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A Educação Empreendedora na Formação do Professor da Educação de Jovens e Adultos a Partir de um Estudo de Caso The Entrepreneur Education in the Formation of the Teacher of Young and Adults Education from a Case Study Lindalva de Freitas Silva S.M.E. - Limoeiro/PE Marluce Silva do Nascimento EDMODERNA - Recife/PE . Resumo O presente trabalho apresenta uma abordagem para educadores da Educação de Jovens e Adultos numa perspectiva empreendedora, levando-se em conta a época atual que vem sendo marcada por mudanças, destacando que é possível numa visão freireana uma sintonia entre o empreendedorisno e a formação docente. Partimos do pressuposto da formação continuada como ferramenta pedagógica para Educação Empreendedora que estrutura um fio condutor, orienta, organiza e integra todo o processo de ensino e aprendizagem, ao contextualizar os conteúdos trabalhados e dar-lhes real significado. O objetivo é traçar uma reflexão pautada nos índices de evasão/abandono ocorridos nos anos de 2006 a 2007 nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de Limoeiro/Pernambuco, assim como a preocupação no processo de construção da cidadania através de uma educação empreendedora. Neste caso o ser humano passa a ser considerado pleno de possibilidades, com atributos e potencialidades a partir da educação. Muito tem a se aprender, uma vez que a abordagem


central deste trabalho está na formação de profissionais capazes de organizar situações de aprendizagem, de realizá-los com autonomia e responsabilidade. Aponta-se para o caminho do desenvolvimento de um projeto educativo empreendedor, no qual a atuação do profissional de educação precisa ter clareza dos objetivos a serem alcançados. Por outro lado, a demanda por ocupações vinculadas ao emprego autônomo, reflete a necessidade de programas relacionados com o empreendedorismo. Com perspectivas empreendedoras pode-se vislumbrar uma política educacional moderna, investigativa e desafiadora. Palavras-chave: Empreendedorismo, Formação Docente, Educação de Jovens e Adultos. Abstract The present work presents an approach to educators of Young and Adults Education in an enterprising perspective, taking in account the current time that is being marked by changes, highlighting that it is possible, in a freirean vision, between entrepreneurship and the teaching formation. We start by presupposing that continued formation as pedagogical tool for Entrepreneur Education structures a conducting process that also guides, organizes and integrates the process of education and learning, when contextualizes the work contents and gives real meaning to them. The objective is to trace a reflection dealing with the indices of evasion/abandonment occurred in 2006-2007 in the groups of Young and Adults Education (EJA) in the municipal network of Limoeiro/Pernambuco, as well as the concern in the process of construction of citizenship through an entrepreneur education. In this in case the human being is considered full of possibilities, with attributes and potentialities from education. Much has to be learnt, because the central approach of this work is the formation of professionals capable to organize learning situations, to carry them through with autonomy and responsibility. It aims the development of an educative project, in which the performance of the professional needs to have clear objectives to be attained. On the other hand, the demand for occupations tied with the independent job, reflects the necessity of programs related to


entrepreneurship. With daring perspectives, modern educational investigative and challenging politics can be envisaged. Keywords: Entrepreneurship, Teaching Formation, Young and Adult. Education

Introdução

O ensino é muito mais que uma profissão, é uma missão que uma profissão, é uma missão que exige comprovados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia do ser de todos os educadores. (FREIRE, 1999, p.12)

A educação no Brasil é uma questão que desde há muito tem sido constantemente posta em discussão, constituindo sempre importante papel nos discursos políticos. Dada a crescente desigualdade social do país, a educação tem sido alvo das mais diversas críticas, ocupando o posto de responsável por inúmeros problemas sociais brasileiros. Neste contexto, todos aqueles que são menos favorecidos economicamente possuem mais dificuldade em superar as dificuldades da educação no Brasil. Principalmente, a essa camada social que são renegados os recursos para a formação escolar. Contudo, a Lei Brasileira na Constituição Federal assegura a todos os cidadãos o acesso à educação. A preocupação centra-se no percentual de evasão dos alunos da Educação de Jovens e Adultos da Rede Municipal de Limoeiro/PE matriculados no ano letivo de 2006 e 2007. Apresentando

uma

proposta

de

uma

educação

empreendedora

norteadora

no

direcionamento para uma vida de sustentabilidade. Visto que a clientela atendida na escola provêm de uma classe social baixa. Analisamos a questão da formação de professores da Educação de Jovens e Adultos pela via do empreendedorismo a partir da formação continuada de acordo com a visão de Paulo Freire, a fim de proporcionar uma metodologia para educadores, para interligar o seu


