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Jornal do Inpa Manaus, Março 2012 - Ano IV - Ed.18- ISSN 2175-0866

www.inpa.gov.br

Inpa desenvolve sistema prático para sutura de ferimentos O sistema bioabsorvível é um novo processo cujo pedido de patente foi depositado ano passado e que contém partes que podem ser absorvidas pelo organismo Filme Apocalíptico ("Apocalypto", 2006). Direção: Mel Gibson

Foto: Eduardo Gomes

Foto: Josiane Santos

Foto: Eduardo Gomes

Inpa debate comunicação socioambiental no I ECSA

Inpa recebeu professores da Universidade de Tennessee para novas parcerias

Inpa negociou transferência de pelo menos dez tecnologias para comercialização

O Instituto participou do I Encontro de Comunicação Socioambiental do Amazonas (ECSA) em busca de contribuir no entendimento entre especialistas na área ambiental e profissionais da comunicação

“Através do programa Ciência Sem Fronteiras, vamos dar a oportunidade de intercâmbio para nossos bolsistas”, expõe o vice-diretor do Inpa, Estevão Monteiro

Em 2011, foram nove produtos enviados para receber proteção do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi)

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Boa leitura

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SBPC vai discutir “Educação e Ciência na Amazônia”

Encontro ConsCiência aconteceu em Balbina

Observando Borboletas: Uma experiência para o monitoramento de fauna em Unidades de Conservação Pág. 02

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Projeto Circuito da Ciência do Inpa inicia atividades Pág. 02

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Inpa levou educação às escolas públicas de Manaus Pág. 08


Página 02 - Março 2012 Fale com a redação

Expediente Assessora de Comunicação: Tatiana Lima (MTB 4214/MG) - Editor Chefe: Eduardo Gomes - Repórteres: Clarissa Barcellar, Delbert Bittencourt, Josiane Santos e Fernanda Farias Editoração Eletrônica: Juliana Lima - Revisão: Fernanda Farias - Fotos: Eduardo Gomes, Marcelo Callegone Tiragem: 1000 - Edição 17 -Março - ISSN 2175-0866. Produção: Assessoria de Comunicação do Inpa/MCTI.

+55 92 3643-3100 / 3104 digital.inpa@gmail.com ascom_inpa Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia - INPA/MCTI

Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação

Tome Ciência Foto: Eduardo Gomes

Foto: Eduardo Gomes

Divulgação SBPC

Peixe-boi da Amazônia foi tema do primeiro Encontro Consciência de 2012

Projeto Circuito da Ciência do Inpa inicia atividades

SBPC vai discutir “Educação e Ciência na Amazônia”

A Assessoria de Comunicação do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônica (Inpa/MCTI) iniciou 2012 com a realização de mais um Encontro Consciência. Em sua sexta edição, o encontro, que visa promover a difusão do jornalismo científico entre profissionais de comunicação e também estudantes de jornalismo, busca consolidar o interesse popular sobre a área científica. O evento, que aconteceu em Balbina, a 187km de Manaus, foi realizado em parceria com o Centro de Preservação e Pesquisas de Mamíferos Aquáticos (CPPMA) e a Associação Amigos do Peixe-Boi (AMPA), organização não governamental (ONG) conveniada com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Inpa, abordando a temática de preservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia.

Finalizando o mês de março, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) promoveu o 1ª Circuito da Ciência de 2012, tendo como destaque os 17 anos do Bosque da Ciência. O evento contou com a participação do vice-diretor do Inpa, Estevão Monteiro; o coordenador de Extensão, Carlos Bueno; o coordenador do Circuito da Ciência, Jorge Lobato; o presidente da Comissão do Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), Luiz Castro; e o representante da empresa Moto Honda da Amazônia, Josué Campos. Os coordenadores e colaboradores parabenizaram o Bosque e ressaltaram que em todo esse tempo o Bosque já recebeu 1,4 milhões de visitantes, entre estudantes, pesquisadores e turistas de vários lugares do mundo.

