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O Cidadão RIO DE

O Jornal do Bairro Maré JANEIRO - JANEIRO/FEVEREIRO 2005 - ANO

VII

-

NO 39

A Maré que dança

3

COTAS DIVIDEM OPINIÕES

4

DENGUE, AMEAÇA PERMANENTE

6

ERNESTO, PIONEIRO NA UFRJ

16

INSTITUIÇÕES DA MARÉ EM CATÁLOGO


EDITORIAL

C

hegou 2005! Como sempre, renovam-se as esperanças de um mundo melhor para todos nós. Um mundo mais justo, com oportunidades iguais para todos. É por estar embalado nestes sonhos, que O CIDADÃO resolveu começar esse ano de uma maneira bem leve e ritmada. Vamos falar sobre a dança e conhecer um pouco melhor esse novo mundo. Viajar na história de pessoas que estão descobrindo na dança o seu projeto de vida, ou que fazem dessas atividades uma oportunidade de integração e diversão. Quem sabe não é um estímulo para você que sempre quis fazer algo diferente, mas sempre se perdeu nas promessas de ano novo. Falando em promessas, quem sabe também não é o momento de transformar a nossa maneira de participar da sociedade. Quem sabe não é o momento de ficar mais atento aos acontecimentos do dia-a-dia. Perceber o que está errado, e cobrar soluções, antes que o erro ganhe proporções incontroláveis, e aí só nos reste chorar sobre o leite derramado. A matéria da Dengue é um bom exemplo da nossa displicência. Como não vemos nenhum caso de dengue ao nosso redor, descansamos tranqüilos e assistimos passivamente às campanhas contra o mosquito se repetindo em rádios, jornais e revistas... E achamos que tudo está às mil maravilhas. Não percebermos que essa aparente calma esconde tanto o descaso de muitos moradores, como a omissão do poder público, que também só se movimenta se a situação já estiver fora do controle. É um ciclo vicioso. É preciso acordar, fazer a sua parte e ficar atento, pois o perigo aparece nos momentos mais inesperados. Não vamos esperar a próxima epidemia para reclamar que não houve prevenção. E não vamos esperar que tantas outras tragédias aconteçam para tomar alguma providência. Um 2005 de muita alegria, mas também de muita atenção! Boa leitura!

ELES TAMBÉM LÊEM O CIDADÃO Fotos de Cristiane Barbalho

Viviane Fernandes, estudante de Física da Uerj, moradora do Parque Maré

Luciana Abreu, instrutora de informática, moradora da Baixa do Sapateiro

Programa de Criança

BR PETROBRAS • O Cidadão

Uma conquista dos moradores da Maré O Programa de Criança Petrobras atende a diversas escolas públicas da Maré. Promove oficinas e atividades que se tornam extensão da sala de aula.

O Cidadão é uma publicação do CEASM Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré Sede Timbau: Praça dos Caetés, 7 - Morro do Timbau Telefones: 2561-3946/ 2561-4604 Sede Nova Holanda: Rua Sargento Silva Nunes, 1.012 - Nova Holanda Telefone: 2561-4965 Conselho Institucional Antonio Carlos Vieira • Cláudia Rose Ribeiro Edson Diniz • Eliana S. Silva Jailson de Souza • Léa Sousa da Silva Lourenço Cezar • Maristela Klem Conselho Gestor Alexandre Dias • Marielle Franco Rodrigo Siqueira • Soraia Denise Vinicius Azevedo Coordenadora: Rosilene Matos Editora: Viviane Couto Coordenadores de Edição: Flávia Oliveira e Aydano André Motta Coordenadora de Reportagem: Carla Baiense Administrador: Hélio Euclides Secretário de Redação: Leonardo Marques Reportagem: Renata Souza Ligia Palmeira • Cristiane Barbalho Hélio Euclides • Rosilene Matos Leonardo Marques • Gizele Martins Colaboraram nesta edição: Leonardo Melo • Cláudia Rose Ratão Diniz • Isabel Gomide • Rosângela Barbosa Fabiana Gomes • Leandro Paiva Jornalista Responsável: Marlúcio Luna (Reg. 15774 Mtb) Ilustrações: Tcharles Cipriano Publicidade: Elisiane Alcantara Diagramação: José Carlos Bezerra Foto de Capa: Isabel Gomide Repórter Fotográfico: Cristiane Barbalho Distribuição: Elisiane Alcantara (coordenadora) Arthur de Almeida • Sheila Oliveira Givanildo Nascimento • Michele Nunes Elizângela Felix • Charles Alves Raimunda Canuto Fotolitos / Impressão: Ediouro Tiragem: 20 mil exemplares Correio eletrônico: jornalmares@bol.com.br Página virtual: www.ceasm.org.br

A impressão deste Jornal foi possível graças ao apoio da

EDIOURO Rua Nova Jerusalém, 345 – Bonsucesso Tel: 3882-8200 • Fax: 2280-2432


EDUCAÇÃO

A polêmica das cotas Moradores são beneficiados, mas sistema ainda divide opiniões Cristiane Barbalho

A

implantação do sistema de cotas nas universidades públicas gerou muito debate na imprensa. Mas os efeitos da medida, ainda têm alcance limitado. No Rio de Janeiro, apenas a UERJ adotou o sistema. Em 2001, a universidade do Estado reservou 50% de suas vagas para estudantes de escolas públicas. Deste total, 40% eram para negros. No final das contas os negros ficam com 20% dessas vagas. A medida ganhou muitos opositores, que previram uma diminuição na qualidade do ensino. Os números mostram o contrário. Uma pesquisa feita pela UERJ mostrou que 48% dos alunos que entraram pelo sistema de cotas tiveram rendimento entre 7 e 10. Dos não-cotistas, 43% registraram o mesmo índice. Outro dado relevante foi a evasão. Entre os não-cotistas, o índice chegou a 12%, contra apenas 6% entre os cotistas. “Esses dados mostram que a qualidade de ensino e a permanência na universidade de alunos cotistas vão muito bem”, afirma Bruno Paixão, 23 anos, estudante de Geografia e integrante do Observatório da Maré. Na opinião dele, os conservadores são contra as cotas porque querem manter seus privilégios. Não se tem dados sobre o número de

moradores da Maré que entraram na UERJ pelo sistema de cotas. Porém, o dia-a-dia revela um grande número de cotistas. Érica Cristian Barglini, 24 anos, moradora do Parque Maré, cursa Pedagogia na UERJ. Beneficiada pelo sistema, ela o defende. “Levando em consideração o estado em que se encontra a nossa sociedade, ele é necessário. É o pagamento de uma dívida do sistema”, diz. Já Rachel Mizael de Oliveira, 23 anos, moradora do Parque Maré e estudante de Serviço Social da Uerj, é contra o sistema de cotas. Ela considera mais produtivo investir num ensino de qualidade. “Esse negócio de cotas é um cala boca para os negros e pobres. Isso acaba desmobilizando as pessoas, que pensam que só as cotas já está bom”, afirma Rachel. Mas será que a reserva de vagas para negros e estudantes de escolas públicas é realmente justa? Com a diminuição de vaFoto da Internet

Cristiane Barbalho

Uerj foi a única universidade a adotar as cotas

Érika Barglini foi beneficiada pelas cotas

gas de ampla concorrência, reduz-se também as chances de candidatos “mais bem preparados”. Quem veio de uma escola pública considera a reserva justa. “Esse sistema dá oportunidade para que pessoas que não tiveram as mesmas condições de ensino, tenham acesso à universidade pública”, diz Gisele Pereira das Graças, 22 anos, moradora da Vila do João, aluna do curso de Relações Públicas da Uerj, beneficiada pelas cotas. Radicalmente contra as cotas, a estudante Eva Pereira, 30 anos, aluna de Biblioteconomia da Uni-Rio, mudou de opinião quando ingressou na universidade. O

Bruno Paixão acredita no sistema de cotas

desequilíbrio entre o número de alunos brancos e negros, segundo ela, foi o fato chocante que a fez rever seus conceitos. “Em uma turma de 40 alunos, só três eram negros. Então, percebi a necessidade de reformas. As pessoas não admitem que negros possam ser universitários”, afirma Eva Pereira, moradora do Salsa e Merengue.

A história que não quer calar A imprensa brasileira chamou de cotas aquilo que o movimento negro brigou durante anos para conseguir implantar: as ações afirmativas. Estas ações visam a criação de políticas de reparo a determinados grupos sociais. Por isso, a situação dos negros e dos estudantes de escola pública, injustiçados historicamente, foram repensadas. As ações afirmativas nasceram nos EUA na década de 60, com a pressão dos movimentos de massa para equilibrar as diferenças sociais e econômicas. Segundo o professor de Geografia Daniel Azevedo, nos últimos 20 anos aconteceu uma revolução conservadora. “A partir daí, surgiram novas teorias que vêem o pobre como caso de polícia”, afirma Daniel. Segundo o professor, o problema das ações afirmativas é que foram lideradas por uma pequena classe média negra. Como não foi uma reivindicação de massa, há resistência entre os próprios negros. “Foi uma política de cima para baixo”, resume o professor.

O Cidadão •!


