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Histรณria do Serviรงo de Imagiologia Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho, EPE

Teresa Baptista Fevereiro de 2010


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INTRODUÇÃO

Pediu-me o Técnico Coordenador para tentar rascunhar a história do Serviço de Radiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Trabalho nunca feito, apresentou-se-me como uma ideia muito interessante para dar a conhecer a todos que cá passaram ou irão um dia passar como profissionais, mas também para os “curiosos” que gostam de saber como tudo teve início; ao mesmo tempo é aliciante relembrar todas as pessoas com quem se conviveu ao longo dos anos. Dado ter tomado posse em Outubro de 1982, como elemento efectivo do quadro do C.H.V.N.Gaia, havia uma parte que me era completamente desconhecida, até porque integrei a equipe da Unidade 2 e a Radiologia teve o seu início na Unidade 1, muito tempo antes. Pedi apoio a uma Técnica aposentada, D Aurora Guedes que prontamente acedeu ao meu pedido e publicamente lhe deixo o meu sentido agradecimento pelo carinho e conhecimento que transmite no trabalho que realizou e que será a primeira parte de história. Fiquei então a saber tinha sido a primeira Técnica de Radiologia deste Hospital e que durante alguns anos exerceu funções sem qualquer Médico Radiologista. Quanto à abertura do Serviço de Urgência, que será a parte seguinte da história, socorri-me de informações de do Técnico Artur Cruz e será a parte 2 da história do serviço. A fase seguinte, que denominei de parte 3 será decorrente da minha experiência após Outubro de 1982.

Teresa Baptista Fevereiro de 2010


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PARTE I RECORDAR É VIVER Ao ser convidada a testemunhar sobre os inícios do serviço de Radiologia do Sanatório D. Manuel II, aceitei sem hesitações e fi-lo com muita honra, por ter bem vivos na memória múltiplos acontecimentos e factos que, ao longo destas notas passo a descrever. É um trabalho simples e despretensioso, mas é-me grato referir os casos mais relevantes que marcaram os inícios e a continuação de um serviço de Radiodiagnóstico, tão indispensável como elementar num estabelecimento hospitalar, como era o Sanatório D. Manuel II. À distância de sessenta e um anos, numa época de grande austeridade, é digno de reflexão verificar, nos tempos de hoje, como se venceram tantas e tão árduas dificuldades que continuamente se nos deparavam! Só à custa de muito trabalho, dedicação e zelo e, principalmente, de muito amor pelo serviço e pelo doente, é que se ultrapassavam os obstáculos. Orientei o serviço, como técnica, desde 1948 a 1987, data da minha aposentação. Neste espaço de tempo, a par de muitas e inevitáveis contrariedades, foram muitas também as alegrias e compensações, sobretudo pela boa colaboração de todos os colegas que por lá foram passando, e que muito contribuíram para a valorização, eficiência e dignidade do Serviço. Muito se ficou a dever também ao Dr. Reis Carneiro, exemplo de trabalho e de competência, que todos testemunhamos no contacto diário com este vulto da medicina. Só um trabalho em equipa, um dar as mãos pode resultar eficiente e capaz, para confirmar o ditado: “A união faz a força”. Mas para além desta confirmação, afirmo convictamente: A união constrói! Aurora Guedes de Oliveira Novembro de 2009


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O SERVIÇO DE RADIOLOGIA DO SANATÓRIO D. MANUEL II À ACTUALIDADE O Sanatório de D. Manuel II, inaugurado em Setembro de 1947, era um dos estabelecimentos destinados ao tratamento da tuberculose pulmonar, dependentes do INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA NACIONAL AOS TUBERCULOSOS (IANT). A inauguração deu-se apenas com o Pavilhão Central, o único construído e pronto a funcionar. Nessa data, havia mais dois Pavilhões em construção – o Masculino e o Feminino/Infantil – que seriam inaugurados a 11 de Junho de 1949.

