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Estudos de História e Espiritualidade Passionista – 60

Jesús Mª Aristín, c.p.

JPIC Passionista

Roma 2009 Curia Generale Passionisti Piazza Ss. Giovanni e Paolo, 13

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RICERCHE DI STORIA E SPIRITUALITÀ PASSIONISTA 1.- PAOLO DELLA CROCE, La Congregazione... cos'è e cosa vuole. "Notizie" inviate agli amici..., Roma 1978, pp. 24. 2.- IDEM, Guida per l'animazione spir. della vita pas. "Regolamento comune" 1755, Roma 1980, pp. 48. 3.- ARTOLA A. M., La presenza della passione di Gesù nella struttura e nell'apostolato della Congr. pas., Roma 1980, pp. 35. 4.- BIALAS M., Ricerca sulla presenza di Cristo risorto nella mistica della passione di S. Paolo d. +, Roma 1978, pp. 49. 5.- BRETON S., La Congr. pas. e il suo carisma, Roma 1978, pp. 53. 6.- BROVETTO C., Struttura apost. d. Congr. dei Pas., Roma 1978, pp.35. 7.- NASELLI C., La solitudine e il deserto nella spirit. pas., Roma 1978, pp. 91. 8.- GIORGINI F., La povertà evangelica nella Congr. pas., Roma 1980, pp. 32. 9.- IDEM, La comunità pas. nella dottrina di S. Paolo d.+, Roma 1980, pp.35. 10.- NASELLI C., La direzione spir. di S. Gemma Galgani: storia e criteri di discernimento nell'azione di p. Germano di S.Stanislao, Roma 1978, pp. 67. 11.- IDEM, Una missione speciale affidata da Gesù a S. Gemma G., Roma 1979, pp. 24. 12.- BIALAS M., Meditazione della passione di Gesù secondo l'insegnamento di S. Paolo d. +, Roma 1980, pp. 46. 13.- NASELLI C., La celebrazione del mistero cristiano e la Liturgia delle Ore in S. Paolo d. +, Roma 1980, pp. 60. 14.- BRETON S., Il silenzio nella spir. cristiana e in S. Paolo d.+, Roma 1980, pp. 22. 15.- GIORGINI F., Promuovere la grata memoria e il culto della passione di Gesù. Ragione di essere della Congr. pas., Roma 1980, pp. 40. 16.- DI BERNARDO F., La Meditatio vitae et passionis Domini nella spir. cristiana, Roma 1980, pp. 82. 17.- POSSANZINI S. - BOAGA E., L'ambiente del monastero "Monte Carmelo" di Vetralla al tempo di S. Paolo d.+, Roma 1980. 18.- BARSOTTI D., L'Eucaristia in S.Paolo d.+ e la teologia della preghiera, Roma 1980, pp. 57. 19.- GIORGINI F., Condizioni per diventare uomini d'orazione nella dottrina di S. Paolo d.+, Roma 1980, pp. 28. 20.- DIEZ MERINO L., La ricerca di Dio in S. Paolo d.+, Roma 1982, pp. 34. 21.- NASELLI C., L'ambiente spir. del Monastero delle Passioniste di Lucca (1905-1921)) e la dottrina spir. di M. Giuseppa Armellini, Roma 1981, pp. 66. 22.- NASELLI C. - GIORGINI F., Il cammino storico della comunità pas. nell'ottocento. Il caso della fondazione nella penisola iberica, Roma 1981, pp. 49. 23.- BROVETTO C., La spiritualità di S. Paolo d.+ e la spiritualità pas. contenuta nel voto specifico, Roma 1982, pp. 39. 24.- ARTOLA A. M., Il P. Amedeo Garibaldi, o l'apertura della Congr. pas. al mondo ispanico, Roma 1982, pp. 87. 25.- BOAGA E., S. Paolo d.+ predicatore di esercizi spirituali alle religiose, Roma 1982, pp. 19. 26.- ZECCA T. P., Il mistero e patrocinio di Maria SS. presentata al tempio nella spir. pas., Roma 1982, pp. 19. 27.- La missione passionista di Bulgaria tra il 1789 e il 1825. A cura di Ivan Sofranov, cp, Roma 1982, pp. IV - 54. 28.- GIORGINI F., Le Suore Pas. di S. Paolo d.+. Origine, carisma, soppressione e ripristinazione, Roma 1983, pp. IV - 65. 29.- VILLER M., La volontà di Dio nella dottrina sp. di S.Paolo d.+,Roma 1983, pp.56.

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JPIC Passionista

Jesús Mª Aristín c.p.


Um coracão Passionista, que traz o Crucificado no mais profundo do seu interno. Não é uma cruz vazia mas o crucifixo que se assemelha aos índios e é símbolo de todos os povos do mundo. Livre, sem cadeias, com uma Paixão pela Justiça, com uma Paixão pela Paz (o pombo) e pela Ecologia (a árvore e o planeta). JPIC, no nosso Carisma Passionista.


Introdução

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stas reflexões são o fruto de um trabalho desenvolvido durante a Conferência Latino Americana Passionista (CLAP), em Cajicá (Colômbia), no ano de 2007. Não pretende ser uma exposição magistral que toque os temas de maneira exaustiva, mas um pequeno livro muito simples, como quem fala entre amigos e partilha com espontaneidade a urgência que temos de sensibilizar-nos a cerca dos temas da Justiça, Paz e Integração da Criação1. Estas breves reflexões são acompanhadas de algumas apresentações em Power Point (PPS) para facilitar a sua exposição em uma maneira pedagógica. Simplesmente, quer sensibilizar os nossos religiosos e as nossas comunidades sobre a urgência dos temas tratados. Os temas “Justiça e Paz” são antigos na teologia, e existe uma multidão de escritos que os desenvolvem de maneira aprofundada. Necessariamente, hoje nos aproxima a estes o tema da “Integração da criação”, graças à maior sensibilidade eclesiástica para a crítica situação ambiental do planeta. Estas reflexões surgem depois de vinte anos de serviço e trabalho nas ONGs, no mundo da Cooperação ao desenvolvimento e nas Missões Passionistas. A Comissão Internacional para a Solidariedade da Congregação Passionista me pediu para elaborar estas páginas a fim ajudar as nossas comunidades e os nossos religiosos a refletirem sobre a JPIC, que foi um dos temas centrais nos últimos Capítulos Gerais, em coincidência com muitas outras Congregações. Estas simples páginas pretendem somente chamar a atenção sobre a atualidade e a importância deste tema e tem a “pretensão” de apresentá-lo 5


como um “paradigma”, um novo modo de ser e entender a Vida Religiosa. A Justiça, a Paz e a Integração da Criação (JPIC), não são simplesmente temas de reflexões mas são um lugar teológico onde nós jogamos o futuro da Vida Religiosa. Justiça, porque não podemos ficar calados diante das mil e uma injustiças que “estamos fazendo” a milhões de nossos irmãos. Paz, porque os milhões gastos pelos estados e pelas grande multinacionais, com as armas, são um insulto e o maior pecado da humanidade. E Integridade da Criação, porque devemos a essa a nossa vida e aquela dos nossos filhos. Se nós, religiosos do século XXI, não sabemos ser uma presença “significativa” na luta pela paz e a justiça e não sabemos defender a nossa casa (οικος), fazemos um fraco serviço ao Evangelho perdendo o significado na nossa evangelização. Jesús María Aristin c.p.

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1.- Espiritualidade da JPIC

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sigla JPIC, todavia já é familiar a todos, se fizermos diferente somos como “peixe fora d’água”. Iniciamos resumidamente o que entendemos por espiritualidade cristã. Em um segundo momento notaremos que a JPIC é espiritualidade da Justiça, da paz e respectivamente espiritualidade ecológica. No terceiro momento, contemplaremos a JPIC no Carisma Passionista e para concluir, com uma explicação do método da JPIC. Acrescentaremos anexos para o trabalho nos grupos.

Qual espiritualidade? A espiritualidade cristã. A.- Espiritualidade é o seguimento de Cristo. O ponto de concentração da espiritualidade cristã é Jesus Cristo. A nossa espiritualidade é essencialmente cristocênctrica, isto é, tem o Evangelho como critério e norma de vida. Toda a espiritualidade cristã deve ser bíblica, profunda na intimidade, explícita e comprometida. “Uma espiritualidade é uma forma concreta – movimento do Espírito – de viver o Evangelho”. (G. Gutierrez). Significa, que nós seguimos e cremos em um deus encarnado e isto dá à espiritualidade cristã alguma coisa de romântico, alguma coisa tão somente de bons propósitos. B.- A Espiritualidade cristã é um vida: a prática do Evangelho. Espiritualidade = realizar a vida com o espírito. A autêntica espiritualidade deve abraçar as pessoas e todas as realidades sem dicotomias e sem renúncias. Espiritualidade = ser e viver em Cristo. Os homens espirituais são aqueles que

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vivem com o espírito; são homens repletos do espírito de Cristo. É o Espírito que invade toda a pessoa e toda a sua ação. Do impulso o Espírito brota a missão de ser testemunhas de Deus no mundo. A espiritualidade de uma pessoa é mais profunda do próprio ser: as suas “motivações” últimas, os seus ideais, as suas utopias, as suas paixões, o misticismo pelo qual vive e luta... A espiritualidade é a motivação, o misticismo, o auto-controle, a força que inspira a pessoa2. A espiritualidade é uma questão de educação do coração. Uma espiritualidade dá início e um modo de vida e depois tem como resultado um claro modo de viver. Um modo de vida é santo quando é produzido do Espírito Santo e corresponde aos valores do Evangelho. A espiritualidade implica portanto um processo de transformação. C.- A espiritualidade cristã é uma espiritualidade de um amor crucificado. “A espiritualidade cristã não é, portanto, uma espiritualidade da cruz e nem do sofrimento, mas é uma espiritualidade do amor autêntico, coerente e fiel, do amor manifestado que conhece os riscos inevitáveis de quem se expõe. É a espiritualidade de um amor crucificado. Não o é por nenhum desejo secreto de Deus ou porque Deus exija ou pretenda o sofrimento dos homens. Mas o é porque a encarnação acontece numa realidade que é plena de um anti-reino decisamente ativo contra aqueles que anunciam e iniciam o reino”3. “Como escreve Gustavo Gutierrez, com as palavras de uma agricultora, isto que se opõe à alegria não é o sofrimento – e disto os pobres têm um experiência maior do que o suficiente – mas é a tristeza. E a agricultora dizia que, mesmo sofrendo, todavia não se sentiam tristes. Viver com alegria significa viver com um significado último, com a capacidade de agradecer e de celebrar, de ser para os outros e estar com os outros”4. Espiritualidade de um amor crucificado, de um amor que se doa, que dá a vida. De um amor que vive e se sacrifica pelos outros. Um amor que não tem limite, que não olha a cor da pele ou a língua que os outros falam. Um amor ao qual não importa de onde é ou para onde vai, um amor ao qual não importa aquilo que se tem, que somente conhece aquilo que se é: ser a mando e ser uma pessoa humana. Rico ou pobre, não importa. É você. Do norte ou do sul, não importa. É você. Inteligente ou bronco, não importa. É você. De esquerda ou direita, não importa. É você. 8


D.- Não pode haver um encontro com o Deus verdadeiro de Jesus sem o encontro com os pobres e crucificados… o encontro com o pobre é uma experiência espiritual, uma experiência de Deus. “O encontro com Deus acontece em um lugar determinado... o lugar por antonomásia, o lugar privilegiado do encontro com Deus, e o lugar mais correto na atual realidade do mundo é o mundo dos pobres. Assim é anunciado aos pobres em Mt 25. Deus é presente nos fracos, nos pobres, nos inválidos. Está ali, porém escondido. Mais radicalmente, na atual situação latino americana Deus é presente nos povos crucificados; nos inumeráveis homens e mulheres empobrecidos até limites inesperados, nos encarcerados, nos torturados, nos desaparecidos, nos assassinados... não todos os encontros com os pobres deste mundo são necessariamente encontro com Deus, porém não pode haver um encontro com o Deus de Jesus sem o encontro com os crucificados. Por isto, como aconteceu repetidamente na América Latina, o encontro com o pobre é uma experiência espiritual, uma experiência de Deus... diante dos pobres e aos povos crucificados emerge uma exigência absolutamente clara: praticar a justiça e amar com ternura. Deste modo se caminha com Deus na história, humildemente”5. E.- A alma da espiritualidade cristã é a caridade, o seu principal instrumento é a oração definida como “comunicação familiar com Deus”. A espiritualidade cristã é uma relação pessoal com Deus, a verdadeira espiritualidade cristã deve integrar doutrina e vida, princípios e experiência, contemplação e ação. Uma espiritualidade desencarnada, não solidária e alienada da realidade do mundo, não é uma espiritualidade cristã. Encontramonos com Deus no ser “contemplativos na ação”. Como disse K. Rahner nos anos 60: “o cristão do XXI século deverá ser um místico ou não será um cristão”. Com esta citação queremos afirmar que hoje, talvez mais que em outros séculos, é necessária para os cristãos uma profunda experiência de Deus. F.- A autêntica espiritualidade cristã deve ser uma espiritualidade ecumênica, ou seja, universal, radicada na pessoa de Cristo, salvador do mundo; e em Deus, amigo da vida. É uma espiritualidade cristã do diálogo. De diálogo e de escuta que inclui os problemas sociais e econômicos e que permite de passar de uma globalização dos mercados e das informações a uma globalização da solidariedade. É uma espiritualidade baseada no silêncio e na escuta. O silêncio abre o coração, e a mente à escuta do que é essencial e verdadeiro. 9


