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O Cidadão Ano XIII Nº64 Maio/Junho de 2013

do Bairro Maré

Está de volta!


O Cidadão está de volta! 12 4 Pacificação - Pra que serve? 5 Acorda povo! 6 Entrevista “Cidade Cerzida, a costura da cidadania no Morro Santa Marta” 8 Cinema para os ouvidos, olhos e alma 9 Vanderson Feitosa, um Mareense vitorioso 11 Prevenção, acolhimento e incentivo à atividade física para o Mareense Curso de Comunicação Comunitária do O Cidadão

15 I Seminário Regional Comunicação Comunitária da PUC-Rio e da UERJ 16 Universidade para todos? 18 Projeto de Rugby sensibiliza comunidade da Maré 20 Dicas da Vovó 21 Passatempo 22 Cidadão Ilustrado 23 Óleo de cozinha, o que fazer? 24 Memória: Fala Morador! APOIO


Editorial

Expediente Direção: Antonio Carlos Vieira, Maristela Klem, Lourenço Cezar, Luis Antonio de Oliveira, Soraia Denise de Brito Coordenadora e Jornalista Responsável: Gizele Martins (Registro: 33646/RJ) Editores: Eliano Felix e Alex Ferreira Adminstração: Alex Ferreira Revisão: Marília Gonçalves e Daniel Fieldman Reportagem: Gizele Martins, Eliano Felix, Thaís Cavalcante, Renata Guilherme, Pamella Magno, Monica Rocha, Daniel Fieldman, Maísa Ferreira, Colaborou nesta edição: Artur Seidel, Helcimar Lopes, Ana Santana, Douglas Baptista, Thayanna Cunha, Nildo Viana, Sonia Costa Charges: Jhenri Projeto Gráfico: Artur Romeu e Evlen Lauer Diagramação: Artur Romeu e Evlen Lauer Fotos de Capa: Francisco Valdean Diagramação: Artur Romeu e Evlen Lauer Fotografia: Marcos de Souza Impressão: Ediouro - Tiragem: 20 mil exemplares Contatos: O Cidadão jornaldamare@gmail.com Blog: ocodadaonlineblogspot.com Endereço: Praça dos Caetés, 7 – Morro do Timbau Telefones: 2561-4604

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lá, leitores do jornal O Cidadão! Depois de um período sem circulação, o jornal da Maré, que completa 13 anos de vida este ano, está de volta! De cara nova, porém, com a mesma identidade.

só nas 16 favelas que integram o conjunto da Maré, mas, em outras favelas também, com nossos correspondentes/colaboradores. É, exatamente essa nova equipe que estamos apresentando aos leitores nesta nova edição!

Durante este período sem circulação impressa, muita coisa aconteceu. O Cidadão não parou, pelo contrário, ele se renovou e passou a buscar novos caminhos para que a informação pudesse chegar de forma clara, direta e, principalmente, falando a “nossa linguagem”.

Na página 6 temos uma entrevista com Adair Rocha, doutor em comunicação, professor da Pucrio, Uerj e Unicarioca. Ele fala um pouco sobre seu livro, “Cidade Cerzida, a costura da cidadania no morro Santa Marta”.

Além das mídias digitais, como: Blog; Facebook e Site, O Cidadão também passou a organizar debates, como: Internação Compulsória; Drogas; UPP e a Vida na Favela...enfim, assuntos importantes e de interesse da favela. Também, em busca de uma comunicação democrática e que tenha o povo como protagonista, a equipe do jornal O Cidadão realizou entre Junho e Outubro de 2012, o I Curso de Comunicação Comunitária do O Cidadão. Desse curso, formou-se a nova equipe do jornal, que agora, devido a presença de alunos oriundos de outras localidades do Rio de Janeiro, fez com que O Cidadão esteja presente não

Vamos falar também sobre o I Curso de Comunicação Comunitária no O Cidadão ( o II Curso vem aí...). Ainda, o I Seminário de Comunicação Comunitária no Rio de Janeiro, realizado na Puc-rio e com participação efetiva do jornal. Conversamos com a gerente Ana Catarina Busch, da clínica da saúde Augusto Boal, localizada no espaço do antigo SESI, onde, além de medicação, prescrevem também atividade física para a saúde. Aproveite essa edição, leia as matérias, comente, reclame, sugira, envie cartas, e-mails com artigos e matérias. Dê sua contribuição, O Cidadão é o jornal do bairro Maré, é dos mareenses, ele é seu! Desejamos à todos uma boa leitura! Email: jornaldamare@gmail.com.br Blog: ocidadaonline.blogspot.com

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Artigo

Um pouco de política, Conheça os seus representantes Por Sonia Costa

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onvencer seus eleitores de sua capacidade de poder representá-los na Câmara. Alguns são conhecidos de longa data, tentam a reeleição. Outros alcançam o total necessário de votos, mas nem sabem quais são a funções do vereador. Os candidatos a prefeito já têm experiência na vida política, pois são escolhidos pelos membros do partido a que são filiados.

gabinete do vereador. Basta apresentar identidade e informar qual vereador quer visitar. Grande parte da população passa pela Câmara todos os dias e não se dá conta que a solução de alguns problemas da comunidade podem ser resolvidos ali. No Palácio Pedro Ernesto, aquela escadaria famosa da Cinelandia, entrada pela lateral ao lado do Amarelinho.

É importante que seja conhecedor e disposto a ser um bom representante da comunidade que o elegeu. Será interessante acompanhar seu trabalho, cobrar suas Promessas de campanha.

Os candidatos a prefeito já são experientes na vida pública, quando eleitos ocupam cargo no Poder Executivo, governam a cidade em conjunto com os vereadores e buscam oferecer qualidade de vida aos habitantes, apresentando projetos de lei à Câmara Municipal para serem votados pelos vereadores. Em caso de aprovação, o prefeito sancionará (aprovará) a criação de postos de saúde, creches, transporte público, todos de sua responsabilidade. Aplicar da melhor maneira possível recursos gerados pelos impostos também é uma das atribuições do prefeito.

