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COLUNA SOCIEDADE PORTUGUESA DE ROBÓTICA

ALGUNS DESAFIOS PRÓXIMOS DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE ROBÓTICA A Sociedade Portuguesa de Robótica (SPR) foi fundada como organização em 2006. Nasceu de uma vontade de várias pessoas que já se organizavam desde o virar do milénio em actividades de competições de robôs e de divulgação de ciência e tecnologia, usando a robótica como pano de fundo, num evento iniciado em 2001 que se designou por Festival Nacional de Robótica – ROBOTICA20XX. Ainda a firmar a sua maturidade, não obstante a importância que já tem pelas pessoas que envolve e pelas acções que promove, a SPR enfrenta grandes desafios internos e externos.

O DESAFIO DA SUSTENTABILIDADE A motivação na génese do ROBOTICA era simples: usar a robótica, e os robôs, que tão magicamente cativam populações, para promover e divulgar a ciência e a tecnologia, em particular as diversas frentes da engenharia em Portugal. A nobreza da ideia é inquestionável, mas o facto é que foram sempre sendo precisos esforços muito grandes dos promotores da ideia para mobilizar os meios necessários para poder levar a cabo o evento anual do ROBOTICA. Foram obtidos alguns apoios governamentais, em particular do Ciência Viva, mas isso não cobria os esforços e investimentos necessários para o evento. Ao fim de algumas edições do ROBOTICA, a sustentabilidade começava a ser questionada porque os esforços continuavam a ser muitos e mesmo a rotatividade da organização, tacitamente acordada pelos fundadores do ROBOTICA, parecia ser insuficiente e não dar fôlego a novas repetições de organizações; por exemplo, em Guimarães e Aveiro já se fizeram repetições de organização, e outras se seguirão. Assim, num esforço para criar instrumentos de sustentabilidade, o grupo inicial dos onze membros da Comissão Técnico-Científica (CTC) fundou em escritura pública, em Abril de 2006, aquando do ROBOTICA2006 em Guimarães, a Sociedade Portuguesa de Robótica. Além de todos os pressupostos expressos nos estatutos, havia um menos explícito que era talvez o mais relevante e motivador da iniciativa: formalizar uma entidade que pudesse assegurar a continuidade do ROBOTICA e das outras acções. Desde essa data múltiplas acções e festivais foram promovidos ou apadrinhados pela SPR, mas muito das necessidades de sustentabilidade foram persistindo. Foram feitos contactos e esforços, e poderão ter de ser feitos outros mais, mas continua a faltar ainda do poder central um apoio que permita manter sem receios as expectativas de actividade da SPR, mormente no seu evento-mor que é o festival anual. Felizmente, o festival apresenta atractivos que já por várias vezes cativaram a organização por parte de entidades fora do grupo fundador. Quando outros grupos descobrirem os potenciais de um evento desta natureza então o risco sobre a continuidade deixará de ser uma preocupação. Este é de facto o desafio principal da SPR: assegurar a sustentabilidade das suas mui nobres acções, mesmo se um apoio central nunca chegar a ser suficiente, como ainda acontece actualmente. Vencer este desafio passa por medidas que as Direcções terão de ter em

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atenção, como aliás o têm feito, e que passam, sem prejuízo de outras, pela mobilização de sócios, inclusão de novos membros nas acções operacionais, e tornar os eventos atractivos e interessantes, em particular o festival anual. Isso pode passar por uma melhoria ou renovação de parte do figurino do festival onde as provas ou desafios reformulados podem mobilizar e atrair estudantes, investigadores e industriais. Há algo que tranquiliza: quem foi aos festivais só pode concordar que as coisas acabam sempre por correr muito bem no geral. Ou seja, uma vez definida uma organização, o resto parece mesmo sustentar-se durante o festival: não sem esforço, claro, mas o modelo do evento não deve estar errado porque, no fim, fica sempre uma sensação de que se fez algo que interessou a muitas pessoas.

A RESPOSTA À COMUNIDADE Para além do desafio semi-estrutural da sustentabilidade dos seus eventos, a SPR tem adquirido uma responsabilidade muito grande. Isso pode ser medido pelo número de pedidos de apoio, nos mais variados formatos, que chegam ao secretariado da sede, seja por E-mail ou por telefone. Isso vai desde alunos do Ensino Secundário que querem saber onde há cursos onde se lecciona robótica, até ligações de embaixadas a solicitar informações sobre robótica em Portugal porque há uma empresa estrangeira que está a pensar investir no mercado Português... estes dois exemplos indiciam muito bem o papel importante que a SPR pode ter e que, de facto, já tem. Todos os contactos têm sido respondidos e muitos reencaminhados para terceiros para respostas mais completas ou obtenção de mais informação. Solicitações deste género têm vindo a aumentar e a SPR vai ter o desafio de se preparar para ter mecanismos para dar resposta e ajuda a quem a ela recorre. Prestar um serviço à Sociedade em geral era algo que só se sonhava há alguns anos: agora é efectivo em várias formas.

SELECCIONAR DESAFIOS E RESPOSTAS A DAR Por vezes há circunstâncias em que a SPR tem de equacionar bem as respostas a dar. No passado recente, e por múltiplas vezes, a SPR, directa

Alguns desafios próximos da sociedade Portuguesa de robótica  
Alguns desafios próximos da sociedade Portuguesa de robótica  

Autor: Vitor M. F. Santos; Revista: robótica nº80

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