SAÚDE

O mosquito da água limpa Casos de dengue são poucos, mas medidas preventivas deixam a desejar Cristiane Barbalho

T

odo ano é a mesma disputa: de um lado, o cidadão. Do outro, os mosquitos de pintas brancas. Parece brincadeira, mas com apenas uma picada o Aedes Aegypti leva uma pessoa ao nocaute. No Verão, quando a chuva e o calor colaboram para a proliferação do mosquito, todo cuidado é pouco. Mas é justamente a falta de cuidado do poder público e da população que têm impedido a erradicação da Dengue, uma doença que, no ano passado, atingiu 143 moradores da Maré, segundo os registros dos Postos de Saúde, do Centro Médico de Saúde Américo Veloso, do Pam de Ramos e do Hospital Geral de Bonsucesso. A doença se manifesta com mais intensidade no período que vai do início de janeiro até o final de maio. O grande temor dos especialistas é a entrada no país da Dengue Tipo IV, uma variação da doença ainda mais perigosa e que já se encontra na Venezuela. O coordenador da Divisão IV de Controle de Febre Amarela e Dengue, Paulo César de Carvalho, 41 anos, reafirma que os grandes respon-sáveis pela proliferação da doença são os macro-focos, ou seja, ambientes onde as larvas se reproduzem livremente, utilizando, principalmente, caixas d’água destampadas. Segundo o coordenador, isto acontece por negligência dos moradores. Nos espaços públicos, a negligência também colabora para a proliferação da doença: a obra do Mercado Popular da Vila do Pinheiro, abandonada pela Prefeitura, tornou-se um enorme criadouro do mosquito. Como não há auxiliar de controle de endemias (os populares agentes mata-

A dengue vira música O cantor e compositor Bhega construiu uma marchinha. Ela já foi utilizada em dois dias D (2003/2004), na Praia de Ramos: “Pare de criar mosquito em casa (4 vezes). Você pode evitar não deixando água parada nos vasos de plantas, nos pneus e nas garrafas (2

" • O Cidadão

Buracos que acumulam água parada no Mercado Popular são possíveis criadouros do mosquito

mosquitos) na Maré, foram espalhados barrigudinhos (peixes), um tratamento alternativo. O preocupante é que no município faltam equipamentos, carros e recursos humanos. Cerca de 20 funcionários abandonam, em média, o trabalho de mata-mosquitos a cada mês, sem que outros sejam contratados. Antes, os auxiliares de controle de endemias eram moradores da comunidade, contratados pela Comlurb. Com a transferência da coordenação para a Secretaria Municipal de Saúde (SME), a Maré perdeu os auxiliares. Não há mais tratamento nem colocação de remédio em possíveis criadouros do

mosquito. Paulo Nascimento explica que este é um problema político e que o remanejamento para o bairro só ocorrerá daqui a dois meses, se existir casos da doença. Por enquanto, a Secretaria preparou apenas um programa de orientação para a comunidade, por meio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) dos postos. A volta dos mata-mosquitos, no entanto, não é capaz de resolver, sozinha, o problema. Quando o controle de endemias era feito na Maré, o número de casas fechadas ou que não permitiam a visita dos agentes era assustador: 44,35%.

vezes). Sai, sai, sai, mosquito da dengue, aqui você não vai picar ninguém. Sai, sai, sai, mosquito da dengue, nós estamos de olho em você!”. O agente de saúde Alex Alves, após o convívio com doentes, criou o Rap da Dengue: “Ei você ai! Vamos prevenir (2 vezes). Se procurarmos prevenir, nós vamos combater...!!! Para combater-nos só depende de

você. É catando os lixos que nós vamos prevenir. Comece com as caixas d’água e cisternas sim. Tampando-as e lacrando que nós vamos prevenir. Na 2ª etapa eu também vou prevenir. Esses pneus velhos, que estão jogados ali. E esses vasos e vasilha que estão aqui. Para combatermos, precisamos de você! (2 vezes)”.


SAÚDE Cristiane Barbalho

O Aedes Aegypti e sua história Em 15 de novembro de 1902 ,Oswaldo Cruz foi nomeado como diretor-geral da Saúde Pública. O objetivo era erradicar no Rio de Janeiro a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Assim surgiram as famosas brigadas de “mata-mosquitos” - guardas sanitários que percorriam as residências eliminando focos do mosquito Aedes Aegypti. Na década de 70, o controle foi esquecido e o mosquito voltou ao país, impulsionado pelo acúmulo de lixo e pela água parada da chuva. Casos de Dengue reapareceram na década de 90, aumentando, até que se tornou uma epidemia. O carro do cambate à Dengue na Maré é utilizado pelos agentes de controle de Leptospirose

A falta de registro de todos os casos na comunidade também dificulta o controle da doença na região. Muitos moradores simplesmente não procuram o serviço de saúde, o que impede a coleta dos dados, além de colocar em risco a vida do doente. Os médicos recomendam que ao sentir febre, dor no corpo, na cabeça e atrás dos olhos, as pessoas devem procurar o posto de saúde mais próximo de casa. O uso indevido de remédio pode causar hemorragias. Nos postos, é coletado o sangue do doente. O resultado do exame sai em 24 horas. Uma parte do sangue vai para o laboratório central, que vai realizar um exame mais detalhado, revelando o tipo de Dengue (I, II, III, IV). “Fui ao Hospital Paulino Verneck. Lá me internaram e me colocaram no soro. Depois de voltar para casa fiquei em repouso e tomando suco de laranja”, conta a moradora da Nova Holanda, Adriana Francisco, 32 anos. A agente do Posto de Saúde Samora

Machel, Janete Meire, 33 anos, está confiante no trabalho executado na Maré. “Diminuiu muito o número de casos. Estamos informando a todos, indo de casa em casa”, relata a agente. A assessoria de comunicação da Secretaria Municipal de Saúde (SME) confirmou que os cuidados necessários estão sendo informados diariamente à população. Como não há epidemia no município, o carro fumacê não está sendo utilizado. Para proteção das casas, a Secretaria recomenda o uso de telas nas janelas. “A Dengue vai existir enquanto cada morador não se preocupar com o criadouro no domicílio, principalmente os pratinhos com água nos vasos de plantas”, diz a epidemiologista do Centro Médico de Saúde Américo Veloso, Maria Aparecida de Assis, 52 anos. Quem souber de algum foco, deve ligar para a Gerência de Controle de Febre Amarela e Dengue: 2589-4185 / 2589-2338.

Cuidados no domicílio

plástico. Feche-o bem e jogue-o no lixo. * Lave com bucha e sabão em água corrente, pelo menos uma vez por semana, os vasilhames dos animais domésticos. * Verifique os ralos, evitando assim entupimento. Se não utilizálos mantenha-os fechados. * Lave os suportes de garrafões de água mineral na hora da troca.

* Escorra a água dos pratinhos de vasos de plantas, colocando areia até a borda. * Feche bem os sacos plásticos e tampe as lixeiras. * Coloque tampinhas de garrafas, casca de ovo, latinha, saquinhos plásticos de cigarros, embalagens plásticas e de vidro e copos descartáveis num saco

* Lave com bucha e sabão as paredes internas de tonéis e depósitos de água, e deixe-os tampados. * Evite acumular entulho e lixo. * Retire a água acumulada das lajes. * Mantenha os pneus em local coberto. * Guarde as garrafas de boca para baixo.

O Cidadão •#


PERFIL Renata Souza

Ernesto Ramos Malvar

“O primeiro universitário da Maré” Comunidade: Nova Holanda Idade: 48 anos e garoto displicente na escola a professor aplicado. Ernesto Malvar, 48 anos, ex-morador do Morro do Timbau, ostenta o título de primeiro universitário da Maré e defende a importância da educação para jovens e crianças. Filho de mãe semi-analfabeta, o ex-mareense repetiu três vezes o curso de admissão, que antecedia o ginásio. A mãe fazia muito esforço para que o filho estudasse, mas ele não demonstrava interesse. “Depois que um professor me obrigou a copiar quatro páginas de um livro, porque não o li e não sabia as respostas, fiquei muito mexido. Mesmo não tendo o melhor método, esse professor me ajudou a ver que poderia estudar”, lembra. Ernesto foi da primeira turma do ginásio da escola Tenente Napion. Com cerca de 16 anos, leu todas as obras de Jorge Amado, Machado de Assis e outros grandes autores brasileiros. Ernesto tomou gosto pelos estudos. Nessa época, se mudou para Bonsucesso e teve que fazer alguns sacrifícios para estudar. “Além da escola, eu e um amigo estudávamos

D

Ernesto Malvar é professor e vice-diretor do Ciep César Pernetta, que fica no Parque União

durante a semana das 8h às 15h e aos sábados e domingos. Foi um ano assim, sem faltar um dia. Mas nunca deixei de brincar, de me divertir e de namorar”. Em 1976, voltou para a Maré e tentou vestibular. Antigamente, não existiam cursos pré-vestibulares comunitários, como existem hoje, e Ernesto teve que arranjar uma solução. “Queria fazer Letras, porque gostava de literatura. No final de 76, tentei só a UFRJ, porque ficava na Avenida Chile e me custaria só uma passagem”. Passou na primeira tentativa em 14º lugar. “Fiquei tão feliz... eu contava para todo mundo. Se estava no ônibus e via um amigo na rua, gritava que tinha passado”, lembra. No primeiro semestre, sentiu muita dificuldade. Na mesma época, se casou e teve três filhos. Vendia roupas para seus colegas para se sustentar. A primeira decepção foi ficar reprovado em uma matéria.