Recorte do “Jornal de Notícias” do dia 12 de Junho de 1949


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A abertura do Pavilhão Central deu-se com a entrada de 30 doentes, enviados pelo IANT, que foram recebidos pelo Director, Dr. Mário Augusto Gomes Cardoso, vindo do Sanatório Sousa Martins, da Guarda, e por algumas enfermeiras e pessoal de apoio, cozinha e auxiliar, necessário para a assistência possível e regular aos doentes. Na época ainda não havia o serviço de Radiologia. Apenas existiam dois aparelhos de Dr. Mário Augusto Gomes Cardoso radioscopia: um junto do gabinete do director; outro na sala que estava destinada à instalação dos raios X, mas que seria mudado para um compartimento junto do gabinete do sub-director, Dr. José Valente Pereira Cabral. Estes fluoroscópios eram muito usados pelos médicos, principalmente para controlo, antes e depois do pneumotórax, terapêutica muito usada nesse tempo para certas lesões pulmonares. Para a obtenção de radiografias, os pacientes deslocavam-se ao serviço de Radiologia do Sanatório Rodrigues Semide – Porto, conforme acordo entre ambas as instituições. Entretanto, foi adjudicada ao Instituto Pasteur – Departamento de Electromedicina – após concurso público, uma aparelhagem de Raios X, de marca “PICKER”, a qual foi instalada numa sala do 1º andar do Pavilhão Central (ala centro voltada ao sul), onde permaneceria até 1964.

Mesa de comando e Ampola de Raios X “PICKER”


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A aparelhagem era composta pelos seguintes elementos:  Mesa de comando, vertical, de 500 Ma;  Mesa de exames basculante, munida de écran radioscópico e seriógrafo, com grelha anti-difusora Potter-Bucky;  Ampola de raios X, com dupla função: mesa de exames e telerradiografias;  Constava também de um tomógrafo constituído por mesa horizontal fixa, composta de grelha móvel Potter-Bucky;  E uma ampola montada numa coluna que era movida manualmente pelo técnico para cada plano tomográfico. Atente-se no enorme risco das radiações secundárias que sofria o operador, mesmo protegido por avental anti – X, ao fim de cinco ou mais planos tomográficos! Só no princípio da década de 60, o serviço pôde dispor de um biombo de protecção, mas que se tornava ineficaz na realização das tomografias. O Departamento de Radiologia compreendia os seguintes espaços:  Sala de exames onde se encontrava toda a aparelhagem já descrita;  Câmara escura convencional;  Sala de interpretação de exames, servindo também de gabinete médico e de Secretaria do sector;  Espaço reservado aos vestiários dos doentes. Concluída a instalação da aparelhagem, o serviço de Radiologia foi inaugurado em fins de Julho de 1948, pelo Director do IANT, Dr. Albano Castelo Branco e pelo Delegado do IANT da zona Norte, Dr. José Casimiro Carteado Mena, acompanhados pelo Director do Sanatório D. Manuel II, Dr. Mário Cardoso e pelo Sub-Director, Dr. José Cabral. Presente nesta inauguração, a funcionária Aurora Guedes de Oliveira, como técnica do serviço inaugurado, com a categoria inicial de preparadora de Raios X. Na época, ainda não havia categorias estabelecidas para a carreira profissional. O Dr. Carteado Mena, prestigiado radiologista, foi um dos pioneiros da especialidade em Portugal. Médico e oficial do exército, demonstrava grande profissionalismo e dedicação pelos doentes. Foi vítima dos efeitos nocivos dos raios X, vindo a sofrer algumas amputações. Foi um dos médicos atingidos pelos riscos que as radiações provocam, assim como alguns técnicos.


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Por essa razão foi reconhecido, com toda a justiça, pelo Governo de então, que lhe conferiu o grau de Cavaleiro da Ordem da Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito. Era casado com a célebre violoncelista portuense, Guilhermina Suggia. Faleceu em 1949. Sucedeu-lhe no cargo de Delegado do IANT, da zona Norte, o Dr. Mário Cardoso, acumulando com o cargo de director do Sanatório D. Manuel II, até à sua aposentação, em 1965. Durante os anos de 1948, 1949, 1950 e 1951, o serviço de Radiologia esteve exclusivamente, a cargo da técnica Aurora Guedes de Oliveira. Foram anos de trabalho intenso e desgastante. Com a inauguração dos dois pavilhões laterais, em 1949, e com a entrada contínua de doentes e o quadro clínico a aumentar, o trabalho no sector tornou-se uma tarefa demasiado pesada para uma pessoa. Decidiu então a direcção aumentar o quadro de pessoal, com a admissão de mais uma técnica, Maria dos Anjos Pereira, em 1952. Embora já houvesse conhecimento dos efeitos maléficos dos raios X, a verdade é que não havia os necessários cuidados durante a realização dos exames. Os profissionais expunham-se a riscos que, silenciosamente, lhe afectavam a saúde. Assim, em Novembro de 1951, a técnica Aurora Guedes de Oliveira, pelo excesso de trabalho e, consequentemente, pelas radiações secundárias recebidas, adoeceu gravemente com uma assustadora anemia. Valeu-lhe a prescrição médica de pequenas transfusões de sangue, com o objectivo de estimular os órgãos hematopoiéticos à criação de glóbulos e estabelecer a normalização e equilíbrio do quadro hematológico. Só passados dois meses de tratamento e descanso, pôde retomar o serviço. Esta situação de doença verificou-se, mais tarde, noutros colegas, embora com menos gravidade. Numa estância sanatorial da dimensão do “D. Manuel II”, com 500 camas e três pavilhões a funcionar, sentia-se a falta de um médico radiologista. Chegouse a receber a visita do Dr. Vila Real, mas não se concretizou a sua vinda. Finalmente foi nomeado médico radiologista, do Sanatório, o Dr. José Gomes Reis Carneiro, que deu entrada nos serviços de Radiologia, em Setembro de 1953. Foi mais um dedicado especialista a acrescentar ao prestigiado quadro clínico. Com a sua vinda o serviço ganhou outra importância e dinamismo, tanto a nível de exames gerais, como a nível de exames específicos, sendo bastante


