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Divulga Ciência

Jornal do Inpa

www.inpa.gov.br

Manaus, Maio de 2010 · Ano II · Ed. 06 · ISSN 2175-0866

Distribuição Gratuita

Terra preta de índio pode auxiliar agricultura na Amazônia Pesquisa Foto: Daniel Jordano

O Inpa integra uma rede internacional que estuda o tema com a finalidade de favorecer a agricultura regional . Pág. 5

Pesquisador do Inpa Newton Falcão e a pesquisadora da Universidade de Michigan (EUA) Antoinette WinklerPrins em visita à área de pesquisa na Costa do Laranjal, comunidade do município de Manacapuru-AM

Saúde

Educação & Sociedade

Pesquisa

Inpa integra programa de redução da mortalidade infantil Pág. 6

Seminário debate importância da conservação de obras raras Pág. 4

Pesquisa garante identificação de novos insetos nos igarapés da Amazônia Pág. 3

Educação & Sociedade

Meio Ambiente

Economia

Pesquisa pode auxiliar na medição de CO2

Inpa participa do Dia da Biodiversidade

Estudo avalia produção da borracha no Amazonas

Estudo mostra que reflorestamento é favorável à redução de carbono no ar Pág. 4

Instituto comemorou com passeio e gincanas no Jardim Botânico Pág. 5

Estudo aponta boa aceitação da espécie em vários ambientes da região Pág. 7

Foto: Marcell Mota

Foto: Daniel Jordano

Foto: Tabajara Moreno


Expediente

Fale com a redação

Chefe da Divisão de Comunicação Social: Tatiana Lima (MTB 4214/MG) · Editor Chefe: Daniel Jordano · Jornalista Responsável · Tabajara Moreno · Repórteres: Kleiton Renzo, Eduardo Gomes, Josiane Santos e Wallace Abreu · Editoração Eletrônica: Kleiton Renzo (www. r3nzo.com) · Revisão: Josiane Santos · Secretário de Redação: Everton Martins.

+55 92 3643-3100 / 3104 ascom@inpa.gov.br www.twitter.com/ascom_inpa

Tiragem: 1000 · Edição 06 · Maio de 2010 · ISSN 2175-0866. Produção: Divisão de Comunicação Social do Inpa/MCT.

Tome Ciência Novos “Pequenos Guias”

PNPD aprova bolsas de pós-doutorado do Inpa

Assessoria do Inpa é destaque no Prêmio FAPEAM de Jornalismo Ciêntífico

Foto: Eduardo Gomes

Foto: Daniel Jordano

Foto: Ricardo Oliveira/FAPEAM

O Projeto Pequenos Guias do Bosque da Ciência do Inpa/MCT iniciou as aulas para os 34 estudantes selecionados a participar do projeto em 2009. Ao todo, 81 crianças se inscreveram para participar de três oficinas oferecidas pelo Laboratório de Psicologia e Educação Ambiental (Lapsea). Os selecionados receberão durante seis meses orientações de pesquisadores e educadores do Inpa para monitorar as visitas no Bosque da Ciência.

O Inpa/MCT teve seis propostas de bolsa de pós-doutorado nas áreas Ciências Agrárias, Ciências Biológicas e Ecologia e Meio Ambiente aprovadas no Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD). As propostas foram elaboradas pelos pesquisadores José Francisco de Carvalho, da Coordenação de Pesquisas em Silvicultura Tropical (CPST), Newton Paulo de Souza, da Coordenação de Pesquisas em Ciências Agronômicas (CPCA), Elizabeth Franklin, da Coordenação de Pesquisas em Entomologia (CPEN), e William Magnusson, da Coordenação de Pesquisas em Ecologia (CPEC) – estas duas últimas contempladas com duas bolsas, cada uma. As bolsas terão duração máxima de cinco anos e serão preenchidas através de processo seletivo, sem data prevista para acontecer.