Como vovó já dizia

$ • O Cidadão

Isso o abateu muito, mas ele deu a volta por cima: “Passei todo o mês de férias na biblioteca”, comenta. Ele não se dava conta de que era o primeiro universitário do bairro. “Só pensei nisso quando um senhor daqui me falou que estava orgulhoso por eu ser o primeiro da Maré a passar para a faculdade”, diz Ernesto, que terminou a graduação e quis fazer Mestrado, mas não tinha dinheiro. Então, a sorte o ajudou e ele ganhou na loteria. Com o dinheiro comprou uma casa, ficou seis anos trabalhando por conta própria e pôde estudar. Começou o Mestrado, concluiu o curso, mas não entregou a tese por problemas pessoais. No entanto, ele não esqueceu da Maré. Passou em dois concursos para professor e há seis anos leciona no Ciep César Pernetta, além de dar aula numa escola particular e aulas preparatórias para concursos públicos.

Suas costas - Cuide bem delas

Faça pausas freqüentes para meditar.

Cuidado ao erguer pesos!

Libertar-se do stress acumulado durante o dia não precisa ser uma questão muito elaborada. Sempre que se sentir tenso, apenas feche os olhos e visualize uma cena calma e agradável: veja-se boiando em águas frescas e límpidas, ou sentado sob estrelas cintilantes numa noite clara. Por alguns minutos, deixe seu corpo vivenciar essa cena e logo sentirá seus músculos relaxarem e seu espírito começar a se elevar.

• Para não forçar a coluna, abaixe-se junto ao objeto, dobrando os joelhos. • Mantenha o objeto a ser levantado, junto ao corpo. • Baixe o peso com o mesmo cuidado. • Nunca gire o corpo ao erguer o peso. • Mantenha a postura sempre ereta.


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MAREMOTO INTERCOM INTERNET COMUNITÁRIA ¿ Video Conferência ¿ Acesso Laptop ¿ Gravações de CD ¿ Fax ¿ Currículos ¿ Consertos e Manutenção de Computadores ¿ Peças ¿ E-Mail O uso livre dos equipamentos é a única forma do cidadão aprender a utilizar tecnologia, suprindo suas necessidades. O único conteúdo estritamente proibido é a pornografia. De resto, as pessoas podem navegar livremente pela web, efetuar pagamento de contas de luz, água, telefone ou IPVA, fazer pesquisas, ler notícias, participar de salas de bate-papo, Vídeo Conferencia, jogar on-line, digitar documentos e currículos, enviar e-mails e aproveitar todos os outros recursos da Rede Mundial de Computadores.

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Maremoto todo mundo sabe que acontece no mar. Mas, alguém já ouviu falar de maremoto em piscinão?

Se você nunca viu maremoto em piscinão, preparese, um maremoto está prestes a acontecer. Gilberto Gil e Ricardo Berzoini visitam ACB/RJ Juventude e o lançamento do Ponto de Cultura (Programa Cultura Viva). O evento contou com exposição dos trabalhos desenvolvidos nas 25 oficinas oferecidas pelas organizações não governamentais, que compõem o Consórcio do Rio, e várias apresentações culturais.

O Governo Federal, através do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério da Cultura, lançou na segunda-feira (20/12), na sede da entidade âncora Ação Comunitária do Brasil do Rio de Janeiro, em Vila do João, na Maré, os projetos Consórcio Social da Juventude (Programa Primeiro Emprego) e Ponto de Cultura (Programa Cultura Viva). Na abertura do evento, o Ministro do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, e o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, assinaram o convênio da segunda fase do Consórcio Social da

O Consórcio Social da Juventude no Rio de Janeiro atenderá cerca de 2.400 jovens e uma rede de 35 instituições que atuam na área da profissionalização, entre elas: ACB RJ, CIEE RJ, CUFA, FASE, Grupo Arco-Íris, FUNCEFET, Fundação Bento Rubião e Viva-Rio.

AÇÃO COMUNITÁRIA DO BRASIL www.acaocomunitaria.org.br

& • O Cidadão

O Consórcio Social da Juventude é um dos eixos de atuação do Programa Primeiro Emprego, do Ministério do Trabalho e Emprego, e tem como objetivo criar mais oportunidades de trabalho, emprego e renda para jovens de 16 a 24 anos em situação de maior vulnerabilidade ou risco social e pessoal. O programa beneficiará 50 mil jovens em todo país. Esses jovens trabalharão como monitores, em parceria com o Programa Primeiro Emprego. Mas a comunidade também será contemplada por meio das atividades de lazer e de formação para o trabalho na área cultural.

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NAS REDES DO CEASM

Instituição aberta para o saber Ceasm abre vagas para pré-vestibular. O CIDADÃO dá dicas de cursos

D

esde a sua formação em 1998, o Curso Pré-Vestibular do CeasmCentro de Estudos e Ações Solidárias da Maré - já aprovou mais de 400 alunos para universidades públicas do Rio de Janeiro - dentre elas: UFF (Universidade Federal Fluminense),Unirio (Universidade do Rio de Janeiro), Uerj(Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e UFRJ (Uni-

versidade Federal do Rio de Janeiro). Para dar continuidade ao trabalho, e pensando no vestibular 2006, o Ceasm abriu este ano cerca de 200 vagas para novos prévestibulandos. Todos passaram por uma prova composta por 40 questões de conhecimentos gerais e terão todo o ano de 2005 para estudar, além de entender melhor o mundo em que vivem e qual o seu

papel na sociedade. Mas fazer o vestibular é um momento difícil na vida de qualquer pessoa. Decidir que área escolher é um suplício para muitos, por indecisão ou por falta de informação. Por isso, o jornal O Cidadão traz nesta edição algumas dicas de cursos oferecidos nas universidades do Rio de Janeiro e as vantagens e desvantagens de cada área:

Comunicação social Voltado para a formação de profissionais de jornalismo, publicidade e propaganda, relações públicas, produção editorial, cinema e radialismo. O curso tem uma grade de conhecimentos gerais, com aulas de História, Língua Portuguesa, Sociologia e Psicologia, e disciplinas específicas para cada uma das carreiras. O curso tem foco no mercado de trabalho e os alunos começam desde cedo a desenvolver peças e produtos de comunicação de massa. O profissional pode ser assessor de imprensa, editor, fotojornalista, repórter, produtor, promotor de eventos, etc... Duração: seis a 12 semestres. Realizado no período da manhã, tarde e noite, dependendo da faculdade. O curso pode ser encontrado na UFRJ, Uerj e UFF.

Engenharia civil O engenheiro civil cuida de tudo que diz respeito à construção,do projeto ao acabamento. O engenheiro civil projeta e acompanha todas as etapas de uma construção ou reforma. Cabe a ele garantir a segurança da edificação, calculando os efeitos dos ventos e das mudanças de temperatura na resistência de materiais. Física, matemática, saneamento, topografia e química compõem as matérias básicas. A engenharia também tem outros campos como a industrial, a cartografia, a mecânica, o desenho, a metalúrgica, a naval, a de materias entre outras. Duração: oito a 18 semestres. Realizado em período integral (manhã e tarde). O curso pode ser encontrado na UFRJ,Uerj,UFF e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

Enfermagem O curso forma enfermeiros que atuam junto ao indivíduo, às famílias e às comunidades, promovendo a saúde e reabilitando-o para o social. O enfermeiro deve intervir no processo saúde-doença de forma crítica e a garantir a qualidade da assistência para todos. Ele pode exercer a profissão em hospitais, postos, centros de saúde, creches,

indústrias, escolas e em programas específicos do Ministério da Saúde. No primeiro ano do curso, o aluno verá as disciplinas básicas, como anatomia, microbiologia, citologia, histologia, parasitologia e a dissecação de cadáveres. O aluno também terá matérias de administração e fundamentos de psicologia e de sociologia. No segundo ano, o aluno começa a atender pacientes e a cuidar de enfermarias. Duração: nove a 12 semestres. Realizado em período integral (manhã e tarde). Esse curso pode ser encontrado na UFRJ,Uerj,UFF e Unirio.

