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Qualidade, segurança e ambiente

Sistema de Gestão da Qualidade na perspetiva ISO 9001:2015 Rui Flores Auditor coordenador Qualidade, Ambiente e SST da APCER, Formador e consultor Auditor IPAC a Laboratórios de ensaio e calibração

Afinal o que é a qualidade numa

mais importante meta a atingir quando se

organização? Há várias definições de

certifica um Sistema de Gestão. Neste con-

nologia comuns às várias Normas de

qualidade mas a que sempre preferi foi:

texto, a sua contribuição para a organização

Sistemas de Gestão (de acordo com o

Qualidade é o conjunto de princípios e

da empresa, a sistematização das atividades

Anexo SL) que agora tem os mesmos

métodos, organizados numa estratégia

e processos, bem como a avaliação e influ-

capítulos principais facilitando, assim, a

global visando mobilizar toda a empresa

ência na implantação na cultura da empresa

para obter uma melhor satisfação do

de processos de melhoria contínua, são bem

cliente ao menor custo.

mais importantes.

1.

Introdução de um formato e termi-

integração de sistemas; 2. Focalização na Liderança (Capítulo 5 da Norma) – comprometimento da alta direção com a Norma e não apenas asse-

Esta definição congrega todos os princípios

O processo de auditoria contribui decisiva-

gurar-se que as atividades de gestão da

pelos quais uma organização se deve reger,

mente para esta meta abordando de forma

qualidade ocorrem - demonstrável num

metodologias estruturadas, organização,

sistemática o Sistema de Gestão numa ava-

processo de auditoria;

estratégia, cultura da empresa, satisfação

liação detalhada e incisiva permitindo, assim,

3. Contexto da organização (Capítulo 4 da

do cliente e relação de custo interno.

parafraseando Confúcio, “através dos olhos

Norma) – identificar os aspetos exter-

de outros ver os nossos próprios defeitos”.

nos e internos que podem ter impacto

Um sistema de gestão para trazer valor

no Sistema de Gestão e nos resultados

acrescentado para uma organização deve

A EVOLUÇÃO NORMATIVA E A ISO 9001:2015

pretendidos

estar perfeitamente integrado na sua forma

Desde a série de Normas EN 29001 que ori-

der as necessidades e expetativas das

de negócio e ser útil para atingir os seus ob-

ginou a atual ISO 9001, a Norma de Sistemas

partes interessadas nas atividades da

jetivos estratégicos.

de Gestão da Qualidade passou por diversas

organização

alterações. Esta transformação além de ter

bem

como

(clientes,

compreen-

fornecedores,

entre outros);

Há organizações que utilizam os referenciais

vindo a reduzir drasticamente a exigência

4. Objetivo e âmbito do Sistema de Gestão

normativos para criar sistemas burocráti-

documental tem evoluído, como seria expe-

– ênfase na definição e conteúdo do âm-

cos excedentários de documentos e registos

tável, nos conceitos sendo hoje muito mais

bito do Sistema de Gestão em relação

e que não refletem a forma como a organi-

orientada para os processos e atividades da

zação trabalha na prática e que, ao invés de

organização.

acrescentar valor, “encrava a engrenagem”

ao contexto da organização; 5. Mais que promover uma abordagem por processos como referido na Norma

e reduz valor por consubstanciar custos e

De um modo geral poderemos dizer que a

anterior, esta Norma entende (Capítulo

desperdício.