Jornalistas da Assessoria de Comunicação do Inpa foram ganhadores do I Prêmio FAPEAM de Jornalismo Cientifico, no último dia 29 de abril. Entre as oito modalidades da premiação, os jornalistas do Inpa/MCT concorreram em cinco: Impresso Profissional e Internet Profissional, com Tharcila Martins; Impresso Estudante e Internet Estudante, com Eduardo Gomes, Daniel Jordano, Tabajara Moreno e Mário Bentes, além da categoria Rádio Estudante, com Daniel Jordano. O Prêmio visa o reconhecimento aos jornalistas e estudantes de comunicação que buscam a divulgação cientifica como forma de estreitar a conversa entre a população e as pesquisas desenvolvidas no Amazonas. Mário Bentes e Daniel Jordano foram vencedores em suas categorias. Jordano ainda ganhou mensão honrosa por sua atuação constante em C&T.

Rede interna do Inpa reestruturada O Inpa/MCT reestruturou 40% de seu parque tecnológico. Os recursos são provenientes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do projeto “Grandes Vultos” e “Projeto Infra”. O investimento pretende equiparar a velocidade da rede interna do Inpa à usada no Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em Brasília.

Foto: Divulgação

Boa Leitura | Guia revela segredos dos sapos amazônicos O livro “Guia de Sapos da Reserva Adolpho Ducke – Amazônia Central” apresenta as principais características e a importância ecológica de 50 espécies de sapos encontrados na reserva florestal e estudados por cientistas do Inpa. O guia transporta o leitor a uma viagem insólita às peculiaridades de cada um dos anfíbios descritos, revelando informações sobre a coloração, o modo de reprodução, defesa e alimentação dos sapos, além da função comunicativa dos sons emitidos por alguns deles. A obra, escrita em português e inglês, também ressalta a importância que os sapos assumem no trabalho de manutenção do equilíbrio ambiental nas áreas onde habitam. Uma das propostas do guia é servir de base para a catalogação de outras espécies e realização de pesquisas científicas. Uma versão digital do livro está disponível em http://ppbio.inpa.gov.br/Port/inventarios/guias, além de vídeos dos cantos dos sapos. Escrito por Albertina Lima, William Magnusson, Marcelo Menin, Luciana Erdtmann, Domingos Rodrigues, Cláudia Keller e Walter Hödl, a publicação do Inpa contou com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), da Fundação BBVA e do Instituto de Pesquisas da Áustria.


Pesquisa · Divulga Ciência

Maio de 2010 · Página 3

Parceria garante identificação de novos insetos nos igarapés da Amazônia A parceria entre o Inpa e o Smithsonian Institution tem o objetivo de catalogar novas espécies de insetos. O foco será as moscas presentes nas margens dos igarapés

Fotos: Tabajara Moreno

Identificação de moscas da Amazônia nos laboratórios do Inpa. Há espécies que podem chegar ao tamanho da cabeça de um alfinete

| Daniel Jordano

Uma parceria entre o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCT) e o Smithsonian Institution, com sede nos Estados Unidos, vai garantir a identificação e catalogação de novas espécies de insetos da região Amazônica. Os estudos vão se concentrar em espécies de moscas que vivem às margens de igarapés. Os exemplares foram coletados durante excursões de pesquisadores da Coordenação de Entomologia (CPEN) do Inpa, nas regiões do entorno de Manaus e em diversas localidades amazônicas. Com a parceria será possível identificar mais espécies e formar um banco de dados mais completo sobre as moscas regionais. Segundo o biólogo da CPEN José Albertino Rafael as moscas, muitas com tamanho da cabeça de um alfinete, ainda não tinham sido alvo de estudos. Com o trabalho será possível descobrir novas espécies e entender o papel delas no ecossistema da região. “As moscas também são importantes na questão do equilíbrio ecológico da natureza. É um grupo bastante diversificado, mas pouco conhecido por conta do tamanho reduzido, talvez por isso ninguém tenha se dedicado aos estudos delas”, disse. Conhecer para conviver O estudo e a descoberta de novas

espécies de moscas na região representam ainda a possibilidade de ação para conter algumas espécies que afetam plantações. De acordo com o pesquisador do Smithsonian Institution, Wayne Mathis, identificar novas espécies de moscas é uma forma de permitir ao homem conhecer mais sobre os inse-

