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É Possível Educar Para Um Outro Mundo: Relato De Um Caso de Sucesso It’s Possible to Educate For Another World: Tell Of a Success Case. Lucimar Almeida Dantas FIP, Brasil. ULHT, Portugal.

Resumo Este artigo relata a construção e realização de um projeto de leitura no ano de 2007 em uma escola da zona rural, no sertão nordestino. O projeto teve por base a cultura popular, especificamente a poesia para incentivar a leitura. Participaram todos os alunos, desde o ensino infantil ao médio, demonstrando muito empenho. Toda a comunidade foi envolvida no trabalho, destacando poetas da região. As apresentações foram todas feitas em verso. Observou-se grande interesse dos alunos, da equipe escolar e da comunidade por tratar de assuntos da sua realidade.

Palavras-chave: leitura; cultura; aprendizagem significativa. Abstract This article reports the construction and accomplishment of a reading project in the year of 2007 in a school of a rural area, in the Northeastern interior. The project had basically the popular culture, specifically the poetry to motivate the reading. All students from the nursery to the basic education demonstrated a great engagement. The whole community was involved in the work, especially poets of the region. The presentations were all done in verse. The students, the school team and the community showed great interest because it dealt with subjects of their reality.

Key words: reading; culture; significant learning. Introdução


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Inspirei-me em Moacir Gadotti para escrever este artigo. Em palestra proferida na Conferência Internacional 2008, em João Pessoa-PB, o mesmo nos falava sobre a necessidade de educar para um outro mundo possível, instigando-nos a lutar para a construção desse outro mundo. Vivemos um momento fortemente marcado pela incerteza, face ao crescente número de fracassos em nossas escolas, fruto de um modelo que, em tempos globalizados, mostra seus mais fortes sinais de declínio. Porém, podemos vislumbrar neste momento um outro que pode estar surgindo, focado no indivíduo, nas suas potencialidades, na valorização da sua cultura como base para a descoberta do saber culto. Não é recente, entretanto, esta idéia de valorização do indivíduo, do humano. A História da humanidade – em todos os campos do saber - é alternada entre períodos racionais, em que se valorizam a ciência positiva, o concreto e a razão e períodos que enfatizam a emoção, o conhecimento sensível e pessoal. Também não é pós-moderna a idéia de partir do conhecimento sensível para o conhecimento simbólico. Segundo Cabral e Oliveira (1972), no século XIX, o filósofo e psicólogo Herbart defendia a tese de que as idéias são dinâmicas, possuem energia própria, à medida que se atraem ou repelem. Para que uma idéia seja atraída por outra, há necessidade do que o autor chamou “massa aperceptiva”, ou seja, adaptação ao que já se sabe; o que uma pessoa aprende depende em grande parte do que já sabe. Também o psicólogo Ausubel (1963), citado por Sousa (2003) enfatiza a utilização de organizadores prévios para uma aprendizagem significativa. Estes ativadores são constituídos por conteúdos familiares ao aluno, cuja função é integrar a nova informação, abstratamente mais elevada, ao seu conhecimento para que esta tenha sentido. Conforme o autor, as aprendizagens escolares são adquiridas, geralmente, por recepção, ao passo que os problemas do dia-a-dia requerem soluções de descoberta. Na Sociologia, encontramos em Paulo Freire um dos maiores expoentes da hominização do educando e da valorização do seu saber, consubstanciados no Método Paulo Freire. A proposta de educação defendida por Freire deve estar baseada na realidade, adequada ao desenvolvimento nacional e à democracia liberal. A educação é um instrumento democrático, emergente da própria comunidade, através da comunicação de consciências que propicia a participação dos indivíduos num clima de democracia comunitária (Scocuglia, 2006).


