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E S PA Ç O Q U A L I D A D E

O CONSUMISMO DAS ORGANIZAÇÕES Compras. Contratos. Mais compras. Mais contratos de fidelização. Mais compras. Mais, mais e mais. É assim na empresa gorda, uma empresa que se vê a braços com um número “injustificado” de clientes, de negócios, de volume de facturação. É assim numa empresa que desenvolve as suas actividades com medidas de curto prazo, não pensando estrategicamente nos seus investimentos. É assim numa empresa que não reconhece o valor das outras empresas no mercado, na medida dos concorrentes, nas competências das entidades mais experientes: fornecedores sérios, empresas de serviços de apoio à gestão, em clientes fortes e saudáveis. É assim numa empresa que se dimensiona à medida das necessidades imediatas do mercado, sem calcular, prever, ou fazer qualquer projecção do retorno de qualquer investimento.

Há uns dias atrás, em visita a um cliente, fui surpreendido pela aquisição de mais um equipamento industrial com dimensão significativa para a empresa em questão. Ora, imediatamente perguntei-lhe como estava pensado o investimento em termos de retorno, e qual o prazo mínimo para amortização do mesmo. Nem mais nem menos, o empresário disse-me, com a total confiança que nos aproxima: “ora, Pedro, é claro que se tiver trabalho para a máquina, 10 horas por dia, ela fica paga em 18 meses.” E se não tiver trabalho? E se só tiver para metade do tempo, será que vai ser paga em 36 meses? E se o mercado se alterar? Sim, porque este muda constantemente. E foram pensados todos os cenários, todas as possibilidades, de aquisição, subcontratação, postos de trabalho, planos de manutenção, seguros, custos de espaço, layout produtivo?

Tudo isto por uma má ou inexistente política de compras, aquisições e contratações, logo, má política de gestão, operacional, financeira e estratégica. Para a melhoria dos resultados e para não “penhorarem” o futuro das empresas, vamos pensar da seguinte maneira: -

Centralizem para racionar e racionalizar recursos e despesas;

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Dividam para conquistar: atribuam responsabilidades, tarefas, funções e objectivos.

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Desenhem um departamento de compras à medida da organização e digam quanto querem que ele gaste.

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Desenhem um plano de gestão operacional que vos apoie no desenvolvimento de estudos que antecipem maus investimentos, aumento de despesas e vos ajude na redução dos mesmos e na racionalização de todos os esforços de investimento.

Prometo-vos uma coisa muito boa: deixem de cometer asneiras. Deixem de fazer compras impulsivas. Deixem de penhorar a vossa empresa. Passam a ter mais dinheiro para situações de difícil gestão. Passam a ter dinheiro para fazer investimentos em equipamentos, estudos, projectos, verdadeiramente importantes e determinantes para o futuro da vossa organização. Poupem, pois no poupar é que está o ganho. São tantas as asneiras que se cometem: compram-se equipamentos de impressão para imprimir uma parca meia dúzia de documentos. São adquiridas fotocopiadoras para satisfazer necessidades que ficariam tão bem digitalizadas. É o papel para as impressoras. São as prateleiras para aquele gabinete que ninguém utiliza. São os espaços mortos que são criados à dimensão de uma promessa que nunca é cumprida. São postos de trabalho criados à medida da expectativa do momento, da ganância ou da ignorância. Postos de trabalhos esses que, mais tarde, aos olhos de um qualquer financeiro se tornam evidências de resolução de todos os problemas das empresas. São os equipamentos que se adquirem para a satisfação de duas ou três encomendas de significativa importância, mas para a qual não foi feita uma previsão de encomendas futuras a serem satisfeitas pelos mesmos ou por outros clientes. São as novas unidades industriais – naves, armazéns, unidades transformadoras – que se constroem para nunca serem ocupadas.

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robótica

Pedro Sanches Silva pedromiguelsanches@gmail.com Consultor e empresário.

O consumo das organizações  

Autor: Pedro Sanches Silva; Revista: robótica nº82

O consumo das organizações  

Autor: Pedro Sanches Silva; Revista: robótica nº82

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