O Cidadão •'


GERAL

Marcílio Dias em busca de apoio Associação pede ajuda para concluir as obras da sede e construir capela Cristiane Barbalho

Moradores aprendem informática na associação

s moradores de Marcílio Dias elegeram, em dezembro de 2003, uma nova presidente para a associação de moradores. Iraci Moreira da Silva, 52 anos, veio do Rio Grande do Norte ainda menina. Envolveu-se em trabalhos comunitários em 1985, trabalhando na

O

secretaria da Associação de Moradores. Voltou à associação como presidente. “As pessoas achavam errado ter uma pessoa que não é da comunidade na associação. Encontrei o local com muitos problemas. Hoje, os moradores se sentem mais à vontade com uma pessoa conhecida”, conta a presidente, que completou um ano de mandato. Hoje a comunidade tem o programa Jovens pela Paz e outros projetos do Governo do Estado, ligados ao esporte e à cidadania. A associação também possui uma sala de computadores com internet, onde funcionam os cursos de informática para a população, com taxa mensal de R$ 15, em parceria com o Banco do Brasil. Para este ano, estão previstos cursos de telemarketing e alfabetização. Enquanto contabiliza conquistas, a associação identifica desafios. Um deles, é a sujeira nas ruas. “Como não há lixeiras, as ruas ficam cheias de lixo. Mas muita gente joga o lixo na rua, mesmo”, reclama a moradora Madalena da Silva, de 63 anos. A comunidade tem cinco garis comunitários e coleta domiciliar da Comlurb três vezes por semana. “Acho que falta a cons-

Aconteceu Ratão Diniz

Crianças do PCP mostram resultado do trabalho

Fazendo Arte na Maré Os educadores do Programa de Criança Petrobras se reuniram para o Fazendo Arte 3, na Casa de Cultura da Maré, mostrando todo o trabalho realizado nas escolas do bairro. Foram estandes com fotos, cartazes, trabalhos manuais, além de exposição de danças e músicas. “ É gratificante visualizar melhor todas

 • O Cidadão

na

as oficinas”, disse a educadora Ligia Felix, 19 anos. A coordenadora do PCP, Laís do Nascimento, estava satisfeita. “É uma experiência muito boa, que coroa tudo que foi feito”, resumiu Laís, 34 anos. O representante da Petrobras, Nagib Albuquerque, 37 anos, saiu feliz com o que viu: “Foi organizado e houve evolução. Desde o início do PCP, eu prospectei essa parceria. Através do projeto, estamos tendo um acesso à Maré”.

Visita de Ministros No dia 20 de dezembro de 2004, aconteceu na Ação Comunitária do Brasil, da Vila do João, o lançamento da nova fase do Programa Primeiro Emprego. Para marcar

cientização dos moradores”, opina a secretária da associação, Iara Meire da Silva, 23 anos. Iraci reclama da falta de apoio. “O prefeito César Maia prometeu várias coisas, mas não fez nada. O grande problema da comunidade é a pobreza, que é demais”. Outros dois desafios são a conclusão da obra na sede da associação e a construção de uma capela na comunidade. “O salão da associação costuma ser usado para realizar velórios. Tem gente que vem para os cursos e volta porque tem um corpo sendo velado aqui”, diz Iara. Renata Souza

Iraci, presidente da Associação de Marcílio Dias

M a r é ... a data, foi realizado um evento que teve a presença dos ministros do Trabalho e Emprego, Ricardo Berzoini, e da Cultura, Gilberto Gil, entre outros políticos. A festa marcou a integração de dois projetos dos ministérios do Trabalho e da Cultura. O acordo selado entre esses dois ministérios permitirá a criação de uma ponte entre projetos, como o Primeiro Emprego e o Programa Cultura Viva. A Ação Comunitária será âncora do projeto no Rio de Janeiro e terá parceria de outras ONGs. A Ação Comunitária da Vila do João será um dos pontos culturais na Maré. O outro será o Ceasm. “O Ceasm incentiva a cultura na Maré através da Casa de Cultura e de alguns projetos. O ponto de cultura vai aproximar as atividades culturais dentro da comunidade”, afirmou Alexandre Dias, membro do Conselho Gestor.


GERAL

Banco chega à Maré Moradores já podem fazer transações bancárias sem sair do bairro Cristiane Barbalho

agar contas, sacar dinheiro, fazer depósitos, retirar cheques... Essas ações parecem tão corriqueiras... Mas, para os moradores da Maré, realizar essas tarefas não é tão fácil quanto parece. Só agora começou a funcionar a primeira agência do Banco Popular do Brasil, em uma das 17 comunidades. “Algumas contas eu pago na casa lotérica, mas tem coisas que só posso fazer em Bonsucesso. Com uma agência aqui, não gastaria dinheiro de passa-gens”, afirma Cristina Rodrigues, 22 anos, comerciante e moradora da Vila do João. O posto do Banco Popular do Brasil fica na Rua Principal, 1012, Nova Holanda. Lá, os moradores podem pagar suas contas, abrir conta corrente e obter crédito, sem precisar sair do bairro. Não são necessários comprovação de renda, nem depósito inicial. Basta ganhar até três salários mínimos e não possuir outras contas bancárias.

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Posto de atendimento em Nova Holanda

Os clientes são atendidos por correspondentes bancários, que podem ser farmácias, supermercados, lojas, etc. Na Nova Holanda, ele funciona num posto da Light. “Recebemos o que o Banco do Brasil recebe. Muita gente paga boleto bancário, contas de luz e telefone ”, explica Jackson Fonseca, 25 anos, funcionário do posto. As facilidades do banco atraem os moradores. “Já tinha tentado abrir conta em outros bancos, mas não consegui porque precisava ter muito dinheiro”, conta Denise dos Santos, 38 anos, moradora da Nova Holanda. Segundo os atendentes, o Banco do Brasil tem planos de abrir outros postos nas comunidades. Se alguém estiver interessado em se informar melhor sobre o Banco Popular do Brasil ou instalar um posto de atendimento na Maré, pode entrar em contato através do telefone 0800-7292929 ou pela página virtual www.bancopopulardobrasil.com.br.

Praia de Inhaúma, uma rua diferente

Cristiane Barbalho

e há uma coisa que não se pode negar sobre a Rua Praia de Inhaúma, que fica metade na Baixa do Sapateiro e metade no Morro do Timbau, é que ela é diferente. Primeiro porque não existe um ponto que determine o começo da rua, que termina na Linha Amarela. Depois porque apresenta várias divisões e quando você chega na esquina, dobra à direita ... Tchan, tchan, tchan! Continua na Praia de Inhaúma! E quase todos os becos que desembocam na rua levam o mesmo nome. A explicação para essa complicação é simples: a área onde hoje se localiza a rua, já foi um dia o grande Porto de Inhaúma. A rua ainda tem duas numerações. Há mais de 15 anos, a numeração começava perto do Sesi e terminava na Rua Oliveira. Com as transformações, a associação teve que refazê-la. Mas começou pela Rua Oliveira. “As cartas do moço que tinha o mesmo número que o meu ficavam comigo. Hoje está mais organizado”, diz Pedro José dos Santos, 55 anos, morador da rua há 19 anos.

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Na Rua Praia de Inhaúma, comércio e convivência sao pontos positivos apontados pelos moradores

Tanta divisão acaba gerando confusões. “O carteiro grava a casa pelas pessoas. Um entregador me ligou para saber onde eu morava, porque não encontrou a minha casa. Tive que buscá-lo”, conta Adele Regina Cardoso, 23 anos, moradora da Praia de Inhaúma, Beco do Abacate. Segundo os moradores, os problemas da rua são a falta de farmácias, o asfalto e o meio fio incompletos, os buracos e a falta de orelhões. “O esgoto de vez em quando

fica brabo. Chamo a Cedae, mas eles ficam se amarrando. Tem também uma água limpa que escorre há dez anos”, diz Francisco Firmino, 75 anos. Seu Francisco mora há 35 anos na rua. “Morei aqui nas palafitas até que conseguimos aterrar todo o terreno. Dividi em lotes e só deixei fazer casas de tijolo”, diz ele, que aponta como pontos positivos da rua a convivência entre os vizinhos e o comércio.

O Cidadão •


CAPA

Valorizando a vida

Moradores ensaiam os passos para difundir a cultura da Maré, vencer o prec Isabel Gomide

Escola de Dança da Maré

O Corpo de Dança apresentou Um Passo Adiante, criação do grupo, com supervisão de Marise Reis

eonardo Nunes, 18 anos, é morador da Baixa do Sapateiro. Apesar da pouca idade, ele já tem muita experiência na área que escolheu para seguir profissionalmente: a dança. Tudo começou quando Leonardo resolveu participar da seleção de um projeto ligado à dança. O grupo em questão era o Corpo de Dança da Maré. O dançarino participou de três espetáculos: Mãe Gentil, Folias Guanabara e Dança das Marés. Hoje, além de integrar o Corpo de Dança, ele é bolsista do De Anima, companhia de dança dirigida pelo celebrado coreó-

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 • O Cidadão

grafo Roberto de Oliveira. A história de Leonardo não é exceção no bairro. Vários projetos estão usando a dança para oferecer aos moradores da Maré um novo olhar sobre o mundo. Tanto para aqueles que vão abraçar a atividade como profissão, como para os que encaram as oficinas como uma experiência de autoconhecimento, a dança traz a oportunidade de entender melhor a realidade e difundir os valores culturais da comunidade. O CIDADÃO percorreu os principais palcos da comunidade para mostrar os ritmos que embalam os moradores.

