Na pedagogia do esporte, esse não é apenas um fim, mas também um veículo de muitas outras coisas importantes que uma criança ou um jovem precisa aprender. Podemos ensinar bem qualquer que seja a modalidade esportiva, mas podemos ensinar também a conviver em grupo, a conhecer o próprio corpo, a cooperar, a construir e compreender a importância das regras de convivência social, e assim por diante. Ensinar esportes é uma arte, ensinar além do esporte é uma arte maior ainda: arte de educar, de bem ensinar; é algo para alguém que se dispõe a levar a sério a profissão de professor. Bem mais do que a formação de atletas, acreditamos que o esporte tem uma importância significativa na formação de seres humanos justos, responsáveis, éticos, solidários e críticos que podem e com certeza farão a diferença, seja como atleta ou líder na sociedade. Elisandra M. Gomes Coordenadora Pedagógica dos anos finais

Rafael Rodrigo Klein Educador Físico – 5º ao 9º ano


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Da aprendizagem de saberes à vivência do protagonismo Tempo de brincadeira ou tempo de estudo? Isto ou aquilo? O que Cecília Meireles nos revela em seus versos que atravessam gerações sem perder a atualidade e o encantamento? Muitas coisas, em poucas palavras. Afinal, não seria essa uma das possibilidades dos textos e ainda, de forma mais radical, dos poemas? Uma das revelações da poesia é que as escolhas não precisam ser necessariamente entre isto ou aquilo, e que buscar entender as coisas do mundo faz parte da curiosidade humana. A escola é um desses espaços que ajuda a entender como as coisas funcionam, porque são de tal ou qual jeito. Nesse contexto, pensar sobre a importância da descoberta do educando como um pesquisador do seu próprio saber ancorado nos valores, possibilita a concretização dessa prática comprometida com o direito ao pleno desenvolvimento humano, mesmo que implicando um conjunto de desafios a serem superados, tanto do ponto de vista das próprias crianças, quanto daqueles responsáveis pela sua efetivação. Tais desafios vão desde a adequação de espaços físicos, garantia de materialidade adequada, mas, sobretudo, se relacionam à perspectiva pedagógica. Entretanto, o fato de reconhecermos a criança como uma construção social, nos possibilita conhecer melhor nossos educandos e suas formas de interagir com o mundo. Isso não pode, no entanto, significar a compreensão de cada um como um universo isolado, como se adultos e crianças não compartilhassem práticas culturais comuns. Os educandos, como atores sociais de pleno direito, participam efetivamente do contexto social no qual estão inseridos e interagem com os signos e símbolos construídos socialmente, assim como constroem novos signos e símbolos a partir dessa interação. A educação da Escola Medianeira não se restringe apenas em transmitir conhecimentos visando o aluno como mero recep-

tor, mas propõe exercer um ensino na formação geral do homem, educando-o para a ciência e para a vida, fazendo através desta e das relações interpessoais um perfeito laboratório para o ensino de valores, como direitos e deveres, cidadania, ética, autonomia, capacidade de convivência, diálogo, dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos, justiça, participação social, respeito mútuo, solidariedade, tolerância, entre outros. Por fim, os Anos Iniciais da Escola Medianeira não transmitem valores nem se formam juízos de valor com situações abstratas. Esses comportamentos são ensinados e abstraídos diante de vivências e práticas que levam o educando a ter experiências e crescimento com elas, pois a escola tem hoje o ideal de ensino-aprendizagem como troca de saberes, onde ninguém é detentor absoluto do conhecimento. As relações ensinam e ajudam a desenvolver a identidade, a pessoa que se quer ser, o equilíbrio emocional que se quer ter e a maneira como se comportarão na fase adulta. É um trabalho semelhante aos das formigas que labutam no verão e desfrutam no inverno daquilo que conseguiram armazenar. A diferença é que na educação não se espera o inverno chegar para desfrutar daquilo que se conquistou, pois as mudanças e os frutos da maturidade e do crescimento são usufruídos a cada dia, a cada escolha, a cada nova experiência. Educadoras dos segmentos Anos Iniciais e Coordenadora Pedagógica

