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Dossier sobre Manutenção em Elevadores

Manutenção em elevadores

Fernando Jorge Almeida ISQ

O bom funcionamento e segurança

>

Outros equipamentos: máquinas, qua-

te, em períodos mais curtos com óleos minerais ou muitos longos com óleos

dos elevadores estão dependentes

dros de comando, cabinas, contrapesos,

do cumprimento de quatro fatores:

guias das cabinas e dos contrapesos e

limpeza, lubrificação, afinação e

suas fixações, corrediças das portas de

sintéticos; >

cabinas e dos patamares.

conservação.

O óleo hidráulico nos reservatórios deve ser substituído quando começa a criar humidade, que pode originar ar

LIMPEZAS

Zonas como: pavimento da casa das má-

nas tubagens e no reservatório/bloco

É essencial manter limpas as peças, partes

quinas, cobertura das cabinas e poços dos

de óleo dinâmico, cilindro/êmbolo, ori-

e locais dos elevadores que, sem limpeza,

elevadores limpas, garantem um funciona-

ginando um deficiente funcionamento

estão sujeitos a avarias por deficiências/

mento regular dos elevadores e um ambien-

maus contactos. A limpeza também é im-

te mais respirável nestes locais.

>

ambiente com higiene no espaço do técnico

LUBRIFICAÇÕES

>

e do utente. A manutenção destas condi-

A lubrificação é essencial para evitar ru-

res de tração, chumaceiras de rodas

ções garante um bom funcionamento e em

ídos e impedir que peças que devem ser

de aderência, copos de lubrificação

segurança dos elevadores.

lubrificadas periodicamente sejam sujeitas

de rodas de aderência e de desvio em

a um defeito de funcionamento, que pos-

elevadores mais antigos, que não dis-

Exemplo: a limpeza devem incidir sobre:

sam gerar ruídos ou gripar por falta de

põem de rolamentos blindados, como

>

lubrificação.

as atuais que não necessitam de lubri-

das válvulas e do êmbolo;

Contactos de relés ou contactores dos

Lubrificação de chumaceiras de moto-

ficação;

quadros de comando de elevadores ins>

Lubrificação dos mecanismos móveis dos freios;

portante para evitar ruídos e manter um

talados anteriormente, até ao século XX;

Exemplo: a substituição periódica de óleo ou

Dispositivos elétricos de fecho e encra-

lubrificação deve ser feita em:

zonas laminadas das guias onde tra-

vamento de portas de cabina e de pa-

>

Redutores de máquina de tração, cujo

balham/deslizam as guarnições de

óleo deve ser substituído periodicamen-

roçadeiras da cabina e do contrapeso.

tamar;

>

Lubrificação ou auto-lubrificação das

Com exceção das rodas guiadoras em ©controlelevadores.com.br

que o laminado das guias e as rodas devem manter-se limpas. AFINAÇÕES As verificações e afinações periódicas das peças e partes dos elevadores são essenciais para manter um bom funcionamento destes equipamentos. Exemplo: requerem verificação e afinação os contactos de relés e de contactores não herméticos de quadros de comando convencionais elétricos mais antigos. Os quadros eletrónicos e variadores de frequência não requerem afinações, mas devem ser mantidas as configurações e a

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elevare


Dossier sobre Manutenção em Elevadores temperatura ambiente mínima e máxima

modo a que a sua atuação seja garantida com

O dispositivo de falta ou inversão de fases

que suportam.

imobilização da cabina ou do contrapeso.

de corrente da rede deve estar operacional.

Nos elevadores com redutor deve ser veri-

CONSERVAÇÃO

obstáculos da cabina ou do contrapeso

ficado o estado das guarnições das maxilas

O estado de boa conservação dos elevado-

deve estar operacional.

de travão, afinação da abertura destas e dos

res é essencial para o bom funcionamento e

núcleos das bobinas dos freios das máqui-

segurança destes.

