Page 1

DA MESA DO DIRECTOR

3T (oportunidade) J. Norberto Pires Prof. da Universidade de Coimbra CEO do Coimbra Inovação Parque

A teoria dos três “T” diz, de forma simplista, que uma região precisa de Talento, Tecnologia e Tolerância para ambicionar a ser uma região empreendedora e inovadora. Se pensarem bem, Coimbra está em condições de ser uma cidade marcante em termos europeus nessa vertente, podendo constituir um caso de estudo internacional. Na verdade, é bem conhecida a qualidade das nossas instituições universitárias e de saber, com a Universidade de Coimbra à cabeça, mas contanto ainda com o Politécnico e as outras instituições públicas e privadas. É bem conhecida a qualidade dos centros de saber, sistematicamente colocados no TOP no que diz respeito a índices internacionais de produção científica e técnica. Ou seja, em termos de talento estamos conversados. Coimbra tem sido capaz de tirar partido desse conhecimento gerando novas ideias de negócio, novas empresas, que depois se tornam empresas globais bem representativas da nossa economia. São vários os casos de sucesso, que me escuso de enumerar por serem bem conhecidos. Estamos muito bem na capacidade de incubar ideias e empresas, na capacidade de as acompanhar e ajudar nos primeiros anos, na capacidade de ajudar essas empresas a internacionalizar-se e dar passos decisivos para o futuro. Somos até os melhores do mundo nisso, como foi reconhecido à incubadora do IPN. A tecnologia que produzimos é inovadora e mostra a sua qualidade, e nós sabemos coloca-la no mercado. Continuamos a aprender, mas fazemos bem. A tolerância é o nosso calcanhar de Aquiles. Uma cidade empreendedora e inovadora tem de ser excitante do ponto de vista cultural (menos conservadora e compartimentada), tem de ter uma oferta muito diversificada na fronteira das várias ciências e artes, tem de apelar à imaginação das pessoas, intrigá-las, atraí-las, chamar novos públicos. Os empreendedores são muito exigentes. Querem estar no sítio onde as coisas acontecem, e as coisas têm mesmo de acontecer no sítio que escolhem. Senão escolhem outro. Há um trabalho enorme a fazer nestas áreas, pelo que o desafio é o de todos se encontrarem e partilharem projectos em comum. Proponho um conselho cultural que reúna todos os promotores da cidade, com o objectivo de juntar música com teatro, artes plásticas com engenharia, ciências com literatura, e outros, promovendo o aparecimento de uma oferta cultural diversificada, nova, excitante e inovadora. Esta teoria das “quintinhas” não é nada tolerante e prejudica-nos a todos. Não faz sentido que os vários promotores da cidade não tenham projectos em conjunto, nem que não sejam desafiados para isso pelas entidades que financiam parte da sua actividade. Tudo tem a ver com as pessoas. Nós queremos ser capazes de fixar empreendedores, gerar com eles valor e actividade económica, que leva a emprego e a oportunidades. É um ciclo virtuoso. Estamos a fazer bem, a investir nessa nossa capacidade criativa e no fortalecimento da nossa capacidade de realização. Um bom exemplo é o concurso público que o iParque abriu no dia 27 de Julho para a aceleradora de empresas TESLA. Para que serve? Para acolher empresas com elevado potencial de crescimento (denominadas empresas GAZELA), dentro de certas áreas de actividade, e ajuda-las a crescer permitindo que concentrem a maior parte das suas energias no seu negócio. O TESLA (em homenagem a Nicola Tesla, o maior inventor de todos os tempos) estará preparado para essa tarefa de acompanhar e potenciar o negócio das várias empresas, promovendo e acelerando assim o seu crescimento. Mas atenção ao 3º T.

J. Norberto Pires

[2]

robótica

3T (oportunidade)  

Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº84

3T (oportunidade)  

Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº84

Advertisement