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Uma história de sucesso

Fotos: Arquivo

Há quase 60 anos, a Escola Medianeira, inspirada nos valores de Santa Paulina, investe em uma educação como serviço à vida, valorizando os ensinamentos para a formação de um cidadão proativo e consciente de seu papel no mundo

O nascimento da Escola Medianeira se deu no interior do Santuário de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças e com a aceitação do desafio de fazer da “Educação um Serviço à Vida”. As Irmãzinhas da Imaculada Conceição iniciaram a missão educativa em 06 de março de 1957, com o objetivo respeitar as diferentes etapas da vida do educando, capacitá-lo a realizar novas leituras da realidade e contribuir para torná-lo um verdadeiro agente transformador na sociedade, além de incentivar a respeitar o próximo e o convívio em grupo. Ao se ter como base as virtudes e o trabalho missionário realizado em vida por Santa Paulina é que foi desenvolvido o Projeto Político Pedagógico Pastoral da escola. Nesse sentido, este é um dos diferenciais trabalhados na Escola Medianeira: escola pastoral. Isso significa que há uma perspectiva de gestão cristã que integra as dimensões pedagógica, administrativa, financeira, educacional e pastoral, priorizando o diálogo, a inovação e a reflexão. Atualmente, com mais de 600 alunos, atendendo a Educação Infantil e Ensino Fundamental (Anos Iniciais e Anos Finais) quem está à frente da equipe de colaboradores da instituição é a Ir. Sueli Teresinha Gambeta. Ela conta que, desde a infância, participava de atividades religiosas e que a leitura do livro “A Coloninha”, que conta a história de vida de Santa Paulina, a influenciou a seguir a vida religiosa e poder ajudar o próximo como fez Santa Paulina. Na perspectiva de uma educação à serviço da vida, o trabalho escolar e educacional só é eficiente porque há o diálogo e a união de todos os colaboradores e setores da escola: serviços de jardinagem, limpeza, equipe administrativa, pastoral, pedagógica e Irmãzinhas. Para Ir. Sueli, é essa união que garante o espaço de bem-estar e de convívio saudável, contribuindo com as famílias na formação pessoal e social dos educandos. “É de uma grande responsabilidade dar continuidade a essa obra, nesta época em que vivemos um momento difícil e crítico em nosso País pela profunda crise econômica, que é de caráter mundial. Isso reflete também as marcas da crise ética e de valores. E é neste cenário que somos chamados ‘a fazer a diferença’”, explica Ir. Sueli. Neste contexto, salienta-se que a formação de cidadãos conscientes do seu papel no mundo a partir da inspiração de Santa Paulina é uma motivação para a educação pastoral da escola e por se ter o preceito de fazer sentido nas vidas que passam por esse espaço escolar. Luana Iensen

Educadora de produção textual


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Um Passo à frente Como você imagina a escola no futuro?

“Eu imagino que a escola no futuro tenha acesso à tecnologia, com muita informação e conhecimento, que nos permita entender e participar do crescimento humano e das descobertas que acompanham essa evolução. Também espero que no futuro o giz seja substituído pela tela digital e a internet seja um instrumento de aprendizagem”.

“Eu espero que a escola no futuro acompanhe os avanços tecnológicos, mas que não perca a sua essência. Ou seja, que tenha sempre um referencial na vida dos alunos, buscando valorizar a pessoa como um todo.

