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QUINTA-FEIRA

OPINIĂƒO

DE NOVEMBRO DE 2011 CAMPEĂƒO DAS PROVĂ?NCIAS

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NĂŁo tema a crise. Ela passa, vocĂŞ fica.

JOSÉ DE PAIVA NETTO*

Em Portugal, as atençþes estão voltadas para os reflexos da presente crise mundial. Contra ou a favor, políticos, economistas, empresårios, analistas opinam sobre medidas que abrandem ou impulsionem o consumo, ou lå o que seja, evitando desse modo, conforme pensem, maiores transtornos sociais ao país. Apesar de toda a inquietação, saibamos utilizar este momento para atingir o equilíbrio, sem o qual mais

   " o triunfo. O que Ê a crise senão ensejo disfarçado de infortúnio? Obståculos são prÊmios de Deus à nossa inteligência, estímulo para quem não abdica das reali=">  K W *  cando a existência, dando sabor à vida. É quando melhor se pode exercer o talento. Todo revÊs traz em si próprio a solução, ensina a vetusta e experiente cultura oriental. Lamentar nada constrói. Temos de combater o desânimo, sem iludir a multidão. Se desolados, homens e naçþes quedam-se indefesos ou levantam-se em revolta.

sobrevivĂŞncia – na busca de mecanismos salutares para o enfrentamento da crise, ĂŠ essencial, contudo, que a razĂŁo seja permeada pelo espĂ­rito solidĂĄrio (coisa ainda rara nesses relacionamentos internacionais), pois o coração torna-se mais propenso a ouvir sempre que a fraternidade ĂŠ de facto o alicerce do diĂĄlogo. Elas, um dia, compreenderĂŁo que, sem amor ou qualquer outro nome que em “tecnĂŞsâ€? queiram darlhe, haverĂŁo de deparar-se com as grandes tribulaçþes anunciadas por Jesus no Seu Evangelho, segundo Mateus, capĂ­tulo 24, integral. Ademais, a vida ĂŠ uma constante prestação de contas ao tribunal da consciĂŞncia, do qual ninguĂŠm escapa, mesmo que jamais o revele.

Disposição

Disposição inquebrantĂĄvel ĂŠ resposta apropriada a qualquer crise. (...) NĂŁo nos esqueçamos de que â&#x20AC;&#x201C; quando permanecemos com Deus â&#x20AC;&#x201C; atĂŠ a desventura se mostra o instante mais propĂ­cio para criar. Sabedoria HĂĄ quem passe anos de ConfĂşcio Ă  espera do pior. SĂł isso ĂŠ motivo para a pessoa Ă&#x2030; preciso sonhar, con- cair doente. Por que nĂŁo correr por um mundo mais almejar o melhor e trabalhar digno. Pari passu, ter os por ele? Thomas JefferpĂŠs no chĂŁo, isto ĂŠ, cer- son (1743-1826) alerta-nos teza de que mudanças para esta gritante realidade: desejadas nĂŁo chegam â&#x20AC;&#x153;Quanto nos custaram os sem esforço real. Medite- males que nunca acontemos sobre esta pĂŠrola da ceram!â&#x20AC;?. E ainda hĂĄ aquele sabedoria de ConfĂşcio: ditado russo que aconselha: â&#x20AC;&#x153;Se determinarmos com â&#x20AC;&#x153;Creia em Deus, mas contibastante antecedĂŞncia a nue a nadar para a praiaâ&#x20AC;?. nossa norma de conduta Meu pensamento solina vida, em nenhum mo- dĂĄrio a todos que, povo e mento seremos assaltados  $    "& <   dades, nĂŁo baixam a banpreviamente, quais sĂŁo os         nossos deveres, serĂĄ fĂĄcil famĂ­lias e a pĂĄtria, dessa darmos-lhes desempenhoâ&#x20AC;?. forma sobrevivendo bem Planeamento puro. mais operosos e fortes. Y      O bom combate permiterespeitado mestre chinĂŞs ĂŠ nos a valiosa chance de considerada um dos funda- progredir. mentos do notĂĄvel impulso Jesus, porĂŠm, nĂŁo enque fez surgir os â&#x20AC;&#x153;tigres asi- tra em crise. Supliquemos, ĂĄticosâ&#x20AC;?, tambĂŠm hoje aba- pois, a Sua proteção. lados pela tensĂŁo globalizante. Nos encontros entre (*) Jornalista, radiaexpressivas economias lista e escritor. Presido planeta â&#x20AC;&#x201C; naturalmente dente da LegiĂŁo da Boa movidas pelo instinto de Vontade â&#x20AC;&#x201C; www.lbv.pt