O dispositivo de proteção de encontro de

A função do óleo nos redutores das máquinas de tração é lubrificar a engrenagem

nas de tração. Exemplo: a boa conservação e bom fun-

reduzindo, deste modo, o atrito da roda

Nos motores gearless deve efetuar-se veri-

cionamento dos elevadores em segurança

de coroa/sem-fim. O óleo deve ser subs-

ficações periódicas dos freios/embraiagens

reflete-se no bom estado dos relés e con-

tituído quando os índices de viscosidade e

e condições de trabalho destes, tais como:

tactores em ambiente desprovido de sujida-

densidade não forem os estipulados pelo

temperatura ambiente e humidade.

des e humidades, substituí-los é a solução

fabricante, porque nesta condição o óleo

quando o seu estado o requeira.

escorre mais, fica mais contaminado e deteriorado escorrendo da zona do atrito,

As portas de cabina e de patamar por estarem sujeitas a manipulações ou uso indevido

As placas eletrónicas/variadores de fre-

devem ser sujeitas a verificações periódicas

quência ou as de variação de tensão reque-

e afinações quando necessárias de veloci-

rem a configuração de funcionamento de

Nos motores geradores de Corrente Contí-

dade de movimento destas, dos dispositi-

acordo com os parâmetros do fabricante e

nua por estarem sujeitos a muito desgas-

vos elétricos de fecho, de encravamento e

estarem providos de um ambiente de traba-

te, a atenção deve incidir sobre o desgas-

dos dispositivos de encontro de obstáculos

lho seco e com uma temperatura ambiente

te das escovas de carvão, que trabalham

destas.

que oscile até um mínimo de -5 e máximo

sobre os coletores. A substituição destas

de 40 graus centígrados. Estas performan-

deve ter em atenção a rigidez do carvão

Os pára-quedas da cabina ou do contrapeso,

ces são essenciais para a boa conservação

das escovas para não causar desgaste

quando exista, devem manter-se afinados de

destes equipamentos.

prematuro no coletor e por incidência de

com efeitos de menor lubrificação.

PUB


Dossier sobre Manutenção em Elevadores Os cabos de aço dos órgãos de suspensão e

estado e garantir um bom funcionamento

do limitador de velocidade têm tendência a

no fecho e encravamento destas.

alongar-se e devem ser vigiados periodicamente para não originarem deficiências no

Nas portas de patamar semiautomáticas

funcionamento e falta de segurança/inope-

devem deve ser verificado o estado e fun-

racionalidade dos dispositivos elétricos de

cionamento das molas e amortecedores hi-

segurança dos elevadores, tais como: fins

dráulicos de fecho desta e os vidros destas

de curso quando se vai fica um alongamen-

devem manter-se intactos.

to excessivo dos cabos de suspensão da ©elevemelevadores.com

curto-circuito das bobinas indutoras ou do

cabina/contrapeso ou do dispositivo elétri-

As roçadeiras inferiores das portas auto-

co de deteção de alongamento do cabo do

máticas de cabina ou de patamar sujeitas

limitador de velocidade instalado na roda

a desgaste e, por vezes, a mau uso devem

tensora.

ser verificadas periodicamente. As corrediças das portas e as rodas que lhe dão movi-

induzido. Os dispositivos de manobra manual de res-

mento devem manter-se limpas e as portas

As guarnições das maxilas dos freios das

gate devem ser ensaiados periodicamente,

de patamar devem possuir condições de

máquinas de tração com redutor, sujeitas a

sejam manuais ou elétricas.

movimento de fecho que, na situação de desacopladas, devem fechar só por ação

desgaste contínuo, devem ser verificadas periodicamente. Quando a espessura mínima

As guarnições das roçadeiras da cabina e do

da mola ou do peso que lhe transmitem

destas não garanta um bom desempenho na

contrapeso sujeitas a desgaste devem ser

o movimento de fecho. Esta situação visa

travagem do freio, devem ser substituídas.