Entre os dias 27 e 29 de abril, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizará uma reedição da Reunião Regional de Oriximiná ocorrida em 2008 com o tema: Educação e Ciência na Amazônia, que na ocasião superou as expectativas em número de participantes, atraindo mais que o dobro dos 600 inscritos. A Reunião Anual de 2012 reeditará o tema, apresentando novidades em educação e ciência na região, a exemplo da implantação da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), com cursos de graduação ofertados pelo Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR); e a criação de novos institutos de pesquisa, como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (ADAPTA).

Boa Leitura | Observando Borboletas: Uma experiência para o monitoramento A cartilha foi elaborada com base nos levantamentos de borboletas, realizados com a colaboração de moradores de duas Unidades de Conservação no Estado do Amazonas. São elas: O Parque Nacional do Jaú, localizado no Baixo Rio Negro e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no Rio Purus. Nas duas Unidades de Conservação, este trabalho representa a primeira atividade relacionada a este grupo de insetos. O objetivo da obra é contribuir para a diminuição das lacunas de conhecimento da biodiversidade amazônica. O trabalho representa uma ferramenta de uso no treinamento e capacitação de pessoas que colaboram efetivamente na gestão de Unidades de Conservação, mas não possuem acesso aos documentos técnicos já produzidos. Os interessados em adquirí-la podem entrar em contato com a Editora Inpa, por meio do telefone 3643-3223


Educação e Sociedade

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Inpa debate comunicação socioambiental no I ECSA O Instituto participou do I Encontro de Comunicação Socioambiental do Amazonas (ECSA) em busca de contribuir no entendimento entre especialistas na área ambiental e profissionais da comunicação Foto: Eduardo Gomes

|Clarissa Bacellar Da equipe do Divulga Ciência

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bro da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA), Adalberto Marcondes. Para o coordenador de Extensão do Inpa, Carlos Bueno, a participação do Instituto neste evento representa a busca pelo avanço cientifico e educaci-

A nossa ideia aqui é mostrar como que a ciência e tecnologia podem contribuir (...) para melhor entender a natureza

parte exatamente em ser eficaz, “ vamos fazer acontecer”, economia verde, sustentável. O homem já tem que pensar dessa forma”, disse Bueno, referindo-se a eficácia das propostas que o evento pretende gerar e levar à conferência da ONU. E para o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Odenildo Sena, como bem exemplificou ao abordar o desaparecimento de igarapés (curso d\'água caracterizado por pouca profundidade e por correrem quase no interior da mata), muitas vezes desconhecidos pelas gerações mais jovens, “na comunicação socioambiental o desafio é o apagamento da história”. “E depois, como reconstruir essa história, até como argumento forte, para a gente disseminar a ideia de preservação, se essa história está apagada?”, instiga Sena. O evento irá gerar propostas e diretrizes que serão reunidas e enviadas para a Rio+20, logo o papel do Inpa, nas palavras de Bueno, “não é só mostrar a situação, mas ser pró-ativo e mostrar propostas de como devemos nos conduzir, para que os representantes se comprometam com o desenvolvimento nos próximos anos”.

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Durante o dia (21) de março, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) participou do I Encontro de Comunicação Socioambiental do Amazonas (ECSA), promovido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), no auditório do Hotel Caesar Business (Avenida Darcy Vargas, 654). O evento propôs debater os temas que serão abordados na Rio+20 (Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU), sobre a proteção do meio ambiente), a economia verde no contexto da sustentabilidade e na erradicação da pobreza, e ainda o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Compondo o segundo painel, “A governança e a comunicação socioambiental no Amazonas”, durante a tarde, estavam: o coordenador de Extensão do Inpa, Carlos Bueno; o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Odenildo Sena; as jornalistas, Daniela Assayag, Marcela Rosa e Amélia Gonzalez; o editor, Edemar Gregório; o superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgilio Viana; e mediando o debate, o jornalista mem-

onal. “Nossa ideia é mostrar como a ciência e a tecnologia podem contribuir com desenvolvimento regional. Assim, como um manejo mais adequado, conhecendo conceitos, cenários, e o que pode acontecer se a exploração não for adequada”, afirmou. “Esses conceitos que vão mudando, se a gente for pensar nos últimos 20 anos, da Rio +92 pra Rio +20, nesse período as coisas mudaram muito e mudam no cotidiano, palavras novas vão surgindo, conceitos novos, e precisamos discutir pra entender exatamente o que significa isso e essa discussão