“poderemos ter produtos de alta qualidade para competir igualmente com similares, em nível nacional e internacional” tos e, sobretudo, conviver melhor com eles. “Algumas espécies de mosca são pragas e atingem plantações como, por exemplo, as de arroz, diminuindo a produção. A identificação pode ajudar, até mesmo, a descobrir como intervir nesses casos e em situações nas quais uma espécie é introduzida em um ambiente diferente”, observa Mathis. Ainda segundo o pesquisador, as moscas servem como bioindicadores, ou seja, demonstram se há algo de errado no ambiente. “Há algumas espécies que preferem água doce, outras água salgada ou até água poluída. A presença ou a ausência dessas espécies pode indicar se a água

está pura ou poluída”, contou o pesquisador. De dezembro do ano passado, mês que foi intensificado o processo de coleta, até maio deste ano, dobrou a identificação de novas espécies de moscas coletadas somente nas regiões do entorno de Manaus. A idéia agora é ampliar a rede de pesquisadores atuando na atividade. “Há mais 150 mil espécies de moscas conhecidas e, na maioria dos casos, ainda precisamos fazer o levantamento somente para identificar e descrever. A América Latina é um mundo novo nesse sentido”, enfatizou Mathis.

Pesquisador Wayne Mathis em laboratório


Educação & Sociedade · Divulga Ciência

Maio de 2010 · Página 4

Seminário debate importância da conservação de obras raras

Pesquisa deve auxiliar na medição de CO2

O evento reuniu estudantes de Biblioteconomia, pesquisadores do Inpa e especialistas da Biblioteca Pública Nacional do Rio de Janeiro

Os estudos fazem parte de dissertação de mestrado e avalia contribuição dos projetos de reflorestamento para a redução das emissões de carbono para a atmosfera.

Foto: Daniel Jordano

| Daniel Jordano

Acervos da Biblioteca do Inpa conta com títulos do século XVII

| Daniel Jordano

Um Livro de 1684 que conta parte da História do Amazonas, dentre outras publicações científicas dos séculos XIX e XX. Todo esse rico material faz parte do acervo da Biblioteca do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT). A conservação das obras raras foi tema do seminário “Gestão de Acervos de Obras Raras”. Quase cem pessoas participaram do evento que aconteceu na sede do Inpa e teve como palestrantes Jayme Spinelli, coordenador de preservação da Biblioteca Nacional, e Rosangela Rocha Von Helde, gerente do Plano Nacional de Recuperação de Obras Raras (Planor). Técnicas de conservação de livros e a importância de se manter obras raras acessíveis às futuras gerações foram destaque nos debates. Spinelli destacou a importância da conservação de obras raras. Para ele, é importante investir na recuperação das obras para que as próximas gerações tenham acesso ao material. “Temos que fazer com que as coisas ocorram de forma coerente para que se tenha um futuro. É necessário que essas obras permaneçam íntegras para os brasileiros que virão e esse é nosso papel”, disse. Spinelli afirmou ainda que o trabalho de restauração não se limita aos livros. Fotografias feitas por Dom Pedro II estão sob a responsabilidade da Biblioteca Nacional. Ele destacou ainda o seminário feito pelo Inpa. “Nós temos uma coleção com mais de 350 álbuns com o acervo de Dom Pe-