Emily Campos Dalla Lana

Andrieli Mariana Gehlen

Turma do 5º ano B

Turma do 7º ano

“Uma nova educação para uma nova era. Os adolescentes de 2016 recorrem aos seus professores o desejo de usar mais tecnologia na sala de aula, só que eles não conseguem interligar a tecnologia com o estudo. Logicamente que, em 2036, por exemplo, as escolas vão estar mais aprimoradas, só que até lá os adolescentes vão ter mais consciência do que é educação”. Daniela Brambila Liemann

Turma do 9º ano

“Imagino a escola com Ensino Médio. Todos os alunos terão tablets. Os estudantes de diferentes idades e turmas vão se organizar a partir de interesses comuns para desenvolver projetos de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento. É preciso encontrar outras formas de avaliação que não sejam só provas, para que a avaliação seja constante e que possa medir a satisfação e o conteúdo assimilado, em um processo de bastante diálogo. Festejos, campeonatos, gincanas, viagens e passeios devem fazer parte do calendário escolar como rotina. Amo minha escola do jeitinho que ela é, essas são algumas ideias”. Izabela Corrêa Fortes Vargas Turma do 5º ano B

“Eu espero que a escola continue legal, divertida e cheia de alunos bons, simpáticos e principalmente interessados. A escola do futuro é constituída no presente, sem renegar o seu passado”. Beatriz Pansonato Gomes Turma do 5º ano A

“Espero que a escola consiga, no futuro, ensinar as crianças do jeito especial que me ensina agora”.

Antônio Marion Leal Turma do 5º ano A

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Educação

que transforma vidas A missão de ser educador e o papel do professor na transformação da vida dos alunos

“N

o mundo atual ser professor é mais que uma missão. É ser mediador do conhecimento na prática do dia a dia, levar para a sala de aula não apenas o conteúdo a ser ensinado, mas o seu carisma, a sua sensibilidade, seu jeito de ser, fazer, ler e compreender o mundo. Ser uma pessoa que faz a diferença na vida do educando”. Ana Cristina Wachtmann Gehlen Educadora (regente) do Fundamental séries iniciais e finais

“A

missão do educador vai além de ser mero transmissor do conhecimento, ele precisa ser um acolhedor, amar o que faz, respeitar as diferenças e ter carisma. Recebemos em nossas mãos o bem mais precioso, a vida, e por isso o nosso exemplo é fundamental para que as transformações ocorram”. Viviane Flores Educadora (regente) da Educação Infantil

“S

er educador é transportar a vida de cada educando, transmitindo e recebendo conhecimentos e práticas, partindo de ações e vivências significativas que contribuem com a sua formação e de seu papel perante a sociedade”. Liliane Marafiga Gampert Educadora (regente) da Educação Infantil

“S

er educador nos dias atuais é uma missão desafiadora, mas, ao mesmo tempo, apaixonante. Fazemos parte diariamente da vida de cada aluno, atuando diretamente na sua formação e na sua “transformação”, com o objetivo principal de torná-los cada dia mais autônomos, para que saibam valorizar e respeitar o mundo e o “outro” com quem convivem, permitindo-lhes sempre encontrarem respostas aos seus questionamentos, descobrindo-se e redescobrindo-se, convivendo bem com as diferenças de cada um”. Denise Van Caneghan