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Meio Ambiente Acervo de Coleções do Inpa participa de exposição inédita

Inpa recebeu professores da Universidade de Tennessee “Pelo programa Ciência Sem Fronteiras, nosso bolsistas terão oportunidade de fazer intercâmbio”, expõe o vice-diretor do Inpa, Estevão Monteiro Foto: Eduardo Gomes

Mudanças climáticas afetam florestas do Tennessee Durante a tarde de ontem, o professor da Universidade de Tennes-

|Delber Bitencout Da equipe do Divulga Ciência

see, Donald Holdges, palestrou para alguns bolsistas sobre a situação das florestas de Tennessee, impactadas diretamente pelo uso indevido de terras e de animais nativos. “As florestas no Tennessee estãomais vulneráveis às mudanças climáticas nas próximas décadas, daí a importância de estudos que avaliam o potencial nos ecossistemas florestais do Estado e no desenvolvimento socioeconômico”, explicou Holdges. Os professores da Universidade visitaram a Reserva Adolpho Ducke e a estação ecológica do Cuieiras

O Programa de Acervos de Coleções Científicas (PCAC) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) participa pela primeira vez de uma grande exposição. Trata-se da exposição inédita "Museus e Animais Memórias do Brasil" junto com mais 16 museus e coleções brasileiras, dentre as quais estão o Museu Paraense Emilio Goeldi,Instituto Butantan, Instituto Científico Vital Brazil e Museu Nacional do Rio de Janeiro. Essa é a primeira vez que ocorre esse tipo de exposição em um Congresso Brasileiro de Zoologia, cujo principal objetivo é ressaltar a importância da memória da biodiversidade brasileira. O stand das Coleções Zoológicas do Inpa destaca-se por suas peculiaridades das espécies amazônicas, como o gavião-real, preguiça, piraíba, bacupedra, tartarugas amazônicas e invertebrados diversos (insetos, crustáceos e aranhas) e publicações da editora. “Dentre as publicações que trouxemos os mais vendidos no congresso são os livros: Biodiversidade do médio madeira; Tartarugas da Amazônia; Entomologia da Amazônia Brasileira; Guia de Sapos e o Cd Vozes da Amazônia Brasileira”, conta a técnica do Inpa, presente no evento, Shirley Cavalcante.

Programa Ciência Sem Fronteira Ciência sem Fronteiras é um programa que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio das instituições de fomento:CNPq e Capes, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC.

Biodiversidade e memória O objetivo do evento foi atentar para a importância desses museus para a preservação do patrimônio e memória da biodiversidade nacional. A exposição, que é vinculada à temática do 29º CBZ “Biodiversidade e Memória”, visa o compartilhamento de experiências para a educação científica em museus, valorizando este espaço de grande importância regional. Jogos, brincadeiras e teatro de fantoches também são atividades da exposição que fizeram a alegria de crianças e visitantes de todas as gerações.

|Fernanda Farias Da equipe do Divulga Ciência

Durante a manhã do dia 20, o Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa/MCTI) recebeu professores da Universidade de Tennessee, localizada nos EUA, com intuito de promover o intercâmbio de alunos das duas Instituições, pelo Programa do Governo Federal,“Ciencia Sem Fronteiras” e do interesse da própria Universidade. Durante a primeira reunião, o vice-diretor do Inpa, Estevão Monteiro, juntamente com pesquisadores do Instituto, puderam apresentar as instalações do Inpa, explicando mais sobre o funcionamento do Instituto, e mostrando de que forma o Inpa busca oferecer uma estrutura de qualidade aos seus bolsistas. O interesse da Universidade de Tennessee em se agregar às atividades de pesquisas que o Inpa realiza, nos mostra que temos capacidade de formar profissionais qualificados para qualquer lugar do mundo”, comentou.