G.- A espiritualidade cristã deve ter estas características:  A lucidez crítica: significa que o cristão deve cultivar um espírito crítico, saber distinguir, não aceitar tudo o que a sociedade oferece como valor, colocando-o em discussão, sempre com referência aos valores que são propostos pelo Evangelho.  Situada: significa que a espiritualidade deve levar o cristão a ser inserido politicamente e historicamente; fazendo um confronto com o Deus dos pobres, encontramos Deus nas coisas quotidianas nas sociais e comunitárias.  Conflitual : no sentido que o cristão, sempre com uma atitude profética, deve propor e procurar soluções dignas que promovam a dignidade da pessoa e da vida diante do sistema da morte e da exclusão. Com a sua vida, o cristão deve julgar a política, a economia, o direito, a religião.  Integral: significa viver sem dicotomias e sem reducionismo unificando a pessoa e a realidade; a pessoa se declara cristã e não deve viver uma dupla moral, não deve ter nada de humano que lhe seja alienado.  Solidária: ver no próximo o irmão, sobretudo nos mais pobres e naqueles que sofrem mais; a palavra do cristianismo sempre deve ser a voz daqueles que não tem vez.  Estamos vendo o desenvolvimento de uma espiritualidade que apóia os poderes responsáveis de atuar o processo, injusto e utópico, de globalização corporativa. Por isto, é necessário resgatar a larga tradição de espiritualidade cristã crítica do poder, que àqueles que foram privados de poder, deu poder, força e coragem para opor-se a quem abusa do poder.  É uma espiritualidade de JPIC. É um novo paradigma, ou seja, uma nova maneira de entender a Vida Religiosa e de viver o nosso carisma. É uma nova maneira de interpretar e compreender o nosso mundo globalizado. É uma nova maneira de confrontar-nos com a realidade. A realidade do nosso mundo mudou, globalizou e portanto, mudou também o nosso modo de entendê-lo e de confrontar-nos com ele. 10


2.- A JPIC no nosso carisma passionista (JPIC ou como viver hoje no nosso carisma passionista)

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esta terra, nenhum modo de vida pode abraçar todos os valores do Evangelho completamente e ao mesmo tempo. “Espiritualidade” é o nome dato à síntese dos valores evangélicos, realizada em cada pessoa ou em cada comunidade. Uma espiritualidade particular reordena os valores do Evangelho em sintonia com o tempo e as circunstâncias nas quais nasce e se desenvolve. Por isto, as congregações religiosas são diferentes uma da outra, mesmo se suas finalidades e metas finais são a mesma. A procura da justiça é comum a todas as formas de vida cristã. Os modos para compreender esta justiça e de segui-la são diferentes de pessoa a pessoa, de lugar a lugar e de comunidade a comunidade. Hoje, Cristo continua a sofrer e a morrer nos crucificados do século XXI, continua a sofrer em cada “paixão” das pessoas (na criança abandonada, no ancião solitário, na mulher maltratada, naquele que tem fome, no prisioneiro, no doente de AIDS, nos desempregados, nos toxicodependentes, nas crianças de rua...). E mais, se identifica com eles, recordemos aquilo que disse Jesus: O pão ou o copo d’água que vocês deram, deram a mim; era doente e vocês me visitaram... (Mt 25, 31-46). Como dizia o nosso fundador São Paulo da Cruz que “via escrito o nome de Jesus no rosto dos pobres”6. Como escreve Bento XVI: “se deve recordar de modo particular a grande parábola do juízo final (Cf. Mt 25, 31-46), no qual o amor se converte no critério para a decisão definitiva sobre a avaliação positiva ou negativa de uma vida humana. Jesus se identifica com os pobres: os famintos e os sedentos, os estrangeiros, os desnudos, os doentes ou encarcerados... Amor a Deus e amor ao próximo se fundem entre eles: no mais humilde encontramos Jesus mesmo e em Jesus encontramos Deus”7. 11


2.1.- Espiritualidade passionista da JPIC: A “Memória Passionis” (Dimensão contemplativa) “Faz isso em memória de mim” (Lc 22, 19) “Faça memória de Jesus Cristo o Senhor” (2 Tim 2, 8). Recordar é re-viver. Reviver é re-criar. Quem recorda gera uma nova existência no seu próprio íntimo de como no passado teve o seu próprio modo de atualidade. No recordar um fato acontecido na minha interioridade retorno a fazê-lo presente e atual e o revivo no meu íntimo. Recordar a Paixão de Cristo é dar uma nova atualidade a Cristo Crucificado. A memória é uma recordação atualizante da Paixão. Nosso carisma é “fazer memória” da Paixão, tê-la sempre presente no nosso coração e no nosso operar. Olhar constantemente para o crucificado e para os “crucificados”. Ser testemunha da Paixão, no sentido mais amplo do termino. A memória da Paixão tem um tríplice objetivo: 1.- Recordá-la continuamente (dimensão pessoal). 2.- Promover a memória (dimensão apostólica). 3.- Fazer memória (dimensão solidária). Para nós passionistas, pregar a Cruz significa chamar os homens a este amor solidário com os sofredores, para combater os mecanismos produtores de cruzes, fazendo nossa a causa dos crucificados. Por isto, nós Passionistas colocamos a Paixão de Cristo no centro da nossa vida. O JPIC é um novo paradigma da vida religiosa e da vida passionista8. Paradigma é uma “chave de interpretação”, que representa um modelo e um esquema, para compreender e explicar determinados âmbitos da realidade. Quando se dá uma mudança de paradigma, se produz uma nova forma de pensar sobre velhos problemas e sobre diferentes realidades. Da perspectiva da JPIC aparece uma nova imagem da Vida Religiosa entendida como a admissão radical de Jesus ao serviço do reino de Deus. A justiça, a paz e a integração da criação são parte do empenho da vida cristã e, portanto, da vida religiosa passionista. A Justiça, a Paz e Integridade da Criação (JPIC), não são simplesmente temas de reflexão, mas são lugar teológico onde nós colocamos o futuro da vida religiosa. 12


A contemplação da Cruz (Memoria Passionis) tem levado os Passionistas a afirmarem: “desejamos participar dos mesmos sofrimentos dos homens, sobretudo dos pobres e abandonados” (Constituições n° 3). Fazer Memória da Paixão não é tão somente uma devoção ou um recordo piedoso, mas a Atualização da Morte de Cristo nos povos crucificados pela fome e pela injustiça. A JPIC não é uma espiritualidade a mais, mas uma das melhores formas de ser passionista hoje, a maneira de viver hoje o Carisma Passionista. A Memoria Passionis, é Paixão pela JPIC, porque recordamos o Justo na cruz, nos recordamos de todos os crucificados injustamente. A JPIC não é um tema teórico, mas um novo estilo de vida, o novo modo de ser Passionista. A JPIC não é um tema mas é o TEMA. A JPIC não é algo de secundário, é o CENTRO da nossa vida e do nosso apostolado. A resposta que nós passionistas damos à globalização e: Paixão pela Vida. A Memoria Passionis significa “fazer memória”, fazê-la realmente, vivendo-a no vida quotidiano. Não nos permanece somente o recordo, na oração, mas o mesmo nos conduz na vida para torná-la realmente solidária com os crucificados. E se trata de vivê-la, de maneira apaixonada, intensa e profunda.

Espiritualidade da Compaixão (=cum patire = sofrer com) Hoje, ao início do século XXI, Cristo partilha as cruzes de milhões de pessoas em diversas partes do mundo e continua a chamar-nos a segui-lo apaixonadamente e a partilhar – movidos pela sua compaixão – a sua paixão pelo ser humano. Deus tem uma paixão pelo ser humano. Jesus Crucificado e os milhões de crucificados da história se atraem reciprocamente. O carisma passionista é urgentemente chamado a cultivar e privilegiar “o apaixonamento” por Deus e pelo ser humano (Vida Consagrada, 84). Se somos solidários no sofrimento o seremos também na consolação (2Cor 1, 7; Hebreus 10, 33).

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Paixão por Cristo, paixão pela humanidade (Congresso Internacional sobre a Vida Consagrada. Roma, 2004). Senti muito prazer por este tema ter sido trabalhado no Congresso Internacional. Isto demonstra que o nosso carisma está na moda, eu diria mais, se ocupa da parte central da nossa fé: A Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. A paixão por Cristo se traduz na paixão pela humanidade. Porque a sua maior glória é o homem vivente. Uma espiritualidade pode dar mais ênfase a um elemento de interioridade o de empenho histórico, porém não pode faltar a procura de um equilíbrio dinâmico entre as duas perspectivas: • Encontrando Deus, encontramos o irmão, sobretudo o mais fraco e pobre; • Encontrando o irmão, o nosso coração se comove e encontramos nele a imagem de Deus.

2.2- Espiritualidade passionista da JPIC: Dimensão transformadora da realidade A vida passionista que quer garantia de fecundidade, deve ser lida em chave de serviço, proximidade, companhia e solidariedade com as pessoas que vivem na dor ou na pobreza. A espiritualidade da JPIC afirma: “Nada de humano mi é alheio” (Pablo Neruda). “A Paixão de Cristo e a paixão do mundo se necessitam mutuamente. A cruz de Jesus oferece um sentido cristológico à paixão doida deste mundo. Porém este significado, a palavra ‘Stauros’ (Cf. 1 Cor. 1, 18), não se colhe se não combatendo e a assumindo a paixão do mundo9”. É a CRUZ de tantas crianças que crescem sem casa, daqueles que são explorados sexualmente e no trabalho, aquela cruz de tantos jovens enganados e adormentados com drogas e álcool, a cruz de quem está parado, dos países em guerra, dos povos subdesenvolvidos, da solidão dos imigrantes, da solidão dos anciãos, do sofrimento dos enfermos, de tantas pessoas que trabalham por necessidade em condições desumanas e por um salário de miséria, da fome no mundo, a cruz de tanta desigualdade. 14


A espiritualidade passionista não é uma espiritualidade oposta ao mundo, é uma espiritualidade de JPIC que fala de Deus, da Justiça e da Paz. Experimenta o “Deus amigo da vida” (Sabedoria 11, 23). Paixão pela vida... uma vida sem paixão não è digna de ser vivida.

2.3.- Paixão pela Vida O contrário da paixão pela vida é: • A indiferença; • A falta de sentido; • A insensibilidade; • A comodidade; • A falta de empenho; • A superficialidade. Nós queremos recordar ao mundo que a paixão do nosso Senhor Jesus Cristo continua em todos aqueles que são crucificados, nos marginalizados, naqueles que vivem na injustiça e que são discriminados pela sociedade. São Paulo da Cruz, nosso fundador, dizia que “a paixão do nosso Senhor Jesus Cristo é a maior e mais estupenda obra do amor divino... e o remédio mais eficaz para os males do nosso tempo”. É verdade, o Senhor divide conosco o seu caminho. E não existe amor maior que doar a vida pelos amigos, e Cristo a doou por nós, por cada um de nós e por todos juntamente. E a pessoa que sofre é sacramento de Cristo sofredor. Não tornemo-nos cegos diante das situações de injustiça, de marginalização, e não devemos perder a nossa capacidade de indignação quando alguém sofre ou é “crucificado”. A Memória Passionis é uma memória perigosa e subversiva, como dizia J. B. Metz10. Existem memórias e memórias. Não falamos de uma memória nostálgica, mas de uma memória subversiva. Esta memória subversiva do passado tem um objetivo: ter confiança no futuro, memória que abre a estrada à confiança e à esperança. Esta memória é subversiva porque faz-nos colocar da parte dos crucificados, das vítimas e em oposição aos Algozes. Ten15


tação de renunciar à memória, de esquecer as vítimas da história e dos povos crucificados e unir-nos aos algozes. De que parte estamos, da parte das vítimas ou dos justiceiros, com os crucificados ou com os crucificadores? A memória Passionis é memória subversiva, porque Cristo subverte os falsos valores que circulam na sociedade – sobretudo, aqueles que idolatram o poder, as armas e o dinheiro - , criando uma aliança, um coração, um povo novo. É envolvimento da raiz da justiça do reino, pelo qual ideal morreu Cristo para a salvação de todos, esta justiça é radicalmente distinta daquela que, desgraçadamente, predomina no mundo11. Neste sentido devemos recordar: “a recuperação da Memória histórica”. A Igreja da América Central está pagando com a vida de alguns de seus bispos – como é o caso do guatemalteco Dom Gerardi e antes, do salvadorenho Dom Romero – o seu empenho no processo de reconciliação e de revisão histórica do recente passado. E alguma coisa semelhante acontece no Peru (Missa da Verdade), na Nicarágua e em Honduras12. Profecia da vida religiosa passionista. Se recuperamos a profecia, recuperamos o sentido do nosso Carisma; se a perdemos, obscurecemos o verdadeiro valor do nosso carisma. Se a vida religiosa adverte esta chamada da Justiça e da Paz como um verdadeiro sinal dos tempos para a nossa vida religiosa hoje, revitalizará o seu seguimento de Jesus e os seus carismas. O objetivo do 43° Capítulo Geral nos recorda: “Nós Passionistas, solidários com os crucificados de hoje, nos abrimos à força da cruz para afrontar profeticamente a injustiça e anunciar em modo credível o Deus da vida”. Um outro mundo é possível... uma outra igreja é possível... um outro modo de ser passionista é possível.

2.4.- Traços característicos da espiritualidade passionista O nosso fundador São Paulo da Cruz, com o seu estilo e com o seu modo, segundo a sua época, foi um “porta-bandeira” dos pobres: • Pregando onde ninguém queria ir, em lugares muito pobres; • E às classes mais populares e do povo simples13. São Paulo da Cruz evidenciou de modo particular estes traços específicos da nossa Espiritualidade: 16


- Espírito de oração: Contemplar o crucificado e os “crucificados de hoje”, descobrir neles o rosto de Jesus. É necessário encontrar o tempo para a oração diante do crucifixo antes de ir ao encontro dos crucificados de hoje. A JPIC deve ser um tema importante da nossa oração. Fazemos parte de uma humanidade sem espiritualidade. Esperam de nós, pessoas consagradas, um suporte espiritual particular. Homens e mulheres de Espírito, com uma experiência profunda de Deus. - Espírito de solidão: muitas vezes nas nossas lutas sofremos de solidão. Viver o carisma exige que nos retiremos de tanto em tanto em silêncio recreativo. Um silêncio que nos permite de nos encontrar conosco mesmos e com Deus. Um silêncio que nos restaura e revitaliza, para nos permitir de lançarmo-nos novamente em ação. - Espírito de Penitência: saber viver com o necessário e, se possível, o indispensável. Nasce no nosso Espírito de pobreza o “estandarte que milita na nossa congregação”. Hoje podemos explicá-lo como Auto-limitação: “Se quiséssemos garantir um futuro comum à Terra e à humanidade, se deveria impor duas virtudes: A auto-limitação e a justa medida, ambas expressões da cultura da atenção. Porém como se podem requerer estas duas virtudes se todo o sistema é construído pela sua negação? Então, antes de tudo, desta vez não tem outra saída: ou mudamos e nos encaminhamos em direção a atenção, nos auto-limitamos na nossa voracidade vivendo a justa medida em todas as coisas, ou seremos obrigados a uma tragédia coletiva... Auto-limitação significa um sacrifício necessário que protege o planeta, tutela os interesses coletivos e funda uma cultura da simplicidade voluntária. Não se trata de não consumir, mas de consumir de forma responsável e solidária com os seres viventes de hoje e com aqueles que virão depois de nós. Também eles têm direito à terra e a uma vida de qualidade” 14. É uma auto-limitação no nosso consumo e na nossa relação com a natureza. Escolher uma vida pobre, solidária e compadecido sempre foi um elemento chave dos processos de refundação na história da vida religiosa.