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procurado pelos médicos para se esclarecerem sobre dúvidas suscitadas na interpretação de exames. O trabalho aumentava cada vez mais. Era necessário responder aos múltiplos pedidos clínicos que chegavam de todos os pavilhões e, inclusivamente, dar o apoio devido às cirurgias torácica e cardiovascular. Para esta cirurgia, além dos exames normais, era preciso dar cobertura às angiografias (com contraste iodado) que se faziam em série por meio de um escamoteador montado nos Raios X, para esse efeito. Para estes trabalhos estabeleceu-se uma manhã semanal. Para além do serviço interno, havia também o serviço que se prestava aos doentes vindos dos Dispensários do IANT, da zona Norte, incluindo o Distrito do Porto e o Distrito de Aveiro. Estes Dispensários anti-tuberculosos solicitavam ao Sanatório os serviços de radiodiagnóstico e laboratoriais. Para este atendimento disponibilizaram-se duas manhãs semanais, que por vezes se prolongavam durante a tarde, dado o número excessivo de doentes. Foi um período de muita afluência e labor: chegavam a fazer-se 20 tomografias num só dia e as radiografias eram às dezenas, e por vezes atingiam a centena. Era um trabalho exaustivo e desgastante, para o pessoal técnico. Os próprios aparelhos acusavam também a sobrecarga de funcionamento. O serviço aos Dispensários iniciou-se ainda nas primitivas instalações de Radiologia, com a aparelhagem “PICKER”, continuando com maior intensidade, nas novas instalações, com a aparelhagem “SIEMENS”. O equipamento “PICKER”, pelo volume de trabalho, desgastou-se, tornandose obsoleto. Com frequentes avarias, necessitava de ser substituído. O mesmo aconteceu com as salas que se tornaram exíguas e asfixiantes, não correspondendo às necessidades do serviço, em constante crescimento. Eram necessárias outras instalações mais amplas e com outra aparelhagem mais moderna que respondesse às exigências dos radiodiagnósticos. Foram anos de espera, de sonho… Fez-se a aquisição da aparelhagem “SIEMENS”, mas como não estavam criadas as instalações apropriadas, os aparelhos aguardaram encaixotados, num armazém, até à sua montagem. Mas, como diz o poeta: “DEUS QUER, O HOMEM SONHA, A OBRA NASCE!” E… Finalmente nasceu! O director do Sanatório, Dr. Mário Cardoso, de acordo com a direcção do IANT, disponibilizou toda a ala poente do 1º andar do Pavilhão Central para as novas instalações da Radiologia, bem como para outras especialidades. Após a conclusão das obras de adaptação e ao seu apetrechamento, chegou o momento tão desejado por todos: a inauguração do BLOCO DR. MÁRIO


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CARDOSO, assim designado, por decisão dos médicos, em homenagem ao director. É um bloco espaçoso, atravessado por um longo corredor, servido por uma sala de espera, comum a todos os serviços ali instalados:  Broncologia;  Espirometria (Provas Funcionais Respiratórias);  Cardiologia;  Departamento de Radiologia. Ao lado da Cardiologia, situava-se um pequeno gabinete de Fisioterapia, que estava o cargo da Radiologia, e que constava dos seguintes aparelhos:  Ondas curtas; ultravioletas; infra-vermelhos. O novo Serviço de Radiologia compreendia oito salas todas amplas e arejadas:  Três destinadas exclusivamente à aparelhagem de raios X;  Uma sala de entrada onde estava situada a cabine de comando, provida de mesa de Comando horizontal, de 500 Ma, e, também, cinco vestiários;  Duas câmaras, uma escura e outra clara;  Um gabinete para o médico radiologista;  Uma sala destinada à secretaria do sector. Relativamente às salas de raios X, a primeira destinava-se aos exames gerais; a segunda aos digestivos, broncografias e exames especiais; a terceira destinava-se às tomografias.