Educadora (regente) 1º ano


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Santa Paulina completa 150 anos e ganha “novo rosto” Santa Paulina, fundadora da CIIC (Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição) completou 150 anos de nascimento em 16 de dezembro do ano passado e a data gerou uma série de comemorações ao longo de 2016. Um dos fatos que mais marcaram o aniversário foi, na verdade, um presente recebido pela Congregação: o novo rosto da Santa. A ABRHAGI (Academia Brasileira de Hagiologia), juntamente com a CIIC, expôs a reconstrução facial de Santa Paulina, em 3D, trabalho realizado a partir do crânio de Amábile. O projeto foi feito por Cícero Moraes, designer 3D, acompanhado por José Luís Araújo Lira, advogado e hagiólogo, com a presença das Irmãs Roseli Amorim (Coordenadora Geral) e Terezinha da Silva (Conselheira Geral). O objetivo do trabalho firmou-se em criar um rosto com um leve sorriso, pois as imagens conhecidas da madre tirolesa, que se naturalizou brasileira, mostram um semblante sério e triste, incompatível com o seu estado de espírito, segundo os relatos de pessoas que a conheceram em vida. Depois de apresentar à comunidade a imagem resultante do processo, a Congregação ganhou dois bustos com o rosto de Santa Paulina impresso em 3D: o primeiro foi para o Santuário Santa Paulina, em Nova Trento (SC), e o segundo foi entregue em junho deste ano, e está exposto no Memorial Santa Paulina, no Ipiranga, em São Paulo. O local guarda os restos mortais da Santa e conta a história de sua maior expoente, bem como a de suas seguidoras. Para Irmã Roseli, as comemorações foram motivo de grande alegria. “Celebrar os 150 anos do nascimento de Santa Paulina é dar graças a Deus pelo dom da vida e pela missão realizada pela nossa Fundadora, a Primeira Santa do Brasil. É também um compromisso com a obra e missão que ela nos confia há 125 anos: a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição”. A Coordenadora Geral também destaca o significado da data. “Nos convoca a todos e todas: Irmãzinhas e leigos/as, como a Famapa (Família Madre Paulina) e o ISSP (Instituto Secular Santa Paulina), colaboradores e devotos, a viver no discipulado de Jesus, a partir do Carisma e Espiritualidade que viveu Santa Paulina, a serviço dos pobres, colaborando na construção do Reino de Deus”.

Processo A montagem e apresentação do busto foi feita por Mari Bueno, especialista em arte sacra. A artista plástica realizou a pintura sobre a impressão 3D do rosto da Santa a convite dos coordenadores do projeto, o hagiólogo (especialista em santos), Dr. José Luís Lira, e do 3D designer Cícero Moraes, que reconstruiu digitalmente a face e articulou a impressão 3D da mesma junto ao Centro de Tecnologia da Informação (CTI) Renato Archer, em Campinas (SP). Residentes em Sinop, Mato Grosso, Mari Bueno e Cícero Moraes realizaram esta parceria em outros trabalhos de reconstrução facial. Entre eles, destaca-se a reconstrução do rosto de Santo Antônio, revelada na Basílica de Santo Antônio, em Pádua (Itália). A mostra, sob curadoria do Museu de Antropologia da Universidade de Pádua, apresentou a história da face humana desde os tempos de nossos ancestrais até os dias atuais. Além de Santo Antônio, Moraes reconstruiu outros sete santos católicos, dentre eles Rosa de Lima, a primeira mulher beatificada nas Américas, e Santa Maria Madalena, a partir de seu suposto crânio guardado em um relicário no sul da França. Rede Santa Paulina Novo rosto de Santa Paulina é apresentado na Capela Sagrada Família em São Paulo

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Prata da Casa Histórias de quem soube fazer suas escolhas, trilhar seus próprios caminhos, mas não esqueceu suas bases

São José

Ales Abrão da Silva

Filho do pedreiro Ales Silva e da professora Letis Silva, Ales nasceu e cresceu no bairro Cordeiros e descobriu o handebol na Escola Básica Melvin Jones, de Rede Municipal de Ensino. Representando a escola em competições municipais, ele foi descoberto pelo auxiliar técnico da Fundação Municipal de Esportes e Lazer (FMEL) na época, o professor de Educação Física do Colégio São José Daniel dos Passos. Passou a integrar as categorias de base da FMEL e, quando concluiu o Ensino Fundamental, recebeu a proposta que mudaria sua vida. Foi convidado para estudar no Colégio São José como bolsista e integrar a equipe treinada pela professora Claudia Monteiro do Nascimento. Ales lembra que a ansiedade tomou conta dele naqueles primeiros dias na nova escola. “O futuro era fazer o Ensino Médio na escola do meu bairro. Era uma utopia ir estudar no colégio mais renomado da cidade. Fiquei nervoso”, lembra. Depois de se formar no Terceirão do São José, Ales deixou a terra natal e se tornou um atleta profissional de handebol. A primeira parada foi em São Caetano do Sul (SP). Há sete anos, chegou à Europa, onde estão os mais renomados times da modalidade. Primeiro Espanha, depois Portugal, onde atua agora pelo Benfica. O talento e a experiência no exterior também levaram Ales à Seleção Brasileira. Representou o Brasil em dois campeonatos mundiais da modalidade, na Croácia e na Suécia, e deve estar no grupo que defenderá o verde e o amarelo no mundial da França, em 2017. Recentemente, venceu o Pan-Americano de Handebol, disputado na Argentina. Arquivo pessoal