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2.5.- A solidariedade dá vida à Paixão (Atuar) Viver a solidariedade exige trabalhar pela justiça e a paz e colaborar com Organizações não governativas (ONGs) e trabalhar em rede. Seria absurdo pretender resolver os problemas da humanidade tomando por base somente a força da família passionista. O nosso aporto diante à multidão de problemas seria desproporcionado e ineficaz. Somos chamados, com maior freqüência, a colaborar e a trabalhar em rede com outros, no nosso esforço para promover a Justiça-Paz-Integridade da Criação. Os temas da JPIC são temas globais e portanto exigem esforços globais com ONGs confiáveis. O número de ONGs locais e internacionais e de outras organizações está aumentando em medida que o povo se convence sempre mais que as ONGs podem contribuir muito na construção de um nova humanidade. Isto exige discernimento e prudência na escolha de grupos com os quais trabalhar. Trata-se, definitivamente de GLOBALIZAR A SOLIDARIEDADE. Os desafios são muitos, porém se pode assumí-los, na necessidade de informar-nos, sensibilizar-nos e realizar ações concretas a favor da JPIC. Definitivamente, se trata de colocar em movimento, ao mesmo tempo a mente (informação), o coração (sensibilização) e os pés (ações concretas). Propostas concretas: 1.

Sensibilizar-nos e sensibilizar todos os outros;

2.

Manter-nos informados sobre as situações de injustiça;

3.

Mudar o nosso estilo de vida;

4.

Trabalhar em rede aproveitando os novos instrumentos tecnolgicos;

5.

Participar como voluntário de alguma ONG;

6.

Trabalhar em projetos concretos;

7.

Participar de manifestações a favor do “Terceiro mundo” (Países subdesenvolvidos).

8.

Participar a favor do 0,7%;

9.

Custodiar a natureza;

10. Tratar bem os imigrados; 18


11. Comprar somente nas lojas de Justo Comércio; 12. Rezar pela Justiça no nosso mundo; 13. Nossa Presença na ONU (Passionist International)... 14. ... Poderemos fazer a seguinte tipologia dos religiosos e religiosas que têm uma atitude a favor da JPIC * Os “profetas” sentem que têm um espaço. São um dom para a Congregação; * Os “eficientes”, do trabalho constante e com capacidade de relação que se interessem por isto; * Os “simpatizantes” que estão aumentando; * Os “indiferentes” que sempre são um peso; * Os “contrários” que estão diminuindo. Reassumindo, sou convicto que: -Um outro mundo é possível! Espiritualidade da resistência na adversidade (“hypomonè”); - “A solidariedade é a ternura dos povos” (Pablo Neruda); - Verdadeiramente podemos mudar o mundo!; - Pense globalmente = superemos os provincialismos, não ver um palmo além do nosso nariz. O planeta se converteu em um pequeno país. - Atue localmente = una-se às pessoas de boa vontade que lutam por um outro mundo, um outro sistema, um outro estatus (ALTERNATIVO). Eu acredito que a nossa Congregação Passionista deve ser um das mais sensíveis e aptos para viver esta realidade da JPIC, de forma intensa e muito ativa.

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3. – Paixão pela Justiça 3.1. – Panorama atual da humanidade (Ver)

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odos nós conhecemos a dramática situação na qual vive a maior parte dos seres humanos. Estes são somente alguns dados para iniciar: • 840 milhões sem alimento; • 1.100 milhões de pessoas sem água potável; • 1.200 milhões não tem o suficiente para se vestir; • 1.200 milhões de pessoas “sobrevivem” com apenas um dólar ao dia; • 100 milhões sem teto (50 milhões de crianças vivem na rua); • 175 milhões de imigrantes;

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Todos os dias nos noticiários e nas primeiras páginas dos periódicos deveriam aparecer esta trágica notícia: “Hoje 45.000 pessoas morreram de fome”. Esta é a grande tragédia da humanidade. Apresentamos telegraficamente alguns dados mais significativos da atual situação da humanidade: “Os ricos sempre mais ricos, ao contrário, os pobres sempre mais pobres”1. Países ricos ↔ Países “empobrecidos”: prefiro utilizar a terminologia de países empobrecidos ao contrário de países pobres, porque se são pobres é principalmente porque nós os empobrecemos com os nossos presentes de mercado e os nossos presentes de “jogo”. Não é um escândalo que enquanto 80% da humanidade é carente dos mínimos meios de sobrevivência, os 20% gasta milhões com dietas emagrecedoras ou a cuidar do próprio aspecto físico? - Concentração do poder econômico: Cerca de 200 multinacionais manipulam os 70% do comércio mundial. Três norte americanos (Bill Gates, Paul Allen e Warren Buffet) possuem uma riqueza igual a 600 milhões de habitantes (42 nações). - Débitos extremos: débitos eternos? Para cada dólar que vai do norte ao sul, sobem 2 dólares do sul ao norte. O Sul passou ao norte, de 1983 a 1990 a quantia de 450 milhões de dólares (US $450.000.000) sob forma de pagamento dos débitos e fuga de capital, enquanto que o norte se comprometeu para as ajudas ao sul com 0,7% do PIB, mas na verdade superou somente a quantia de 0,22%. Débitos não contabilizados: Débitos históricos, coloniais... débitos ecológicos... - F.M.I, B.M.... Instituições financeiras a serviço dos “potentes” da terra, que de qualquer modo “impõem” as políticas econômicas aos países “devedores”. Qualquer país pequeno não pode nem mesmo se quiser tomar uma decisão econômica importante, sendo subordinado às diretivas das grandes instituições financeiras mundiais, não são capazes de garantir ao seu povo as condições mínimas de vida. - A OMC e as regras do comércio internacional (taxas, subvenções, acordos entre os ricos...) estão impedindo aos países pobres de sair do subde22


senvolvimento. O comércio justo, tenta como “Davi e Golias” tornar igual as desventuras deste mercado mundial, que como sempre favorece os ricos e desfavorece os pobres. Este sim! Estufará o peito para dizer alguma coisa sobre o “livre mercado”, livre para os ricos e escravizante para os pobres. Os preços da matéria prima são decididos pelos potentes e especulam para o próprio beneficio (temos como exemplo o café, o açucar, o cacau...). “A cada dia precisamos de uma quantidade maior de sacos de cacau para comprar um trator”. - Falta vontade política...

3.2.- O sistema econômico injusto e as novas formas de solidariedade - Uma economia não solidária gera carências e novos tipos de pobreza. A libertação da economia mundial não encontrou o modo de evitar os efeitos perversos que espezinham os povos mais fracos e menos desenvolvidos. - Reconheçamos que a solidariedade é parte essencial da nossa fé em Jesus, da dimensão profética da nossa vida consagrada e do caminho. O conselho evangélico de POBREZA deve transformar-se, cada vez mais, em uma prática individual e comunitária de solidariedade com os pobres, de uma avalanche de gratidão, de confiança em Deus e de testemunho de uma vida simples. - Instaurar uma economia solidária com os pobres é uma crítica ao sistema econômico vigente, e colocar as nossas fontes e instituições a serviço dos pobres e da natu23


reza, participando ativamente à defesa e à promoção da Vida, da Justiça e da Paz, colaborando com outras instituições religiosas ou civís. - Necessita-se ir às causas estruturais. Helder Câmara: “Quando dou o pão aos famintos, me chamam santo; quando pergunto porque eles não tem pão, me chamam subversivo”. O amor aos pobres é central para o trabalho de animação da JPIC. Neste tema das causas da pobreza é onde se coloca a problemática da JPIC. As causas da pobreza devem ser contempladas porque destas dependem o futuro e a vida de milhões de pessoas.

- JUSTO COMÉRCIO.

- A injustiça existente no nosso mundo é o desafio que nós cristãos temos hoje. Nenhum cristão pode permanecer indiferente diante da injustiça e ao sofrimento de milhões de seres humanos. Formamos a grande família de Deus e portanto somos responsáveis de todos os irmãos. 24


3.3.- A palavra de Deus a favor dos crucificados (Julgar) Existe uma grande quantidade de textos tanto no Antigo como no novo Testamento, a favor dos pobres. Tanto é verdade que se defini Deus o defensor dos pobres16. Quando se fala dos pobres se exemplificam com a clássica trilogia: o forasteiro, o órfão e a viúva. Existem alguns textos que são realmente fortes e envolventes, onde se condena a exploração, a opressão e o abuso contra os pobres: - Não oprimam a viúva, o órfão, o forasteiro, nem o pobre; não coloqueis um contra o outro no vosso coração (Zacarias 7, 10); - Ao pobre e à viúva, não faça-os injustiça (Is. 1, 23); - Pisoteais o direito dos pobres do meu país (Is. 10, 2); - Oprimis o imigrante, o órfão e a viúva (Jeremias. 7, 6); - Pratique o direito e a justiça, liberte o oprimido da mão dos opressores e não pisotear o forasteiro, o órfão e a viúva (Jeremias 22, 3); - Em ti Israel, se maltrata o forasteiro residente, em ti se oprime o órfão e a viúva (Ez. 22, 7) - O nosso Senhor, em quem terá compaixão do órfão (Os. 14, 4); - Vendeis o pobre por um par de sandálias (Amós 2, 6; 8, 6 e 4, 1); - não tem piedade da viúva e não dazem o bem ao órfão (Baruc 6, 37); - A religião pura e irrepreensível diante a Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas dificuldades (Giácomo 1, 27); Porém é sobretudo no Novo Testamento, onde se apresentam três textos chaves que todos nós conhecemos muito bem: A.– O primeiro é o juízo final (Mt. 25, 31-46). Deus é com e no sofredor. Ainda mais, Jesus si identifica aquele que sofre, com o faminto, o cansado, o desnudo, o enfermo, o carcerado, aquele que não em casa, imigrante... em uma palavra, com os últimos da história17. Tudo isto faz encontrar os pobres como se fosse encontrar o próprio Cristo. Onde está o pobre está Jesus Cristo. Biblicamente falando não se pode separar Deus do pobre. A Bíblia condena com freqüência aqueles que devoram o pobre, aquele que desnuda o pobre e opóem-se a Deus (Eccl 34, 21; Dt 24, 14-15). Os profetas abundam também 25


no que diz respeito a este pensamento. Tudo isto nos pede a recordar dos pobres (Gal. 2, 10), como Deus se recorda constantemente destes. Reminiscências de uma antiga teologia nos levam inconscientemente a interpretar Mt. 25, 31-46 de forma exclusivamente individualista e nos esquecendo que o nosso próximo não é unicamente um individuo, mas povos inteiros de “crucificados”. Assim como não se saceia a fome de um faminto fazendo-o disrcuso sobre a culinária, muito menos se resolve o problema do sofrimento pensando nessa. Somente comendo se mata a fome e somente lutando contro o mal e a injustiça se supera o seu caráter absurdo. B.- O segundo è a parábola do Rico opulento (Lc. 16, 19;31) que se condena não por ter gestido mal as suas riquezas mas pela sua insensibilidade diante do probre Lázaro que batia à sua porta. A parábola do ricco e do pobre Lázaro é aplicável às relações Norte18 Sul . Em uma importante homilia João Paulo II aplica estes textos evangélicos em contraste entre o Norte e Sul no mundo de hoje: “À luz da palavra de Cristo, este pobre Sul julgará o opulento norte. E os povos pobres e as nações pobres – pobres em modo diferente, não somente falta de alimentos mas muito mais privados da liberdade e de outros direitos humanos – julgarão aqueles aos quais os tiraram estes bens, acumulando para estes o monopólio imperialista do predomínio econômico e político a prejuízo dos outros” 19. C.- O terceiro maravilhoso texto è aquele da Parábola do Bom Samaritano (Lc. 10, 29-37), onde nos identificamos com o levita e o sacerdote. O samaritano não se pergunta que coisa lhe acontece se não se para a ajudá-lo, mas se pergunta: que acontece ao ferido se não paro para socorre-lo? Por isto João Paulo II afirma em ocasião da mensagem inaugural de Puebla: “ O Senhor demarcou na parábola do Bom Samaritano o modelo de atenção a todas as necessidades humanas e declarou que, no último significado, se identifica com os “deserdados”, encercarados, famintos, solidários e a todos aos quais estendeu a mão. A Igreja aprendeu desta e de outras páginas do Evangelho que a sua missão evangelizadora tem como parte indispensável a ação da justiça e o trabalho da promoção humana”. 26


A sensibilidade fazia com que os pobres fossem essenciais à fé cristã e por isto sempre existiram na Igreja as grande obras de assistência social. Destes textos se compreende perfeitamente a precisa afirmação do Sínodo de 1987: “O Espírito Santo nos leva a compreender mais claramente que hoje a santidade não pode chegar sem um empenho com a justiça”. “Bem aventurados aqueles que terão fome e sede de justiça”.

