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Editorial

Luís Andrade Ferreira

Director

Como todos sabemos, a organização de um serviço de manutenção deve responder às necessidades da empresa definidas através da estratégia de manutenção entretanto seleccionada para o parque de equipamentos a manter. Essa definição estratégica tem naturalmente a ver com a resposta fundamentada às questões tradicionais da manutenção: • Que e quanta informação deve ser recolhida e analisada para cada sistema em análise? Haverá informação “descartável” ou mesmo desnecessária? • O quê e quem? Isto é, quais as tarefas que devem ser efectuadas no interior da empresa ou que devem ser sub-contratadas? Esta questão aparece ligada às tendências verificadas nos últimos tempos na gestão das empresas, com o intuito de dirigir estas para o seu “core business”, o que leva muitas vezes a uma re-engenharia dos processos e a um “downsizing” importante de quadros das empresas. Há neste caso um cada vez maior recurso à contratação externa de prestação de serviços (“outsourcing”). • Qual a influência que a manutenção deve ter na selecção e na instalação de novos sistemas produtivos ou equipamentos? A análise dos LCC (“Life-cycle Costs”) de equipamentos anteriores, assim como o seu desempenho técnico, é relevante? Muito, pouco?

‘2 · MANUTENÇÃO

Necessariamente, as estratégias a adoptar terão como intenção melhorar o “output” global das empresas e estarão relacionadas com a análise LCC feita aos equipamentos em questão. Fundamental para o desenvolvimento de uma estrutura organizacional é a consideração das capacidades e atitudes dos meios humanos envolvidos e a criação de uma rede de actividades em que cada um possa desempenhar com êxito as tarefas que lhe estão atribuídas. Numa sociedade em que a criatividade representa um factor de acréscimo de valor, também na manutenção a resposta às questões formuladas depende da capacidade criativa dos recursos humanos envolvidos. Vem isto a propósito da realização num futuro próximo de um workshop sobre Geração de Ideias em manutenção, pela Especialização em Manutenção Industrial da Ordem dos Engenheiros, onde estes temas terão uma abordagem por especialistas em criatividade. A verdade é que temos de ser criativos para ser competitivos e não podemos ser criativos se não tivermos as competências necessárias para dominar a nossa área de intervenção. Logo, só uma sólida formação de base permite sermos competitivos numa sociedade em que a criatividade é uma fonte de valor. Estará Portugal apetrechado para dar essa formação de base aos nossos jovens? Nalgumas áreas dos diferentes domínios científicos talvez seja assim, mas no domínio das tecnologias muito há a fazer!

Editorial  

Autor: Luís Andrade Ferreira; Revista: Manutenção nº97

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Autor: Luís Andrade Ferreira; Revista: Manutenção nº97

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