Qualquer cidadão pode visitar o

Na Prefeitura podemos fazer solici-

O vereador representa o povo na Câmara e tem o poder de fazer leis que atendam às necessidades da população, podendo sugerir ao Executivo (Prefeitura) medidas e providências a serem tomadas, como construção de postos de saúde, escolas etc.

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tações, reivindicar nossos direitos. Podemos entregar solicitações no protocolo geral. Qualquer cidadão pode expor as necessidades de sua comunidade. Endereço de fácil acesso em frente à estação Cidade Nova. Temos que ter consciência que nosso voto não é moeda de troca, os políticos são eleitos para nos representar, porém a maioria dos eleitores não cobram como deveria.


Artigo

ACORDA POVO! Por Mônica Rocha

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odos nós concordamos que há uma onda de corrupção entre os políticos brasileiros. Virando uma maior tsunami de escândalos, desvios de verbas e a praga dos feudos eleitorais. Quem paga no final das contas? É o povo, que se sente apático diante de um assalto aos cofres públicos da forma mais cara de pau, o sinismo chegou a um ponto vergonhoso. Porém, nós que somos do "povão", continuamos aterrorizados com a onda da especulação imobiliária que já removeu centenas de moradores em algumas favelas da cidade em nome das Olimpíadas de 2016.

Ser honesto é um caso raro, mas vejo o desânimo que as ingerências políticas acarretam ao trabalhador. O cidadão que depende de políticas públicas de moradia, educação, saúde, transporte, cultura, se sente como se alguém estivesse passando o recibo de otário para o povo. O que estão fazendo é publicidade de um reino do Rio de Janeiro. Onde as temeridades fraudulentas são feitas, exemplo a Cidade da Música, faraônica, bem debaixo do nariz do trabalhador, que não consegue tempo de desfrutar desses equipamentos culturais imponentes. O que desmoraliza a classe política. Fica a pergunta na cabeça: em quem acreditar? Alternativa boa foi a aprovação da Lei da Ficha Limpa. Os senhores feudais que se perpetuam, podem ter expostos os seus truques de corrupção em uma ficha onde aparecem pontuando seus obscuros atos. Mas a juventude não sai à rua, afetada pela má representação que impõe uma injusta distribuição de verba pública. E haja Transparência Brasil, talvez o grande dilema hoje é: o que acontecerá em nome da moeda, até 2016, na Cidade do Rio e sua periferia? É urgente a necessidade de mobilização das favelas pelos seus interesses que estão indo barranco abaixo pela especulação imobiliária. Com quem reclamar? Sem falar

na moda com uso de um marketing exagerado da UPP, com quem eu sento para reivindicar meu direito de não ser simplesmente uma garota-propaganda de campanhas da pacificação. Quero mais do que isso, meu direito de imagem não pode ser usado de forma que considero abusiva. Opinião participativa de moradores de favela é fortalecer legitimidade para a construção de uma verdadeira democracia. A crise ideológica está nos deixando desesperançosos. Tem que mudar os discursos, as atitudes, é triste ver uma comunidade sem posicionamento passar pelo monopólio de meios de comunicação que não se interessam em apresentar alternativas, denúncias e diálogos inteligentes, transformadores do marasmo. Ninguém tem ideia do número de privatizações que estão sendo feitas nas áreas pacificadas, mas os artistas perderam as praças. É necessario atuar para preservar a cultura do dia a dia nas comunidades e isto faz parte de liberdade de expressão sem censura prévia. Incentivando as iniciativas culturais, a liberdade de pensar e criar, sentar e conversar é imprescindível. Precisamos de estratégias, cultivar o desenvolvimento coletivo. Afinal, não podemos ficar surdos para todo esse barulho, acorda povo!

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“Cidade Cerzida, a costura da cidadania no Morro Santa Marta” Cultura e Comunicação Comunitária Por Gizele Martins e Alex Ferreira

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rofessor de Comunicação da PUC-RIO e da UERJ, Adair Rocha, autor de Cidade Cerzida, a costura da cidadania no Morro Santa Marta, lançou este livro no Museu da Maré. Adair percorreu diversas favelas divulgando e dialogando

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com os moradores sobre a sua mais nova obra. Além disso, ele foi um dos convidados para colaborar no primeiro curso de Comunicação Comunitária do Jornal O Cidadão realizado entre junho e outubro de 2012. Neste bate-papo, o professor

fala mais sobre o seu mais novo livro, sobre a sua experiência no tema da cultura e comenta ainda a importância dos mais diversos meios comunicação comunitária defender e por em pauta a cultura local. Confira a entrevista!


Entrevista

formas diferenciadas “ Há de tratamento da Cultura pelos meios de comunicação

O Cidadão: O que se pode entender por cultura alternativa?

meios de comunicação oferecem cultura plural de qualidade?

Adair Rocha: Esta é mais uma armadilha que os sistemas padronizadores (que por várias vias se reproduazem nos meios de comunicação) buscam influenciar no chamado senso comum, buscando consolidar mais um pressuposto da negação da diferença ou a afirmação discricionária que privatiza os espaços: cada qual no seu quadrado. O que existe é a cultura, como significação, que se expressa na diferença, na diversidade, na pluralidade e na potência da multiplicidade das linguagens. Da mais sofisticada melodia, letra e métrica, às tradições étnicas, religiosas, migratórias e povoadoras dos terrritórios, na dança, no jogo e nos movimentos que dão vitalidade à criação do audiovisual, das artes cênicas, visuais e simbólicas. A política pública de cultura, por exemplo, quando pensa a cultura vida ou os pontos de cultura, e para democratizar o acesso, o faz através de editais públicos, todos criam e produzem cultura vão ter o mesmo tratamento, isto é, aqueles que sempre tiveram mais dificuldades ou nunca tiveram acesso, serão priorizados.