A técnica Aurora Guedes de Oliveira na realização de uma tomografia


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Todas as salas estavam devidamente protegidas das radiações ionizantes, de acordo com as condições legais recomendadas. Iniciou-se a actividade em pleno, nestas novas instalações, a partir de Março de 1964. Tudo apelava a novo ânimo no exercício das funções. Já se podia, mais eficazmente, dar cumprimento às mais variadas solicitações clínicas, dadas as melhores condições de resposta. Continuou a dar-se o devido apoio radiológico aos Dispensários, cujos doentes chegavam em grande número, o mesmo acontecendo com o serviço interno, tanto mais que, em 1966, é inaugurado o Pavilhão Satélite com capacidade para 200 camas. O Sanatório D. Manuel II cedo havia grangeado prestígio entre os melhores. Era um estabelecimento de saúde de reconhecido valor, tanto pelo quadro de elite dos seus médicos - tendo à frente o distinto pneumotisiologista, Dr. Mário Cardoso, e no Centro de Cirurgia Torácica, o ilustre cirurgião, Prof. Dr. Eduardo Esteves Pinto, como pelas valências médicas e cirúrgicas, aliadas à qualidade dos serviços ali existentes. Consequentemente, pela excelência que lhe foi reconhecida, passou à categoria de CENTRO SANATORIAL D. MANUEL II. Entretanto, entra-se na década de 70, época de grandes mudanças na sociedade, em especial no período que se seguiu ao 25 de Abril de 1974. O ritmo de trabalho na Radiologia continuou como sempre, satisfazendo os pedidos de exames provenientes dos diversos serviços clínicos internos e, ao mesmo tempo, dos que provinham dos Dispensários. Em 1975 deu-se outra mudança: O Centro Sanatorial D. Manuel II passa a chamar-se, por decreto-lei, HOSPITAL DR. EDUARDO SANTOS SILVA. Em 1977, nova alteração hospitalar: pelo decreto-lei 20/77, de 16 de Março, é criado o CENTRO HOSPITALAR DE VILA NOVA DE GAIA, integrando o Hospital Santos Silva, como UNIDADE 1; o Hospital da Misericórdia de Gaia, como UNIDADE 2; o Sanatório Marítimo do Norte, como UNIDADE 3, vindo esta, mais tarde, a ficar inactiva. O Hospital ganha outra dimensão e, consequentemente, o serviço de Radiologia.


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HOSPITAL SANTOS SILVA - UNIDADE 1 DO CHVNG

Pavilhão Feminino / Infantil

Pavilhão Central

Pavilhão Masculino

Devido à nova política de saúde, na luta contra a tuberculose, os Dispensários do IANT vão deixando, paulatinamente, de recorrer ao Hospital, dispensando os serviços radiológicos, ou porque alguns foram dotados de serviço próprio de Raios X, ou porque passaram a recorrer ao Dispensário Móvel de Radiodiagnóstico (uma unidade móvel semelhante às viaturas de Radiorastreio). Por volta dos anos 80 o IANT é extinto e dá lugar ao SLAT – SERVIÇO DE LUTA ANTI-TUBERCULOSA. Na Unidade 1, da nova designação hospitalar, ficaram as seguintes especialidades: Pneumologia; Medicina Interna; Cirurgias, Geral, Torácica e Cardiovascular; Otorrinolaringologia; Urologia; Gastrenterologia; Broncologia; Anatomia Patológica; Laboratório de Análises Clínicas e Serviço de Radiologia, e outras. Abrem-se as portas à consulta externa para as diversas especialidades, o que dá um grande movimento ao Hospital. A Radiologia tem de enfrentar os novos desafios, com a mesma dedicação e competência que desde hà muitos anos lhe era reconhecida.