potencial criador aos ambientes escolar, que seja relacionada às perspectivas empreendedoras e voltada para a capacidade e potencialidade humana, com a qual possam atuar como incentivadores do espírito empreendedor e como mediador para o desenvolvimento de uma postura criativa e autônoma. Muito embora, discutimos também os elementos necessários a uma boa formação para a docência na Educação de Jovens e Adultos. Assim, abordamos as práticas de educação empreendedora, caracterizando a realidade da atual formação docente, onde nos faz enfatizar a importância da inovação na construção de uma metodologia ligada ao empreendedorismo. Levamos também em conta oportunizar momentos de reflexão acerca do papel do educador frente à busca do empreendedorismo, fornecendo subsídios ao ser humano

para

que

desenvolva

através

da

auto-observação,

auto-organização

e

discernimento, uma postura coerente entre o saber e o fazer.

2 - A Educação e a Formação de Jovens e Adultos Aos jovens e adultos que não tiveram condições de ler, escrever e compreender a língua nacional, dominar os símbolos e operações matemáticas básicas, conhecer as ciências sociais e naturais e os meios de produção cultural, entre os quais a arte, a comunicação e o esporte, devem ser oferecidos escolas de Educação de Jovens e Adultos. Nesse sentido, a Educação de Jovens e Adultos, na verdade, surge como uma oportunidade escolar para a população que teve dificuldades em realizar estudos regulares. E a questão a ser colocada diz respeito à formação empreendedora de professores atuantes nesse contexto. Dada a velocidade de mudanças no mercado de trabalho, tendo em vista padrões elevados de consumo, avanços tecnológicos e demais outros fatores, cada dia mais são cobradas posturas inovadoras, empreendedoras e proativas dos profissionais. Nessa mesma linha, ao professor da Educação de Jovens e Adultos compete perfil compatível a tais exigências do mundo moderno. Possivelmente, medidas exclusivas à formação especializada desse profissional devam efetivamente contribuir aos bons resultados.


Nesse âmbito, a educação continuada se propõe à construção da profissionalidade do educador, diante dos novos desafios que requerem a constituição de uma identidade no fortalecimento das perspectivas no campo educacional. É válido, assim, reconhecer uma educação empreendedora apoiada nos princípios da formação continuada de professores. Assim, já não tem lugar a figura do educador “banco de dados”, que atua como mero transferidor de saberes previamente legitimados a alunos que funcionam como meros receptores passivos nesse processo, conforme a clássica denúncia de Paulo Freire. Um novo paradigma educativo se apresenta, demandando do educador uma nova postura, menos autocrática e monológica. Nesse sentido, é preciso pensar uma prática educativa que não se pretende mais estática e ‘bancária’. Mas sim, em palavras de Paulo Freire, onde o educador se assuma como aquele

‘provocador’

de

experiências

que

abrem

as

possibilidades

para

a

produção/construção dos saberes através de uma progressiva consciência de que ser humano é ‘ser inacabado’, é o estar em permanente ‘estado de busca’ (FREIRE, 1998). Já não cabe à escola e ao educador a função de transmissão de conhecimento, já que outros meios existem com tal eficiência e, sim, possibilitar o aprendizado usando as múltiplas e variadas modalidades de informação já disponíveis.

3- A Formação do Professor e os Pressupostos Freireanos

Numa perspectiva não objetivista mecanicista nem subjetivista, mas dialética. A consciência do mundo engendra a consciência de mim e dos outros no mundo e com o mundo. (FREIRE, 200, P. 90) A formação do professor da Educação de Jovens e Adultos inclui a compreensão do significado de sua atividade, as condições objetivas e efetivas de sua ação. As atuais propostas para a formação desse professor procuram contemplar o "saber específico", o "saber pedagógico" e o "saber político-social" como partes fundamentais do perfil profissional do educador moderno.


Assim como as demais profissões, a de professor também deve acompanhar as atuais evoluções e transformações sociais. Na maioria dos países ocidentais, o professor está passando da antiga concepção de “transferidor” para a de “construtor” do saber, atuando com a autonomia e a responsabilidade de um autêntico profissional (FREIRE, 1998). Partindo-se do que preceitua Freire (1998), é possível verificar que a formação do professor dessa modalidade passa pela observância dos aspectos pedagógicos, envolvendo todo o conjunto das tarefas necessárias ao comprometimento do professor com as questões do ensino, da educação e com a transformação da sociedade. Ao se trabalhar a sua formação pedagógica, importa atender a todos os requisitos da educação: seus objetivos, seus meios e seus fins. A busca por um compromisso com o educar, alinha-se às questões sociais e que condicionam seu próprio trabalho. O professor deve estar capacitado para exercer uma docência renovadora, demonstrando sólida formação política e social.

