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FORMAÇÃO

revista técnico-profissional

o electricista

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José V. C. Matias Licenciado em Engenharia Electrotécnica (IST) Professor do Ensino Secundário Técnico

electrotecnia básica

INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS DE BAIXA TENSÃO

(continuação da edição anterior)

Neste número, vamos iniciar o estudo dos circuitos eléctricos de uma Instalação de Utilização doméstica, à luz dos Novos Regulamentos, com a indicação e escolha de condutores, secções, tubos, diâmetros, calibres de aparelhagem, potências a contratar, quedas de tensão, esquemas eléctricos e traçado de circuitos.

10› REGRAS GERAIS PARA OS CIRCUITOS DE UMA INSTALAÇÃO DE UTILIZAÇÃO Antes de analisarmos cada um dos circuitos que são geralmente utilizados numa I.U., é necessário referirmo-nos a um conjunto de regras, alicerçadas nos Regulamentos e Normas do sector, que condicionam e orientam o projecto e a execução da instalação eléctrica. São as seguintes algumas das principais regras utilizadas no projecto e na execução de uma I.U.: 1) Cada circuito de iluminação de uma I.U. deve ter, no máximo, oito pontos de utilização. Nota: um candeeiro com várias lâmpadas ligadas ao mesmo comutador conta como um só ponto de utilização; 2) Cada circuito de tomadas deve ter, no máximo, oito pontos de utilização; 3) Cada circuito de aquecimento deve ter, no máximo, cinco receptores de aquecimento ligados; 4) Em cada canalização, como regra geral, só podem existir condutores do mesmo circuito. Esta regra tem, no entanto, excepções, podendo existir mais do que um circuito desde que, entre outras condicionantes, todos os condutores sejam isolados para a tensão mais elevada; 5) Os circuitos de iluminação e tomadas devem ser, regra geral, independentes; 6) As máquinas de lavar devem constituir circuitos independentes dos restantes – um circuito para MLR (máquina de lavar roupa) e outro circuito para MLL (máquina de lavar louça). É, no entanto, permitido utilizar um só circuito para as duas

máquinas desde que se utilize um comutador que impeça a ligação simultânea das duas máquinas; 7) De acordo com as RTIEBT, todos os circuitos monofásicos, em locais de habitação, devem ter três condutores: fase, neutro e condutor de protecção. O que quer dizer que as lâmpadas são ligadas ao condutor de protecção e as tomadas devem ter todas o contacto de terra; 8) As tomadas devem ser de alvéolos protegidos (até 16 A) ou com tampa se In > 16 A; 9) Os condutores utilizados nos diferentes circuitos (iluminação, tomadas, aquecimento, e outros) devem obedecer ao Quadro 12;

Natureza dos circuitos

Secção dos condutores (mm2)

Protecção contra sobreintensidades (A)

Iluminação

1,5

10

Estores eléctricos

1,5

10

Tomadas

2,5

16

Termoacumuladores

2,5

16

2,5

16

Fogão/forno eléctrico

4 ou 6

25 ou 32

Climatização ambiente

2,5 ou 4

16 ou 25

Portão eléctrico

2,5

16

Banheiras de hidromassagem

2,5

16

2,5

16

Máquinas de lavar e de secar roupa ou de lavar loiça

ATI: central de incêndio/intrusão; porteiro/vídeo-porteiro

Quadro 12 . Secções dos condutores e protecções contra sobreintensidades, numa habitação.

10) Os condutores de fase, neutro e de protecção devem ter a mesma secção até 16 mm2, inclusive. A partir desta secção, utilizam-se os valores indicados no Quadro 13; 11) No Quadro 14, indica-se o número mínimo de circuitos numa I.U., em função do número de compartimentos da habitação; 12) As potências a contratar ao distribuidor de energia, para habitação, são as indicadas no Quadro 15. A instalação pode ser monofásica até 13,8 kVA, desde que não existam receptores trifásicos. Se existirem receptores trifásicos, a instalação de utilização tem de ser trifásica, com uma potência mínima de 10,35 kVA.


FORMAÇÃO - PRÁTICAS DE ELECTRICIDADE

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Manuel Teixeira e Paulo Peixoto ATEC

ficha prática n.º 28

{INTRODUÇÃO À ELECTRÓNICA}

Além dos díodos de junção anteriormente analisados existem díodos para aplicações específicas que serão analisados nas próximas edições. Destacam-se os díodos de Zener, díodos Schottky e os díodos emissores de luz.

5› DÍODOS DE ZENER 5.1› Introdução Os díodos para pequenos sinais e os díodos de rectificação nunca operam propositadamente na zona de disrupção porque isso poderia danificá-los. Existe no entanto um díodo que o fabricante optimizou para operar na zona de disrupção. Este díodo é designado por Zener e é o componente essencial dos reguladores de tensão electrónicos, circuitos que mantêm a tensão da carga quase constante apesar de das variações na tensão da rede eléctrica de alimentação e na resistência de carga.

Figura 30 . Símbolos do díodo de Zener.

› POLARIZAÇÃO INVERSA Entre os 0 V e a zona de disrupção, o díodo apenas tem uma pequena corrente inversa. Num díodo Zener a disrupção ou a tensão Zener, apresenta uma grande curvatura, seguida de um aumento de corrente quase na vertical. Note-se que a tensão é quase constante, aproximadamente igual a UZ na maior parte da disrupção. Variando o nível de dopagem dos díodos de silício, os fabricantes produzem díodos Zener com tensões de disrupção ou tensões Zener entre cerca de 2 V até 1.000 V. As folhas de dados especificam normalmente o valor de UZ e uma corrente IZ por vezes referida como IZT - corrente de teste.

5.2› Característica U/I do díodo de Zener › POLARIZAÇÃO DIRECTA Na região de polarização directa o díodo Zener começa a conduzir aproximadamente a 0,7 V, tal como um díodo vulgar de silício. Os circuitos seguintes representam este funcionamento: Figura 33 . Funcionamento da região de polarização inversa de um díodo de junção.

Figura 31 . Funcionamento da região de polarização directa de um díodo de junção. Figura 34 . FFuncionamento da região de polarização inversa de um díodo Zener

5.3› Circuito de Estabilização de Tensão com díodo de Zener › ANÁLISE TEÓRICA Figura 32 . Funcionamento da região de polarização directa de um díodo Zener.

Na figura seguinte é apresentado um circuito de estabilização com a utilização de um díodo de Zener. A tensão de entrada é variável, con-

Electrotecnia básica: instalações elétricas de baixa tensão  
Electrotecnia básica: instalações elétricas de baixa tensão  

Autor: José V. C. Matias; Revista: oelectricista nº38

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