Cinara Piccolo/ Photo&Grafia

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Medianeira Adriana Dias

“Iniciei minha vida escolar aos 6 anos e 5 meses, no ano de 1984, na 1ª série. Foram 8 anos de Escola Medianeira, de 1ª a 8ª série do Ensino Fundamental. Nesta fase da vida, posso comentar alguns fatos inesquecíveis vivenciados com professores e colegas da escola. Em primeiro lugar a diretora, a Irmã Maristela, uma senhora muito simpática, atenciosa, um amor de pessoa, lembro-me do rosto dela. Os professores de 1ª série a 4ª série; a professora Maria Gorete, professora Vera Lúcia... uma grande equipe. Sai da Escola Medianeira aos 14 anos, com bons pensamentos e bem preparada para o Ensino Médio. Sou bacharel em Ciências Contábeis, pela UFSM, e também fiz pós-graduação. Atualmente sou funcionária pública concursada na Prefeitura de Santa Maria, lotada na Secretaria de Finanças, setor de Contabilidade. Como nem tudo é perfeito, quando eu estava no 3ª semestre da faculdade sofri um acidente de carro que deixou sequelas de locomoção e, entre uma fisioterapia e outra, conheci crianças que nasceram com essa mesma dificuldade. Para minha surpresa descobri que a Escola Medianeira é uma das poucas escolas de nossa cidade que assiste pessoas deficientes ou com locomoção reduzida sem discriminação e derruba qualquer dificuldade de acesso a essas crianças, caso elas necessitem. Fiquei orgulhosa de ter estudado nessa escola! A Escola Me­­dianeira se aprimorou muito desde meu tempo, acredito que a qualidade tanto de ensino como de estrutura física esteja cada dia melhor.


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Guilherme Sartori

Natural de Florianópolis, formado em Administração Empresarial pela ESAG/ UDESC, Guilherme Sartori estudou no EIC por onze anos. Administrador da própria empresa – uma academia de musculação –, ele lembra com carinho do EIC. “Me recordo de praticamente tudo. Desde professores que marcaram até as tão esperadas gincanas de julho. No EIC construí amizades que levo até hoje. Os momentos que vivi em toda minha infância e adolescência me fizeram crescer pessoalmente e hoje me deixam com muitas saudades”. Sobre a importância do EIC na formação, Guilherme comenta. “O EIC é diferenciado por criar um relacionamento forte com o aluno, onde ele não seja apenas um número a mais num grande colégio. Isso fez desenvolver em mim valores que estão até hoje e que são, de longe, mais importantes que qualquer matéria estudada. O EIC me auxiliou na minha formação profissional e, principalmente, foi fundamental para me tornar a pessoa que sou hoje”.