A escola de dança surgiu em março de 2004, com o objetivo de manter o Corpo de Dança da Maré, depois que o coreógrafo Ivaldo Bertazzo deixou o grupo e também de democratizar o aceeso à dança, abrindo espaço à outros moradores. Através do selo do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social e com patrocínio da Petrobrás, o Ceasm conseguiu criar a escola. Hoje o projeto tem um núcleo de dança aberto à comunidade, que oferece aulas de dança criativa, dança de salão, hip-hop, consciência corporal e oficinas para os pais. Também foi criado o núcleo de formação continuada, que oferece formação aos jovens do Corpo de Dança da Maré. Além disso, mantém o Corpo de Dança, que tem uma rotina diária de duas horas e meia de ensaio, de segunda a sexta-feira. Para Leonardo, o grupo foi uma surpresa, porque ele acreditava que a dança era algo mais tradicional: “Nosso primeiro espetáculo foi baseado nos movimentos do corpo. Não sabíamos se era jazz ou música contemporânea. O segundo já foi uma mistura de dança indiana com teatro e musical. O terceiro misturou os três estilos”. Leonardo pensou em parar porque a família dizia que a dança não daria futuro. “Me chateava muito quando nos apresentávamos e o pessoal dizia: ‘Que bonitinho’. Não levavam em conta todo o trabalho que tínhamos”, conta Leonardo que pensava em ser veterinário. Agora, ele se prepara para cursar a Faculdade de Dança, como bolsista. Para Isabel Gomide, 40 anos, coordenadora técnico-administrativa do projeto, trabalhar a dança com os moradores é importante porque há uma relação entre o corpo e o intelecto. “A dança é o melhor dos exercícios, porque você atinge lugares do seu corpo que nem imagina”, diz. No entanto, afirma que é importante manter os jovens com os pés no chão. “As apresentações passam uma idéia de glamour, que é falsa. Não queremos formar artistas. Aqui eles aprendem que o glamour


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a através da dança

reconceito, desenvolver atividades de integração social e se profissionalizar Rosângela Barbosa

Patricia Riess com os alunos, entre eles Paulo Vitor (ao lado da professora), numa aula de dança criativa no Ceasm Nova Holanda

é o que menos importa nessa área. Há, sim, muito suor e muito trabalho”, completa. Outro sucesso do projeto são as aulas abertas à comunidade. A procura foi tão grande que a carga horária de algumas turmas teve que ser reduzida, para que mais crianças fossem atendidas. A partir da formação inicial, novas parcerias foram surgindo. “Conseguimos um convênio com a UniverCidade. Cinco alunos da escola ganharam bolsas de estudo lá e cinco alunos de lá vêm dar aula aqui”, conta Isabel, que se orgulha de vários jovens do bairro se dedicarem à dança. Este ano, o Núcleo de Formação Continuada terá uma nova turma. O “Sextas de Arte” foi mais uma iniciativa que surgiu ao longo do curso. No primeiro semestre, o Corpo de Dança ia uma vez por mês assistir um espetáculo de dança. Depois, eles passaram a promover espetáculos na Maré, todos abertos ao público. “Foi riquíssimo, tanto que o público foi aumentando”, diz a coordenadora. Isabel sabe que as apresentações podem causar estranhamento, num primeiro momento. “Sabemos que o tipo de dança que apresentamos não é fácil. Não é comédia. Fazemos um trabalho árduo para que as crianças e os adultos construam um outro olhar sobre a dança. Por isso, sempre

conversamos depois dos encontros e da Sextas de Arte”, informa. Outro ponto positivo da escola é que ela oferece aulas em duas comunidades, Morro do Timbau e Nova Holanda, podendo assim promover a integração dos alunos. Para Isabel, este é o maior exemplo de como a dança pode unir as pessoas em torno de um objetivo. Leonardo concorda. “Acho bacana a interação que a Escola de Dança promove. Vejo senhoras no nosso meio e a energia delas nos estimula”. Conceição Rodrigues, 88 anos, moradora do Morro do Timbau, é um exemplo. Aluna da escola, ela ainda faz ginástica, é professora de dança formada pelo Curso de Formação de Instrutores em Dança de Salão e se apresenta em bailes da cidade. A paixão pela dança é antiga, mas o diploma só chegou aos 81 anos. Conceição não pensa em dar aulas, mas o curso foi o passo inicial para a realização de um sonho. “Sempre gostei de dançar, mas não pude me dedicar por causa dos acontecimentos da vida. Em 1998 eu era uma pessoa que só ficava deprimida. Achava sempre que estava doente”, lembra a professora, que hoje faz dança de salão,

bolero, samba, fox, forró e salsa. “Quando danço, parece que estou voando. É uma distração que não deixo de jeito nenhum. Esqueço a minha idade”, diz. Para as crianças, a dança criativa é uma grande diversão. “Na dança criativa brinco, mas conheço o funcionamento do meu corpo e aprendo novos ritmos. Também faço novas amizades”, diz Paulo Vítor Araújo, 8 anos, morador do Parque Rubens Vaz. A mãe, Rosania Maria de Araújo, 43 anos, diz que na escola de dança há atividades diferentes e que, muitas vezes, as pessoas não entendem essa novidade. “É diferente da dança tradicional. Lá, eles aprendem como se movimentar e como usar o corpo, sem agredílo. Mas as pessoas precisam estar abertas ao novo”, diz.

O Cidadão •!


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O Futuro é Hoje Não é só a Escola de Dança que está se apropriando dessas experiências para fazer a tão sonhada transformação da sociedade. Grace Kelly Lima, 21 anos, moradora da Nova Holanda, é assistente de coordenação e professora do projeto “O Futuro é Hoje”, da ONG Devas, financiado pela Unesco. O projeto já tem sete anos e escolheu a dança afro, a percussão e o teatro para que o jovem descubra seu potencial. “Com a dança vamos conhecendo a cultura negra. E a partir dela trabalhamos problemas atuais, como a violência”, diz Grace, que entrou

no projeto como aluna há dois anos, e há um é professora. O grupo já se apresentou no Criança Esperança, no Degase, na Casa de Cultura da Maré, no Salgueiro e no Ciep Cesar Pernetta. “Procuramos mostrar o trabalho nos lugares que tëm muitos jovens para despertar o interesse”, conta Grace que para conhecer melhor a cultura afro faz pesquisas em livros, na Internet e em vídeos. “Trabalhamos com o preconceito e a discriminação em geral. O próprio nome do grupo tem um significado. Escolhemos

Oxumarê porque existe um preconceito contra a mitologia africana. Se compararmos à mitologia grega, vamos ver que os personagens são os mesmos, só muda o nome. Mas uma é discriminada e a outra não. Mas claro que o trocadilho do nome também influenciou na escolha”, diz. Grace afirma que a dança ajuda a quebrar alguns tabus. “As crianças chegavam aqui achando que dança afro era coisa para negros. Mostramos que afro é a descendência, é a cultura. E que todos podem e devem conhecer a cultura dos outros.”, diz Grace.

Arquivo Projeto Uerê

Aulas de dança da Ong Uerê ajudam a complementar a formação dos integrantes do projeto

Dança Uerê A ONG Uerê é outro projeto que já descobriu o potencial transformador da dança. As aulas surgiram da necessidade de um trabalho que complementasse o desenvolvimento da capacidade motora, concentração e noção de espaço das crianças. A bailarina e professora de dança contemporânea Paloma Lins está no projeto há um ano. “O trabalho é um pouco diferente do tradicional, porque não privilegiamos a estética. Todos os exercícios procuram construir a noção de grupo, de equilíbrio e de coordenação

" • O Cidadão

motora”, diz. A professora afirma que tira os movimentos do dia-a-dia e os transforma em movimentos de dança. “É preciso ganhá-los aos poucos. Partimos dos ritmos que eles estão habituados”, conta Paloma, que reclama da falta incentivo à cultura. Para Renata Mendes, 12 anos, moradora da Vila do Pinheiro e aluna do projeto, a dança foi um impulso para vencer a timidez. “Tinha medo e insegurança, mas depois fui me soltando e na apresentação final, só queria saber de dançar”, diz.

Flaviano faz break na Ação Comunitária do Brasil e está


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Hip-hop nas Ondas da Maré O projeto Hip-Hop nas Ondas da Maré é uma parceria da Ação Comunitária do Brasil e do grupo de rap Nação Maré e também trabalha com a dança através do Break. O break surgiu em Nova Iorque, entre os jovens que faziam galeras e iam para o baile brigar. Com a chegada do hip-hop, a disputa passou a acontecer através da dança. “Utilizamos a história da dança para mostrar que toda essa energia pode ser utilizada de uma outra forma”, explica Bruno Lima, 21 anos, educador de cidadania, responsável pela parte pedagógica do projeto. Para o educador de hip-hop Leandro

Paiva, 27 anos, morador da Vila do João, a dança é uma forma de expressão. “Quando dançam, os jovens têm a oportunidade de se manifestar”, afirma o professor. O projeto já formou um grupo de dança, o Maré Break, que já se apresentou, entre outros lugares, na abertura do show do rapper Gabriel O Pensador. Flaviano Assis, conhecido como Bi-boy Flavinho, tem 17 anos, é morador do Salsa e Merengue e participa do grupo. Flaviano conheceu a dança através da lambaeróbica, mas se apaixonou mesmo pelo break. Ele só lamenta que ainda haja preconceito. “Falam que a dança não dá dinheiro e ficam

fazendo piadinha”, diz. Para Jeferson Almeida, 24 anos, morador da Vila do João, o break é uma dança diferente. “A base é a mesma para todos, mas procuramos buscar a nossa identidade cultural. Misturamos movimentos da capoeira, da dança africana e até imitamos movimentos de animais. Não passamos uma idéia de agressão. Mostramos que competimos, mas somos amigos”, conta. Participando do projeto, Jéferson diz ter mudado a sua percepção sobre a vida. “Hoje não quero mudança só para mim. Quero mudança na sociedade. A gente começa a ver que não é tão pobre culturalmente”, diz.