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A

Unidade

2,

fica com a Urgência, Ortopedia/Traumatologia; Ginecologia/Obstetrícia; Pediatria; Bloco Operatório; Radiologia; Análises e Consultas Externas. Entretanto nos anos 80, na Radiologia do “Santos Silva”, o trabalho não diminui, pelo contrário, aumenta em volume e diversidade. Face a esta situação os aparelhos começam a denunciar o cansaço com frequentes avarias, o que transtornou profundamente o ritmo habitual do trabalho, gerando-se uma situação de desequilíbrio na resposta às solicitações dos serviços por incapacidade do equipamento. Pensou-se urgentemente em novas instalações para um Serviço de Raios X condigno e à altura das necessidades actuais, numa época em que começavam a surgir novos aparelhos tecnicamente mais avançados. Mas a morosidade da resolução vai destruindo todas as esperanças de ver concretizada esta tão desejada aspiração. Perante esta realidade e a impossibilidade de ver rapidamente um serviço moderno, equipado com nova aparelhagem, com capacidade de resposta para as exigências actuais, a técnica principal, Aurora Guedes de Oliveira, decidiu pedir a aposentação a que tinha direito pelos anos de serviço, a qual lhe foi concedida nos princípios de 1987. A concluir, apresenta-se a lista dos técnicos e Médicos Radiologistas que prestaram serviço na Radiologia do Sanatório D. Manuel II e, depois, no Hospital Eduardo Santos Silva, desde 1948 a 1987. Dr. José Gomes Reis Carneiro Téc. Aurora Guedes de Oliveira Téc. Maria dos Anjos Pereira Téc. Aurora Baptista da Silva Téc. Maria do Carmo Soares Carvalho Téc. António Eduardo Teixeira Téc. António Guedes Pereira Dias Téc. Rosa Tártaro da Silva Téc. Rita Ramos da Silva Téc. Adão Meira Lopes Téc. Ângela Maria Soares Meireles Téc. Maria Leonor de Jesus Almeida Téc. Rosa Alves Santos Silva Barbosa Téc. José Júlio Trindade Pinho Dra. Maria do Carmo Vasconcelos Dr. José Manuel Araújo Dr. Veiga Pires

1953 1948 1952 1954 1954 1955 1961 1961 1961 1962 1970 1970 1972 1976 1983 1985

1987 1987 1954 1987 1956 1961 1970 1970 1972 1986 1987 1987 1987 1987 2008

Aposentado Aposentada Transferida Aposentada Transferida Transferido Transferido Transferida Transferida Aposentado Falecida Aposentada Aposentada Aposentado Em funções Aposentado Aposentado


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A Radiologia de hoje já não é a mesma de há sessenta anos e muito menos de 1895, graças aos progressos da Ciência e da Tecnologia! Quando o cientista alemão GUILHERME CONRADO ROENTGEN, descobriu os raios X, em 1895, possivelmente nunca pensou que a Roentgenologia progredisse tão rapidamente. Actualmente podemos congratular-nos com a sua evolução, porque a Ciência e a Tecnologia se abraçaram e, como resultado, facilitaram de modo extraordinário o radiodiagnóstico e a terapêutica na saúde, sem falar na aplicação dos raios Roentgen na indústria e noutras vertentes constantes nos vários sectores da sociedade.

O presente foi construído no passado e o futuro é construído no presente. Aqui fica uma homenagem muito sincera e grata ao Dr. Reis Carneiro. O mesmo, a todos os colegas que passaram por este Estabelecimento de Saúde, pela dedicação, colaboração e espírito de serviço a um trabalho duro e de elevado risco, dignificando a profissão e o Serviço de Radiologia. Os agradecimentos sinceros a todos os que ajudaram a reunir memórias, incluindo o Dr. Reis Carneiro, e principalmente a todos quantos foram consultados: António Guedes Pereira Dias; Maria Leonor de Jesus Almeida; Rita Ramos da Silva; Rosa Tártaro da Silva; Rosa Alves dos Santos Silva Barbosa; Maria dos Anjos Pereira; António Eduardo Teixeira; Maria do Carmo Soares de Carvalho; José Júlio Trindade Pinho. Igualmente a Maria Isabel Moreira pela colaboração gráfica deste trabalho.

“A gratidão é uma forma singular de reconhecimento, e o reconhecimento é uma forma sincera de gratidão.” (Allan Vaszate)


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PARTE 2 Com entrada no quadro do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia em 1977 o Técnico Artur Cruz refere que a abertura do Serviço de Urgência “acelerou” em virtude de no Hospital de Santo António ter havido um incêndio na Medicina 6, tendo então sido criada a necessidade de reestruturação de serviços nesse Hospital e ao mesmo tempo dar apoio à população de Gaia numa unidade hospitalar mais próxima e com um Serviço de Urgência. Conhecido como Hospital Distrital de Gaia, o edifício hoje denominado por Unidade 2, dava apoio às diferentes consultas que existiam no Hospital Eduardo Santos Silva. Passou por Dec.Lei 59/76 de 23 de Janeiro a enquadrar conjuntamente com o Hospital Eduardo Santos Silva e o Sanatório Marítimo do Norte o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia. Começou a laborar no 2º semestre de 1976 com os Técnicos Emília Silva e Carlos Faria (já falecidos) e em Janeiro de 1977 reforçaram a equipa os Técnicos Mário Macedo e Artur Cruz. Entretanto posteriormente juntaram-se à equipe o Sérgio Figini, que cursou Medicina e saiu e o Pimentel Sanches, que mudou de instituição, indo para Vila Real. A revelação era manual, tendo sido posteriormente colocada uma máquina de revelação automática. Era à época o Director do Serviço o Dr. Reis Carneiro. Além do número de exames realizados nessa sala que não paravam de aumentar, não existiram alterações de fundo, pelo que tudo se manteve dentro dos mesmos moldes durante alguns anos.