dro II quando acabou a monarquia. Para manter isso, temos tecnologia específica para conservação de fotografia, um acervo riquíssimo. O Inpa é um parceiro que se estabelece, de grande valor com seu um acervo científico. Estamos a disposição para colaborar”, afirmou. Acervo Científico O presidente da Associação dos Pesquisadores do Inpa (Aspi), William Gama, afirmou que o Instituto tem o terceiro maior acervo científico sobre a Amazônia no mundo. A troca de experiência com os técnicos da Biblioteca Nacional vai permitir a melhor gestão desse acervo. “A biblioteca do Inpa possui um acervo de três mil obras e é por isso que convidamos os técnicos da Biblioteca Nacional, maior referência no país. O Spinelli e a Rosangela são pessoas experientes com mais de 30 anos de trabalho o que vai nos auxiliar”, destacou. A biblioteca do Inpa está localizada no campus I do Instituto na Avenida André Araújo, Aleixo. Para a responsável do local, Silvia Lessi, ter um acervo com livros que datam século XVII é manter um pouco da história para assim avançar no conhecimento. Ela destaca a importância do seminário sobre gestão de obras rara. “Nós temos vários livros, a maioria sobre a flora brasileira e amazônica. Preservar livros raros é preservar nossa história”, enfatizou.

Um novo estudo deve auxiliar os pesquisadores a calcular a quantidade de carbono absorvida em áreas de reflorestamento. A proposta foi tema da dissertação de mestrado do aluno do Programa de PósGraduação em Ciências de Florestas Tropicais do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) Gabriel Henrique Ribeiro. Ele é formado em engenharia florestal pela Universidade de Brasília (UnB).O estudante concentrou a análise de seus estudos em dados coletados na ZF-2, área de pesquisas do Inpa que fica nas proximidades da BR- 174, rodovia que liga Manaus (AM) a Boa Vista (RR). Com o título “Desenvolvimento de modelos alométricos para estimar biomassa e carbono de mudas de espécies arbóreas, em áreas atingidas por tempestade de vento em Manaus”, o trabalho começou após ventos fortes atingirem grandes áreas de floresta no ano de 2005. Ribeiro explica a maneira pela qual a pesquisa permite calcular a redução de CO2 via projetos de reflorestamento.“Foram testados dez modelos para estimar a biomassa e carbono da regeneração natural. A biomassa foi estimada em função do diâmetro da planta, altura total e número de folhas de cada indivíduo, sendo depois multiplicada pela concentração percentual de carbono. A melhor equação pode ser utilizada para estimar o sequestro de carbono em projetos de reflorestamento para a região de Manaus”, disse. Ainda segundo Ribeiro, o estudo avalia qual é a real contribuição dos projetos de reflorestamento para a redução das emissões de carbono para a atmosfera.


Meio Ambiente · Divulga Ciência

Inpa participa do Dia da Biodiversidade O Dia Mundial da Biodiversidade foi comemorado com passeio e gincanas no Jardim Botânico de Manaus Adolpho Ducke | Josiane Santos

Crianças, jovens e adultos acompanhados de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e do Museu da Amazônia (Musa) conheceram as trilhas, animais e plantas existentes no Jardim Botânico Adolpho Ducke. O evento fez parte do Dia Mundial da Biodiversidade comemorado no sábado dia 2 de maio. O público presente foi divido em grupos e convidado a participar do passeio científico guiado por especialistas de diversas áreas. No passeio pelas trilhas do jardim botânico, os participantes recebiam informações sobre as espécies de plantas, fungos, aves, insetos e sapos, e realizavam a coleta das espécies, como parte de uma gincana educativa. A estudante Eloísa Oliveira do Amaral, 14, desde os cinco anos participa das atividades do Inpa, e revela que a cada participação tem aprendido coisas novas e enriquecedoras. “Eu aprendo coisas novas, conheço várias espécies de animais, então é muito bom para o meu aprendizado. Foi uma experiência muito especial”, disse a estudante. A bióloga Gália Matos, da Associação Amigos do Peixe-Boi (Ampa), ressalta a importância do evento.“Não podemos deixar de comemorar essa data para o calendário ecológico. Os mamíferos aquáticos integram um ecossistema extremamente complexo no qual existe um ciclo de hierarquia muito grande e essencial dentro das cadeias alimentares”, observa. Os participantes puderam ver tendas com exposições de peixes e painéis com informações sobre plantas alimentícias e não convencionais. O Jardim Botânico Adolpho Ducke possui 70 espécies de peixes e mais de 100 samambaias.