Leandro Paiva/Ação Comunitária do Brasil

e está em dois grupos: Maré Break e Elemento Surpresa

Como participar de cada projeto ESCOLA DE DANÇA DA MARÉ Pretende atender a 600 pessoas em 2005. As inscrições estão abertas desde o dia 24 de janeiro e vão continuar até que todo o quadro de alunos esteja completo. As atividades começaram dia 14 de fevereiro. Estão sendo oferecidas aulas de dança de salão, dança criativa pra crianças de 4 a 11 anos, hip-hop a partir dos 12 anos e consciência corporal a partir dos 16 anos. Em março, haverá aulas de balé, jazz e dança contemporânea. A grande novidade fica por conta da aula de percussão, com o método do passo do professor Lucas Ciavatta. As inscrições para o Núcleo de Formação Continuada vão até o dia 23 de fevereiro. A audição será feita um dia depois. As inscrições para os demais cursos podem ser feitas na sede da Escola de Dança da Maré ou no Ceasm Nova Holanda. A Escola de Dança da Maré fica na Casa de Cultura da Maré, Rua Guilherme Maxwell, 26, e o Ceasm Nova Holanda fica na Rua Sargento Silva Nunes, 1012. O FUTURO É HOJE - Para se inscrever nas oficinas da ONG Devas, os interessados devem procurar a sede da instituição, que fica na Rua Sargento Silva Nunes, 1008 - Nova Holanda. O grupo

atende a mais ou menos 50 jovens entre 10 e 24 anos. As inscrições estão abertas e duram até o preenchimento de todas as vagas. São oferecidas aulas de dança afro, percussão, teatro, informática, canto e formação de Agentes de Prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids. PROJETO UERÊ - A ONG recebe crianças durante todo o ano. Para participar das aulas de dança é preciso procurar a sede da instituição e se inscrever no projeto. Além da aula de dança, são oferecidas várias outras oficinas, como capoeira, coral, maculelê, informática e aulas de reforço. A sede da ONG fica na Rua Tancredo Neves, s/n, quadra 3, bloco 255-A, Casa 1 - Nova Maré. HIP-HOP NAS ONDAS DA MARÉ Para se inscrever é só procurar a Ação Comunitária do Brasil, na Vila do João, com certidão de nascimento ou identidade, foto 3x4 e comprovante de residência. As oficinas costumam ter em média 30 alunos e acontecem todos os sábado, às 9h. Além, das aulas de break, os alunos têm aulas de cidadania, rap e grafite. A Ação Comunitária do Brasil fica na Rua 11, 243, quadra 58.

O Cidadão •#


SERVIÇO

Informação ao alcance de todos Moradores terão acesso ao Catálogo de Instituições do Bairro Maré Reprodução

Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm) lançou em dezembro o Catálogo de Instituições do Bairro Maré. Para que a comunidade tenha acesso aos dados do catálogo, a partir desta edição, o jornal O CIDADÃO trará todo mês uma seção do catálogo, com o seu texto de apresentação e os dados de identificação das instituições que são abordadas. Este mês traremos a apresentação do catálogo. Nas próximas edições, teremos os seguintes textos e dados das instituições: E por falar em Educação; E por falar em Instituições Comunitárias; E por falar em Diferenças e Identidades entre o Estado e o Público; E por falar em Saúde, E por falar em Religião e Outras Instituições de Interesse Público, este último apenas com as informações relativas a estas instituições. A intenção é que você, leitor, possa colecionar e montar seu próprio catálogo, pois o nosso maior interesse é que o morador se aproprie desse material em todos os sentidos. A publicação do Catálogo das instituições sociais da Maré tem o objetivo de contribuir com a construção de redes de sociabilidades, a partir da identificação, caracterização e divulgação das atividades e serviços das instituições presentes em nosso bairro.

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O catálogo vai ajudar as instituições a unir forças para transformar a realidade da Maré

Dessa forma, o catálogo torna-se um instrumento de comunicação e articulação dessas instituições e do próprio poder público e/ou parceiros junto a elas, e, delas para com a população. Contudo, seu objetivo maior é realizar o que tanto se fala

+ BOCA NO TROMBONE Elza Farias, moradora da rua João Magalhães, no Morro do Timbau, entrou em contato com o jornal O CIDADÃO para

contar que os dois buracos da reclamação do jornal 37 já foram tapados. No entanto, afirma que a Cedae ao consertar um outro cano que

e pouco se respeita: o exercício da cidadania. Enfim, o catálogo é um canal para que as instituições sociais da Maré divulguem suas ações e, ao mesmo tempo, ampliem suas relações com os moradores e moradoras do bairro.

havia estourado, acabou deixando um imenso buraco, muito perigoso para os moradores e principalmente para as crianças. O jornal O Cidadão entrou em contato com a Cedae no dia 27 de dezembro de 2004, e no dia seguinte o problema já havia sido solucionado.

Certificado pelo SESI com oficinas complementares do CEASM: dança, teatro e música Período de inscrição:

14/02 a 19/02

$ • O Cidadão

Local: Casa de Cultura da Maré - Avenida Guilherme Maxwell, 26 Morro do Timbau - Maré. Informações 3868-6748


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DESPERTE O ARTISTA QUE HÁ EM VOCÊ ! & • O Cidadão


GERAL

Na tela da Maré CinePop transforma o bairro em sala de projeção, exibindo filmes nacionais Divulgação

elona lembra cinema, que lembra pipoca, que lembra história, que traz alegria. Esta é a proposta do Cinema Popular do Brasil, o CinePop. O projeto traz o cinema nacional aos moradores da Maré, através da exibição de filmes nacionais, em sessões ao ar livre, e mostra que é possível estimular a criação do áudio-visual na comunidade, a partir da experiência dos próprios moradores. O autor da idéia é o cineasta Iberê Cavalcanti, 69 anos. Depois de percorrer vários estados exibindo o seu filme Terra de Deus, ele percebeu a necessidade de levar o cinema nacional até a população. “O Brasil já teve cinco mil salas de exibição. Hoje, tem uma para cada 150 mil pessoas, sendo que 92% são reservadas para filmes americanos.É um absurdo”, desabafa Iberê, diretor e produtor do projeto. Além das 16 comunidades da Maré, outras cinco foram beneficiadas pelo projeto, quatro na Ilha do Governador e uma na Ilha do Fundão. Por aqui, o CinePop fez sua estréia em setembro do ano passado, com o apoio do Sesi/Firjan. É lá que funciona, também, o Centro de Animação Áudio-Visual e a Vídeo-Escola. Outros parceiros colaboram com a iniciativa. É o caso da Inter Cultural, que executa o projeto do cinema móvel/itinerante, as associações de moradores e o Ceasm, que ajudou a levar as sessões até às escolas do bairro, com 150 crianças, em média, por sessão. A proposta do CinePop é conciliar as três iniciativas - a projeção, as oficinas e formação de profissionais para o mercado de trabalho. Joyce de Freitas, 16 anos, é aluna da segunda fase do curso e revela

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NATUREZA CIDADÃ

Parceria com o Ceasm possibilita a projeção de filmes para alunos de escolas públicas da Maré

entusiasmo. “Estou aprendendo o que acontece por trás das câmeras. Também comecei a entender o que realmente é a Maré”, diz. Na primeira fase do projeto, foram escolhidos 62 alunos das 21 comunidades para participar de oficinas livres e profissionalizantes, com duração de nove meses. Um dos trabalhos produzidos foi o Vídeo-Jornal, um documentário sobre o projeto. Mas o carro-chefe do CinePop é a exibição de filmes, que já teve um público de 500 pessoas, numa projeção na Marcílio Dias. “O sucesso do projeto indica que os trabalhos poderão se tornar permanentes”, enfatiza o assessor especial Paulinho Esperança, 50 anos. A programação do CinePop é eclética. Entre as atrações que estiveram em cartaz, filmes como Os Três Zuretas, O Casamento

de Louise, Brava Gente Brasileira, Fala Tú e Tainá, todos da Rio Filmes. A divulgação dos dias e locais de exibição começa três dias antes, utilizando panfletos, carro de som, a associação de moradores e o próprio boca-a-boca. Por isso, fique atento quando o carro do CinePop passar na sua rua. Divulgação

Morador assiste a exibição de filmes nacionais

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Enriqueça sua alimentação com elevação dose de vitaminas (A,B,C), ferro, cálcio, minerais, gorduras e açucares. Para melhorar a qualidade nutritiva de sua alimentação misture: 1 quilo de farelo de trigo; 1 colher (28g) de casca de ovo; 1 colher (10g) de folha de mandioca; 2 colheres (25g) de semente de abóbora. Nas duas refeições, adicione multimistura à comida. Adulto: duas colheres de sopa - Criança: uma colher de sopa.