4 - Educação Empreendedora e a Formação do Professor da Educação de Jovens e Adultos As mudanças no processo educacional trouxeram novos desafios aos educadores no contexto da construção de novas competências. Além disso, uma nova dinâmica de relações e experiências mútuas passou a ser exigida na construção do conhecimento do cotidiano escolar. Todo esse cenário gera a necessidade de um trabalho mais qualitativo. A educação empreendedora na formação continuada dos professores da Educação de Jovens e Adultos pode significar importantes ganhos na qualificação de tais profissionais. Contudo, trata-se de questão complexa aferir os aspectos qualitativos de cursos de formação continuada. Compete, portanto, caracterizar, a partir de uma visão freireana, a aplicação da formação continuada como proposta empreendedora à qualificação desses professores. A sociedade brasileira não foi educada para empreender, mas sim para procurar emprego. O próprio tema “Empreendedorismo” no Brasil é relativamente novo. Com a globalização, as novas tecnologias exigem cada vez mais capacitação e conhecimento


(papel essencial da educação). Porém, de maneira geral, um diploma por si só não garante uma vaga no mercado de trabalho. Cada vez mais se torna realidade o alto índice de pessoas com curso de graduação e sem emprego. Tal realidade transforma o mercado e faz com que muitos executem funções fora de suas expectativas e qualificações. O desenvolvimento de um país se faz a partir de ações efetivas de políticas públicas de acesso, entre elas o investimento em educação. Não que o Brasil invista pouco: segundo o IBGE, atualmente o percentual relação ao PIB (Produto Interno Bruto) é o mesmo de países da União Européia. A diferença está nos percentuais de investimentos na chamada Base Educacional. Os empreendedores de amanhã são os alunos de hoje e é necessário e possível desenvolver e trabalhar para unir. E visando uma cultura empreendedora. Assim, o maior desafio é formar uma sociedade com perfil mais empreendedor, que aposte no próprio negócio por oportunidade e não por necessidade. Dessa forma, teremos uma população transformando informação em conhecimento e conhecimento em ação, reivindicando mudanças, alterando leis, buscando mais qualificação e principalmente, sabendo planejar e empreender não somente para os negócios, mas para a vida. Dolabela (2003) afirma que é empreendedor, em qualquer área, alguém que sonha e busca

transformar

seu

sonho

em

realidade.

O

mesmo

complementa

que

o

empreendedorismo é um fenômeno regional, que é determinado pela cultura, pelas necessidades e hábitos de uma região e que “o empreendedorismo deve conduzir ao desenvolvimento econômico, gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade”. (Dolabela, 1999, p 45). Somos um país carente de empregos, resultado de uma população despreparada e o número de postos de trabalho é sempre menor que a mão-de-obra disponível. O brasileiro é um povo com características empreendedoras, porém, essas características são postas em prática mais por necessidade do que pela identificação de oportunidades. Observa-se que muitos abrem seus próprios negócios, como forma de adquirir uma renda, até que apareça um emprego. No entanto, se esse negócio se expande, o proprietário precisa tomar decisões estratégicas e administrativas, para as quais ele não tem preparo e conhecimento. O Relatório Jacques DELORS da UNESCO (1996), indica, entre outras questões, as aprendizagens que serão pilares da educação nas próximas décadas, por serem vias de


acesso ao conhecimento e ao convívio social democrática: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver junto e aprender a ser. Essa perspectiva coloca em evidência uma nova concepção de educação, redimensiona o papel dos professores exigindo uma formação profissional adequada ao exercício profissional e de condições necessárias para um trabalho educativo eficaz.