A exposição ocorreu de 5 a 9 de março durante o XXIX Congresso Brasileiro de Zoologia (CBZ) no Centro de convenções da Bahia, em Salvador


Ciência e Tecnologia - Divulga Ciência

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Inpa desenvolve sistema prático para sutura de ferimentos O sistema bioabsorvível é um novo processo cujo pedido de patente foi depositado ano passado e que contém partes que podem ser absorvidas pelo organismo Filme Apocalíptico ("Apocalypto", 2006). Direção: Mel Gibson

|Josiane Santos Da equipe do Divulga Ciência

em humanos pela Food and Drug Administration, instituição americana responsável pela proteção à saúde pública, e garantir a segurança e eficácia de medicamentos de uso humano e veterinário, produtos biológicos, dispositivos médicos, cosméticos e produtos que emitem radiação.

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As propriedade desses materiais podem ser alteradas a fim de prover rigidez suficiente para penetrar e fixar na pele

Obando explica: “nesse novo processo foram trabalhados dispositivos biorreabsorvível porque se pretendia fazer uma analogia à técnica de sutura com formigas, realizadas pelos índios, que durante o tempo da cicatrização as formigas se esfarelam e caem por conta própria. Assim, no grampo de sutura anterior, de liga de aço cromo e silicone, foi acrescentado polímero

biorreabsorvível, tornando esse novo processo mais prático, pois os grampos de sutura em geral têm que retornar ao médico para retirar, como esse foi adicionado um material reabsorvível, encarrega-se de absorver na pele e soltar por conta própria”. “As propriedade desses materiais podem ser alteradas a fim de prover rigidez suficiente para penetrar e fixar na pele, degradando-se ao tempo da cicatrização. Combinação perfeita para perfurar, encaixar, juntar, cicatrizar e soltar da pele”, destaca a designer. A equipe está aguardando negociação com alguma empresa para produção do protótipo do grampo sutura. Somente após a criação do protótipo é que poderá ser testado em humanos.

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Baseado na técnica biônica - observação dos sistemas vivos da natureza para empregar em processos, técnicas ou princípios que possam ajudar na criação de projeto - a designer industrial Thays Obando, com a ajuda e sob a orientação do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Carlos Cleomir, desenvolveram um sistema de grampo sutura bioabsorvível. No desenvolvimento desse novo processo, a designer fez levantamento de polímeros biorreabsorvíveis já existentes, empregados em tecidos que necessitam de um suporte temporário para sua recomposição tecidual. Esse processo inseriu materiais como ácido poliglicólico (PGA) e o polidioxanona (PDS) já utilizados na forma de parafusos, pinos e placas nas aplicações ortopédicas e cirurgias orais em humanos e animais. Os materiais citados têm uma longa história no uso de suturas cirúrgicas degradáveis e são aprovados para uso

Interdisciplinaridade O estudo demonstra que a aplicação do conhecimento é multidisciplinar, e a Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (CETI) do Inpa, analisa projetos com potencial de proteção.


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Ciência e Teconologia

Inpa negocia transferência de pelo menos dez tecnologias para comercialização Em 2011, foram nove produtos enviados para receber proteção do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) Foto: Josiane Santos

| Josiane Santos Da equipe do Divulga Ciência

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pelo Instituto. O início da produção depende da finalização dessas negociações. A coordenadora de Extensão Tecnológica e Inovação (CETI) do Inpa, Rosângela Bentes, ressaltou que a procura é um reflexo das divulgações das atividades que o Inpa realiza. “A

Temos a sinalização das empresas para interesses de parceria com o Inpa nessa questão de patente

em ter em nossa rotina de trabalho a efetiva interação com investidores e empresários para negociar e entender sobretudo a necessidade do mercado de seu seguimento, além de apresentar as tecnologias e a cadeia de acesso à matéria prima, e por fim transferir para eles da melhor forma as tecnologia. Temos a sinalização das empresas para interesses de parceria com o Inpa nessa questão de patente”, ressalta Bentes.