3.4.- Paixão pela Justiça O tema da Justiça resulta hoje absolutamente prioritário para a ação pastoral da Igreja... é alí que se decide a validade histórica e a autenticidade cristã de toda a ação pastoral” 20. Proclamar a fé e viver na injustiça é um escândalo e uma contradição (Puebla n° 28) O fundamento do acordo para a justiça e a paz é teológico. Não se trata de qualquer coisa de opcional e de boa vontade, importado de modelos recentes ou de ideologias não cristãs, mas que surge das entranhas da fé no Deus bíblico, no Deus de Jesus. Pertence à missão dos cristãos, qualquer seja o seu estado de vida, a sua vocação, trabalhar pela Justiça, pela Paz e pelos Direitos Humanos. “Para Jesus, homem verdadeiramente justo é aquele que não faz somente aquilo que é justo e certo, mas alguém que o faz porque é fortemente motivado por uma PAIXÃO PELA JUSTIÇA” 21. A “Paixão pela Justiça”, representa uma forma privilegiada de afirmar com a prática, Deus no momento presente. Para a revelação bíblica “A Paixão pela Justiça é paixão pela causa dos pobres excluídos” 22. “A prática da justiça se converteu em lugar Hermeneutico do significado desta ressurreição: de uma parte se compreende Cristo como ‘justiça de Deus’... se constitui em justiça nossa ‘levando’ dentro de si as conseqüências da injustiça. De outra parte, as vidas sacrificadas para a causa da justiça, se convertem em lugar de acesso à ressurreição” 23. “O trabalho histórico para a justiça e a reconciliação configurou a Igreja Latino Americana, e outras igrejas, como chave de solidariedade e caracterizou o seu caráter de sacramento” 24.

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A característica do cristiano não è somente aquela de lutar pela justiça, esta característica é de qualquer homem ou mulher crescido em ambiente de boa educação; mas de fazer nesta uma experiência de Deus. “Se interligam inseparavelmente a prática da contemplação e a prática da justiça, com solidariedade com o probre” 25. Esta nova espiritualidade na América Latina se chama: “mística e libertação”. Para Taizé “contemplação e luta”. É isto que Bonhoeffer chamava: “resistência e sumision” 26. È alguma coisa de comum em diversos continentes, com a terminologia destinta, porém com conteúdos parecidos.

3.5.- Solidaridade e Justiça (Agir) Não se poderá falar de justiça verdadeira se a justiça não nasce da solidariedade. Solidariedade= Empatia que se coloca no lugar das vítimas e inicia a reconhecê-las em modo real e não meramente declaratório como sujeitos de direito e dignidade27. A verdadeira solidariedade é fundada principalmente na igualdade universal que une todos os homens e mulheres. A solidariedade transcende todas as fronteiras: políticas, religiosas, territoriais, culturais, etc. Para instalar-se na pessoa, em qualquer ser humano, fazendo sentir no nosso interior a consciência de uma “família” com o resto da humanidade. A solidariedade se realiza fazendo em modo que todos os seres humanos participem ao grupo dos bens disponíveis. Estes devem ser divididos, repartidos e distribuídos sem excluir ninguém, sem dar qualquer coisa a mais a poucos ao custo da privação de outros e sem introduzir da distribuição medidas discriminatórias. O compartilhar humano supõe que os bens sejam distribuídos segundo as necessidades que se devem satisfazer. A forma justa de compartilhar os bens se dirige pela lei da solidariedade: os bens de todos e para todos. Por sua vez a solidariedade culmina no justo compartilhar humano. O “outro” não é um rival e muito menos um instrumento mas um igual no banquete desigual da vida. Hoje temos a condição de colocar um fim à pobreza, ao menos àquela em grau extremo. Isto requer organizar a economia de modo que todos os habitantes da terra possam satisfazer ao menos as suas necessidades de base em modo decoroso. Uma distribuição equável das riquezas e de suas fontes planetárias não pode realzar-se sem as necessárias transformações estruturais e 28


um novo modelo econômico mundial. Juntamente com a mudança estrutural, se delineia uma “nova cultura econômica” que eduque a uma vida mais simples, a uma “ética do suficiente”, a um comércio justo e a um consumo responsável28. Os quatro verbos da solidariedade são: 1.- Ver 2.- Compadecer 3.- Aproximar-se 4.- Atuar. Na frase de Abbè Pierre “Quando você sofre eu mi sinto mal e não cessarei até quando não te darei o remédio” coabitam dua atitudes: ternura e eficácia. As vezes na nossa pastoral nos criticaram de ser muito duros e poucos ternos; e de falar muito e ser pouco eficazes. A Igreja deve “Manter abertos os olhos, o coração sensível e a mão pronta” 29. A.- Olhos abertos, significa aquela capacidade de ver e analisar a realidade do nosso mundo. E também orelhas abertas ao mundo para poder star verdadeiramente presente no nosso mundo. Se trata de estar atentos à vida, àquilo que acontece, para ver e escutar os gritos do mundo no qual vivemos, para ver a vida com os olhos de Deus, para dar-nos conta das ações do Espírito no nosso mundo e para escutar as chamadas que recebemos da realidade a colaborar com esta ação do Espírito. Estar atentos, escutar e ver o estilo de Deus que esta sob o que acontece na vida cotidiana, ao nosso redor, nos fatos ocorridos, na história... O Deus cristão é encontrado sobretudo na Palavra Incarnada, Jesus, o Filho (Cf. Eb 1, 1-4). Devemos incontrá-lo no presépio (Cf. Gal. 4,4; Roma 1,3; Lc 2, 6-7), no pão compartilhado, na cruz (Cf. Jo 6; Lc 22, 14-20; Jo 13). Tudos sabemos com que tipo gente andava fundamentalmente Jesus: os pequenos, os marginalizados e com aqueles que o sistema não os deixava nem ser, nem ter e nem possuir. B.- Coração sensível que exprime a sua atitude de ser sensível à realidade dos pobres. Aquele ver, conhecer e saber da realidade do mundo, do sofrimento e dos pobres não alguma coisa de frio que se faz a distância ou somente do estudo. Afim que o conhecimento da realidade nos mova a traba29


lhar para a sua transformação, deve fazer-nos mal, deve nos cansar interiormente no íntimo da nossa pessoa, o coração e converter-se em compaixão. Só se sabe aquelo que se sofre ou melhor, aquele que se compadece. Para o cristão o único conhecimento válido é o que leva à compaixão; como dizia I. Ellacurià, aquele que leva a “imprenhar-se e a tomar parte” do sofrimento das pessoas. Porém para manter o coração sensível e afim que tome vita a compaixão, percebi desde sempre que é muito necessário estar em contato com os problemas e com as pessoas que sofrem. C.- E portanto, a mão pronta para uma ação transformadora das “Estruturas de pecado” 30 que oprimem e deterioram a existência de tantos seres humanos. A caridade é amor a Deus que precisa fazer presente no mundo. A acolhida e experiência de Deus que é amor, nos leva a colocar como centro da nossa vida cristã, o amor a Deus e aos homens. Porém a caridade ou o amor, intendido como a relação de fraternidade e solidariedade entre as pessoas que buscam fazer com que os “outros” ou o “outro” valham mais, possuam mais vida e tenham sempre mais na plenitude. “Na comunidade dos crentes não deve existir uma forma de pobreza na qual se negue a alguém os bens necessários para uma vida decorosa” 31... “precisamente na Igreja como família, nenhum dos seus membros sofra porque se encontra em necessidade” 32 . JPIC deveria ser o “sacramento” do encontro e da fidelidade a Deus e da Igreja ao mundo. Afim que a JPIC cumpra a sua missão e afim que aqueles que trabalham na JPIC não sejam “burocráticos”, deve basear-se em uma espiritualidade que conduza a um estilo de vida e uma metolodolgia de ação. Eu direi também que muitas pessoas amavam como nós os nossos próximos sul africanos quando nos últimos anos oitenta trabalhavam contra o Apartheid, ou quando oito anos atrás, com cerca de mais mil ONGs pedíamos aos nossos Governos a assinatura no Congresso de Ottawa para eliminar as minas anti-homem que destruíram milhares de pessoas, ou quando colaboramos com Amnesty International escrevendo as autoridades dos Países onde não se respeitam os direitos humanos e pedindo a libertação dos prisioneiros de consciência, ou quando nos unimos à campanha para o cancelamento da dívida externa dos países pobres, ou dizendo NÃO À GUERRA NO IRAQUE... É precisamente este tipo de amor ou de caridade política, isto que pela JPIC somos chamados a promover. 30


4.- Paixão pela Paz 4.1.- Panorama atual da Humanidade (Ver)

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o nosso mundo lutam entre elas a cultura da morte e a cultura da paz.

Cultura da Morte: - O armamentismo: Enormes despesas para a corrida aos armamentos que não são usados para o desenvolvimento humano. Em 1995 as despesas militares superaram 1.4 milhões de dólares por minuto. - As guerras “inventadas”, esquecidas... são atualmente 40: • 16 na África; • 14 na Ásia; •

6 no Oriente Médio;

• 2 na Europa; •

2 na América33

- Dezenas de milhões de prófugos e refugiados; - As crianças soldados: Existem 300.000 crianças menores de 18 anos em 50 nações que prestam serviço como soldados regulares. - A violência que se exerce hoje é aquela do dinheiro. - Uma sociedade desmoralizada: sem valores e sem utopias... 31


Cultura da Paz - O movimento pacifista - A não violência ativa “A não violência é a força grande a disposição da humanidade. É mais podente que a arma mais podente da distrução” 34. “A não violência é uma arma potende e justa que corta sem ferir e torna nobre quem a utiliza; é uma espada que cura” 35. Por tudo isso, partindo do potencial da NÃO VIOLÊNCIA ATIVA, a grande necessidade e instrumento estratégico para atuar historicamente este princípio é EDUCAR PARA A PAZ. - Educar para a paz: a educação é o agente chave que conduz a uma cultura de paz, definida amplamente para incluir-la no aprendizado formal e informal, nas escolas e nas famílias, através os meios de comunicação e outras infra-estruturas sociais. - Construtores de Paz. A paz nasce quando se faz paz. - O diálogo. - Das espadas formarão arados, das lanças formarão foices... menos acampamentos militares e mais escolas e hospitais.

4.2. – A Paz na Bíblia (Julgar) A paz ocupa um lugar central nas escrituras. A Shalom (‫ )םולש‬hebraica é um vocábulo cotidiano. “Shalom” significa o “bem estar, a prosperidade material e espiritual tanto da pessoa que da sua comunidade” (Es. 18, 23). É sinônimo de plenitude e de ditados na vida humana. Quando um judeu deseja ao outro “‫”םולש‬, é como dizer: “Que Deus te abençoe e te acompanhe, com bom proveito para tudo aquilo que fazes e te conceda a felicidade plena.” Faz parte da tradição ver unidas a paz e a justiça: “O fruto da justiça será a paz” (Is. 32, 17; cf. Is. 60, 17). “O Reino de Deus não é comida nem bebida mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Rm. 14, 17; Cf. Sant. 3, 18) “A paz esteja convosco” é a saudação principal do Ressuscitado (Lc. 24, 36; Jo. 20, 19-21, 26). Também é a saudação dos seus discípulos será aquela da paz (Mt. 10, 13). Nos recomenda o valor e nos dá a sua paz: “Não tenham medo, vos deixo a minha paz, vos dou a minha paz” (Jo. 14, 27). E o 32


texto chave: “bem aventurados aqueles que trabalham para a paz” (Mt. 5, 9), a paz é um componente essencial para o amor ao próximo. Nas Escrituras a Paz aparece como dom de Deus e dever do homem e é sinônimo de salvação. De fato Deus é chamado o Deus da Paz (Rm. 15, 33; 16, 20; Fil. 4, 9; 1 Tes. 5, 23; Hb. 13, 20). Também o Evangelho é chamado o Evangelho da Paz (Ef. 6, 15) e Cristo é a nossa paz (Ef. 2, 14).

4.3. – A Espiritualidade da Paz A espiritualidade cristã entende a paz como o coração do Evangelho e como fruto da justiça. - A paz/justiça no Concílio Vaticano II Existe um dito popular que muitos afirmam ser perfeito: Se queres a paz, preparas para a guerra. Porém a nosso interioridade humana nos leva a uma outra afirmação mais autêntica: Se queres a paz preparas para a paz. Se queres a paz, ajude a construí-la com a tua conduta cotidiana. Se queres a paz, demonstra a tua solidariedade, compartilhando, disponibilizando uma parte do teu tempo, das tuas fontes, dos teus conhecimentos. O Vaticano II adverte: “A paz não é a mera ausência de guerra, nem se reduz a um equilíbrio das forças adversárias, nem surge de uma hegemonia despótica, se não com toda a sua exatidão e propriedade se chama obra de justiça... Por isso a paz não uma coisa de tudo feita, mas um perpétuo fazer” (GS 78). Na doutrina social da Igreja o tema da paz é muito desenvolvido. Merece especial menção a Encíclica Pacem in Terris (Paz na Terra) de João XXIII. E tantas outras... • “O desenvolvimento é o novo nome da paz” (Populorum progesso 87); • “A solidariedade é o novo caminho para a paz e para o desenvolvimento” (Sollic. Rei soc. 39); Infelizmente esta concepção positiva da paz que exige como fundamento quotas cada vez maiores de justiça, liberdade e amor, foi degenerando até converter-se em qualquer coisa de exclusivamente negativo: a ausência de guerra. Um exemplo temos no fato que a chamada Ética da paz foi construída 33


muito bem em relação ao fato de evitar a guerra (“doutrina da guerra justa”) antes que como caminho positivo de construção da paz. Se o meu interior é cheio de preconceitos, de intolerâncias, de ódio, de violência... o meu modo de relacionar-me comigo mesmo, com os outros e com a natureza será marcado por estes caracteres. Ao contrário, no exercício da minha espiritualidade, usando a inteligência e a vontade com plena consciência da minha dignidade, as minhas relações comigo mesmo, com os outros, com o Absoluto e com a natureza serão marcadas pela liberdade de ser filho de Deus. Somente a espiritualidade da paz coloca as coisas no seu devido lugar e reforça a dignidade humana nas suas raízes. A verdadeira espiritualidade é fazer as coisas com o coração e vivêlas com o coração. Cada vez mais ser capazes de encontrar o sagrado onde Ele quer e em tudo aquilo que pode, respeitando a vida. A espiritualidade da paz tem por meta civilizar, melhor ainda, transformar o coração humano, libertando-o das tensões e das inquietudes pessoais e comunitárias. Esta obra educativa inicia com o educar à oração para a paz, à liturgia sacramental e à espiritualidade da paz. A oração pela paz é uma das maiores e mais antiga tradição da Igreja, porque nos remete à época apostólica. A cultura da paz deve nascer do desenvolvimento dos valores fundamentais da humanidade e da graça: o amor a Deus e ao próximo, a abertura a Deus e ao próximo, o diálogo, a cooperação e a participação, a não violência, o perdão, a disponibilidade a sofrer por amor a Deus e ao próximo; a harmonia com a natureza, a generosidade. Somente nesta prospectiva se pode viver na Benção do Construtor da paz. Uma espiritualidade da Paz será possível somente aceitando um empenho profético da solidariedade e comunhão com as pessoas que são vítimas das injustiças sociais. Por isto, a espiritualidade da paz comporta uma memória dos mártires da América Latina e de tantos outros povos na luta pela sua libertação. Espiritualidade da paz interior e exterior no compreender que o valor da minha vida não se baseia nas minhas idéias mas no amor e na minha relação amorosa com todos, mesmo com aqueles que são contrários às minhas idéias. Espiritualidade da paz = dimensão terapêutica da não violência. Não basta crer, fazer um discurso ou inventar uma ação pela paz... se deve viver a paz, sentí-la, envolver-se, entusiasmar-se, desarmar-se diante do poder da ter-