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Para Freire (1984), a ação cultural para a libertação é um ato de conhecimento em que os educandos assumem o papel de sujeitos cognoscentes em diálogo com o educador, sujeito cognoscente também. A ação cultural para a libertação assume caracteres “utópicos e esperançosos” por um lado e de denúncia-anúncio por outro. Neste cenário de mudança de paradigmas vimos surgir exemplos de boas práticas, de profissionais que não se deixam levar por pensamentos fatalistas, combatentes da teoria única, anunciadores da libertação através da educação significativa. Este artigo relata uma – entre muitas - dessas boas práticas. Mostra como foi realizado um projeto de leitura, na Escola Municipal de Ensino Fundamental “Otacílio Tomé”, situada na zona rural do município de Paulista-PB, onde leciono a disciplina Língua Portuguesa. É importante ressaltar que na construção deste projeto nós (professores) não tínhamos conhecimento das teorias e idéias acima relatadas nem do momento de transição paradigmática. A necessidade surgiu da prática, do dia-a-dia e só agora encontrou enquadramento teórico. Parafraseando Freire, não partimos da teoria para a prática, mas da prática para a teoria. Seguindo os preceitos freirianos e para que o leitor compreenda o sentido do projeto, relatá-lo-ei partindo da cultura da comunidade em que está inserida a escola, para em seguida referir-me aos alunos, aos professores e à escola. Só então, descreverei como o projeto foi realizado. A comunidade A escola está localizada na zona rural, no sítio André, a 12 km da cidade de Paulista. A visão deste sítio no município era de violência, prostituição, depredação do prédio escolar, roubo da merenda e equipamentos, entretanto, no ano da realização deste projeto tal quadro já não mais era real e nem foi este o nosso ponto de partida. Esta comunidade, assim como todo o município é fortemente marcado pela presença da poesia, sobretudo da poesia popular. Foi aqui que nasceram grandes nomes da cultura popular nordestina como Leandro Gomes de Barros, internacionalmente conhecido e outros tantos regionalmente conhecidos, caracterizando o município de Paulista como a “terra da poesia”. Em vários sítios há poetas populares, alguns com


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livros publicados, pessoas do povo que cantam em forma de verso as belezas do sertão e as suas experiências de vida. Na década de 90 aconteciam anualmente grandes congressos de violeiros, reunindo poetas repentistas de toda a região para disputarem em versos quem seria o melhor. As cantorias – reunião de pessoas em volta de violeiros para ouvi-los cantar improvisado sobre os temas sugeridos pelos presentes – ainda são freqüentes em alguns sítios. Os alunos No ano de 2007, ano em que foi realizado o projeto, havia 210 alunos matriculados e freqüentando a escola (Secretaria Municipal de Educação): crianças, adolescentes, jovens e adultos residentes no sítio André e sítios vizinhos. Grande parte desses alunos exerce atividades profissionais para ajudar no sustento da casa: os meninos ajudam os pais na agricultura e no cuidado do gado e as meninas trabalham no acabamento de redes de dormir. São alunos que não apresentam casos de indisciplina nem de repetência, na sua grande maioria. Durante o ano de 2006, apenas três cadeiras foram quebradas na escola; o índice de aprovação foi 82% e o de evasão 35% (idem). Em projetos anteriores realizados na escola, os mesmos participaram ativamente de todas as atividades propostas. Também no ano de 2006, fizemos um questionário para conhecer melhor estes alunos, suas rotinas diárias, familiares, aspirações e expectativas em relação à escola. Através deste questionário tomamos conhecimento de muitos problemas nas famílias, como separação dos pais, alcoolismo, brigas constantes e sentimento de rejeição pelos pais. Também confirmamos que os alunos aprovavam os projetos realizados na escola. A equipe escolar Compunham a equipe escolar doze professores, a diretora, duas secretárias, dois vigilantes, quatro auxiliares de serviço e duas supervisoras que atendiam várias escolas do município. Dos professores, nove já haviam concluído o curso superior e três estavam cursando. A equipe reunia-se semanalmente para discutir sobre problemas e soluções para melhorar a aprendizagem dos alunos e o funcionamento da escola. Nestas reuniões, assim como no dia-a-dia de trabalho, o clima sempre foi de amizade,


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companheirismo, descontração e principalmente compromisso com uma educação de melhor qualidade. As decisões eram tomadas em conjunto e a opinião de todos ouvida. Foi numa dessas reuniões que surgiu a idéia do projeto de leitura, pois era uma preocupação unânime da equipe o fato dos alunos não demonstrarem muito interesse pela leitura. A escola A descrição que se segue será apenas de aspectos físicos e materiais da escola, visto que a verdadeira alma da mesma está subentendida no exposto acima. A Escola Otacílio Tomé foi fundada em 1976 (idem). Em 2006 foi reformada e ampliada, comportando seis salas de aula, diretoria, sala dos professores, biblioteca, banheiros, auditório, cozinha e almoxarifado. Trata-se de uma escola municipal, mantida pela Secretaria de Educação, porém tem seu próprio plano de trabalho, através do Projeto político Pedagógico. A mesma é contemplada com os seguintes programas do governo federal: PDDE (Programa Pedagógico de Desenvolvimento da Escola), PME (Programa de Melhoria da Escola) e do programa Biblioteca na Escola. Em 2005 foi escolhida pelo Ministério da Educação para enviar um aluno a Brasília pelo bom desempenho na participação da I Conferência Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente. A escola oferece fardamento, material escolar, livros e merenda aos alunos. Dispõe de um aparelho portátil de som, uma TV e um aparelho de DVD. O projeto Conforme mencionei anteriormente, o projeto foi idealizado pela equipe escolar em uma de suas reuniões semanais. Tendo em vista a falta do hábito de ler e a demonstração de leitura como obrigação constatados através da observação diária de nós professores, procuramos então encontrar um meio que os motivasse a ler por prazer e não por obrigação. Foi então que surgiu a idéia de trabalhar a partir da poesia como facilitadora da leitura prazerosa e favorável a liberação da imaginação. Daí partimos para a poesia popular, em virtude de ser este um traço cultural muito presente em nosso município. O projeto recebeu como título Leitura: o prazer da descoberta e teve como