Bendita crise Quando pensamos na Suíça, vem logo Ă  memĂłria os chocolates, os relĂłgios, mas sobretudo o segredo bancĂĄrio. Faz parte da imagem de marca desse paĂ­s. Ora o sigilo bancĂĄrio, que hĂĄ tantas dĂŠcadas constitui um refĂşgio seguro da fraude e da evasĂŁo fiscal, estĂĄ finalmente a abanar. Viu a luz do dia no longĂ­nquo ano de 1934, depois do â&#x20AC;&#x153;crashâ&#x20AC;? de 1929. Nasceu, portanto, como consequĂŞncia da quebra da bolsa de Nova York, mas, curiosamente, os seus fundamentos estĂŁo a ser postos em causa por razĂľes que tĂŞm origem, tambĂŠm, nos Estados Unidos. Tudo começou quando a UniĂŁo dos Bancos Suíços ^_`<     ceira suíça (FINMA), foram â&#x20AC;&#x153;convidadosâ&#x20AC;? a entregar Ă s autoridades americanas os nomes de cerca de 300 cidadĂŁos daquele paĂ­s, que se aproveitaram das regras suíças para fugir ao fisco. Esses â&#x20AC;&#x153;tubarĂľesâ&#x20AC;? sentiam-se na paz do Senhor, porque o sigilo bancĂĄrio suíço garantia-lhes que todos os seus movimentos seriam sempre confidenciais, blindando-os face a quaisquer curiosidades quer de pessoas fĂ­sicas,        & Mas o tempo e as circunstâncias tudo mudam. AtĂŠ o segredo bancĂĄrio! NĂŁo admira, por isso, que os suíços tenham feito uma      "   -

mento na rigidez das regras. Começaram por permitir que o segredo nĂŁo podia ser invocado frente Ă  Autoridade Reguladora e ainda quando houvesse processos penais contra os depositantes. Mas a pressĂŁo nĂŁo diminuiu. Ao longo dos anos os ataques continuaram. Todos se lembram do caso das contas inactivas dos judeus (1995-1998) ou do que se passou depois do ataque Ă s torres gĂŠmeas, em 2001. Mesmo na Europa, ĂŠ de recordar a pressĂŁo que foi exercida para poder instaurar a troca automĂĄtica de informação entre as autoridades nacionais fiscais. A Suíça, neste â&#x20AC;&#x153;roundâ&#x20AC;?, driblou          a acordos bilaterais sobre os lucros dos depĂłsitos dos cidadĂŁos europeus na Suíça, devolvendo aos respectivos paĂ­ses o imposto na fonte. Desta forma, lĂĄ conseguiram escapar da lista negra dos pa       & Mas os dados estavam lançados e passo a passo o â&#x20AC;&#x153;assaltoâ&#x20AC;? continuava. Em 2009, uma ComissĂŁo do Senado americano calculou em 100 biliĂľes de dĂłlares/ano    $    atravĂŠs da Suiça e em mais

  W     & Os franceses tambĂŠm gritaram â&#x20AC;&#x153;aqui d,el reiâ&#x20AC;? por 20 biliĂľes de euros, que passam ao lado do      os alemĂŁes calculam esse valor em cerca de 30 biliĂľes.

C o i s a s

d a

CiĂŞncia Pop Apalavra dinossauro ĂŠ vastamente utilizada no discurso informal, e quase sempre com sentido pejorativo. Basta apenas um pouco de observação               popular. A Teoria da Relatividade Geral, bem como as recentes novas quanto Ă  velocidade da luz ter sido ultrapassada pelos neutrinos, fascinam-nos a todos. As implicaçþes de algo conseguir ultrapassar a velocidade da luz sĂŁo enormes em termos de imaginĂĄrio: a         do tempo, viajarmos atravĂŠs dele como se fosse uma autoestrada, torna-nos aparentemente livres. Filmes como â&#x20AC;&#x153;Regresso ao Futuroâ&#x20AC;? ou mesmo â&#x20AC;&#x153;A Guerra das Estrelasâ&#x20AC;?, materializam essa alteração do real, libertando o ser humano das amarras do Tempo. O ultrapassar das

leis da FĂ­sica contribui assim para que as condicionantes sociais, econĂłmicas e atĂŠ ĂŠticas, possam ser ultrapassadas, tudo assente na capacidade de se viajar mais rĂĄpido que a luz. O ultrapassar dessa fronteira faz-nos nĂŁo sĂł donos do tempo, mas oferece-nos igualmente a possibilidade de recriarmos o nosso presente â&#x20AC;&#x201C; aquilo que =     

     +   & Quantos de nĂłs nĂŁo desejĂĄmos  =     no nosso passado? â&#x20AC;&#x153;Para baixo todos os Santos ajudamâ&#x20AC;?, diz o povo. Este dito popular nĂŁo revela o carĂĄcter altruĂ­sta dos objectos da Hagiologia, antes ĂŠ uma conhecida redundância de que a Gravidade existe, existiu e existirĂĄ, originando que o esforço envolvido em subir seja completamente distinto do de descer. O Mito de SĂ­sifo nĂŁo existiria se a força gravĂ­tica nĂŁo