Semente para o futuro: terra preta de índio pode auxiliar agricultura na Amazônia Presente em várias regiões da Amazônia e altamente fértil, a terra preta de índio originou-se do processo de queima controlada feita pelos indígenas. O Inpa integra uma rede internacional que estuda o tema com a finalidade de favorecer a agricultura regional | Daniel Jordano

Foto: Daniel Jordano

Estudantes fazem coleta na Reserva Ducke

Maio de 2010 · Página 5

Uma terra altamente fértil e nela, na maioria das vezes, é possível encontrar artefatos indígenas como vasos de cerâmica. Vestígios de povos que há milhares de anos desenvolveram uma técnica de trabalho com o solo que os cientistas ainda tentam desvendar. A chamada terra preta de índio está presente em várias áreas da Amazônia. Segundo especialistas, ela é fruto do processo de queima controlada feita por indígenas da região. O que os cientistas analisam agora é de que forma os índios pré-colombianos fizeram esse processo. Uma rede internacional de pesquisadores estuda o assunto com o objetivo de desvendar o processo usado pelos indígenas para obter uma terra altamente fértil. A ideia é usar essas informações para auxiliar o desenvolvimento da agricultura na Amazônia. Um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) e da Universidade de Michigan (EUA) realizou uma visita a algumas áreas na comunidade da Costa do Laranjal em Manacapuru, interior do Amazonas. A área é utilizada há mais de 150 anos por várias famílias para o cultivo de hortaliças e espécies frutíferas. O projeto multidisciplinar reúne várias linhas de pesquisa em áreas como etnobotânica, antropologia e geologia, tendo como base a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento de agricultura familiar com segurança alimentar. Segundo o pesquisador da Coordenação de Ciências Agronômicas do Inpa, Newton Falcão, a ideia é fazer com que os estudos permitam atingir um manejo de resíduos orgânicos como folhas, ossos e restos de alimento no solo. “Nós temos que fazer algo no sentido de manejar esses resíduos orgânicos e começar a construir a fertilidade do solo. Acreditamos

que a chamada terra mulata, que é uma transição da terra preta de índio com o solo comum, é um fruto de um manejo que os índios faziam, inclusive, usando o fogo de maneira controlada e racional”, enfatizou. O Biochar O tema está em alta em todo o mundo e integra o projeto realizado pelo Inpa, um dos pioneiros mundiais na utilização da técnica. O Biochar é uma espécie de carvão feito a partir da queima em laboratório de materiais verdes. Depois de produzido, o Biochar é enterrado para a fertilização do solo. Os especialistas ainda analisam quais espécies de plantas podem ser usadas para produzir o Biochar. Para a pesquisadora da Universidade de Michigan, Antoinette WinklerPrins, os estudos com terra preta de índio representam uma semente para o futuro em relação ao uso sustentável do solo. “Já há várias ideias que estão em prática e que já auxiliam os pequenos produtores da região. Esse projeto é uma semente para o futuro”, disse. WinklerPrins também realiza uma pesquisa em Santarém, no Pará, baseada na queima controlada de produtos orgânicos para a fertilização do solo. Ela explica que a análise foi feita a partir do hábito das pessoas de varrerem os quintais e depois queimarem as folhas e demais materiais orgânicos. “O manejo de solos inclui o que chamamos de terra queimada. As mulheres que cuidam dos quintais varrem todo o material orgânico e o queimam de forma bem controlada. Os resíduos dessa queima são colocados ao redor das plantas e nos canteiros de hortaliças. Nós pretendemos aprofundar esse trabalho e tentar expandi-lo para outras áreas da região”, destacou.