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PARTE 3 Em Outubro de 1982 existia uma sala de Radiologia com um Potter Bucky horizontal, um vertical e uma mesa basculante, com radioscopia, onde eram feitos alguns, muito poucos digestivos, as histerossalpingografias pedidas pela Ginecologia e pouco mais. Os exames eram realizados pela Dra. Maria do Carmo Vasconcelos que iniciou a sua actividade no serviço em 1983, quase só exercendo na Unidade 2. Esta mesa foi desactivada pouco tempo depois. A revelação era feita em máquina de revelação automática e existiam dois aparelhos portáteis que respondiam à realização de todos os exames do Internamento, Neonatologia e Bloco, onde eram utilizados em simultâneo, nas cirurgias do colo do fémur sendo um colocado para a incidência de face e o outro para realização da incidência de perfil, sendo retirados da sala só no fim da cirurgia. Era um "corre-corre" entre o bloco e a Radiologia para ver rapidamente a imagem obtida, pois que o doente estava anestesiado e o tempo urgia. Nas colangiografias per-operatórias usavam-se grelhas fixas para obter boa definição da imagem, o pior era se o raio incidente não ficava perpendicular à grelha e então nem imagem se via; além disso era necessário que fosse feita apneia durante a realização do exame, para não ficar "tremido". Tempos pouco fáceis: era preciso grande rigor técnico porque "tudo tinha de ficar bem à primeira", pois que normalmente já não havia hipótese de repetir, mais concretamente nos exames realizados com contraste. O Intensificador de imagem estava a dar os seus primeiros passos. Hoje, é um instrumento de trabalho indispensável. Em 1982 exerciam no Serviço de Urgência cinco Técnicos de Radiologia que trabalhavam 36 h semanais e que eram a Emília Silva e Carlos Faria, Mário Macedo( agora Técnico Director), Artur Cruz, Conceição Borges e a Maria Eugénia Fernandes e a Isabel, que estavam a meio tempo e eram do quadro do I.P.O. (esta última ia entrar de licença de parto). O Director de Serviço era o Dr. Reis Carneiro. Na unidade 2 com uma única sala a trabalhar não era possível por falta de espaço integrar qualquer nova tecnologia ou aparelho, pelo que começaram a ser integradas na "casa mãe"- Hospital Eduardo Santos Silva. A Radiologia na Unidade 1 estava situada no 2º andar, com três salas a laborar e ao ser desactivado o Seriografo foi instalado o primeiro Ecógrafo. Os Médicos Radiologistas passaram a realizar exames essencialmente na Unidade 1 e em 1985 foi admitido o Dr.José Mauel Araújo (aposentado em 2008).