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objetivo geral incentivar os alunos a descobrir o prazer da leitura através de textos poéticos. As atividades foram divididas por série (ano escolar) e professor(es) ficando cada turma com um sub-tema derivado do tema central.Todas as turmas – do ensino infantil ao médio participaram das atividades as quais foram assim distribuídas: Ensino infantil – poesias sobre os bichos; Ensino Fundamental: 1º e 2º anos – poesias diversas; 3° e 4°anos – literatura de cordel; 5° ano – dramatização em versos; 6° ano – poemas sobre o mar; 7°, 8°, 9° e 1° ano do Ensino Médio – poetas do nosso município. Os alunos de cada série (ano escolar) trabalhavam seu tema auxiliados pelo professor responsável e por toda a equipe dois dias por semana, durante oito semanas. O Ensino Infantil e as séries (anos) iniciais do Ensino Fundamental liam poesias, faziam declamações, ensaiavam dramatizações e preparavam material para ser exposto no dia da culminância do projeto. As séries (anos) finais – exceto o 6° ano - e o 1° ano do Ensino Médio pesquisavam sobre a vida dos poetas do município, visitavam suas casas, entrevistavam-nos e aos parentes, liam seus poemas e discutiam-nos. Todo este trabalho foi filmado, produzindo assim uma reportagem ampla sobre os referidos poetas a qual foi apresentada na culminância do projeto. Todas as despesas foram custeadas pela Secretaria Municipal de Educação. O 6° ano trabalhou poemas que tinham como tema o mar. Este tema foi escolhido para despertar-lhes a imaginação, pois nenhum dos alunos dessa turma conhecia o mar. Depois de ler vários poemas, os alunos produziram outros, expressando suas idealizações do mar. Produziram também um livrão com uma coletânea dos melhores poemas sobre o mar escolhidos por eles. Todo este material foi exposto em uma sala caracterizada de fundo do mar e apresentado aos visitantes. Vale ressaltar o empenho demonstrado pelos alunos durante todo o projeto, não medindo esforços para que suas apresentações ficassem perfeitas. À medida que as atividades eram desenvolvidas na escola, toda a equipe escolar, racionalmente apaixonada pelo desenvolvimento do projeto, reunia-se, trocava opiniões, acrescentava novas atividades e convidava todos os segmentos da sociedade – dos pais dos alunos ao prefeito municipal - para o dia da culminância. Todo o material produzido para o dia das apresentações foi confeccionado com objetos característicos da


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cultura popular: os convites tinham como gravura uma viola; e o texto apresentava-se em verso; confeccionamos também uma lembrancinha do evento que constava de uma pequena rapadura (doce típico do sertão) com um cartão de agradecimento, cujo texto também escrito em verso; toda a ornamentação da escola veio das casas dos alunos: colheres de pau, lamparinas, barris de carregar água, pilão, etc. – objetos típicos do sertão nordestino. Encerradas as atividades preparatórias, chega então o tão esperado dia da culminância. A escola estava tipicamente ornamentada, desde os objetos até as músicas que tocavam antes de iniciarem-se as apresentações. Foram expostos três acervos: um sobre literatura de cordel, um segundo com objetos representativos dos poetas homenageados e o terceiro caracterizado de fundo do mar. Em todos, os alunos explicavam aos visitantes o significado dos objetos, falavam sobre os poetas e recitavam os poemas criados pelos próprios alunos. A comunidade compareceu em grande número; notava-se um certo ar de orgulho dos pais ao verem seus filhos apresentando trabalhos, recitando poemas e encenando peças; e também ao identificarem os objetos de suas casas que serviam como decoração da festa. Compareceram muitos representantes do poder público municipal, escolas do município, diretoras e coordenadoras de outras escolas, nossos familiares, amigos e os poetas homenageados, superlotando assim o auditório que não dispunha de cadeiras suficientes para todos. A dedicação dos alunos também foi percebida neste momento, pois os mesmos levantavam-se espontaneamente, cedendo seus lugares para os visitantes. Toda a recepção, acolhida, composição da mesa, anúncio das apresentações e tudo o mais falado durante as apresentações, do bom dia ao muito obrigado foi em verso (apêndice), o que encantava os presentes que vibravam com cada nova performance dos alunos. Considerações Finais Neste artigo relatei a idealização, construção e realização de um projeto de leitura na Escola Municipal “Otacílio Tomé”, no município de Paulista-PB, interior do sertão. O mesmo teve por base a cultura local – poesia popular - para despertar nos alunos o