Adair Rocha: Há formas diferenciadas de tratamento da Cultura pelos meios de comunicação. Aqueles mais identificados com os padrões de consumo do mercado, via de regra, vão reduzir cultura a eventos, especialmente aqueles que vão gerar apelos de grandes vendas e lucros, portanto, vão optar por entretenimentos espetaculares. No entanto, há, cada vez mais uma certa relativização nas escolhas possibilidades mobilizadoras da diversidade social e dos novos desafios que a consolidação de processos democráticos e de desenvolvimento provocam. Vejam o tratamento e a preocupação atual, dos diferentes meios, com o chamado fenômeno da nova classe média (cujas pesquisas recentes apontam cerca de oitenta por cento de presença da população de origem afro). Claro que estes movimentos priorizam o consumo, mas vão cada vez mais descobrindo os desafios da diversidade e de algo permanente em tal identidade. O papel de meios de comunicação identificados com as possibilidades do COMUM, é que vão questionar e apresentar novos encontros com a cultura e com a política, via de regra, desenvolvida na potência da

O Cidadão: Você considera que os

favela e da periferia, que inverte a direção do movimento, não mais com as regras definidas a partir dos setores dominantes da economia e do poder político centralizados. O Cidadão: A cultura de massa hoje despejada em nossos sentidos proporcionam o despertar sexual muito cedo nas crianças? Adair Rocha: As novas mídias e se acesso de massa trazem novos modos de acesso, materializado nas redes sociais e da aproximação de meios de comunicação que se aproximam de meios de produção democratizados, muito embora, ainda carentes de formas reguladoras universalizantes do acesso. Neste sentido, não é apenas a sexualidade precoce, por assim dizer, mas se trata do sintoma de mudanças revolucionárias na pluralidade democrática que atropela os meios centralistas e ditatorias das instituições de poder na sociedade. Os modos tradicionais de controle, onde família, escola e igreja se encarregavam de fazer, hoje estão ampliados com todos os ricos e potencialidades. Se pode, de um lado, cair num inidividualismo suicida, abre portas, por outro lado, para a potencialidade do comum, do coletivo e do democrático.

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Cultura

CINEMA

para os ouvidos, olhos e alma! O Cinema & Rock na Maré é um programa cujas sessões acontecem na rua, com música e gente inteligente, devorando a noite com muita arte

Por Renata Linsle Colaboração de André Sandino

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uma bem dosada junção de filmes e bandas locais, as noites são alucinantes e cheias do melhor do rock and roll, mareense ou não. Tudo começou em 2010, quando, no segundo semestre, a concessionária responsável pela Linha Amarela (Lamsa), através do Instituto Invepar, abraçou o projeto do cinelcube enquadrado na Lei de Incentivo do Município do Rio de Janeiro. A partir daí, o Beco do Rato deixou de realizar apenas sessões semanais na Lapa, com roda de choro, e passou a excursionar por comunidades no entrono da Linha Amarela. Na Maré, Lamsa e Invepar começaram este ano a fazer sessões do cineclube que também tivessem

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debate, realizados no CIEP César Perneta, durante as oficinas do Cinemaneiro na Associação de Moradores do Morro do Timbau, onde fica um espaço criativo do projeto. Através do Cinemaneiro, o cineclube Beco do Rato conheceu o Bar do Zé Toré e toda a história que há nesse templo do rock mareense, desde meados da década de 80 um ponto de resistência cultural. Junto com a banda Café Frio, velha conhecida do Beco do Rato, os dois grupos começaram a pensar uma forma de ter a banda em suas sessões e assim nasceu o Cinema & Rock: uma intervenção na rua que tem como bandeira a liberdade, a convergência entre diferentes expressões artísticas , o fazer colaborativo e a arte como forma de

ocupação do espaço público, agregando e transformando...E para isso acontecer algumas pessoas foram e são extremamente importantes: Banda Café Frio, Zé Toré, Dazio e o D’locks, Carlos Rock, Vanessa Junqueira, Alexandre Mizrahi, Henrique Gomes, Manaíra Carneiro, Christian Santos, toda a rapaziada do Cinemaneiro, a banda Algoz (que tocou na primeira sessão, em fevereiro deste ano), Canto Cego... Enfim, é um movimento de ótimas bandas que vem acontecendo na Maré há bastante tempo a agora parece em crescimento, com apresentações regulares na Lona Cultural Herbert Vianna, no Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré, o Ceasm, e no Bar do Zé Toré com o Cinema & Rock.


Perfil

Ele estudou cinema em São Paulo e hoje caminha pelo mundo fazendo crescer a sétima arte

VANDERSON FEITOSA

UM MAREENSE VITORIOSO Por Renata Gulherme

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anderson Feitosa é carioca, nascido na Nova Holanda, uma das 16 Favelas da Maré, onde morou até os 23 anos. Quando saiu da Maré, ele ganhou uma bolsa de estudos em cinema. Hoje com 28 anos, ele se formou na Academia Internacional de Cinema (AIC), em São Paulo, onde vive há seis anos. É diretor e produtor de curta-metragem e documentarista. Já atuou nas mais diversas funções na produção de filmes, com exceção da direção de arte, tendo focado sua formação como diretor cinematográfico. De seus trabalhos, os que merecem mais destaque são os curtas: O Orgulho da Maré - 2006;

