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DOSSIER

revista técnico-profissional

o electricista

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João Figueiredo Técnico de Ambiente SGS ICS

norma ISO 50001*

{CERTIFICAÇÃO DE SISTEMAS DE GESTÃO DA ENERGIA}

Na situação atual, em que as questões ambientais associadas à utilização da energia se encontram na ordem do dia, tornase necessário que todos os tipos de organização (empresas, instituições privadas de solidariedade social, entidades públicas, entre outras) estabeleçam os sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético, incluindo a eficiência energética, o uso e o consumo de energia. Desta forma, com a publicação da Norma ISO 50001, este ano foi criado um referencial que permite encaminhar as organizações no sentido de: › Uma melhor gestão energética; › Reduzir as emissões de gases com efeito de estufa; › Reduzir outros impactes ambientais associados; › Reduzir os custos de energia.

energia, de modo a potenciar o desenvolvimento económico; › Reduzir a intensidade energética da economia, para reduzir a vulnerabilidade perante a oscilação dos preços; › Reduzir a dependência energética face ao exterior.

GESTÃO DE ENERGIA

ENERGIA: UM PROBLEMA AMBIENTAL

Sendo a energia essencial para o funcionamento de qualquer processo, as organizações poderão consumi-la sob a forma de eletricidade, combustíveis, vapor, calor, ar comprimido ou sob qualquer outra forma. A energia, incluindo a renovável, pode ser adquirida, armazenada, tratada, utilizada num equipamento ou procedimento, ou recuperada.

O consumo de energia é uma questão ambiental importante e um dos 10 maiores problemas dos próximos 50 anos. Grande parte dos problemas ambientais provém do tipo de energia consumida e o aumento do consumo de combustíveis fósseis irá acelerar as alterações climáticas mais sentidas.

Sobre a energia, qualquer organização deverá questionar-se: Para que efeito a quer? Quanto é que consome? Quanto é que realmente necessita consumir? Como é que pode consumir menos? Como é que pode consumir de forma sustentável?

Assim, são-nos apresentados alguns desafios urgentes: › Reduzir para metade em 2050, o nível de emissões de CO2, registado em 2000, de modo a que o aumento da temperatura média fique entre 2º C e 2,4º C; › Assegurar o aumento do fornecimento de

Esclarecendo alguns conceitos, comecemos pela utilização de energia. A mesma é a forma como a energia é aplicada numa organização, sendo geralmente para ventilação, iluminação, aquecimento, refrigeração, transportes, processos, e/ou linhas de produção. Por seu lado, o consumo de

Assim, este artigo é elaborado no sentido de dar a conhecer a Norma ISO 50001, os benefícios da sua implementação e da certificação do Sistema de Gestão da Energia.

* Texto escrito de acordo com o Novo Acordo Ortográfico.

energia é a quantidade usada para um determinado processo, sendo que a eficiência energética é a relação quantitativa entre o resultado desse processo e a energia consumida. Já a intensidade energética referese à incidência que o consumo terá sobre os custos do processo. Desta forma, quanto menor for a intensidade energética, maior será a eficiência. O desempenho energético, o foco da ISO 50001, é a relação entre os resultados mensuráveis da eficiência, da utilização e do consumo de energia.

SISTEMAS DE GESTÃO DA ENERGIA As organizações têm assim à sua disposição uma ferramenta importante, que são os Sistemas de Gestão da Energia. Os mesmos definem-se como sendo um conjunto de elementos inter-relacionados e interativos que estabelecem uma política energética e seus objetivos, assim como um conjunto de processos e procedimentos para atingir esses objetivos. São instrumentos de participação voluntária, que permitem às organizações manter controlados os custos durante a recessão económica, posicionar-se como fornecedoras de produtos ecológicos, cumprir os requisitos a que estão sujeitas e ter controlo sobre a sua cadeia de fornecimento, no que diz respeito às normas ambientais. Estes

Norma ISO 50001*: certificação de sistemas de Gestão da energia  
Norma ISO 50001*: certificação de sistemas de Gestão da energia  

Autor: João Figueiredo; Revista: oelectricista nº38

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