4.1-O Brasil e a Educação de Jovens e Adultos O Brasil, lamentavelmente, apresenta dados constrangedores tanto a respeito da distribuição de renda quanto ao nível de qualidade da escolarização. Hoje, no Estado de Pernambuco, 33,5% da geração do Ensino Fundamental são repetentes. Enquanto 29,6 abandonam a escola sem terminar a Educação Básica. E 35% são analfabetos numa população de 15 anos ou mais. Complementando essa visão negativa na educação, 70% dos alunos do ensino médio apresentam distorção idade/série (MEC-2008). Como as repetências se sucedem, os alunos acabam abandonando a escola para trabalhar. Assim, apenas 40% de uma geração conseguem terminar os oito anos do Ensino Fundamental, (atualmente ensino de 9 anos) 25% terminam o Ensino Médio, 12% iniciam algum curso superior e 23% são desistentes. O problema mais crítico da escola, a desafiar todos neste início de século, continua sendo o baixo índice de produtividade do ensino, refletido nos altos índices de repetência e abandono. São indicadores inquestionáveis da má qualidade do ensino que comprometem decisivamente o tempo de permanência da grande parte dos alunos na escola, sua continuidade no processo, interrompido pela existência e o abandono da escola, além de provocar o congestionamento do fluxo escolar e grande desperdício de recursos. A diversidade das regiões brasileiras é responsável por um quadro heterogêneo. Enquanto em certas regiões, como a Sudeste, quase a metade dos professores da 1ª a 4ª série já tem curso superior, em outras regiões carentes, como o Nordeste, muitos docentes não têm sequer o curso de nível médio e alguns nem mesmo o fundamental.


4.2 - Apresentando o Município Localizado na microrregião do Agreste, a 138 m acima do nível do mar com uma área de 277,5 km², Limoeiro se encontra situado nas terras da Bacia do Capibaribe a 72 km da Capital do Estado (Recife), servindo-se das rodovias PE 90 e BR 408, o que permite o fácil acesso de outras cidades da região. A comunidade rural compõe a maior parte do município, o que justifica a existência de 30 escolas da rede municipal. Enquanto que a zona urbana é composta apenas de 06 escolas municipais e 11 estaduais. De acordo com o CENSO – 2007, realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a população da cidade é formada por 57.000(cinqüenta e sete mil) habitantes, distribuídos nas zonas rural e urbana. Este texto tem por objetivo traçar uma reflexão pautada nos percentuais de evasão escolar nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de Limoeiro. A preocupação centra-se em demonstrar, através de dados estatísticos, os índices de evasão/abandono ocorridos nos anos de 2006 a 2007. De acordo com o Departamento de Estatística da Secretaria Municipal, a Educação de Limoeiro, em 2006, apresentava um quadro de evasão escolar de 48% na Rede Urbana e na Zona Rural de 46%. Em 2007 percebe-se uma leve mudança na diminuição das taxas de evasão na Zona Urbana de 30% e na Zona Rural de 37%. Não esquecendo de elencar as dificuldades dos alunos do campo para chegar à escola: distância da escola, estradas de difícil acesso, o cansaço do trabalho na agricultura e a desmotivação de assistir aulas que não favorecem seu ingresso no mercado de trabalho, motivo maior do retorno à escola. Como experiência deste estudo de caso analisamos os dados de duas escolas: Escola Marechal Castelo Branco da Rede Municipal de Ensino no município de Limoeiro Pernambuco localizada na Zona Rural (campo) atende alunos trabalhadores, na maioria agricultores provenientes de camada social de baixa renda e a Escola Municipal João Heráclio Duarte situada na Zona Urbana, atende alunos trabalhadores e na maioria desempregados. São alunos que sobrevivem de Moto Táxi, domésticas assalariadas e donas de casa, com um contexto em comum, todos provém de uma camada social de baixa renda.


Cabe aqui esclarecer, que para os objetivos desse texto, não estaremos apresentando todos os dados da pesquisa em si, mas uma pequena amostra dos dados, que se dão ao conhecimento sobre os desafios da evasão/abandono. Esses desafios são tratados, de forma teórico-metodológica, a partir de tópicos interligados, na seqüência, sobre os quais atribuímos o nome de Situação. Adotamos a estrutura do texto a partir de uma temática geral seguida, de quatro situações, em análise, para efeito de organização e discussão das mesmas, conforme trataremos a seguir. Situação: 1 – Escola Municipal Castelo Branco localizada na zona rural Conforme dados durante o ano de 2006, ocorreu um índice de 50% de evasão/abandono. Situação: 2- Escola Municipal Castelo Branco localizada na zona rural No ano de 2007 o índice é 61% de evasão/abandono. Situação: 3- Escola Municipal João Heráclio Duarte localizada na zona urbana Analisando os dados dessa escola durante o ano de 2006 o percentual é 48% de evasão. Situação: 4- Escola Municipal João Heráclio Duarte localizada na zona urbana Entretanto no ano de 2007 esse índice alcança 62% de evasão. Esses resultados revelam, portanto, que a Educação de Jovens e Adultos apresenta um alto índice de evasão. Assim é relevante que se busquem estratégias através de uma educação empreendedora que favoreça o acesso e condições de permanência na escola. Segundo Ferreiro (1992, 48-49), “o ponto mais delicado de qualquer processo de mudança qualitativa é a capacitação de professores”. As experiências demonstram, no entanto que “os processos de capacitação mais rápidos, profundos e bem sucedidos parecem ser aqueles em que se acompanha o professor em serviço”.