JOSĂ&#x2030; BELO

â&#x20AC;&#x153;envenenadosâ&#x20AC;? do sigilo bancĂĄrio suíço e cĂĄ pela Europa a Sra. Merkel e seus pares tambĂŠm querem sancionar      & {   nome da crise que anda de fronteira em fronteira e de uma comunidade sofredora, que estĂĄ a pagar o que o sistema financeira fez aos cidadĂŁos, que estĂŁo por isso cada vez menos tolerantes Ă&#x2030; preciso que as com as golpadas dos chimĂĄscaras caiam cos espertos, seja qual for a cor do colarinho que usam. E tambĂŠm nĂŁo pode NĂŁo tenho jeito para justiceisurpreender as Ăşltimas ar- ro, mas ĂŠ importante que as remetidas dos USA, com mĂĄscaras caiam e se possa Obama a reger a orquestra. sinalizar todos os que, directa Ă&#x2030; que eles sĂŁo muito rigorosos ou indirectamente, fogem com este tipo de crime. E a ao compromisso solidĂĄrio parada subiu e de que ma- de participar neste esforço neira. Agora os americanos pedido aos cidadĂŁos anĂłniestĂŁo a pedir os nomes de mos que, sem culpa, estĂŁo mais 52 000 clientes ameri- a pagar o que outros fizecanos com contas ilegais na ram por ganância e avidez. Suíça!Os suíços bem protes- DaĂ­ nĂŁo me repugnar que, tam, mas estĂĄ em jogo algo em nome da ĂŠtica e da demasiado importante para moral, se escancarem as que os nomes nĂŁo venham portas dos paraĂ­sos fiscais Ă  luz da justiça. Trata-se da para os prevaricadores seameaça americana de re- rem chamados ao cumpritirar a licença dos bancos mento das suas responsasuíços nos Estados Unidos. bilidades fiscais e penais. A UBS nĂŁo pode perder a sua CĂĄ pelo burgo, se calhar,  "  _<'    $  haveria muitas surpresas... competição entre as principais Vista desta maneira, bendita "      & crise! EstĂŁo a fragilizar-se os pilares (*) Jurista Tudo somado hĂĄ economistas     "  poupança mundial, gerida no estrangeiro, estĂĄ na Suíça. NinguĂŠm se pode, portanto, admirar que neste paĂ­s, onde          cerca de 12 por cento do PIB nacional, se faça toda a ginĂĄstica possĂ­vel para contornar a pressĂŁo externa.

C i ĂŞ n c i a LUĂ?S AZEVEDO RODRIGUES*

  

    K de Ă&#x2030;olo. SĂ­sifo, condenado a empurrar uma pedra encosta acima, vĂŞ-la-ia regressar Ă  base, sobre a acção da gravidade, vez apĂłs vez, numa condenação eterna. A mitologia revela-nos que a astĂşcia de SĂ­sifo, que enganou a Morte por duas vezes, nĂŁo foi capaz de vencer a FĂ­sica. Que me desculpem Albert Camus, bem como todos aqueles que cuidam a condição humana como sendo desprovidas de sentido: nĂŁo ĂŠ a labuta diĂĄria que empurra a pedra pela encosta baixo, antes ĂŠ a Gravidade a ser mais forte que SĂ­sifo. Ser verdadeiro nĂŁo implica qualquer indicação da matĂŠria fĂ­sica de que somos feitos. Ainda assim, a cultura popular associa a FĂ­sica e a Ă&#x2030;tica. â&#x20AC;&#x153;A verdade ĂŠ como o azeite, vem sempre ao de cimaâ&#x20AC;?, sempre ouvimos dizer. As distintas

densidades (a massa a dividir pelo seu volume) da ĂĄgua e do azeite, que originam a propriedade observada, sĂŁo remetidas para uma moral de comportamento: azeite e verdade sĂŁo duas realidades que acabarĂŁo  }  =    menor densidade relativamente Ă  ĂĄgua; a verdade, sabe-se lĂĄ por que caminhos, espero que venha sempre Ă  tona dos dias e dos acontecimentos. Esta correcta sabedoria ĂŠ mais acertada na sua componente fĂ­sica uma vez que na      +  revela graves lacunas. Pelo menos no que vou observando nos dias que correm. Estes sĂŁo alguns dos exemplos que existem na relação sabedoria popular vs. CiĂŞncia. Outros virĂŁo mais adiante, noutras oportunidades. (*) PaleontĂłlogo | CiĂŞncia na Imprensa Regional â&#x20AC;&#x201C; CiĂŞncia Viva


Ciência Pop