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O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) está em negociação com três investidores do Estado do Rio de Janeiro para produção em larga escala de aproximadamente dez tecnologias desenvolvidas pelo Instituto. Eles representam a empresa Z7Zoe e estão interessados em produzir tecnologias desenvolvidas pelo Inpa nas áreas de cosméticos, saúde e fitoterápicos. “Desde o princípio, a empresa objetiva a sustentabilidade e apoio à saúde de maneira orgânica. Daí imaginamos que toda diversidade Amazônica, pudessem ser o carro chefe da empresa. A produtividade da matéria prima sempre será feita no estado beneficiando a comunidade”, explica José Antonio Silva Lino, um dos investidores. Lino afirma que o interesse surgiu depois de conhecer o que o Inpa desenvolve por meio de divulgação. Após os primeiros contatos, iniciou o processo de estudos e negociação de algumas tecnologias desenvolvidas

idéia é exatamente essa: divulgar essas tecnologias que foram desenvolvidas com o objetivo de atrair e estimular investidores, micro e pequenas empresas para apresentar as possibilidades de licenciamento. Bem como o apoio que o governo disponibiliza para as empresas que querem investir em produtos de base tecnológica, e isso tem ocorrido constantemente. O retorno que estamos tendo

Parcerias anteriores No ano passado, o Inpa assinou o contrato de transferência de tecnologia para o uso das patentes para as empresas Biozer da Amazônia e Néctar Frutas da Amazônia, com sede em Manaus. As empresas irão utilizar as patentes dos pesquisadores para formularem novos produtos a partir dos processos desenvolvidos pelo Instituto. Outra parceria realizada foi com a empresa Knorr Produtos Técnicos, do Rio Grande do Sul, que prevê a produção de corantes naturais por meio de resíduos sólidos.


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Pesquisa - Divulga Ciência

Estudo do Inpa prevê para este ano uma cheia das mais severas já registradas A previsão de cheia deste ano está 10 cm abaixo da maior cheia já registrada em 2009 com 29,77m Fonte: Jochen Schöngart

| Josiane Santos Da equipe do Divulga Ciência

rada, no Pacífico Equatorial, este fenômeno contribuiu para o aumento das chuvas na região. Isso fez o rio encher de forma rápida. O nível do rio no início do ano estava na média histórica e atingiu em dois meses um recorde”, explica Schöngart. “O aumento de chuvas (durante La Niña) e diminuição de chuvas (durante El Niño) nas cabeceiras do

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O nível do rio no início do ano estava na média histórica e atingiu em dois meses um recorde

na de junho, e uma vazante, geralmente no final de outubro. Segundo Schöngart, nos últimos 25 anos as cheias indicam uma leve tendência de aumento e as secas tendem ser mais severas. As diferenças calculadas entre cheia e seca (amplitude anual) aumentaram durante este período resultando na maior amplitude anual registrada ano passado com 14,99 m. Com 110 anos de dados da série temporal em Manaus, o pesquisador afirma que ainda não é suficiente para entender a variabilidade natural do ciclo hidrológico e os fatores externos que influenciam o regime. Existe uma grande preocupação à espeito de futuras cheias e secas no contexto das mudanças climáticas, por isso o Inpa, MPIC e o Grupo de pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de áreas Úmidas (Maua) estão trabalhando na reconstrução do regime hidrológico utilizando anéis de crescimento de árvores das florestas alagáveis.