Feira da Teixeira, Babilônia - 2007; Sarau - 2008; Negócios à parte 2008; Na febre do Rato - 2009; e Vestígios de Sangue - 2009. Apresentado como trabalho de conclusão do Curso de Direção e Produção Cinematográfica da AIC, o projeto foi contemplado no pitching (edital) promovido pela escola, sendo destaque por tratar do tema Bullying. “O objetivo foi criar um produto que incentive à produção cultural paulista, podendo ser exibido em festivais de cinema ao redor do Brasil e do mundo”, explica o diretor. Cubo Mágico (nome do filme) é um brinquedo que se

tornou popular no mundo inteiro na década de 80, fazendo o usuário exercitar a mente e aumentar sua inteligência. Por isso, foi usado como uma metáfora das mudanças internas do protagonista enquanto esse cria estratégias para enfrentar a opressão do antagonista. O curta abriu a 6ª edição do Festival Visões Periféricas, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 16 e 25 de agosto. Produzido de forma independente pelo jovem diretor, o filme conta a história de Davi, de 13 anos, um menino da periferia de São Paulo que, certo dia, ao voltar da escola, desentende-se

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Perfil

o Festival Visões “ Abrir Periféricas é para mim uma celebração ” com Labão, o menino mais encrenqueiro do bairro. Labão entra em conflito com Davi, que foge e fica por dias sem sair de casa com medo do encontro. Agora, ele precisa achar uma solução para resolver o problema e vencer seu medo. Um filme de muito baixo orçamento e sem fins lucrativos, todo ambientado na periferia de São Paulo. O elenco é composto apenas de crianças que, por opção de direção, são não-atores. Já a linguagem escolhida foi a do mangá japonês, por dialogar com o universo infantil. A história de Vanderson Feitosa confunde-se com a do Festival Visões Periféricas. Em 2006, ele fez uma prova e foi aprovado em uma entrevista feita por nosso diretorgeral Marcio Blanco – na época coordenador do núcleo de audiovisual da ESPOCC (Escola Popular de Comunicação Crítica, na Maré) – para fazer o curso de extensão em cinema da UFF. O bom desempenho de Vanderson nesse curso rendeu-lhe uma bolsa de estudos na AIC – SP, onde então ele se formou no curso de direção. Por isso, explica Vanderson, “abrir o Festival Visões Periféricas, que é

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um trabalho sério do diretor Marcio Blanco, é para mim uma celebração.” O diretor crê que participar do festival foi o final de um ciclo que começou quando Marcio ainda era seu professor de audiovisual na ESPOCC. “Ele foi o meu primeiro mentor no cinema e exibir meu filme neste festival, que era apenas um sonho distante da última vez em que tive noticias, tem ares de um grande ritual, onde o mito, eu, tornei-me um profissional de cinema.” O 6º Festival Visões Periféricas realizou sua cerimônia de abertura em agosto de 2012, no Oi Futuro, em Ipanema. Vanderson procurou produzir um filme comercialmente viável e com qualidade artística. A experiência na produção de curtas, de forma independente e com baixo orçamento, despertou nele a necessidade de planejar o filme de acordo com a verba que tinha em mãos e encontrou nas locações da periferia o ambiente ideal para produzir com pouco dinheiro. Ele conta que a escolha por locações nas periferias possibilita “contar histórias comercialmente viáveis sem precisar sacrificar a qualidade do filme

por conta da limitação do edital de baixo orçamento”. Com todas essas variantes, combinadas a temas de apelo universal como puberdade, família, crise de meia-idade, amor e drama, surge um diretor que se propõe a abordar temas do dia a dia das comunidades, morros e periferias do Brasil.

Celeiro de talentos Além do filme Cubo Mágico, outro filme de moradores e ex-moradores da Maré participou do festival. AMOR EM 3 PARTES foi produzido por alunos das oficinas do Cinemaneiro, na Associação de Moradores do Timbau, onde fica um espaço criativo do projeto. A Maré segue revelando-se um grande celeiro de talentos não só na área do audiovisual, mas em diversos seguimentos.


Saúde

Saúde na Maré

Prevenção, acolhimento e incentivo à atividade física para o Mareense Por Eliano Felix e Nildo Viana

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uem passa hoje pela Av. Guilherme Maxwell, onde era o antigo posto do Sesi, pode não perceber, mas ali no número 107, em frente ao Museu da Maré está funcionando desde dezembro de 2010 a Clínica da família Augusto Boal. A clínica surgiu da união de duas unidades de saúde (Operário Vicente Mariano e Elis Regina), que atendiam algumas comunidades do Conjunto de Favelas da Maré. O Cidadão foi até lá para saber como funciona a unidade e o que é oferecido aos moradores. Quem recebeu a equipe do jornal foi a Gerente da clínica, Ana Catarina Busch, informando as principais atividades e procedimentos da unidade. A Clínica da Família Augusto Boal conta com seis equipes de saúde da família (ESF) e três equipes de saúde bucal (ESB). Essas equipes são responsáveis por cobrir uma determinada área, divididas entre o território de atuação da clínica, como: Equipe Proclamação; Equipe Casinhas; Equipe Oliveira; Equipe

Timbau; Equipe Orosina e Equipe Bento Ribeiro Dantas. Cada uma dessas equipes conta com: 1 Médico; 1 Téc. de Enfermagem; 1 Enfermeiro e 6 Agentes de Saúde. A unidade oferece consulta médica, enfermagem, visita domiciliar, imunização, curativo e medicamentos, já que possuem farmácia no local. Segundo Maria da Penha, moradora da Proclamação, uma das áreas de cobertura da clínica, "o atendimento é bom e sempre que precisou de medicamento, foi atendida", afirma. Além das equipes de saúde, a C.F. Augusto Boal oferece também: Planejamento Familiar; Grupo de Tabagismo; Combate à Dengue (com fornecimento de tampas para caixas d’água), e armadilhas para o monitoramento e combate do mosquito transmissor. Doação de leite Humano, onde mulheres com excesso de leite são sugeridas a doarem seus leites (potes de vidro esterilizados são entregues para a retirada), que, posteriormente

são encaminhados à Maternidade Oswaldo Nazareth, na praça XV. Horta Medicinal; criada e cultivada pelos próprios moradores e a Academia Carioca, onde pacientes que estejam necessitando e/ou querem praticar uma atividade física, são incentivados a frequentar. A academia possui aparelhos específicos e conta com professor para acompanhamento dos “atletas” da Maré. Como dito no início da matéria, para algumas pessoas a clínica passa despercebido mas, segundo Ana Catarina, uma melhor sinalização está prevista, com nome mais visível para a comunidade. "Para participar dos serviços oferecidos pela clínica Augusto Boal, o morador tem que estar inserido nas áreas de atuação das Equipes de Saúde Familiar (ESF), e o horário de funcionamento da unidade é de segunda à sexta de 07 ás 18h", disse. Portanto, quem ainda não sabia, agora sabe! No antigo posto do Sesi, funciona hoje a Clínica da Família Augusto Boal.

