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COLUNA SOCIEDADE PORTUGUESA DE ROBÓTICA

ROBOPARTY A RoboParty é uma festa da robótica onde mais de quatro centenas de pessoas se reúne, durante três dias e duas noites, para montar e programar um pequeno kit robótico de nome Bot’n’Roll One C, desenvolvido pela SAR – Soluções de Automação e Robótica. Essas pessoas têm um toque especial, porque falamos de jovens, onde a média de idades se centra nos 17 anos. Trazem o seu saco cama, pernoitam em área própria do evento, tem imensas actividades lúdicas em paralelo e, em geral, divertem-se nos três dias a montar, soldar, cortar, colar, aparafusar, programar e embelezar o seu pequeno robot.

um pequeno robot mostrou ser uma ideia mais interessante, feita num só local. O sucesso desta iniciativa fez com que no ano seguinte, a pressão das escolas levasse a organização a criar mais uma edição do evento. Cinco anos passados, e a sexta edição da RoboParty já se encontra em preparação. Tornou-se num evento que, uma vez por ano, recebe em Guimarães, mais precisamente nas instalações da Universidade do Minho, os jovens que vêm de todo o país, do Minho ao Algarve, passando inclusivamente pelas ilhas dos Açores e da Madeira. Casos há em que famílias completas de pai, mãe e filhos formam uma equipa para participar. Dos jovens aos mais velhos, todos aprendem, com espírito de entre-ajuda, muitas vezes definindo tarefas para cada membro. As actividades lúdicas em paralelo quebram o intenso ritmo, e complementam na perfeição o tempo passado. Todos os anos, algo de novo é introduzido e já se contou com equitação, baptismo de mergulho, polo aquático, arco e flecha, tacada de golfe em driving range, capoeira, desportos diversos (basquetebol, futebol, entre muitos outros), xadrez, demonstrações de aeromodelismo indoor, rock com a banda Dymamite Trust (protagonistas do actual hino da RoboParty) e do famoso grupo de percussão Bomboémia. Duas palestras de oradores convidados são também parte integrante, tendo já sido convidados elementos importantes do mundo da robótica, tais como Manuela Veloso, Gerhard Kraetzschmar e Changjiu Zhou (Presidente, Vice-Presidente e Trustee do RoboCup, respectivamente), Martin Calsyn da Microsoft, Norberto Pires da Universidade de Coimbra, entre outros.

Trazem consigo pouco ou nenhum conhecimento na área, mas saem satisfeitos porque tudo lhes é fornecido, no conhecimento básico de mecânica, electrónica e programação, necessários e essenciais para colocarem o seu robot em movimento de uma forma autónoma. Percebem que afinal, a robótica não é aquele bicho papão de que ouvem falar, que a electrónica é uma coisa gira e interessante, que a programação não é mais do que um desafio que os separa entre teclar num qualquer chat-room e construir algo com sentido lógico e utilizando um conjunto de comandos pré-definido. Rapidamente se apercebem dos truques, ouvem todas as dicas com extrema atenção, afinam e apuram os parâmetros para que nas provas do terceiro dia, o robot deles consiga fazer a pista mais rápido do que o robot da equipa vizinha. É a disputa saudável e pedagógica, que se adequa ao espírito base pretendido para este evento, que seja um evento pedagógico e não competitivo. O evento nasceu dada a inúmera quantidade de convites para palestras em Escolas Secundárias, por todo o país, para falar sobre o tema da robótica. Através da RoboParty, as palestras e o contacto directo na construção de

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robótica

A formação e apoio técnico durante o evento são dados pela empresa que produz e comercializa o kit robótico (spin-off da Universidade do Minho), SAR – Soluções de Automação e Robótica, Lda. As dezenas de voluntários que dão suporte a todas as tarefas de acompanhamento e suporte aos participantes, é constituída maioritariamente por alunos do Mestrado Integrado em Electrónica Industrial e Computadores, da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e coordenados pelo núcleo estudantil IEEE da Universidade. Uma garantia é dada aos participantes. Todos sairão com o seu robot a funcionar a 100%. A página do evento (www.roboparty.org) contém imagens e vídeos das várias edições. As equipas de quatro elementos devem possuir pelo menos um adulto, e no caso de múltiplas equipas de uma mesma escola, bastará um professor para até três equipas de menores. A Engenharia e a Robótica em geral, têm tido imenso a ganhar com este evento e, apesar de não existir uma estatística precisa, sente-se que muitos dos jovens que saem do evento embarcarão nesta área de corpo e alma. “De pequenino se torce o pepino”.

Gil Lopes

gil@dei.uminho.pt Investigador Auxiliar Grupo de Controlo, Automação e Robótica do Centro Algoritmi da Universidade do Minho - Guimarães

Roboparty  
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Autor: Gil Lopes; Revista: robótica nº85

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