Arquivo pessoal

EIC

Fátima

Arquivo pessoal

“Poucas vivências marcaram-me tanto como a de ter sido aluno do Fátima entre 1982 e 1986 (5ª a 8ª série). Foi no Fátima, entre as aulas, a biblioteca, os momentos poéticos e a participação nas atividades do Centro Cívico que decidi ser professor. A maioria dos educadores com os quais tive contato marcou-me pelo compromisso com o aluno, a dedicação ao trabalho docente e, mais que tudo, a relação de acolhida, escuta e respeito ao processo de cada um de nós. Sou professor há 26 anos. Sempre busquei pautar meu trabalho pela atenção aos estudantes, buscando conhecer a realidade de cada uma e cada um a fim de organizar meu trabalho de forma a tornar a aprendizagem significativa para a vida do aluno. Aprendi muita coisa nos dois cursos de graduação, nas especializações, no Mestrado e, mais recentemente, no Doutorado. A presença educativa das Irmãs, às vezes séria e exigente, outras sorridente e carinhosa, fazia-nos perceber que estávamos acompanhados, educados e amados. Hoje vivo em Brasília (DF), dedico-me à formação de professores por meio de cursos, palestras, assessorias, pesquisas e escrita de artigos e livros e tenho muito a agradecer à Escola Fátima, às Irmãs, professores e funcionários que souberam semear em mim o desejo de ser cada vez mais uma presença responsável e comprometida com a melhoria do mundo.”

Regina Mundi

Paula Fernanda da Cruz Santos “Sou da terceira geração da família a ter vínculo com o Colégio. Minha avó materna trabalhou no Regina Mundi e minha mãe ainda trabalha, a “Tia Cida” da secretaria. Ingressei no Nível I da Educação Infantil, com quatro anos de idade, e concluí o Ensino Médio. Foram, sem dúvida, os anos de maior aprendizado na minha vida, dos quais guardo muitas amizades, com quem tenho contatos até nos dias de hoje, pessoas que ajudaram a me tornar uma cidadã melhor. No colégio passei por maravilhosas experiências e vivenciei muitas coisas importantes. Sou Nutricionista, formada pelo Centro Universitário São Camilo, e pós-graduada com especialização em Nutrição Clínica Hospitalar e Gerontologia. Já no Ensino Médio, durante os anos finais de Regina Mundi, eu já tinha a certeza da profissão que escolheria. Foi um prazer ter colaborado com a Feira de Profissões deste ano e, talvez, despertar o interesse de outros jovens nesta carreira. Agradeço aos professores, Irmãzinhas e toda comunidade do Regina Mundi por ter estimulado em mim a vontade de a p r e n d e r, não só conteúdos de um ensino de qualidade, mas, acima de tudo, valores humanos que enriqueceram a minha vida profissional”. Arquivo pessoal

ADRIANO JOSÉ HERTZOG VIEIRA

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Carisma de educar na Rede Santa Paulina

Tudo começa há 125 anos, quando a jovem Amábile Lúcia Visintainer, hoje Santa Paulina, responde ao pedido de Nossa Senhora de Lourdes: “Quero que inicies uma obra”. A resposta é firme e decidida: “Servir-vos minha querida mãe”. Sua atitude de fé é semelhante a de Maria de Nazaré que responde ao anjo: “Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. Com determinação e ousadia, no dia 12 de julho de 1980, Amábile e Virgínia deixam suas famílias e, num gesto de amor, acolhem Lúcia Ângela Viviani, portadora de câncer. Colocam-se a serviço da vida e deixam o carisma como legado para a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição: “Sensibilidade para perceber os clamores da realidade e disponibilidade para servir aos que estão em situação de maior injustiça”. A vida de Santa Paulina caracteriza-se pela entrega a Jesus e a Maria, fundamentada e pautada no Evangelho: amor, serviço alegre e acolhedor. No seguimento a Jesus Cristo e inspirada por Santa Paulina, a Congregação está a serviço da vida, sendo presença profética e solidária junto aos pobres e excluídos(as). O carisma se faz presente na ação das Irmãzinhas em muitos lugares e realidades através das Ações Evangelizadoras. A missão na Educa-