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Pouco tempo depois foi desactivado o Tomógrafo linear, e instalado o Mamógrafo, tendo-se iniciado a realização dos exames pedidos pela Consulta Externa, e avençou-se com o Rastreio do cancro da mama, voluntário, a todas as funcionárias do Hospital com idade superior a 35 anos. Este projecto foi levado por diante com o grande empenho do novo Director de Serviço e dos Médicos Radiologistas Dr. Vieites Branco. Rui Aguiar e Manuel António Fernandes (estes dois últimos ainda como Internos e depois já como Especialistas). O Dr. Reis Carneiro tinha-se aposentado, a Drª Maria do Carmo esteve a substituí-lo e foi nomeado um outro Director de Serviço muito activo, com "ideias muito modernas e avançadas para a época “ e que de maneira nenhuma se conformava com o Serviço que estava a dirigir e tudo fez para mudar a Radiologia quer em espaço, quer em tecnologia existente e mesmo em recursos humanos. Estamos a falar do Prof. Dr. Veiga Pires. Foi o Prof. Dr. Veiga Pires que instituiu a dinâmica da cor no Serviço de Radiologia, que conseguiu integrar um profissional de Enfermagem (a Enfª Marlene que além de dar apoio às Provas Funcionais tinha dias estipulados para vir à Radiologia quando da realização dos exames contrastados), que se foi insurgindo contra a falta de condições e de nova tecnologia, reclamando sempre, deslocando-se a Lisboa para falar com os governantes, procurando apoios e nessa altura começou a falar-se na construção de um novo Hospital, com um Serviço de Radiologia de topo, onde iria existir tecnologia da mais moderna e onde não iriam faltar condições, quer para utentes, quer para profissionais. Os Técnicos que exerciam no S. Urgência começaram então a fazer alguns turnos também na Unid.1, onde tinham que se deslocar de noite, sempre que era necessário radiografar doentes nos Cuidados Intensivos de Cardiologia, ou manipular o Intensificador de Imagem na colocação de cateteres ou Pace’s. Nessa altura havia um só Técnico no Rx da Urgência entre as 20h e as 8h do dia seguinte, tornando-se incomportável, pelo menos quando o bloco de Ortopedia trabalhava quase toda a noite e ao mesmo tempo requisitavam os serviços do Técnico na Neonatologia e na Unidade 1. Era sempre o Chefe de Equipa que tinha de decidir prioridades e direccionar o profissional. Foi então feita uma proposta para ficarem dois Técnicos durante toda a noite, no S.U., de modo a serem colmatados os problemas que surgissem, sempre e mais uma vez pensando na melhoria de atendimento ao utente. Após grande insistência e alguns contratempos à mistura foi aceite a permanência dos dois Técnicos. Mas estava na altura de dar novo salto na Radiologia. O espaço cada vez mais exíguo, os aparelhos desactualizados e com impossibilidade de instalação


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de novas tecnologias limitavam as respostas necessárias aos pedidos das consultas. Foram-nos prometendo novas instalações, que estiveram projectadas para não sei quantos locais e com uma imensidão de metros quadrados, mas viemos acabar no rés-do-chão, com um espaço amplo, mas que não agradou inteiramente ao Senhor Prof. Veiga Pires, pois tinham-lhe sido criadas expectativas que não foram cumpridas e assim baptizou as novas instalações de Departamento Dorian Gray, dizendo com a graça e algum sarcasmo, que ainda hoje lhe é habitual “é muito lindo por fora, mas com grandes deficiências por dentro”. Algumas vieram mais tarde a revelar-se. Em Agosto de 1995 instalámo-nos no Serviço novo, no rés-do-chão, já com alguma tecnologia avançada instalada: duas salas de Radiologia convencional, um Mamógrafo, uma sala de T.A.C., sala para Exames Especiais, duas salas para Ecografia, máquina de revelar à luz do dia e telerradiologia, que não estava instalada em qualquer outro hospital e da qual fomos pioneiros. Foi a partir de então que entraram vários médicos internos para o serviço tais como a Dra. Maria José, Dr. Jorge, posteriormente entrou para o quadro a Dra. Isabel Bastos (mais tarde Directora do Serviço) e a Dra. Estela Nadais, o Dr. Júlio, a Dra. Susana, Dr. Paquete, Dr. Madureira, Dr. Paulo Morgado (Intervencionista), Dra. Inês e recentemente o Dr. Ricardo Couto; o Dr. Pedro Portugal (actual director do Serviço), Dr. Tiago Pereira, Dr. Sérgio Gomes, Dr. Ricardo Duarte. Neste período o Serviço de Imagiologia também passou a dispôr de neurorradiologia no início com o Dr. J. Rocha Melo, Dr. Pedro Moniz e recentemente fazem parte do quadro da neurorradiologia o Dr. A. Figueiredo Rodrigues e a Dra. Maria do Céu. Os profissionais de Enfermagem, após a passagem da Enfª.Marlene, foram muitos, entre eles a Enf.Beatriz e o Enf.David, contando neste momento a equipe com oito elementos. Em relação aos Administrativos também muitos elementos passaram neste Serviço, entre eles a Anabela, a Alzira, a Lúcia, a Isabel e depois a D. Fernanda Couto, que se mantém à frente de um grupo de onze elementos. Também os Auxiliares marcaram a sua presença e continuam a fazê-lo, tendo sido referência na Unidade 1 a D. Teresa Portilho, já aposentada, a Maria José, que entretanto saiu para outra instituição e seguidamente muitos outros deixaram e deixarão a sua impressão digital neste Serviço. Neste momento este grupo profissional conta com 15 elementos. O rápido desenvolvimento desde 1995 foi notório, instalou-se uma sala Telecomandada, em 2000 o Serviço foi informatizado, abriu mais uma sala de T.A.C. e em 2009 chegou a Ressonância Magnética Nuclear. Em 2008 o Hospital de Espinho foi integrado no nosso Centro Hospitalar, pelo que os Técnicos aí existentes entraram na nossa equipe.