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Comunicação

Curso de Comunicação Comunitária do O Cidadão Por Gizele Martins

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m busca de uma comunicação democrática e que tenha o povo como protagonista, a equipe do Jornal O Cidadão realizou, entre junho e outubro de 2012, o I Curso de Comunicação Comunitária do O Cidadão. O objetivo foi também o de formar uma nova equipe para o impresso que ficou mais de um ano sem circular pelas 16 favelas do Conjunto de Favelas da Maré por falta de voluntários. Foram 24 inscritos e 15 alunos formados para compor a nova equipe que já está com novos projetos para o ano de 2013. Para Renata Guilherme, que participou do curso e hoje é uma das repórteres do jornal, o curso foi uma grande opor-

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Comunicação

A identidade local, a busca pela valorização da cultura cotidiana da favela e o tema da criminalização da pobreza devem ser prioridades nas próximas edições. tunidade de aprender um pouco mais sobre comunicação comunitária e cultura popular com parceiros vindos de diversos locais do Rio de Janeiro. "Foi uma celebração à liberdade comunicativa, a comunhão entre várias tribos comunicativas e comunitárias, em suas mais diversas expressões. Além de ter sido prazeroso e um grande privilégio estar próxima a tanta gente interessante e interessada em falar em prol dos que não se sentem representados e assistidos pelos meios de comunicação 'tradicionais', pela mídia elitista", disse. O curso foi idealizado e realizado por três componentes da antiga equipe do jornal – e em parceria com o Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm) – que mesmo sem recursos financeiros, conseguiu reunir pessoas interssadas em discutir, aprender e compartilhar seus conhecimento em prol da construção de uma nova forma de comunicação. Os professores convidados para ministrarem as aulas trabalharam de forma voluntária e o material didático usado pelos alunos foi comprado e doado pela organização e pela equipe. As aulas foram pensadas não apenas com os temas que envolvem a comunicação comercial, comunitária e popular, mas também abordaram questões relativas a crimina-

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Reunião durante o curso de formação da nova equipe do Jornal O Cidadão

lização da pobreza, formação das favelas, identidade local, cultura popular, direitos humanos, cidadania, segurança pública e a história da Favela da Maré. A linha editorial do jornal foi outra discussão levantada pela nova equipe. De acordo com eles, a identidade local, a busca pela valorização da cultura cotidiana da favela e o tema da criminalização da pobreza devem ser prioridades nas próximas edições. Maisa Ferreira, nova repórter do O Cidadão, fala de como foi participar do curso e de suas perspectivas para as futuras pautas "Foi muito bom aprender a

fazer comunicação comunitária. Eu ainda não fiz muitas matérias para dizer o que mais gosto de cobrir, mas gosto muito de poder denunciar o discaso em que vive o povo", afirmou. Este exemplar - que está com uma nova identidade visual, com mais charges e fotos - já é resultado deste primeiro curso. E, para 2013, a nova equipe quer realizar outras capacitações e seminários, além de estar mais presente na Maré e em outras favelas do Rio de Janeiro, já que os alunos do curso vieram, também, de outros bairros e favelas cariocas.


Comunicação

I Seminário Regional de Comunicação Comunitária da PUC-Rio e da Uerj Comunicação Comunitária em debate!

Por Eliano Felix Durante os dias 16 e 19 de outubro de 2012, no Centro Loyola de Fé e Cultura (Puc-Rio), foi realizado o I Seminário Regional de Comunicação Comunitária. O encontro tratou e discutiu temas importantes da comunicação feita pelo povo e buscou, além de outras assuntos debatidos, uma conexão entre a academia – leia-se universidade e as mídias comunitárias em suas diversas vertentes. Para os quatro dias de debates, foram convidados pensadores da comunicação comunitária de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, além de comunicadores populares que atuam em diversas regiões da cidade fazendo a diferença por onde passam. Temas como sustentabilidade, equipe, equipamentos, leis pela democratização da informação, linha editorial de uma mídia comunitária, o olhar fotográfico sobre a favela, produção de conteúdos na

internet, criminalização das rádios comunitárias, upp, sobrevivência dos impressos e seus meios, criminalização da pobreza e diversos outros assuntos enriqueceram os debates. E a colaboração do jornal O Cidadão no seminário ficou por conta da jornalista Gizele Martins (Coordenadora do jornal), e uma das organizadoras do evento. Participando de algumas mesas de debate, ela contou um pouco da história do jornal, da defesa da identidade local que O Cidadão faz na favela da Maré, da relação dela com a comunidade, da criação do termo Mareense, que é utilizado hoje pelos próprios moradores, e da dificuldade que é manter um jornal comunitário sem recursos financeiros. Falou também da criminalização que sofre o morador de favela e do trabalho que o jornal tem feito para mostrar o contrário do que as mí-

dias comerciais mostram. "A nossa defesa é pela valorização da cultura, da fala e da identidade. Esse é o papel fundamental de uma mídia comunitária dentro dos espaços populares. Ela deve mobilizar e afirmar o que realmente é a favela, pois ela é local de resistência, de luta, de cultura, de fé, e de tantas outras características que nunca serão mostrados nos meios mais tradicionais da cidade porque não é de interesse dela falar das coisas positivas do nosso povo", concluiu Gizele. Os participantes apontaram diversas propostas e encaminhamentos ao final do seminário, que deixou saudade e vontade de realização de novos encontros, não apenas na Região Sudeste, mas em todo o país. Mais informações sobre o que rolou no seminário, é só acessar: www.seminariocomcomunitaria.blogspot.com.br/