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nura afim que a paz nos faça restabelecer por dentro. Necessita que a Não Violência Ativa faça cicatrizar as feridas e frustrações, para que encontremos a harmonia – a inteligência emocional ou inteligência espiritual ou inteligência do saber da paz. Se deve partir com o declarar-se analfabetos deste tipo de inteligência e lutar para desaprender a cultura da violência, da qual somos doutores. É necessário perseguir uma espiritualidade da paz que ocupe todo o nosso ser humano para uma paz autêntica, que não dependa das ideologias dominantes, mas que se sustente sobre a dignidade irrenunciável e inalienável de casa pessoa humana pelo fato de ser pessoa. Para entrar na paz são necessário três coisas: uma conduta ética; uma disciplina mental; uma sabedoria que nasce da interioridade e o empenho pela dignidade humana que harmoniza a criação inteira. Tudo isto nasce da espiritualidade humana, que supõe conhecimento de nós mesmos, silêncio contemplativo diante da realidade injusta e violenta, atitudes fundamentais baseadas na dignidade inviolável dos homens e mulheres, etc. certamente o reencontro da paz traz consigo uma atividade de caráter espiritual sem a qual se chega somente a negociações temporais de não agressão, porém não se consegue a paz em todo o seu significado.

4.4 – Educação para a Paz (Agir) A educação para a paz deve apoiar-se sobre uma base sólida e realista. Deve-se ter como referência o sonho da utopia, porém aponhando-se na realidade. Qualquer iniciativa de educação, se não tem um bom fundamento na realidade, será pouco efetiva, e no caso da educação para a paz é fundamental partir desta para compreende-la e poder transformá-la. E desta realidade se deverá evitar duas tendências que normalmente aparecem quando se tenta de estabelecer os princípios básicos. Uma tendência é aquela de desanimar ou abandonar antes de iniciar a postular que somente se terá paz quando crearse-á uma consciência universal e renunciar-se-á à violência. Em todos os casos isto seria o objetivo final na moldura da utopia, difícil de conseguir, supondo que sempre existirão pessoas, grupos ou países governados com violência. Não se trata de conseguir a maior homogeneidade ou toda a humanidade, mas de crear uma consciência majoritária a favor da paz. 35


Na realidade as guerra não se fazem para a humanidade compreendidas aquelas que tem maiores implicações internacionais. A outra tendência gura em torno da idéia que mudando as estruturas políticas, Econômicas e sociais seja suficiente para que se tenha a paz. Isto é certo e seria necessário, porém as estruturas respondem a um modelo de sociedade e de desenvolvimento e estes tem uma escala de valores que os comanda. Portanto é fundamental gerar uma consciência social e uma mudança de valores afim que se possa atuar na retirada das raízes dos fatores estruturais e conjunturais que geram a violência e assim construir uma cultura da paz. De qualquer maneira, é evidente que se si procura mudar as estruturas de forma democrática e socialmente igual já teremos feito passos importantes em direção a cultura da paz. O caminho é um processo mixto de criação da consciência individual e social, juntamente às mudanças das estruturas sociais, econômicas, políticas e culturais para avançar na construção da cultura da paz.

Princípios da educação para a paz Como se foi dito anteriormente, um âmbito de intervenho fundamental para gerar a consciência social é a educação, mesmo se não é o único. Alguns princípios da educação para a paz são os seguintes: Educar para a paz supõe ensinar a aprender como resolver os conflitos. O conflito é presente de forma permanente na nossa sociedade como manifestação das diversidades e de interesses e visões gerais. Os conflitos que normalmente tem diferenças de causas e argumentações: territoriais, culturais, econômicas, social trabalhista, etc... Tradicionalmente se resolvem mediante o uso da força e mediante a imposição da vontade dos mais fortes. Não existem soluções mágicas porém existem mecanismos para resolver os conflitos de natureza diferente e que fazem parte da cultura de paz: o Eliminação dos fatores socio-economicos que possam gera-lo; o Desenvolvimento de uma justiça nacional e internacional; o Previsões de conflitos mediante a observação e política intervindo para redimensioná-lo; o Controle e autocontrole da agressividade;

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o Diálogo negociação ou mediação sem obrigatoriamente a necessidade de haver vencidos e vencedores. o Estratégias e técnicas didáticas para educar na escola. - Educar para a paz é uma forma particular de educar nos valores. Quando educamos, conscientemente ou inconscientemente estamos transmitindo uma escala de valores. Educar conscientemente para a paz supõe ajudar a construir valore e atitudes determinados, tais como justiça, liberdade, cooperação, respeito, solidariedade, atitude crítica, empenho, autonomia, diálogo, participação. Ao mesmo tempo se discutem os valores que são contrários à paz como a discriminação, a intolerância, a violência, o etnocentrismo, a indiferença, o conformismo. Assim a construção de uma cultura da paz baseada nos valores anteriores quer dizer que deve haver um empenho social em todas as esferas gerando políticas e intervenções que os reforce. - Educar para a paz é uma educação da e para a ação. Não se trata de educar para inibir a iniciativa e os interesses se não para canalizar a atividade e o espírito combativo até conseguimento dos resultados úteis à sociedade. Se trata de participar na construção da paz. - Educar para a paz é um processo permanente e portanto isto deve ser recolhido nos projetos educativos. Isto deve também ser presente nos programas ou intenções dos agentes educativos não formais como os meios de comunicação, os organismos não governativos, as administrações locais, etc. - Educar para a paz supõe recuperar a idéia de paz positiva. Isto significa construir e potenciar no processo de aprendizagem as relações baseadas na paz entre os alunos-pais-professores; entre os cidadãos e o poder. Destes deriva a necessidade de enfrentar os conflitos que se tem na vida do centro e na sociedade de forma não violenta. - Educar para a paz no curriculum escolástico comporta da-lo uma dimensão transversal de modo que toque todos os conteúdos das áreas disciplinares que se estudam como também a metodologia e organização do centro. Isto deverá estabelecer os mecanismos que a favorecem. Enfim podemos dizer que metodologicamente se deverá intervir nos diversos âmbitos de influência (escola, meios de comunicação, ONG, movimentos associativos, famílias, etc.) para: o Promover situações que favoreçam a auto-estima como base importante das relações pessoais e sociais; 37


o Promover situações que favoreçam a comunicação e convivência com o interior e o exterior dos contextos; o Participar as celebrações e atos concernentes a paz e a solidariedade. o Crear ambiente democráticos nas aulas, centros e outros contextos de ralação; o Fomentar a reflexão, o intercâmbio de opniões e a argumentação como defesa; o fomentar a compreensão dos pontos de vista dos companheiros; o Condividir e difundir as normas de convivência; o Promover o trabalho de grupo e os projetos coletivos; o Utilizar técnicas de reflexão e desenvolvimento moral: debates sobre experiências, clarificação de valores, discussões de dilemas, resoluções de conflitos, dramatizações, jogos de simulação, etc...

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5.- Paixão pela Ecologia 5.1.- Panorama atual do nosso planeta (Ver)

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cada dia somos mais conscientes daquilo que a Carta da Terra declara: “Estamos diante de um momento crítico da história da Terra, uma época na qual a humanidade deve escolher o seu futuro: ou formar uma aliança mundial para cuidar da Terra e trata-la juntamente ou arriscaremos a destruição de nós mesmos e da biodiversidade da vida”.        

O aquecimento Global; A redução da camada de ozônio; A desertificação; A diminuição das florestas; A degradação dos oceanos; A poluição química; A diminuição da biodiversidade; A distribuição não igualitária da água, que requer uma “cultura e ética da água”.

A agressão à natureza comporta graves conseqüências para todos, porém de modo especial para os mais pobres e para aqueles que não tem proteção. As estatísticas abaixo nos ajuda a ver melhor a fatal situação ecológica no nosso planeta: 39


DEMOGRAFIA: Depois de 150.000 anos a humanidade aumentou em: ¿

1939: 1.500 milhões;

¿

1969: 3.000 milhões;

¿

1999: 6.000 milhões;

¿

2028: 8.000 milhões;

¿

2039: 12.000 milhões.

TERRA: • Anualmente 60.000 Km2 de terra cultivável se transformam em deserto; • De 1950, mais da metade dos bosques desapareceram; • Luz amarela na Amazônia; • Se agride a biodiversidade: desaparece uma espécie a cada dia; • Em 2030 se esgotarão as reservas de petróleo. ÁGUA: • 1/3 dos países em via de desenvolvimento não tem acesso a água potável; • 2/3 não a terã em 2025; • A disponibilidade de água reduziu-se de 17.000 m3 para cada um em 1950, aos 7.000 m3 atuais; • De 1950 até os nossos dias reduziu-se 1/4 a pesca mundial; • 70% das reservas de pesca chegaram ao seu limite (17 regiões). Segundo um novo estudo as mudanças climatológicas poderão causar a extinção de mais de um milhão de espécies. AR: • O século XX consumiu 17 vezes mais energia que o século XIX; • Cada ano 6.000.000.000 de toneladas de CO2 são emitidas na atmosfera; • Os resíduos fósseis aumentaram em 400% em relação a 1950; • O Gás Carbônico está destruindo a camada de ozônio que protege dos raios ultravioleta. 40


EFEITO ESTUFA • • • • •

No século XX a temperatura aumentou mais que em todo o milênio; Neste século poderia aumentar de 5°, 8°; As geleiras se dereteram em 42%; Com conseqüência o nível do mar subirá cerda de 88 cm; Aumento dos ciclones, seca, tempestades, etc. Exploração dos recursos naturais

• É um dever colocar limites ao consumo se não queremos extinguir as fontes naturais. Caso contrário se esgotarão as fontes não renováveis; • A agressão à natureza determina graves conseqüências para todos, porém mais grave para os mais pobres e não protegidos; • O nível de consumo dos países ricos é insustentável no futuro mais imediato; • Si se mantém o crescimento do consumo, antes do ano 2100 o mundo entrará em colapso por causa do esgotamento das fontes renováveis. ECOLOGIA Se lemos ecologia como (εκολογια) do grego oikos = casa, lugar, família, país; e logos = palavra, ensinamento, razão. Assim a ecologia poderia ler-se como “aprender a lógica” ou “aprender as regras ou princípos” da casa. Podemos tomar consciência que as suas raízes são presentes também nas palavras ecumenismo e economia. - Economia (oikuo...) (oikonomeu = Lei, princípio, regra) na sua etimologia grega quer dizer: “Administração da casa, missão, responsabilidade”. - Ecumenismo deriva de Oikumene, que significa terra habitada, mundo conhecido e civilizado, universo. Deriva da sua raiz grega Oikos a qual está em relação com Oikia, que se refere ao lugar onde se desenvolve a vida em família, espaço onde é possível chegar a construir uma comunidade. Em grego a ação de construir é espaço (Oikia) ter a casa (Oikos) se exprime através o conceito Oikodomèo (oiko....). No novo testamento este verbo é utilizado

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para indicar a construção da igreja (Mt. 16, 18) ou para indicar o processo da sua edificação. Hoje diríamos “fazer comunidade” Se tivermos e considerarmos estes três conceitos, poderemos tentar encontrar uma definição que as relações: “A ecologia é o esforço, a tentativa do ser humano de entender a lógica (A realidade) da casa, do mundo, para cumprir a sua missão ou responsabilidade de fazer do mundo uma comunidade humana”. A natureza não é uma máquina sem vida, é um sistema complexo no qual o homem é intimamente relacionado e da relação com esta deriva a sua permanência no planeta. Reconhecê-lo como nosso lugar, porque não temos um outro onde viver, respeitar os seus limites, os seus princípios e os seus mecanismos de vida: compreender que alguma coisa viva da qual fazemos parte e portanto entender que se o destruímos, é como que destruíssemos nós mesmos; compreender que se danificamos as fontes naturais, esgotamos as nossas fontes e com estas a vida de ambos, implica a necessidade de unificação, assunção de conceitos que anteriormente eram desconhecidos e que constituem o fundamento do novo pensamento educativo que deve ser assumido para tornar consciente as presentes e futuras gerações da importância que tem a conservação das fontes, para que finalmente gerem ao redor de suas sobrevivência. Não somente a terra está em perigo, nós também estamos.