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Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em parceria com o Instituto Max Planck de Química (MPIC) a cheia deste ano será das mais severas já registradas no Amazonas, com média prevista para 29,67m (margem de erro de 29,29-30,05 m), apenas 10cm abaixo que a maior cheia já registra em 2009. Previsões de cheia são realizadas desde 2005 pelo pesquisador Jochen Schöngart do MPIC em parceria com o Inpa. O estudo prevê com antecedência média de 100 dias o nível máximo com um erro médio de 38 cm. Os dados foram baseados em um modelo publicado no Journal of Hydrology que prevê cheia para a região de Manaus e arredores utilizando dados do nível d'água atual e a situação no Pacífico Equatorial (indicado pelo Índice da Oscillação Sul). No início de março o rio negro registrou níveis recordes para este período. “Nunca no início de março o rio foi tão alto. Como temos uma La Ninã mode-

rio Solimões e seus afluentes, resulta em cheias mais severas (La Niña) e cheias mais fracas (El Niño) na Amazônia Central”, alerta. Ciclo hidrológico A Amazônia Central possui um ciclo hidrológico caracterizado por uma cheia, geralmente na segunda quinze-


Educação e Sociedade

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Inpa leva educação ambiental às escolas públicas de Manaus Por meio de projeto desenvolvido no Instituto, os estudantes da rede pública de ensino de Manaus tem a oportunidade de conhecer e aprender a cuidar da Reserva Florestal Adolpho Ducke Foto: Marcelo Callegone

|Eduardo Gomes Da equipe do Divulga Ciência

versidade da reserva para os estudantes. As escolas participantes foram selecionadas aleatoriamente nas várias regiões de Manaus e a partir da aceitação da realização das atividades foram incluídas em um cronograma, contemplando desta forma a participação

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como meta principal, alertar a cidade para os cuidados que a população precisa ter com a Reserva Florestal Ducke e todos os organismos e sistemas dessa área. Nessa etapa estão envolvidos diretamente estudantes do ensino fundamental em atividades que objetivam a sensibilização ambiental e proteção do local. Além das oficinas, as escolas recebem também exposição de banners e também jogos e dinâmicas desenvolvidas em grupos, que facilitam na troca de conhecimento entre alunos e pesquisadores. Juntamente com a equipe de educadores e estagiários do Lapsea, participam no desenvolvimento das atividades, cerca de dez jovens, participantes do projeto Jovens Ambientalistas que atuam como monitores das atividades a serem desenvolvidas nas escolas, mais particularmente na exposição e condução de jogos e dinâmicas educativas.

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Com o objetivo de apresentar a Reserva Florestal Adolpho Ducke, por meio de estratégias que envolvem a educação ambiental, o projeto para crianças e jovens “Um olhar para a Reserva Florestal Ducke” (Educke), coordenado pelo Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (Lapsea) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), em conjunto com a Associação dos Servidores do Inpa (Assinpa), retoma nesta terça-feira (20) a realização de oficinas e exposições junto a 27 escolas públicas que compõem o sistema estadual e municipal de ensino da cidade de Manaus. A primeira escola agraciada pelo projeto foi a Escola Estadual Marechal Hermes, localizada no bairro Nova Esperança, zona oeste de Manaus. O projeto que conta com o patrocínio das empresas Petróleo Brasileiro S.A (Petrobras) e Moto Honda da Amazônia desde 2010, leva aos alunos do 6º ano do ensino fundamental, exposições, jogos e palestras que visam a popularização do conhecimento sobre a biodi-

Os conhecimentos deste livro servirão também de fonte de consultas para trabalhos voltados para pesquisas

de cerca de 500 alunos nas oficinas e 5.000 alunos nas exposições. As escolas participantes recebem ainda um kit de material didático (jogo quebra-charadas e guia temático) para uso em suas atividades escolares. Educke O projeto Educke é desenvolvido desde 2004, mas foi a partir de 2011 que se ampliou como programa de educação ambiental e divulgação científica, tendo

Divulga Ciência - Março/2012  

Jornal de divulgação científica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA

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