Saúde · Divulga Ciência

Maio de 2010 · Página 6

Inpa integra programa de redução da mortalidade infantil Foto: Marcell Mota

O Amazonas registrou no período de 2000 a 2007 mais de 11 mil óbitos de crianças menores de um ano de idade. Manaus liderou o ranking no Estado com quase sete mil óbitos

Durante a “Chamada Neonatal”, Manaus terá 30 postos e os demais municípios do interior do Amazonas, terão 25

| Josiane Santos

Entre 2000 e 2007, aproximadamente 500 mil crianças menores de um ano de idade morreram no Brasil. Os dados são do Ministério da Saúde e indicam ainda que os maiores índices de mortalidade infantil se concentram nos Estados das regiões Norte e Nordeste. Entre as principais causas apontadas na pesquisa estão a dificuldade de acesso aos serviços de saúde, a baixa renda das famílias, a falta de saneamento básico e a ausência de medidas simples como o pré-natal e a vacinação das crianças nos primeiros meses de vida. Para reduzir esse índice de mortalidade, o Governo Federal em parceria com Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e governos estaduais e municipais criaram o Pacto pela Redução da Mortalidade Infantil, aplicado em 256 municípios das regiões do norte e nordeste. O Inpa coordena as atividades do programa nos estados do Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas e Mato Grosso. As ações do Inpa estão sob responsabilidade da pesquisadora da Coordenação de Ciências da Saúde (CPCS) Lúcia Yuyama. O Pacto vai analisar os motivos das altas taxas da mortalidade infantil nas Regiões Norte e Nordeste e propor

ações que diminuam esses índices. A meta do programa é reduzir para 5% ao ano a taxa de mortalidade neonatal em crianças menores de um ano. Para iniciar essa investigação será

Amazonas receberá investimento na ordem de R$ 9,3 milhões para as ações do programa. realizada a “Chamada Neonatal”. A atividade ocorrerá no dia 12 de junho durante a Campanha Nacional de Imunização e vai consistir na aplicação de questionários e a mensuração de peso e altura das crianças. Capacitação e treinamento de equipes O Inpa ainda está realizando a primeira etapa do projeto, que consiste na capacitação de agentes multiplicadores dos grupos de trabalho em cada Estado. Cada grupo de trabalho é formado por organizador de filas (responsável por selecionar as crianças), dois entrevistadores (aplicação dos questionários) e dois antropometristas (responsável pela medição das crianças). A Fiocruz é responsável pela elaboração

do questionário socioeconômico. Manaus, Borba, Coari, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Tapauá e Tefé são os municípios do Amazonas que vão participar do programa. O investimento estimado para o estado é de R$ 9,3 milhões.“O nosso desafio é trabalhar com uma equipe fortemente integrada e esquecer as diferenças políticas, porque a ciência não tem barreira e nem fronteira, ela é acima de tudo uma atividade social com fins sociais e o Inpa tem essa missão de ser uma instituição de pesquisa, cuja missão é gerar e disseminar conhecimentos e tecnologias, e capacitar recursos humanos para o desenvolvimento da Amazônia”, avalia Yuyama. Segundo a coordenadora, a questão logística é o principal entrave a realização do programa na região Norte. Para amenizar esse problema, o grupo de trabalho conta com multiplicadores que capacitam outros grupos de trabalho, e contam com o apoio de universidades, técnicos e profissionais da saúde do Estado, principalmente no interior. Locais de aplicação de questionários Durante a “Chamada Neonatal”, Manaus terá 30 postos e os demais municípios do interior do Amazonas, que fazem parte do programa, terão 25 postos para seleção e aplicação dos questionários. Para participar do programa, a mãe precisa morar no município onde a criança nasceu. Outro critério para participação no programa é que a mãe esteja acompanhada da criança e portando os cartões da criança e da mãe durante a aplicação do questionário. O prazo estimado para o levantamento e a avaliação dos dados coletados pelos grupos de trabalho é de aproximadamente um mês e meio.