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Universidade para todos? Por Gizele Martins, Danielle Andrade, Maisa Ferreira, Thayanna Cunha e Douglas Baptista

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esde a sua criação em 2004, mais de 900 mil estudantes brasileiros com renda familiar até três salários mínimos já conseguiram passar para universidades particulares de todo o país por meio do 'Programa Universidade para Todos', o Prouni. O programa, criado pelo Governo Federal e radicado em 2005, conse-

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guiu fazer com que muitos jovens conseguissem realizar o grande sonho de passar e concluir um curso universitário. 67% destes estudantes cursaram toda a faculdade com bolsas integrais, dados retirados do site do Prouni. Muitos destes estudantes estão hoje formados e reconhecem o pro-

grama como uma ótima iniciativa do governo. Débora Silva, de 24 anos, moradora de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, é formada em Marketing pela UniverCidade e fala sobre as oportunidades que o Prouni dá a jovens com pouca renda, assim como foi o caso dela. "Este é um projeto super válido


Educação

Outras formas de entrada dos mais pobres nas universidades públicas e particulares do país

porque deu a oportunidade para muita gente fazer faculdade, principalmente, aqueles que não tinham nenhuma perspectiva em relação a isso. Digo isto, pelo fato da universidade pública ser muito concorrida e as particulares serem muito caras", disse Débora. Jacqueline Pitanguy, Diretora da Instituição Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia), afirma que o nascimento do Prouni ajudou o Brasil a caminhar para uma mudança de padrão de mobilização social. "A universidade pública sempre foi restrita. Foi necessário fazer um programa especial para ampliar o acesso à universidade. E a realidade é que a massa da população não chegava na universidade pública", concluiu. Jacqueline comenta também sobre os problemas enfrentados pelos mais pobres dentro de uma universidade: Passagem cara, livros caros, a dificuldade de conciliar trabalho e estudos, sem contar no preconceito. “Temos agora uma diversidade social maior. Antes era como um castelo freqüentado só pela corte, em que todos se reconheciam como iguais. E, de repente, naquele castelo, entram várias outras pessoas que não faziam parte daquela corte. E o que está tendo agora é um tipo

de reação, que por um lado existe a rejeição”, afirmou a diretora. A pedagoga Girlane da Costa, que já foi aluna do Prouni, afirma que já sofreu preconceito por ser pobre dentro de uma universidade. “Já sofri preconceito sim. No início, eu também tinha vergonha em dizer que era bolsista, mas depois passou”, fala. Para o estudante de jornalismo e aluno do Prouni, Flavio Santos, de 28 anos, o maior problema é a comprovação da renda todos os semestres. Mas afirma o quanto o programa é importante. "Todos os anos tem que ser comprovado renda, não adianta somente fazer na prova, tem que passar por uma avaliação financeira. Mas acredito muito no Prouni". Glaucia Marinho, de 27 anos, hoje jornalista formada, e que também foi atendida pelo Prouni, afirma que havia um pouco de segregação dentro da universidade. “Não recebi nenhum tipo de preconceito, mas era segregado sim. Bolsistas andavam só com bolsistas, não havia uma política de integração destes estudantes, o que existe é uma política de permanência apenas, mas as duas coisas são importantes para manter os estudantes dentro de uma universidade”, disse a jornalista.

O que são as Cotas? Cotas e o Fies são outros tipos de programas que ajudam os mais pobres a entrarem nas universidades públicas ou particulares brasileiras. As cotas, também chamadas de Ações Afirmativas, servem como uma reserva de vagas para estudantes oriundos de escolas públicas. Parte destas cortas são destinadas a afrodescendentes e a outra para índios. O Estudante de Filosofia da UERJ, Elton Oliveira, de 28 anos, dá a sua opinião sobre as cotas. “O sistema de cotas é valido enquanto paliativo, eu acredito que deveria ter mesmo porque fica difícil competir com pessoas que estudam em melhores colégios. Sei que as cotas não resolve o problema totalmente, mas ele já consegue ajudar muitos de nós”, disse. O estudante diz ainda que poderia melhorar a educação pública por completo. “Acredito que uma política de educação mais forte no ensino público basal seria o ideal”, conclui. O que é o Fies? O Fundo de Financiamento Estudantil, mais conhecido como Fies, é uma realização do Ministério da Educação. Tem como objetivo financiar os estudos de pessoas matriculadas em instituições de ensino superior privadas. Mais informações sobre o programa: http://sisfiesportal.mec.gov.br.

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Projeto de Rúgby sensibiliza comunidade da Maré Vila Olímpica da Maré aposta na formação de atletas de rúgby para as olimpíadas de 2016 Por Ana Santana

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quatro anos para o início dos jogos olímpicos de 2016, que será sediado na cidade do Rio de Janeiro, a equipe do Clube Guanabara Rugby, realizou na manhã de sábado, 11 de agosto, na Vila Olímpica da Maré (VOM), um jogo treino de rugby, onde apresentou à comunidade os fundamentos e técnicas do esporte. Em razão do retorno da modalidade esportiva no currículo olímpico a partir de 2016, a Secretaria Mu-