5.2.- A Palavra de Deus sobre a Criação (Julgar) A primeira coisa que chama a atenção é: “E Deus viu que tudo era bom” (Gn. 1, 2). A criação é a casa e o jardim que Deus fez para o homem, que criou a sua à sua imagem e semelhança: foram criados homem e mulher. Os colocou no jardim para cultivá-lo e protegê-lo (Gn. 2, 15). Este é o desafio do homem. O homem depende do jardim e o jardim depende do homem. O jardim nos protege, é como o seio materno: nos oferece conforto e alimento, beleza e vida. E o homem deve cuidar do jardim, servi-lo, protege-lo e cultivá-lo. Não somos os proprietários do jardim. Não o podemos manipular segundo a nossa vontade sem fazer os cálculos sobre o bem e o mal. Com o nosso esquecimento ético podemos matá-lo e matar-nos. “Crescei e multiplicai-vos”. “podeis comer” é o mesmo que: - Seja você mesmo; - Aceita o risco de viver (Autonomia criadora). 42


“Não comerás da árvore do conhecimento do bem e do mal” esta proibição marca o limite do desejo, recordando ao homem e a sua finalidade: • Não é Deus; • e mostrando-o o risco da destruição: “naquele dia morrereis”. O risco da liberdade: Onde o ser humano pretende comer de tudo e apropriar-se do mundo sem limites, - Ultrapassa o limite ecológico; - Se Transforma em depredador do conjunto da vida; - Termina por destruir a si mesmo. Gn. 3: (A serpente) a presença do mal que ameaça a casa e o jardim da vida. A serpente no intimo do ser humano faz crescer:  A suspeita diante de Deus e dos outros;  O desejo de inveja  A vontade de dominar com força todas as coisas; - Tentação: “Sereis como que deuses”; - Sugestão calculadas para rejeitar o Criador; - Ofuscamento; - Despidos e nus. A humanidade representada por Adão e Eva, quis substituir Deus através do conhecimento/saber plena do bem e do mal (manipulação). • Toma posse da árvore do conhecimento do bem e do mal; - Para tornar senhor da vida; - Elevando ao estado de divinitá si mesmo; - E adquirir a imortalidade, sem ter em conta a mutua violência e da destruição que isto gera. Homens e mulheres comem juntamente da árvore do conhecimento supremo, negam o mundo de Deus, a harmonia cósmica e humana. Podem construir seu mundo somente com a luta invejosa com a dominação dos seres sobre outros seres. O conhecimento é coisa boa; o perigo é representado do conhecimento do bem e do mal em chave de domínio, para satisfazer o desejo egoísta. Soment Deus é o senhor do bem e do mal, que conduz até a fonte da vida com gestos de comunhão e de amor.

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É necessário insistir no fato que o domínio da pessoa humana sobre os seres criados, que encontra referência no livro do Gênesis, “não é um poder absoluto”; deve realizar-se com santidade e justiça (sab. 9, 1-4). De fato, juntamente com Gn 1, 28, se deve ter presente a relação javista da criação (Gn 2,3), que é todavia a mais antiga. Nessa se fala do “jardim do Éden” e se diz que Deus colocou o homem ali para que “o protegesse e o cultivasse” (Gn 2, 15). O ser humano não tem o direito a saquear a natureza porque a terra é de Deus (Gn 22, 19; Os 9, 3; Jer. 16, 18; Salmo 85, 2; Ez 36, 5). Os israelitas permanecem nesta como meros inquilinos ou locatários, ou mesmo como forasteiros e convidados (Lv. 25, 23).

5.3. – Espiritualidade ecológica A criação no projeto de Deus. Realizar uma espiritualidade ecológica

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A partir do livro do Genesis podemos tirar algumas conclusões teologico-espirituais: a) O projeto originário de Deus sobre o ser humano é aquele de uma existência em harmonia com si mesmo, com a natureza e com o seu Criador; b) Mesmo se as pessoas humanas exercitam uma certa supremacia sobre o resto das criaturas, tal supremacia é subordinada à sua condição de imagem e semelhança, de administrador e peregrino sobre a terra. Deus continua a ser o primeiro e o Senhor absoluto da sua criação; c) O pecado é aquilo que desfez todo o equilíbrio impedindo a realização do plano criador originário de Deus, que compreende todo o cosmo, de prosperar sobre a terra; d) Por isto os primeiros capítulos do livro da Gênesis nos chamam a Romanos 8: “A criação espera angustiada a revelação dos filhos de Deus... está gemendo com dores de parto”. Em seguida traçamos algumas linhas de força disto que se pode chamar espiritualidade cristã em chave ecológica. Esta espiritualidade deve ter como ponto de partida ao menos três critérios irrenunciáveis: 44


1. A criação como sacramento e obra de Deus e a pessoa humana, em Cristo, como imagem e semelhança de Deus; 2. A criação distorcida por causa do pecado, como vocação e desafio da nova criação e o novo Adão; 3. A criação e a glorificação escatológica. Para traduzir-se em forma existencial esta espiritualidade deverá colocar novamente em primeiro plano estas dimensões: • Redescobrimento da experiência bíblica: memória da harmonia, bondade e beleza da criação, e do homem como parceiro e interlocutor da divindade; • Potenciamento de uma ética cristã, que marque como ponto de referência a pessoa, mistério e obra salvadora do Senhor Jesus, o Senhor da história; • Convivência conjunta e solidária de um crescimento pessoal e social. É o momento de pensar em chave de universalidade e totalidade. A criação é de todos e a salvação é para todas as pessoas; • Necessidade de uma espiritualidade da solidariedade, do amor e da vida, traduzida em micro e macro ações. Deve-se cuidar dos gesto ascéticos e de empenho, de denúncia e de alternativa, conscientes que a raiz última e profunda da desordem é o pecado e que a melhor ecologia integral é o inserimento no mistério pascal de Cristo. Todos somos chamados a responder a esta realidade; • Espiritualidade do diálogo com todas as pessoas, culturas e religiões. O futuro é responsabilidade partilhada. Continua a ser necessário o diálogo ecumênico, intercultural e inter-religioso como base e garantia de uma nova ordem ética e mundial; • Reassumindo: uma espiritualidade que não pode ser evasiva nem dualista, que ponticie as dimensões pessoais e sociais, e que deve ser, em relação ao universo, criativa e unitária. Uma espiritualidade ecológica ve as pessoas humanas como parte integral da criação, com a vocação de tratá-la bem e protegê-la. A humanidade não é a senhora da criação, Deus a deu a responsabilidade de tratá-la bem e de usá-la para proteger e gerar a VIDA. Esta consciência de responsabilidade 45


tenta criar uma relação justa entre a humanidade e o resto da criação, de uma atitude orante, com respeito e admiração pela criação que é expressão de Deus. A sensibilidade ecológica é uma maneira significativa de recuperar a dimensão espiritual do ser humano e do cosmo. A espiritualidade ecológica nos demonstra que a “criação é a revelação primária do divino”37. A consciência ecológica é consciência espiritual. Descobrimos o toque de Deus na natureza. A folha que tens na mão, uma vez era uma árvore e agora contém uma amálgama de molécula de luz solar, de chuva e de terra unidas entre elas. TUDO É INTER-LIGADO, INTE-RELACIONADO, INTER-DEPENDENTE. Todos somos uma parte do cosmo e somos em inter-relação constante com todo o cosmo. Os nossos corpos são feitos das mesmas substâncias da montanha, dos oceanos, das estrelas e da terra (a diferença entro o genoma humano e aquele do porco é mínima). Na jornada Mundial da Paz se indicou que: “A questão ecológica é responsabilidade de todos” e é necessário estabilir “esforços concordados com o fim de estabilir os respectivos deveres e os empenhos de cada um dos países, dos Estados e da Comunidade Internacional”. - Paradigma é um “quadro de interpretação”, que representa um modelo ou esquema, para compreender e explicar determinados âmbitos da realidade. Quando se dá uma mudança de paradigma, se produz uma nova forma de pensar sobre antigos problemas e sobre diferentes realidades. Efetivamente a preocupação ecológica está criando a consciência em relação ao fato que se deve olhar o mundo de outro ângulo. O ser humano deve iniciar a reconhecer que é ligado com o ambiente, que depende deste e que não se pode desligar dele sem sofrer danos. O ser humano não é um ser fora do mundo e da natureza, mas é “ligado” e isto o leva a ter uma nova compreensão da natureza, de si mesmo e de todos os âmbitos da vida humana, inclusive a consagração e os votos. Este novo paradigma pode ser chamado “a consciência ecológica”. Alguns perfis conceituais deste novo paradigma são: • O ser humano deve aproximar os temas da natureza de forma complexa, global e individual.

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• Deve impor-se a convicção do profundo inter-colegamento existente entre os processos naturais. Os interventos nos ecosistemas tem repercussões em outros lugares. Senso assim podemos afirmar: “Pensa globalmente, age localmente”. • Deve também passar de uma visão exclusivamente antropocêntrica do mundo a uma concepção que assume a dimensão biocêntrica. Não é só o ser humano, se não unido com a natureza, aquilo que é no centro da nova consciência ecológica; também a mesma visão cristã defende uma certa centralidade do ser humano juntamente com a dos seres vivos. • A nova consciência ecológica deve incluir também a referência evolutiva. O ser humano, neste momento da história da evolução tem nas suas mãos a responsabilidade da ulterior evolução. Somos, queiramos ou não, os administradores do processo de evolução sobre a terra, no bem e no mal. • Muitos representantes da nova consciência ecológica consideram a natureza e o cosmos – não só o ser humano – penetrados do “espírito”. Esta perspectiva espiritual, presente na sabedoria das religiões, deve ser também integrada na orientação do homem atual em relação com a natureza. A consciência ecológica acentua a inteira união de todos os mínimos, e a consciência desta união é essecialmente uma consciência religiosa ou espiritual no seu núcleo mais profundo. Esta visão ecológica contempla o mundo como uma rede de relações múltiplas, onde tudo é unido e em uma inter-dependência mútua, o ser humano não é fora da natureza, não é outro que parte desta; é submisso à natureza e unido estreitamente à evolução.

5.4- A realidade ecológica transformada da espiritualidade cristã (Agir) “A profissão de fé na criação, da parte dos cristãos é hoje um ato de resistência diante da distrução da natureza e à auto-destruição do homem moderno” 38. “Chegarão a viver em conformidade com a natureza” o dia ao qual descobriremos Deus na natureza e aprenderemos a respeitar a natureza em Deus” 39. 47


“Viver em conformidade com a natureza” significa harmonizar e ajustar os ulteriores dessenvolvimentos da civilização humana às condições do organismo terrestre complexo. A nossa cultura não harmoniza bem cultura e natureza, porque importa a nós somente “possuir” 40.

Individualizer como unitariamente podemos praticar os três R (Reciclar, reduzir e recordar)!

Reciclar…

Reciclar...

• Revisar os nossos hábitos de consumo e comprar produtos que não tem uma embalagem muito elaborada. Utilizar detergentes e artigos de limpeza bioderadáveis. • Reciclar tudo aquilo que pode ser reciclado: plático; casca de fruta e de verdura; papel e papelão, vidro e latas. • Fazer uma mistura. Se se junta uma certa quantidade de minhocas, de terra, de folhas, de ramos e outros resíduos do jardim, o resultado será um fertilizante muito benéfico para a terra. • Pedir aos fabricantes de assumir a responsabilidade de recolhar as partes usadas e danificadas dos televisores e dos computadores que necessitam de um processo especial para serem reciclados. Outros...

Reduzir...

Reducir…

• Reduzir o consumo de água. • Reduzir o consumo do carro. • Reduzir a incineração de material não reciclável.

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• Reduzir a emissão de cloro fluor carburante e substitutos, evitando o uso do aerosol e utilizando equipamentos eletrodomésticos que economizam energia. • Reduzir o consumo de eletricidade por meio de iluminação fluorescente. Outro...

Recordar…

Recordar...

• Recordar aos governos locais o seu empenho com a reciclagem e a eliminação da sujeira, assim como a obrigação de manter atualizadas as leis sobre reciclagem e eliminação da imundície. • Recordar com firmeza aos empresários locais que devem simplificar as embalagens dos seus produtos. • Recordar às autoridades locais que devem economizar eletrecidade e utilizar sistemas de eletrificação eficientes. • Recordar aos governos nacionais os seus empenhos com as declarações e os protocolos a favor do ambiente. • Recordar a todos aqueles com quem se relacione quotidianamente a necessidade de respeitar a terra e fazer do princípio “Reduzir, Reciclar, Reutilizar e Recordar” a direção a seguir para o consumo. Outro... Reassumindo: Hoje mais que nunca devemos ser conscientes da necessidade de proteger o oikos... (casa) Plante uma árvore Necessidade de contemplação da criação, sobretudo nos países modernos, mais extressados. Relacionar os problemas da ecologia com os problemas da Justiça e da Paz. 49


A nossa vida religiosa passionista está se abrindo à integridade da criação. Aqui recordo uma famosa referência do Deuteronômio: “Olha: hoje coloco diante de ti a vida e o bem, a morte e o mal. Se obedeces aos mandamentos do Senhor, teu Deus... viverás e crescerás; o Senhor teu Deus te abençoará na terra onde irás viver... Porém se o teu coração se afastar e não obedecerdes... eu te anuncio hoje que morrerás sem remédio... Hoje cito como testemunhas contra vós o céu e a terra; te coloco diante a benção e a maldição. Escolhe a vida e viverás tu e a tua descendência...” (Conf. Dt 30, 15-20). No nosso caso se trata de escolher o caminho que conduz à vida, ou seja, o que pode evitar a catástrofe ecológica. Parece possível esperar, sem cair em falsos otimismos, que finalmente optaremos pelo caminho que conduz ao superamento da crise ecológica na qual nos encontramos. Possível e por fim fecundo. E as vezes por si mesmo mais lógico. Por isto será necessário realizar, da parte de todos, um grande esforço capaz de mudar as tendências viciadas que poder conduzir ao abismo e de dar uma forma a uma nova lógica econômica e política, marcada por uma cultura solidária. A minha convicção pessoal é que o cristão pode contribuir de forma significativa, mesmo se modesta, a modificar estas tendências negativas que conduzem à “morte e ao mal” e a mostrar o caminho que leva à “vida e ao bem” para utilizar a linguagem própria do livro do Pentateuco citado acima.