ção vem desde a fundação em 1890, quando em Vígolo (Nova Trento-SC), Amábile, sensível como foi, ensinava as crianças, acolhia órfãos, fundou uma escola na cidade, compartilhou saberes e motivou as Irmãzinhas para que ensinassem tudo o que sabiam. Ela reconhecia nas pessoas necessitadas a “verdadeira imagem de Nosso Senhor”. Ela conduzia para as verdadeiras grandezas, que tem como norma o amor que constrói a vida, a esperança e manifesta o Reino de Deus. A Rede Santa Paulina de Educação definiu em seu Projeto Político Pedagógico e Pastoral: “A educação para nós é promotora da vivência dos valores humano-cristãos; fundamentada na pedagogia de Jesus, expressa pelo carisma da CIIC; comprometida com a história e a transformação do mundo, referenciada em valores e objetivada em competências; voltada para o ser humano, formando-o para a cidadania, para a humanização e profecia”. Idealiza um aluno sujeito de sua aprendizagem; agente transformador da sociedade; consciente do significado da escola e da formação recebida em sua vida; pensante e questionador, pautado em valores, habilidades e competências. Investimos na formação de educadores comprometidos e cuidadosos nas relações com as pessoas, convictos do próprio papel histórico de formadores autênticos de novas gerações, numa relação dialógica com o conhecimento e com o sujeito desse conhecimento. São conhecedores e atuantes dos e nos princípios que norteiam a escola, comungando com a missão da Congregação: “Educação, serviço à vida”. O carisma norteia toda a ação evangelizadora e pedagógica da escola com atitudes, gestos e palavras. Muitos passos foram dados nessa direção e queremos crescer ainda mais, tornando o carisma cada vez mais vivo, eficaz e atuante na vida e história de cada pessoa, com humildade, simplicidade, alegria, escuta, perdão, ousadia e fazendo a diferença para uma sociedade melhor. Temos certeza de que vivendo a missão da CIIC, a exemplo de Santa Paulina, estamos celebrando da melhor forma possível os 150 anos do seu nascimento. Ir. Helena Rosa da Silva

Coordenadora Administrativa do Colégio Regina Mundi


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Dicas de Livros Amarílis Luisa e o irmão Tiago inventaram um jogo com uma regra simples: abriam um livro ao acaso, se caísse numa página com texto, ela o lia para ele, se fosse imagem, ela teria que descrevê-la e explicá-la apenas com palavras. Nas histórias lidas e, às vezes inventadas por Luisa, a mesma se preocupava em criar um mundo imaginário rico em detalhes, era assim que a irmã iluminava o mundo de Tiago era deficiente visual. Eva Furnari (Editora Moderna)

Malala A menina que queria ir para a escola As memórias fluem deliciosamente ao reencontrar aquela jovem forte e corajosa que luta pelo direito de simplesmente ir à escola e que não se intimida mesmo após ter sofrido um atentado. Quanta bravura, quanta inspiração! Como se não bastasse isso tudo, em seu discurso na ONU, no recebimento do prêmio Nobel da Paz, disse ao mundo: “Peço aos líderes que devemos investir em livros ao invés de balas”. Adriana Carranca (Companhia das Letras)

Qual é a tua obra? A ideia de trabalho como castigo precisa ser substituída pelo conceito de realizar uma obra. Enxergar um significado maior na vida aproxima o tema da espiritualidade do mundo do trabalho. Este é um texto sobre as inquietações do mundo corporativo. Neste livro, o autor procura desmistificar conceitos e pré-conceitos e define o líder espiritualizado como aquele que reconhece a própria obra e é capaz de edificá-la, buscando o significado das coisas. Mario Sergio Cortella (Editora Vozes)

Eu nunca vou comer um tomate Charlie tem uma irmãzinha, a Lola. Às vezes, ele precisa cuidar do jantar dela. Isso não é nada mole, porque ela é muito enjoada para comer. Até que um dia ele arruma um jeito criativo de resolver o problema. Lauren Child (Editora Ática)

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Passatempo

Cruzadinha S ou SS

Sudoku

Solução

Cruzadinha G ou J


60anos

De muita histรณria e sempre fazendo a diferenรงa!


MATRĂ?CULAS ABERTAS! AGENDE SUA VISITA! Avenida Medianeira, 415, Santa Maria (RS) (55) 3028-3470 www.escolamedianeira.com.br @escolamedianeira.sm.rs

Revista do Medianeira 2016  

Rede Santa Paulina de Educação

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