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A área foi alargando um pouco, com alguma dificuldade e a família da Radiologia foi crescendo, dividida por vários sectores profissionais: Médicos, Administrativos, Auxiliares, Enfermeiros e Técnicos de Radiologia. Este último é o maior grupo profissional dentro do Serviço. Durante estes anos muitos foram os Técnicos de Radiologia que aqui exerceram funções, bem como alunos que cá têm feito os seus estágios. De uma maneira geral todos deixam alguma marca, mais ou menos visível e com todos há sempre oportunidade de aprender. O serviço de Radiologia tem sido uma "escola" para muitos Técnicos, que acabados os seus cursos se nos juntaram. Alguns ficaram, outros não e outros há que ainda são boas recordações. Para os alunos, dos quais se perdeu a conta de quantos aqui passaram, fica o meu desejo de que tenham aprendido e apreendido ensinamentos, quer a nível profissional, quer pessoal. Valeu e aprendizagem e a convivência e ficou a amizade. Uma referência a todos os Técnicos que passaram no Departamento após 1982, tentando não esquecer nenhum, uma vez que tendo sido muitos não é possível ter registo das datas em que aqui exerceram funções, nem dos nomes completos. Luís Carlos Ramalho, Luís Filipe Abreu, Lurdes Pires, Helena Paula Gonçalves, Fernando Lagrifa, Cristina Moura, Rosário Ataíde, Artur Ribeiro, José Esteves, José Simão, João Garrido, Miguel Saúde, Paulo Almeida, Altino, Nuno Monteiro, Carlos Isidoro, Júlia Seixas, Goreti, Natalina, Clotilde, Paula Salgado, Pedro Rodrigues, Mónica Guedes, Paula Cristina Oliveira. Fátima Dias, Júlio Peixoto, Rui Quintã, Paula Ventura, Fernando Marinho, Cláudia Durão, Adelaide Saldanha, Filipe Madeira, Fátima Rocha, Victor Hugo Rego, Carla Sampaio, Alexandra Pereira, Cláudia Teixeira, Sónia Campos, Susana de Jesus, Pilar, Sofia Brandão, Francelina Penelpe, Florinda Sá, Sofia Vieira, Maria João Merêncio, Andreia Lourenço, Hugo Santos, Bruno Santos, Bruno Costa, João Costa, João Teodósio, Anabela Gomes, Susana Rodrigues, Neusa, Vera Aranha, Silvia André, Esmeralda, Luis Nóbrega, Bruno Pires, Rui Santos, Nuno Almeida, David Monteiro, Tiago Moura, Andreia Martins, Liliane Oliveira, Amanda Silva, Andreia Cunha, Ivone Gonçalves, Ruben Soares, Sérgio Castro, Diane Pereira, Elsa Silva, Júlio Antunes, Carlos Silva, Filipa Silva, Joana Cabral, Arlette Ramos, Raquel Vasconcelos, Mónica Carvalho, Daniel Leite, João Rocha, Mafalda Sousa, Ana Gomes, Vera Alves. A negrito encontram-se aos colegas ainda em funções.


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CONCLUSÃO Sem desvalorizar quem quer que seja, ou sem desprimor para o seu valor profissional e muito menos o seu valor humano, quero realçar entre os muitos com quem trabalhei durante os 28 anos, pelo acolhimento que me deram quando cheguei e pelo contacto que fui mantendo e porque não confessar também a amizade que entretanto se foi desenvolvendo através do tempo, a Administrativa Alda Robalo, da Un. 2, a quem vi nascer o filho; as Auxiliares Lurdes (a avó da Aguda, como lhe chamávamos quando a queríamos arreliar e que hoje está na Portaria), a Gracinda, (que uma vez se zangou comigo por lhe ter dito uma verdade) e a Teresa Portilho (já aposentadas). Todas com o seu feitio diferente, mas de igual modo disponíveis, sensíveis e amigas. Mais tarde a Administrativa Isabel na Un.1, (já falecida) que a todos encantava com a sua boa disposição e alegria de viver, mesmo nos piores momentos por que passou antes de falecer. A evolução da Radiologia nos últimos anos foi demasiadamente rápida, mas cabe-nos a nós, mais antigos deixá-la em memória, para mais tarde não se perderem referências e conhecimento de algumas dificuldades ultrapassadas para se chegar ao patamar actual.

Estes relatos históricos são da responsabilidade das Técnicas de Radiologia:  

Aurora Guedes de Oliveira Maria Teresa Baptista Fernandes

A elas muito obrigado.


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História do Serviço de Imagiologia  

História do Serviço de Imagiologia do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia / Espinho, EPE