Page 1

DA MESA DO DIRECTOR

e-Cities: Caminhar para a União da Inovação J. Norberto Pires Prof. da Universidade de Coimbra CEO do Coimbra Inovação Parque

Quando falamos em inovação, temos geralmente objectivos económicos em mente. Falamos no processo de gerar coisas novas, sejam elas, um novo produto, um novo mercado, um novo processo de fabrico, uma nova fonte de matérias primas ou uma nova forma de organização. Geralmente, associamos esse processo à investigação e desenvolvimento, o que de facto tem a sua razão de ser pois os ganhos de eficiência e valor acrescentado só podem ser obtidos com a adição de conhecimento e muito trabalho – inovação de mercado. Pensar e actuar de forma inovadora é também importante na resposta eficiente aos problemas relacionados com o ambiente e mudanças climáticas, com o aumento dos níveis educacionais da população, com as mudanças demográficas, com a sustentabilidade dos sistemas de transporte, com a eficiência do sector público, com a melhoria da saúde das populações, etc. Estamos a falar de actividades relacionadas com o sector público (inovação pública) e com organizações sociais ou de solidariedade social (inovação social). O papel das cidades tem sido desmerecido nas definição das políticas europeias de inovação, as quais pretendem transformar a União Europeia na “União da Inovação” no Outono de 2020. Na verdade, as cidades são locais onde se encontram geralmente todos estes actores de inovação. Os empreendedores, as empresas, as universidades e as instituições de I&D, que se dedicam àquela inovação que tem como objectivo gerar novos produtos, novas formas de fazer e gerir, tendo o resultado económico como meta. Mas também as organizações públicas (administração, serviços de saúde e educação, serviços de segurança, serviços de apoio ao cidadão, etc.) e sociais que criam as condições de promoção e suporte da inovação. E as cidades podem fazê-lo de três formas diferentes: fornecendo serviços (flexibilizando e agilizando o acesso aos serviços), funcionando como facilitador (criando as infra-estruturas) e definindo a política de inovação (a estratégia). Se o fizerem de forma integrada, colocando todos os actores a cooperar tendo como pano de fundo um objectivo definido como estratégico para a cidade, está iniciado o caminho da transformação. Imagine que na sua cidade, no que diz respeito aos serviços públicos, era possível a um residente aceder, solicitar, acompanhar e gerir todos os serviços de que necessita a partir de um portal electrónico único (e-services). Solicitar uma licença camarária de qualquer tipo, submeter um projecto e dialogar com os serviços, fazer a candidatura de um descendente a uma escola, fazer uma marcação para um médico de família, obter todo tipo de informação camarária, sobre a cidade e respectivas actividades, a qual deveria também ser pesquisável, ter todos os seus processos organizados e consultáveis de forma electrónica a qualquer altura, mas também sugerir novos serviços, discutir e opinar sobre decisões, acompanhar o processo decisório e de debate. Sentir-se-ia mais envolvido?

J. Norberto Pires

[2]

UREËWLFD

E-cities: caminhar para a União da Inovação  

Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº79

E-cities: caminhar para a União da Inovação  

Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº79

Advertisement