O Cidadão •'


CIDADÃO ZINE

Rede Maré Jovem Jovens lutam por seus direitos e reinvindicam atenção das autoridades Ratão Diniz

Rede Maré Jovem promove Dia da Consciência Popular e reúne moradores na Praça da Nova Holanda para discutir todos os tipos de discriminação

om o objetivo de discutir assuntos relacionados à juventude, integrantes de vários grupos da Maré resolveram se unir. Desta união nasceu a Rede Maré Jovem, grupo que trabalha pela promoção de políticas públicas voltadas para os jovens. O trabalho começou em 2003, depois do Fórum Social Mundial. Um grupo do Rio de Janeiro voltou do Fórum decidido a promover um movimento voltado para o debate das questões ligadas à juventude. A idéia era agregar jovens de todo o Estado. Em um dos encontros, se percebeu que havia um número grande de pessoas da Maré. Surgiu então a idéia de fazer um movimento como esse no próprio bairro. Essas pessoas começaram a se reunir a parte e assim foi criada a Rede.

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SABOR DE MAR

É

Ingredientes: 300 gramas de milharina 03 ou 04 fatias de queijo mussarela (ou prato) 02 ou 03 fatias de presunto cozido sem gordura picadas 06 azeitonas picadas 02 colheres (chá) de sal

 • O Cidadão

A maioria dos integrantes da Rede Maré Jovem participa de outros grupos que atuam no bairro. “Queremos integrar esses grupos. Cada um tem um objetivo, mas em algum momento se tocam, lutam pelas mesmas coisas”, diz Leonardo Melo, 20 anos. Em cada reunião são organizados grupos de trabalho, onde são debatidos temas como saúde, violência e ações políticas. “Nosso trabalho é tentar promover ou contribuir para que essas políticas sejam implantadas”, explica Lourenço Cezar, 34 anos, membro da rede. Não é exigido nenhum pré-requisito para integrar a rede. A intenção é atrair o maior número possível de pessoas. A rede utiliza espaços diferentes dentro da comunidade para tentar quebrar barreiras. A estudante Geandra Nobre do Nascimento, 20 anos,

moradora da Vila do Pinheiro, aprendeu a lidar com o preconceito depois que passou a integrar o grupo. “A minha maneira de pensar mudou. Eu tinha preconceito contra as outras comunidades da Maré”, explica. O projeto está crescendo. Depois de uma feira de cultura, o grupo realizou o Dia da Consciência Popular, cujo objetivo foi promover a tolerância na comunidade. A idéia é também propiciar encontros entre as redes jovens do Rio de Janeiro e do Brasil. Quem desejar entrar em contato com a Rede Maré Jovem pode procurar Leonardo Melo, no Ceasm do Morro do Timbau, ou Suzana, na Ação Comunitária do Brasil, na Vila do João. Ou ainda, ligar para 88034206 e falar com Jefferson.

Cuscuz nordestino do Luiz Modo de preparo: Em um recipiente, misturar o sal com a milharina e um pouco de água filtrada. Mexer com um garfo, até a massa ficar solta e úmida. Deixar a mistura descansar por 3 minutos. Acrescentar o presunto e a azeitona picados. Preparar o cuscuzeiro colocando, aproximadamente 02 centíme-

tros de água e em seguida o suporte. Despejar metade da massa no cuscuzeiro e em seguida forrar a massa com o queijo. Despejar o restante. Importante: não apertar a massa no cuscuzeiro! Tampar e levar ao fogo. Deixar cozinhar por 15 min e pronto.


MARÉ MUSICAL Divulgação

Maré Musical ''' Passarela 10,

música e política

A

passarela de número dez da Avenida Brasil serviu de inspiração para uma banda da Maré. Esta passarela fica próxima ao Parque União, onde está o Quartel General da banda. “Colocamos este nome porque a passarela representa a junção da Maré com outros espaços. E o número dez é muito forte”, explica Sinésio Jefferson, músico da banda e historiador. A banda é formada por dois moradores da Maré, Sinésio e Marcelo Gonsalves, e por jovens de diversas partes do Rio, como Antônio Freitas, Marcos de Lima e Téo Bueno. Ela começou quando Marcelo e Téo convidaram amigos para tocar. A princípio, o grupo era despretensioso, mas hoje já pensa em lucrar com o que sabe fazer. Todos têm estilo musical bem particular. Marcos já integrou um grupo de pagode. Antônio tem influência de rock progressivo e Sinésio, de MPB. É por isso que a banda é tão eclética. O repertório do primeiro CD, Muito longe de um disco, Muito perto de

Grupo que se inspirou na passarela 10 da Avenida Brasil em apresentação no Farol da Lapa

te conhecer, é recheado de reggae. “Nossas músicas não têm uma identidade só. Começam de um jeito e terminam de outro”, afirma Sinésio. As músicas evidenciam a posição política da banda, mas não são músicas de protestos. “ É um trabalho de crônica, em que usamos som e texto”, explica Sinésio. Taís Paiva, 22 anos, fã do Passarela 10, confirma. “ As músicas são um grito contra tudo que tem acontecido. Eles devem tocar mais na Maré e propagar essas idéias”, diz. As apresentações da banda são

surpreendentes. A cada música os integrantes mudam de instrumentos. “Uma vez, quando trocamos de instrumentos, caiu tudo no chão. O público achou graça e ficamos mais desinibidos”, conta Sinésio. As maiores dificuldades da banda são a falta de equipamentos de qualidade, muito caros, e o fato de os integrantes trabalharem em outras atividades, dificultando os ensaios. Quem quiser contratá-los é só ligar para o número 88034206 e falar com o Sinésio.

Olha o Gato de Bonsucesso aí, gente! Escola de Samba da Maré homenageou o Rio de Janeiro no carnaval 2005 Cristiane Barbalho

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odos os anos, a Escola de Samba Gato de Bonsucesso homenageia uma personalidade. Esse ano a escola não homenageou uma pessoa e sim uma cidade: o Rio de Janeiro. O Gato desfilou com cerca de mil pessoas da comunidade e três carros alegóricos. “Infelizmente o Gato não possui financiamento. Contamos com a ajuda de vários voluntários. A Sintufrj - Sindicato dos Funcionários da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que ajuda com a divulgação de panfletos, e as costureiras da comunidade, que cobram praticamente só a mão-de-obra”, afirma a diretora de carnaval Roseni de Lima Oliveira, que já está na escola há seis anos. A escola desfilou na Estrada Intendente Magalhães, às 4h da manhã do domingo de Carnaval. Não perca na próxima edição o desempenho da escola.

G.R.E.S. GATO DE BONSUCESSO Presidente: Marco Antônio Costa de Oliveira,mais conhecido como Rafael Diretora de carnaval: Roseni de Lima Oliveira Compositores: Josuel, Marcílio, Aladir, Canidé e Márcia Santos Enredo:“Rio, a mais maravilhosa das cidades”

O divino criador oh!oh! Num momento de inspiração Fez o Rio de supremacia Deu um toque de magia Abusou da perfeição Emoldurado pela natureza tanto amor, quanta beleza Que orgulha esta nação A coroa portuguesa sorriu A riqueza desta terra a seduziu

O encontro de três raças fez fusão O carioca nasceu dessa união Mulheres douradas na praia A me deslumbrar Asas deltas bailam pelo ar O surfista desafia o mar Pão de açúcar, Corcovado E um povo apaixonado Patrimônio do lugar Vem amor festejar É fim de ano meu bem, Flores para Iemanjar O meu Rio entra em cena Para o mundo aplaudir Se liga que o Pan já vem É maravilhoso Cheio de encantos mil Ver o meu gato todo prosa Cidade maravilhosa Coração do meu Brasil

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ESPORTES

Na luta ESP

pela paz

Jovens da comunidade têm aulas de boxe e cidadania Arquivo Pessoal

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Luta Pela Paz nasceu há quatro anos, idealizado pelo inglês Luck Dowdney. Lutador de boxe amador na Inglaterra, ele percebeu que a luta poderia ser usada fora do ringue. Daí surgiu a idéia de montar um projeto com o boxe. “No começo era só esporte, mas com o tempo o projeto foi mudando e passamos a investir em outras áreas da educação”, explica Luck, 32 anos. O projeto é apoiado pelo Viva Rio e financiado por organizações internacionais. O objetivo é criar oportunidades para os jovens de comunidade. O projeto tem aulas de boxe, luta-livre e capoeira. E, para atender melhor aos alunos, dispõe de aulas de cidadania e oferece apóio psicológico. A turma de boxe tem aproximadamente 50 alunos, com idades entre 14 e 25 anos. Ela funciona segunda, quarta e sexta-feira, das 17h30 às 21h. O curso de Luta-Livre tem dez alunos de Capoeira tem 50. Isso tudo funciona na Academia de Boxe, que fica na sobreloja do número 684, da Rua Teixeira Ribeiro. Os alunos que não faltam às aulas de lutas e cidadania ganham uma cesta básica. “Nas aulas de cidadania, discutimos os direitos e deveres dos jovens, doenças sexualmente transmissíveis e AIDS ”, afirma a educadora social Mirian Gonzaga dos

Waldyr Alves, promessa do boxe, em luta na cidade de Nova Iguaçu: vitória por nocaute