Economia · Divulga Ciência

Maio de 2010 · Página 7

Estudo avalia produção da borracha no Amazonas

Foto: Etelvino Rocha

A dissertação do mestrando Etelvino Rocha analisou o cultivo de seringueiras nativas do Amazonas em terra firme, várzea e terra preta de índio | Tabajara Moreno

Medidas simples como o plantio da seringueira (Hevea brasiliensis) consorciada a outras espécies frutíferas e a clonagem das árvores mais produtivas e resistentes a pragas e doenças podem dinamizar a produção de látex no Amazonas. Os seringais nativos do Estado geram algo em torno de mil toneladas do produto, o que responde a pouco mais de 1% da produção brasileira de borracha. Uma pesquisa realizada pelo mestrando do Programa de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido (ATU) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) Etelvino Rocha Araújo analisou o cultivo e o potencial da borracha produzida no Estado em seringais nativos em terra firme, várzea e terra preta de índio. Desenvolvido entre julho de 2008 e dezembro de 2009, o estudo descreveu o processo produtivo do látex nesses três ambientes com a proposta de entender quais são os fatores que limitam a produção da borracha no Estado. Segundo a pesquisa, as árvores estudadas apresentam grande variação na produção, com valores mais elevados na área de várzea, onde o solo é rico em nutrientes. Em média, elas geram 12g de borracha seca por sangria( processo de retirada do látex), enquanto as árvores da área de terra firme, cujo solo é pobre e ácido, geram cerca de 8g. Embora adubadas pelos sedimentos dos rios, as áreas de várzea têm baixos teores de nitrogênio, o que pode limitar a produção de borracha nessas áreas. “Para as plantas terem desenvolvimento e produção eficientes, precisam de todos os nutrientes em quantidades equilibradas. A influência desses desbalanço de nitrogênio na várzea sobre a produção nos seringais dessa área necessita ser melhor esclarecida em estudos posteriores”, conta Araújo. No Amazonas, o cultivo da seringueira é feito por aproximadamente três mil famíli-

A pesquisa analisou o cultivo e o potencial da borracha produzida no Estado

as que administram os seringais nativos. O látex é coletado, coagulado, prensado em blocos e comercializado na forma de Cernambi Virgem Prensado (CVP). A extração é feita em árvores de seringais nativos, característica que acaba interferindo na produção final, pois cada planta gera uma quantidade de borracha diferente. “Essa variação de produtividade por planta tem a ver com a característica genética que cada árvore possui. Nos seringais cultivados com clones a produção é mais homogênea”, explica. Para o pesquisador da Coordenação de Ciências Agronômicas do Inpa, Newton Falcão, orientador do trabalho, clonar as árvores mais produtivas é uma das formas de alcançar resultados mais satisfatórios. “A clonagem dos melhores exemplares de seringueira é um método simples onde, pela técnica de enxertia, é possível produzir mudas mais resistentes a pragas e doenças e mais produtivas”, explica o pesquisador. Sistema agroflorestal favorece plantio O modelo agroflorestal de plantio combina o cultivo da seringueira com espécies frutíferas como cacau, açaí, bacaba e taperebá. No Amazonas, ele favorece a