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nicipal de Esporte e Lazer, junto à Vila Olímpica da Maré (VOM), articularam com o Clube Guanabara Rugby, o I-Guana Rugby, projeto de integração social que tem como objetivo formar atletas e tornar o esporte reconhecido dentro do Conjunto de Favelas da Maré. O jogo de abertura contou com a participação dos jovens integrantes do Coral da Maré. A equipe do clube Guanabara Rúgby explicou para eles a origem do esporte e ressaltou

que a modalidade exige respeito, solidariedade e disciplina entre os jogadores. Jéssica Rangel, moradora da Maré e integrante do coral, ganhou uma bola de rúgby ao vencer uma competição passada pelos instrutores. A jovem destacou que o esporte despertou seu interesse em participar das aulas que serão iniciadas no dia 14 de agosto, na VOM. “Este é um esporte novo e diferen-


Esporte

te, que eu nunca ouvi falar. A bola de rúgby é um presente que vou guardar com muito carinho para lembrar este dia especial, em que aprendi que o esporte é reconhecido em outros países”, disse Jéssica. O tag rúgby, é uma modalidade variante do rúgby, onde não há contato físico entre os jogadores. Por este motivo a Confederação Brasileira de Rúgby tem como plano de metas inserir este esporte dentro das unidades escolares. Para o professor Mauri kassick, o tag rugby é uma forma de massificar o rúgby no Brasil. Ele também destacou que devido ao contato físico, muitos ainda confundem o rúgby com o futebol americano. “Acredito que o preconceito com o rugby seja uma questão cultural, que irá diminuir com a volta do esporte às olimpíadas de 2016, pois nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo, existe uma aceitação bastante considerável, com relação à prática dessa modalidade”, afirmou Mauri.

Allan Araújo, coordenador do projeto Guanabara Rúgby na Maré, ressaltou que o rúgby não é um esporte violento e o comparou a prática das artes marciais. “No rúgby se aprende a derrubar o adversário de uma forma que ele não se machuque. Além disso, há regras que delimitam o contato físico entre os atletas”, comentou Allan. Araújo, ainda afirmou que o investimento no esporte tem aumentado, em razão das olimpíadas e acredita que a implantação de um projeto como este gera uma integração social entre os jovens e crianças.

No rúgby se aprende a derrubar o adversário de uma forma que ele não se machuque

“O intuito da Vila Olímpica da Maré é desenvolver através do esporte, a educação e além disso, formar atletas, passando para eles lições como espírito de equipe e respeito ao próximo. Os interessados em participar das aulas de rugby, devem entrar em contato com a Vila Olímpica da Maré, através do site: www.vilaolimpicadamare.org.br.

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Dicas da Vovó Obtenha uma luz mais clara de suas lâmpadas não as deixando empoeiradas. Para arrastar móveis pesados, ponha um retalho de carpete com a parte dos pelos voltada para baixo, sob cada pé do móvel pesado. As madeiras de cadeiras e de camas são limpas com maior facilidade se você passar cera com uma velha meia de algodão, usada como luva. Quando não houver um lugar por onde puxar o móvel pesado, amarre uma porção de cintos uns nos outros e passe-os por um dos cantos ou envolvendo a mobília. Não é difícil tampar um pequeno buraco no vidro de uma janela. Encha-o com verniz claro ou com esmalte de unhas incolor. Pingue algumas gotas no furo e espere secar. Pingue mais gotas, até que o furo esteja completamente vedado.

Receita

Bolo de beijinho de coco

Ingredientes:

1 mistura pronta para bolo sabor coco 1 copo de leite quente 3 ovos 3 colheres de margarina 1 lata de leite condensado 100 g de coco ralado sem açúcar

Modo de preparo:

Em uma fôrma anel, coloque 2 colheres de margarina e leve ao micro-ondas até derreter; Misture o leite condensado ao coco (se desejar, guarde um pouco para enfeitar o bolo) e jogue por cima da margarina derretida na fôrma; Em outro recipiente coloque a mistura para bolo, os ovos, 1 colher de margarina e o leite, misture bem até obter uma massa homogênea;

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Jogue esta mistura também na fôrma distribuindo de maneira igual em todas as partes; Leve ao micro-ondas por 10 minutos em potência alta; Deixe esfriar por 2 minutos antes de abrir o microondas; Desenforme e leve a geladeira por 2 horas antes de servir


PALAVRAS CRUZADAS DIRETAS

www.coquetel.com.br Fundamento da rima poética Aracnídeo que possui ferrão venenoso

Início da viagem de avião Carona (?), estratégia para diminuir o congestionamento nas grandes cidades Mesquinha

© Revistas COQUETEL 2013

Recurso de defesa do réu (jur.)

Enfeite colorido de cabelos Condição que impede um cidadão de candidatar-se a cargo eletivo

Pequeno rio amazônico

(?) Bordosa, criação de Angeli

Candomblé de (?): o afoxé

Congênito; inerente

Fraude Direito (?), área de aCaldo de tuação do criminalista Capital e maior cana (bras.) cidade da Noruega Molusco vermiforme da culinária paraense Gênero musical derivado do samba Dona Maria (?): a Louca

Senhora Zumbe (abrev.) Designação da Seleção Uruguaia de futebol

(?) Braga, atriz brasileira de “Eu Sou a Lenda” Grupos espessos de plantas

Forma de Budismo intuitivo japonês

Z E

Acessório de cabeça do nadador

N Cada folião da escola de samba Animal como o Chovinista, do Cascão (HQ) Os indivíduos que sempre esperam dias melhores

Homenagem de Caetano Imitam a Veloso a voz do São Paulo pinto Interjeição usada para afugentar gatos

Local para parada de emergêngia de veículos em rodovias

Uso culinário do fígado de ganso

Consoante de ligação de “cafeteira”

3/eco — out — ten. 4/sape — turu. 5/alice. 6/moitas — tererê. 9/ordinária.

BANCO

Fora, em inglês 101, em romanos Top (?), a lista dos dez melhores

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Solução

pegando fogo nas bancas!

© 2013 Classic Media, LLC.

os tempos!