Santos, moradora da Nova Holanda. O Luta Pela Paz já tem vencedores e promessas. A mais nova promessa é Waldyr Alves, morador do Parque Rubens Vaz. “Eu não me considero uma promessa, mas estou me esforçando muito”, afirma Waldyr, 24 anos. Já Manuela Lopes, 18 anos, foi vicecampeã do Campeonato Brasileiro de Boxe em São Paulo. “Lutei sem treinar, porque trabalhava. Se tivesse treinando, quem sabe teria sido campeã”, afirma Manuela, que pretende participar do Pan-Americano. O projeto também expande os horizontes dos alunos. Exemplo disso foi a viagem que Rafael Lima de Jesus, 17 anos, fez até a Suíça, em maio de 2004. “Fiz parte de um

A Maré do ping-pong Ratão Diniz

Crianças do bairro Maré se divertem com o ping-pong, o esporte da moda neste verão

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estudo sobre a violência com crianças. Vi que o Rio é pior que outros lugares em mortalidade de crianças”, afirma Rafael de Jesus, que mora no Parque União. “Investimos nesses jovens para que eles possam nos substituir e coordenar um projeto como este”, afirma o idealizador da escola. “A nossa maior dificuldade é o pouco incentivo à esse esporte olímpico. Outro problema é o trabalho. Tivemos vários campeões cariocas que foram obrigados a sair do projeto para trabalhar”, lamenta o professor Luiz Vieira, 34 anos. Quem quiser participar do projeto é só ir à Academia de Boxe Luta Pela Paz e se inscrever.

Nas férias, as crianças sempre procuram novidades para ocupar seu tempo. Na Maré não é diferente. Este ano, as crianças adotaram o ping-pong ou tênis de mesa, como diversão. É comum ver crianças jogando em mesinhas espalhadas por toda a Maré. Mas esta “febre” não surgiu por acaso, pois algumas escolas municipais do bairro promoveram, durante o ano, campeonatos intercolegiais. “Pretendo continuar jogando nas férias como uma forma de diversão e também de ocupar meu tempo junto com meus colegas”, diz o aluno Jéferson Pereira, 13 anos, morador da Baixa do Sapateiro, um dos representantes do CIEP Vicente Mariano no Torneio Intercolegial de Escolas Municipais.


PÁGINA DE RASCUNHO

Fragmentos da Memória Relembro o velho mangue As palafitas de um cenário esperançoso Com peixinhos que brilhavam nas águas De uma Baía de Guanabara que ficou nos antigos Cartões postais ainda em preto e branco. Alguns dos meus velhos sonhos se encontram Entre as grandes toneladas de aterro. Certa vez imaginei um carrinho e deixei-o cair Por entre as “gretas” de uma das pontes Que ligava o meu barraco ao do meu amigo Zé. E vi a maré leva-lo para o oceano. Um pequeno sonho de um menino que sonhava ser doutor... O senhor doutor fulano de tal. Hoje a memória falha, existem apenas fragmentos De uma pequena paz que existiu na Maré Numa época em que se cantava “...quanto riso, oh! Quanta alegria...” A Maré era assim... sem os arranha-céus do mundo moderno Mas com a paz e a alegria dos palhaços

Manuel Falcão A. Maranhão No jornal O CIDADÃO n° 34, fizemos uma matéria sobre a Rua Manuel Falcão A. Maranhão, no Conjunto Esperança. Mas ficaram algumas pergunta no ar: Quem é Manuel Falcão A. Maranhão ? E o que significa esse A.? Elpidio Bernades da Costa, morador do Conjunto Esperança, não sabe quem foi o homenageado, mas nos contou que certa vez, perguntou a um funcionário da Cehab o que significava essa abreviatura. Ele respondeu que o “A” é a abreviação de Américo. Então a rua seria Manuel Falcão Américo Maranhão. Ele diz que a informação foi verbal e que não tem nenhum documento que comprove sua veracidade. Por isso, continuamos aguardando informações.Valeu Elpidio!

que se enfeitavam nas palafitas e Tinham a grande arte de Viver Sobre as águas; E como já dizia o Grande Tom: “...São as águas de março fechando o verão e a promessa de vida no seu coração”. São memórias minhas... suas talvez, e quem sabe podemos Até cantar como Elis Regina a “saudosa

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maloca”. Meu sonho é ver essa nova Maré coberta de branco Como os brancos que se uniram aos negros, aos índios e se tornarem uma só Raça: Brasileiros! Admilson Rodrigues Gomes

CARTAS As cartas ou sugestões para o jornal devem ser encaminhadas para o Centro de Ações Solidárias da Maré Jornal O Cidadão – Praça dos Caetés, 7 – Morro do Timbau – Rio de Janeiro/RJ – CEP: 21042-050

A Ong - Projeto Uerê precisa de professor para jovens de 13 a 16 anos, para o turno da manhã, de 8h30 às 11h30. As aulas serão de português, matemática, história geral e do Brasil, geografia e noções de química e física. Se alguém se interessar, pode ligar para os seguintes telefones: 38816219 / 2265-2527 / 99683850. Luciana Martha Coordenadora do Projeto Uerê

Gostaria de solicitar uma retificação na matéria Memória da Maré, pois na mesma o Estado Novo (1937-1945) é citado como primeiro Governo Vargas, quando o historicamente correto é afirmar que ele faz parte do primeiro governo de Vargas que se inicia em 1930, com o golpe de 30, e termina em 1945. Desta forma, o Estado Novo é uma etapa do primeiro governo e não o primeiro governo. Abraço à equipe do jornal O CIDADÃO e parabéns ao Ceasm, de quem estou me tornando admirador. Reynaldo Barbosa Neto, por e-mail

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MEMÓRIA DA MARÉ Calendário da Rede de Memória 2005

Rede Memória

o dia 24 de janeiro de 2005, o bairro Maré completou 11 anos de sua criação. De fato, a Maré é um bairro muito jovem, mas com uma longa história. Quem lê O CIDADÃO sabe que, antes mesmo da colonização portuguesa, essa região já era habitada por populações indígenas. Já existiram chácaras, engenhos, portos, balneários, e até tesouros enterrados pelos jesuítas... Mas, são os moradores que tornam a história desse bairro tão rica e interessante. É por isso que a Rede Memória do Ceasm vem trabalhando para valorizar e divulgar as histórias das pessoas desse lugar. São narrativas cativantes que prendem a atenção dos ouvintes, pois são intensas e vivas. A diversidade e a riqueza de tais narrativas nos inspiraram a preparar um calendário para 2005 que divulgasse um pouco das memórias de alguns moradores. A gentileza de cada pessoa em nos ceder seus depoimentos e fotografias fez desse produto muito mais do que um simples calendário. Para nós, ele se transformou num álbum de família, uma família com muitas origens: tem gente que nasceu na Maré; outras vieram do Nordeste ou do interior do estado do Rio de Janeiro; algumas se mudaram de outros bairros da cidade ou chegaram aqui na época das remoções, durante o governo de Carlos Lacerda. A equipe da Rede Memória gostaria de agradecer a todos que contribuíram para o sucesso do calendário (os 500 que fizemos se esgotaram em poucos dias). E, mais uma vez, queremos lembrar que sua colaboração é muito importante para que a história da Maré seja valorizada. Feliz 2005!

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Caro leitor, este espaço do jornal O CIDADÃO é seu. Conte sua história para que ela seja publicada aqui. Pergunte o que você gostaria de saber sobre a história da Maré e da cidade do Rio de Janeiro, e nós responderemos. Envie sua história, perguntas e sugestões para a Rede Memória nos endereços: Morro do Timbau (Pç. dos Caetés, nº 07. Tels.: 2561-4604; 2561-3946); Nova Holanda (R. Sargento silva Nunes, 1012. Tel.: 2561-4965); Casa de Cultura (Av. Guilherme Maxwell, 26 - em frente ao SESI. Tel.: 3868-6748). Se você tiver facilidade de acesso à internet, envie sua colaboração para os seguintes endereços eletrônicos: contato@ceasm.org.br ou jornalmares@bol.com.br. “Na Favela do Esqueleto ficamos até 1962, quando Lacerda construiu Nova Holanda e nos transferiu para cá. O pessoal que veio do Esqueleto, então criou um bloco, o Unidos da Nova Holanda. Muitos anos depois é que o nome foi mudado para Mataram Meu Gato. Na época, onde a gente chegava diziam: Mataram Meu Gato? Ah! mataram seu gato? O pessoal gozava muito a gente com esse nome. E se não fosse a gente ter virado escola, era Mataram Meu Gato até hoje”, diz Sr. Adevanir de Oliveira, pai de Roseni, morador de Nova Holanda. Nasceu na cidade de Cachoeira Alegre, Minas Gerais, em 1937.

“O primeiro ano da festa de caipira na Rua Capivari foi muito bom. Era o Arraial do Bico Mudo. A festa era muito boa: tinha casamento, barraquinhas, prisão. Tudo muito bonitinho. O Valdir e o Maurício ensaiavam a gente”, conta Elza do Nascimento Vieira, moradora do Morro do Timbau. Nasceu na cidade de Sapé, Paraíba, em 1940.

Rede de Memória


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