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interesse e o prazer pela leitura. Os resultados do projeto foram muito positivos: empenho total dos alunos e equipe escolar, participação ativa da comunidade, valorização da cultura local com homenagem aos poetas da região e constatação de maior interesse pela leitura através da poesia. Não é minha pretensão acreditar que este projeto mudou o mundo dos alunos referidos, foi apenas uma pequena experiência que deu muitos resultados positivos, comprovando as teorias que só agora serviram de base para o mesmo. Este fato mostra que tais teorias são verdadeiras e dão resultados porque se baseiam em valores humanos atemporais e universais. Como mencionei na introdução, nós professores, na época da realização do projeto, não conhecíamos as teorias embasadoras deste artigo, mas sentimos as necessidades dos alunos e achamos que se abordássemos um tema da sua realidade os mesmos iriam se interessar, pois seria um assunto prático, concreto, do mundo deles. A afirmação que serve de título para este artigo, seguido do relato do projeto talvez pareça muito utópica, mas é uma utopia baseada na luta por uma educação de qualidade, na aprendizagem significativa que promove a cidadania através da valorização do saber do povo. Como não podemos realizar grandes atos para mudar o mundo, concentremos as nossas melhores forças nos pequenos, possibilitando aos nossos alunos reconhecerem-se como cidadãos, membros de uma comunidade e capazes de unir seus saberes ao saber culto para assim dar sentido à aprendizagem.

Referências Bibliográficas

Cabral, A; Oliveira, E. P. (1972). Uma Breve História da Psicologia. Rio de Janeiro: Zahar Editores. Freire, P. (1984). Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Gadoti, M. (2008). Educar para um outro mundo possível. Conferência Internacional Educação, Globalização e Cidadania. Novas Perspectivas da Sociologia da Educação. João Pessoa. Socuglia, A.C. (2006). A História das Idéias de Paulo Freire e a Atual Crise de Paradigmas. João Pessoa: Editora Universitária. 5 ed. Sousa, O.C. (2003). In Ensinar e Aprender no Ensino Superior. Por uma epistemologia da curiosidade na formação universitária. São Paulo: Mackenzie; Cortez.


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Nota sobre a Autora: ¹. Lucimar Almeida Dantas é aluna do curso de pós-graduação das Faculdades Integradas de Patos – FIP com acesso ao Mestrado em Ciências da Educação pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – ULHT. Inscrição na FCT J51341897CDZ.

Membro

de

equipe

de

pesquisadores

da

lucimaralmeidad@yahoo.com.br

Apêndice Bom dia a todos presentes Agora vai começar Uma festa dedicada À cultura popular A leitura e a poesia Vamos juntos celebrar. Pra receber as visitas E a festa começar Convido com muita honra A chefe deste lugar A diretora Nadeide Por favor, queira entrar. Também são prata da casa Nossas duas supervisoras Denise e Valdeneide Muito ajudam as professoras E hoje aqui nos alegram Como irmãs acolhedoras. Chamamos com muita honra A chefe da educação Roberta Almeida Medeiros Que nos segurou a mão Dando total cobertura A esta ocasião. E pra completar a mesa Do poema e do repente Convidamos com alegria Que se vê e que se sente Sabiniano Fernandes Que saúda sua gente.

Neste dia homenageamos Os poetas do lugar Geraldo, Júnior e José Por favor, queiram entrar Recebam nossos aplausos Vocês vêm nos alegrar. Sejam bem-vindas, colegas Senhoras supervisoras Por favor, queiram entram Junto com as diretoras Que deixaram suas escolas E lá nelas são doutoras. Convidamos pra estar Neste dia com a gente Todos os vereadores Que estiverem presentes Vocês são representantes Que sabem o que o povo sente. Recebemos com orgulho Uma pessoa exemplar Erothides Laurentino Que vem nos prestigiar É fiel representante Da cultura popular. Chamamos Pedro de Joca Para aqui vir se sentar Senhor Derosse e esposa Queiram lhe acompanhar E seu Raimundo de Joda Que é o pai de Lucimar.