Esse texto é uma reflexão que pode ser de grande valia na compreensão como a educação empreendedora pode contribuir para a construção de cidadãos, homens e mulheres no acesso ao saber compatível com os novos tempos.

Considerações Finais Tudo isso nos leva a pensar que ao submeter um olhar ao ensino na Educação de Jovens e Adultos sentimos as necessidades de uma formação pedagógica que supere as fragilidades existentes. É necessário buscar estratégias de mudanças que possam intervir na forma como está estruturada a escola em seus aspectos pedagógicos. Para transformar a ação e a formação do professor, não bastam reformas impostas, há necessidade de se pensar em reformas compostas, portanto, compartilhadas pelo coletivo da escola, pois como destaca Gadotti (2001, p. 99), “além de ser uma construção individual o conhecimento também é uma construção coletiva” e a aprendizagem se dá a partir da troca de pontos de vista, da necessidade de compreender e ser compreendido pelos demais seres humanos. Cabe, portanto à escola, diante dessa nova abordagem, propiciar um espaço para que os professores possam discutir as informações, trocarem experiências e fazerem reflexões sobre sua prática docente, proporcionando, assim, uma educação de qualidade, em meio a ação/reflexão. O exemplo é a criação do Projeto Político-Pedagógico, cuja elaboração parte da própria comunidade, em uma reconstrução de saberes e em um processo de construção gradativa dos educadores que fazem a partir do contexto vivido e do que desejam alcançar a partir de propostas de ação palpáveis a toda a comunidade educativa. Ao concluirmos nossa reflexão, comungamos com Brandão (2002, p. 76) quando ressalta que “a educação deve ser pensada e deve ser praticada como um cenário multifocal de experiências culturais de trocas de vivências destinadas à criação entre nós de saberes e à partilha da experiência do exercício inacabável de aprender”. Referências Bibliográficas


Barreto, Vera. (1998). Paulo Freire para educadores. São Paulo: Editora Arte Ciência. Brandão, Carlos Rodrigues. (2002). A Educação Popular na Escola Cidadã. Petrópolis: Vozes. Cagliari, Luiz Carlos. (1998). Alfabetizando sem bá-be-bi-bó-bu. São Paulo: Scipione. Cunha, L. (1992). Educação, estado e democracia no Brasil. São Paulo: Cortez. Dolabela, Fernando. (2003). Pedagogia Empreendedora. São Paulo: Editora Cultura. Freire, P. (1970). Pedagogia do Oprimido. Porto Alegre: Artes Médicas. Freire, P. (1971). Papel da educação na humanização. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Freire, P. (1976). Educação e Mudança. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Freire, P. (1987). Medo e ousadia: o cotidiano do professor. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Freire, P. (1998). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Ed. Paz e Terra. Mazzeu, F. (1998). Uma proposta metodológica para a formação continuada de professores na perspectiva histórico-social. Cadernos CEDES, 44, 59-72.

NOTA SOBRE AS AUTORAS Lindalva de Freitas Silva Atuais funções: •

Professora de Literatura Portuguesa na Faculdade Luso Brasileira (FALUB)

Professora de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Escola Professora Jandira

de Andrade Lima •

Coordenadora Pedagógica na Secretaria Municipal de Educação do Limoeiro/PE

Coordenadora Pedagógica na Escola São José Formação:

Graduada em Letras, Especialista em Capacitação Pedagógica de Professores


Mestranda em Educação pela UNISLA-Portugal. Contato:

E-mail: proflfreitas@yahoo.com.br

Fones: 81-99857056 81-3628-9715 / 3628-1180 Marluce Silva do Nascimento Atuais funções:

Consultora Pedagógica da Editora Moderna

Professora de Português Instrumental e Gestão Contemporânea em Marketing da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA). Formação:

Graduação em Letras pela UFPE, Especialização em Avaliação na UFRPE,

Mestranda em Educação pela UNISLA-Portugal. Contato:

E-mail: marlucesnascimento@hotmail.com

Fone: 81-97198507

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