seringueira e cria alternativas de geração de renda nos períodos em que o látex não é explorado. A adoção desse sistema de plantio também ajuda a árvore a se proteger da ação de fungos e pragas. “O principal fator limitante do estabelecimento dos seringais cultivados na região Norte foi a doença conhecida como mal das folhas, causada pelo fungo microcyclus uley. Quando a seringueira é plantada consorciada a outras árvores, principalmente próximo aos rios, ela fica protegida. Isso já acontece no Alto Solimões ao Baixo Amazonas de maneira tradicional”, relata Falcão. A dissertação de mestrado é Intitulada “Caracterização de três seringais manejados em terra firme, várzea e terra preta de índio no Médio Amazonas”. Além de Falcão, a dissertação de Rocha foi coorientada pela pesquisadora da Coordenação de Ciências Agronômicas Sônia Alfaia. Araújo é formado em agronomia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa do mestrando foi feita através de uma parceria entre o Inpa e a Secretaria de Estado de Produção Rural do Amazonas (Sepror).


Pesquisa · Divulga Ciência

Junho de 2010 · Página 8

Estudo genético para gerar desenvolvimento sustentável As discussões integraram o II Workshop do projeto Adapta.Malária e desenvolvimento sustentável estiveram nas pautas de discussões | Daniel Jordano

O Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCT) realizou no fim do mês de abril seu II Workshop.Durante três dias estiveram em pauta pesquisas que integram o projeto que tem como ponto de partida o estudo genético dos organismos amazônicos. O pesquisador chefe do projeto Adapta, Adalberto Val, avaliou como positivo o encontro e reafirmou a importância do papel da ciência para o desenvolvimento da Amazônia.“O resultado final do seminário é um avanço muito importante não só no sentido de estarmos caminhando para definir o material que será analisado por meio das novas tecnologias que estamos implementando aqui, mas também a forma de fazer isso”, disse. Novo equipamento Ainda segundo Val, um novo equipamento deve ser usado pelo grupo de pesquisadores do Adapta para fazer o estudo genético dos organismos. Através dele, será possível fazer análises genéticas dos organismos aquáticos da região. O novo equipamento vai ser instalado no Inpa servindo para realização de análises das pequenas seqüências do DNA sob diferentes condições ambientais e fisiológicas. Esse estudo genético pode gerar informações para a descoberta de novos produtos e processos na região. “São essas informações do genoma que queremos identificar usando a síntese dos seus produtos que podem ser antibióticos ou no-

Foto: Tabajara Moreno

Dra. Veral Val participa do projeto. O Adapta é amplo e envolve várias áreas do conhecimento científico

vas proteínas importantes para o homem. Uma série de informações que estão ‘escondidas’ nesses organismos que o novo equipamento vai nos permitir evidenciar”, destacou.

O Adapta permite além do avanço significativo das pesquisas na região, a interação com estudantes A pesquisa vai trabalhar especificamente com peixes, insetos aquáticos, plantas aquáticas e microorganismos. Vários organismos foram coletados em diversas áreas da Amazônia e agora, com a aquisição do novo equipamento, serão avaliados. Socialização O projeto Adapta é amplo e envolve várias áreas do conhecimento científico. Segundo Domingos Luiz Wanderli, pesquisador e professor da Universidade do Oeste do Pará (UFOPA), o Adapta permite além do avanço significativo das pesquisas na região, a interação

com estudantes do ensino fundamental e médio para formar assim novas gerações de pesquisadores. “O Adapta é uma proposta ousada do ponto de vista científico, pois ele preconiza a reunião de várias linhas de pesquisas. Em Oriximiná, interior do Pará, o nosso trabalho junto ao Adapta é fazer a divulgação científica junto à escola básica. Nosso objetivo é diminuir a distância entre a educação básica e o conhecimento científico”, disse. Para a pesquisadora do Inpa que também participa do projeto, Vera Val, o Adapta permite um avanço para a Amazônia.”Estamos vivendo um momento especial para a pesquisa científica na região, um olhar científico moderno. O que o Adapta quer é fazer um levantamento de dados para ter processos que permitam um melhor desenvolvimento ”, afirmou. O projeto Adapta conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT).


Divulga Ciência - Maio/2010