Norma mais recente, a ISO 9001 de 2015,

4.4) que esta abordagem é imprescindí-

traz efetivamente alterações importantes,

vel para um sistema de gestão de uma

Também as Normas têm evoluído no sentido

contudo, as entidades que já tinham imple-

de as tornar menos burocráticas, isto é, me-

mentada de uma forma efetiva a Norma de

6. PENSAMENTO BASEADO NO RISCO –

nos exigente do ponto de vista documental a

2008 terão certamente a tarefa facilitada

esta é talvez a mais importante altera-

tarefa da implementação de sistemas bem

para a transição. É de realçar que um dos

ção da Norma. Considerando que por

como a sua certificação como é o caso da

aspetos importantes em qualquer Norma de

definição o Risco é o “efeito da incerteza

Norma ISO 9001:2015.

gestão é a sua inclusão na cultura da orga-

nos resultados”, a Norma refere agora

organização;

nização e este facto é tão mais importante

que as organizações devem conside-

PORQUÊ CERTIFICAR A EMPRESA

quanto o cumprimento dos requisitos das

rar os riscos e oportunidades no seu

É talvez uma frase rotineira referir que a

Normas.

negócio. Assim, as organizações de-

certificação traz uma validação por entida-

vem evidenciar que identificaram, con-

de independente do sistema da qualidade

As principais alterações que a Norma de

sideraram no seu Sistema de Gestão e

implantado, contudo, esta não é decerto a

2015 traz, resume-se basicamente a:

sempre que necessário empreenderam

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elevare


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ações para atuar sobre os riscos (sejam eles negativos ou positivos) e assegurar as oportunidades que tenham impacto na satisfação do cliente. Neste contexto foram suprimidas as “ações preventivas” na aceção da Norma de 2008 estando agora as ações identificadas relacionadas com a avaliação de risco; 7.

Melhoria (Capítulo 10) – é agora perfeitamente reconhecido que a melhoria pode resultar tanto de pequenas ações pontuais como de reorganizações profundas. Assim o termo melhoria “contínua” caiu passando apenas a melhoria;

8. Fornecimentos externos (Capítulo 8.4) – maior focalização do que vem do exterior, sejam produtos de fornecedores, serviços de subcontratados ou parcerias com outras organizações; 9. Documentação – documentos e registos, uma vez que toda a Norma fala agora em “informação documentada” que tem de ser controlada, mantida e retida, em vez de falar de documentos e registos como a Norma de 2008; 10. Gestão da mudança - (Capítulo 10) sempre que ocorram mudanças no Sistema de Gestão, as mesmas tem de ser alvo de um planeamento sustentado, de forma a que a execução cumpra o pretendido. Este requerer de um planeamento sustentado vem proporcionar às organizações uma sistemática que permite lidar com a cada vez maior dinâmica e complexidade do ambiente em que operam; 11. Alterações menores: >

Inclusão do termo “produtos e serviços” em substituição do termo “produtos”, contudo, esta alteração era já consensual uma vez que em termos práticos a Norma era aplicada já a serviços;

>

A

terminologia

continua

a

estar

na

Norma

ISO 9000:2015 com algumas alterações já referidas (informação documentada, avaliação do risco, e outras); >

Clareza na linguagem para que algumas questões que eram naturalmente implícitas se tornassem agora explícitas.

"Integração com outros referenciais normativos ISO 14001:2015 para o ambiente (já publicada) e ISO 45001 para a saúde e segurança no trabalho (a publicar)" A implementação e manutenção de vários Sistemas de Gestão nas empresas, nomeadamente nos Sistemas de Gestão Ambiental e de Saúde e Segurança no Trabalho ficou agora facilitada e será menos trabalhosa dada a estrutura dos requisitos nucleares de todas as Normas ser agora idêntica. A focalização nos requisitos 6 – Planeamento e 8 – Operação é essencial para que este caminho seja percorrido. PRINCIPAIS FONTES: -

Report CQI ISO 9001:2015 - Understanding the International Standard;

-

Sá, Joana (APCER) - ISO DIS 9001:2015 Perspetivas Futuras.

Sistema de Gestão da Qualidade na perspetiva ISO 9001:2015  

Autor: Fernando Maurício Dias; Revista: elevare nº6

Sistema de Gestão da Qualidade na perspetiva ISO 9001:2015  

Autor: Fernando Maurício Dias; Revista: elevare nº6

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