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Para refletir, discutir e agir 1. Como religiosos/as podemos aprender alguma coisa do movimento ecologista? 2. Que coisa devemos fazer para aprofundar a espiritualidade de a centralidade da criação? 3. Temos presente que o pecado rompe com a harmonia do ser humano – natureza e o seu poder destrutivo desemboca em uma crise ecológica? Temos suficiente consideração da importância da dimensão cósmica do pecado juntamente com o pecado pessoal e estrutural? 4. Tente escrever, a partir daquielo que foi lido nesta seção uma oração ou um salmo de agradecimento, de lamento, de pedido de perdão.

Para refletir, dialogar e agir 1. Da tua experiência de vida que mudança de paradigma está percebendo? 2. Segundo a tua opinião quais são os valores mais importantes deste novo paradigma? 3. Existem em ti a na tua comunidade resistências para acolher este novo paradigma ou ao contrário, ações ao seu favor?

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6- Método de trabalho da JPIC

P

aulo VI dizia: não existe outra missão que aquela de manter abertos os olhos da Igreja, o coração sensível e a mão pronta para a obra de caridade que é chamada a realizar no mundo”. Estas palavras nos mostram o método de trabalho que podemos dizer, é aquele de Ver, Julgar e Agir. O método de trabalho segue praticamente o esquema do “Ver, Julgar e Agir” por todos conhecidos. Todas as atividades que se realizam podem ser colocadas em um destes três momentos: 1.- Ver: escuta, coleta e analise de dados e de informações. Se trata de escutar e analisar a realidade. É necessário também saber analisar a realidade para conhecer as causas e as dimensões dos problemas. 2.- Julgar: Estudar esta realidade à luz do Evangelho, da Doutrina Social da Igreja e no nosso caso da espiritualidade passionista. Porém tendo muito em consideração também as ciências sociais. Este estudo e reflexão tem a função de estimular e sugerir a ação, aos membros da comunidade cristã. 3.- Atuar: Dar sugestões e propostas de ação. Ações que não sejam atividades despersas e não conectadas, mas que respondam a um dos objetivos transformadores da realidade e que sejam evangelizadoras. Promover os estímulos para a ação.

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Deveres do trabalho na JPIC SENSIBILIZAR E MENTALIZAR: • Sobre a realidade social e humana do mundo, seja próximo ou distante: discursos, campanhas, conferências, publicações... • Sobre a importância deste temas, explicando os fundamentos bíblicos, promovendo o conhecimento da Doutrina Social da Igreja, trilhando o caminho para a integração desta dimensão da Espiritualidade missionária Passionista, etc. • Sobre a necessidade de repensar o nosso estilo de vida e a nossa missão em um mundo marcado por enormes injustiças, desigualdades e pobreza, em coerência com aquilo que acreditamos. • Participar aos diversos fóruns na própria região sobre os temas da JPIC, promover a participação dos passionistas e os seus seguidores. • Apoiar os centros de comércio justo e solidário, orientar as possíveis inversões de critérios éticos, campanhas... INFORMAR E FORMAR: • Sobre a situação dos Direitos Humanos e da luta para a justiça e a paz no mundo. Situações de conflito, injustiças sociais e econômicas, problemas ecológicos... • Sobre problemas de atualidade que vão surgindo. • Sobre causas, os autores e as realidades que geram os conflitos e as situações de injustiça e violência. ANIMAR • Semear e manter as inquietações para a justiça e a paz. • Distribuir as nossas riquezas ao serviço e em defesa da causa dos pobres. 54


COORDENAR • Servir em âmbito do diálogo e da colaboração. • Acompanhar as inquietações e as iniciativas que vão surgindo nas comunidades cristãs. • Coordenar e reunir as religiosas da nossa região que trabalham para este tema. • Unir as forças com outros grupos que trabalham na mesma linha: Comissões de Justiça e Paz, CONFER, Caritas, ADECO, Mãos Unidas, Pastoral Operária, Imigração. E outros grupos: Amnesty International, Greenpeace, 0,7%, Médicos sem Fronteiras... PROPOR AÇÕES • Denunciar as atitudes e os fatos contrários aos Direitos Humanos, à Justiça e à Paz. • Unir-se a manifestações, aos comunicados e declarações. • Fazer pressão criando uma rede de pressões através da Internet e outros meios... • Participar nas campanhas organizadas dos diversos grupos eclesiais e não: Condenação da dívida externa; Campanha do 0,7%... • Igualmente entre os sinais de esperança que se descobrem no caminho do povo, se mencionam as organizações populares que nascem como alternativa aos sistemas que criam opressão, a nova solidariedade global que esta emergendo; o voluntariado e as ONGs. • Apoiar os projetos de desenvolvimento na nossa região em acordo com a ADECO e o Secretariado das Missões. Sobretudo afim que os projetos não se reduzam a uma mera coleta de fundos mas que entrem na vida das comunidades, nas posições pastorais como elementos “conscientizadores” e de chamada ao trabalho para a mudança da sociedade. • São muitas as ações que podemos fazer, cada um controle o que está fazendo e o que pode fazer. Estas são as sugestões. 55


Áreas de trabalho na jpic A área ou o campo de ação da JPIC é uma dimensão que deve ser presente em todas as realidades do apostolado: •

Missões

Paróquias

Catequese

Pastoral da Juventude

Formação dos leigos

Colégios

Direitos humanos

Cáritas

Trabalho com Imigrantes

Missões populares

Meios de comunicação

Trabalho com os marginalizados e excluídos

ONGs e voluntariado.

E que sobretudo deve ser trabalhada nas nossas comunidades.

Estamos falando de um “centre transversal” que deve ser presente em toda a pastoral e em todas as nossas atividades congregacionais. Logicamente tudo isto deve se concretizar em Ações e Projetos.

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Método da JPIC MÉTODO Diferentes métodos usados para ayudar a la gente

AGENTE La persona o gente que ayuda

PARTICIPACIÓN DE LA GENTE El papel de la gente cuando son ayudados

Asistencia Social

El Estado

Pasiva. Poca o nula consulta

Caridad

Desarrollo

Iglesias, Cari- Pasiva dades, ONGs Poca o nula consulta

Fondos, ONG’s,

Justicia y Paz Miembros y grupos de JPIC

Algunas veces pasiva; otras, activa. Depende del agente y cómo ellos vean el desarrollo. Por lo general requiere de fondos y de expertos. Activa

RESULTADO Lo que sucede cuando se usa este método

Dependencia. La gente se vuelve dependiente respecto al beneficio o bien obtenido Limitado. La caridad no resuelve los problemas. Únicamente ayuda a la gente durante corto tiempo. No sustentable por mucho tiempo. La vida de la gente mejora mientras dure el programa de desarrollo. Cuando estos programas terminan, por lo general la calidad de vida de la gente vuelve a deteriorarse. Sustentable. JPIC pregunta quién es el responsable. JPIC responsabiliza a las personas y a las estructuras debidas y se asegura que haya respuesta. 57


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7.- Material: (Véase DVD adjunto). 8.- Apêndice Páginas Web de JPIC 1..- http://www.utopia.pcn.net/jpic.html Página web de JPIC de los Claretianos. Excelente. Curso de JPIC muy bueno en http://www.utopia.pcn.net/taller.html Tiene incluso un boletín en http://www.gratisweb.com/justicia_paz/boletin.htm lástima que no continuó. La página más actualizada es ésta: http://www.utopia.pcn.net/es/modules/news/ 2.- http://www.ofm-jpic.org/index_es.html Página web de JPIC de los Franciscanos. Muy buena. 3.- http://www.marianistas.org/justiciaypaz/ Página web de JPIC de los Marianistas 4.- http://www.ofm-jpic.org/ofmjpic/congress2006/index.html Segundo Congreso de JPIC de los Franciscanos. 5.- http://www.oala.villanova.edu/nnuu/just_paz.html Pág. JPIC de los Agustinos 6.- http://www.dominicos.org/jyp/ Página web de JPIC de los Dominicos 59


7.http://www.cgfmanet.org/Default.asp?sez=0&sotsez=0&detSotSez=0&do c=0&Lingua=3 Salesianas de Don Bosco. 8.- http://www.consolata.org/imc/spagnolo/Giustizia/manuale/Content.htm Curso sobre JPIC de la Consolata. 9.- http://www.jpic-assumpta.org/rubrique.php3?id_rubrique=2 Religiosas de la Asunción, página dedicada a JPIC 10.- http://www.juspaxes.org/enlaces.php?opcion=Justicia%20y%20Paz%20de%20los%20institutos%20religiosos Web de Justicia y Paz (España) con muchos enlaces a otras webs de religiosos. 11.http://www.combonianos.com/comboni/combonianos/justica_y_paz/justiciapaz_presentacion.htm Misioneros combonianos. 12.- http://www.religiosasdelasuncion.org/jpic.htm Religiosas de la Asunción, provincia española. 13.- http://www.confer.es/dptos/JyP/default.htm La página de la CONFER de España sobre JPIC. Tiene buenos materiales. 14.- http://www.jpic.com.ar/index.html De los claretianos (religiosos y laicos) de Argentina y Uruguay. Es recomendable. 15.- http://www.planalfa.es/CONFER/justicia_y_paz.htm#menu Departamento de Justicia y paz de la CONFER. Con materiales. 16.- http://www.confer.es/dptos/JyP/Taller_Promotores/index.htm . Es un taller de JPIC. Es el mismo que el número 1, pero completo. Excelente. 60


Bibliografia - MARROQUIN, Enrique: Otro mundo es posible. Justicia, paz, integridad de la creación y vida consagrada. Publicaciones claretianas, Madrid, 2006. - AIZPURUA DONAZAR, Fidel: El sueño de Dios. Justicia, paz, integridad de la Creación y vida religiosa. Cuadernos CONFER, 35. Madrid, 2006. - ORBEGOZO, José Agustín: Vida religiosa: Pasión por Cristo, Pasión por la vida. Cuadernos CONFER 18. Madrid, 2000. - BALLESTEROS, Carlos y DEL RÍO, Nuria: Consumo y ahorro responsables en la vida religiosa. Cuadernos CONFER 33. Madrid, 2005. - AA.VV.: Espiritualidad pasionista. Centro forum, reflexiones sobre la Memoria Passionis. Roma, 2004. - MOLTMANN, Jürgen: La justicia crea futuro. Política de paz y ética de la creación en un mundo amenazado. Sal Terrae, Santander, 1992. - BRADLEY, Ian: Dios es “verde”. Cristianismo y medio ambiente. Sal Terrae, Santander, 1993. - CASALDALIGA, Pedro y VIGIL, José Mª: Espiritualidad de la Liberación. Sal Terrae, Santander, 1992. - SOBRINO, Jon: “Espiritualidad y seguimiento de Jesús”, en Mysterium Liberationis, t. II. Ed. Trotta, Madrid, 1990. pp. 449-476. - AGUIRRE, Rafael y VITORIA, Francisco J.: Justicia. En Mysterium Liberationis II. Ed. Trotta, Madrid, 1990. pp. 539-577. - GARRIDO, Javier: Proceso humano y gracia de Dios. Apuntes de espiritualidad cristiana. Sal Terrae, Santander, 1996.

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Publicaciones bajadas de Internet, incluidas en el DVD: 1.- NOLAN, Albert: Espiritualidad Bíblica. Espiritualidad de la Justicia y el Amor. 2.- Espiritualidad de JPIC. 3.- MARROQUIN, Enrique: Espiritualidad en clave de Justicia, paz e integridad de la creación. 4.- TAMAYO, Juan José: Espiritualidad y respeto de la diversidad. Conferencia pronunciada en el II Foro Mundial de Teología y Liberación. Nairobi, Enero de 2007. (cf. www.eclesalia.net ). 5.- PIKAZA, Xabier: Una espiritualidad ecológica cristiana. Ecología, justicia y solidaridad. 6.- SOLER, Juan. Justicia, paz e integridad de la creación: Vivencia desde la espiritualidad. 7.- O’CONAIRE, Gearoid Francisco: Hacia una espiritualidad de la animación de JPIC. 8.- LOIS, Julio: Pasión por la justicia. En Misión Joven. 9.- GONZALEZ-CARVAJAL SANTABÁRBAR, Luis: El compromiso por la paz y la justicia de los seguidores de Jesús.

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Para finalizar me parece oportuno recordarles la letra de uno de los cantos de Mercedes Sosa, que dice así: Sólo le pido a Dios, que el dolor no me sea indiferente, que la reseca muerte no me encuentre vacío y solo, sin haber hecho lo suficiente. Sólo le pido a Dios, que lo injusto no me sea indiferente, que no me abofeteen la otra mejilla, después que una garra me arañó esta suerte. Sólo le pido a Dios, que la guerra no me sea indiferente. Es un monstruo grande y pisa fuerte, toda la pobre inocencia de la gente. Sólo le pido a Dios, que el engaño no me sea indiferente, que un traidor puede más que unos cuantos, que esos cuantos no se olviden fácilmente. Sólo le pido a Dios, que el futuro no me sea indiferente. Desahuciado está el que tiene que marchar a vivir una cultura diferente.

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Notas 1

Daqui por diante usaremos a sigla, já universalmente conhecida, de JPIC.

2

Espírito não è oposto do material e do corporal (matéria ↔ espírito)

(espírito ↔ corpo) - Espírito (ruah) significa vento, hálito, sopro. O espírito é como o vento leve, potente. É como o hálito de vida… é como o sopro da respiração. - Espírito é vida, aquilo que faz existir o que é… /Cf CASALDALIGA, Pedro e VIGIL, José Maria: Spiritualità della Liberazione. Sal Terrae, Madrid, 1992. pp. 23-41. SOBRINO, Jon: “Espiritualidad y seguimiento de Jesus”, en Mysterium Liberationis, t. Il Ed. Trotta, Madrid, 1990. p. 468. 3

4

Ibd. p. 471

5

Ibd. p. 475

6

Processos I,572.

