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DA MESA DO DIRECTOR

3.ideias.pt J. Norberto Pires Prof. da Universidade de Coimbra CEO do Coimbra Inovação Parque

Atrair empresas e investimento de fora do país deve ser um objectivo nacional nos próximos tempos. Portugal tem de dar um salto competitivo muito substancial e isso significa aprender com aqueles que fazem bem, que estão habituados a mercados exigentes, que necessitam de recursos humanos de qualidade e que vivem da capacidade de gerar conhecimento em sinergia com centros de saber reconhecidos. Isso permitirá acelerar a mudança de mentalidades que é necessário promover em Portugal. E colocará o foco na necessidade de gerar emprego qualificado que permita tirar partido da uma geração com formação superior, que conhece o mundo e teve contacto com projectos de I&D. O Estado só deve incentivar o investimento directo estrangeiro (IDE) que tenha uma forte componente de inovação e transferência de tecnologia. Isso significa avaliar as áreas de interesse estratégico, verificar aquelas em que Portugal pode ter vantagens competitivas e incentivar empresas dessas áreas a instalarem-se em Portugal. Os incentivos devem ser reais, tendo por base preços de instalação, acompanhamento personalizado, ligação a centros de I&D, programas de incentivo ao estabelecimento de projectos de I&D com parceiros nacionais, entre outros. Na verdade, só interessa que o IDE que nos veja como vantagem estratégica, e crie sinergias com os nossos motores de desenvolvimento. O governo tem de estar disponível para esse investimento, e criar mecanismos que o potenciem exigindo contrapartidas que sejam mais-valias e saltos na nossa capacidade produtiva, exportadora, de I&D. Só interessa o IDE que cria mais-valias.

Três ideias simples: 1. Reforçar as valências de transferência de saber e tecnologia nas Universidades e Centros de I&D: a) Apoio a incubadoras de ideias e empresas; b) Apoio a aceleradores de empresas; c) Apoio a parques de ciência e tecnologia; d) Foco na criação de sinergias e redes entre as várias instituições, procurando a cooperação estratégica; 2. Premiar a criação de emprego qualificado. Empresas que criam emprego para licenciados, mestres e doutores deveriam ser premiadas por isso, como forma de incentivo. Por exemplo, a iniciativa Plug-and-Play nos EUA, uma incubadora do Silicon-Valley que pretende atrair empresas (também estrangeiras), premeia com um valor fixo (10.000 USD) cada emprego qualificado criado no país por uma empresa. Em Portugal o Estado poderia suportar, por um tempo fixo (metade de um contrato a termo certo por 5 anos), a diferença salarial entre um trabalhador com mestrado ou doutoramento, e um trabalhador menos qualificado. Isso permitiria à empresa um período de experiência e adaptação, o que tenderia a acomodar e retirar vantagens deste tipo de colaboradores mais qualificados. Assim criava-se um mercado para mestres e doutores, com efeitos a médio e longo prazo. Os objectivos são muito claros: a aposta em I&D, em novas formas de gerir e se relacionar com a economia, exige pessoas criativas com formação avançada. Isso será facilitado se as empresas forem incentivadas a dar emprego a pessoas com essa formação. Esta medida faz parte de uma estratégia de médio e longo prazo para incorporação inovação e empreendedorismo na matriz das empresas. 3. Premiar a actividade económica e a exportação. O apoio à exportação é crucial. Isso significa reforçar o apoio à internacionalização, à diplomacia económica, ao reforço da imagem de Portugal como país produtor de tecnologia, mas também à criação de mecanismos de redução fiscal para empresas que apresentem taxas crescentes de exportação e uma estratégia de internacionalização com resultados práticos. O nosso mercado é pequeno. Não permite que as empresas se desenvolvam. É preciso passar de forma mais eficaz a mensagem que temos de exportar, procurar novos mercados e estabelecer alianças com locais onde possamos entrar com os nossos produtos. Por exemplo, o Estado poderia reduzir impostos a empresas que aumentaram a sua facturação em mais de 1 milhão de euros, relativamente ao ano anterior, em que pelo menos 50% desse aumento de facturação seja feito com o exterior do país. Imaginem que 5% ou 10% desse valor de aumento de facturação, ou seja, algo entre os 50.000 e os 100.000 por milhão de euros de aumento de facturação era convertido em reduções de impostos (nacionais e locais) pagos pela empresa. Não era isso um forte incentivo ao investimento e à exportação? E não é isso que urgentemente precisamos de aumentar? Conhecimento, espírito empresarial e empreendedor são valências essenciais ao nosso futuro colectivo. J. Norberto Pires

(Também publicado no jornal “comCENTRO” de 30 de Março de 2010)

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robótica

3.ideias.pt  

Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº78

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Autor: J. Norberto Pires; Revista: robótica nº78

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