M I A N I A NA L T F O A B T E OU T C I A S M T O

de todos

A I T O L A G E L I D A R O B R E D I N A R P E G O D E AR S Z A L I C E P O N E N A L SA P E I M I S T P A T E T A M E N

mais encapetado

E D E C S O C O R TU R U P A I Ã C O M O I T A S

do diabinho

P O R A CO

A volta

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O Cidadão Ilustrado A MARÉ DE CARA NOVA

FRASE CÉLEBRE EM TEMPOS DE ORDEM: «DORMIA A NOSSA PATRIA...TÃO DISTRAÍDA, SEM PERCEBER QUE ERA SUBTRAÍDA EM TENEBROSAS TRANSAÇÕES» Chico Buarque citado pelo Proucurador do STJ Roberto Gurgel

Amigos leitores, a partir desta edição vamos ilustrar o nosso jornal com esta pagina, onde através de muitas cores vamos satirizar a politica do nosso país , registrar nas charges algumas denuncias e mostrar figuras importantes da nossa comunidade. vamos aguardar as suas sugestões , afinal um lance não pode passar em branco. Jhenri, com a participação de Monica Rocha

Acima vemos o Zé do Rádio, figura que representa a radio comunitaria, sinônimo de informação e utilidade publica. AULA 1: -COMO CORTAR CUSTOS? INÍCIO: ACABAR COM

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OSTENTAÇÃO DE PRIMEIRO MUNDO

Maria CDD, é esta simpatica personagem que ilustra este rodapé, ela pinta o sete!!!

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-SECULO XIX, SECULO XX....TEMPOS QUE NÃO VOLTAM...


Consciência Ambiental

ÓLEO DE COZINHA USADO O que fazer? Benefícios da reciclagem do óleo Gera renda através da produção de sabão, detergente, tinta a óleo e biodiesel.Diminuição do impacto ambiental danoso atribuído à contaminação do solo. Evita a contaminação da água e da fauna marinha. Segundo D’Avignon (2002), as gorduras formam uma camada que impede a oxigenação da água, podendo causar a morte de peixes. Evita o entupimento das tubulações de esgoto.

Por Pamella Magno

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ma atitude aparentemente inofensiva como despejar o óleo de cozinha no ralo pode gerar diversos transtornos e prejuízos, além de contaminar o meio ambiente. Cientes disto, alguns membros do Movimento Ambientalista Brasileiro (MAB) estão há três anos com o projeto “ÓLEO JÁ” no bairro de Jardim América. O projeto conta com cerca de 1.500 famílias cadastradas e alguns comerciantes, tendo reaproveitado a marca de 25 mil litros de óleo. Os voluntários vão de casa em casa conscientizando a população, debaixo de chuva ou de sol forte. Todo o material recolhido é processado e vendido em fábricas de

sabão, e a renda é revertida para a manutenção do próprio projeto. Um exemplo a se seguir. Em entrevista a O Cidadão, o diretor do projeto Jonatas Tosta Barbosa, de 27 anos, diz:‘Desejo que o trabalho gere a consciência em cada cidadão, não só de nosso pequeno bairro, mas de todo lugar por onde nosso projeto passar. Não como uma ideologia do politicamente correto, que deve ser apenas imitada porque passou no programa de TV tal ou porque fulano disse, mas como consciência de que somos um coletivo cujas ações individuais interferem tanto na vida do outro quanto na nossa, em algum grau.Desejo uma cidade lim-

pa, tanto no espaço físico do meio ambiente quanto nos conceitos que nos norteiam. O projeto Óleo Já e todos os outros projetos do Movimento Ambientalista Brasileiro se baseiam essencialmente nesses princípios, e esperamos ser de fato agente diferencial e exemplar em nosso planeta.’

Para mais informações sobre a coleta seletiva de óleo: Jardim América Projeto Óleo Já – 9874-1226 Bonsucesso JW Dias Comércio de Óleo Vegetal e Gordura – 2290-5517

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Memória

Fala morador! Grafitti: Banksy

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Maré há mais de dois meses vêm sofrendo constantes ações violentas da secretaria pública de segurança. No mês de abril, as oito escolas municipais de todo o conjunto de favelas foram fechadas. Além dos postos de saúde que ficaram dias sem funcionar. Em uma das ação, foram invadidas várias casas, entre as quais a do fotógrafo, cadeirante e morador da Nova Holanda Bira Carvalho, um dos mais antigos e respeitados profissionais da comunicação na Maré. Ele junto ao professor de Geografia, Bruno Paixão, que também teve a casa invadida, levaram os casos até a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no dia

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seguinte da operação. E, por isso, ficou decidido entre eles e os integrantes da Comissão, que os moradores que reclamaram de tais ações teriam a partir desta conversa proteção especial. Para F. R, moradora da Nova Holanda, de 25 anos, que preferiu não se identificar, expõe o seu sentimento de revolta diante de tais ações. "O sentimento é de humilhação, de impotência. Quem deveria nos proteger, nos maltrata e nos deprecia. Parece que para os governantes, os moradores de favela são desprezíveis, indignos, logo não merecem respeito", disse. F. afirma também que "na maioria das vezes essas práticas são desastrosas. Eles entram xingando, humilhando e atirando a esmo, atirando para to-

dos os lados sem nenhum tipo de cuidado e responsabilidade com a nossa vida", conclui a moradora. N. O., moradora do Morro do Timbau, que também preferiu não se identificar, é mãe de três crianças e ela também se diz revoltada com as invasões que consequentemente fazem as escolas ficarem fechadas por semanas. "Se as nossas crianças são o futuro do Brasil, como os nossos governantes estão aqui na favela fazendo isso. Somos cidadãos, já estamos cansados disso. Minhas filhas ficaram mais de uma semana sem aula. Em um dos dias que teve tiroteio eu estava a caminho do trabalho, recebi uma ligação da escola dizendo que não haveria mais aula e tive que voltar correndo para buscar as minhas filhas porque elas não iriam ter mais aula", conclui.

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O cidadão 64. Está de volta!!  

O cidadão 64. Está de volta!!  

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