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Editorial

Luís Andrade Ferreira Director

Numa altura em que todos falam de crise económica global, o que aparece de mais significativo em Portugal, em nosso entender, é o agudizar duma crise social, em que os que têm emprego conseguem estar a viver melhor (devido à inflação negativa), e os que não têm emprego e/ou suporte financeiro de qualquer origem têm cada vez mais dificuldades em sobreviver. Outro problema que se tem vindo a agudizar em Portugal, este de natureza estrutural, é a cada vez menor capacidade de mobilidade social que apresentam as camadas mais desprotegidas da nossa sociedade. Tal é agravado pelo sistema de ensino, que apesar de ser dos mais caros segrega entre os que têm maior capacidade financeira (com acesso a escolas privadas de qualidade) e novamente aqueles que com menores recursos são obrigados à frequência de escolas públicas de qualidade mais ou menos aleatória. Tudo isto se reflecte na capacidade do país evoluir com competitividade, já que antes dessa competitividade aparecer nas empresas, tem que aparecer nas pessoas, onde os melhores têm de ser naturalmente distinguidos e os que têm mais dificuldades têm de ser ajudados a ultrapassá-las para atingir outros patamares mais elevados de competência. Deste modo, os referenciais tendem a baixar de nível e as competências diminuem. Na Manutenção, estes problemas também se reflectem, pois existe hoje uma carência muito grande de técnicos qualificados, isto num quadro de desemprego elevado. A verdade é que as competências não existem em número suficiente, o que penaliza fortemente as empresas nacionais. Em termos comparativos, as empresas nacionais apresentam valores de disponibilidade operacional para os seus equipamentos inferiores aos apresentados pelas suas congéneres internacionais de referência. Se acrescentarmos o facto de estarmos afastados dos centros de consumo da maioria dos produtos que produzimos, o que implica naturalmente custos logísticos mais elevados, concluímos rapidamente que neste cenário a nossa competitividade é baixa. Temos, por isso, de fazer evoluir o sistema educativo para melhorarmos de forma sustentada a economia nacional. Temos de deixar cair dogmas de falsos modernismos pedagógicos e motivar as famílias para a necessidade do conhecimento científico e para a prática tecnológica, num contexto de cultura geral mais elevada. Só assim sairemos da crise, da qual já ouvimos falar há tempo de mais!

2 · MANUTENÇÃO

Editorial  

Autor: Luís Andrade Ferreira; Revista: Manutenção nº102

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Autor: Luís Andrade Ferreira; Revista: Manutenção nº102

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