ULHT.


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Saudemos neste momento Que grande prazer nos dá! Nossos queridos alunos A alma deste lugar Juntamente com seus pais Que hoje vêm nos visitar. Quero pedir-lhes, senhores Num minuto de atenção Um aplauso aos professores E aos que fazem educação E para homenageá-los Não poupemos nossas mãos. Convido a este palco Pra explicar o projeto Senhorita diretora A qual vem com muito afeto Nos falar deste trabalho Que hoje chega ao seu teto. (falas da diretora) Bom dia a todos, senhores Bem-vindos a este evento É com enorme alegria Que agora lhes apresento O porquê deste trabalho Do qual a leitura é centro. Meus senhores, o motivo Pelo qual aqui estamos É devido a um projeto Que nós idealizamos Valorizando a leitura O que mais necessitamos. Acreditamos, senhores Que o saber é coisa séria Ele livra o indivíduo Da desgraça, da miséria E penetra em nosso ser Como o sangue na artéria. Pra incentivar a leitura Começamos a pensar Numa maneira que houvesse Para nos auxiliar E chegamos à poesia Da cultura popular. O poeta é um ser Que entende o que o povo sente

Onde vemos uma flor Ele vê uma semente É abençoado por Deus E o porta-voz da gente. (volta a apresentadora) Por isso a poesia Deve ser incentivada Mesmo na mais tenra idade Já deve ser recitada Girlene venha ao palco Com a sua criançada. O Ensino Infantil Vai agora desfilar A poesia dos bichos Tema espetacular E nós, com muita atenção Vamos vê-los encenar. Veremos com atenção Uns garotinhos faceiros Que hoje estão estudando Este é seu ano primeiro E irão apresentar Para nós dois violeiros. Apresentamos a todos Neste momento ideal Alunos do segundo ano Que com esforço total Nos falam de poesia Sob a forma de jogral. Vamos, senhores, agora Assistir com atenção Uma incrível história Como dramatização De um bode que pegou AIDS No interior do sertão. Faremos neste momento Uma singela homenagem Aos poetas de Paulista Homens de fé e coragem Que respiram poesia Por entre nossas pastagens. Assistiremos agora Atentos como criança A um curto documentário De Belarmino de França Do qual a sabedoria


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Recebemos por herança. Convidamos a este palco Pra fazer sua homenagem Ao poeta Belarmino E mandar sua mensagem O primeiro ano médio Que mostra sua coragem. Apresentamos agora Um homem bem respeitado Poeta Geraldo Alves Que é cantador afamado Conheceremos um pouco Do seu chão doce e sagrado. Nossos alunos recitam Do poeta aqui presente O poema Casa de Taipa E relembramos na mente Saudades do que já fomos Em um passado recente. Assistiremos com orgulho Aqui na nossa festança A uma curta entrevista Com o colega Zé de França Poeta e professor Que da profissão não cansa. E agora, meus senhores Convidamos de antemão Nossos queridos alunos Que irão, com precisão Recitar poucas estrofes “Quando chove em meu sertão.” Neste momento, amigos Veremos a fazer glosa Um poeta repentista O senhor Júnior Barbosa Que junto a sua família De muita alegria goza. Como o poeta Júnior Admira, e com razão, O poeta Zé de Jó Convidaremos então Alunos a declamar “Amanhecer no sertão.” E pra prestar homenagem

Ao poeta em destaque Convidamos com orgulho O aluno Luzimarque Que recita uma poesia Em honra ao grande craque. Era isto o que tínhamos Para lhes apresentar Sua presença aqui Só veio nos orgulhar Um abraço apertado É o que queremos lhe dar. Temos nós a grande sorte De viver neste lugar Paulista, terra bendita Maior cultura não há É o berço da poesia Nossa arte popular. Para dar sua palavra Convidamos pra falar A chefe, a dona da casa Diretora do lugar A senhorita Nadeide Faz questão de ressaltar. O espaço está aberto Para quem o desejar Fazer uso da palavra Queira se aproximar É com muita alegria Que o ouviremos falar. Senhoras, senhores, aceitem Nossa imensa gratidão Saibam que nós por vocês Temos admiração Vocês sempre vão estar Bem em nosso coração. Obrigado por ter vindo Prestigiar a cultura Ter alguém como você Para nós é honra pura Pois valoriza o saber E incentiva a leitura. Lucimar Almeida Dantas.


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É POSSÍVEL EDUCAR PARA UM OUTRO MUNDO: RELATO DE