verificadas periodicamente. A fricção destas

garantir melhor movimento/funcionamen-

nas guias de cabina ou do contrapeso, assim

to e maior segurança destas nas situações

O atrito dos cabos de suspensão sobre os

como as variações de temperatura, tornam

de emergência em que seja necessário de-

gornes da roda de aderência deve ter em

o material de plástico das guarnições mais

sencravar e abrir a porta de patamar para

conta o ângulo de trabalho e a têmpera/

rijo e origina muito desgaste, e provocam a

socorrer/retirar pessoas encarceradas na

rigidez do material dos gornes segundo os

rutura. A substituição destas deve ser efe-

cabina e que a porta de patamar tenha que

itens do fabricante, e a rigidez dos cabos de

tuada quando apresentem excesso de des-

fechar e encravar só por ação da mola ou

suspensão que, deve ser compatível com a

gaste ou de rigidez. Quando as roçadeiras

peso que lhe auferem este movimento ma-

rigidez dos gornes. Estas condições visam

possuem guarnições em plástico autolubri-

nual de fecho.

garantir atrito suficiente entre esses dois

ficante não é necessário verificar o estado

materiais, sem que quaisquer destes sejam

de lubrificação.

Na cobertura da cabina devem ser observadas as dimensões/folgas mínimas e má-

excessivos. O pára-quedas da cabina ou do contrapeso

ximas, balaustradas de proteção, quando

A duração dos cabos de suspensão dos ele-

se possuir, devem ser sujeitos a ensaios de

existam, estado de funcionamento do dis-

vadores de roda de aderência depende da

segurança periódicos. A inoperacionalidade

positivo de comando e estado dos órgãos

alma interna de cânhamo que autolubrifica

destes dispositivos põe em risco pessoas e

de suspensão da cabina e do contrapeso.

o cabo. Quando a autolubrificação deixa de

bens, e por esse motivo requer uma verifi-

ser efetiva, o cabo de aço fica mais rijo e com

cação imediata das causas que podem pas-

O dispositivo de controlo de carga da ca-

tendência a oxidar e a partir os fios das tran-

sar pela afinação, reparação ou por inerên-

bina deve estar operacional e configurado

ças, originando deterioração do cabo e maior

cia à substituição imediata deste dispositivo

para a capacidade máxima de carga da

atrito, que causa excesso de aderência des-

de segurança máxima. Causas da inopera-

cabina.

tes nos gornes da roda de aderência. A alma

cionalidade destes dispositivos de segu-

interior em cabo requer uma lubrificação

rança podem prover de um alongamento

Os dispositivos de emergência como alar-

periódica com óleo específico recomendado

excessivo e falta de atrito do cabo no gorne

me de socorro, iluminação de emergência

pelo fabricante. Estas situações são também

do limitador de velocidade, por desgaste

e comunicação bidirecional devem ser en-

inerentes ao cabo do limitador de velocidade.

excessivo das cunhas/roletas deste ou por

saiados mensalmente e mantidos ativos.

desgate excessivo das guarnições de roçaA falta de igualização dos cabos de sus-

deiras da cabina ou do contrapeso, quando

A manutenção dos elevadores está a car-

pensão origina um desgaste prematuro

o pára-quedas seja deste.

go das EMIE que devem possuir planos de manutenção afixados na casa da máquina,

dos gornes da roda de aderência e, por inerência, insuficiente atrito dos cabos de

Os dispositivos elétricos de segurança de

onde seja registado a verificação periódica

suspensão da cabina/contrapeso nos gor-

fins de curso devem estar operacionais.

dos dispositivos de segurança.

igualização dos cabos e o estado dos dis-

Os dispositivos elétricos de segurança de

As EIIE têm como missão inspecionar os

positivos que estabilizam e garantem esta

fecho e de encravamento das portas de

elevadores de modo a garantir a seguran-

condição.

cabina e de patamar devem estar em bom

ça de pessoas e bens.

nes. Deve ser verificado periodicamente a

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elevare

Manutenção em elevadores  

Autor: Fernando Jorge Almeida; Revista: elevare nº6

Manutenção em elevadores  

Autor: Fernando Jorge Almeida; Revista: elevare nº6

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