7

Bento XVI, Deus caritas est, n° 15

Da “revolução” epistemologica que representou a difusão do livro de Thomas S Kuhn, “The Structure of Scientific Revolutions” (Thomjas Kuhn, The Structure of Revolutions, University of Chicago Press, 1962. Prima edizione in spagnolo, F.C.E., Mexico, 1971), se tornou já um tópico usual falar de “mudança de paradigma”. O autor propunha que o desenvolvimento das ciências comumente não acontece sempre em modo contínuo, mas com base em rupturas. O Desenvolvimento de uma ciência se realiza normalmente dentro de um determinado modelo da realidade, conhecido como “paradigma”, do qual esta ciência normal faz sem dúvida progressos; mas depois se chega a um estado no qual estes progressos são escassos e se cria um vazio. Isto é devido ao fato que nenhum modelo é capaz de explicar todos os fenômenos do seu campo – a realidade sempre vai além de qualquer modelo representativo - , pelo qual permanece sempre qualquer anomalia que escapa. Chega um momento que estas anomalias se tornam explicitamente moléstias, e portanto a comunidade repensa os fundamentos do modelo reinante e se esforça a encontrar um outro. Estamos portanto na assim dita “mudança de paradigma”. A novidade desta descoberta representa uma explicação para muitos fenômenos contemporâneos. MARROQUIN, Enrique: “Um outro mundo é possível” p. 197. 8

65


AGUIRRE, Rafael e VITORIA, Francisco J.: Justicia. en Mysterium Liberationis II. Ed. Totta,Madrid 1990. p. 572 9

Cf. BOFF, L, Paixão de Cristo, paixão do mundo: o fato, as interpretações e o significado ontem e hoje, Ed Vozes, Petropoli, 1977. 10

Metz, J. B.: La fe, en la historia y en la sociedad, Cristiandad, Madrid, 1979, p. 116

ss. Metz fala do que elaboramos como de “uma história de vencedores” (A fé na história. p. 193). Na igreja lembrança dos mártires é a semente de novos cristãos. Por isto as ditaduras sempre quiseram esconder os mártires, as fossas comuns... por isto Metz a chama memória subversiva, que coloca na condição de defender as vítimas contra os algozes. 11

Gutierrez, G. afirma: “A história do cristianismo foi escrita com mão branca, ocidental, burguesa. Devemos recuperar a memória dos “Cristos azotados nas Índias”, como dizia Bartolomeo de las Casas..., e neles todos os pobres, vítimas deste mundo”. A força histórica dos pobres (Sìgueme, Salamanca, 1982, p. 370 Cf. pp. 31 e 249). É necessário recuperar a memória dos povos oprimidos: “falsificar a memória de um povo oprimido é como mutilar a sua capacidade de revelar-se e dar uma eficaz arma de sustento. A manipulação da história foi, e é ainda, um recurso importado dos grupos dominantes para manter o poder... No nosso continente sofremos uma versão senhoril da história”. A procura dos pobres de Jesus Cristo, p.588. Don Juan José Gerardi Conedera (1922-1988), mártir da Paz e defensor dos Direitos humanos. Apresentou no dia 24 de abril de 1988 o anúncio do reencontro da memória histórica, (Remhi) e dois dias depois, no dia 26 de abril de 1988, Don Juan Gerardi morre assassinado por ter denunciado os militares e os esquadrões da morte. 12

Os nossos fundadores e fundadoras da família passionista manifestaram sempre uma deliciosa sensibilidade com os pobres e necessitados: Paulo da Cruz via escrito o nome de Jesus no rosto dos pobres. A madre Maria José: o seu serviço apostólico, direcionado aos jovens imigrantes irlandeses pobres. (Irmãs da Cruz e Paixão de Jesus Cristo). Maria Madalena Frescobaldi: o encontro com as jovens prostitutas muda sua vida e a leva a empenhar-se em um caminho de escuta e de acolhida que tinha como objetivo recuperar a dignidade destas mulheres (Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz). Dolores de Medina com as meninas do quarteirão. “A nossa vocação tem sentido até que tenha uma dor a redimir” (Const. 65). (Filhas da Paixão). E Tereza Galifa, com as jovens mães e as crianças abandonadas. “O seu coração se enchiade cuidado pelos necessitados”. (Servas da Paixão). 14 Leonardo Boff, retirado da sua página web : www.leonardoboff.com 15 João Paulo II, Discurso inaugural de Puebla, III,4; e também em Puebla, n. 1.264. 13

"Virei ter convosco para julgar vossas questões e serei uma testemunha pronta contra os mágicos, os adúlteros, os perjuros, contra os que retêm o salário do operário, que oprimem a viúva e o órfão, que maltratam o estrangeiro e não me temem - diz o Senhor." (Mal. 3, 5). 16

17

66

Cf. Deus caritas est, nº 15. e no nº 20 afirma: “O Amor ao próximo radicado no amor


a Deus é antes de tudo um dever para cada fiel, mas é também dever para a inteira comunidade eclesial, e isto em todos os níveis ”. Cf. Gutiérrez, G.: En busca de los pobres de Jesucristo. El pensamiento de Bartolomé de las Casas, Sígueme, Salamanca, 1993, pp. 103, 105, 115, 143, 466-467, 633 y 635. Cf. Ellacuria, I.: Op. Cit, p. 80. 18 19

Cf. Populorum Progressio, 47 e Sollicitudo Rei socialis, 33g Giovanni Paolo II, a Namao, Canadá, il 7 settembre del 1984, n.º 4.

20 AGUIRRE, Rafael y VITORIA, Francisco J.: Justicia. En Mysterium Liberationis II. Ed. Trotta, Madrid, 1990. p. 566. 21

NOLAN, Albert: “Espiritualidad bíblica. Espiritualidad de la Justicia y el Amor”

22

LOIS, Julio: Pasión por la justicia

23

AGUIRRE, Rafael e VITORIA, Francisco J. Op. Cit.p. 573

24

Ibid. p. 574

25

Ibid. p.572.

26 Cf. MOLTMANN, Jürgen: La justicia crea futuro. Política de paz y ética de la creación en un mundo amenazado. Sal Terrae, Santander, 1992. (p. 72). 27

Cf. AGUIRRE, Rafael y VITORIA, Francisco J.: Op. cit. p.574

Cf. MARROQUIN, Enrique: Otro mundo es posible. Justicia, paz, integridad de la creación y vida consagrada. Publicaciones claretianas, Madrid, 2006. pp. 194-241. 28

29

Paolo VI: Allocuzione alla recente nominata Commissione di Giustizia e Pace..

30

Cf. SRS 36ª, 36b, 36c, 36f, 37c, 37d, 38f, 39g, 40d, 46e

31

Deus caritas est, nº 20

32

Deus caritas est, nº 25

33

Kofi Annan en “La Vetta del Millennio”. Sett. 2000

34

Il 20 Luglio del 1925

35

Martin Luther King: “Why we can’t wait” ( porque não podemos esperar)

Este ponto é tratado por R. BERZOSA, Para comprender LA CREACIÓN EN CLAVE CRISTIANA, EVD, Estella 1991, pp. 43 y 46. 37 Deus está na Criação, se manifesta nessa e a Criação nos fala de Deus, nos leva a Deus. Deus está no mundo e o mundo está em Deus. Neste sentido nos dirá Ian Bradley: Deus é verde, é profundamente interessado à sua criação e nos convida a apartilhar este interesse. Por isto o Evangelho é verde, o Cristianismo é verde e a nossa Igreja deveria ser verde… Cf. BRADLEY, Ian: Dios es “verde”. Cristianismo y medio ambiente. Sal Terrae, Santander, 1993. 38 MOLTMANN, Jürgen: La justicia crea futuro. Política de paz y ética de la creación en un mundo amenazado. Sal Terrae, Santander, 1992. (p. 98). 39 Ib. p. 111. 40 Ib pp. 114-122. 36

67


68


Índice Introdução ………………………………………………............

5

1.- Espiritualidade da JPIC …………………………..............

7

2.- A JPIC no nosso carisma passionista………………..........

11

2.1.- Espiritualidade passionista da JPIC: A “Memória Passionis” (Dimensão contemplativa) ...

12

2.2.- Espiritualidade passionista da JPIC: Dimensão transformadora da realidade ………..........

14

2.3.- Paixão pela Vida …………………………………...

15

2.4.- Traços característicos da espiritualidade passionista.

16

2.5.- A solidariedade dá vida à Paixão (Atuar) ……….....

18

3.- Paixão pela Justiça ……………………………...................

21

3.1.- Panorama atual da humanidade (Ver) …………......

21

3.2.- O sistema econômico injusto e as novas formas de solidariedade ………………………………….......

23

3.3.- A palavra de Deus a favor dos crucificados (Julgar).. 25 3.4.- Paixão pela Justiça …………………………….......

27

3.5.- Solidaridade e Justiça (Agir) ……………………...

28

4.- Paixão pela Paz ……………………………........................

31

4.1.- Panorama atual da Humanidade (Ver) ……….........

31

4.2.- A Paz na Bíblia (Julgar) ………………………......

32

4.3.- A Espiritualidade da Paz………………………......

33

4.4.- Educação para a Paz (Agir) ……….......................

35 69


5.- Paixão pela Ecologia …………………………………….

39

5.1.- Panorama atual do nosso planeta (Ver) ………....

39

5.2.- A Palavra de Deus sobre a Criação (Julgar) ….....

42

5.3.- Espiritualidade ecológica………………………..

44

5.4.- A realidade ecológica transformada da espiritua lidade cristã (Agir) …………….…….....................

47

6.- Método de trabalho da JPIC …………………………...

53

7.- Materiales (DVD) …………………………………….....

59

8.- Apêndice ……………………………………………........

59

Páginas web ………………………………………….............

59

Bibliografía ………………………………………….............

61

Notas …………………………………………………...........

65

Índice …………………………………………………..........

69

70


30.- GIORGINI F., Le Suore pas. Messicane. 1) I Passionisti nel Messico, 2) La Congr. Figlie della Passione e di Maria SS. Addolorata, Roma 1983, pp. IV - 66. 31.- DIEZ MERINO L., Fondamenti biblici della dottrina sopra la Morte Mistica in S. Paolo d.+, Roma 1984, pp. 57. 32.- La Bulgaria negli scritti dei Missionari Passionisti fino al 1841, a cura di Ivan Sofranov,cp, Roma 1985, pp. IV - 146. 33.- GIORGINI F., La Missione Pop. Pas. in Italia. Saggio storico, Roma 1986, pp. IV-69. 34.- SPINOZZI B., La catechesi di S. Vincenzo M. Strambi, vescovo di Mac. e Tol., Roma 1986, pp. 80. 35.- AA. VV., Commenti alle costituzioni gen. cp, cap. I-II, Roma 1987, pp. 123. 36.- IDEM, " " " " " " III-IV, Roma 1986, pp. 71. 37.- BARBERI B. D., Scritti spir.: I, Autobiografia e propositi dei suoi esercizi spir. Roma 1986, pp.136. 38.- AA.VV., Aspetti pastorali della Memoria Passionis. Riflessioni personali, Roma 1986, pp. 53. 39.- IDEM, La Memoria Passionis nelle cost., Roma 1986, pp. 62. 40.- IDEM, Commenti alle cost. gen., cap. V, Roma 1987, pp. 56. 41.- BARBERI B. D., Scritti spir.: II, Commento al Cantico dei Cantici, Gemito della Colomba, Roma 1987, pp. 206. 42.- ALONSO B. P., I Passionisti e le sfide del mondo secondo le cost. e i regolamenti 1984, Roma 1988, pp. 48. 43.- SOFRANOV I., Maria Ciociova (1811-1836) e Mirjam Grunceva (1909-1935). Due Passiflora della Miss.pas. di Bulgaria, Roma 1988, pp. 38. 44.- ALONSO B.P., La pastorale mariana nella Congr. d. Pas. verso la metà del sec. XIX. Il P. Antonio Testa ((1787-1862), predicatore della Madonna, Roma 1990, pp. 68. 45.- BARBERI D., Lettera ai Professori di Oxford. Relazioni con Newman e amici, Roma 1990, pp. 110. 46.- ARTOLA A., P. Benito Arrieta, apostolo di Cristo nella Repubblica dominicana, Roma 1991, pp. 67. 47.- PELÀ G., La spiritualità ecumenica del B. Domenico Barberi, cp, apostolo dell'unità (17921849), Roma 1991, pp. 206. 48.- SCARONGELLA C., S.Vincenzo Strambi direttore spirituale, Roma 1991, pp.121. 49.- ARTOLA M. A., Alleluia sulla croce. Profilo biografico d. M. Soledad , Roma 1992, pp. 123. 50.- ZECCA T. P., Il Ven. P.Giovanni Battista Danei, fratello di S. Paolo della Croce, Roma 1995, pp. 54. 51.- ARTOLA M. A., La Morte Mistica secondo S. Paolo d. + con testo critico , Roma 1996, pp. 136. 52.- IDEM, La Passione di Cristo nel cuore nuovo secondo S. Paolo della Croce, Roma 1998, pp. 55. 53.- F. GIORGINI, I Passionisti nella Chiesa di Bulgaria e di Valachia (Romania), Roma 1998, pp.119. 54.- M. DE SANCTIS, Elementi di teologia mariana in S. Paolo della Croce, Roma 1998, pp. 47. 55.- D. BARBERI, Breve trattato sulla carità fraterna per le Religiose della Carità, Roma 1998, p.63. 56.- D. BARBERI, A Pacific Discussion upon Controversial Subjects between a Catholic and an English Protestant, Roma 2000, pp. XII-196. 57.- F. GIORGINI, Organizzazione e Ristrutturazione nella storia della Congregazione Passionista, Appunti storici, Roma 2005, pp. 68 58.- C. ALBINI, Le Lettere di S. Paolo della Croce ad Agnese Grazi. Un esempio di direzione spirituale del settecento, Roma 2007, pp. 177. 59.- E. SEBASTIANO, Immagini di Cristo negli scritti di S. Paolo della Croce, Roma 2007, pp. 118. 60.- ARISTIN, Jesús Mª, JPIC Passionista, Roma 2007, pp. 80.

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